25 de novembro de 2006

PÁGINAS DO “DIÁRIO” - 1

— Confias em Mim, minha filha ? Confias no meu amor ?”

Só vós sabeis até que ponto vai a minha confiança. Eu confio, mas, talvez, não como devia confiar. E também, Jesus, não sofro como devia sofrer ; perdoai-me, não tenho forças para mais. Tenho-vos ofendido muito, não tenho, Jesus?

— “Sossega, tudo permito para tua humilhação. Consolo-me tanto, ao ver-te humilhada! Há quatro anos que te preveni para a luta, para lutares aparentemente sozinha. Foi aparente porque eu nunca te abandonei. Hoje não te previno para maiores lutas, porque as maiores estão passadas. Previno-te, sim, para seres forte em aguentares a tua cegueira e o sentir da minha separação de ti. Quero dar lugar àquele que virá dar-te um pouco de conforto. Dou-lhe lugar, mas fico sempre. Confia, que a Minha ausência será só aparente e não a realidade. Coragem! Depressa voarás para o Céu. Preveni-te há um ano para as amarguras. Sim, e elas continuam, porque as próprias alegrias para ti serão amargas. Sentes-te vazia, despida de tudo, até dos próprios sofrimentos? Não estranhes, que tudo do nada vem. Tudo Me deste, de tudo Me utilizei para as almas. Escuta, minha filha, é Jesus que te agradece as que, pela tua dor, no ano findo, foram salvas. Quantas já estão no Céu, quantas no purgatório, quantas ainda no mundo, mas que pelo seu arrependimento tem carta à salvação. Obrigada, minha filha, pela tua dor, pelo teu amor, pela grande mediação às almas”.

— Que vergonha, meu Jesus! Se eu pudesse esconder-me de Vós! Que grande humilhação! Um Deus a agradecer à mais pobre e miserável das suas criaturas! O que sou eu sem Vós? Se algumas almas salvei, foi com aquilo que é vosso.

Diário de 4 de Janeiro de 1946

24 de novembro de 2006

OBITO

Acabamos de receber a triste notícia do falecimento, sexta-feira dia 24 de novembro de 2006 — em Portugal, não longe de Balasar — do pai do nosso caro amigo, o Professor José Ferreira, ao qual apresentamos os nossos sinceros sentimentos, assegurando-o das nossas preces fervorosas.

Afonso Rocha e colaboradores

14 de novembro de 2006

ORAÇÃO AO PADRE HUMBERTO

O Trindade Santíssima, fazemos subir até Vós um hino de louvor e de gratidão por terdes dado à Igreja e à Família salesiana, dom Humberto Maria Pasquale, sacerdote segundo o Coração de Cristo. Quando o chamastes, ele consagrou a Vós a sua vida e seguiu fielmente o caminho aberto por São João Bosco, anunciou o Evangelho e levou, por onde andou, o Vosso amor, consagrando-se à educação da juventude pobre, aos pequeninos, aos que sofrem, e conduzindo numerosas almas pelo caminho da santidade. Nós esperamos de Vós, pela intercessão de São João Bosco e de seu filho fiel dom Humberto, a graça de sacerdotes santos e de directores espirituais que, inspirados pelo Espírito Santo, guiem os jovens e todas as almas pelo caminho da caridade e da santidade.

Imprimatur
+ Martino Canessa
Curia Arcivescovile di Tortona
22.09.2006


Centro Studi “Opera dei Tabernacoli viventi”
Famiglia Salesiana – Via Copernico 9
20125 Milano (Italia)

20 de outubro de 2006

CARLOS BRASIL
"HOMEM DE DEUS"

Carlos Brasil, nasceu na freguesia das Cinco Ribeiras, ilha Terceira (Açores), a 19 de Setembro de 1900, no seio de uma família profundamente crente e participante a todas as manifestações religiosas do curato — Cinco Ribeiras ainda não era freguesia — já nessa altura consagrado a Nossa Senhora do Pilar.

