27 de dezembro de 2012

NOVIDADE PARA JANEIRO DE 2013



Boletim de informações sobre a Beata Alexandrina

Porquê este “Jornal de informações” se já existem na Internet numerosas páginas sobre a Beata Alexandrina?

Esta pergunta parece justa, mas para nós não chega, porque pensamos que nunca é demais falar de tão grande vulto da Igreja de Portugal, porque pensamos que nunca é demais falar de uma das maiores personalidades da História da Igreja universal. A Beata Alexandrina é mais do que “uma Santa para Portugal”, a Beata Alexandrina é a maior mística do século XX e certamente uma das maiores que a Igreja viu surgir das suas alas milenárias. A Beata Alexandrina iguala na ascética e na mística Santa Teresa de Ávila e S. João da Cruz, os grandes mestres nesta difícil e tão nobre “matéria”.

Jesus disse um dia que “ninguém é profeta no seu país” e, este ensinamento conjuga-se perfeitamente com a Beata Alexandrina, que é mais conhecida em certos países – Brasil, Itália, Inglaterra, Irlanda, França – do que propriamente em Portugal que a viu nascer, crescer e morrer.

O nosso intento é remediar essas falhas, essas faltas de conhecimento sobre aquela que poderá vir a ser na verdade “uma Santa para Portugal”, como muito bem o disse o Eminentíssimo Arcebispo de Braga, Dom Jorge Ortiga.

Nunca será demais falar da Beata Alexandrina, visto que essa foi a vontade expressada por Jesus, quando lhe disse que queria que ela “fosse conhecida no mundo inteiro”. Este desejo do Senhor, nós fizemo-lo nosso e tudo faremos – na humildade dos nossos meios – para que a Beata Alexandrina Maria da Costa seja conhecida no “mundo inteiro”, mas estando cientes que desse “mundo inteiro”, Portugal também faz parte.

Que publicaremos aqui?

Os escritos da Alexandrina já são conhecidos de muitos leitores que frequentam a Internet, que eles sejam de língua portuguesa, francesa, espanhola, italiana e de algumas mais.

Como o fez Jesus na sua predicação, repetindo várias vezes os seus ensinamentos, para que fossem melhor compreendidos e assimilados, nós também assim procederemos, visto que a repetição pode tornar-se de grande utilidade para aqueles que hoje leram e que o lendo amanhã ali encontram novas explicações, novas interpretações que os ajudarão a melhor compreenderem o que Jesus espera deles, visto que os escritos da Beata Alexandrina, nada mais são – e aqui está o mais importante! – do que a repetição das palavras evangélicas, dos ensinamentos de Jesus, adaptados para os nossos tempos e compreensíveis para todos aqueles que possuem dentro deles um coração de criança: “Deixai vir a mim os pequeninos!”.
Iremos ler textos da Autobiografia, das Cartas dirigidas ao Padre Mariano Pinho, seu primeiro Director espiritual, dos Sentimentos da alma, o seu “Diário espiritual”.

Iremos ler também os testemunhos de pessoas que obtiveram de Deus graças – extraordinárias ou não – pela intercessão da nossa querida Beata.

Diversas pessoas, na Internet, demonstraram o seu amor para com a Beata Alexandrina e mesmo o que a descoberta desta alma extraordinária causou nas suas vidas: esses testemunhos serão aqui publicados, para que cada um possa meditar no poder de intercessão desta alma junto do divino Esposa da sua alma que sempre foi pura do nascimento até à morte.

Esperamos igualmente poder dar algumas notícias “frescas” sobre a causa de canonização que continua a decorrer, assim como sobre as diversas manifestações em Balasar, paróquia natal da nossa amada Alexandrina, ou peregrinações que para lá rumam, graças aos contactos que guardamos com alguns amigos de lá e dos arredores e aos quais agradecemos sinceramente.

NOTA: Haverá uma versão francesa deste boletim.

A equipa

17 de dezembro de 2012

É FOGO ! É FOGO ! É AMOR ! É AMOR DIVINO!


Jesus tomou nas mãos o Seu divino Coração


Jesus com um sorriso na Sua infinita bondade disse:

― Não pode ser, filha querida; assim como para serem perdoados os pecados são necessárias as disposições da alma, igualmente as exijo para a promessa que te faço, para a graça dispensada. É por isso que o Meu divino desejo é que venham junto de ti muitas almas, todas as almas, se isso fosse possível. De ti Eu deixo transparecer a Minha doçura, o Meu sorriso, tudo o que é Meu. Por ti e junto de ti, receberão o toque da Minha divina graça; por ti Eu serei por muitos amado, muito amado. Fiz e vou fazer de ti uma vida maravilhosa, uma vida de prodígios. Coragem, muita coragem! És mãe da humanidade; a mãe dá vida e dá à luz os seus filhos. Recebe agora a gota do Meu Sangue divino; sem ela não vives, sem ela não resistes ao teu sofrer.

Jesus tomou nas mãos o Seu divino Coração, uniu o centro do Dele ao centro do meu, e pelo pequenino tubo passou Dele para mim, muito lentamente o Seu Sangue divino. Foi como que um fogo que me abrasou toda; senti-me queimada, até o rosto me ardia. Jesus levantou o Seu divino Coração e com o centro para cima deixou-o por algum tempo, ligado ao meu. Nesta estreita união, depois de um pouco de silêncio, enquanto que as labaredas continuavam a abrasarem-me, Ele disse-me:

― É fogo, é fogo, é amor, é amor divino, Minha filha. Dois Corações num só Coração, duas vidas numa só vida. É Jesus pela Sua crucificada a salvar o mundo. Acode-lhe, acode-lhe, esposa querida; acode-lhe que é teu, entreguei-to, salva-o, ou salva as almas, que aos corpos já não acodes, têm que ser castigados. Já não demora sobre ele a justiça de Meu Pai. O mundo, o mundo, o pobre mundo, que não atendeu à voz de Jesus, ao convite de oração, penitência, emenda de vida! Coragem, coragem, Minha filha! Brada-lhe bem alto, convida-o para Mim. Dá-me dor, vai para a tua cruz, acode às almas, é essas que Eu quero ver salvas. Vai alegre para a cruz, vai espalhar o bem, vai infundir amor. Não temas as trevas, não temas a tua ignorância. Sentes nada saberes dizer? É quando mais dizes, mais luz dás aos que te estudam, já disso te preveni. Tem coragem! O tempo é breve; bem depressa cantarás as glórias do teu Senhor. O Meu divino Coração anseia por dar-te a tua Pátria, ver-te junto de Mim! Vai alegre, vai em paz, vai cheia de amor, da vida divina.

