segunda-feira, junho 27, 2011

O QUE É BRANCO, BRANCO FICA...

Eu obedeço, meu Jesus; sou a vossa vítima

O Doutor Augusto Azevedo,
médico da Beata Alexandrina
Durante a noite senti-me atormentada pelo medo pavoroso com o receio dos sofrimentos que virão de encontro aos meus caminhos. Sentia que sofria, senti ao pavor, mas não via outra coisa a não ser um mundo de trevas ladeado todo de espinhos, o meu corpo rolava neles doidamente, quase desesperadamente estava louca pela dor. Aqueles espinhos punham-me o corpo e a alma numa só chaga e em sangue. De hora para hora ia desfalecendo e morrendo como uma lâmpada a apagar-se. Veio o momento da Sagrada Comunhão. Tinha sido grande o meu esforço para preparar-me bem, para bem receber o meu Jesus. Não me foi possível afervorar-me, nem abrasar-me de amor. Recebi-O friamente. Passaram-se uns minutos e eu no mesmo abatimento, na mesma cegueira e dor. Falou-me Jesus:

– Coragem, minha filha! Pouco depois de raiar o dia, vem o sol com os seus raios a espalharem-se pela humanidade, para aquecerem a terra. O dia já raiou: os raios do sol, sol doirado, vão aparecer, não para aquecerem a terra, mas sim as almas; não para te consolar e alegrar, mas para honra e glória minha e grande triunfo da minha divina causa. Tem coragem, não te atemorizes! A vida da vítima tem sempre espinhos. Os teus espinhos, as tuas trevas são a salvação do mundo, são a luz das almas. A nova redentora assemelha-se ao seu Redentor. Os espinhos, as chagas, o sangue e a dor acompanharam-Me até ao último momento. Assim serás tu também. Eu estarei sempre contigo; a tua morte será de amor.

Coragem! O teu temor, o temor de to mesma não Me desgosta. Pelo contrário, consola-Me, contanto que ao temor juntes sempre a confiança em meu divino Coração, que é louco de amor por ti.
Com fia, confia. Vem comigo, minha bendita Mãe, levantar do seu desfalecimento a nossa filhinha. Vem com as tuas ternuras, vem com o teu amor. Neste desfalecimento o seu coração não pode bater asas, não pode levantar para Nós o seu voo de amor. Vem já, vem já, Mãe bendita, dar-lhe comigo a nossa vida divina.
Veio a Mãezinha, tomou-me em seus braços; oh, como Ela me acariciou e me apertou ao seu peito.

– Tem coragem, minha filha! Eu serei contigo na hora da tua dor até ao último alento; expirarás em meus braços. Qual é a mãe que não cuida da sua filha, quando a vê com o seu corpinho em sangue, numa só chaga? Eu cuido de ti, para que possas salvar os filhos meus.

Com as carícias da Mãezinha eu fiquei quase a dormir. Jesus, à volta de mim, como quem queria acariciaram-me, caminhava, pé ante pé, como se não quisesse acordar-me. Passou-se assim algum tempo; a minha alma enfortaleceu com este descanso suave e doce. Jesus continuou:

– Diz, minha filha, ao teu Paizinho, diz-lhe, quero que lho digas: que a alvura da sua alma não se mancha; o que é branco branco fica por mais que teimem deitar-lhe nódoas, manchá-lo. É com essa alvura e com a abundância do amor do meu divino oração que Eu derramo sobre ele que ele há-de atrair para Mim as almas e levar ao mais lato grau d e perfeição algumas das que lhe confiei. Criei-o para as almas; pelas almas tem de sofrer. Ele bem depressa retomará o seu posto. A sua inocência e a brancura da sua alma mais se justificarão com os acontecimentos dos factos. Eu não queria que os homens assim, mas permiti-o para maior glória minha, grande brilho e triunfo da minha divina causa e bem das almas.

Dá ao teu médico os agradecimentos de Jesus pela defesa que tomou pela causa divina. Diz-lhe que quando ele escrever alguma coisa em defesa dela, tomará a sua mão e a guiarão a mão de Jesus. O divino Espírito Santo iluminará a sua inteligência com a sua luz divina. Eu o encherei de Mim, do meu divino amor e farei que ele o comunique aos seus como doença que a todos contagie, como veneno que tudo envenena. Farei que ardam de amor por Mim.

Dá o mesmo agradecimento a todos os que te rodeiam e amparam e grande lugar ocupam em teu coração. Todos os que estão elevados em teu coração também o estão no meu. Elevo-os às alturas no amor, assim como os elevas tu. Dá-lhes, dá-lhes por Mim os meus agradecimentos.
Disse a Mãezinha:

– Une, minha filha, aos de Jesus os meus também e leva-lhes, junto ao de Jesus, o meu amor com a minha ternura e protecção.

– Obrigada, meu Jesus; obrigada, Mãezinha. Parece-me tão humilhante Jesus e Maria Agradecerem a umas criaturas suas! Mas faça-se como quereis e, custe o que custar, eu obedeço, meu Jesus; sou a vossa vítima.

– Se soubesses, minha filha, se pudesses compreender aqui na terra o que é defender a minha divina causa e o que é amparar a maior vítima que tenho na terra, vias que eram justos e louváveis os meus agradecimentos. Bem depressa tudo verás no Céu, tudo compreenderás, e então sem prejuízo da tua alma. Se soubesses as riquezas que te dei no ano que terminou, para por ti serem dadas às almas, que alegria e consolação sentirias! Não te preveni Eu, no princípio dele, da mistura de dor e alegria, mas essa alegria não seria para ti? O mesmo te digo hoje. As tuas alegrias ficam para o Céu, que está próximo. Foram e serão alegrias para aqueles que estudam a minha divina causa e a compreendem ao saberem como te enriqueci. Foram e são alegrias para as almas que vieram e hão-de vir por ti ao meu divino Coração. Coragem! Os Anjos levam aos braçados as flores das tuas virtudes, formam com elas a mais rica, a mais formosa coroa. Que bela que está e adornada por todos os pecadores que por ti são salvos! Vai para a tua missão, para a nobilíssima missão que te confiei. Vai dar às almas, vai semear pelo mundo a pureza e o amor. Coragem! A minha paz, a minha força é contigo.

– Obrigada, meu Jesus.
—*—
(Beata Alexandrina Maria da Costa: Sentimentos da alma, 4 de Janeiro de 1947)

ÉS A MINHA VITIMA

— É um só coração, é um só amor nos nossos corações.

Veio o meu Jesus:

— Minha filha, aos corações que se amam com o amor puro e santo nada há que os separe. Os nossos corações estão unidos: o meu e o teu, no maior amor, no amor divino, no amor de Deus. Não há nada, querida filha, não há nada que nos separe. Mas Eu quero, ao principiar do ano, na primeira sexta-feira, dedicada ao meu divino Coração, uni-los e enleá-los novamente. Quem vem deitar-lhes esses novos enleios é a tua e minha bendita Mãe.

