24 de dezembro de 2007

2 de agosto de 2007

QUERO SER VITIMA

“Quero ser vítima !”
Esta página dos “Sentimentos da alma” ditada pela Beata Alexandrina para o seu Diário é deveras interessante, visto que ela aí mostra não só a sua humildade, mas também as suas lutas, as suas dúvidas, dúvidas motivadas pelo tesouro que lhe fora encerrado no coração por Jesus e Maria : a humanidade.
Ela vive sentimentos que são dela sem verdadeiramente o serem, visto que as dúvidas de que vai falar-nos, não são propriamente as suas mas as da humanidade. Esta “incorporação” da humanidade que ela vive desde há muito e já em si um grande sofrimento, visto que a Beata Alexandrina vivia então tudo quanto vivia a própria humanidade, com todos os bens e males que nela existiam então e existem ainda.
Conhecendo esta situação particular da sua alma, pode-se assim compreender melhor quando ela escreve : “E eu, pobre de mim, apavorada pelos sofrimentos, parece-me que vou tantas vezes a cair no desespero !” ou ainda quando ela diz, mais adiante : “Era melhor gozar tudo neste mundo, porque depois desta vida nada mais há.” Se assim não fosse, estas palavras saídas da sua boca seriam inaceitáveis. Mas logo a seguir, ela diz também : “Ó Jesus, ó Mãezinha, não consintais que eu deixe de confiar e esperar em Vós. Valei-me, eu não quero ofender-vos.” Estas, ao contrário, são palavras suas e não aquelas da humanidade pecadora que dentro do coração da Alexandrina se agita e se rebela.
A Alexandrina só tem um único desejo : “Quero ser vítima e só quero o que quer o meu Senhor.” E, para que assim seja, ela conhece o melhor refúgio, o único asilo onde as portas estão sempre abertas : o Coração de Jesus [1].
Um longo colóquio se trava entre Jesus e a sua querida esposa. Jesus queixa-se da dureza do coração dos homens, dos desvaires criminosos da humanidade pecadora e propõe soluções para conter esta terrível calamidade e, para tranquilizar a sua vítima, diz-lhe também que ela o não ofende com as suas dúvidas, porque fazem parte do plano divino.
No fim do colóquio Jesus, para a confortar e alimentar, propõe-lhe uma gota do seu santíssimo Sangue [2]. É assim “mais uma renovação das maravilhas de Jesus, mais uma gota de Sangue divino a correr nas veias da vítima deste Calvário”, acrescenta Jesus.

* * * * *

« Ainda não posso falar. Só dito umas palavrinhas como prova de que quero obedecer até à morte. Não sei o que me espera. Não sei se o meu coração adivinha alguma coisa. É tal a dor e a agonia que por vezes parece tirara-me esta vida morta que eu vivo. Não tenho para onde virar-me, não tenho quem em socorra. Digo com toda a verdade : no sentir da minha alma, não tenho uma única pessoa que seja por mim, em quem possa confiar. Parece-me que ninguém me acredita, todos duvidam de mim, todos me escarnecem e desaparecem. E eu, pobre de mim, apavorada pelos sofrimentos, parece-me que vou tantas vezes a cair no desespero ! E daqui nasce a revolta contra Deus, se é que Ele existe ; sem eu querer, é claro, mas tenho momentos de duvidar da existência de Deus. Caso Ele existisse, seria para mim pior que um tirano. Vem-me esta tentação : como pode consentir Deus que eu sofra tanto no corpo e na alma por tão longos anos ! Depois a dúvida da eternidade ! Era melhor gozar tudo neste mundo, porque depois desta vida nada mais há. Ai, meu Deus, meu Deus, quando assim luto, atiro-me para Jesus e para a Mãezinha, chamo-os e abandono-me só a Eles. Digo-lhes : Ó Jesus, ó Mãezinha, não consintais que eu deixe de confiar e esperar em Vós. Valei-me, eu não quero ofender-vos. Sinta o que sentir, passe pelo meu espírito o que passar, eu abandonada a Vós vou para onde Vós fordes, fico onde me colocardes e convosco serei salva. Parece-me que não acredito na Santíssima Trindade nem em Jesus sacramentado, nem nosso Santos, nem no Céu. Tudo é morte depois desta vida, assim como é morte tudo em mim já nesta.
Continuo a sofrer muito com aqueles instrumentos que passaram do Coração da Mãezinha para o meu. Mas, ai o sangue dela junto ao de Jesus é o que mais me causa mais dor. Como pode juntar-se o sangue divino ao meu ? Parece-me que foi um enxerto no meu coração. E em mim tem que haver raízes bem fortes, bem presas para o fundo, para não deixarem o vendaval atirar o tronco a terra, para que os rebentos possam florir e dar bons frutos. Queria dizer muito deste sentimento, mas a ignorância não me deixa. Sofro, sofro infinitamente, mas não deixo de ansiar os sofrimentos, a perfeição, o amor a Jesus e às suas coisas. Quero ser vítima e só quero o que quer o meu Senhor. Em toda esta angústia passei o meu dia de ontem bradando, bradando uma e outra vez ao Céu. Vi-me no Calvário e este cheio de caminhos e todos tinham que ser regados com o meu sangue. Esta visão transportou-me ao Horto. Cheia de agonia e pavor, suei sangue. Fui presa e transportada para a prisão. Suportei todos os tormentos daquela vil canalha. E hoje, sob a fúria dos mesmos, segui para o Calvário e ainda crucificada na cruz com todo o corpo retalhado a sua raiva e ódio saíam sobre mim. Eu senti que os malvados queriam ver-me desaparecer para sempre. Que ódio, que crueldade ! E o Coração divino de Jesus não deixava em mim de amar. Era dentro do meu coração que Ele amava a Humanidade inteira. E eu não podia deixar de amar a cruz; via e sentia que só ela era a vida. O sangue regou todo o Calvário e era como se regasse o mundo inteiro, todo ali presente, todo cruel a dar a morte a Jesus. Fiquei sem vida, foi como se entregasse o espírito ao Céu, a Deus. Não levou muito tempo que eu voltasse à vida; foi Jesus que ma deu e falou no meu coração.
— Quantos avisos, quantos pedidos do Mendigo Divino, e Jesus vai imolando a sua vítima, Jesus vai-a crucificando contidamente. E o mundo, o cruel mundo continua com os seus desvarios. Continua na opulência, na vaidade, na devassidão.
Minha filha, Minha querida filha, os pedidos de Jesus não são uma coisa vã. É grande, é grande, é urgente a imolação mais dolorosa e permanente. Ai de Portugal sem a vítima deste Calvário ! Pobre Portugal, se não correspondes ! Ai do mundo sem a Santa Missa, sem a Eucaristia, sem as minhas vítimas. Ai do mundo sem a vítima pequenina nos seus olhos, mas grande, muito grande, com toda a grandeza aos olhos de Deus !
Pede, pede, Minha filha, levanta ao Céu as tuas mãos, fixa nele os teus olhares, não duvides da tua prece, não duvides do teu poder com o Todo-Poderoso. Tudo pedes com Jesus, tudo pedes com Maria. Eu quero, Eu quero, sim, Minha filha, que o teu brado seja constante. Tem coragem, tem coragem; os teus sentimentos não são a realidade. Os teus sofrimentos, os teus sofrimentos nascem cada vez mais dolorosos nesses sentimentos aflitivos. A hora é grave, a hora é grave ! O teu esposo Jesus lançou mão a tudo. Quer salvar o mundo, quer salvar sobretudo Portugal. Pede, pede, Minha filha, a misericórdia, a compaixão da santíssima Trindade.
— Ó meu Jesus, ó minha Trindade Divina, como hei-de eu pedir-vos se duvido de Vós ! Como hei-de eu pedir-vos se é tão grande a minha dúvida ? Bem sabeis, Senhor, que em nada acredito, mas não deixo de combater. Mas já que agora não duvido, já que agora acredito que existe uma eternidade, peço-vos com toda a lama e com todo o coração : Jesus Sacramentado, Coração Divino de Jesus, Santíssima Trindade, Eterno Pai, quero aplacar a Vossa justiça, quero implorar a Vossa misericórdia. Apiedai-vos, apiedai-vos, compadecei-vos de Portugal, compadecei-vos do mundo inteiro ; todo o mundo é filho do Coração Divino de Jesus.
— Ó Minha filha, ó Minha filha, todos os teus sofrimentos são obra da sabedoria divina. Tu não desgostas nem ao de leve o teu Jesus com as tuas dúvidas. Tudo quanto de ti exijo são meios de salvação. Não percas o teu heroísmo, a tua generosidade. O Senhor conta contigo. Da dor do teu coração hão-de rebentar rebentos novos, como rebentarem da árvore da cruz. Não te tenho dito Eu que em tudo te assemelhei a Mim ? Que alegria para o Meu Divino Coração se os homens compreendessem bem isto ! Tu toda Cristo, toda Jesus. Jesus em toda a vida da Sua vítima.
Vem receber a gota do Meu divino sangue.
Mais uma renovação das maravilhas de Jesus, mais uma gota de sangue divino a correr nas veias da vítima deste Calvário.
Fica, Minha filha, na tua cruz. Fica nesta dor que só Jesus conhece e compreende. Fica nesta vida que Ele te escolheu. Fica com coragem, fica com alegria. Bendiz e sorri sempre à tua cruz que te dá o Senhor.
Coragem, coragem, o Céu é contigo. Pede oração, pede penitência.
— Obrigada, obrigada, meu Jesus. »[3]
_____
[1] Ler a este respeito : “Junto do altar do Sagrado Coração de Jesus”, um longo trabalho sobre a relação estreita e amorosa entre o Coração de Jesus e a Beata Alexandrina.
[2] Ler sobre esta “transfusão” de Sangue divino, o trabalho intitulado “O Sangue do Cordeiro”.
[3] Sentimentos da alma : 10 de Janeiro de 1952 – Sexta-feira.

30 de julho de 2007

REVERENDISSIMO SENHOR DOUTOR

Carta XI

« Viva Jesus !
Balasar, 21 de Janeiro de 1934
Reverendíssimo Senhor Doutor :
Tomei a pena na mão para escrever a Vossa Reverência, eram nove horas da noite, mas as lágrimas quase que me cegavam, que mal via para seguir direito, mas tinha razão de sobra para assim fazer, porque se acabaram quase todas as minhas esperanças de Vossa Reverência aqui voltar dar-me alguma consolação espiritual. Ai de mim ! Só Nosso Senhor sabe como eu esperava esse dia feliz ! Tornará o meu bom Jesus a conceder-me esta tão grande graça ? Não Lha mereço ; mas Nosso Senhor que tudo conhece e sabe bem todos os meus desejos, há-de ter misericórdia de mim.
Senhor Doutor, no dia 8 do corrente tive aqui a visita da Candidinha Almeida juntamente com um Senhor Padre que, por algumas palavras, entendi que Vossa Reverência me tinha recomendado a ele. Mais uma vez lhe agradeço a caridade que teve para comigo. Ele consumiu-se para que eu ficasse bem e perguntava-me se eu ficava contente, e eu dizia-lhe que sim. Nem mentia, nem falava verdade : ficava contente porque não tem comparação com o nosso, mas ficava muito triste porque de Vossa Reverência para ele tem uma distância que nem posso comparar. E mais motivos tinha para me causar tristeza, mas fica para lhe dizer, se tiver a alegria de o ver outra vez ao pé de mim, pobre pecadora. Ou Vossa Reverência vai esquecer-me de todo, não voltando a visitar-me e a escrever-me ? Oh ! peço-lhe, por amor de Jesus e de Maria, que isso não pense, porque para mim seria como tirar-me a luz dos meus olhos, o tirar-me a luz da alma. Oh ! como eu preciso de quem me auxilie na santificação, para assim no Céu poder viver mais junto de Nosso Senhor !
Senhor Doutor, já lá vai um mês sem que eu tenha tido umas palavrinhas de Vossa Reverência para meu conforto. Bem sei que tem muito trabalho e muito em que pensar, mas já acho uma demora grande. Será por estar melindrado comigo ? Se assim for, peço que me perdoe, que não fiz nada com o fim de o ofender.
Então como passou o dia de anos ? Eu há meses que tinha este papel para lhe escrever no dito dia 16, juntamente com este santinho que tinha mandado comprar para este fim, a final não escrevi porque estava tão triste e tão desanimada, que não me senti com coragem de escrever. À vista lhe contarei quanto tenho sofrido nestes tristes dias, mas não o esqueci de um modo especial, assim como a minha irmã e a minha mãe. Elas se recomendam muito.
Adeus, até não sei quando.
Peço desculpa por ir muito mal escrita, mas nem sei, nem posso melhor. De saúde continuo na mesma : dias pior, dias melhor, mas sempre fraquinha. Peço para pedir muito a Jesus por mim e também para me abençoar com uma benção muito grande.
Esta que não o esquece em minhas pobres orações.
Alexandrina Maria da Costa ».