― Obrigada, obrigada, meu Jesus. Aceitai-me o meu sacrifício e todo o meu sofrer, e poupai o mundo ao castigo.

Tenho tanta pena de Jesus e tanta da pobre humanidade. Tanto a queria salvar! Custou-me tanto ditar tudo isto. Sinto como se tudo fosse escrito com o sangue do meu coração. Que Nosso Senhor me aceite as faltas das minhas forças, para que as almas tenham força para não pecarem.

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 12 de Dezembro de 1947 - Sexta-feira).

APARTA-TE MALDITO !



Confesso que não podia mais...



Como o meu coração sangra: ó meu Deus, como eu o sinto ferido; já não parece coração, mas sim uma massa de sangue toda desfeita! E se a alma tivesse algum bocado de carne, eu podia dela dizer o mesmo. Parece que a sinto toda golpeada. Que dor quase insuportável! Vivo porque Jesus o quer; resisto, porque Ele resiste em mim. Ai de mim, se assim não fosse; o que teria sido e seria o meu viver. Tudo é dor, tudo são espinhos e espadas a cortarem-me, tudo é abandono, trevas e morte.

Vou saindo, de vez em quando, fora do meu sepulcro; respiro, vejo todo o sofrimento que me rodeia e sem ter nada que dar a Jesus, sem nada fazer em benefício das almas, logo caio na mesma sepultura. Fica-me a dor e as ânsias de fazer bem e imitar Jesus, de valer a todos e a todos socorrer. Que novo martírio Jesus inventou para mim com estes sentimentos de praticar o bem, de não viver nem pensar em mim, mas sim viver e pensar em toda a humanidade. Só por amor a Nosso senhor e às almas eu recebo as visitas. Que podridão elas vêm ver e observar! Meu Deus, que vergonha a minha, que doloroso tormento!

Tive três combates com o demónio. Como ele vinha desesperado! Eu sentia tal raiva contra mim, que a mim mesma me parecia morder toda. Ouvia uivos e ranger de dentes. Que inferno desesperador e malicioso! Eu era toda demónio. Não queria ter ouvidos para ouvir as suas malditas e feias coisas; mas tinha que ouvi-las e tive que lutar. Sentia o meu coração preso ao demónio por fortes cadeias e parecia-me que não podia deixar o pecado, queria até viver nele, sentia gosto em praticá-lo. Queria tomar para os meus braços o crucifixo e A Mãezinha, mas não podia; era eu mesma que O queria escarrar, escarnecer e calcar aos pés. Não deixei contudo de dizer a Jesus que era a Sua vítima e do íntimo do coração Lhe dizia que não queria pecar e só queria a Sua divina vontade. Confesso que não podia mais. Eram tão fortes as palpitações do meu coração; parecia-me que ele rebentava. Nesta altura, ouvi a voz de Jesus que disse:

― Aparta-te, maldito, tenho domínio sobre ti, deixa a Minha vítima.

Os demónios fugiram espavoridos, uivando e rangendo os dentes. E um Anjo formoso, em tamanho natural, de asas brancas, no meio de uma luz luminosa, parou por uns momentos à minha frente, a apontar-me para o Céu. Desapareceu a visão. Fiquei dorida com o receio de ter pecado, mas com a alma forte, depressa fiquei em paz.

Não tenho a certeza, mas parece-me que, ao menos três vezes, vi passar Jesus, no meio de uma grande multidão de vultos pretos, com a cruz aos ombros a ser maltratado. Ele fitava-me e caminhava sempre, mas oh! como Ele ia desfigurado e triste! Triste e em grande dor me deixava a mim também. Eu podia poder consolá-Lo, tirar dos Seus Santíssimos ombros a cruz e passá-la para os meus. Lá O via caminhar e desaparecer sem o poder conseguir. Queria desviar Dele a multidão que O seguia para O maltratar, e não foi para mim, não tive força para me aproximar de Jesus, para O libertar e suavizar a Sua dor.

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 19 de Dezembro de 1947 - Sexta-feira).

16 de dezembro de 2012

NATAL DE DOR


“Quero regar os Vossos pezinhos...”


Depois da noite vem o dia. Depois de muito sofrer, veio novamente Jesus compor tudo.

Já tive outra vez Missa no meu quarto. Foi no dia 22 que recebi esse mimo do Céu. Os homens só vêem, enquanto que Jesus os deixa. Devia ser um dia de consolações e alegria, mas não o permitiu o meu Amado. Bendizia-O e louvava-O por tudo. Ele ama quando consola e ama quando fere; é sempre amor, amor sem igual.

Como não sabia assistir à Santa Missa, como de costume ocupei o Céu, pedi à Mãezinha que assistisse Ela por mim, com os sentimentos d’Ela e não os meus, que acompanhasse a Jesus, que merecesse Ela por mim e fizesse Suas as minhas intenções e que unida a Jesus me oferecesse ao Eterno Pai na mesma imolação e sacrifício. Principiei assim o bercinho para o Menino Jesus para o dia de Natal.

Mas, ai! Pobre de mim, o presépio que Lhe preparei foi muito pior ainda do que o de Belém. Sofri tanto, tanto! Meu Deus, que dor infinita! Não há palavras que a possam exprimir. Foi de tal forma a noite pavorosa, foi tão tremenda a tristeza e agonia que me levou a pensar a sério se seria o último Natal que passava na terra. Seja o que Jesus quiser. Preparei-Lhe o bercinho com espinhos, com as minhas infidelidades e imperfeições. Tudo isto me fazia sofrer mais e mais.

À meia-noite, na hora do nascimento de Jesus, abraçada a uma imagem d’Ele, humilhada por causa dos meus pecados, pedi-Lhe muito perdão e, debulhada em lágrimas, dizia-Lhe: quero regar os Vossos pezinhos. Aceitai-mas como se fossem lágrimas de perfume, o incenso, o ouro e a mirra dos Reis Magos. Renovei-Lhe o meu completo abandono e pedi-Lhe que fosse perfeito o mais que fosse possível. No meio de tudo isto, no meio de toda a morte, quando tudo era vida e alegria para os outros, uma coisa tive a meu favor: a paz do Senhor reinava na minha alma. Não me desesperei. Que graça tão grande do Senhor!

