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quarta-feira, maio 12, 2021

DEVOÇÃO ENSINADA POR JESUS

Primeiras 6 Quintas-feiras de cada mês


Promessa feita à Beata Alexandrina em 25 de Fevereiro de 1949:

Minha filha, minha esposa querida, faz que Eu seja amado, consolado e reparado na minha Eucaristia.

Diz em meu nome que:

 

Todos aqueles que comungarem bem, com sinceridade e humildade, fervor e amor em seis primeiras quintas-feiras seguidas e junto do meu sacrário passarem uma hora de adoração e íntima união comigo, lhes prometo o Céu.

 

É para honrarem pela Eucaristia as minhas santas Chagas, honrando primeiro a do meu sagrado ombro tão pouco lembrada.

Quem isto fizer, quem às santas Chagas juntar as dores da minha Bendita Mãe e em nome delas nos pedir graças, quer espirituais, quer corporais, eu lhas prometo, a não ser que sejam de prejuízo à sua alma.

No momento da morte trarei comigo minha Mãe Santíssima para defendê-lo.

domingo, maio 02, 2021

A FERIDA DO AMOR

 Eu tenho sede dos corações

Os estados percorridos pela alma da Alexandrina foram numerosos, porque também numerosas foram as suas ofertas ao Senhor como vítima: vítima da Eucaristia, vítima dos pecadores, vítima dos sacerdotes, vítima do mundo e da humanidade, vítima pela consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria.


A partir do dia 31 de Outubro e, durante quase dois anos, viveu as penas do Purgatório, estado místico dolorosíssimo que a obrigou a viver no seu corpo e na sua alma a purificação que o Senhor exige das almas santas que ainda não tenham atingido o grau de santidade necessário para poderem entrar na Casa do Pai e beneficiar da visão beatífica.

Entre esses momentos de trevas e de aridez espiritual, Jesus oferecia-lhe momentos de autêntica felicidade, felicidade celeste, como ela o explica:

“Passou-se algum tempo, desapareceu toda a treva, o sol dissipou para longe as nuvens, iluminou-se brilhante e claramente a minha alma, um fogo abrasador me incendiou o coração, fazendo passar o calor das labaredas a todo o corpo; gozava duma grande paz, mas sem ouvir ainda Jesus”.

Habituada aos grandes sofrimentos, estes estados de felicidade espiritual, quase a surpreendiam e Jesus, sempre atento à mínima solicitação da sua esposa de Balasar, vinha explicar-lhe o porquê desses momentos de plena felicidade:

“Minha filha, até aqui bateram sobre ti as ondas do mundo, as ondas horrorosas do pecado, de grandes maldades e crimes e cobriam-te as suas trevas, porque és vítima. Agora veio a ti a paz e o amor do Meu divino Coração e toda a luz do divino Espírito Santo”.

Mas estes momentos eram passageiros, e de novo era necessário que ela voltasse à treva, à aridez espiritual, aos combates com Satanás…

“Coragem! Eu quero ser amado; faz que as almas me amem. Eu tenho sede dos corações; repara-Me, conduze-os a Mim. Coragem, minha filha, nada temas. A dor e o amor são as moedas mais caras, são os selos com os quais selo as almas roubadas a Satanás”.

Jesus não cessa de pedir, mas também não cessa de oferecer. A sua conversa com a Alexandrina, parece uma conversa de amantes, como aquelas que podemos ler no Cântico dos Cânticos. Jesus ama-a e oferece-lhe o Seu Coração, faz-lhe promessas, mas exige dela amor, amor sem retorno, amor fiel, tanto nos bons como nos maus momentos. Jesus encoraja-a e previne-a. Ouçamos Jesus:

“Coragem, filha querida! Tu és o prado mimoso, onde se produzem as virtudes e desabrocham as flores plantadas por Mim. Levanta-te, anima-te, não temas a cruz. No alto da montanha, no cimo dela, Eu farei cair pelo teu coração todas as bênçãos e graças de salvação para as almas. A tua vida será para elas o perfume das flores, o gorjeio das avezinhas duma manhã primaveril. Custa-te subir? Custa-te chegar ao cimo do teu Calvário? Não estranhes. O remate das obras, o seu enfeite são sempre o mais difícil”.