* * * * *
Nesta carta, como na precedente, Alexandrina volta a chamar ao seu Director espiritual “Reverendíssimo Senhor Doutor”, “título” que talvez não seja muito do agrado do bom sacerdote, visto que aqui mesmo termina essa “apelação” pomposa e contrária ao espírito humilde do Jesuíta.
Alexandrina sente a partida do seu Paizinho e, o seu coração está triste por causa desta separação ; tem mesmo dificuldades em escrever, por que chora :
“Tomei a pena na mão para escrever a Vossa Reverência, eram nove horas da noite, mas as lágrimas quase que me cegavam, que mal via para seguir direito”.
Apenas cinco meses separavam esta data daquela em que o Padre Mariano Pinho tinha assumido o encargo de dirigir a alma da Alexandrina, mas os seus modos calmos, o seu falar meigo, mas sem pieguices, a persuasão natural ao falar das coisas de Deus e os seus conhecimentos teológicos postos à medida das almas simples, tinham de tal maneira penetrado a alma da “Doentinha de Balasar” que ver-se privada de tão precioso Cireneu, lhe causou uma pena muito grande, sobretudo sabendo que agora seria muito mais difícil encontrarem-se de outra maneira que por intermédio de cartas, por isso ela pensa que “tinha razão de sobra para assim fazer, porque se acabaram quase todas as minhas esperanças de Vossa Reverência aqui voltar dar-me alguma consolação espiritual. Ai de mim !”.
Ela voltará a encontrá-lo em Balasar, porque o Padre Pinho será diversas outras vezes convidado a pregar tríduos na periferia daquela aldeia e virá visitar a sua dirigida. Mas isso, ela não o sabe nem o adivinha.
“Só Nosso Senhor sabe como eu esperava esse dia feliz ! Tornará o meu bom Jesus a conceder-me esta tão grande graça ?”
A sua humildade vem de novo à tona e hei-la conformada com a vontade do Senhor, reconhecendo no entanto que não merece tal dádiva.
“Não Lha mereço ; mas Nosso Senhor que tudo conhece e sabe bem todos os meus desejos, há-de ter misericórdia de mim”.
De vez em quando a “Doentinha de Balasar” recebe visitas, não só dos conhecidos e amigos da aldeia ou aldeias vizinhas, mas também pessoas que tendo ouvida falar dela desejam encontra-la e conversar das coisas de Deus.
Aqui tratam-se de pessoas que conhecem o Padre Pinho, como se pode verificar pelas palavras que a Alexandrina escreve :
“Senhor Doutor, no dia 8 do corrente tive aqui a visita da Candidinha Almeida juntamente com um Senhor Padre que, por algumas palavras, entendi que Vossa Reverência me tinha recomendado a ele”.
Não sabemos qual tenha sido este sacerdote, porque a Alexandrina não o nomeia, mas o que certo é que “ele consumiu-se” para que ela ficasse bem e perguntava-lhe se ela ficava contente, e ela dizia-lhe que sim.
Mas este dizer que sim tem explicação : “Nem mentia, nem falava verdade : ficava contente porque não tem comparação com o nosso, mas ficava muito triste porque de Vossa Reverência para ele tem uma distância que nem posso comparar”.
No entanto a lembrança de lá o enviar a visitar a sua dirigida não fica sem agradecimento. A Alexandrina escreve : “Mais uma vez lhe agradeço a caridade que teve para comigo”. E aqui ela é verdadeiramente sincera.
Outros pormenores há que a Alexandrina não pode revelar por carta, o que muitas vezes acontecerá, mas fá-los-á de viva voz, quando voltarem a encontrar-se :
“E mais motivos tinha para me causar tristeza, mas fica para lhe dizer, se tiver a alegria de o ver outra vez ao pé de mim, pobre pecadora”.
Mas, de repente, como um relâmpago, uma dúvida dolorosa lhe atravessa o espírito e ela pergunta :
“Ou Vossa Reverência vai esquecer-me de todo, não voltando a visitar-me e a escrever-me ?”
Depois, como se se encorajasse a ela mesma ou quisesse conjurar a sorte, continua :
“Oh ! peço-lhe, por amor de Jesus e de Maria, que isso não pense, porque para mim seria como tirar-me a luz dos meus olhos, o tirar-me a luz da alma”.
Mas não pode ser, não pode ser porque precisa de ajuda, precisa “de quem a auxilie na santificação, para assim no Céu poder viver mais junto de Nosso Senhor !”
A instalação do Padre Mariano Pinho em Lisboa, a sua adaptação ao cargo que lhe fora confiado, não lhe deixavam muito tempo para escrever, sobretudo se temos em conta que a Alexandrina não é a sua única dirigida, por isso tarda em responder às missivas da “Doentinha de Balasar”. Ela queixa-se desta situação, mas compreende que ele não tenha muito tempo livre :
“Senhor Doutor, já lá vai um mês sem que eu tenha tido umas palavrinhas de Vossa Reverência para meu conforto. Bem sei que tem muito trabalho e muito em que pensar, mas já acho uma demora grande”.
Esta demora inspira-lhe também um receio, receio que em qualquer coisa o tenha ofendido e que ela agora esteja a procurar esquecê-la...
“Será por estar melindrado comigo ? Se assim for, peço que me perdoe, que não fiz nada com o fim de o ofender”.
O dia 16 de Janeiro era o dia aniversário do bom Jesuíta; Alexandrina nunca mais esquecerá esta data. O padre Pinho acabava de festejar os seus quarenta anos ; era portanto um homem relativamente novo e cheio de boa vontade e de coragem, mesmo se sujeito a pequenas enxaquecas motivadas sobretudo pelo trabalho que infatigavelmente, dia após doa levava a cabo.
“Então como passou o dia de anos ? ― pergunta a Alexandrina. Eu há meses que tinha este papel para lhe escrever no dito dia 16, juntamente com este santinho que tinha mandado comprar para este fim”.
Mas, “a final não escreveu porque estava tão triste e tão desanimada, que não se sentia com coragem de escrever”.
Muito mais tem para lhe dizer de quanto sofre não só desta separação, mas também outros sofrimentos inerentes à sua doença e bem mais... que ela voluntariamente aqui não exprime.
“À vista lhe contarei quanto tenho sofrido nestes tristes dias, mas não o esqueci de um modo especial, assim como a minha irmã e a minha mãe. Elas se recomendam muito.
Adeus, até não sei quando”.

Este adeus não termina a carta : ela ainda tem mais alguma coisa a dizer :
“Peço desculpa por ir muito mal escrita, mas nem sei, nem posso melhor”.
Quanto à saúde ela diz, um pouco desapontada : “dias pior, dias melhor, mas sempre fraquinha”.
E, desta vez, para terminar, pede, como de costume, que ele ore “muito a Jesus por ela e também para a abençoar com uma benção muito grande”.
E assina depois, como as grandes almas :
“Esta que não o esquece em minhas pobres orações.
Alexandrina Maria da Costa”.

28 de julho de 2007

TU ÉS O JARDIM PERFUMADO

Primeiro sábado do mês, o dia 2 de Outubro de 1943 é sinónimo da visita de Jesus e Maria.
As primeiras palavras que Jesus dirige à Beata Alexandrina, são palavras de louvor, são títulos de glória, como muitas vezes sucede quando a visita :
“Estou a recrear no meu palácio”, diz o Senhor, o palácio humilde da alma e do coração da Alexandrina e, para que nada falte, para que tudo seja beleza, aquele palácio vai ficar “entesourado com os tesouros divinos”, porque Jesus quer lá viver, quer nele fazer a sua morada na terra. “Que belo adorno para mim, minha filha. Gozo em ti, alegro-me em ti”, continua o Senhor.
Mas aquele palácio é também jardim, “jardim perfumado” e “adornado com todas as flores”, porque o Senhor “goza por possuir o aroma de flores tão belas”. Estas flores tão belas são as virtudes da Alexandrina e, como são virtudes por excelência, exalam um perfume celeste, um perfume que inebria o coração de Jesus.
Mas a estas qualidades vão juntar-se outras, porque o Esposa quer a esposa seja não somente bela e perfumada, mas também rica, rica das riquezas celestes : “És bela, és bela, és rica, rica serás na terra e no Céu”.
“Quem chamar pelo teu nome quando estiveres no Céu, nunca o chamarão em vão”. Esta é uma das grandes promessas feitas pelo Senhor à Alexandrina. Fez-lhe muitas outras e disse-lhe mais : “Vais ser poderosa com o Todo-Poderoso”.
E na verdade ― a prova está feita ! ― o poder impetratório da Beata Alexandrina é extraordinário ; para isso bastará consultar os registos paroquiais de Balasar para ter uma pequena ideia desse poder que ela tem junto do Coração do Esposo, como aliás o confirmou Jesus, Ele mesmo : “As palavras do teu Esposo Jesus vão cumprir-se, vão cumprir-se à letra, à letra, minha amada”.
“Brilha agora a luz dos humildes, triunfam e são exaltados”. Palavras semelhantes àquelas do Magnificat, oração que a Alexandrina tantas vezes rezou.
Mas a mensagem deste dia destina-se também àqueles que colaboram com Jesus, que ajudam e defendem a “pobre Alexandrina”. Jesus começa pelo Padre Mariano Pinho, primeiro Director espiritual : “Diz ao teu Paizinho que o fogo do meu divino Coração se estende sobre ele” ― informa Jesus. Mas não é tudo, Jesus tem mais para lhe dar, para lhe comunicar : “Vou pela humanidade dele dar-lhe o poder de atrair a mim todas as almas, ansiosas por me possuírem e as que andam arredadas do meu divino Coração”.
É sabido que o valoroso Jesuíta era um homem zeloso pelas coisas de Deus e um director de almas exímio, por isso mesmo não é de admirar que Jesus assim se “ocupe” dele.
Proverá ao Senhor que os homens do nosso tempo tenham esse mesmo desejo, essa mesma vontade de ver aquele servo de Deus ser glorificado, como o foi a sua dirigida de Balasar. Efectivamente, vozes se fazem ouvir, cada vez com mais persistência para que se comece o processo de beatificação e de canonização do bom e humilde Padre Mariano Pinho.
“A minha morada divina é a morada dele ― previne Jesus ―, é a fornalha onde ele há-de habitar sempre, sempre na terra e no Céu”. E mais adiante ― é Jesus quem fala ― diz ainda : “Quando ele estender a bênção sobre os filhos meus, sou eu que os abençoo. Dou-lhe todo o poder na terra para ele abrasar os corações e as almas e converter os pecadores”. Jesus termina afirmando : “Que espere tudo de mim, assim como Eu dele tudo recebo”.
Aqui fica, para meditação de muitos, algumas das palavras que Jesus dirigiu ao bondoso Director espiritual da Beata Alexandrina.
Jesus fala depois do médico, do Dr. Manuel Augusto de Azevedo, homem íntegro e dedicado à causa da “Doentinha de Balasar” que ele sempre defendeu, mesmo nos momentos mais críticos e difíceis.
“Diz, minha filha, diz ao teu médico ― convida Jesus ―, que à sombra do manto da minha bendita Mãe e ao calor dos raios do meu divino Coração está o lar dele por Nós abençoado”.
Família numerosa e profundamente católica, a família do bom Doutor foi na verdade abençoado pelo Senhor e por Maria : daquele lar saíram vocações religiosas, porque “será o jardim cultivado por Nós”, prossegue Jesus que precisa ainda melhor o que acaba de dizer, pois afirma que “Eu e Maria seremos os jardineiros”. Com tão bons Jardineiros como não devia aquele jardim dar flores senão perfumadas e belas !
E, para terminar, esta promessa : “Se ele me for fiel, será o lar mais rico de todo o Portugal. Rico de graças, rico de amor, rico para o Céu”.
O “bom Samaritano” ― foi Jesus que assim o intitulou : ― da Beata Alexandrina foi fiel e teve mesmo a honra e o grande prazer de testemunhar sobre ela aquando do processo diocesano : foi uma das mais valiosas testemunhas da sua antiga “paciente”.
Antes da Virgem Mãe deixar à Alexandrina a demonstração do seu amor maternal e de lhe oferecer o poder divino, Jesus termina o seu colóquio por esta oferta generosa e redentora :
“Dou-te tudo o que é meu para tu tudo dares a toda a humanidade, de quem te nomeio protectora”.
Sobre a humanidade da qual se torna aqui protectora, já falámos noutro trabalho, por isso mesmo não iremos mais longe do que esta citação das palavras de Jesus [1].