Os dias vão passando e eu vou vivendo naquele abandono a que me entreguei, sofrendo, sofrendo, sofrendo sempre. Quanto mais sofro e me parece que nada mais posso sofrer, maiores são as ânsias de mais sofrimentos. São tão grandes como o Céu, são tão grandes como Deus. Quero consolá-Lo, quero amá-Lo, quero dar-Lhe almas. E para isso repito-Lhe: quero dor, meu Jesus, sempre mais dor. Sede a minha força, meu Jesus.

*****
Sentimentos da alma, 26 de Dezembro de 1952.

5 de dezembro de 2012

ACODE ÀS ALMAS ! ACODE ÀS ALMAS !


O fontanário que não se esgota.


Ó Jesus, faça-se a Vossa divina vontade! Seja tudo pelo Vosso divino amor e pelas almas.

Posso afirmar com toda a verdade: outra coisa não quero na vida, a não ser amar e fazer Jesus amado, dar-lhe almas, muitas almas, todas as almas. Ai, que loucura! Não posso consentir na sua perda! Elas custaram o Sangue de Jesus; mas para isso preciso de guia e amparo. Preciso de todo o Céu.

Oh! Meu Deus, como é tormentoso o meu viver nesta masmorra escura que tantas lembranças me traz! Tudo é inútil em mim, mas, apesar disso, logo de madrugada, tudo ofereço ao Céu. A minha alma tinha tanto para dizer, mas eu não posso dizer nada. Quando, nesta madrugada, fazia a oferta ao Senhor, atormentei-me tanto que torcia e destorcia como vergasta verde que o vento torce e destorce, mas não destrói. Durante o dia fui repetindo o meu creio sem crer, actos de amor sem esses sentimentos mais e mais até que chegou a hora de Jesus:
— “Minha filha, minha filha, estou aqui, acredita, confia; estou aqui no teu coração. Deixa-Me, deixa-Me; quero deliciar-me nele, quero descansar e contemplar os seus adornos para esquecer os crimes hediondos de tantas, tantas iniquidades. Quero descansar e fortificar-te ao mesmo tempo. Para tal reparação e toda a espécie de reparação, só uma vítima assim generosa e cheia de heroísmo. Coragem, coragem! Não pode haver mais maldade, e tu não podes dar-Me mais reparação. O mundo! O mundo! Ai dele, se não se converte! O que o espera! O que o espera! Acode às almas, acode às almas! Deixa-as vir sequiosas a este fontanário por Mim enriquecido, que não se esgota”.

(Sentimentos da alma, 28 de Janeiro de 1955)

6 de novembro de 2012

A FERIDA DO AMOR


Eu tenho sede dos corações

Os estados percorridos pela alma da Alexandrina foram numerosos, porque também numerosas foram as suas ofertas ao Senhor como vítima: vítima da Eucaristia, vítima dos pecadores, vítima pelos sacerdotes, vítima pelo mundo e pela humanidade, vítima pela consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria.
A partir do dia 31 de Outubro e, durante quase dois anos, viveu as penas do Purgatório, estado místico dolorosíssimo que a obrigou a viver no seu corpo e  na sua alma a purificação que o Senhor exige das almas santas que ainda não tenha atingido o grau de santidade necessário para poderem entrar na Saca do Pai.
Entre esses momentos de trevas e de aridez espiritual, Jesus oferecia-lhe momentos de autêntica felicidade, felicidade celeste, como ela o explica:

“Passou-se algum tempo, desapareceu toda a treva, o sol dissipou para longe as nuvens, iluminou-se brilhante e claramente a minha alma, um fogo abrasador me incendiou o coração, fazendo passar o calor das labaredas a todo o corpo; gozava duma grande paz, mas sem ouvir ainda Jesus”.

Habituada aos grandes sofrimentos, estes estados de felicidade espiritual, quase a surpreendiam e Jesus, sempre atento à mínima solicitação da sua esposa de Balasar, vinha explicar-lhe o porquê desses momentos de plena felicidade:
“Minha filha, até aqui bateram sobre ti as ondas do mundo, as ondas horrorosas do pecado, de grandes maldades e crimes e cobriam-te as suas trevas, porque és vítima. Agora veio a ti a paz e o amor do Meu divino Coração e toda a luz do divino Espírito Santo”.

Mas estes momentos eram passageiros, e de novo era necessário que ela voltasse à treva, à aridez espiritual, aos combates com Satanás…

“Coragem! Eu quero ser amado; faz que as almas me amem. Eu tenho sede dos corações; repara-Me, conduze-os a Mim. Coragem, minha filha, nada temas. A dor e o amor são as moedas mais caras, são os selos com as quais selo as almas roubadas a Satanás”.

Jesus não cessa de pedir, mas também não cessa de oferecer. A sua conversa com a Alexandrina, parece uma conversa de amantes, como aquelas que podemos ler no Cântico dos Cânticos. Jesus ama-a e oferece-lhe o Seu Coração, faz-lhe promessas, mas exige dela amor, amor sem retorno, amor fiel, tanto nos bons como nos maus momentos. Jesus encoraja-a e previne-a. Ouçamos Jesus:

“Coragem, filha querida! Tu és o prado mimoso, onde produzem as virtudes e desabrocham as flores plantadas por Mim. Levanta-te, anima-te, não temas a cruz. No alto da montanha, no cimo dela, Eu farei cair pelo teu coração todas as bênçãos e graças de salvação para as almas. A tua vida será para elas o perfume das flores, o gorjeio das avezinhas duma manhã primaveril. Custa-te subir? Custa-te chegar ao cimo do teu Calvário? Não estranhes. O remate das obras, o seu enfeite são sempre o mais difícil”.
E para que Alexandrina não possa ter qualquer dúvida, Jesus afirma:
“Mas, ó minha filha, a obra não cai, confia em Mim. Principiei com alicerces tão firmes, que nada há que a faça estremecer, a pontos de vir a terra. É a obra das obras, é a obra mais sublime, é a missão das almas”.