Jesus tomou em suas mãos divinas o seu divino Coração e o meu; uniu-os tanto, tanto! Veio a Mãezinha, enfaixou-os, enleou-os bem com fios finíssimos doirados e conservou-se ao nosso lado. Jesus continuou:

— É um só coração, é um só amor nos nossos corações. É como uma sala com dois compartimentos com a entrada livre. Ambos têm o mesmo poder, o mesmo encanto, o mesmo Céu. Passei para o teu toda a riqueza que o meu contém. Queres saber, filha querida, o significado disto? Entreguei-te o mundo e hoje mesmo renovo a entrega. É por ti, pelo poder e missão que te confiei que este mundo vem a Mim. Passa livre do teu coração para o meu. Tui não podes ver, minha filha, nem sentir com consolação as graças e maravilhas com que te enriqueci; não convém à tua alma e é mais proveitoso para as almas dos pecadores. Enriqueci-te, elevei-te tanto as alturas como é alta a missão que te dei. Enchi-te do eu divino amor e da minha vida divina, para venceres e suportares todos os espinhos que ainda hão-de ferir-te. Não esperes consolações e alegrias: és a minha vítima. Não esperes luz, mas sim conforto e toda a abundância de amor, com a certeza de Eu sempre estar contigo e sempre em ti vencer. Sou o teu Jesus, confia em Mim. Tem coragem, que depressa vai acabar na terra a tua missão. Estou contentíssimo, minha filha, afirmo-te: foi grande a consolação que Me deste, foi grande o número de almas que salvaste com o amor com que suportaste todo o sofrimento que te dei no ano que terminou. Aqui não podes sabê-lo, no Céu o verás.

— Meu Jesus, tudo isso me humilha, mas ainda quero ser por Vós mais humilhada; falai-me dos meus pecados, porque até aqui só falastes do que é vosso. O que tenho eu de bom que não fosse vindo de Vós?

— Eu não quero falar dos teus pecados, porque nas tuas faltas escondo a grandeza e a riqueza que só no Céu será conhecida e verdadeiramente compreendida. E não falta na terra quem te humilhe. Mas coragem, essa humilhação exalta-te e também Eu fui humilhado. Não quero, minha filha, terminar este colóquio sem te prevenir, sem dar ao mundo este aviso: a chuva de fogo que sentes sair sobre ti é por seres a minha vítima; é a chuva que depressa cairá sobre o mundo, se ele não se converter; é o castigo que apenas deixará um pequeno número dos seus habitantes.

— Ó meu Jesus, e não haverá remédio? Que posso eu fazer por ele, para o salvar?

— Sofre, sofre, não é as almas que queres salvar? Os corpos nada vale. Eu te prometo: com os teus sofrimentos e o poder da minha bendita Mãe, as almas serão salvas; os corpos, a sua emenda de vida o fará. Se a vida for pura, se fizerem penitência, são poupados ao castigo. Diz, diz, minha filha, que é Jesus que chama, que é Jesus que pede, que é Jesus que convida: é o Pai que quer salvar os seus filhos. Vem, minha bendita Mãe, cingir os espinhos e a cabeça da vossa vítima.

Vi a Mãezinha com uma coroa de espinhos em suas santíssimas mãos; não sei de onde pegou nela. Em todo o tempo que esteve com Jesus não A vi com ela. Colocou sobre a minha cabeça, senti-me quase morrer.

— Coragem, minha filha, sou Mãe de Jesus, sou tua Mãe também. É com estes espinhos que ainda falta ferir-te que vais acudir às almas. Eu quero estar unida ao Coração do meu Jesus e ao teu, quero comunicar-te o meu amor, a minha ternura e doçura, para melhor poderes atrair as almas a Jesus.

— Vai em paz, disse Jesus. Leva contigo toda a confiança: nada temas: Eu não te falto. Leva a minha riqueza, leva o meu amor, leva as riquezas da tua Mãezinha querida e vai salvar o mundo. Coragem! Avizinha-se o Céu.

— Obrigada, meu Jesus; obrigada, Mãezinha. Vinde comigo, sede a força da minha alma.
(Beata Alexandrina Maria da Costa: Sentimentos da alma, 3 de Janeiro de 1947)

PECAR NÃO ! VALEI-ME, MEU JESUS !

Vinde, vinde com a Mãezinha, dai-me força, dai-me vida

– Jesus, quais são os miminhos que de Vós vou receber neste novo ano? Estou cheia de medo, ou mais ainda, cheia de pavor. Venha o que vier, pelo muito que eu seja ferida, humilhada e abatida, com a Vossa graça divina a tudo direi: “ Seja bem-vindo, faça-se a vontade de Jesus; sou vítima do meu amor, vítima das almas”. Confesso, meu Jesus, que o meu maior receio é a minha fraqueza, temo ofender-Vos. Confio em Vós; seja firme o meu amor e subirei alegre o meu calvário. Reparai e vede, Jesus, as ânsias que tenho; se não fôsseis Vós, tiravam-me a vida. Queria nascer agora, mas já Vos conhecer para nunca manchar o meu corpo. Queria que comigo nascesse o mundo inteiro e que todo ele já Vos conhecesse também para não se deixar manchar. Queria um coração novo, mas que sempre Vos tivesse amado para nunca deixar de Vos amar. O mesmo querer tenho para todas as criaturas, para assim Vos amarem com o mesmo amor que para mim desejo. Onde hei-de esconder-me e comigo esconder o mundo? Onde hei-de purificar-me e purificar o mundo a não ser em Vós? Escondei-me, purificai-me. Fazei-me nascer agora para a graça e para o amor e comigo nascer o mundo, mas de tal forma como se eu nem ele Vos tivesse ofendido. Não sei onde estou; não vivo neste exílio nem vivo no Céu. Parece-me viver entre ele e a terra. Fui para esta morada, comigo levei o mundo, morada sem luz, sem vida e sem nada. A minha alma rasga-se de dor, é indizível o que sinto em mim. Meu Deus, que derrota! Não tenho luz, e roubaram-me os guias de tão tremendos caminhos. Morro na escuridão, Jesus, morro desfalecida. Vinde, vinde com a Mãezinha, dai-me força, dai-me vida.

Não posso pensar nos combates do demónio, tremo de horror. Ele arma tantas ciladas para prender-me! Forma tantos assaltos à minha alma! Parece-me morrer de dor. Ouço a sua voz maldita desafiadora. E quando fica só assim! O que mais me aflige é quando ele faz o que há de pior. Na manhãzinha de ontem, preparava-me para comungar e logo a alma principiou a sentir os seus assaltos. A minha preparação foi um terrível combate. Que vergonha a minha à chegada de Jesus ao meu coração! À voz de chamada do demónio vieram muitos demónios. E o maldito dizia-me:

– Tu és o manjar mais delicioso para todos os demónios do inferno. Olha como te preparas para comungar. É assim que és uma esposa de Jesus! Não és, não és, Ele não te quer, és minha, dá-me o teu coração. Se mo deres por vontade, dou-te o mundo com todos os encantos, grandezas e prazeres.

Nesta altura, consegui renovar a Jesus a minha oferta de vítima e escrava.

– Não quero o mundo nem nada que lhe pertença, meu Jesus, o que eu quero é não pecar. Amar-Vos só e não magoar o Vosso coração divino.

O demónio redobrou de raiva. Sentia que o que ele queria era que eu lhe desse de boa vontade o meu coração e com ele o mundo. O meu corpo estava desfeito com o cansaço. O momento era grave. Ao parecer-me estar tudo perdido, não haver remédio para mim, bradei ao céu de alma e coração:

– Pecar não! Valei-me, Jesus!