* * * * *

― « “Estou a recrear no meu palácio ; palácio entesourado com os tesouros divinos. É riquíssimo o teu coração, que belo adorno para mim, minha filha. Gozo em ti, alegro-me em ti, tu és o jardim perfumado, tu és o jardim adornado com todas as flores. E eu gozo por ser Senhor de tudo isto ; eu gozo por possuir o aroma de flores tão belas. O mundo não te conhece, minha amada ? Conheço-te eu, conhece-te Jesus. És bela, és bela, és rica, rica serás na terra e no Céu. Quem chamar pelo teu nome quando estiveres no Céu, nunca o chamarão em vão. Vais ser poderosa com o Todo-Poderoso. As palavras do teu Esposo Jesus vão cumprir-se, vão cumprir-se à letra, à letra, minha amada. Os teus espinhos transformaram-se em rosas, o teu martírio num paraíso. Tudo, tudo, salvação para os pecadores, consolação para mim. Brilhou o sol, apareceu a luz. Brilha agora a luz dos humildes, triunfam e são exaltados. Minha filhinha, minha filhinha, encanto meu. Diz ao teu Paizinho que o fogo do meu divino Coração se estende sobre ele. A minha morada divina é a morada dele, é a fornalha onde ele há-de habitar sempre, sempre na terra e no Céu. Vou pela humanidade dele dar-lhe o poder de atrair a mim todas as almas, ansiosas por me possuírem e as que andam arredadas do meu divino Coração. Sou eu, Jesus, que falo sempre em seus lábios. Quando ele estender a bênção sobre os filhos meus, sou eu que os abençoo. Dou-lhe todo o poder na terra para ele abrasar os corações e as almas e converter os pecadores. Que espere tudo de mim, assim como Eu dele tudo recebo. Diz, minha filha, diz ao teu médico, que à sombra do manto da minha bendita Mãe e ao calor dos raios do meu divino Coração está o lar dele por Nós abençoado. Será o jardim cultivado por Nós; Eu e Maria seremos os jardineiros. Se ele me for fiel, será o lar mais rico de todo o Portugal. Rico de graças, rico de amor, rico para o Céu. Dou-te tudo o que é meu, meu amor, para tu tudo dares em meu nome aos que te amam, aos que te rodeiam, aos que te amparam e protegem. Dou-te tudo o que é meu para tu tudo dares a toda a humanidade, de quem te nomeio protectora”.
― Ó meu Jesus, estou envergonhada. Oh ! Como eu me sinto tão pequenina. Eu só merecia o inferno, não sou digna das vossas graças. Distribuí vós as vossas graças. Tomai as minhas mãos, manejai com elas ; aceitai todo o meu corpo, seja ele o vosso instrumento ; trabalhai, Jesus, não cesseis. As almas perdem-se, o mundo está em perigo.
― “Recebe, filhinha, as carícias do teu Jesus, da tua Mãezinha ; recebe o nosso poder. És toda nossa, és toda nossa, és filhinha, és esposa do meu Jesus. Recebe dos nossos ósculos conforto para tudo”.
Obrigada, obrigada, Mãezinha! Obrigada, obrigada, Jesus! »[2]

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[1] Afonso Rocha : Alexandrina e a Segunda Guerra Mundial ; Reims (França), Maio de 2007.
Ver igualmente no Sítio oficial :
http://alexandrinabalasar.free.fr
[2] Sentimentos da alma : 2 de Outubro – Primeiro sábado.

24 de julho de 2007

A INTERCESSÃO DA ALEXANDRINA

Como é de notoriedade pública, a beatificação da Alexandrina foi possível graças a uma cura inexplicável, verificada sobre uma senhora que sofria de grave doença. Este milagre obtido pela intercessão potente da “Doentinha de Balasar”, não foi o único que ela obteve do Senhor : muitos outros, de certo menos notáveis aos olhos do mundo, foram obtidos ; basta para isso consultar os “Boletins de graças” publicados antes e depois da beatificação.
Esta poderosa intercessão foi notória mesmo durante a vida terrena da Beata, visto que muitos testemunhos provam que “curas” espirituais extraordinárias foram operadas junto do seu leito de dor.
Nesta carta dirigida ao seu “Paizinho” espiritual, Padre Mariano Pinho, ela explica uma dessas intervenções : uma cura espiritual obtida pela oração impetratória da Alexandrina em favor duma família sua conhecida, vivendo como ela em Balasar e que já há muito tinham abandonado a prática religiosa : já há muitos anos que não se confessavam nem comungavam...
A alegria de Beata está aqui patente, não porque se queira gloriar da dádiva obtida do Senhor, mas de constatar quanto o Senhor é bom e atende aos pedidos sinceros vindos de um coração puro e zeloso.

* * * * *

Balasar, 2 de Julho de 1934
Viva Jesus !
Senhor Padre Pinho :
Não calcula a consolação que me veio trazer a cartinha de Vossa Reverência ; recebi-a no dia de S. Pedro, mas não foi ele que ma veio trazer. Tinha passado uns dias tristes, tão tristes que nem lhe posso explicar. Mas, no meio de tanta tristeza, graças a Nosso Senhor, estava conformada com a sua Santíssima vontade.
Senhor Padre Pinho, ainda não falei há mais tempo no assunto em que hoje vou falar, porque isso tornava as cartas muito longas e isso seria abusar demais. Nosso Senhor não deixou sem recompensa as minhas lágrimas do dia 13 de Maio.

“Há tempos que eu me esforçava quanto podia para que uma família, casal e um filho, da minha aldeia se confessassem, o que já há muitos anos não faziam. Tudo o que se passou só à vista lhe poderei contar. Tinha-lhes dito que no dia em que eles se confessassem, eles comungavam na igreja e eu comungava aqui em casa, já que não podia ir à igreja. A resposta que me deram foi que vinham eles comungar aqui, ao que eu respondi que, certamente, não poderia ser. Mas continuei sempre a pedir ao meu bom Jesus e sempre que me vinham visitar falavam do caso. Até que, enfim, no dia 13 do dito mês, me vieram visitar o pai e o filho e, estando a sós com o pai, ele me deu a certeza de que se confessava e me disse coisas que me fizeram comover. Está resolvido a ser para o tríduo. Prometeram-me isso, só se o demónio se vier intrometer, mas confio em Nosso Senhor, que tudo pode."

Senhor Padre Pinho, não me admiro que Vossa Reverência. não tenha entendido o que eu lhe contava na minha última carta, porque eu não me pude explicar nem poderei por escrito. O caso é bastante complicado : só pessoalmente poderá ser explicado, tal é o seu enredo. Foi caso para me afligir muito, mas não para me deixar desassossegada sobre este assunto.
Continuam a ser muitos os meus sofrimentos, mas reconheço que não são nada em comparação com o que eu mereço. Digne-se Nosso Senhor, por sua infinita misericórdia, que eu viva até ao tríduo. Quer saber uma coisa que me consolou muito ? Foi dizer-me que já vem no dia 21 para o Norte, portanto que vem para mais perto de mim e eu já posso dizer o nosso tríduo é para o mês que vem.
Agradeço-lhe a grande caridade que fez em pedir por mim que tanto preciso ! Eu, de Vossa Reverência, nunca me esqueço em minhas pobres orações e em todos os meus sofrimentos. Muitas lembranças da minha mãe e da Deolinda; ela deixa tudo para lhe dizer para o tríduo. Fará a caridade de abençoar esta pobre doentinha.
Alexandrina Maria da Costa

23 de julho de 2007

O CANAL DIVINO

“Alegra-te, filha querida !”
Este curto trecho tirado do Diário da Alexandrina do dia 7 de Novembro de 1942 ― Primeiro sábado ―, ressela um grande número de informações importantes que vamos a seguir sublinhar :
― Estão realizados os projectos de Jesus ;
― Alexandrina é o “canal” divino ;
― Jesus está contente com o Padre Mariano Pinho ;
―Jesus está desgostoso com aqueles que fazem sofrer o Padre Pinho ;
― O Papa irá direito para o Céu quando morrer ;
― A guerra vai em breve acabar .
― O médico receberá provas do amor de Jesus.

* * * * *

Jesus fala à Alexandrina e diz-lhe :
― « “Alegra-te, filha amada, alegra-te, filha querida, com Jesus e a tua Mãezinha querida, alegra-te porque estão realizados os desejos de Jesus. Alegra-te porque grandes bênçãos veem para a terra culpada. Minha filha, minha filha, atractivo meu, encanto dos meus olhos. Jesus vê na sua louquinha a maior alegria do mundo. Jesus vê na sua benjamina todos os encantos do se divino Coração. Eis por que Jesus se serve dela para ser o seu canal divino. O mundo recebe pela crucificada do calvário todas as graças e o amor de Jesus. Diz, diz, minha filha, ao teu Pai espiritual, àquele escolhido por mim para tua luz, que o meu divino amor se estende sobre ele na maior abundância, que ele faz em tudo a minha divina vontade. Sim, sim, Jesus está contentíssimo com ele e desgostoso com aqueles que o fazem sofrer inocentemente. Diz, diz, minha filha, ao teu pai espiritual, àquele que escolhi para te guiar para mim, diz-lhe que diga ao Santo Padre que a promessa está feita, que ele irá direito da terra ao Céu, não vai para o Purgatório. E como prémio de cumprir a vontade divina terá toda a luz do Espírito Santo, não irá nunca contra a vontade divina, terá luz para para fazer a vontade divina durante todo o seu reinado na terra. Jesus está contentíssimo com ele ; grande prémio receberá de Jesus pela sua louquinha de amor quando ela estiver no Céu junto do seu trono. Jesus vai levar a sua amada para o Céu. Jesus vai fazer que os homens terminem a guerra. Diz, diz, minha filha, ao teu médico, não posso deixar de ter para com ele as maiores provas de amor por ter sido o amparo, o braço firme da causa divina em momentos que os homens tentaram destruir. A causa de Jesus não cai, levantar-se-á cada vez mais.
Triunfo, triunfo, amor, amor, amor. Cai sobre a louquinha de Jesus, sobre os que a rodeiam e amam e por quem ela intercede, amor, amor, amor sem fim”.
― Ó meu amado Jesus, estou confundida, humilhada e abatida. Nada mais sei dizer ; perdoai-me as minhas faltas ; digo-vos um eterno obrigada. Dai-nos a paz, alcançai-me tudo o que vos peço, meu Jesus [1]. »

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[1] Sentimentos da alma : 7 de Novembro de 1942.

