27 de dezembro de 2012

NOVIDADE PARA JANEIRO DE 2013



Boletim de informações sobre a Beata Alexandrina

Porquê este “Jornal de informações” se já existem na Internet numerosas páginas sobre a Beata Alexandrina?

Esta pergunta parece justa, mas para nós não chega, porque pensamos que nunca é demais falar de tão grande vulto da Igreja de Portugal, porque pensamos que nunca é demais falar de uma das maiores personalidades da História da Igreja universal. A Beata Alexandrina é mais do que “uma Santa para Portugal”, a Beata Alexandrina é a maior mística do século XX e certamente uma das maiores que a Igreja viu surgir das suas alas milenárias. A Beata Alexandrina iguala na ascética e na mística Santa Teresa de Ávila e S. João da Cruz, os grandes mestres nesta difícil e tão nobre “matéria”.

Jesus disse um dia que “ninguém é profeta no seu país” e, este ensinamento conjuga-se perfeitamente com a Beata Alexandrina, que é mais conhecida em certos países – Brasil, Itália, Inglaterra, Irlanda, França – do que propriamente em Portugal que a viu nascer, crescer e morrer.

O nosso intento é remediar essas falhas, essas faltas de conhecimento sobre aquela que poderá vir a ser na verdade “uma Santa para Portugal”, como muito bem o disse o Eminentíssimo Arcebispo de Braga, Dom Jorge Ortiga.

Nunca será demais falar da Beata Alexandrina, visto que essa foi a vontade expressada por Jesus, quando lhe disse que queria que ela “fosse conhecida no mundo inteiro”. Este desejo do Senhor, nós fizemo-lo nosso e tudo faremos – na humildade dos nossos meios – para que a Beata Alexandrina Maria da Costa seja conhecida no “mundo inteiro”, mas estando cientes que desse “mundo inteiro”, Portugal também faz parte.

Que publicaremos aqui?

Os escritos da Alexandrina já são conhecidos de muitos leitores que frequentam a Internet, que eles sejam de língua portuguesa, francesa, espanhola, italiana e de algumas mais.

Como o fez Jesus na sua predicação, repetindo várias vezes os seus ensinamentos, para que fossem melhor compreendidos e assimilados, nós também assim procederemos, visto que a repetição pode tornar-se de grande utilidade para aqueles que hoje leram e que o lendo amanhã ali encontram novas explicações, novas interpretações que os ajudarão a melhor compreenderem o que Jesus espera deles, visto que os escritos da Beata Alexandrina, nada mais são – e aqui está o mais importante! – do que a repetição das palavras evangélicas, dos ensinamentos de Jesus, adaptados para os nossos tempos e compreensíveis para todos aqueles que possuem dentro deles um coração de criança: “Deixai vir a mim os pequeninos!”.
Iremos ler textos da Autobiografia, das Cartas dirigidas ao Padre Mariano Pinho, seu primeiro Director espiritual, dos Sentimentos da alma, o seu “Diário espiritual”.

Iremos ler também os testemunhos de pessoas que obtiveram de Deus graças – extraordinárias ou não – pela intercessão da nossa querida Beata.

Diversas pessoas, na Internet, demonstraram o seu amor para com a Beata Alexandrina e mesmo o que a descoberta desta alma extraordinária causou nas suas vidas: esses testemunhos serão aqui publicados, para que cada um possa meditar no poder de intercessão desta alma junto do divino Esposa da sua alma que sempre foi pura do nascimento até à morte.

Esperamos igualmente poder dar algumas notícias “frescas” sobre a causa de canonização que continua a decorrer, assim como sobre as diversas manifestações em Balasar, paróquia natal da nossa amada Alexandrina, ou peregrinações que para lá rumam, graças aos contactos que guardamos com alguns amigos de lá e dos arredores e aos quais agradecemos sinceramente.

NOTA: Haverá uma versão francesa deste boletim.