A resposta da Alexandrina, é como sempre: suplicante e enternecida; humilde, mas firme. Ouçamo-la:

“Meu Jesus, ó amor meu, quero e não posso, desfaleço e caio; amparai-me Vós. Não me importo de caminhar de rastos e sempre de rastos ser humilhada, o que eu quero é estar na verdade e em tudo fazer a Vossa divina vontade. Dai-me graça, dai-me graça, meu Jesus, e fazei-me confiar cegamente. Quero sofrer tudo pelo Vosso divino amor, mas custa-me, a mais não poder, ser causa de grande sofrimento, de grande dor para os outros”.

Esta abnegação constante da Alexandrina, este amor sincero e humilde que ela sempre demonstra, enternece o Coração amante de Jesus, que com palavras cheias de amor, com ela se congratula e lhe incute coragem, sempre coragem, mais coragem, para tudo suportar por amor.

“Confia em Mim, alegra-te, Minha louquinha; estás na verdade, és minha, vives de Mim. Que felizes e ditosos são aqueles que Eu escolhi e associei ao teu martírio, ao teu grande, mas vitorioso Calvário. Coragem, coragem!”

O sofrimento da Alexandrina, livremente aceito, não é um sofrimento estéril, é um sofrimento que alimenta outras almas, que contribui à vida espiritual de outras almas, muitas vezes em dificuldades sem nome, por isso Jesus lhe afirma:

“A tua dor dá vidas, as tuas trevas são luz, que alumia as almas e vão brilhar aos confins do mundo.”

Como é sabido de todos, a Alexandrina viveu treze anos sem comer nem beber, o que obrigatoriamente a enfraquecia. Mas Jesus velava por ela e, para que ela permaneça com vida todo o tempo que Jesus quisesse “precisar” dela, Ele alimentava-a com o seu próprio Sangue. Este alimento divino destina-se não só ao sustento da sua alma, mas também do seu corpo. Algumas vezes este Sangue divino chega ao coração da Alexandrina com uma tal força que ela morreria, se o Senhor não estivesse atento ao derrame salutar. A Alexandrina várias vezes o explica nos seus escritos. O “Sangue do Cordeiro” é alimento que dá vida da alma, é alimento que mantém a vida do corpo.
Jesus explica:

“Recebe agora a gota do Meu divino Sangue. Hoje não cairá duma só vez; vais recebê-la, saboreá-la, como a abelhinha que sofregamente saboreia nas florzinhas o néctar”.

Vejamos agora, contado pela própria Alexandrina o que aconteceu:

“Jesus tomou em Suas mãos o Seu divino Coração; pelo centro saíam labaredas que formavam uma só labareda; uniu ao meu coração e fez que nele se introduzisse o pequenino tubo; senti-me como que adormecer docemente. Assim demoramos, por um pouco. Depois, Jesus retirou o Seu Coração divino, bafejou-me o peito e passou-me sobre ele a Sua bendita mão como quem acaricia.”

Solicitude divina do Senhor! Senhor, quão grande é o teu amor para com aqueles que escolheste para participarem, de maneira mais íntima, de maneira mais realista, ao pleno de Salvação previsto desde a eternidade!
A missão da Alexandrina deve continuar, não só naquele momento preciso, mas pelos tempos fora, não só “até aos confins do mundo”, mais até ao fim do mundo. Uma vez mais Jesus explica à sua vítima de Balasar esta missão sublime:

“Vai, Minha filha, a ferida que te fez o amor já está cicatrizada. Vai, leva para as almas estas chamas, abrasa os corações que têm fome de Mim; por ti Me dou a eles. Leva estas chamas, arrasta com elas a Mim as almas presas pelos laços infernais. Vai para a tua cruz, para a tua dor, não deixes correr mais pelos rastilhos o fogo, que faz rebentar a bomba divina, a justiça do Meu Pai. Coragem, coragem; nada temas, sorri a tudo!”

Alexandrina não discute, não faz mais perguntas: ela compreendeu perfeitamente a vontade divina. Ela sabe-se frágil, por isso ela diz apenas:

“Obrigada, meu Jesus. Sede comigo; tudo espero do Vosso divino coração.”

Que força, que carinho, que coragem!
Terminando a página do seu diário espiritual (Sentimentos da alma, Alexandrina explica o resultado desta visita de Jesus e o que se passou nela, pouco depois. É quase sobrerrealista:

“Passaram-se umas horas, o fogo de Jesus ainda me queima o coração; custa-me, por vezes, a aguentá-lo sem saber ele deitar panos frescos. Sinto-me mais forte; estou no fogo, mas em trevas, e o corpo num mar de dores. Ó minha cruz, ó meu Amor, ó meu Jesus!”

Palavras enternecedoras que fazem bater fortemente os nossos corações, que trazem aos nossos olhos lágrimas de regozijo que fazem bem, que procuram paz e avivam o nosso amor por Jesus e pela nossa querida Alexandrina, porque o que nela se passa, “é a obra das obras, é a obra mais sublime, é a missão das almas”.

Afonso Rocha
(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 7 de Novembro de 1947 - Sexta-feira)

19 de outubro de 2012

“BELEZAS” DO FACEBOOK


TESTEMUNHO

O Facebook que nem sempre é uma “ferramenta” dócil e verdadeiramente humanizada, reserva-nos, algumas vezes — pena não sejam mais frequentes — surpresas agradáveis, testemunhos que dificilmente serão esquecidos futuramente, por serem grandes as emoções que procuram.
Quando procuramos assumir um compromisso, qualquer que ela seja, dando o melhor de nós mesmos, não fazemos isso para recebermos “elogios” ou medalhas, mas simplesmente porque amamos aquilo que fazemos.
No caso aqui apresentado, trata-se do facto de “fazer conhecer e amar a Beata Alexandrina Maria da Costa”, tanto em Portugal, como no mundo inteiro.
Os “amigos” da Beata Alexandrina no Facebook são mais de 5 000 e por isso mesmo não é possível responder a todos como o desejaríamos fazer. Mas, todos podem estar certos do nosso carinho, da nossa estima e da nossa gratidão por tudo quanto fazem para nos ajudar nesta “missão” tão Santa, tão agradável e sobretudo tão eficaz sobre o ponto de vista espiritual: a Beata Alexandrina é na verdade um excelente “canal pelo qual Jesus quer fazer passar as graças”.
Nestes últimos dias — e não só — recebemos muitas mensagens cheias de carinho e de estímulo, para prosseguirmos o nosso “caminho”, aconteça o que acontecer.
Muito obrigado a todos e que a todos o Senhor conceda as maiores graças e bênçãos por intermédio da sua querida esposa de Balasar.
Esta mensagem recebido há pouco “mexeu” muito o meu coração, não tanto pelo que me diz respeito — eu nada mais sou do que um inútil instrumento — mas pela que ela diz a respeito da nossa querida Beata.
Não vou deixar o nome, mesmo se, estou seguro, aquela pessoa que o deixou saberá que se trata dela, assim como alguns dos seus amigos. É uma mensagem que exprime — sobretudo para aqueles que sabem ler entre linhas — um verdadeiro amor à Beata e sobretudo um conhecimento perfeito dos “efeitos” causados pelo amor que a ela dedicamos.
Leiam:

«Estimado amigo, é sempre um prazer imenso ler o que publica e partilhar o grande amor que nutrimos a esta Serva abençoada. Sermos dignos de observar este imenso amor com que nos brindou esta puríssima alma é tocante. Entra em nós de forma discretíssima, tal como era a querida Beata Alexandrina, e apropria-se das nossas acções e emoções, tomando conta de nós. Este amor imenso de nos cuidar e tomar conta, aconchega e seduz os que se dispõem a deixar-se levar por tamanha beleza que connosco é partilhada. Ir em corrida a Balazar, faz-nos desapropriar daqueles pequenos tóxicos com que teimamos por vezes deixar invadir os nossos dias. Chegar a Balazar mais de 44 km depois e cerca de 5 h na estrada, torna-nos leves no espírito e capazes de sermos acolhidos pelo amor que nos vai invadindo. Chegados lá, espera-nos um abraço imenso e aquele sorriso de quem está na Casa do Pai à nossa espera. Regressamos de alma cheia e plenos de amor pelo próximo. É por isso que corro. Que esta querida Serva de Deus mo permita, sempre em prol do bem ao próximo, partilhando toda a sua vida de amor eterno pelo Pai com os outros».

Depois destas palavras, qualquer comentário seria inútil.
Nunca nos esqueçamos de invocar a Beata Alexandrina nas nossas necessidades quotidianas.
Se vocês soubessem como ela é poderosa junto do Coração de Deus!
Afonso Rocha

10 de outubro de 2012

ALEXANDRINA E A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL


GRANDES COISAS

PREFÁCIO

Muito perto do princípio das suas comunicações com a Beata Alexandrina, garantiu Jesus que faria nela “grandes coisas”:
Manda dizer ao teu Pai Espiritual que te vou modelando e preparando para coisas mais sublimes. (11 de Outubro de 1934)
Hei-de fazer em ti grandes coisas. (1º sábado de Dezembro de 1934)
Por isso, os seus apaixonados estudam-na com dedicação porque sabem que a sua vida e obra são um mundo de maravilhas.
O nosso amigo Afonso Rocha, o zeloso webmaster do Site dos amigos da Beata Alexandrina, é um desses apaixonados de longa data. Abalançou-se agora a abordar um tema com aspectos potencialmente polémicos, o da relação da Beata Alexandrina com a Segunda Guerra Mundial (tema que aliás já há-de ter merecido as atenções de Francis Johnston no seu opúsculo The Miracle of Alexandrina, editado pelo Exército Azul); o Afonso Rocha situa-o num contexto teológico um pouco alargado, o que é muito positivo.
O aspecto eventualmente polémico tem directamente a ver com o modo como Jesus se dirige à Alexandrina, quando está em causa a guerra, pois quando não está ver-se-á que tudo muda.
Sem querer substituir-me ao autor, parece não haver dúvida que aquelas mensagens são sobretudo para nós e para as gerações futuras, pois os contemporâneos da Alexandrina não as conheceram nem podiam conhecer.
Quem ali fala é o mesmo Jesus que um dia dirá à Mártir do Calvário que gostaria de se ajoelhar frente a cada homem para lhe pedir amor; e o mesmo que numa parábola do Evangelho de S. Mateus afasta de Si os condenados increpando-os:
Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo éter-no, que está preparado para o diabo e para os seus anjos!
O mundo pecador que a Alexandrina então representa tem em si o germe da condenação e por isso é potencialmente maldito; daí certamente o tom condenatório bem próximo do daquela parábola.
Entre os estudiosos da Beata de Balasar, à parte os padres Pinho e Humberto, tem havido falta de teólogos; eles poderão acaso descobrir aqui perspectivas mais profundas e inovadoras. Até lá, fiquemos com este elaborado trabalho do nosso amigo.
Parabéns, Afonso Rocha!
J. Ferreira

DISPONÍVEL AQUI :

JUNTO DO ALTAR DO CORAÇÃO DE JESUS


Introdução

A primeira referência ao Sagrado Coração de Jesus que encontramos nos escritos da Alexandrina, encontramo-la na sua Autobiografia, quando ela nos conta como aconteceu a sua primeira confissão geral, em Gondifelos a Frei Manuel das Chagas. Ela no-la descreve com a sua simplicidade habitual:

«Foi aos nove anos que fiz pela primeira vez a minha confissão geral e foi com o Sr. Padre Manuel das Chagas. Fomos, a Deolinda, eu e a minha prima Olívia, a Gondifelos, onde Sua Reverência se encontrava, e lá nos confessámos todas três. Levámos merenda e ficámos para a tarde, à espera do sermão. Esperámos algumas horas e recorda-me que não saímos da igreja para brincar. Tomámos nosso lugar junto do altar do Sagrado Coração de Jesus e eu pus os meus soquinhos dentro das grades do altar. A pregação dessa tarde foi sobre o inferno. Escutei com muita atenção todas as palavras de Sua Reverência, mas, a certa altura, ele convidou-nos a ir ao inferno em espírito. Para mim mesma disse: “Ao inferno é que eu não vou! Quando todos se dirigirem para lá, eu vou-me embora”, e tratei de pegar nos soquinhos. Como não vi ninguém sair, fiquei também, não largando mais os soquinhos».

A escolha do confessor não deve ter sido um acaso, mas uma escolha divina, visto que Frei Manuel das Chagas era naquele tempo muito conhecido, não só como um confessor atento e experimentado, mas ainda como um pregador de grande renome.
Afonso Rocha

DISPONÍVEL AQUI :

AS SEIS PRIMEIRAS QUINTAS-FEIRAS


  • PROMESSAS DE JESUS

Para que este devoção revelada por Jesus à Beata Alexandrina Maria da Costa, seja bem compreendida, é importante coloca-la no contexto em que foi recebida. Nos “Sentimentos da alma” de 25 de Fevereiro de 1949, ela escreveu:

“Ontem de manhã [24 de Janeiro], senti como se assumisse a mim toda a maldade humana. Tudo entrou para mim, e eu era o mundo. Causou-me tal tormento que não sabia como resistir. Lembrei-me que neste dia a ordem de alívio dada pelo meu Paizinho não teria lugar”.

