29 de agosto de 2010

TESTEMUNO

No livro “Alexandrina”, do Padre Humberto Pasquale, segundo Director espiritual da Beata, podemos ler este belo testemunho do Monsenhor Mendes do Carmo:

Só conheci a Doentinha de Balasar, nos últimos três meses da sua vida, a 26 de Julho de 1955. Cheguei na tarde desse dia, acompanhado de pessoas amigas e dedicadas. Entrámos no quarto da doente a cumprimentá-la, por brevíssimos minutos apenas, pois outras visitas esperavam também.

Saio para a sala de visitas e digo para a família da doente e companheiros de viagem:

“Desejo muito estar ainda com a doentinha só, e por dois ou três minutos.”

Saem as últimas visitas, entro eu e pergunto-lhe:

— Minha filha, sofre muito?

E ela responde:

— Ai tanto, Sr. Doutor!

— E quer dizer-me qual a sua maior cruz?

— Estou no fim da minha vida, em agonias de morte, e não tenho o meu director, que tanto amparou a minha alma.

Eu perguntei-lhe:

— Ja leu a vida de Santa Margarida Maria?

— Não, não li.

— Então ouça o que lhe vou dizer: Quando ela teve as aparições do Sagrado Coração de Jesus e sofria terrível martírio, Jesus mandou-lhe como director o Padre La Colombière, hoje também nos altares. O santo director, depois de ter examinado bem tudo o que se passava, garantiu-lhe que era obra divina. Ela ficou tranquila e a superiora e irmãs aceitaram a decisão. Pouco depois, por ordem dos superiores, o santo director deixou Paray, deixou a França e foi para a Inglaterra, trabalhar na conversão dos protestantes. Margarida não chorou, não pediu que o conservassem, não mostrou desgosto, só uma ligeiríssima pena lhe passou pelo coração. Quando Jesus lhe apareceu a primeira vez, depois da partida, disse-lhe: ― Como? Não te basto Eu, que sou o teu princípio e o teu fim? ― E Margarida teve imensa pena daquela pequenina pena.

Despedi-me com estas palavras:

― Minha filha, paz e confiança. Adeus. Ore por mim que a lembrarei na Santa Missa.

Agradeceu, e partiu.

Quando depois me perguntavam que impressão tivera da Doentinha de Balasar, respondia:

— A de um anjo crucificado.

A 18 de Agosto voltei novamente a Balasar. Encontrei a doentinha ainda mais doente. Hopedei-me em sua casa durante 24 horas. Foram breves, mas muito apreciadas as conversas que o estado gravíssimo da doente permitiu. Despedi-me, dizendo-lhe que desejava voltar quando ela tivesse um pouco mais de forças.

Desígnios misteriosos da Providência: Volto a 11 de Outubro e tenho a surpresa e a graça de assitir à sua agonia, à sua morte e ao seu enterro.

Deilhe a última bênção, recebi o seu último suspiro e o seu último beijo deu-o ao meu Crucifixo.
Mons. Mendes do Carmo, in “Alexandrina” do Padre Humberto Pasquale

25 de agosto de 2010

DESPEDIDA DO PADRE JOSÉ GRANJA

Acabo de receber esta mensagem enviada pelo senhor Padre José Granja, até aqui pároco, de Balasar e que agora se encontra em Fátima. Como não podia deixar de ser, é-me extremamente agradável, por diversas razões, partilhá-la convosco:

* * * * *

Caros internautas do site da Beata Alexandrina.

Faz hoje, dia 22 de Agosto de 2010, 5 anos que foi criado o site :


Ao longo destes 5 anos, que hoje se completam, foram cerca de 500.000 consultas vindas de mais de 110 países. Neste dia, Domingo, Dia do Senhor, também dia de Nossa Senhora Rainha, desde o santuário de Fátima, desejo dirigir-vos duas palavras muito breves.

A primeira é de incentivo a que cada um de nós seja um aliado incondicional da Beata Alexandrina levando por todo o lado um grande amor a Jesus Sacramentado e de oferenda das nossas vidas pela conversão dos pecadores.