19 de julho de 2007

“ISTO É TUDO MEU!”

Tivemos já ocasião de falarmos das visitas não desejadas do “manquinho” à Beata Alexandrina, quando lemos uma das páginas da sua Autobiografia.
O inimigo de Deus e das almas, dá aqui novas provas das suas manhas e dos seus artifícios quando quer seduzir uma alma.
O caso da Alexandrina é “bicudo” para ele, visto que, acorrentado pelo Senhor, não pode, por enquanto, aproximar-se muito dela nem lhe tocar, mas mesmo assim e, de longe, tenta quanto pode, ou quanto lhe é permitido, levá-la ao desânimo, às dúvidas sobre a fé e, porque não ao desespero.
Todos os meios são bons para ele, como abaixo veremos. Empregará até uma frase idêntica àquela antes dissera a Jesus, quando transportando-o sobre uma alta montanha e mostrando-lhe o mundo, lhe disse descaradamente : “Isto é tudo meu !”
Situa-se aqui a visão ― a primeira ― que a Beata Alexandrina teve do inferno.
A semelhança desta visão com aquela que teve do inferno Santa Francisca omana, é muito grande !


Talvez para contrabalançar esta terrível visão infernal, Jesus oferece-lhe uma visão mais agradável, mais linda, mais feliz e beatífica : Maria.

* * * * *

« Balasar, 7 de Fevereiro de 1935
Viva Jesus !
Meu P.
Já vai sendo tempo de eu dizer a Vossa Reverência como tenho passado tristes estes dias da minha vida.
Desde o dia 16 de Janeiro que Nosso Senhor não me tinha voltado a falar. Oh, como eu estava triste ! Parecia-me estar abandonada de todo. Passaram-se vinte dias sem eu receber o meu querido Jesus, tendo eu tão fortes desejos de estar sempre unidinha a Ele.
Chegaram, por fim, a primeira sexta-feira e o primeiro sábado e nesses dias dignou-se Nosso Senhor vir repousar na minha pobre alma. Empreguei todos os esforços para me preparar para bem o receber e lhe dar graças, mas foram inúteis todos os meus esforços porque só sentia frieza e nenhum fervor.
Vossa Reverência quer saber quem mais se me fazia sentir ? Era o demónio. Esse todo se consumia para me fazer companhia. É um tal enredo que não era muito para contar por escrito, mas assim fico mais sossegada da minha consciência : Na noite de 7 para 8 de Janeiro, estando eu a dormir, acordei sobressaltada, mais que uma vez, porque me parecia que à beira da minha cabeça, na travesseira se esgatanhava. Depois, de madrugada, vi atravessar umas sombras altas e pretas da porta de meu quarto para a janela. Na noite de 17 para 18, quando todos dormiam, estava eu a contas com minhas orações, figurou-se-me quase um caminho e por um lado uma barreira feia. A muita distância vi como que um portal. À entrada um vulto preto de cada lado, e ouvi dizer assim :
— Isto é tudo meu.
Passados momentos, vi, a par da minha cama, um abismo tão fundo e tamanho. Ai, o que eu vi lá dentro ! Coisas tão feias ! Não era gente o que eu via, não sei explicar o que era. O que sei dizer é que era uma multidão tamanha, tamanha e tão unida, muito mais unida do que a gente na missa campal no Congresso Nacional em Braga. Para os lados tinha umas covas tão feias ! E Oh ! que movimento eu lá vi. Do meio daquilo saíam labaredas, mas não eram como as do nosso lume. Lá, num sítio, via um montinho duns vultos pretos com umas coisas ao alto, não sei se eram paus se eram forcados. Para o outro lado, via outras sombras que me deram a impressão do quadro da morte do pecador: um a puxar para diante e outro a puxar para trás e saía do meio um rabo tão grande que formava um grande arco. E afiguarava-se-me que atravessavam por cima da minha cama as mesmas sombras pretas. Não podia rezar e não sabia as horas, mas bem as ouvia bater.
Na noite de 29 para 30 formou-se uma enorme escuridão dentro de meu quarto. Parecia-me ser uma casa muito feia onde me aparecia a um postigo uma cara muito feia também. Ouvia dizer assim :
— São os telhados da minha casa (mas eu não via telhas nenhumas). Cá por fora é feia mas lá por dentro é chique. Anda para mim, que outros que assim têm feito acham-se bem. Ama-me e deixa esse impostor a quem amas. Ele não quer que tu me ames porque chegas a ser tanto como Ele : tanto como eu, não. Eu estive hoje a ver que tinha mais almas do que Ele. Porque seria isso ? É porque valia recompensa.
Eu beijava e apertava na mão o meu crucifixo e ouvia dizer assim :
— Se não fosse esse impostor que tens na mão, punha-te um pé ao pescoço ; punha-te o corpo em mostarda. Mas isto há-de fazer Ele a ti e tu depois hás-de querer vir para mim, mas eu não te aceitarei. O que te vale é essa benzelhice. Não é porque eu tenha medo, mas odeio-o. Tenho nojo. Cospe-lhe !
Nesta ocasião aproximavam-se de mim uns grupos de vultos de cor avermelhada e ouvia dizer :
— Se eu quiser, não te deixo dormir.
Eu, no meio de tudo isto, sem ter um ministro de Nosso Senhor a quem pudesse abrir a minha consciência! Com quem eu pudesse desabafar ! E sem ter uma cartinha de Vossa Reverência par me consolar ! Como é que eu não havia de estar triste ? Chorei, mas graças ao meu querido Jesus, eram tristezas e lágrimas de grande resignação com a sua Santíssima Vontade.
Ontem tive a consolação de receber o meu querido Jesus. Eu tinha o costume de pedir a Nosso Senhor, para mandar uma multidão de anjos, querubins e serafins acompanhar o meu Jesus do sacrário até junto de mim e vir Ela com outra multidão para preparar o trono da minha alma para eu receber a Jesus e no fim dar-lhe graças por mim. Desta vez assim foi.
Depois de ter recebido Nosso Senhor, que paz eu sentia ! Estava de olhos postos e principiei a ver diante de mim tantas, tantas cabecinhas. Umas mais acima, outras mais abaixo, formando um grande arco. E mais a um lado umas coisas maiores e não sei com que estavam. Via no meio uma coisa maior mas não a divisava tão bem. À frente apresentava-se-me a figura dum trono com umas cores tão lindas e, do meio disto que eu via, saíam uns raios dourados.
Ao ver isto eu pensava que era Nossa Senhora acompanhada com os seus anjos como eu lhe tinha pedido. Pensava também se sim ou não havia de mandar dizer isto a Vossa Reverência. E disse assim : Oh ! meu Jesus, dizei-me se lhe hei-de mandar dizer ; e então disse-me Nosso Senhor :
— Diz tudo, tudo. Apresentei-te isto para veres que os teus pedidos são ouvidos no Céu. O que viste foi Nossa Senhora com os seus anjos, querubins e serafins com os seus instrumentos. Vieram preparar a tua alma e depois deram-me graças, amaram-me e louvaram-me como no Céu. Estão à roda de ti. Vieram em revoada. Eu não te abandonarei. É bem que te quero. É amor que tenho à tua alma. Tenho muito com que te beneficiar. Não te esqueças do que te tenho recomendado: os meus sacrários e os pecadores. A batalha é difícil de vencer.
E tornou-me Nosso Senhor a dizer :
— Olha!
Repetiu-se então o que já tinha visto mas já não se divisava também : sentia então todo aquele calor e aquela força que já muitas vezes tenho dito a Vossa Reverência. Mais tarde diziam-me assim :
— Não mandes dizer isto ! Condenas-te, Cais no inferno, o que vale é que ele não acredita em ti; bem sabe que o andas a enganar.
Adeus, até quinta-feira; veja, por caridade, quanto necessito das orações de Vossa Reverência e não me esqueça que eu farei o mesmo. Muitas lembranças da minha mãe, da Deolinda, e da Dª Sãozinha. Por caridade, peço que abençoe a pobre

Alexandrina M. C. »

18 de julho de 2007

REUNIÃO EM LISBOA

A Maria João
Pede-nos para publicarmos est informação, o que fazemos com grande prazer :

“Na próxima sexta-feira, dia 20, realiza-se uma oração de Taizé pelo Darfur , às 19h45m, na Igreja de S. Nicolau, na Baixa de Lisboa.
Participa e divulga !
Se não puderes estar presente, reza na mesma.”


Sugerimos um pensamento e uma oração pelo bom, simples e humilde irmão Roger.

1 de julho de 2007

DIARIO DA ALEXANDRINA

4 de Janeiro de 1945

Como todos sabem, a Beata Alexandrina, desde 1942 até à sua morte em 13 de Outubro de 1955, por ordem do seu segundo director espiritual, o Padre Humberto Pasquale, manteve um “Diário” onde ela notava o mandava notar tudo quanto lhe ia na alma. Este “Diário” é uma “mina” inextinguível de informações. Dele tirámos a primeira parte deste documento interessantíssimo escrito a 4 de Janeiro de 1945.
Jesus e Maria tinham-lhe, no ano findo – 1944 – confiado a humanidade, que Eles encerraram e fecharam no coração da Vítima de Balasar. Alexandrina devia conservá-la no seu coração e tudo fazer e sofrer para que esta humanidade pecadora arrepie caminho...
Nesse mesmo documento, ela fala-nos igualmente das investidas de Satanás e do que este faz para lhe tirar a paz...
A segunda parte deste documento será publicada brevemente...


*****

« Jesus, quais são os miminhos que de Vós vou receber neste novo ano ? Estou cheia de medo, ou mais ainda, cheia de pavor. Venha o que vier, pelo muito que eu seja ferida, humilhada e abatida, com a Vossa graça divina a tudo direi : “Seja bem-vindo, faça-se a vontade de Jesus ; sou vítima do seu amor, vítima das almas”.
Confesso, meu Jesus, que o meu maior receio é a minha fraqueza, temo ofender-Vos. Confio em Vós ; seja firma o meu amor e subirei alegre o meu calvário. Reparai e vede, Jesus, as ânsias que tenho ; se não fosseis Vós tiravam-me a vida. Queria nascer agora, mas já Vos conhecer para nunca manchar o meu corpo. Queria que comigo nascesse o mundo inteiro e que todo ele já Vos conhecesse também para não se deixar manchar. Queria um coração novo, mas que sempre Vos tivesse amado para nunca deixar de Vos amar. O mesmo querer tenho para todas as criaturas, para assim Vos amarem com o mesmo amor que para mim desejo. Onde hei-de esconder-me e comigo esconder o mundo ? Onde hei-de purificar-me e purificar o mundo a não ser em Vós ? Escondei-me, purificai-me. Fazei-me nascer agora para a graça e para o amor e comigo nascer o mundo, mas de tal forma como se eu nem ele Vos tivesse ofendido. Não sei onde estou ; não vivo neste exílio, nem vivo no Céu. Parece-me viver entre ele e a terra. Fui para esta morada, comigo levei o mundo, morada sem luz, sem vida e sem nada. A minha alma rasga-se de dor, é indizível o que sinto em mim. Meu Deus, que derrota ! Não tenho luz e roubaram-me os guias de tão tremendos caminhos. Morro na escuridão, Jesus, morro desfalecida. Vinde, vinde com a Mãezinha, dai-me força, dai-me vida. Não posso pensar nos combates do demónio, tremo de horror. Ele arma tantas ciladas para prender-me ! Forma tantos assaltos à minha alma ! Parece-me morrer de dor. Ouço a sua voz maldita, desafiadora. E quando fica só assim ! O que mais me aflige é quando ele faz o que há de pior »[1].


[1] Alexandrina Maria da Costa : Sentimentos da alma ; 4 de Janeiro de 1945.