Esta ordem do bondoso Padre Mariano Pinho, tinha como fim, proteger, durante alguns momentos, a Beata Alexandrina, dos sofrimentos cada vez mais dolorosos. E, milagre da misericórdia divina, Jesus acatava, com amor e carinho, estes pedidos do santo sacerdote. Mas deixemos que a própria Alexandrina nos conte:

“Enganei-me: sentia e via com os olhos da alma dentro em meu peito uma ovelha poisada sobre a terra, presa por grandes sebes de espinhos. Eu ia caminhando para o Horto, e ela sempre dentro de mim. Durante a tarde, desapareceu tudo isto, foi muito mais suave a dor. À noite voltei ao mesmo sofrimento pavoroso. Sobre o solo do Horto levantou-se um altar, altar de dor assediado por todos os martírios. Sobre ele estava não uma ovelha com sebes de espinhos, mas sim um cordeiro mansíssimo que tudo recebia sem dar sinal de vida, possuindo toda a vida. Daquele cordeiro saía tudo de bondade, e todo ele ardia em chamas que abrasavam o altar e todo o solo do Horto”.

O brilho daquelas chamas que abrasavam sem nada consumirem, fez compreender à simples e humilde vítima que só Jesus poderia agir assim, que só o Esposo querido da sua alma podia mostrar-se a ela daquela maneira, talvez para melhor a fazer compreender o que depois viria. Compreendendo-o, ela não hesitou em gritar, no mais profundo da sua alma — porque tudo ali se passava — o que acabara de descobrir, o que acabara de compreender:

“Era Jesus, era Jesus, senti que era. Oh! Como Ele amava, quando recebia toda a maldade e ingratidão!
Nesta ocasião coisas houve que agravaram muito o meu sofrimento. O demónio tentador aproveitou a ocasião para me atormentar. Sem eu querer via tudo pelo pior; foi grande a minha agonia. Meu Deus, se é possível, afastai de mim este sofrimento. Assim me uni à agonia de Jesus. Mas logo acrescentei: não se faça a minha vontade, mas a Vossa divina vontade. Não desvieis de mim a Vossa Face, ó meu Jesus, não me deixeis sozinha um só momento, só esse basta para eu desesperar!
Num mar de dores passei toda a noite.
Logo de manhã, no meu mundo, se levantou o mesmo altar de dor rodeado de martírios com o mesmo cordeirinho em cima. E assim segui para o Calvário. A toda a dor este cordeiro mansinho pagava com doçura e amor. Ele ardia em chamas e por entre elas, por entre a alvura da sua graça, caía o Seu sangue em abundância a regar a terra.
Aproximava-se o fim da montanha, e o inocente Cordeiro sempre sobre o altar do patíbulo; sabia que ia morrer e ansiava por dar a vida. Que amor, que amor! Só podia ser o amor de um Deus, o amor de Jesus! No alto do Calvário, em vez da cruz, continuou a ser o mesmo altar e o mesmo Cordeiro a arder em chamas e a derramar sangue. Quanto mais se aproximava a hora de Jesus expirar, mais a crueldade de debatia contra o Cordeiro inocente e mais as chamas do Seu amor se estendiam sobre tanta maldade e ingratidão. O Cordeiro ia morrer e nesse momento passou da noite para o dia, da morte para a vida no abraço mais íntimo ao Seu Coração toda a humanidade. Desapareceu de mim o altar, o Cordeiro, e eu fiquei como se não vivesse. Dentro em pouco veio Jesus, falou-me em meu coração; falava-me nele como d’uma janela”.

De facto, Jesus vai falar à sua esposa, à sua amada, encorajá-la, falando-lhe amorosamente, mesmo se, com autoridade evidente. Ouçamos as Suas palavras:

“— Minha filha, minha filha, vítima de Jesus, vítima da humanidade, vítima da tua Pátria, do teu Portugal. Minha filha, minha filha, louquinha da Eucaristia, ama-Me, ama-Me e faz-Me amado; é por ti que Eu quero ser amado, é por ti que Eu quero muitas orações a amarem-Me, é por ti que Eu quero ser reparado, é por ti que Eu exijo grande reparação; repara-Me de tantos sacrilégios, de tantos crimes e iniquidades. A tua dor atingiu o auge. Podia dizer que o Meu divino amor atingiu para contigo também o seu auge; não porque o Meu amor tenha limites, mas porque te amo com o amor com que pode ser amada uma criatura humana; amo-te com amor louco”.

Depois, Jesus revela a nova devoção, uma devoção cuja prática é fácil, mas os seus resultados imensos, são promessas inauditas: de facto “Só podia ser o amor de um Deus, o amor de Jesus!” como dizia acima a Beata Alexandrina:

“— Minha filha, minha esposa querida, faz com que Eu seja amado, consolado e reparado na minha Eucaristia. Diz em Meu Nome que todos aqueles que comungarem bem, com sincera humildade, fervor e amor em seis primeiras quintas-feiras seguidas e junto do Meu Sacrário passarem uma hora de adoração, e íntima união comigo lhes prometo o Céu. É para honrarem pela Eucaristia as Minhas santas Chagas, honrando primeiro a do Meu sagrado Ombro tão pouco lembrada. Quem isto fizer, quem às Santas Chagas juntar as dores da minha Bendita Mãe, e em nome delas nos pedirem graças, quer espirituais, quer corporais, Eu lhas prometo; a não ser que sejam de prejuízo à sua alma. No momento da morte trarei comigo Minha Mãe Santíssima para as defender”.

– Receber Jesus sacramentado dignamente (em estado de graça);
– Seis primeiras quintas-feiras de seis meses consecutivos;
– Fazer uma hora de adoração diante do Sacrário;
– Lembrar as Santas Chagas de Jesus e particularmente aquela do Ombro;
– Lembrar as dores de Maria.