A equipa

17 de dezembro de 2012

É FOGO ! É FOGO ! É AMOR ! É AMOR DIVINO!


Jesus tomou nas mãos o Seu divino Coração


Jesus com um sorriso na Sua infinita bondade disse:

― Não pode ser, filha querida; assim como para serem perdoados os pecados são necessárias as disposições da alma, igualmente as exijo para a promessa que te faço, para a graça dispensada. É por isso que o Meu divino desejo é que venham junto de ti muitas almas, todas as almas, se isso fosse possível. De ti Eu deixo transparecer a Minha doçura, o Meu sorriso, tudo o que é Meu. Por ti e junto de ti, receberão o toque da Minha divina graça; por ti Eu serei por muitos amado, muito amado. Fiz e vou fazer de ti uma vida maravilhosa, uma vida de prodígios. Coragem, muita coragem! És mãe da humanidade; a mãe dá vida e dá à luz os seus filhos. Recebe agora a gota do Meu Sangue divino; sem ela não vives, sem ela não resistes ao teu sofrer.

Jesus tomou nas mãos o Seu divino Coração, uniu o centro do Dele ao centro do meu, e pelo pequenino tubo passou Dele para mim, muito lentamente o Seu Sangue divino. Foi como que um fogo que me abrasou toda; senti-me queimada, até o rosto me ardia. Jesus levantou o Seu divino Coração e com o centro para cima deixou-o por algum tempo, ligado ao meu. Nesta estreita união, depois de um pouco de silêncio, enquanto que as labaredas continuavam a abrasarem-me, Ele disse-me:

― É fogo, é fogo, é amor, é amor divino, Minha filha. Dois Corações num só Coração, duas vidas numa só vida. É Jesus pela Sua crucificada a salvar o mundo. Acode-lhe, acode-lhe, esposa querida; acode-lhe que é teu, entreguei-to, salva-o, ou salva as almas, que aos corpos já não acodes, têm que ser castigados. Já não demora sobre ele a justiça de Meu Pai. O mundo, o mundo, o pobre mundo, que não atendeu à voz de Jesus, ao convite de oração, penitência, emenda de vida! Coragem, coragem, Minha filha! Brada-lhe bem alto, convida-o para Mim. Dá-me dor, vai para a tua cruz, acode às almas, é essas que Eu quero ver salvas. Vai alegre para a cruz, vai espalhar o bem, vai infundir amor. Não temas as trevas, não temas a tua ignorância. Sentes nada saberes dizer? É quando mais dizes, mais luz dás aos que te estudam, já disso te preveni. Tem coragem! O tempo é breve; bem depressa cantarás as glórias do teu Senhor. O Meu divino Coração anseia por dar-te a tua Pátria, ver-te junto de Mim! Vai alegre, vai em paz, vai cheia de amor, da vida divina.

― Obrigada, obrigada, meu Jesus. Aceitai-me o meu sacrifício e todo o meu sofrer, e poupai o mundo ao castigo.

Tenho tanta pena de Jesus e tanta da pobre humanidade. Tanto a queria salvar! Custou-me tanto ditar tudo isto. Sinto como se tudo fosse escrito com o sangue do meu coração. Que Nosso Senhor me aceite as faltas das minhas forças, para que as almas tenham força para não pecarem.

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 12 de Dezembro de 1947 - Sexta-feira).

APARTA-TE MALDITO !



Confesso que não podia mais...



Como o meu coração sangra: ó meu Deus, como eu o sinto ferido; já não parece coração, mas sim uma massa de sangue toda desfeita! E se a alma tivesse algum bocado de carne, eu podia dela dizer o mesmo. Parece que a sinto toda golpeada. Que dor quase insuportável! Vivo porque Jesus o quer; resisto, porque Ele resiste em mim. Ai de mim, se assim não fosse; o que teria sido e seria o meu viver. Tudo é dor, tudo são espinhos e espadas a cortarem-me, tudo é abandono, trevas e morte.