Cessou a luta, mas ficaram-se na alma uns tristes efeitos. Uma tristeza tão grande por não ter pecado, parecia-me que gostava ter ofendido a Jesus. Que aflição a minha! O demónio, mais retirado, continuava raivoso; queria voltar a arrancar-me a alma e a despedaçar-me o corpo. A pouco e pouco, uma suavidade e paz apoderaram-se de mim, invadiram-me toda. Jesus fez-me sentir que tudo o que se passava na minha alma eram efeitos do demónio. Era ele que tinha pena de eu não ter pecado e estava raivoso por não o ter conseguido. Chegou logo Jesus para eu O receber; gozava uma grande paz, mas muito triste, tímida e envergonhada. Logo que O recebi, esqueci por algum tempo tão tremenda e feia luta.

Hoje, voltou o maldito com outro ataque infernal. Só Jesus vê a dor que me vai na alma. Disse-me que eram as pessoas cúmplices do meu crime, ensinou-me a pecar.

– Meu Deus, como sair disto sem Vos ofender? Só com a Vossa graça. Por misericórdia Vossa, só nos momentos da luta eu sei e compreendo as lições do mafarrico. É mais uma prova do Vosso infinito amor. Só Vós sabeis quanto eu quero amar-Vos e reparar as ofensas feitas contra o Vosso divino coração e nunca manchar o meu corpo nem a minha alma. Triste quinta-feira que me dás a sexta!

A minha alma está cansada de tantos sofrimentos, de tanta dor que a espera. Temo as horas que se aproximam, temo a morte. O céu está revoltado com tanta ingratidão da terra. Temo tudo, mas por tudo quero passar; quero morrer para dar a vida!
(Beata Alexandrina Maria da Costa: Sentimentos da alma, 4 de Janeiro de 1945)

sexta-feira, junho 24, 2011

EU COM JESUS EXPIREI…

“Melhor seria que a minha divina Carne fosse lançada aos cães...”


Ontem (12 de Fevereiro de 1948) de tarde foi imenso o meu sofrimento ; sentia-me por todos desprezada, caluniada, maltratada. Tinha em mim um rochedo imenso ; parecia-me que este rochedo me arrastava e continuamente me dava pontapés, ao mesmo tempo que me odiava. Sem passar por outras coisas, cheguei ao Horto ; ali fiquei aniquilada entre uma fortíssima prensa. Antes de por ela ser apertada, trespassavam-me os espinhos, dum lado ao outro, e sobre as feridas deles vinha o esmagamento. No mesmo lugar deste martírio, sobre mim, e o rochedo mundial caiu do Coração divino de Jesus um chuveiro de sangue ; senti a Sua agonia, e, dali com Ele, a ser maltratada passei à prisão. Em algumas horas da noite, lá o vi naquele escuro cárcere ; parecia um moribundo. Hoje encontrei-o no caminho do Calvário, curvado sobre a cruz. Das feridas da Sua sacrossanta Cabeça, caía tanto Sangue, que regava o chão, por onde Ele passava. A Mãezinha, de mãos cruzadas, seguia Jesus, trespassada de dor. Quase no fim da viagem, ao terminar da montanha, eu senti o esforço que Jesus sentia para caminha. O seu divino Coração parecia-me estar no meu, ofegante de cansaço. Os vestidos de Jesus, sentia-os colados ao meu corpo, ensopados em sangue. Já pregado na cruz, sentia cair ou caírem as carnes de Jesus aos bocadinhos, quase desfeitas como se fossem cinzas. A Mãezinha chegou ao Calvário mais atrasada um pouquinho do que Jesus ; juntou-se à cruz na mesma dor, na mesma posição das mãos, como quando atrás d’Ele o seguia. O meu coração e a minha alma são testemunhas de toda esta tragédia, de todo este mar de dor. O meu coração estava tão ferido e mais o feriu o brado doloroso e tristíssimo de Jesus com o pranto angustioso da Mãezinha. Quisesse ou não, tinha que sofrer com Eles. Passaram-se as horas da agonia, e eu com Jesus expirei. Senti-me morta, e muito tempo tive que esperar por Ele para me dar vida. Ao fazer-se chegar, disse-me :

― “Minha filha, minha filha, Eu vim, já estava, estou sempre no teu coração, à sombra da graça, da pureza e do amor. Eu vim, já estava, estou sempre neste paraíso de delícias. Eu vim, já estava, estou sempre neste jardim formoso, encantado com tão belas flores, sentado como Rei no trono do teu coração. Queres saber, filha querida, porque me fiz demorar assim ? Para mais te fazer sofrer, esperando-me, buscando-me, para um e outro lado, nessa ansiedade. Eu espero do teu coração puro e generoso que não Me dás uma negativa. Eu quero dor, mais dor, sempre dor e mais ainda neste tempo da minha Paixão, para mais te assemelhar a mim, e, nestes colóquios dolorosos e de ansiedade por mim, tirar grande proveito para as almas, fazer que elas venham a mim purificadas e lavadas de todo o pecado, para Eu não ter que dizer :

― “Melhor seria que a minha divina Carne fosse lançada aos cães ; melhor seria que a minha divina Carne fosse lançada às chamas para as espécies serem extinguidas, de que entrar em muitos corações a arderem em fogo de desvairadas paixões. Melhor seria que a minha Carne divina fosse lançada às feras, porque nelas produziria mais frutos, acalmando-lhes a fúria. Preferia as feras a muitos corações desordenados, furiosos pela loucura de seus crimes. Dá-me dor, sempre dor, cruz, sempre cruz, minha filha ; acode às almas, para que não tenha que lhes dizer tudo isto”.
—*—
(Beata Alexandrina Maria da Costa: Sentimentos da alma, 13 de Fevereiro de 1948 – Sexta-feira)

E AS MINHAS CHAGAS SANGRAM

Todo o mar da minha dor é de espinhos

Que grandes, que agudos espinhos têm ferido o meu coração.

― Ó Jesus, quantos desabafos, quantos suspiros e lágrimas só para vós ! Dai-me a conhecer, meu Jesus, iluminai-me, divino Espírito Santo, se eu sentir-me assim ferida, tão profundamente magoada, se é melindre meu, se é orgulho da minha parte, para eu me emendar de tão grandes defeitos. Ó maldito orgulho, ó maldito amor próprio, que tanto ofendes a Jesus ! Tenho tantos desejos de me conhecer, de ma transformar num coração humilde e dócil, de ser só bondade e doçura para todos ! Jesus, Jesus, tudo por Vosso amor. Vede a dor do meu coração só com o receio de vos ofender. Paga bem caras as minhas maldades ; sofro e sofro imenso por ser má. Eu não tenho pena de dar a conhecer aquilo que sou, mas sim por ferir o meu Jesus e dar tão mau exemplo. Todo o mar da minha dor é de espinhos. Luto, nado neles, noite e dia. Eu não vivo, eu não sofro, nem nado nestes espinhos, é um sopro que existe em mim, a sofrer e a ser nos espinhos ferida. Ai, Jesus, a minha vida se é que é vida, se sou eu que vivo, não vivo para vos amar, vivo uma vida morta, sinto que vivo uma vida imunda de podridão. E as minhas chagas sangram, os espinhos da cabeça penetram fundos, muito fundos, trespassam os olhos e os ouvidos e o sangue corre de tantas feridas, a lança abre-me o coração, cercado de espinhos ; já quase não existe parte dele e do peito ; a podridão tem feito desaparecer. Que covas eu sinto em mim. Ó Jesus da minha alma, poderá este sofrimento servir de consolação para vós ? Se assim é, Jesus, é pouco ainda, dai-me mais, muito mais. O dia de Carnaval foi um dia de grande tormento para a minha alma. Custou-me a resistir com as saudades de me alimentar. Que sofrimento quase insuportável. Foi com muito custo que encobri as lágrimas. Queria desabafar e desabafar muito ; queria dizer que dava grande soma de contos, se eu tivesse, para me alimentar. Queria dizer : se soubessem o que sofro com estas saudades, não diziam que era falso eu não me alimentar. Ai, que me dera comer como vós, eu tentava dizer aos meus. Fitei o Sagrado Coração de Jesus com os olhos rasos de lágrimas. Lembrei-me do dia, que era de tantas ofensas para Ele, ofereci-lhe o sacrifício e todo o meu sofrimento em reparação.