Filho de lavradores, a sua meninice e juventude foram embaladas pela lide quotidiana nos campos : lavra, semeadura, colheita, pastagem do gado, vindima, e todos os outros trabalhos fastidiosos que alimentam a vida campestre.

Porque seu pai precisava de todos os “braços” úteis, Carlos não frequentou a escola, que no seu tempo não era obrigatória e por isso mesmo era analfabeto, sabendo apenas assinar, com muito custo, o seu nome.

Depois do serviço militar — obrigatório, ao contrário da escola — o jovem açoreano desejou aprender o ofício de carpinteiro, do qual guardou, toda a sua vida, os gestos e as aptidões que lhe eram próprias : “fabricava” ele mesmo, mesas e cadeiras, bancos e armários, quando estes eram necessários no seu lar.

Depois do serviço militar, logo após a guerra de 1914-1918, Carlos conheceu Cecília, uma jovem da mesma freguesia com a qual casou.

O casal sofreu de falta de meios suficientes para viver tranquilamente, mas mesmo assim, “fazendo das tripas coração” — como se diz lá na terra —, foram vivendo com “a graça de Deus” e na companhia dos filhos que logo foram aparecendo, quase anualmente.

Mas a carpintaria não chegava para o sustento da família, por isso mesmo Carlos voltou-se de novo para a terra e “montou uma lavoura”, alugando mesmo alguns terrenos dos quais colhia trigo, milho, batatas, feijão, assim como melões, melancias e uvas, que vendidos depois, permitiam, mesmo se ainda com dificuldades, melhor vida para a família que em breve contava quatro filhos e uma filha.

Carlos era, devemos dizer, um pouco aventureiro e, para angariar fundos que permitissem uma vida melhor, ele não hesitava em fazer negócios, alguns dos quais eram por vezes desastrosos, mas ele gostava de “negociar”, de vender e de comprar, vacas, sobretudo, mas também porcos e galinhas...

Tudo parecia correr bem, mesmo se, de vez em quando algumas dificuldades surgiam ainda, quando, talvez para o experimentar, Deus permitiu que Cecília — que sempre se mostrou uma esposa fiel e dedicada, assim como mãe extremosa e carinhosa — adoecesse e que, passados poucos meses, voltasse para a Mansão celeste, deixando Carlos, se marido, com cinco filhos ainda novos a seu cargo.

A prova foi extremamente dolorosa, mas Carlos tinha de reagir e procurar alguém que aceitasse de se ocupar dos filhos que o Senhor lhe tinha dado e que agora se encontravam sem o carinho e o amor da mãe.

Passados os meses usuais, encontrou em Maria — uma jovem da mesma freguesia — a mulher capaz de ocupar o lugar deixado vazio pelo óbito de Cecília.

Maria, fez o que pôde, sabendo que nenhuma madrasta pode ocupar o lugar deixado pela mãe que Deus chamou. Ela foi no entanto aceite pelos filhos de Carlos e respeitada por estes, como se fosse mãe verdadeira.

Deste segundo matrimónio nasceram mais três filhos, dos quais um só sobreviveu.

A vida de Carlos, continuou a mesma : lide nos campos e negócios. A carpintaria, não tendo qualquer sucesso, deixou de fazer parte das suas diversas profissões.

Uma coisa portanto nunca mudou : a vida espiritual.

Mesmo se o golpe fora duro, após o falecimento de Cecília, Carlos nunca se revoltou e aceitou com humildade e confiança aquilo que Deus permitia. Ele não sabia ler nem escrever, mas conhecia a história de Job, por tê-la ouvido ler por um de seus filhos : ele sabia pois que Deus é o único a saber tirar o bem do mal, qualquer que este seja.

Nós não podemos afirmar, mas estamos convencidos que Carlos sempre disse ao Senhor : “Que a vossa vontade seja feita”.

Nos momentos das festas da Padroeira, ele estava sempre pronto a participar a todos os trabalhos de embelezamento das ruas onde passaria a processão, chegando mesmo a fazer, diante de sua casa, arcos muito engalanados, rodeados de bandeirinhas multicores. Também se proponha, em caso de necessidade, de transportar, com três outros compatrícios, um dos andores da procissão que nessa época percorria quase toda a freguesia.