30 de junho de 2007

O SANGUE DO CORDEIRO


« Estes são os que vêm da grande tribulação ; lavaram as suas túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro ». (Ap. 7, 14)

A vida da Alexandrina Maria da Costa é uma fonte inesgotável de “água viva” na qual se podem “beber” muitas águas diferentes, mas todas salutares e santificantes.
Os carismas de que beneficiou são numerosos e, cada um deles mereceria um estudo aprofundado pela parte de autores competentes e versados em ascética e mística : eles aí encontrariam não só matéria de reflexão intensa, mas também maravilhas divinas que mais ainda os instruiriam na ciência em que são peritos incontestáveis.
Nós não possuímos essa ciência, mas ousamos falar dela e partilhar com aqueles que irão ler estas páginas, o nosso amor à Alexandrina, “canal” incontestável das graças e ciências divinas. Por isso mesmo e, para evitar comentários que poderiam “escandalizar” aqueles que nesta matéria são especialistas, vamos utilizar, tanto quanto nos for possível os próprios trechos da “Doentinha de Balasar” que mais do que nós, mesmo se nada mais tinha do que a instrução primária rudimentar, é “doutora em ciências divinas”, como o próprio Jesus o afirmou.
O título dado a este trabalho poderá surpreender aqueles que pouco o nada conhecem da vida e dos carismas da Alexandrina, mas, estamos seguros que a leitura terminada, terão compreendido o porquê do mesmo título, esperando que assim se possam igualmente maravilhar de tudo quanto o Senhor operou de extraordinário e notável nesta alma de excepção.
Não temos qualquer receio em afirmar que os escritos da Alexandrina não sofrem qualquer sombra dos escritos doutros místicos tais como Santa Teresa de Ávila, S. João da Cruz, Beata Ângela de Foligno, Santa Gertrudes ou Santa Matilde de Hackerborn, pois fácil é de notar que a “Fonte” é a mesma e que por esta razão, a “concorrência” deixa de justificar-se.
A Alexandrina, tal como o disse Jesus, é na verdade “Mestra das Ciências divinas”[1].
O assunto que vamos procurar desenvolver aqui não é dos mais fáceis, mas esperamos que com a ajuda de Deus e a protecção e inspiração da Bem-aventurada Alexandrina, possamos dizer alguma coisa e demonstrar o carisma extraordinário do qual poucos ou nenhuns — excepto, julgamos, a Beata Ângela de Foligno — : a “transfusão” do Sangue divino como alimento da alma e do corpo da sua querida esposa de Balasar, como mais adiante diremos.
No que diz respeito a esta mística, encontrámos no livro das suas “Visões e revelações” este curto e único trecho que faz referência a este carisma que não parece ter durado muito tempo, visto que no resto da mesma obra não voltamos a encontrá-lo :
« Não dormia. Ele chamou-me e disse-me que aplicasse os meus lábios sobre a ferida do seu lado. Pareceu-me que aplicava os meus lábios, e que bebia sangue, e neste sangue ainda quente eu compreendi que ficava lavada. Eu senti pela primeira vez uma grande consolação, misturada uma grande tristeza, porque tinha a Paixão diante dos meus olhos. E solicitei do Senhor a graça de derramar o meu sangue por Ele como Ele tinha derramado o seu para mim »[2].
A autora italiana Eugénia Signorile, no seu excelente livro “Só por amor” evoca longamente este fenómeno místico excepcional. Ela anuncia-o assim :
« O fenómeno da Eucaristia real dada misticamente já se tinha verificado com algumas grandes almas muito elevadas na espiritualidade, dotadas duma especial sensibilidade para as realidades celestes. Por exemplo, Santa Verónica Giuliani, Santa Gemma Galgani ; e em 1916 Jesus escolheu a pequena Lúcia de Fátima para dar-Se a ela mediante o anjo da guarda.
Mas a Beata Alexandrina recebe ainda um outro alimento para o corpo e para a alma : um conjunto de sangue, vida, amor, sob forma de verdadeira transfusão para o sangue e de efusão para o amor. É a primeira alma mística para quem se efectua tal fenómeno ».

Uma das maiores doutoras da Igreja, Santa Catarina de Sena, fala do Sangue do Senhor e dos seus efeitos, nestes termos :
« Este sangue precioso é a fonte de todo bem ; salva e torna perfeito qualquer homem que se aplique a recebê-lo ; dá a vida e a graça com mais ou menos abundância, de acordo com as disposições da alma ; mas ele é causa de morte para o que vive no pecado »[3].
Podemos — e devemos talvez — perguntar a nós mesmos e àqueles que poderiam duvidar um instante de veracidade de tal carisma : “Que diz o Evangelho a este respeito ?” A resposta surpreender-nos-ia, sem verdadeiramente surpreender... Ouçamos o que diz Jesus :
« Em verdade, em verdade vos digo : se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia, porque a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue, uma verdadeira bebida. Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e Eu nele »[4].
Este carisma parece ter sido precedido de diversas primícias, que não o anunciando — porque nem era conhecido — preparavam no entanto a sua vinda de maneira durável.

[1] Alexandrina Maria da Costa : Sentimentos da Alma : 15 de Dezembro de 1944.
[2] Beata Ângela de Foligno : Visões e revelações ; cap. 14.
[3] Santa Catarina de Sena : Diálogo, cap. XIV, 3.
[4] S. João : 6, 53-56.

29 de junho de 2007

ALEXANDRINA E A JUVENTUDE

NOVO TEMA


O Professor José Ferreira, responsável pela página mensal no Sítio oficial da Beata Alexandrina, depois de lá ter colocado, durante largos meses o livro do casal Signorile : “Alexandrina, quero aprender contigo”, começou agora um novo tema muito pertinente : « Beata Alexandrina, “Os anos da juventude” ».
O primeiro desses artigos destinados à juventude actual estará no dito Sítio a partir do 1º de Julho próximo e continuará assim até que o dito tema seja esgotado, o que risca de não ser para já, visto que sobre este período, muito há para dizer e informar. A vida da Beata Alexandrina é na verdade uma vida extraordinária e quase inesgotável.
Dirigimos os nossos sinceros parabéns ao nosso amigo José Ferreira e fazemos desde já votos de grande e aproveitável sucesso para essa excelente ideia que teve : nos informar sobre a juventude daquela que nesse momento ainda não era conhecida como “Doentinha de Balasar”.
Para que a vossa visita seja mais rápida, aqui está a ligação que lá conduz :
http://alexandrinabalasar.free.fr/pagina_mensal.htm

Lembramos que esta página existe em diversas línguas : Português, Francês, Espanhol, Inglês, Alemão, etc.

25 de junho de 2007

RESTOS MORTAIS DO P.e PINHO

A notícia vinda de Balasar é das mais simpáticas e uma daquelas notícias que é causa de grande alegria e de regozijo para todos aqueles que conhecendo a vida e obras do bondoso Padre Mariano Pinho desejam como nós que ele seja mais conhecido e amado, até que, na “hora de Deus” seja elevado às “honras dos altares” como o foi a sua dirigida Alexandrina Maria da Costa.
O nosso caro amigo, o Professor José Ferreira, anuncia no seu Blog :
« Foi anunciado que os restos mortais do P.e Mariano Pinho virão para Balasar em Outubro. É uma óptima notícia.
Jesus, que manteve o P.e Mariano Pinho longe da sua dirigida tanto tempo, afirmou que eles estavam sempre unidos. Agora que os restos mortais dos dois vão ficar próximos, só falta começar a caminhada que há-de levar este jesuíta às «honras dos altares», para que ambos partilhem a mesma glória e possam ser invocados conjuntamente.
Em Outubro, ou muito próximo, sairá no Boletim Cultural poveiro um artigo biográfico sobre o P.e Pinho ».

Permita Deus que assim seja e que muito em breve, a sua causa seja iniciada pela Arquidiocese de Braga, em estreita colaboração com a Companhia de Jesus e outras dioceses de Portugal onde o “santo” sacerdote exerceu o seu fértil apostolado.

16 de junho de 2007

PEREGRINAÇÃO ITALIANA A BALASAR

“PELLEGRINAGGIO A BALASAR”— terra della Beata Alexandrina —



Peregrinação Italiana a Balasar . Nos próximos dias 19, 20 e 21, do corrente mês, estará em Balasar um grupo de 43 pessoas vindas da Itália para venerar a Beata Alexandrina, celebrar os 175 anos da aparição da Santa Cruz e oferecer à paróquia de Balasar um ícone da Beata Alexandrina, de uma artista Russa, Domenica Ghidotti. O programa é o seguinte:
Dia 19
16H00- Visita à Igreja Paroquial e ao túmulo da Beata Alexandrina.

17H00- Celebração da Eucaristia em honra da Beata Alexandrina.

18H00- Celebração Mariana.
Dia 20
09H00- Adoração eucarística e celebração da Eucaristia.

- Visita à Casa da Beata Alexandrina e recitação do rosário.

- Visita ao cemitério.

20H30- Eucaristia solene com bênção do ícone da Beata Alexandrina.
Dia 21
09H00- Via-Sacra.

10H00- Celebração da Eucaristia em honra da Santa Cruz.

7 de junho de 2007

NOVO ARTIGO

JUNTO DO ALTAR
DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

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A primeira referência ao Sagrado Coração de Jesus que encontramos nos escritos da Alexandrina, encontramo-la na sua Autobiografia, quando ela nos conta como aconteceu a sua primeira confissão geral, em Gondifelos a Frei Manuel das Chagas. Ela no-la descreve com a sua simplicidade habitual:
«Foi aos nove anos que fiz pela primeira vez a minha confissão geral e foi com o Sr. Padre Manuel das Chagas. Fomos, a Deolinda, eu e a minha prima Olívia, a Gondifelos, onde Sua Reverência se encontrava, e lá nos confessámos todas três. Levámos merenda e ficámos para arde, à espera do sermão. Esperámos algumas horas e recorda-me que não saímos da igreja para brincar. Tomámos nosso lugar junto do altar do Sagrado Coração de Jesus e eu pus os meus soquinhos dentro das grades do altar. A pregação dessa tarde foi sobre o inferno. Escutei com muita atenção todas as palavras de Sua Reverência, mas, a certa altura, ele convidou-nos a ir ao inferno em espírito. Para mim mesma disse: “Ao inferno é que eu não vou! Quando todos se dirigirem para lá, eu vou-me embora”, e tratei de pegar nos soquinhos. Como não vi ninguém sair, fiquei também, não largando mais os soquinhos».
A escolha do confessor não deve ter sido um acaso, mas uma escolha divina, visto que Frei Manuel das Chagas era naquele tempo muito conhecido, não só como um confessor atento e experimentado, mas ainda como um pregador de grande renome.
Nascido a 17 de Novembro de 1850, no lugar da Borralha, perto de Águeda, entrou na Ordem Franciscana a 22 de Maio de 1868, professou no ano seguinte, a 22 de Maio de 1869 e foi ordenado presbítero a 27 de Agosto de 1873.
Como dizíamos acima, Frei Manuel das Chagas foi um pregador de grande valor, muito prolífero. Vejamos:
Pregou o seu primeiro sermão durante a Quaresma de 1875, e o seu último a 15 de Abril de 1923, antes de falecer em Tuy, na Espanha, a 17 de Maio de 1923. Durante estes quarenta e oito anos de apostolado intenso, pregou 8.140 sermões. Sim, leram bem e, para que não hajam dúvidas, repetimos: 8.140 sermões.

Para ler a continuação deste artigo, siga esta ligação:

22 de maio de 2007

ALEXANDRINA E A SEGUNDA GUERRA

NOVO ARTIGO NO SÍTIO OFICIAL


Antes mesmo de Hitler invadir a Polónia em 1 de Setembro de 1939, provocando assim a entrada em guerra de numerosos países, já o Senhor tinha mostrado, ou dado a entender à “Doentinha de Balasar” que tempos difíceis estavam próximos e que, se não se fizesse penitência, se não se orasse com fervor e frequência, “grandes castigos” iriam abater-se sobre o mundo pecador e incrédulo.
O medo de que Portugal entrasse nesta guerra, como tinha sido já o caso na primeira mundial (1914-1918), era para a “Doentinha de Balasar” um tormento indizível, como também veremos.
O conhecimento que ela certamente tinha das barbaridades cometidas havia pouco durante a guerra civil espanhola não a deixava tranquila, mas “esperava, contra toda a esperança”, que a guerra não fosse declarada e que Portugal ficasse isento, embora “magoado”, no caso de haver de facto conflito entre as nações mais vizinhas.