A segunda palavra é de despedida como pároco de Balasar. Fui nomeado em 18 de Julho de 2004; tomei posse em 17 de Outubro de desse mesmo ano. No passado dia 18 de Julho, do corrente ano, por motivos de saúde, o Sr. Arcebispo dispensou-me da paroquialidade de Balasar. Deixo de ser pároco mas levo dentro de mim uma enorme gratidão para com Beata Alexandrina que me ajudou a descobrir, de uma forma única, a centralidade da Eucaristia na minha vida de sacerdote e a dimensão redentora dos nossos sofrimentos do dia a dia.

Ao novo pároco, P. Manuel Casado Neiva, desejo as maiores felicidades no seu múnus pastoral.

Ao meu grande amigo Afonso Rocha que criou e manteve sempre actualizado o nosso site com um amor apaixonado pela Causa da Beata Alexandrina deixo aqui uma palavra de admiração e gratidão.

Fátima, 22 de Agosto de 2010.

P. José Barbosa Granja.

MORTE DO PADRE ALBERTO AZEVEDO


O nosso caro amigo Prof. José Ferreira, publicou no seu blog de “Noticias sobre a Beata Alexandrina” um curto artigo sobre a morte deste sacerdote estreitamente ligado à Beata de Balasar. Pensamos ser oportuno reproduzi-lo aqui:

Faleceu ontem (18 de Agosto) o Padre Alberto Azevedo, filho do Dr. Dias de Azevedo. O funeral é hoje (19 de Agosto) em Ribeirão.

A cura da mãe do Padre Alberto Azevedo

Entrou no meu quarto (da Alexandrina) o filho extremoso do meu médico a dar-me a notícia de que sua mãezinha se encontrava às portas da morte. Não sei como fiquei!

Com a lâmpada e velas acesas, todos os que estavam ajoelharam.

Ofereci a Nosso Senhor o meu corpo e a minha alma como vítima da enferma; pus todo o Céu em movimento.

Nos intervalos em que me respondiam às orações, eu dizia (intimamente) a Nosso Senhor:

“Deixai-a, deixai-a, Jesus, para acabar de criar os seus filhinhos; provai-me agora o amor que me tendes!”

“Sossega, minha filha, não morre, não morre, confia em mim, Eu te afirmo, Eu te afirmo, não te nego o que me pedes; confia no amor misericordioso do meu divino Coração. Sou Eu, Jesus, a afirmar-te, a prometer-te. Prova agora a tua confiança.”

Entra (a Alexandrina) numa longa luta com o demónio que lhe afirma ser o fruto da sua imaginação, a afirmação de Jesus.

Quando o demónio me repetiu as suas mentiras, eu repetia com o coração:

“Sagrado Coração de Jesus, eu tenho confiança em Vós!”

Enquanto possuía a luz, parecia-me ter em mim duas vidas: o meu espírito estava mergulhado, muito unido à dor e tristeza dos estes queridos da doente e a alma entoava, ao mesmo tempo, hinos jubilosos ao bom Jesus. Não sei como podia sofrer tanto e a alma tão forte cantar ao mesmo tempo....

Era já noite (do dia seguinte), muito de noite, e soube que realmente estava melhor. Não sabia como agradecer a todo o Céu!

Do livro Meu Senhor e meu Deus!


15 de agosto de 2010

O SANGUE DO CORDEIRO

Alexandrina Maria da Costa

« Estes são os que vêm da grande tribulação ;
lavaram as suas túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro ».
(Ap. 7, 14)

APRESENTAÇÃO

A vida da Alexandrina Maria da Costa é uma fonte inesgotável de “água viva” na qual se podem “beber” muitas águas diferentes, mas todas salutares e santificantes.

Os carismas de que beneficiou são numerosos e, cada um deles mereceria um estudo aprofundado pela parte de autores competentes e versados em ascética e mística : eles aí encontrariam não só matéria de reflexão intensa, mas também maravilhas divinas que mais ainda os instruiriam na ciência em que são peritos incontestáveis.

Nós não possuímos essa ciência, mas ousamos falar dela e partilhar com aqueles que irão ler estas páginas, o nosso amor à Alexandrina, “canal” incontestável das graças e ciências divinas. Por isso mesmo e, para evitar comentários que poderiam “escandalizar” aqueles que nesta matéria são especialistas, vamos utilizar, tanto quanto nos for possível os próprios trechos da “Doentinha de Balasar” que mais do que nós, mesmo se nada mais tinha do que a instrução primária rudimentar, é “doutora em ciências divinas”, como o próprio Jesus o afirmou.