― Ó Jesus, ó Mãezinha, é por vosso amor, é pelas almas que eu quero encobrir toda a minha dor ; para vós, só para vós os meus desabafos.

O dia passou, e assim vão passando outros sem uma palavra de queixume, mostrando-me o mais possível satisfeita com a minha cruz.

(Beata Alexandrina Maria da Costa: Sentimentos da alma, 13 de Fevereiro de 1948 – Sexta-feira)

SÃO PEDRAS DURAS, CORAÇÕES SEM AMOR...

Jesus uniu o Seu Divino Coração ao meu

Eu precisava de usar do azorrague como usei no Templo e já usei com o azorrague da minha justiça divina e ainda usarei mais, castigarei severamente aqueles que se opõem à minha causa divina.

— Meu Jesus, usai de compaixão, não os castigueis; antes movei-lhes o coração.

— São pedras duras, são corações sem amor, resistem, não se movem aos meus desejos. Confia, a causa é minha. Eu tudo vencerei. Repete, minha filha, flor mimosa e pura, a tua mensagem ao Papa. Sou eu que peço; quero que ele brade, brade ao mundo, como pai de todos, pai escolhido por mim, que lhe peça para não me ofender, que haja emenda de vida. Que mande os seus bispos e todos os que governam a convidarem os fiéis ao amor, à penitência. Que fechem as portas dos vícios, que oponham barreiras aos caminhos da perdição. Pede, pede, ó mensageira de Jesus. Vem agora, minha filha, receber do teu Jesus sangue para viveres, sangue para dares a vida. Já que eu não posso agora derramá-lo pelas almas gota a gota, derrama-lo tu, minha vítima, minha redentora.

Jesus uniu o Seu Divino Coração ao meu, que logo principiou a dilatar-se ao receber o sangue de Jesus. Em poucos momentos não poderia resistir a tanta força, a tanto amor, parecia-me perder a vida, e o coração deixou de dilatar-se. Jesus disse:

— Não podes com a força do meu divino sangue. O teu coração está como a lâmpada que se apaga à falta de azeite; está como a cera que se consome. Consome-se o amor, destrói-se a dor. Eu podia operar milagre, fazer que ele aguentasse com a abundância do meu sangue, mas não quero; quero fazer-te sentir a falta do sangue, o desfalecimento das tuas forças. Quero provar e mostrar ao mundo que sofres, porque amas, que sofres e sentes como criatura humana. Virei mais vezes a dar-te a pouco a pouco o meu sangue divino que é a vida da tua vida. Vai, flor encantadora, lírio perfumado, vai dar às almas a vida que de mim recebes, vai salvar o mundo.

Jesus desligou de mim o Seu Coração, cobriu-me de carícias e escondeu-se. Bem depressa voltou todo o martírio. Principiei a ver a enormidade da minha miséria e a minha indignidade para receber tantas graças de Jesus e tão grande prova do Seu infinito amor. A pena de O ver assim tão ferido derrete de dor o meu coração. Oh! Como o Seu amor é tão mal correspondido!

(Beata Alexandrina Maria da Costa: Sentimentos da alma, 22 de Junho de 1945)

quinta-feira, junho 23, 2011

A SANTA CRUZ DE BALASAR

Aparecida no dia de “Corpus Christi” de 1832

A igreja paroquial, dedicada a S. Eulália, domina duma pequena elevação e faz parte da antiquíssima Diocese de Braga, dita a «Roma de Portugal». Tal igreja foi inaugurada em 1907, em substituição da precedente, tornada muito pequena para a população de cerca de 1000 habitantes. De 1832 em diante, por vários anos, Balasar foi meta de peregrinação em honra de uma cruz aparecida misteriosamente no terreno, a poucos metros da igreja. Para defesa desta cruz foi construída uma Capela, ainda existente, que traz no frontal a data de 1832, esculpida na pedra. Por vários anos houve também uma Confraria, com o fim de promover a festa da Santa Cruz de Balasar. Pouco mais de um século depois, Balasar torna a ser meta de numerosas peregrinações: a gente é atraída pela fama da Serva de Deus Alexandrina Maria da Costa, que lá viveu muitos anos «crucificada». Não é arbitrário a aproximação aqui feita entre a cruz no terreno e Alexandrina crucificada. De facto, em dois êxtases, respectivamente do Dezembro 1947 e do Janeiro 1955, Alexandrina ouve Jesus acenar àquela cruz no terreno, enviada como “sinal” da vítima, Alexandrina mesma, que nasceria em Balasar para ser crucificada. Eis, daqueles êxtases, os dois excertos que se referem à cruz de Balasar. (Alexandrina acabou de reviver a paixão; o êxtase continua com o colóquio com Jesus):

— És a Minha vítima, a quem confiei a mais alta missão. E como prova disso atende bem ao que te digo para bem o saberes dizer. Quase um século era passado que Eu mandei a esta privilegiada Freguesia a cruz para sinal da tua crucifixão. Não a mandei de rosas, porque as não tinha, eram só espinhos; nem de oiro, porque esse com pedras preciosas serias tu com as tuas virtudes, com o teu heroísmo a adorná-la. A cruz foi de terra, porque a mesma terra a preparou. Estava preparada a cruz; faltava a vítima, mas já nos planos divinos estava escolhida; foste tu. O mal aumentou, a onda dos crimes atingiu o seu auge, tinha que ser a vítima imolada; vieste, foi o mundo a crucificar-te. Agora partes para o Céu e a cruz fica até ao fim do mundo como ficou também a Minha. Foi a maldade humana a preparar-Me a Minha, e a mesma maldade preparou a tua. Oh! como são grandes os desígnios do Senhor! Como são grandes e admiráveis, que encantos eles têm! Poderia Eu na Minha sabedoria infinita assemelhar-te mais a Mim? Desta cruz, desta imolação tirei dois proveitos: o amor à cruz, o amor à minha imagem crucificada e a grande reparação. Não é só a Minha Alexandrina a ser na cruz crucificada, mas Cristo nela e com ela. É necessário maior prova? Estudem os sábios, estudem aqueles, não a quem dei a luz, mas a quem a vou dar. Alguns a quem a dei e a não aceitaram, não voltam a recebê-la. Partes para o Céu, Minha filha, mas por ti continua a obra da salvação. Acode às almas, acode às almas. Fica por um pouco a gozar a Minha paz para dela tomares conforto para a luta. No meio das tuas trevas, recorda estes momentos, lembra-te que sou Eu, confia em Mim.