“Escutai: ao passo que Deus se mostra exigente para com os justos, para com os pecadores não tem senão clemência e doçura”. (S. João Crisóstomo; 7ª Homilia sobre a conversão)

Estas palavras de S. João Crisóstomo ilustram perfeitamente o tema que nos fixámos tratar aqui: “A Alexandrina e a segunda guerra mundial”.
Efectivamente, muitos dos trechos que vamos apresentar poderiam dar de Deus uma imagem de Pai severo e justiceiro, escondendo um outro aspecto d’Ele que é aquele de Deus-Amor, sempre “rico em misericórdia”, sempre mais propenso a perdoar do que a castigar. Isto também nos ensina o mesmo Pai e Doutor da Igreja, quando diz:

“É preciso que tenhamos sempre presente no nosso espírito o quanto todos os homens são rodeados por tantas manifestações do mesmo amor de Deus. Se a justiça tivesse precedido a penitência, o universo teria sido aniquilado.” (S. João Crisóstomo; 7ª Homilia sobre a conversão)

Nas cartas endereçadas ao Padre Mariano Pinho, sacerdote Jesuíta e primeiro Director espiritual da Alexandrina, encontramos muitas referências a este trágico período da história mundial, assim como muitas admoestações — muitas vezes severas — contra a humanidade pecadora.

Se desejar ler todo o artigo, utilize esta ligação:
http://alexandrinabalasar.free.fr/alexandrina_e_a_guerra_1.htm

10 de maio de 2007

O MAIOR DE TODOS OS MÍSTICOS

É JESUS!...
Entre as coisas que me surpreendem cada vez mais, há o despeito que muitos padres, religiosos, etc. ... da nossa Igreja, manifestam para com os místicos desde há mais de quarenta anos. Ora, quanto mais se avança no conhecimento dos místicos e daquilo a que chamamos as suas experiências ou as suas revelações, mais nos apercebemos que realmente, as graças, frequentemente excepcionais que receberam, nada mais fazem que retomar as imagens que Jesus utilizou quando vivia sobre a terra no meio dos seus discípulos e seus apóstolos. Com efeito, se tomarmos o tempo de reler as palavras de Jesus, somos obrigados de constatar que, para melhor fazer-se compreender pelas pessoas simples e pouco cultas, ou pelos doutores e escribas pouco abertos aos seus ensinos, Ele era obrigado a utilizar comparações, porque as palavras humanas são incapazes de exprimir a divindade.
Ora uma das missões importantes de Jesus, era revelar o Pai e o Espírito. Além disso, como Jesus “não tinha vindo para abolir a Lei, mas para realizá-la”, como teria Ele podido explicar o inexplicável senão utilizando imagens ou parábolas?
Abordaremos hoje apenas o Evangelho de São Mateus, deixando ao leitor o cuidado de ler os outros escritos do Novo Testamento.
Primeiro algumas imagens e comparações
No início do seu Evangelho, Mateus assinala as palavras do Baptista, e seguidamente o Baptismo de Jesus. Que diz?
“Vendo, porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao seu baptismo, disse-lhes: «Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da cólera que está para vir?... O machado já está posto à raiz das árvores, e toda a árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada no fogo...
Então, veio Jesus da Galileia ao Jordão ter com João, para ser baptizado por ele. João opunha-se, dizendo: «Eu é que tenho necessidade de ser baptizado por ti, e Tu vens a mim?» Jesus, porém, respondeu-lhe: «Deixa por agora. Convém que cumpramos assim toda a justiça.» João, então, concordou.
Uma vez baptizado, Jesus saiu da água e eis que se rasgaram os céus, e viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e vir sobre Ele.”
(Mat. 3, 7-16) assim, João Baptista utiliza, muito naturalmente comparações. Com efeito, quando o Pai apresentou Jesus, enviou o seu Espírito sob a forma de uma pomba.
Logo que Jesus começa a pregar, Ele utiliza comparações e parábolas. Assim, os que o seguem são o sal da terra, e a luz do mundo… E ainda: A lâmpada do corpo, é o olho…
Mais tarde, vendo aquela multidão de homens, “Jesus, encheu-se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. Disse, então, aos seus discípulos: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe.»… (Mat. 9, 36 à 38) Assim como Jonas esteve no ventre do monstro marinho, três dias e três noites, assim o Filho do Homem estará no seio da terra, três dias e três noites.” (Mat. 12, 40)
Ainda em São Mateus pode-se citar a vinha e os vinhateiros, os trabalhadores da última hora (Mat. 20, 1 à 16), ou a figueira seca (Mat. 21, 18-19), ou os vinhateiros que matam os filhos do seu mestre. (Mat. 21, 33 à 40) e ainda: “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que seguem por ele. 14Como é estreita a porta e quão apertado é o caminho que conduz à vida, e como são poucos os que o encontram!” (Mat. 7, 13-14)
E eis algumas parábolas:
“Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as. Não valeis vós mais do que elas? Qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida? Porque vos preocupais com o vestuário? Olhai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam!” (Mat. 6, 26-28)
“Todo aquele que escuta estas minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; mas não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. Porém, todo aquele que escuta estas minhas palavras e não as põe em prática poderá comparar-se ao insensato que edificou a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; ela desmoronou-se, e grande foi a sua ruína.” (Mat. 7, 24-27)
Há também a parábola do semeador (Mat. 13, 3 a 9) que todos conhecem e que Jesus pacientemente explica aos doze, da mesma maneira que o fará mais tarde aos seus místicos. Podem citar-se ainda as parábolas do bom grão e do joio (Mat. 13, 24-30), do grão de mostarda, do fermento na massa, do tesouro escondido, da rede que se deita ao mar... (Mat. 13, 31-46)
Mais tarde, tendo chamado a multidão, Jesus diz-lhes: “ Não é aquilo que entra pela boca que torna o homem impuro; o que sai da boca é que torna o homem impuro.» Os discípulos aproximaram-se dele e disseram-lhe: «Sabes que os fariseus ficaram escandalizados, por te ouvirem falar assim?» Ele respondeu: «Toda a planta que não tenha sido plantada por meu Pai celeste será arrancada. Deixai-os: são cegos a conduzir outros cegos! Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão nalguma cova.» Tomando a palavra, Pedro disse-lhe: «Explica-nos esta parábola.» Jesus respondeu-lhes: «Também vós não sois ainda capazes de compreender? Não sabeis que tudo aquilo que entra pela boca passa para o ventre e é expelido em lugar próprio? Mas o que sai da boca provém do coração; e é isso que torna o homem impuro. Do coração procedem as más intenções, os assassínios, os adultérios, as prostituições, os roubos, os falsos testemunhos e as blasfémias. É isto que torna o homem impuro. Mas comer com as mãos por lavar não torna o homem impuro.»” (Mat. 15, 11-20)
Poder-se-ia também recordar a parábola da ovelha perdida (Mat. 18, 11-14), aquela sobre o perdão (Mat. 18, 23-35), ou ainda virgens previdentes e as virgens loucas, os dois filhos a quem o pai pede um serviço na sua vinha, (Mat. 21, 28-31) e a descrição do julgamento final, (Mat. 25, 1-30) ou quando Jesus prediz o fim de Jerusalém e o fim do mundo. (Mat. 24, 1-44)
Ao longo de toda a sua predicação Jesus adapta-se aos seus ouvintes e utiliza a linguagem que eles podem compreender: utiliza uma comparação ou uma parábola, e imediatamente explica. É exactamente que faz também com santos místicos que, de resto, não hesitam em fazer perguntas quando não compreendem bem ou de forma alguma. E Jesus, — ou a santíssima Virgem iluminam as imagens, as cores, as formas, e às vezes mesmo os movimentos.
Se reflectirmos bem, Jesus é ou não o maior de todos os místicos?

Paulette Leblanc
Tradução: Afonso Rocha

4 de maio de 2007

NOVENA POR PORTUGAL

Mensagem muito importante de 3 de Maio de 2007

A divulgar sem tardar!...

Disse neste dia Nossa Senhora:
“Venho pedir que comecem desde amanhã uma novena”

Meus filhos,
Eu sou Nossa Senhora de Fátima, e eu venho pedir-vos que comeceis desde amanhã (portanto desde 4 de Maio) uma novena durante qual me oferecereis os meus filhos de Portugal, da China e da Rússia por diferentes razões, mas para uma mesma causa: a protecção do mundo.
Durante nove dias rezai assim:

Ó Maria nossa Mãe ternamente amada,Vós que viestes ver-nos,
de maneira a preservar a sobrevivência do mundo inteiro,
Vós a quem nós oramos todos os dias com amor
nós Vos suplicamos, intercedei
para que todas as nações do mundo sejam protegidas,
e mais particularmente Portugal, a China e a Rússia.
Que o mundo inteiro se consagre aos Corações unidos de Jesus e Maria.
Amem.

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós e protegei-nos.
Nossa Senhora de Fátima, intercedei por nós.
Nossa Senhora de Fátima, tende piedade de nós.

Meus filhos,
Felizes aqueles que viram a minha presença a seu lado.
Felizes aqueles que me vêem ainda hoje.
Felizes todos aqueles que acreditam sem nunca me terem visto.
Felizes os corações completamente entregues à sua Mãezinha
tais corações beneficiarão sempre no mais profundo deles
da ternura que Eu dei a Jesuse serão para meu Filho um refúgio de amor,
sempre prontos a acolher os pedidos de Deus Pai. Amem.

Meus filhos,
Eu vos abençoo.

Oferecei esta mensagem aos meus filhos,
por intermédio do site e do próximo livrete.
Eu, Maria, me inclino continuamente sobre vós,
para vos prevenir, para vos guiar, para vos proteger.
Venho alimentar o meu Coração de Mãecom cada uma das vossas orações,
com cada uma das vossas palavras de amor,
com cada uma das vossas intenções
com tudo o que os vossos corações vêm depositar no meu Coração. Amem
Muito obrigada. Maria.