O título dado a este trabalho poderá surpreender aqueles que pouco o nada conhecem da vida e dos carismas da Alexandrina, mas, estamos seguros que a leitura terminada, terão compreendido o porquê do mesmo título, esperando que assim se possam igualmente maravilhar de tudo quanto o Senhor operou de extraordinário e notável nesta alma de excepção.

Não temos qualquer receio em afirmar que os escritos da Alexandrina não sofrem qualquer sombra dos escritos doutros místicos tais como Santa Teresa de Ávila, S. João da Cruz, Beata Ângela de Foligno, Santa Gertrudes ou Santa Matilde de Hackerborn, pois fácil é de notar que a “Fonte” é a mesma e que por esta razão, a “concorrência” deixa de justificar-se.

A Alexandrina, tal como o disse Jesus, é na verdade “Mestra das Ciências divinas” .

O assunto que vamos procurar desenvolver aqui não é dos mais fáceis, mas esperamos que com a ajuda de Deus e a protecção e inspiração da Bem-aventurada Alexandrina, possamos dizer alguma coisa e demonstrar o carisma extraordinário do qual poucos ou nenhuns — excepto, julgamos, a Beata Ângela de Foligno — : a “transfusão” do Sangue divino como alimento da alma e do corpo da sua querida esposa de Balasar, como mais adiante diremos.

No que diz respeito a esta mística, encontrámos no livro das suas “Visões e revelações” este curto e único trecho que faz referência a este carisma que não parece ter durado muito tempo, visto que no resto da mesma obra não voltamos a encontrá-lo :

« Não dormia. Ele chamou-me e disse-me que aplicasse os meus lábios sobre a ferida do seu lado. Pareceu-me que aplicava os meus lábios, e que bebia sangue, e neste sangue ainda quente eu compreendi que ficava lavada. Eu senti pela primeira vez uma grande consolação, misturada uma grande tristeza, porque tinha a Paixão diante dos meus olhos. E solicitei do Senhor a graça de derramar o meu sangue por Ele como Ele tinha derramado o seu para mim » .

A autora italiana Eugénia Signorile, no seu excelente livro “Só por amor!” evoca longamente este fenómeno místico excepcional. Ela anuncia-o assim :

« O fenómeno da Eucaristia real dada misticamente já se tinha verificado com algumas grandes almas muito elevadas na espiritualidade, dotadas duma especial sensibilidade para as realidades celestes. Por exemplo, Santa Verónica Giuliani, Santa Gemma Galgani ; e em 1916 Jesus escolheu a pequena Lúcia de Fátima para dar-Se a ela mediante o anjo da guarda.

Mas a Beata Alexandrina recebe ainda um outro alimento para o corpo e para a alma : um conjunto de sangue, vida, amor, sob forma de verdadeira transfusão para o sangue e de efusão para o amor. É a primeira alma mística para quem se efectua tal fenómeno ».

Uma das maiores doutoras da Igreja, Santa Catarina de Sena, fala do Sangue do Senhor e dos seus efeitos, nestes termos :

« Este sangue precioso é a fonte de todo bem ; salva e torna perfeito qualquer homem que se aplique a recebê-lo ; dá a vida e a graça com mais ou menos abundância, de acordo com as disposições da alma ; mas ele é causa de morte para o que vive no pecado » .

Podemos — e devemos talvez — perguntar a nós mesmos e àqueles que poderiam duvidar um instante de veracidade de tal carisma : “Que diz o Evangelho a este respeito ?” A resposta surpreender-nos-ia, sem verdadeiramente surpreender... Ouçamos o que diz Jesus :

« Em verdade, em verdade vos digo : se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia, porque a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue, uma verdadeira bebida. Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e Eu nele » .

Este carisma parece ter sido precedido de diversas primícias, que não o anunciando — porque nem era conhecido — preparavam no entanto a sua vinda de maneira durável.

Será útil notar aqui que os trechos dos escritos da Alexandrina que a seguir vamos dar, não serão tirados do contexto em que se encontram, pois isso riscaria de prejudicar a boa compreensão dos mesmos e de perturbar o leitor. Não será portanto de es-tranhar que alguns deles sejam mais longos do que outros.

Os mesmos trechos manter-se-ão na ordem cronológica, tais como se encontram no Diário da Beata Alexandrina.

Afonso Rocha