Desde 1965, na Capela de dita Cruz, em dois cartões impressos podem ler-se os dois excertos transcritos.

Do livro : FILHA DA DOR, MÃE DE AMOR, Alexandrina Maria da Costa, de Eugénia Siognorile.

FONTANÁRIO DE AMOR

Meu Jesus, usai de compaixão

Tomou em Suas divinas mãos o meu coração e fez dele uma grande bola que momentos depois colocou no lugar do coração. E disse-me:

– Minha filha, o teu coração é uma bola de amor. Ama-me, ama-me, ama-me pelo mundo que não me ama. Ama-me, ama-me, ama-me por aquelas almas que deviam amar, e de quem eu esperava amor. Tu és louca de amor por mim, és louca de amor às almas. E sabes, minha pomba bela, por que as amas? Ama-las, porque são minhas e amas aquilo que é meu. Queria-te no céu, minha louquinha, mas necessito tanto de ti aqui.

– Se me quereis lá, Jesus, juntai aos meus desejos os Vossos. Não Vos digo mais nada, porque Vos prometi não Vos pedir o céu.

– Ó coração de oiro, fontanário de amor, aceitei o teu sacrifício. Tem coragem! Eu dou-te o céu em breve mesmo sem mo pedires. Estou à espera da vontade dos homens. Mas sabes por que necessito de ti aqui? Para consolares o meu Divino Coração, para curares as minhas chagas. Vês como estou tão ferido, tão cercado de espinhos? São os pecados, são os crimes do mundo.
Jesus mostrou-me as chagas dos Seus santíssimos pés e mãos e a sacrossanta cabeça e Coração cercado de espinhos, todo Ele eram feridas e sangue.

– A tua dor, minha filha, é o bálsamo das minhas feridas. Repara, sofre contente. Para a tua missão, missão dos pecadores, missão de amor, não precisava na terra; desempenha-la no céu. Tudo vais receber do trono divino, tudo passará para ti das mãos da minha bendita Mãe, para espalhares pela terra, para fazeres chover sobre as almas as riquezas, fruto da tua dor. É por ti que o mundo receberá as bênçãos e graças do Senhor. Eu precisava de usar do azorrague como usei no Templo e já usei com o azorrague da minha justiça divina e ainda usarei mais, castigarei severamente aqueles que se opõem à minha causa divina.

– Meu Jesus, usai de compaixão, não os castigueis; antes movei-lhes o coração.

(Beata Alexandrina Maria da Costa: Sentimentos da alma, 22 de junho de 1945).

SEI SENTIR, NÃO SEI DIZER...

Não me chega a língua...

Jesus continua na cruz e dentro de mim, de mim que não vivo nem existo. Ai, o doce Jesus de braços e Coração abertos! Queria dizer quanto Ele sofre e ama; sei sentir, não sei dizer, não me chega a língua, não sou capaz. Sofro e morro de dor. O que daria eu para poder fazer compreender a todos uma ofensa feita ao Coração Divino de Jesus, e quanto Ele nos ama apesar de tudo! Assim caminhei para o calvário com esta sede de me dar a conhecer às almas, de me dar a elas, de morrer por elas. Nunca caí tantas vezes como hoje. Que repetidas quedas! Que desfalecimento tão grande! O meu corpo gelava-se sem sangue; o coração não palpitava, os lábios não tinham vida. O amor venceu, foram as cordas que me arrastaram. Os meus lábios moribundos tinham sede ardente, mas o coração mais sequioso estava; quer beber a amargura até à última gota, tudo quer sofrer, porque a todos ama. Tudo quer dar para tudo receber. No alto da cruz sentia no meu corpo os maus tratos do mundo, era como se fosse por todo ele apedrejado; sentia mesmo como se as pedras me ferissem.
No Coração Santíssimo de Jesus, que estava em mim crucificado, vi sair uns raios de fogo, pareciam raios de sangue. Aqueles raios vinham estender-se sobre todos aqueles de quem o meu corpo sentia os maus tratos, as pedradas. Que ternura e compaixão saía daquele Coração tão amante! Dos meus olhos moribundos, já sem vista para o mundo, saíam para ele os olhares mais doces, mais ternos e amantes; eram olhares que penetravam tudo e a todos; viam toda a maldade e ingratidão. Foi assim que veio Jesus. Veio, prendeu-me e demorou-se bastante tempo sem me falar. Tomou em Suas divinas mãos o meu coração e fez dele uma grande bola que momentos depois colocou no lugar do coração.

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 22 de Junho de 1945).

MINHA FILHA, MEU PARAISO NA TERRA

Jesus uniu novamente os nossos corações

— “Minha filha — disse-me Ele — tem dó de Mim, esconde-me, esconde-me no teu coração. Ofendido, sou ferido, consola-me, repara-me, dá-me, dá-me em ti abrigo. Oferece-me tudo”.

Por amor de Jesus, para O consolar principiei a oferecer os meus sofrimentos e vários sacrifícios. E eram tão grandes os desejos que tinha de O esconder que queria possuir todos os corações do mundo, infundi-los todos uns nos outros e colocar Jesus no mais interior. Queria vê-lo resguardado nas mais íntimas chamas de amor. Eu, tão desconsolada, esforcei-me tanto para O consolar. Pela manhã veio Jesus adolescente buscar-me à prisão, tomou-me pela mão, foi o meu companheiro, o meu Cireneu em todo o caminho do Calvário. Eu ia desfalecida, coberta de suor e sangue, mas sabia que Jesus me acompanhava ; e quando eu caía Ele deitava-me as suas duas mãos santíssimas para levantar-me. Eu recebia aquele benefício como se não fosse feito a mim. A sua divina presença não me aliviava, via só dor, oprimia-me o seu peso e arrastava-me o amor. Cheguei ao Calvário e o mesmo Jesus adolescente infundiu-se em mim, retratou-Se no meu corpo e foi comigo crucificado. Oh ! como Jesus sofreu logo desde tão tenra idade. No meio da agonia da morte bradava ao Eterno Pai, sem me lembrar que o Seu divino Filho estava comigo crucificado. E foi assim que agonizei e Ele novamente me falou :

— “Minha filha, minha filha, meu paraíso, meu Céu aqui na terra, tabernáculo da minha habitação. Estou mais consolado, cicatrizaste com o teu amor e a tua reparação as feridas dos espinhos que cercam a meu divino Coração. Aceita que é a tua vida, aceita é a vida das almas”.

Jesus uniu novamente os nossos corações, estavam como que colados um ao outro. Eu via da chaga do Coração de Jesus passar para o meu o seu divino Sangue e raios fortíssimos do seu Amor. Só isto foi o bastante para eu me perder e enlouquecer por Ele.

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 29 de Junho de 1945 – Sexta-feira).

SOU O SENHOR DO MUNDO, O SENHOR DA PAZ

A casa do meu interior tinha mais luz

Sobre o solo do horto esvoaçava uma pomba. Tinha sempre no seu biquito uma gota que deixava cair sobre a terra e se transformava em orvalho fecundador. Uma gota caía, logo outra aparecia. Este orvalho era celeste. Era o maná que alimentava, que dava a vida, dava luz e sabedoria. Uma vida no ar, outra vida na terra. A minha alma tornava-se sábia, compreendia tudo isto, tudo o que era do Céu. A minha dor, a minha dor humana vivia-a, sentia-a o mais dolorosa que se pode imaginar.