Podemos dizer que é uma devoção fácil de pôr em prática!
Quanto às promessas de Jesus para aqueles que fizerem dignamente esta devoção, elas são simplesmente maravilhosas e estimulantes:

— Quem isto fizer, quem às Santas Chagas juntar as dores da minha Bendita Mãe, e em nome delas nos pedirem graças, quer espirituais, quer corporais, Eu lhas prometo; a não ser que sejam de prejuízo à sua alma.
— No momento da morte trarei comigo Minha Mãe Santíssima para as defender.

Vamos hesitar? Vamos fazer “ouvidos de mercador” a tão importantes e salutares promessas?
Não, e não! Unidos como num só coração, vamos unir-nos aos Corações de Jesus e Maria e honrá-los dignamente, praticando com particular abnegação esta Santa devoção que Jesus nos ofereceu por intermédio da sua querida esposa de Balasar, aquela que nós tanto amamos e merece todo o nosso carinha e amor.
Afonso Rocha

24 de setembro de 2012

Ó JESUS, EU VI O VOSSO DIVINO SANGUER CORRER...


É terno, muito terno o meu coração

Quando acabará na terra a minha eternidade? Quando poderei ver e ficar para sempre no céu com o meu Senhor? Sinto que não posso suportar por mais tempo esta dolorosa e tremenda eternidade, este martírio a que Jesus me submeteu. Preciso de partir, preciso de voar até Deus. Tenho medo de vacilar. Receio perder para sempre o meu Senhor. Está sempre em ser a minha vida. Tudo o que eu sofro morre antes de viver e assim temo e tremo da minha revolta contra tudo e contra o céu. Meu Deus, meu Deus, ai de mim se Vos perco, ai de mim se Vos ofendo. Sou capaz de tudo o que é mau. Nenhuma utilidade tenho para Vos servir e amar. Não deixei de oferecer ao Senhor o sacrifício de uns dias de separação da minha irmã. Ofereci-o por várias intenções e fi-lo só por amor, mas tudo se perdeu na inutilidade e na eternidade. Fugi quanto pude. Ontem, do solo do horto não quis aproveitar-me dos seus frutos. Hoje, fiz o mesmo da viagem para o calvário. Via e sentia que me estendiam redes como que a apanhar-me. Eu fugia-lhe o que podia. Não os deixavam tocar-me. No calvário, no alto da cruz, essas redes eram estendidas por alguém para mim. Saíam-me do coração, eram minhas e vinham para mim. Eram redes de fogo e de amor. Assim expirei. Passei pelo silêncio da morte. Pouco depois Jesus fez-me viver com a sua vida e falou-me assim:

― “É terno, muito terno o meu coração. É doce, bem doce o meu amor. Falar dele é dizer tudo. O amor tem de ser correspondido. Todo aquele que ama não ofende a pessoa amada. Eu amo, amo e peço amor. Se Eu for amado, não sou ofendido. Ó minha filha, ó minha filha, em que agonia está o meu Divino Coração. Sofro, sofro, sofro! Coragem, coragem, coragem no teu sofrimento! A tua dor, a tua dor arranca muitas almas das garras de Satanás. A tua dor faz com que Eu seja amado, muito amado por muitos corações. A tua dor acode a muitos, muitos pecadores, prestes a caírem no inferno. Ai o mundo, minha filha, ai o mundo! As almas, as almas correm loucas, tão loucas, para o abismo da perdição. Olha, olha, repara bem como o meu Divino Coração derrama sangue. Feriram-me as lançadas e punhaladas de pecados gravíssimos. Ferem-me a vaidade e desonestidades nas praias, nos cinemas e bailes. Peca-se horrivelmente nos  casinos e casas de vício. Peca-se na família, peca-se em todos os estados. Ai, quanto sofre o meu Divino Coração. Atendei, atendei à voz terníssima do Senhor. Atendei, atendei ao brado amorosíssimo do seu Coração. Vinde a Mim todos os que errastes. Vinde a Mim todos os que estais frios; quero perdoar-vos, quero aquecer-vos. Vinde a Mim, vinde a Mim todos os que estais doentes. Quero curar-vos, quero sarar-vos as vossas almas”.

― Ó Jesus, eu vi o Vosso divino sangue correr. Vi e vejo as chagas do Vosso amorosíssimo Coração. Ele está todo chagado, todo em sangue. Não o quero ver assim, ó amantíssimo Jesus. Vós sois o médico dos médicos, curai-Vos a Vós mesmo. Aceitai as minhas ânsias de Vos dar tudo, sem nada ter que Vos dar. Quero provar-Vos o meu amor e para isso a Vós me entrego e abandono. Fazei de mim o que quiserdes, que eu, pobrezinha, a Vós me abandono.

Sentimentos da alma: 4 de Setembro de 1953 – Primeira Sexta-feira.

3 de setembro de 2012

EU ESTOU A EXPERIMENTAR-TE



Viva Jesus !
Balasar, 15 de Março de 1935

Meu Padre ;
Não tencionava escrever-lhe esta semana devido ao estado em que me encontro. Estou tão falta de forças ! E a minha cabeça está tão ruim, tão ruim ! Só Nosso Senhor o sabe. Além disso, a minha secretária também lhe custava porque anda bastante doente. Mas como verá, à ordem de Nosso Senhor, resolvi fazê-lo.
Ontem, dia 14, das 9 às 10 da noite, depois de fazer a comunhão espiritual, falou-me Nosso Senhor assim :

― “Anda, minha filha, ouve-me : se soubesses como Eu te amo ! Mas não é possível compreenderes o meu amor. Eu estou a experimentar-te. Eu sei até onde chegam as tuas forças. Mas faço isto para que depois de ti fiquem as lições : para se saber como Eu me comunico às almas que escolho para tão alto fim. Anda passar esta noite muito tempo nos meus sacrários. Contempla o amor que ali me prendeu e que aqui me levou a instituir este Sacramento. Foi numa quinta-feira ; por esta hora medita o que eu jã sofria ! Implora o perdão para os pecadores. Manda dizer ao teu pai espiritual e não te demores em lhe escrever ; que pregue que Eu não posso ser mais ofendido. A profanação do domingo ! O pecado da gula ! O suicídio ! Mas... o da impureza, que horrendos crimes povoam o inferno ! Que se levantem os crimes que alastram no mundo, que senão dentro em pouco vai ser castigado. Que pregue assim por amor daquele Jesus crucificado, e por vosso amor preso naquele sacrário. É Ele mesmo quem vo-lo pede. Eu mandei avisar Sodoma e Gomorra e não fizeram caso. Ai destes, que o mesmo lhes acontecerá !”