Habitado por um profundo sentimento de amor familiar, recolheu em sua casa, durante alguns anos, Maria do Rosário, sua mãe, a quando da morte de seu pai, António Brasil.

Esta anciã, muito devota e temente a Deus, lia, todos os dias, o Livro das Horas e praticava diversas devoções. Faleceu quase centenária — 99 anos — continuando a enfiar o fio na agulha sem a ajuda de óculos, o que causava a admiração de todos os que a conheciam.

Carlos, quanto a ele, continuava nas suas lides habituais, até que a idade o obrigou ao repouso.

A partir desse momento, visto que não tinha obrigações laborais que o impedissem, começou a assistir à Missa todos os dias, recebendo quotidianamente a Sagrada Comunhão, que passou a ser o seu alimento favorito, sobretudo para sua alma que desde então o Senhor começou a “trabalhar” mais fortemente, como se quisesse precisar dele para outras lides mais importantes : a salvação das almas.

O antigo lavrador dos campos ia-se tornando cada vez mais em lavrador de almas e, se antes era já muito respeitado por todos, como homem de palavra e extremamente íntegro, desde então era visto como um “homem de Deus”, aquele que atrai a si, não só as crianças mas também os mais idosos : Carlos era respeitado porque inspirava respeito e respirava Deus.

Conta-se que, quando todas as manhãs ia à Missa, levava os bolsos cheios de rebuçados que à saída da igreja distribuía às crianças que, sabendo o que os esperava, logo o rodeavam, saltitando alegres à sua volta.

— O Ti Carlos, um rebuçado...

— O Ti Carlos, eu ainda não tive nenhum...

E sorrindo a todos, a todos procurava agradar e fazer prazer. Não tinha dito Jesus : “Deixai vir a mim as criancinhas” ?...

Não contente de consagrar a manhã ao Senhor, Carlos, quase todos os dias ia fazer — durante a tarde — ao menos uma “estação” à Igreja, diante do Santíssimo Sacramento, braços abertos e olhos fixos na hóstia que ele não via mas imaginava.

Foi numa dessas ocasiões que aconteceu o que ainda nunca foi dito, mas que é verídico, e que, visto o amor que ele tinha para com o Santíssimo Sacramento e a devoção indefectível ao Sagrado Coração de Jesus.

Nós não conhecemos nem a data — pensamos que tenha sido no princípio dos anos setenta — nem os termos exactos do encontro que vamos descrever e que nos foi comunicado por Maria, segunda esposa de Carlos.

Durante uma das “estações” ao Santíssimo Sacramento, Carlos viu-se envolvido por uma grande claridade e, no meio desta apareceu-lhe o Sagrado Coração de Jesus.

Que lhe disse ou o que lhe pediu o Senhor, não sabemos, mas o certo é que Carlos se ofereceu como vítima, aceitando corajosamente de sofrer pela salvação dos pecadores, entre os quais, provavelmente estaria contado um dos seus filhos que nessa ocasião se encontrava completamente afastado da prática religiosa.

Uma só pessoa foi confidente deste facto sobrenatural: sua esposa, Maria.

Disse-nos esta que diversas vezes, em casa, quando Carlos já se encontrava acamado para sempre, este fenómeno voltou a verificar-se.

Aqueles que assistiram à sua morte, ocorrida a 3 de Maio de 1979, testemunharam que ele falecera olhando fixamente, parecendo sorrir, o ângulo do quarto onde habitualmente via o celeste visitante.

A quando da cerimónia religiosa, na igreja paroquial, o sacerdote que celebrou a Missa, não hesitou um instante para anunciar, categoricamente a todos os assistente — a igreja estava cheia : “Estamos na presença de um santo”.

Nenhuma tentativa foi feita — e certamente nunca será — em vista da beatificação e canonização de Carlos Brasil, porque ele sempre foi indiferente a todo e qualquer elogio, a toda e qualquer manifestação ou louvor: Carlos era humilde e humildemente morreu, deixando para a posteridade a imagem de um homem profundamente cristão, bom filho, bom marido e bom pai.