Vou saindo, de vez em quando, fora do meu sepulcro; respiro, vejo todo o sofrimento que me rodeia e sem ter nada que dar a Jesus, sem nada fazer em benefício das almas, logo caio na mesma sepultura. Fica-me a dor e as ânsias de fazer bem e imitar Jesus, de valer a todos e a todos socorrer. Que novo martírio Jesus inventou para mim com estes sentimentos de praticar o bem, de não viver nem pensar em mim, mas sim viver e pensar em toda a humanidade. Só por amor a Nosso senhor e às almas eu recebo as visitas. Que podridão elas vêm ver e observar! Meu Deus, que vergonha a minha, que doloroso tormento!

Tive três combates com o demónio. Como ele vinha desesperado! Eu sentia tal raiva contra mim, que a mim mesma me parecia morder toda. Ouvia uivos e ranger de dentes. Que inferno desesperador e malicioso! Eu era toda demónio. Não queria ter ouvidos para ouvir as suas malditas e feias coisas; mas tinha que ouvi-las e tive que lutar. Sentia o meu coração preso ao demónio por fortes cadeias e parecia-me que não podia deixar o pecado, queria até viver nele, sentia gosto em praticá-lo. Queria tomar para os meus braços o crucifixo e A Mãezinha, mas não podia; era eu mesma que O queria escarrar, escarnecer e calcar aos pés. Não deixei contudo de dizer a Jesus que era a Sua vítima e do íntimo do coração Lhe dizia que não queria pecar e só queria a Sua divina vontade. Confesso que não podia mais. Eram tão fortes as palpitações do meu coração; parecia-me que ele rebentava. Nesta altura, ouvi a voz de Jesus que disse:

― Aparta-te, maldito, tenho domínio sobre ti, deixa a Minha vítima.

Os demónios fugiram espavoridos, uivando e rangendo os dentes. E um Anjo formoso, em tamanho natural, de asas brancas, no meio de uma luz luminosa, parou por uns momentos à minha frente, a apontar-me para o Céu. Desapareceu a visão. Fiquei dorida com o receio de ter pecado, mas com a alma forte, depressa fiquei em paz.

Não tenho a certeza, mas parece-me que, ao menos três vezes, vi passar Jesus, no meio de uma grande multidão de vultos pretos, com a cruz aos ombros a ser maltratado. Ele fitava-me e caminhava sempre, mas oh! como Ele ia desfigurado e triste! Triste e em grande dor me deixava a mim também. Eu podia poder consolá-Lo, tirar dos Seus Santíssimos ombros a cruz e passá-la para os meus. Lá O via caminhar e desaparecer sem o poder conseguir. Queria desviar Dele a multidão que O seguia para O maltratar, e não foi para mim, não tive força para me aproximar de Jesus, para O libertar e suavizar a Sua dor.

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 19 de Dezembro de 1947 - Sexta-feira).

16 de dezembro de 2012

NATAL DE DOR


“Quero regar os Vossos pezinhos...”


Depois da noite vem o dia. Depois de muito sofrer, veio novamente Jesus compor tudo.

Já tive outra vez Missa no meu quarto. Foi no dia 22 que recebi esse mimo do Céu. Os homens só vêem, enquanto que Jesus os deixa. Devia ser um dia de consolações e alegria, mas não o permitiu o meu Amado. Bendizia-O e louvava-O por tudo. Ele ama quando consola e ama quando fere; é sempre amor, amor sem igual.

Como não sabia assistir à Santa Missa, como de costume ocupei o Céu, pedi à Mãezinha que assistisse Ela por mim, com os sentimentos d’Ela e não os meus, que acompanhasse a Jesus, que merecesse Ela por mim e fizesse Suas as minhas intenções e que unida a Jesus me oferecesse ao Eterno Pai na mesma imolação e sacrifício. Principiei assim o bercinho para o Menino Jesus para o dia de Natal.