E para que Alexandrina não possa ter qualquer dúvida, Jesus afirma:

“Mas, ó minha filha, a obra não cai, confia em Mim. Principiei com alicerces tão firmes, que nada há que a faça estremecer, a pontos de vir a terra. É a obra das obras, é a obra mais sublime, é a missão das almas”.

A resposta da Alexandrina, é como sempre: suplicante e enternecida; humilde, mas firme. Ouçamo-la:

“Meu Jesus, ó amor meu, quero e não posso, desfaleço e caio; amparai-me Vós. Não me importo de caminhar de rastos e sempre de rastos ser humilhada, o que eu quero é estar na verdade e em tudo fazer a Vossa divina vontade. Dai-me graça, dai-me graça, meu Jesus, e fazei-me confiar cegamente. Quero sofrer tudo pelo Vosso divino amor, mas custa-me, a mais não poder, ser causa de grande sofrimento, de grande dor para os outros”.

Esta abnegação constante da Alexandrina, este amor sincero e humilde que ela sempre demonstra, enternece o Coração amante de Jesus, que com palavras cheias de amor, com ela se congratula e lhe incute coragem, sempre coragem, mais coragem, para tudo suportar por amor.

“Confia em Mim, alegra-te, Minha louquinha; estás na verdade, és minha, vives de Mim. Que felizes e ditosos são aqueles que Eu escolhi e associei ao teu martírio, ao teu grande, mas vitorioso Calvário. Coragem, coragem!”

O sofrimento da Alexandrina, livremente aceite, não é um sofrimento estéril, é um sofrimento que alimenta outras almas, que contribui à vida espiritual de outras almas, muitas vezes em dificuldades sem nome, por isso Jesus lhe afirma:

“A tua dor dá vidas, as tuas trevas são luz, que alumia as almas e vão brilhar aos confins do mundo.”

Como é sabido de todos, a Alexandrina viveu treze anos sem comer nem beber, o que obrigatoriamente a enfraquecia. Mas Jesus velava sobre ela e, para que ela permaneça com vida todo o tempo que Jesus quisesse “precisar” dela, Ele alimentava-a com o seu próprio Sangue. Este alimento divino destina-se não só ao sustento da sua alma, mas também do seu corpo. Algumas vezes este Sangue divino chega ao coração da Alexandrina com uma tal força que ela morreria, se o Senhor não estivesse atento ao derrame salutar. A Alexandrina várias vezes o explica nos seus escritos. O “Sangue do Cordeiro” é alimento que dá vida da alma, é alimento que mantém a vida do corpo.

Jesus explica:

“Recebe agora a gota do Meu divino Sangue. Hoje não cairá duma só vez; vais recebê-la, saboreá-la, como a abelhinha que sofregamente saboreia nas florzinhas o néctar”.

Vejamos agora, contado pela própria Alexandrina o que aconteceu:

“Jesus tomou em Suas mãos o Seu divino Coração; pelo centro saíam labaredas que formavam uma só labareda; uniu ao meu coração e fez que nele se introduzisse o pequenino tubo; senti-me como que adormecer docemente. Assim demoramos, por um pouco. Depois, Jesus retirou o Seu Coração divino, bafejou-me o peito e passou-me sobre ele a Sua bendita mão como quem acaricia.”

Solicitude divina do Senhor! Senhor, quão grande é o teu amor para com aqueles que escolheste para participarem, de maneira mais íntima, de maneira mais realista, ao plano de Salvação previsto desde a eternidade!

A missão da Alexandrina deve continuar, não só naquele momento preciso, mas pelos tempos fora, não só “até aos confins do mundo”, mais até ao fim do mundo. Uma vez mais Jesus explica à sua vítima de Balasar esta missão sublime:

“Vai, Minha filha, a ferida que te fez o amor já está cicatrizada. Vai, leva para as almas estas chamas, abrasa os corações que têm fome de Mim; por ti Me dou a eles. Leva estas chamas, arrasta com elas a Mim as almas presas pelos laços infernais. Vai para a tua cruz, para a tua dor, não deixes correr mais pelos rastilhos o fogo, que faz rebentar a bomba divina, a justiça do Meu Pai. Coragem, coragem; nada temas, sorri a tudo!”

Alexandrina não discute, não faz mais perguntas: ela compreendeu perfeitamente a vontade divina. Ela sabe-se frágil, por isso ela diz apenas:

“Obrigada, meu Jesus. Sede comigo; tudo espero do Vosso divino coração.”