Como acima dissemos, Carlos não sabia nem escrever nem ler, por isso mesmo não deixou quaisquer escritos. Dele temos muitas notas e muitas recordações. Dessas notas tiramos matéria para comentários de certas passagens dos Evangelhos que ele, depois de os ouvir ler, explicava, à sua maneira : simplesmente, mas profundamente.

Alguns desses comentários podem parecer rudes, demasiado críticos, mas Carlos, homem do campo, dizia, respeitosamente aquilo que pensava sobre os diversos assuntos relacionados com o Evangelho e com a vida da Igreja.

Quando alguém lhe dizia : “O Ti Carlos, isso é duro, até admira o senhor dizer uma coisa dessas...” a sua resposta era invariável : “A verdade é para ser dita, que gostem ou não ; eu não tenho teias de aranha na língua... e, se quiserem que tudo siga em frente, só pode ser assim com a verdade, que ela agrade ou não!...”

E dava exemplos tirados dos Evangelhos : “Lembrem-se do que Jesus disse aos fariseus, chamando-os sepulcros caiados de branco... ; o que ele disse aos mesmos quando eles queriam apedrejar a mulher adúltera... ; a sua resposta ao jovem rico e, assim de seguida... Nosso Senhor disse sempre a verdade, não temendo dizê-la até à morte... Falar assim não é dizer mal, falar assim é dizer a verdade, é amar e, eu amo Nosso Senhor e a sua Igreja, por isso me custa muito calar-me quando vejo coisas que não estão certas...”

Carlos sempre assim foi : íntegro e amigo da verdade.

Aqui fica pois, para satisfazer a curiosidade de alguns, o comentário que podíamos fazer sobre Carlos Brasil cujo nome aparece como o autor de certos comentários litúrgicos aqui apresentados.

Tenhamos sempre um pensamento amigo e meigo, para com este “homem de Deus” e recorramos a ele, quando desejamos que a verdade seja vitoriosa, tanto nas coisas de Deus, como no nosso dia a dia.

Afonso Rocha

19 de outubro de 2006

BEATA ALEXANDRINA

Um milagre vivo da Eucaristia

O livrete de Kevin Rowles : Beata Alexandrina : Um milagre vivo da Eucaristia já foi editado : em três dias foram vendidos 750 exemplares.

Um sucesso !...

O livrete é vendido ao preço de 2 euros a unidade.

Para comprá-lo, podem dirigir-se a :

Kevin Rowles

80 Craneford Way, Twickenham, TW2 7SQ, Inglaterra

Ou

The Alexandrina Society

32 Bridge Street, Belturbet, Co. Cavan, Ireland

7 de outubro de 2006

COMENTARIO LITURGICO
DOMINGO DIA 8 DE OUTUBRO DE 2006

« Não separe o homem o que Deus uniu »