Disse-me Nosso Senhor :
― “Aí vai o meu amor”.

E então, aquela força inexplicável e aquele calor que tanto me abrasava ! Oh ! como eu me sentia bem ! E dizia-me Nosso Senhor :

― “És a minha vítima, a vítima dos meus desígnios !”

E tornou-me a dizer que me queria no Céu mas que precisava de mim na terra. Nesta ocasião eu pedi ao meu Jesus a cura da minha querida Çãozinha. E Nosso Senhor prometeu-me curá-la breve [1], mas que lhe pedisse muito, e que lhe pedisse o que quisesse. O que Ele me não alcançasse que é porque não era bem para as almas.
O demónio não me tem consumido tanto : vem, mas vai sem grandes esforços. Tenho visto as sombras de costume. Num dos dias atrasados eu vi dentro do meu quarto um gato preto grande, ou um cabrito a pular, mas mais me parecia um cabrito. Peço-lhe por caridade para não esquecer junto de Nosso Senhor a minha querida Çãozinha. Mete tanta pena ela dizer que muito não queria perder o juízo ! Está proibida de trabalho ; não a esqueça, sim ?
Há dias recebi uma carta. Ainda lhe não respondi ; estou tão ruim ! Não sei como lhe hei-de responder. Ela mostra ser criatura instruída, não me parece ser como eu. Diz-me que vem aprender comigo a ciência da cruz. O que hei-de ensinar ! A quem vou ensinar ? Eu que tanto preciso de aprender.
Lembranças da minha mãe e da Deolinda. Não esqueça, por caridade, esta alma pobrezinha que também promete não o esquecer junto de Nosso Senhor.
Alexandrina



[1] Nota do Padre Pinho : De facto curou, quando já se principiava a desanimar da sua cura.

31 de julho de 2012

MINHA FILHA, VASO SAGRADO...


Meu Deus, que confusão a minha !

— Minha filha, ó filhinha amada, tesoureira do teu Jesus, depositária, distribuidora do amor do meu divino coração. O teu corpo é o sacrário que contém o vaso sagrado da minha Eucaristia. O teu coração é esse vaso, a Eucaristia sou eu. Dei-me em alimento às almas, criei-te para alimento das mesmas almas. Tens em ti o sangue de Cristo, a vida de Cristo. És a vida que dá vidas, és o cofre que possui todo o amor de Jesus. Atraíste-o, colheste-o para ti, és tesoureira de amor; guardei-o, depositei-o todo em ti; distribui-o, minha mensageira, enriquece o mundo, salva-me, salva-me as almas. Faço aqui o meu céu na terra, o meu paraíso no teu coração. Adoram-me, louvam-me em ti os anjos. Olha que multidão deles e de bem-aventurados! Olha tantas almas já salvas por ti!

Que grande massa eu vi! Eram as almas e ao lado delas muitos anjos. Que grande alegria e que grande louvor davam a Jesus.

— Minha filha, já salvaste mais, muitas mais. O teu sofrimento é um mar de riqueza, são tesouros imensos, riquezas valiosíssimas para o resgaste das almas. Não te digo, minha filha, algumas almas que por ti foram salvas, não porque te envaideças, porque tudo o que fazes é por mim, e preparei-te para tudo, mas porque te causa grande sofrimento e humilhação. As almas grandes em mim só se sentem bem nas coisas humildes e pequeninas. Oh! como eu as amo! Vem cá, vem cá, minha filha, vem ver o meu divino Coração: que profunda chaga ele tem! Aceita-o, toma-o em tuas mãos, suaviza a minha dor, cura esta chaga com a ternura dos teus olhares, a doçura dos teus lábios e o fogo do teu amor. Cura-a com o aroma das flores do teu jardim de virtudes.

— Meu Deus, que confusão a minha ao ver-me depositária do Coração Divino de Jesus!

Sentimentos, 4 de Maio de 1945

29 de julho de 2012

O CORAÇÃO FALA SEMPRE...


— O que poderei eu dar ao meu Senhor?

Perder a Deus como se nunca O possuísse, perder a vida como se nunca vivesse, deixar de amar a Jesus e à Mãezinha como se nunca os tivesse amado, é o meu viver doloroso, é o tormento da minha alma, é uma agonia mortal.

— Meu Deus, sempre, sempre a viver sem vida, sempre, sempre a viver sem Vós, sem Vos amar e sem o Vosso amor. É uma luta, é um combate tremendo.

Por vezes reconheço que Jesus faz o milagre de amparar-me, de outra forma desesperava.

— Ó Jesus, querer o Céu e não o possuir, querer-Vos a Vós e sentir a Vossa perda! Viver uma vida de doloroso martírio de alma e corpo, e tudo inútil, tudo inútil! Vejo-Vos, meu Deus, em todas as coisas. Nada há em mim que não tenha o fim de Vos dar glória, amor e reparação. E a minha vida morta e inútil é como se nada Vos desse, nunca Vos conhecesse, nunca Vos amasse, nada Vos reparasse e nunca Vos possuísse.

O coração fala sempre. Ele quer chupar, chupar na humanidade, em toda a humanidade como a abelhinha a sugar o néctar das flores.

Ele fala, mas esta voz, este eco não é para mim. Parece que este eco vai entoar e destruir montanhas; e eu quero almas, muitas almas, todas as almas, corações, todos os corações para entregar a Jesus. Que eles estejam todos numa só chama de amor divino é a minha ânsia, a minha loucura, noite e dia.

— O que poderei eu dar ao meu Senhor? O que poderei eu fazer por Ele e pelas almas? Não sei. Tudo fiz e nada sei. Vivi por Ele sem ter vivido! Valei-me, meu Deus, valei-me!

As minhas forças não me permitem falar mais dos sentimentos da minha alma e a minha ignorância priva-me de tudo, mas fico num sofrimento inaudito por não poder descrever neste caderno o que está gravado neste livro sem fim que tenho no coração. Segui hoje para o Calvário, como sempre, escarnecendo, calcando, rasgando os meus vestidos em sinal de desespero. Todos os sofrimentos que já descrevi me atormentavam. Dúvidas contra Deus, contra a fé, mas sobre elas sempre o meu “creio”, o meu “creio”, o meu “confio”, o meu “espero em Vós, meu Deus”.

Sentimentos da alma, 2 de Julho de 1854 – Sexta-feira.