3 de maio de 2007

OUTRA CARTA DO MÊS DE MAIO

Viva Jesus


Balasar, 30 de Maio de 1935

Meu Paizinho,
Cá estou eu hoje outra vez mas com dificuldade, em virtude do meu estado se ter agravado de cada vez mais.
Eu tinha por costume oferecer todos os dias o meu coração a Nosso Senhor, dizendo-lhe assim :
― Ó meu bom Jesus, eu Vos ofereço o meu coração neste momento como prova do meu amor para convosco e Vos peço que neste momento o coloqueis em todos os lugares onde habitais sacramentado. É pobre, muito pobrezinho, mas enriquecei-o com o Vosso divino amor e com os Vossos divinos tesouros. Incendiai-o todo em fortes labaredas de amor e colocai-o muito unidinho a Vós em todos os sacrários do mundo, em todos os lugares onde habitais sacramentado, a servir de lâmpada amorosa e luminosa para Vos alumiar. Prendei o meu coração aos sacrários com grossas cadeias de amor.
E pedia a Nossa Senhora :
― Mandai-me uma multidão de anjos, querubins e serafins em meu nome para todos os sacrários, para todos os lugares onde Jesus habita sacramentado, [para] amarem, louvarem e desagravarem e fazer companhia a Jesus sacramentado.
E pedia à minha querida Mãezinha do Céu para ir também e me levar com Ela. Quando pensava em morrer e deixar o meu Jesus sozinho nas suas prisões de amor, tinha pena. Veio-me à lembrança de pedir a Nosso Senhor para me aceitar a oferta do meu coração, não só enquanto eu vivesse mas sim enquanto o mundo durasse. Só depois deste ter acabado, eu o viria buscar, juntamente com o corpo para o Céu. Eu pedi a Nossa Senhora para proceder do mesmo modo como atrás tenho escrito, fazer tudo como se eu vivesse. Fiz o mesmo pedido ao meu anjo da guarda para depois de entregar a minha alma a Nosso Senhor vir para os sacrários fazer o mesmo. Deve bem calcular como eu depois me sentia bem : já não tinha tantas saudades de deixar o meu Jesus nos sacrários. Também tinha muita pena por não poder sofrer pelos pecadores, mas espero e tenho toda a confiança em Nosso Senhor que irei no Céu continuar a mesma missão. Sofrer lá não posso, mas pedirei muito a Jesus por eles. Às vezes penso para mim que quero tudo que for da vontade de Nosso Senhor aqui na terra e que depois Ele também há-de querer tudo que eu quiser no Céu.
Eu não sei o dia em que fiz a oferta, mas como verá foi em Maio e penso que deveria ser no princípio. Confessei-me terça-feira porque a Deolinda lhe foi pedir dizendo-lhe eu que estava muito doente. Trouxe-me Nosso Senhor na quarta-feira e hoje também. Na quarta-feira, no fim da Sagrada Comunhão, sentia um calor que me abrasava e não sei mais o que se passava em mim. Passados alguns momentos, falou-me Nosso Senhor :
― “Minha filha, pensas que este meu silêncio e este meu escondimento em ti não é para te unir mais a mim e para te elevar mais no meu amor ? Tem confiança em mim ; escondo-me debaixo das tuas faltas ; tudo o que faço em ti é para teu bem. És o amor do meu Amor. Eu deixo-te sozinha para te experimentar a ver se procedes da mesma forma : vejo que sim. É chegado o tempo que depositas em mim toda a confiança : procede sempre assim, não descanse o teu espírito a ir em revoada com os anjos e a minha Mãe Santíssima fazer-me companhia para os meus sacrários. Faze que Eu seja amado, que outros sigam o teu caminho e calquem as tua pegadas. Se soubesses a alegria que deste no Céu à Santíssima Trindade e à minha Mãe Santíssima com a oferta e o pedido que fizeste! Foi aceite. Só no fim do mundo o teu coração sairá dos meus sacrários e o virás buscar para o Céu. Depois da tua morte será mais festejado no Céu o mês de Maio, por ser nele que tu fizeste a oferta e o pedido e por nele tantas vezes o renovares. Manda dizer ao teu paizinho espiritual que lhe peço enternecidamente e como quem quer ser atendido que faça guerra à carne, ao pecado da impureza ; que são milhares e milhares as almas que caem no inferno com este pecado. O Sangue de um Deus derramado inútil para eles.”
Eu sentia-me muito acariciada, e dizia-me Nosso Senhor :
― “O tempo é breve e vai passando e dentro em pouco te virei buscar para mim. Silêncio, minha filha, o mais que poderes, pensa só em Mim.”
Hoje, no fim da Sagrada Comunhão, pareceu-me que me abraçaram e que me tornaram a deixar. Fiquei assim por algum tempo, sem ouvir a voz de Nosso Senhor ; mas por fim, ouvi que me falavam assim :
― “Anda cá, minha filha, meu amor, anjo da minha companhia, anda receber ordens do teu Jesus, escuta-me. Amo-te tanto! É um amor inexplicável, para ti incompreensível. É a recompensa da tua generosidade em te me ofereceres como vítima por meu amor e por amor das almas, muitas e de abraçares com amor a cruz que te envio. Dá-me almas, muitas almas! Eu precisava de tantas vítimas para levantarem o mundo dos crimes! E tenho tão poucas que generosamente queiram sofrer! Sofrer, sofrer, minha filha, que essas dores se transformarão em pedras preciosas para completar a tua coroa, e pérolas para adornar o manto que te há-de cobrir. Manda dizer ao teu pai espiritual que avise : ou o mundo se levanta da maldita impureza e dos pecados que tão horrivelmente me ofendem, ou vem sobre ele os castigos que o ameaçam, cai sobre ele a justiça divina. Pede-me por esses infelizes ; é perda irreparável : custaram a morte de um Deus, e morte horrorosa da cruz.”
Eu era muito acariciada, e disse-me Nosso Senhor :
― “És a minha esposazinha, a minha esposazinha, o meu amor, a companheira dos meus sacrários.”
Não acha bem o demónio que eu recomende isto da impureza tantas vezes a V.a Rev.cia, que se torna chato e que V.a Rev.cia de cada vez fica mais aborrecido comigo.
Muitas lembranças da minha mãe, da Deolinda e da Senhora D. Çãozinha : continua a ter algumas melhoras. Por caridade, quando puder, diga-me daí alguma coisa. Sempre terei a visita de V.a Rev.cia? Confio muito em Nosso Senhor que sim, que não morro sem isso.
Abençoe, por amor de Jesus, a pobre
Alexandrina
UMA CARTA DA ALEXANDRINA

———

Balasar, 15 de Maio de 1934


Senhor Padre Pinho :
Principio por lhe agradecer uma cartinha que recebi há dias e que me veio trazer a boa nova de que ia celebrar a Santa Missa por mim em Fátima. Da minha parte, confesso, que sou indigna de tantas atenções que V.a Rev.cia tem para comigo. Eu nada lhe posso pagar, mas Nosso Senhor o recompensará por mim. E a minha Mãezinha do Céu não deixaria de nesse momento o abençoar e de pedir ao seu querido Jesus muitas e muitas graças para aquele que tanto se tem sacrificado pela alma desta probrezinha, que é e que nada vale.
Senhor Padre Pinho, agora vou contar a V.a Rev.cia como passei a noite de 12 a 13 e durante o dia. O programa foi o seguinte : foi aqui a inauguração da nova imagem de Nossa Senhora de Fátima, oferecida pela Maria Machado. No sábado à noite houve procissão de velas e veio a imagem de casa dela para a igreja. Logo que principiei a ouvir cantar, eu chorava. Chegou enfim a meia noite. Já tinha feito a Nosso Senhor todos os meus pedidos. Acendi uma vela, tomei um livro na mão, e unida em espírito a V.a Rev.cia, li a Santa Missa. Já não ouvi bater uma hora de noite porque estava com muita falta de descanso, e não pude resistir mais tempo. Pela manhã, o Senhor Abade trouxe-me Nosso Senhor. Já havia um mês que não me confessava. Não pedi para o fazer por ser dia de pressa, mas mesmo assim fiquei contente por receber Nosso Senhor.
(O resto da carta foi rasgado pelo destinatário)

2 de maio de 2007

TRISTE MÊS DE MAIO


O mês de Maio de 1942 foi para a Beata Alexandrina um mês triste e cheio de grandes sofrimentos: ela vive então as penas do Purgatório. É também o período em que sofre da ausência do seu Paizinho espiritual, objecto de restrições e de vexações da parte de seus superiores e colegas da Companhia de Jesus.
Alexandrina, também atacada e caluniada, sofre e oferece...
A 3 de Maio de 1942 ela escreve para o seu Diário, mais conhecido sob o título de “Sentimentos da Alma”:
« Meu Deus! Meu Deus! O brado agonizante da minha alma perde-se na montanha e não é ouvido na terra, nem no Céu; digo isto repetidas vezes com o pensamento, enquanto vou sentindo as aves devorarem-me as coxas e a agonia na alma que se não pode explicar e aumenta ao saber de tantas mentiras que de mim dizem e ao sentir que ainda depois da minha morte tudo isto continuará, sendo motivo de grande sofrimento para os meus. Eraa meu desejo que todas as mentiras morressem comigo.
De 4 para 5 de Maio; durante a noite, veio repetidas vezes a Mãezinha, muito bela, apresentar-se à minha frente junto da minha cabeceira, suavizando a minha dor.
Na mesma noite, o Anjinho da Guarda com as suas asinhas inclina-se sobre mim fazendo por aliviar o meu corpo. »
Jesus tinha confiado então à Alexandrina toda a humanidade, aquela humanidade repleta de crimes e de grandes pecados; aquela humanidade que estava então em guerra, guerra que no seu final cifraria milhões de mortos, mortos inocentes, mortos cristãos ou ateus, mortos em estado de graça e mortos cobertos de lama e de grandes pecados... Alexandrina sofria por todos, esperando que os seus sofrimentos fossem úteis à salvação da maior parte. Mas este sofrimento que ela aceitava com uma heroicidade extraordinária não era suficiente, mesmo se inexplicável pela sua dureza e pelos efeitos que provocava na alma e no coração da vítima de Balasar... Ele sente-se cada vez mais reduzida em cinzas, prestes a desaparecer por completo...
Ouçamos o que ela diz no seu “Diário” a 6 de maio desse mesmo ano de 1942:
« Ó trevas, ó trevas, ó negras e assustadoras trevas! Ó Céu, ó Céu, dá-me a tua luz! Recebi tamanhos golpes no meu coração e sinto que ficou tão aberto e tão retalhado que me parece não ter forma de coração humano; contudo é um fontanário de sangue que brota com toda a abundância. É a vida divina que o faz brotar e sinto toda a Humanidade a beber dele com toda a força, com receio que ele se esgote. O meu estado de alma agravou-se assim depois de saber o muito que fazem sofrer o meu Paizinho, contudo não perco a minha confiança de que Jesus há-de justificar a sua inocência.
Agora sinto que as aves nocturnas já vão a chegar aos joelhos. Todo o corpo está quase en cinza. E não vira Nosso Senhor buscar-me? »
Os sofrimentos eram tantos e tão grandes que ela pensava estarem a chegar os seus últimos dias de vida:
É isso mesmo que ele escreve no dia 7 de maio de 1942:
« Com a aflição da minha alma eu dizia assim: Que tristes e amarguríssimas são as últimos dias da minha vida. Tirai, meu Jesus, da minha amargura toda a doçura e alegria para vós e proveito para as almas. »
Este belo mês de Maria que começa apenas, anuncia-se para a Beata Alexandrina como um mês de grandes sofrimentos, sofrimentos que não irão nunca diminuir, mas pelo contrário aumentar... Ela continua a viver as penas do Purgatório e sente-se picotada por aquelas aves cujo intento é reduzir seu corpo em cinzas... Este “Purgatório” é tão doloroso que ela chega mesmo a preferir a vivência da paixão a este novo estado doloroso. E, como se estes sofrimentos não fossem suficientes, o “mafarrico” — compreenda-se: o diabo — vem “consumir a imaginação” da pobre doentinha de Balasar.
Diz-nos ela a 8 do mês de Maria:
« Já não podendo mais com o peso das humilhações, com a agonia e negras trevas que sentia na minha alma, porque tudo me abafava a confiança que tenho em Jesus, eu dizia: Se aqueles que me tiraram o meu Paizinho experimentassem o que era sofrer, davam-mo para meu conforto. E segredava para Jesus: Juro-vos que confio em vós! Recordando que já não tinha crucifixão, senti tão grande dor no meu coração que me parecia chorar lágrimas de sangue e lembrava-me que se eu fosse de novo crucificada era bastante para aliviar o sofrimento da minha alma! Que saudades, que saudades, meu Jesus, não ter agora a crucifixão!
Agora as aves andam abaixo dos joelhos e sinto o coração a perder a vida divina. Vou caindo lentamente. Tudo desaparece em mim.
Também sinto que a humanidade já não bebe com aquela força que bebia, porque o sangue se vai acabando.
O mafarrico tem-me consumido a imaginação, pretendendo prender-me às coisas da terra; mas quanto mais ele tenta fazê-lo, mais Nosso Senhor me eleva para Ele. »

