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terça-feira, junho 08, 2021

VENHAM OS SÁBIOS

Venham uns provar e outros aprender


Eu subia o meu calvário e sobre os meus ombros levava a cruz. Os meus olhos não queriam ver os horrores das misérias que sentia; cerrei-os a tudo. Subi a encosta com todo o sofrimento, mas com todo o amor para dar a vida. Sempre a sentir o peito e o coração abertos com a imensidade dos crimes, fui crucificada; e não cessei mais o meu brado ao céu: Socorro! Socorro! Veio Jesus, fortificou-me, aqueceu-me e disse:

— Venham os sábios e os que se dizem sábios ao livro das maiores maravilhas, de todas as maravilhas, de todas as ciências divinas. Venham uns provar e outros aprender o que é a alma vítima, os prodígios da graça e a acção de Jesus em sua alma. Coragem, minha filhinha! O que sentes em ti são meios de salvação. Tu recebeste o meu divino amor com toda a abundância. O que hoje sentes em ti também eu o senti no meu calvário. O que dentro de ti se levantou e o teu coração ferido são os crimes da humanidade, de verdade não podem aumentar mais. (Alexandrina Maria da Costa: 08-06-1945)

Na imagem:
A beata Alexandrina e Monsenhor Mendes do Carmo.

domingo, abril 15, 2012

O PEITO PARECIA LEVANTAR-SE…

Quero o que Jesus quiser

Nesta noite, não sei as horas, apareceu-me o demónio vestido de sacerdote, com batina até aos pés. Era grande, muito grande, gordo – parecia um monstro. Atravessava diante de mim, mas não me fez outra coisa a não ser fazer-me sentir como se estivesse o fogo pegado na minha cama; parecia-me as labaredas estarem alastradas debaixo de mim. Fazia-me estremecer de medo. Quero o que Jesus quiser, mas, se houvesse a minha vontade, preferia mil vezes isto do que quando ele usa de outras manhas. Sinto todo o meu corpo dilacerado e em sangue. os espinhos penetram-me a alma, o coração, o corpo e todo o ser. Não posso abrir nem fechar meus olhos sem espinhos; não posso pensar sem espinhos, não posso mover-me sem espinhos. O meu leito e o quarto, onde habito, são de espinhos, e tudo está banhado em sangue. Pobre do meu coração, sangra de dor. E os meus lábios parecem estarem fechados, não posso ter um queixume, morro, morro abafada. Assim, nesta dor e amargura, fiz a minha preparação para a visita de Jesus ao meu coração, nesta manhã. Recordar-me que era o primeiro sábado causava-me tanta tristeza que me fazia pensar assim:
— Meu Jesus, não posso viver sem dúvidas. Que receio o meu! Vede as minhas preocupações, compadecei-Vos delas! Enganar não quero; o Vosso divino amor, as almas, isso, só isso me basta, meu Jesus.
Chegou a hora de O receber. À entrada de Jesus no meu quarto, pareceu-me que me cravaram uma punhalada no peito e foi ferir o coração. Tinha ânsias, tantas ânsias de O receber, mas o medo que tinha d’Ele, o horror ao êxtase não se explica. Momentos depois de Jesus baixar a mim, principiei a sentir a Sua divina presença e a dilatar-se o coração. O peito parecia levantar-se, ao mesmo tempo que o coração se dilatava. O meu amantíssimo Jesus principiou a dizer-me:
— Quero, minha filha, dilatar-te o coração, quero fazê-lo grande, grande como o meu divino amor. Recebe-o com toda a abundância, envolve-o no mundo que nele te  depositei. Transforma-o no meu divino amor. Dei-te e dou-te o meu divino amor, entreguei-te o mundo, quero tudo numa só coisa: quero amor, só amor. Resgatei-te com o meu sangue, és a nova resgatadora da humanidade. Escolhi-te para comigo continuares a obra mais bela, mais sublime, a obra do resgate, a salvação das almas.
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(Beata Alexandrina : Sentimentos da alma, 3 de Março de 1945 – Primeiro Sábado)