No calvário de hoje, a mesma pomba continuava a voar, a deixar cair as mesmas gotas que se transformavam em orvalho, orvalho celeste e a dar a mesma luz e vida de sabedoria. Eu cá em baixo levava a cruz da minha vida dum martírio indizível. Não vi Jesus, não o senti. Não soube que Ele expirasse. Veio alguém que juntou ao meu coração, à minha vida terrestre a vida divina. Essa mesma vida comunicava-se a mim como quem injecta. Desapareceu a minha vida terrena para viver a outra. O coração e a alma fortaleceram-se mais. A casa do meu interior tinha mais luz. Diz-me Jesus nesta altura:

– Sou o Senhor do mundo, o Senhor da paz, o Senhor da fé e da confiança. Crê, crê, vive da fé. É colóquio de fé.

Creio, creio, Jesus. A gota de sangue Jesus não disse que ma ia dar; senti o choque e o meu coração ficou unido ao outro Coração, a chupar dele como a criancinha no seio de sua mãe. Novas palavras de Jesus.

– Coragem! Vive para as almas. Recebe as carícias de minha Bendita Mãe. Sou Eu o portador delas, já que amanhã Ela não te vem falar.

– Obrigada, Jesus. Dizei à Mãezinha o meu muito obrigada.

Não disse tudo da minha separação. Que saudade das carícias da Mãezinha e saudade da Santíssima Trindade. Toda Ela me abraçava com a Mãezinha, e o Divino Espírito Santo em forma de pomba irradiou-me toda com a Sua luz, que iluminou todo o meu ser; prendia-me a Ele com fitas de várias cores que d’Ele pendiam. O que foi! Quanto custou! Não digo nada. Fico na minha dor e na minha eterna saudade.

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 1º de Janeiro de 1954).

quarta-feira, junho 22, 2011

PERDI OS MEUS AMORES

Todo o meu martírio reverta em favor das almas

Perdi o meu maior tesouro. Perdi a Jesus, perdi a Mãezinha. Parece, sinto como se Eles morressem para mim. Não posso pensar na triste, na dolorosíssima separação de sexta-feira. Triste mortório, mas é tal a diferença como da terra ao Céu. Custou mais, infinitamente mais, a separação de Jesus e da Mãezinha, este sentimento como se Eles morressem para mim, do que quando perdemos e nos separamos dos nossos entes queridos.

Ai, meu Deus, ai, meu Deus, só ao Céu é dado compreender esta dor e àqueles que a sentem. Apenas levanto um bocadinho do véu e não consigo mais nada. Foi tal a dor que me pareceu ficar sem coração, não sei se desfeito pela dor, se Jesus e a Mãezinha mo levaram. O que sei é que ficou em mim um vazio tão grande que só o Céu mo podia encher. E depois o sofrimento de cada dia e cada noite resultado de tudo isto. Chorei muitas vezes e muitas lágrimas. A dor levava-me a levantar a voz, mas logo me vencia e chorava em silêncio. Que as minhas lágrimas sejam actos de amor para Vós, Jesus e Mãezinha! Ai de mim! Perdi os meus Amores! Mas logo a confiança obrigava o coração a falar. Creio, creio que não os perdi. Todo o meu martírio reverta em favor das almas. Sou a Vossa vítima. Creio, creio, confio que não estou só. Ai quanto custa dizer: Creio! Sem crer; confio! Sem confiar.

Neste momento, a minha alma sangra de dor por não ser capaz de dizer como foi a minha separação e a ter necessidade de o dizer. Perder a Jesus e a Mãezinha foi perder o Céu. Todo o meu ser se retalha e, no meio dela, vou dizendo sempre: creio, creio, meu Deus, eu creio! Nestes dias tão dolorosos, de tão grande martírio para o corpo e de tanta angústia para a alma, ainda veio mais um tormento para o meu pobre coração. Várias cartas me chegaram às mãos a dizerem-me que o senhor Bispo de Aveiro tinha proibido a vinda aqui dos sacerdotes. Punhais tão dolorosos! A minha alma tinha a visão da consequência desta ordem. Tanta humilhação! Se eu pudesse reparar tanto escândalo que se dá! Tantas más interpretações por causa disto! A minha oferta de vítima não cessa diante do Senhor. Por Vosso amor, tudo! Faça-se a Vossa vontade! O meu túmulo, o meu túmulo, a minha arte de cavador vai continuando. Cobri-me eu mesma com a terra do meu sepulcro. Fui eu que me cobri, fui eu que desapareci, que me enterrei. Estou tão funda, tão funda!... Parece que toda a terra da humanidade me cobre e os suores da alma vão continuando assim como a eternidade e a inutilidade. Não conta, não anda a eternidade. Que pavorosa ela é! Se Jesus não velasse, só ela me tirava a vida. Tanto sofrer para tanta inutilidade! Uma vida de tanta dor para nada ter que oferecer a Jesus. Estou de mãos vazias. As minhas ânsias tão infinitas, tão infinitas não as posso fazer compreender. Quero o mundo, quero o mundo dentro do meu coração. Quero todos os corações, quero todas as almas, quero levá-las com o meu sangue. Quero amar a Jesus pelo mundo inteiro. Queria morrer, a cada momento, até ao fim dos séculos e a cada momento dar o sangue até à última gota, para que nenhuma alma se perdesse, nem nenhum coração deixasse de amar a Jesus. Queria, sim, dar todo o meu sangue e a vida, a cada momento, até ao fim dos séculos para evitar um só pecado.

Ai, ai, não posso consentir que Jesus seja ofendido! Eu não tive horto. Vou dizer o melhor que puder o que senti.

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 1º de Janeiro de 1954 – Primeira Sexta-feira)

terça-feira, junho 21, 2011

O AMOR NÃO É AMADO

Ai, se não fosse a minha ignorância!

É tão grande o meu esforço e o meu sacrifício em ditar estas palavrinhas! É indizível o meu sofrimento, se não é triste desgraça de eu não saber sofrer. E sem dúvida quem não sabe sofrer parece-lhe que sofre muito, quando na realidade não sofre nada.

— Meu Jesus, meu Jesus, ensinai-me a sofrer o mais possível em silêncio e a esconder o mais que puder a minha dor. Ai de mim que não oro, ai de mim que não amo o Amor que não é amado. Eu perdi tudo, perdi Jesus e a Mãezinha e parece até ter perdido a fé. Não quero duvidar, a razão obriga-me a crer e a repetir: creio, creio que não perdi uma coisa nem a outra. Estou nos braços de Jesus, dei-me a Ele pela Mãezinha e creio, vivo nesta esperança sem crer, nem ter esperança. Eles hão-de pôr o mérito na minha vida, já que por mim nada tenho, já que fui e sou roubada pela inutilidade, já que passei a viver a minha eternidade sem nada, nada possuir. O meu túmulo, a minha vida lá pelos abismos vai continuando com os suores da alma e do corpo. A minha velhice também. Ai que horror! Sinto-me arrastada por cordas, coroada de espinhos, cuspida, esbofeteada; todo o meu ser é sangue. O coração apunhalado, alanceado, jorra sangue, sofre dor tão grande, tão grande, é infinita. A morte vem para mim a passos gigantescos. Sofrimento pavoroso. Apesar disto, todo o meu ser se consome. São infinitas, tão infinitas as minhas ânsias de amar a Jesus, de dar almas a Jesus, de falar de Jesus e de fazer que o Seu reinado chegue aos confins do mundo. Ai, se não fosse a minha ignorância! Ah! Se eu pudesse falar e soubesse falar, nunca, nunca terminava de dizer, porque tudo isto é infinito, grande como Deus!

Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 19 de Março de 1954)

ELE CHORAVA, E EU CHORAVA

Com o Seu manto limpei-Lhe as lágrimas

O Senhor desapareceu. Uma montanha negra, pavorosa, que chegava ao céu, me separou d’Ele. Apoiada na fé e nas ânsias de amor, fui subindo, fui subindo até que atingi o seu fim, consegui calcá-la e de novo passar o além e de novo encontrar Jesus.
— “Minha filha, vítima da humanidade, esta montanha é montanha de vícios, crimes hediondos. Destrói-a, calca-a, esmaga-a com o teu martírio, à semelhança da minha Bendita Mãe, a calcar, a esmagar a cabeça da serpente. Sofre, sofre, triunfa com Ela. Se não fosse a Sua santíssima mão, neste ano, que Lhe é dado, a sustentar a mão vingadora de meu Pai, já o Céu se tinha aberto em fogo a queimar o mundo, a puni-lo. Faz, faz, minha filha, que Ela seja amada, que todo o culto e louvor Lhe sejam dados. Os meus filhos, os meus filhos a perderem-se; o meu Sangue divino a ser derramado inútil!”
Eu estava inclinada sobre o lado de Jesus, Ele chorava, e eu chorava. Com o Seu manto limpei-Lhe as lágrimas e Ele com o mesmo limpou-me as minhas.
— “Sofre tudo, sofre tudo. O teu Céu está perto. A tua missão, a mais difícil, mais alta e sublime, não é compreendida. Eu triunfo sobre tudo e depressa, muito depressa, no Paraíso tu a vais continuar, dando ao mundo toda a luz e todo o brilho.”
— Sem o fim da recompensa, tudo aceito, tudo sofro. Não choreis, Jesus, sede a minha força.
Jesus meteu-me toda no Seu Divino Coração. Eu para dentro dele comecei a arrastar a humanidade. No mesmo momento, Jesus injectou-me o Seu Sangue.
— “Recebe, minha filha, a gota do meu Divino Sangue, a vida de que tu vives. Recebe amor para dares amor, luz para as tuas trevas, conforto para a tua dor. Acode ao mundo, salva os pecadores.”
Pus-me a fazer os meus pedidos, mas já sem a Sua divina presença. Com actos de fé fui-Lhos fazendo e voltei para a minha cruz.
Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 12 de Março de 1954)