Na véspera do aniversário da primeira aparição da Virgem em Fátima, Alexandrina escreve ainda:
« Hoje a vida divina do meu coração comparo-a a uma lâmpada amortecida que a cada momento parece apagar-se. Já não nasce o sangue senão de longe a longe uma gota, que já mal se pode beber. Eu hoje dizia a Nosso Senhor assim: Meu Jesus, Mãezinha, vede a aridez da minha alma, vede o abandono que ela sente do Céu e da terra. Lançai sobre mim vossos divinos olhares de compaixão. Acudi-me, acudi-me, não me deixeis morrer de susto no meio das trevas. A minha alma está tímida com os assaltos do demónio. Quer acusar-me e lançar-me ao rosto tudo o que há de pior, apresentando-me a minha vida inteira cheia de enganos. Jesus não me deixa por muito tempo combater as dúvidas, mas ele enraivecido enche-me de pavor. Se eu pudesse ter um sacerdote sempre junto de mim! É o meu Paizinho quem eu quero, pois foi esse que Jesus me prometeu e que os homens me tiraram.
As aves sínto-as já nos pés, mas como que aborrecidas por não encontrarem que comer. Vão mexendo e remexendo as poucas cinzas que me restam. Ai, o dia mais feliz da minha vida é o dia da minha morte! »
O dia 14 de Maio desse ano de 1942 é dia da Ascensão do Senhor. Alexandrina desejaria de certo viver esse dia de festa de maneira jubilosa, mas o seu “coração continua como uma lâmpada amortecida”, mas ela não perde a esperança, porque ela sente e está segura que “quem lhe sustenta a vida do coração é Jesus”...
« Eu quisera dizer — escreve ela nesse dia 14 de Maio — quanto a minha alma tem sofrido, mas apenas tenho experimentado, e não sei explicar. Horrorosos sofrimentos passaram por mim! Nunca pensei poder sofrer tanto. Hoje sinto-me mais aliviada um bocadinho, mais redobrada a minha confiança em Jesus e na Mãezinha, com mais forças para combater o inferno que se tem revoltado contra mim.
O meu coração continua como a lâmpada amortecida. De longe a longe vai deitando uma gotazinhas de sangue que a Humanidade ainda vem aproveitá-las. Cada uma delas parece ser a última. Sinto que ele ainda está preso à vida divina por um fiozinho comparado a um arame fininho que à mais pequenina cloisa pode partir.
No meu corpo já não sinto as aves; parece-me já não existir dele nem sequer o mais pequenino bocado de cinza.
Sinto que quem me sustenta a vida do meu coração é Jesus, só Jesus, parecendo-me estar ligada à Pátria celeste por aquele fiozinho.
Viva Jesus! Viva Maria! Viva a Santíssima Trindade a quem amo tanto! »

A paixão visível tendo terminado, ela sente, de vez em quando, sobretudo nos momentos em que mais “padece” outros penas e outros sofrimentos que ela própria não sabe explicar, ela tem “saudades da paixão”, porque sem ela o “tempo não passa” e mesmo as horas parecem-lhe séculos. Ela “brada” então aos Céus, chama por Jesus, por Maria, pela Santíssima Trindade, que parecem não ouvir as súplicas da vítima...
É isto mesmo que podemos ler no seu “Diário” de 24 de Maio:
« Jesus suspendeu-me a crucifixão: parece-me que me suspendeu a vida. Só Ele pode avaliar a minha tristeza e saudade. Não tenho o sofrimento da cruz; já não me sinto nela, escondeu-se-me por completo, mas tenho maior cruz ainda, são maiores os meus sofrimentos. Não posso viver no mundo. O tempo não passa, as horas parecem-me séculos, os dias e as noites eternidades. Quantas vezes levanto os meus olhos ao Céu para exclamar: Jesus, ó meu querido e saudoso Jesus! Mãezinha, ó minha querida e saudosa Mãezinha! Santíssima Trindade, ó minha querida e saudosa Trindade, para quem só quero viver, a quem me entrego, a quem só quero amar. Pobre de mim! Digo que amo e não tenho coração para amar, não tenho corpo senão para a dor, sou como uma bola de espuma que depressa se desfaz. Que trevas, meu Jesus, que securas, que amarguras, que agonias as da minha alma.
O fiozinho da vida divina que estava ligado ao meu coração, apesar de sentir que o não tenho, ainda está ligado ao lugar onde ele habitava. Sinto que ele está a cada momento a querer quebrar. A fúria da horrenda tempestade dá-lhe todos os abalos. Do pequenino lugar que ocupava o meu pobre coração sai, de longe a muito longe, umas escassas gotas de sangue. Agora é que eu sinto quanto a pobre Humanidade necessita dele; toda ela sequiosamente o que sugar. Ó meu Jesus, não abandoneis a pobrezinha que sempre em vós confiou e confia. Apesar de tudo sentir perdido por entre as trevas, é de vós que tudo espero. »
E, como se esta “ausência” dos seus “Amores” não fosse suficiente, um outro sofrimento vem juntar-se ao primeiro, mas desta vez não se trata de uma “ausência” cujo retorno é vivamente desejado, mais duma “presença”, presença esta que Alexandrina não deseja, mas que aceita por amor de Jesus e para Lhe salvar almas: a presença de Satanás.
Nesse mesmo dia 24 de Maio, ela escreve para o seu “Diário”:
« O demónio quebrou todas as cadeias que o prendiam, caiu sobre mim. Luto sozinha, combato a sua raiva. Ó minha querida Mãezinha, tiram-me o meu Paizinho nestes tristes dias em que eu mais precisava dele. »
Corajosamente ela luta e vence; corajosamente ela tudo oferece e pede perdão “para todos os que a ferem”, pedindo mesmo ao seu Senhor e Esposo que a leve “sem demora” para junto dele.
Mas o seu desejo de salvar as almas e de fazer a santíssima vontade de Jesus é sempre mais forte, sempre constante, o que a levará a confessar humildemente: “Só tenho corpo para a dor!”
« Sinto-me abandonada de todos — escre ela no dia 24 do mesmo mês — a não ser quando mo dais milagrosamente para conforto da minha alma; o que tão raras vezes acontece. Perdoai a todos os que me ferem, perdoai tanta cegueira; eles de mim estão perdoados. No lugar do meu coração já não cabem mais espadas; tenho sofrido por todos os lados, tenho recebido sofrimentos de quem menos esperava. Ó meu Jesus, para todos o vosso perdão, o vosso amor e a vossa compaixão. Purificai, santificai, abrasai no vosso divino amor e levai para junto de vós sem demora a vossa filhinha agonizante.
Desde o dia 24 de Maio, dia do divino Espírito Santo, em que eu pedia toda a luz e todo o fogo do seu divino Amor, do seu Amor santificador, o estado da minha alma modificou-se, mas nesse dia de tarde eu ainda dizia: Eu já não tenho vida da terra,
só tenho corpo para a dor. A partir deste dia, deixei de sentir o que até ali sentia quase continuamente, que eram nojentas serpentes cheias de toda a imundice, que entravam pela boca e saíam arrancadas não sei por quem, fazendo lembrar os condenados do inferno atormentados pelos demónios. Não podia ouvir o chilrear dos passarinhos ao alvorecer e ao anoitecer do dia, apesar de me lembrar que estavam a louvar o seu Criador. Os seus gorjeios feriam muito a minha alma. Nada podia ouvir de alegria. A minha sede era abrasadora, as saudades de me alimentar não as sei exprimir e tudo isto me parecia levar ao desespero por sentir que era impossível saciar os meus desejos. Logo dizia ao meu Jesus: É por vós que sofro, e saciai vós a vossa sede de amor, a sede que tendes das almas. »
Este estado particular e de particulares sofrimentos transformam-na fisicamente, segundo diziam as testemunhas oculares e mais particularmente no dia 25 de Maio de 1942.
Alexandrina admira-se disso, mas não contesta... Ela só deseja então o Céu, ir para junto do Esposo amado, ver a Deus para sempre:
« No dia 25 notaram diferença em mim, eu não tinha outra a não ser a transformação da minha alma. Deixei de sentir as grandes amarguras, trevas, securas e agonias a não ser de longe a longe e passageiras, para sentir grandes desejos de voar para o Céu, chegando a sentir impulsos que me faziam levantar, figurando-se-me que tinha asas e formava voo para o Céu. Tendo inteira confiança em Jesus e na Mãezinha e sempre conforme com a sua vontade. No meio de tudo isto a minha alma sente-se em festa, que por vezes chego a cantar com júbilo e alegria:
“Ver a Deus, ver sempre,sempre Deus: eis o Céu!Quem me dera lá ir, etc.”
Parece-me ir para a Pátria celeste, para o meu Jesus, de pé, de braços abertos, a descansar em seu divino regaço.
Já que não posso saciar-me dos desejos e saudades que tenho dos manjares da terra, suspiro, morro e anseio por ior saciar-me dos manjares celeste e só esses valem para a eternidade. O fio divino que liga ao lugar onde habitava o meu coração está quase a quebrar, parece-me que foi limado. O que lhe tem valido é a tempestade só de longe a longe lhe dar uns pequeninos abalos. Agora sim, agora posso dizer: O Céu está perto, vou ver o meu Jesus, vou ver a minha querida Mãezinha, vou gozar do Paraíso, vou amar os meus Amores eternamente. Deixo o mundo sem saudade, não lhe pertenço, não sou dele.
» (1)
O mês de Maio de 1942 ia terminar...
Como para recompensar tanta dor e tantos sofrimentos livremente aceites, o Senhor vai “gratificar” a sua vítima com uma espécie de visão, provavelmente premonitória, durante a noite de 31 de Maio para o 1º de Junho. Ouçamo-la explicar, tendo em conta que o dia 31 de Maio era o dia da festa da Santíssima Trindade:
« Ao cair da tarde, sentia o fiozinho divino a quebrar de todo. Naquele meu estado de alma estava a ver o que Jesus inventaria para mim da sua Ciência divina, a não ser que tudo acabasse com a minha morte. Na segunda-feira seguinte, dia 1 de Junho, de manhãzinha, senti que tinha falhado por completo o fiozinho que para o lugar do meu coração se prendia, mas a ciência de Jesus ainda tinha mais que dar; pouco tempo depois vi e senti descer do Céu à terra para o lugar do meu coração raios de luz mais brilhante que o sol, pareciam vindos do Coração do meu Jesus, ligando-se e reflectindo-se para sempre no lugar do meu coração. Tinha que me embeber toda naqueles raios de amor, o que dia a dia me vão embebendo cada vez mais, deixando-me transformada neles. Esses raios vão-me levantando da terra para o Céu. São um canal no qual eu me tenho de transformar e por dentro dele passar. É por ele que eu vou para Jesus.
Já me sinto elevada a uma certa altura da terra. Momentos há em que não posso resistir a tantas saudades do Céu. Espero ver o meu Jesus dentro em pouco com a minha querida Mãezinha e todos os meus amores por quem aspiro; porém quero que se cumpram todas as promessas de Jesus, quero que me dêem o meu Paizinho que sem eu dar motivos para isso e em momentos tão amargos mo retiraram. Parece que só isso e a determinação da consagração do mundo pelo Santo Padre me obrigam a ainda viver na terra, triste exílio que não posso suportar. »
Ao lermos estas páginas do “Diário da Beata Alexandrina, páginas do mês de Maio de 1942, podemos por elas verificar que, apesar da sua grande devoção à Virgem Maria, todos os meses de Maio, não foram “rosas” para a doentinha de Balasar, ou se o foram, essas rosas eram na verdade demasiado espinhosas!...
Mas, ela própria muitas vezes repetia: “Seja feita a vontade do Senhor!”
*********

(1) Ignoramos a fonte desta adição. Provavelmente Alexandrina que neste período vive a segunda morte mística. Dom Humberto.
“Estou fina, fina das ideias! Em 27 de Maio, quando assistia ao mês da Mãezinha, eu tive este pressentimento que me deixava em paz: Morro em Maio, vem a paz em Junho. O meu Paizinho espiritual vai ser libertado e vem-me assistir à morte. Morrerei no sábado à tardinha, o meu enterro na segunda-feira, no primeiro dia do mês de Jesus”.