Que força, que carinho, que coragem!

Terminando a página do seu Diário espiritual, Alexandrina explica o resultado desta visita de Jesus e o que se passou nela, pouco depois. É quase inacreditável:

“Passaram-se umas horas, o fogo de Jesus ainda me queima o coração; custa-me, por vezes, a aguentá-lo sem sobre ele deitar panos frescos. Sinto-me mais forte; estou no fogo, mas em trevas, e o corpo num mar de dores. Ó minha cruz, ó meu Amor, ó meu Jesus!”

Palavras enternecedoras que fazem bater fortemente os nossos corações, que trazem aos nossos olhos lágrimas de regozijo que fazem bem, que procuram paz e avivam o nosso amor por Jesus e pela nossa querida Alexandrina, porque o que nela se passa, “é a obra das obras, é a obra mais sublime, é a missão das almas”.

Afonso Rocha

NOTA: Os textos em itálico são extraídos dos “Sentimentos da alma”, de 7 de Novembro de 1947 - Sexta-feira.

terça-feira, fevereiro 28, 2012

SINTO QUE SOU UM MUNDO DE FRIEZA

Eu queria estar de joelhos, enquanto o mundo fosse mundo…

– O meu sofrimento, o que se passa na minha alma, nem eu sei dizê-lo; mas sabe Jesus, conhece-o, sabe que não minto, que não vivo para enganar. Ao menos isto: Jesus conhece e só Ele poderá pedir-me contas. Sinto que sou um mundo de pecados, de podridão. Sinto que sou um mundo de frieza e de ingratidão. Sinto que sou um mundo de esquecimento e desprezo por Jesus e sinto que sou um mundo de sangue. Que dor para mim ao sentir que tudo fiz e nada mais posso fazer pelo mundo. Mas, meu Deus, o que fiz eu, se tudo o que sofro e tudo o que faço não me pertence! Como posso sentir que tudo fiz pela salvação do mundo! Não dei por ele a minha vida, mas essa mesma já a ofereci a Jesus. O que é este mundo de sangue que eu sinto que sou? Vós o sabeis, ó meu Deus, isso basta. Parece-me que toda a humanidade é banhada nele. Ai, se eu soubesse o que podia fazer para a salvar! E as pobres criancinhas do limbo? Não desisto da minha oferta, dos meus pedidos a Jesus para as ir lá baptizar. Oh! se eu pudesse! Se Jesus o consentisse! Eu queria estar de joelhos, enquanto o mundo fosse mundo, claro está, sempre coma graça e força de Jesus, para obter d’Ele esta graça: baptizar as criancinhas. É insuportável a dor que me causa a lembrança de elas ficarem uma eternidade inteira sem amarem a Jesus, sem O verem, sem O louvarem. Que pena, que pena, meu Jesus, parece que morro de compaixão por elas. E as almas que estão no inferno! Ó meu Jesus, não ter ele fim! Não sei se me faço compreender. A minha alma sente uma dor indizível não tanto pela dor que elas lá sofrem, mas sim por não poderem mais ver a Deus. Oh! que negro sofrimento, parece-me mais do que desespero. Meu Jesus, nem sei o que digo: queria sofrer tudo, tudo e remediar todos estes males. Ó meu Amor, ó meu Amor, Vós, sim, Vós vedes, Vós acreditais na sinceridade das minhas palavras; não saem só dos meus lábios, saem do mais íntimo do meu coração, do meio da maior dor e agonia da alma. Sim, meu bom Jesus, sabeis que não é intrujice, como alguém diz que a minha vida o é. Por graça e misericórdia Vossa nunca pensei em tal. Há em mim alguma coisa de bom, de louvável? Não o sinto, não o conheço. Mas, se o há, a Vós pertence, não é meu. Oh! quantos espinhos ferem este coração que já não existe senão para sofrer. É do fundo da alma que Vos peço perdão para os que tão cruelmente me ferem. Sou ferida por aqueles de quem menos devia ser, mas também eu procedo assim por Vós, meu bom Jesus. Perdoai-me. A minha alma sente que muitos dos que me têm ferido querem agora limpar-se, mas a mim não podem, sou trapo imundo, ainda se sujam mais. Ai, como estou magoada, mas antes milhões de vezes sofrer inocente do que uma só vez culpada. Não quero perder um momento a minha união com Deus.

Sentimentos da alma: 22 de Janeiro de 1945