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quarta-feira, junho 02, 2021

NO MISTÉRIO DA REDENÇÃO

Jesus quer ter necessidade de cada um de nós

Jesus quer ter necessidade de cada um de nós no mistério da redenção e nos convida, para que juntos reparemos os crimes do mundo e obtenhamos a misericórdia divina. É pungente esta queixa de Jesus – que é ao mesmo tempo um convite à conversão:

— Minha filha, chora comigo nas mesmas lágrimas. Sente igualmente a dor do meu Divino Coração. O mundo, o mundo, os pecadores, são a causa de tudo isto. Não foste tu a beber o veneno. És a vítima daqueles que o bebem. Não foste tu a prender o coração e a língua com cadeias, mas sim o demónio, para que não mais possa ter remédio. (S. 18-06-1954)

Esperemos que as nossas orações obtenham conversões duráveis e sinceras e que Jesus possa dizer à cada um de nós, como o disse à Alexandrina:

— Como é bela esta cena! Jesus vai ao fundo do mar buscar a vítima das almas. A vítima das almas penetra em todo este abismo para as conduzir e introduzir no Coração do seu Esposo, Jesus. Calvário ditoso, viveiro das almas! Se tu visses como elas vêm a Mim, canseirosas como as formiguinhas para o celeiro! (S. 21-05-1954)

Porque, diz ainda Jesus:

— Minha filha, quero todos os corações e todas as almas, reunidas numa só mão, numa só massa, numa só vida, num só amor, que é o amor de Jesus e tudo introduzir e fechar no Seu Divino Coração.

Esta ansiedade dava-me a morte, se Jesus não me conservasse a vida – confessa a Alexandrina. (S. 20-08-1954)

E, para que Jesus possa também fazer a cado um de nós o que fez à querida Alexandrina, sejamos diligentes nas “coisas” de Deus:

Jesus meteu dentro do meu peito o Seu divino Coração. Era como um vaso dos mais ricos e belos que se podem imaginar. Todo ele era ouro, todo ele eram chamas. (S. 27-08-1954)

Santo mês de Junho para todas e todos, amigos e devotos da Alexandrina Maria da Costa que a Santa Igreja beatificou em 25 de Abril de 2004. (AR. Junho com a beata Alexandrina: Introdução)

quinta-feira, agosto 04, 2011

MORRO À SEDE, SEM SAIR DA ÁGUA

O que os santos fizeram!


O que fizeram os santos, porque não o faço eu também? Tem sido esta a interrogação, que neste mês da Mãezinha tenho feito a mim mesma. O que os santos fizeram! Mas eu não sei o que foi. Eles certamente amaram muito a Jesus e tudo sofreram por Ele. Mas eu não sei amá-Lo, desconheço o amor; e nada sofro porque não sou quem sofre, mas sim Jesus em mim. O que hei-de dar então? Ai, pobre de mim! Nada tenho a não ser o mundo horroroso, o mundo vergonhoso das minhas maldades e misérias. Ó meu Deus, eu Deus, como eu me vejo e sinto num mundo de podridão; tenho nojo de mim mesma. Desfaz-se a minha carne na maior imundice. Mas tenho sede, sede abrasadora, sede insaciável de amor a Jesus. Sinto-me como se estivesse mergulhada no mar sempre a beber, sem dele sair, sem nunca me saciar. Estou como o peixinho; quanto mais nada, mais quer nadar; quanto mais me mergulho, mais necessidade tenho de me mergulhar. Morro à sede, sem sair da água, sem deixar de beber. Queria dar-me a Jesus, queria dar-Lhe a as almas, todas, todas as almas. Quando falo de Jesus, do Seu divino amor e das Suas almas, não sei que sinto, sinto-me a desaparecer. Que loucura o amor de Jesus! Que valor têm as nossas almas! Não posso pensar que alguma se perca, que para alguma fosse inútil o Sangue de Jesus derramado. Não tenho coração nem espírito que aguente com estes pensamentos. O amor de Jesus, o amor de Jesus por nós! Sinto um não sei quê, dentro de mim, que me obriga a querer ir a Roma. Não é para ver sua Santidade; não é para ver os lugares santos nem para contemplar tantas maravilhas, se bem que tudo isso seria para mim motivo de grande alegria. A minha necessidade não é essa. Eu queria de sua Santidade um não sei quê, que mais ninguém me pode dar. Eu queria lançar-me a seus pés, beijá-los, regá-los com as minhas lágrimas. Estou convencida que isto o fazia compadecer de mim; estou certa que assim a minha alma recebia o que ela anseia e eu desconheço. Ó meu Jesus, Vós sabeis bem que isto eu não posso fazer; supri Vós, por misericórdia, doutra forma, a minha falta.
Continuo a ter grande medo, grande horror ao demónio. E continuo ainda a senti-lo no meu coração, sentado em trono como rei; tem mesmo na cabeça coroa como de rei e na mão direita um pau ou ferro preto, de meio para cima, com duas grandes galhas. Ele está em grande sossego; sabe que Ele é o Senhor; não teme que o deite fora; está orgulhoso como senhor de si mesmo. Meu Deus, que grande horror! O demónio dentro de mim! E agora, nestes últimos dias, sinto em mim Jesus, mas fora do coração, e a alma vê-O com o peito aberto, de cada lado da abertura, as suas divinas mãos para melhor mostrar a chaga do Seu Divino Coração profundamente aberta e a sangrar. Jesus aponta o Seu Coração divino; com os Seus olhares ternos e meigos, cheios de amor, convida o meu coração a entrar. Ele quer-me inteiramente, esquece o meu passado. Que convite tão enternecedor! Faz-me doer tanto o coração! Jesus, de pé, sempre a chamar-me com doçura a entrar nele. Eu faço-me surda, desvio dele os meus olhos, não faço o mais pequenino esforço por deitar fora o demónio. E Ele nem sequer estremece, no seu grande orgulho, está sossegado. Que quadro doloroso! O demónio dentro e Jesus fora! O amor a enfrentar a maldade. E eu preferir o demónio a Jesus! Que horror, que horror de morte!
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(Alexandrina de Balasar: Sentimentos da alma, 23 de Maio de 1047 - Sexta-feira)