« Pode um homem repudiar a sua mulher ? »
A resposta de Jesus a esta pergunta é sem apelo :
« Não separe o homem o que Deus uniu »
Mas se a mulher comete o adultério, o marido pode separar-se dela ?
Eis uma pergunta que poderia ser embaraçosa…
Mas uma outra pergunta me vem à mente :
E se o homem comete o adultério, que deverá fazer a esposa ?
Preciso é não esquecer que não só a mulher pode cometer o adultério ; o homem também e, está provado que este o comete mesmo mais vezes do que a mulher. Portanto, seguindo este mesmo raciocínio, seria lógico dizer que a mulher tem os mesmos “direitos” que o homem, quer dizer, em caso de adultério, repudiar ou abandonar o marido, sobretudo que a ferida por ela recebida ficará para sempre viva, indelével : nunca mais desaparecerá...
Mas nós os homens — aqui é um homem que fala — consideramo-nos superiores às mulheres e dizemos beneficiar de mais liberdade do que elas... Temos ainda outro defeito muito mau : não gostamos que nos apontem os defeitos nem cocegueiem o nosso sacrossanto “ego”. E portanto, a prova está feita, desde há muito, que somos muito mais infiéis do que as mulheres, dentro do matrimónio.
Que fazer então ?
Jesus explica : « e os dois serão uma só carne ».
Ora, certo é que, se alguém tem um dedo da mão com gangrena, não vai de maneira nenhuma cortar a mão : começa por cortar o dedo gangrenado, salvaguardando assim a uniformidade da mão, mesmo com um dedo a menos.
Que a mesma coisa se faça em caso de adultério.
Bom é lembrar que aquilo que acaba de fazer a esposa, o marido poderia tê-lo feito igualmente e, que nesse caso desejaria, provavelmente que a esposa lhe perdoasse: faça pois o marido isso mesmo : perdoe à esposa o “deslize” que teve, pedindo-lhe que não volte mais a cometer esse erro. E, ame ainda mais a sua esposa, se isso é possível, porque só o amor é o “cimento” de cada casal.
Marido, pensa também nos teus filhos e pergunta a ti mesmo : “Que vai ser deles ? Vão perder a presença de uma mãe e pagar por aquilo que não fizeram, e de que não têm culpa nenhuma”.
Se assim pensares, marido (ou esposa), estareis de acordo com o que disse Jesus :
« Não separe o homem o que Deus uniu ».

Carlos Brasil

5 de outubro de 2006

FESTA LITURGICA
DA BEATA ALEXANDRINA
* * * *
PROGRAMA
13 de Outubro de 2006

06H30 Oração do Rosário.
07H00 Eucaristia (Missa do Peregrino).
07H30 Exposição Solene do Santíssimo.
10H15 Oração do Rosário.
10H45 Eucaristia Solene com benção aos doentes (Missa do doente).
18H30 Encerramento do Lausperene com bênção do Santíssimo.
19H00 Eucaristia Solene de Acção de Graças presidida pelo Sr. Bispo Auxiliar de Braga, D. António Dias.
20H00 Bênção da Imagem da Beata Alexandrina.

28 de setembro de 2006

51° ANIVERSÁRIO DA MORTE DA BEATA ALEXANDRINA

13 de Outubro de 1955


Pequena e humilde homenagem neste 51° aniversário do "nascimento ao Céu" da Beata Alexandrina de Balasar.

“Se aqui eu não voltar,
A ver-Vos mais Maria,
No Céu, no Céu, no Céu,
eu vos verei um dia!”

O momento chegou,
Que feliz este dia,
Em que p’ró Céu eu vou
Grande é minha alegria!

P’ró Céu, p’ró Céu, p’ró Céu
Mas que pressa é a minha!...
Jesus é todo meu,
Assim como a Mãezinha!...

Mas que bela esta luz,
Que dita é esta minha:
Eu já vejo a Jesus
E com Ele a Mãezinha!

Adeus, adeus, adeus,
Já não posso esperar:
Já se abrem os Céus,
Jesus me manda entrar!

Feliz aquele alminha
Que aceita a sua cruz...
Agrada à Mãezinha,
E contenta Jesus.

Do Céu, junto de Deus,
Por vós eu pedirei!...
Coragem, irmãos meus,
Não vos esquecerei!

Afonso Rocha

15 de setembro de 2006

ALEXANDRINA MÍSTICA – 2

Que é um místico ?