Mas, ai! Pobre de mim, o presépio que Lhe preparei foi muito pior ainda do que o de Belém. Sofri tanto, tanto! Meu Deus, que dor infinita! Não há palavras que a possam exprimir. Foi de tal forma a noite pavorosa, foi tão tremenda a tristeza e agonia que me levou a pensar a sério se seria o último Natal que passava na terra. Seja o que Jesus quiser. Preparei-Lhe o bercinho com espinhos, com as minhas infidelidades e imperfeições. Tudo isto me fazia sofrer mais e mais.

À meia-noite, na hora do nascimento de Jesus, abraçada a uma imagem d’Ele, humilhada por causa dos meus pecados, pedi-Lhe muito perdão e, debulhada em lágrimas, dizia-Lhe: quero regar os Vossos pezinhos. Aceitai-mas como se fossem lágrimas de perfume, o incenso, o ouro e a mirra dos Reis Magos. Renovei-Lhe o meu completo abandono e pedi-Lhe que fosse perfeito o mais que fosse possível. No meio de tudo isto, no meio de toda a morte, quando tudo era vida e alegria para os outros, uma coisa tive a meu favor: a paz do Senhor reinava na minha alma. Não me desesperei. Que graça tão grande do Senhor!

Os dias vão passando e eu vou vivendo naquele abandono a que me entreguei, sofrendo, sofrendo, sofrendo sempre. Quanto mais sofro e me parece que nada mais posso sofrer, maiores são as ânsias de mais sofrimentos. São tão grandes como o Céu, são tão grandes como Deus. Quero consolá-Lo, quero amá-Lo, quero dar-Lhe almas. E para isso repito-Lhe: quero dor, meu Jesus, sempre mais dor. Sede a minha força, meu Jesus.

*****
Sentimentos da alma, 26 de Dezembro de 1952.

5 de dezembro de 2012

ACODE ÀS ALMAS ! ACODE ÀS ALMAS !


O fontanário que não se esgota.


Ó Jesus, faça-se a Vossa divina vontade! Seja tudo pelo Vosso divino amor e pelas almas.

Posso afirmar com toda a verdade: outra coisa não quero na vida, a não ser amar e fazer Jesus amado, dar-lhe almas, muitas almas, todas as almas. Ai, que loucura! Não posso consentir na sua perda! Elas custaram o Sangue de Jesus; mas para isso preciso de guia e amparo. Preciso de todo o Céu.

Oh! Meu Deus, como é tormentoso o meu viver nesta masmorra escura que tantas lembranças me traz! Tudo é inútil em mim, mas, apesar disso, logo de madrugada, tudo ofereço ao Céu. A minha alma tinha tanto para dizer, mas eu não posso dizer nada. Quando, nesta madrugada, fazia a oferta ao Senhor, atormentei-me tanto que torcia e destorcia como vergasta verde que o vento torce e destorce, mas não destrói. Durante o dia fui repetindo o meu creio sem crer, actos de amor sem esses sentimentos mais e mais até que chegou a hora de Jesus:
— “Minha filha, minha filha, estou aqui, acredita, confia; estou aqui no teu coração. Deixa-Me, deixa-Me; quero deliciar-me nele, quero descansar e contemplar os seus adornos para esquecer os crimes hediondos de tantas, tantas iniquidades. Quero descansar e fortificar-te ao mesmo tempo. Para tal reparação e toda a espécie de reparação, só uma vítima assim generosa e cheia de heroísmo. Coragem, coragem! Não pode haver mais maldade, e tu não podes dar-Me mais reparação. O mundo! O mundo! Ai dele, se não se converte! O que o espera! O que o espera! Acode às almas, acode às almas! Deixa-as vir sequiosas a este fontanário por Mim enriquecido, que não se esgota”.

(Sentimentos da alma, 28 de Janeiro de 1955)