segunda-feira, junho 20, 2011

SENTIMENTOS DA ALMA – 1947

3 de Janeiro de 1947 – (sexta-feira)
Onde estais, meu Jesus? Para onde fugistes de mim? Eu não posso passar sem Vós, meu Jesus. Vede que estou sozinha; vede quanto sofre a minha alma. Ela está cega e muda, não vê nem sabe dizer o que tem. Tremo de pavor e temo vacilar. Não posso dar um passo que não caia num poço sem fundo; este poço dá-me a morte. Mais um ano é passado, meu Jesus, e eu não posso olhar para trás, não vejo outra coisa senão treva atrás e à frente de mim. Como passei o meu tempo? Como o empreguei ao vosso serviço? Que mal, que mal, meu Jesus! Ó vida, ó vida que eu não soube nem sei viver! Que pobre, que miserável, e nada sou! Ah, se eu visse, mesmo muito ao longe, uma luz que me guiasse para vós! Se eu tivesse no meu pobre coração um pouquinho do vosso amor! Nada, nada, meu querido Jesus. São as trevas a luz que eu tenho; é o gelo o meu amor; é a morte que fala, é o silêncio da morte a voz, o brado da minha alma. E o Céu, o Céu, morro de saudades, morro, morro, Jesus. Nada faço para o merecer, nada sofro por vosso amor. A minha oferta, Jesus, a minha entrega a Jesus na noite de Natal foi para mim mais um fogo de vistas e não um amor sincero a Jesus, nem o fim de O consolar. Não sei o que me levou a fazer tal entrega; nem compreendo o que Jesus quer com estes sentimentos da minha alma. Seja o que for, lancei-me nos seus braços divinos como a criancinha sem olhos, sem pernas, sem vontade, sem entendimento. É em espírito, nos seus santíssimos braços que me conservo, com o coração, a cabeça e todo o corpo em sangue, dilacerado pelos espinhos. É nele e com Ele que a alma, momento a momento, vai agonizando. Que me importa não ter luz se a razão e a fé me afirmam que ela existe? Por vosso amor, meu Jesus, deixo passar sobre mim toda a tempestade. Ao terminar os últimos momentos do ano com as luzes acesas rezei o “Te Deum”. Foi o meu acto de acção de graças a Jesus por tudo o que Se dignou enviar-me que me causasse dor ou alegria; por tudo O bendisse pela grande prova do seu amor. Que ignorância a minha! Não soube dizer-Lhe mais nada. Principiei o novo ano tirando à sorte os meus protectores. Calhou-me S. José e Santa Teresinha. Fiquei contente pela sorte que me caiu. Que eles sejam os meus guias por entre as trevas que tanto pavor causam à minha alma. Convidei todo o Céu a interceder por mim e a ensinar-me a amar a Jesus e à Mãezinha. Queria só viver a vida do amor.
Passou no dia 2 o quinto aniversário em que Jesus me disse: «Prepara-te para a luta, que tens que combater aparentemente sozinha». E que luta foi esta, meu Deus! Oh, como esta data me mostrou, por entre as trevas, os caminhos espinhosos que pisei! Ao principiar o ano, principiei a sentir cair sobre mim uma chuva torrencial; esta chuva para desfazer e queimar o meu corpo, sinto-o mesmo como se ele ardesse em chamas, parece que me deixa toda em cinzas de fogo. Estou cansada de tanto sofrer. Mas a alma está como de braços abertos para receber tudo o que Jesus quiser dar-lhe.
Tive um combate tão grande, tão grande com o demónio! O coração, de aflito, bateu tanto e tão fortemente que por último acabou por não viver; fiquei quase morta no pecado. E na morte que me senti não tinha força para sair do pecado nem tinha coração que me levasse ao arrependimento. Mergulhei-me no lodo e nele tinha que morrer. O demónio continuava com as suas feias palavras e indecentes lições. Senti dentro de mim alguém que com todo o rigor lhe fez sinal para se retirar. Retirou-se, ou retiraram-se, porque eram mais que um; fugiram espavoridos. Eu fiquei abismada na minha dor. Não há sofrimento que me lembre tanto de dizer a Jesus que não como os combates do demónio, quando sinto ele a aproximar-se.
Ontem já de noite, quanto mais me esforçava por desviar do Horto o meu pensamento, mais o coração dele se aproximava. O solo do Horto e a justiça de Deus eram para mim as pedras dum moinho. O meu corpo era o grazino de trigo que entre elas era esmagado e moído. O coração, à semelhança duma nuvem que se abre para descarregar a água, abriu-se para descarregar amor e receber toda a dor. Aquela dor fez-me sentir como se o meu corpo suasse água, suasse sangue. Prostrada por terra numa gruta retirada, senti e a minha alma viu um anjo levantar-se. Fiquei mais forte para o que me esperava. Hoje, logo de manhã, estava Jesus no meu coração com a sua santa cabeça cercada de tão agudos espinhos que me feriam também a mim toda quando Jesus Se inclinava sobre mim. E as carnes divinas de Jesus caíam dentro do meu corpo aos pedaços. Ele era açoitado dentro em mim; eu era a coluna, eu fui a cruz. E assim passei o Calvário e cravada nele senti bater brandamente, mesmo a agonizar, o Coração divino de Jesus. E senti que Ele no alto da cruz, no meio da mais dolorosa agonia, nos últimos momentos da sua vida espalhava amor, só amor. o amor estendia-se a todo o mundo como o perfume se espalha. E eu com Ele, por seu amor e pelas almas, agonizava. Fiquei como morta um bom pedaço. Sentia uma vida vinda muito do alto como que a contemplar a morte do meu corpo, mas não era a vida que a ele pertencia. Veio o meu Jesus.
― Minha filha, aos corações que se amam com o amor puro e santo nada há que os separe. Os nossos corações estão unidos: o meu e o teu, no maior amor, no amor divino, no amor de Deus. Não há nada, querida filha, não há nada que nos separe. Mas Eu quero, ao principiar do ano, na primeira sexta-feira, dedicada ao meu divino Coração, uni-los e enleá-los novamente. Quem vem deitar-lhes esses novos enleios é a tua e minha bendita Mãe.
Jesus tomou em suas mãos divinas o seu divino Coração e o meu; uniu-os tanto, tanto! Veio a Mãezinha, enfaixou-os, enleou-os bem com fios finíssimos doirados e conservou-se ao nosso lado. Jesus continuou:
― É um só coração, é um só amor nos nossos corações. É como uma sala com dois compartimentos com a entrada livre. Ambos têm o mesmo poder, o mesmo encanto, o mesmo Céu. Passei para o teu toda a riqueza que o meu contém. Queres saber, filha querida, o significado disto? Entreguei-te o mundo e hoje mesmo renovo a entrega. É por ti, pelo poder e missão que te confiei que este mundo vem a Mim. Passa livre do teu coração para o meu. Tui não podes ver, minha filha, nem sentir com consolação as graças e maravilhas com que te enriqueci; não convém à tua alma e é mais proveitoso para as almas dos pecadores. Enriqueci-te, elevei-te tanto as alturas como é alta a missão que te dei. Enchi-te do eu divino amor e da minha vida divina, para venceres e suportares todos os espinhos que ainda hão-de ferir-te. Não esperes consolações e alegrias: és a minha vítima. Não esperes luz, mas sim conforto e toda a abundância de amor, com a certeza de Eu sempre estar contigo e sempre em ti vencer. Sou o teu Jesus, confia em Mim. Tem coragem, que depressa vai acabar na terra a tua missão. Estou contentíssimo, minha filha, afirmo-te: foi grande a consolação que Me deste, foi grande o número de almas que salvaste com o amor com que suportaste todo o sofrimento que te dei no ano que terminou. Aqui não podes sabê-lo, no Céu o verás.
― Meu Jesus, tudo isso me humilha, mas ainda quero ser por Vós mais humilhada; falai-me dos meus pecados, porque até aqui só falastes do que é vosso. O que tenho eu de bom que não fosse vindo de Vós?
― Eu não quero falar dos teus pecados, porque nas tuas faltas escondo a grandeza e a riqueza que só no Céu será conhecida e verdadeiramente compreendida. E não falta na terra quem te humilhe. Mas coragem, essa humilhação exalta-te e também Eu fui humilhado. Não quero, minha filha, terminar este colóquio sem te prevenir, sem dar ao mundo este aviso: a chuva de fogo que sentes sair sobre ti é por seres a minha vítima; é a chuva que depressa cairá sobre o mundo, se ele não se converter; é o castigo que apenas deixará um pequeno número dos seus habitantes.
― Ó meu Jesus, e não haverá remédio? Que posso eu fazer por ele, para o salvar?
― Sofre, sofre, não é as almas que queres salvar? Os corpos nada vale. Eu te prometo: com os teus sofrimentos e o poder da minha bendita Mãe, as almas serão salvas; os corpos, a sua emenda de vida o fará. Se a vida for pura, se fizerem penitência, são poupados ao castigo. Diz, diz, minha filha, que é Jesus que chama, que é Jesus que pede, que é Jesus que convida: é o Pai que quer salvar os seus filhos. Vem, minha bendita Mãe, cingir os espinhos e a cabeça da vossa vítima.
Vi a Mãezinha com uma coroa de espinhos em suas santíssimas mãos; não sei de onde pegou nela. Em todo o tempo que esteve com Jesus não A vi com ela. Colocou sobre a minha cabeça, senti-me quase morrer.
― Coragem, minha filha, sou Mãe de Jesus, sou tua Mãe também. É com estes espinhos que ainda falta ferir-te que vais acudir às almas. Eu quero estar unida ao Coração do meu Jesus e ao teu, quero comunicar-te o meu amor, a minha ternura e doçura, para melhor poderes atrair as almas a Jesus.
― Vai em paz, disse Jesus. Leva contigo toda a confiança: nada temas: Eu não te falto. Leva a minha riqueza, leva o meu amor, leva as riquezas da tua Mãezinha querida e vai salvar o mundo. Coragem! Avizinha-se o Céu.
― Obrigada, meu Jesus; obrigada, Mãezinha. Vinde comigo, sede a força da minha alma.

Beata Alexandrina Maria da Costa

segunda-feira, abril 25, 2011

SÉTIMO ANIVERSÁRIO DA BEATIFICAÇÃO

Homenagem de Balasar à Beata Alexandrina

O Padre Dário Pedroso durante a homilia
Nesta manhã do dia 25 de Abril de 2011, estive em Balasar para assistir às festividades que comemoravam o sétimo aniversário da beatificação da Alexandrina Maria da Costa, a “doentinha de Balasar” que o Beato João Paulo II elevou às honras dos altares.
A igreja de Balasar estava tão repleta que muitos fieis tiveram que ficar cá fora, ouvindo com muito recolhimento e atenção tudo quanto no templo de dizia, se cantava ou se rezava.
A Eucaristia foi presidida pelo sacerdote Jesuíta, o Padre Dário Pedroso, grande devoto da Beata e actual Director do Apostolado da Oração e da simpática revista para a juventude: Cruzada Eucarística.
A quando da homilia, o Padre Dário traçou, em largas linhas, com muita convicção e de maneira pungente, a vida e a espiritualidade da Beata de Balasar, frisando particularmente os sofrimentos que a Alexandrina livremente aceitou e ofereceu para a conversão dos pecadores.
Lembremo-nos que aquela Eucaristia era oferecida a Deus, de maneira particular, pelos doentes.
Finda a Missa, o mesmo sacerdote procedeu à bênção com Cruzada Eucarística, dos doentes e de todos os assistentes, passando de banco em banco, vagarosamente, num ambiente de grande fervor e ao som dos cânticos que o grupo coral de Balasar cantava sem descontinuar.
Agradeço a Deus por ter podido participar a esta bela cerimónia, que humildemente ofereço a Deus por todos os visitantes dos blogues e sites consagrados à Beata Alexandrina.
Afonso Rocha