O místico não é só aquele ou aquela que beneficia de visões sensíveis ou imaginativas ; de locuções interiores, levitações, bilocações ou quaisquer outros dons sobrenaturais excepcionais ; o místico é também, e sobretudo, aquele que vive uma vida interior cheia de recolhimento, cheia de amor de Deus ; o místico é ainda aquele que vive exclusivamente para Deus, de Deus e em Deus, conformando a sua vida, tanto quanto lhe é possível, aos ensinamentos evangélicos, ensinamentos deixados pelo próprio Jesus, que os viveu ao mais alto grau, de maneira que, seguindo o seu exemplo, todos se reconheçam nele.
O místico é portanto aquele que faz dos dois primeiros mandamentos de Deus uma regra de vida e que os vive plenamente, sem se preocupar minimamente de qualquer outra atracção que a vida ou as circunstâncias desta colocam na sua frente.
O verdadeiro místico pensa só em Deus, exclusivamente ; nada mais procura fazer do que a vontade de Deus em todas as coisas, mesmo ao risco de sofrimentos, mesmo se por isso ele deve oferecer a sua própria vida. Isto é pois o primeiro mandamento : “adorar à Deus e ama-lo acima de todas as coisas”.
O verdadeiro místico preocupa-se da salvação das almas e aceita, sem qualquer receio, humilde e amorosamente, participar na redenção do seu próximo. Eis aqui o segundo mandamento : “amar o próximo como a si mesmo”.
O místico não é fanático, mas sim aquele que, habitado pelo amor de Deus, uma só coisa deseja, de nada mais precisa, de nada mais se interessa senão deste amor cioso e amorosamente possessivo que é o amor de Deus, para o qual ele pende continuamente.
O místico é aquele que, ao mínimo chamamento se encontra todo inteiro na presença do se bem amado, que responde sempre presente ao mais pequenino apelo da Sabedoria infinita, à mínima solicitação da Misericórdia divina.
O místico é aquele que, ouvindo pronunciar « o Nome que está acima de qualquer Nome » [1], o nome do seu bem amado, se sente ligeiro como o ar, sente o seu coração cavalgar, arder de amor pelo “esposo”, e, por pouco que não consiga dominar-se, sente seus olhos cheios de lágrimas de alegria, aperta o seu peito e grita : “Jesus ! Jesus, eu amo-te, sou todo teu !” Ele tem como a impressão de já não viver neste mundo e, o seu único e mais veemente desejo è o Céu.
(Continua)

[1] S. Paulo aos Filipenses: 2, 9.

Afonso Rocha

13 de setembro de 2006

NOVO LIVRO

Temos o prazer de informar todos os nossos amigos que um novo livro sobre a Beata Alexandrina acaba de ser editado em Itália.
Trata-se de um trabalho do Padre Pier Luigi Cameroni e que se intitula:
“Sui Passi di Alexandrina” (Nas pegadas da Alexandrina).
Este livro é apresentado como “um testemunho para ajudar a descobrir a riqueza espiritual da Beata Alexandrina Maria da Costa, mediante uma breve síntese da sua vivência humana e espiritual...”
Pensa o autor que o dito livro “tentará promover um melhor e mais aprofundado conhecimento da mensagem que Jesus nos dá através da Alexandrina”.
Desejamos o melhor êxito a esta nova iniciativa italiana, esperando que em breve este trabalho possa ser traduzido em português, de maneira que também em Portugal se possa fazer a mesma promoção, para a maior glória de Deus e a exaltação da bem-aventurada Alexandrina de Balasar.

Afonso Rocha
CENTENÁRIO DE DOM HUMBERTO PASQUALE

”ad perpetuam rei memoriam”

No passado dia 1 de setembro de 2006, ocorreu o centésimo aniversario do nascimento do Padre Humberto Maria Pasquale, “sacerdote segundo o Coração de Cristo, salesiano no coração de Dom Bosco e Director espiritual da Beata Alexandrina Maria da Costa”.
Efectivamente, este “santo” sacerdote nasceu em Vignole Borbera, Itália no dia 1 de Setembro de 1906.
No sábado, dia 7 de Outubro, será organizado um encontro de salesianos e amigos do bom Padre Pasquale e, ser-lhe-á prestada uma digna homenagem.
Este encontro decorrerá em Valdocco, nos arredores de Turim e será animado pelo Padre Dom Pier Luigi Cameroni e pela Professora Maria Rita Scrimieri, grande especialista da vida e obras da Beata Alexandrina.
Este encontro contará igualmente com a presença de Dom Enrico dal Covolo, Postulador Geral pelas causas dos santos da Família Salesiana, pelo que foi igualmente o Postulador final da causa da Beata Alexandrina, por ela ser Cooperadora Salesiana.
Este encontro terminará com uma Eucaristia á qual assistirão, provavelmente numerosas pessoas, que pouco antes terão visitado o Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora e o Centro de Estudos Salesianos.

Afonso Rocha

12 de setembro de 2006

ALEXANDRINA MÍSTICA – 1

Razão deste tema

Estudar a mística vivida pela beata Alexandrina de Balasar é um prazer ao qual não posso resistir. Como não penso fazer deste humilde estudo um assunto pessoal, desejo partilha-lo com aqueles que, visitando estas páginas possam interessar-se por tal fenómeno, que não sendo corrente, faz parte integrante da vida cristã. Pena é que ― eu falo pelo que vejo em França ― este estudo importante não faça já parte dos estudos nos seminários e infelizmente, são poucos agora aqueles que sejam ou possam ser « doutores » nesta matéria delicada.
Eu não sou teólogo, claro está, mas apenas um simples “aprendiz” de ascética e de mística.
Por aqui, já me interessei em alguns casos : Nicolas Roland
[1], fundador duma Congregação religiosa e que foi o Director espiritual de S. João Baptista de La Salle ; o Padre Paul Warnier (1900-1966) [2], pároco de uma das maiores paróquias da cidade francesa de Reims ― onde vivo ― sem falar no caso vivido actualmente por uma senhora, mãe de família, e que eu sigo atentamente, deixando à Igreja a decisão que melhor lhe convier neste ultimo caso.
Depois de muito ter lido e estudado os autores mais conhecidos nesta “arte” ― S. João da Cruz, santa Teresa de Ávila, a beata Angela de Foligno, santas Catarina de Sena e de Génova, Afonso Rodriguez, santa Maria Madalena de Pazzi e alguns mais ― pensei que seria bom, no caso da nossa recém beata Alexandrina Maria da Costa, compor um simples trabalho e neste fazer salientar as similitudes existentes entres os mestres da mística citados e a nossa Bem-aventurada de Balasar.
Mas, comecemos pelo principio...
(Continua)
Afonso Rocha

[1] Nicolas Roland, mystique.
[2] Paul Warnier, un prêtre de feu.

27 de maio de 2006

BEATA ALEXANDRINA
novo blog
No começo deste mês de Maio 2006 foi criado, no “Sapo” um “Blog” dedicado à Beata Alexandrina de Balasar...
Porquê um novo “Blog”?
Habituado a trabalhar com os materiais franceses — entenda-se tudo aquilo que diz respeito à informática e à Internet — nem sempre me é fácil, desde França, estar ao corrente dos modos de funcionamento do “material” português; não porque este seja inferior ou menos eficaz do que o francês, nem pensar nisso, mas simplesmente porque quando se tomaram certos hábitos, nem sempre é fácil mudá-los...
Por isso mesmo resolvi criar um outro “Blog”, onde poderão ser igualmente colocados temas referentes à nossa querida Alexandrina. Todo neste “Blog” será publicado em português.
Eis a razão da existência deste novo “Blog” situado fora de Portugal, mas feito para portugueses, especialmente para aqueles que tenham devoção à Beata Alexandrina.
Quantos o desejarem, podem visitar não só este humilde “Blog”, mas igualmente os principais “Sites” que tratam, em diversas línguas dos assuntos referentes à vida e à obra da Alexandrina de Balasar:
Outros há ainda, mas aqui ficam os principais.
O primeiro da lista é o Sítio oficial de Balasar do qual tenho a honra de ser o Webmaster.
O próximo mês de Junho é consagrado ao Coração de Jesus; e todos conhecem o amor que tina a Beata Alexanrina ao Sagrado Coração, e nele à Divina Eucaristia. Por isso mesmo, vamos pedir à nossa querida Alexandrina que durante o próximo mês, tenhamos um desejo especial e veemente de nos consagramos ao Coração de Jesus e de consagramos a Ele os nossos lares e as nossas famílias.
E, ao terminar esta introdução de “Blog”, faço apelo a todos aqueles que desejem colaborar, que nos escrevam:

Que Deus abençoe a todos e que a Beata Alexandrina nos ensine a melhor caminhar nas vias do Senhor.
Afonso Rocha