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segunda-feira, maio 03, 2021

O ALIMENTO DA ALEXANDRINA

A Eucaristia


Na história já se tinham verificado casos de místicas e místicos que tinham vivido, mesmo durante anos, só com o alimento da Eucaristia. Por exemplo, Santa Ângela de Foligno, durante 12 anos, S. Catarina de Sena, durante anos, o Beato Nicolau de Flue, durante 20 anos (vd. C G, p. 137).

Também na Alexandrina Jesus quer pôr em evidência o valor da Eucaristia.

Em 1946 está muito consumida com os sofrimentos e com o jejum, que dura desde 42. Alguns sugerem ajudá-la com injecções nutritivas.

O Dr. Azevedo não quer fazer nada contra a vontade divina. Então a Alexandrina pergunta a Jesus:

— Ó meu Jesus, eu quero sofrer, mas saber que em tudo faço a vossa divina vontade. Se quiserem que eu me alimente, se quiserem aplicar-me injecções, que devo eu fazer?

— (...) Não quero que tu uses medicina, a não ser aquela a que não possam atribuir alimentação.

Esta ordem é para o teu médico: será ele que toma a tua defesa.

Quero que ele continue com toda a sua vigilância a amparar-te: é grande o milagre da tua vida. Que ele me ajude, que te ampare! S (7-12-46)

No desígnio de Jesus o jejum da Alexandrina é um martírio mais que deve levar os homens a meditarem sobre a Eucaristia.

Em Abril de 54 isto será claramente expresso:

— Faço que tu vivas só de Mim para mostrar ao mundo o valor da Eucaristia e o que é a minha vida nas almas.

És luz e salvação para a humanidade. Ditosos aqueles que se deixam iluminar! S (9-4-54)

O valor nutritivo da Eucaristia está bem provado com o facto de que a Alexandrina, durante o jejum total, não poderia sobreviver. De facto Jesus promete-lhe que não a deixará sem a Eucaristia em nenhuma sexta-feira, dia em que se esgota muito ao reviver a Paixão, mesmo sem movimentos.

Em certos períodos o pároco (único que lhe pode levar Jesus) está ausente; há depois as sextas-feiras santas, em que a liturgia consente receber a Eucaristia só como Viático (quando vivia a Alexandrina).

Mas Jesus supre quando falham os homens, mostrando mais uma vez o seu poder no Caso da Alexandrina, que receberá misticamente, mas realmente, da mão dum anjo ou do próprio Jesus, a Hóstia consagrada!

Transcrevamos de algum diário:

— Prepara-te, filhinha: ou dar-Me a ti. (...) Repara: desce o Céu sobre ti.

Dou-Me a ti numa Comunhão real, numa Comunhão Eucarística.

Desceu sobre mim a abóbada do céu:

— Que lindo, que lindo! — exclamei eu — Vale a pena, meu Jesus, sofrer e sofrer tudo para possuir o Céu. (...)

Parece-me bem que estendi a língua para receber Jesus.

Ficámos por alguns momentos num silêncio profundo, numa união tão grande. S (30-3-45)

Jesus insiste em afirmar que se trata duma real Comunhão eucarística.

Em 13 de Maio de 49 dirá:

— Vais receber-me em Corpo, Sangue, Divindade, como estou no Céu.

Em 4 de Abril de 47 é Sexta-Feira Santa: Jesus dá-Se-lhe como Viático:

— Minha filha, minha esposa querida, vais agora (apenas terminado o êxtase da Paixão) receber-Me pelas mãos do teu Anjo da Guarda. Vêm ao seu lado S. Miguel Arcanjo e o Anjo S. Gabriel. Atrás deles seguem-nos uma grande multidão deles. Prepara-te: descem do Céu (...)

Inclinou-se para mim o Anjo. Eu estendi-lhe a língua e ele, ao dar-me Jesus, não principiou pelas palavras do costume, mas sim: “Viaticum Corpus Domini nostri Jesu Christi custodiat animam tuam in vidam aeternam” [1]. (...)

Fiquei mergulhada em amor, numa intimidade com Jesus: parecia-me inseparável dele.

— Minha filha, dei-Me a ti em alimento: sou a tua vida. Dei-Me desta forma para mais e melhor mostrar as minhas maravilhas e para mostrar que estou contente com os meus representantes na terra, com a doutrina da minha Igreja. (...) Recebeste-Me como Viático; e é verdade que és enferma e sem um milagre divino não terias resistido à dor: estavas moribunda. S (4-4-47)

Transfusão de sangue, efusão de amor

O fenómeno da Eucaristia real dada misticamente já se tinha verificado com algumas grandes almas muito elevadas na espiritualidade, dotadas duma especial sensibilidade para as realidades celeste. Por exemplo, S. Verónica Giuliani, S. Gema Galgani; e em 1916 Jesus escolheu a pequena Lúcia de Fátima para dar-Se a ela mediante o anjo da guarda.

Mas a Beata Alexandrina recebe ainda um outro alimento para o corpo e para a alma: um conjunto de sangue, vida, amor, sob forma de verdadeira transfusão para o sangue e de efusão para o amor. É a primeira alma mística para quem se efectua tal fenómeno. O próprio Jesus o afirma:

— Vou dar-te a gota do meu divino Sangue, a maior prova do meu infinito amor, a maior de todas as maravilhas, a maravilha única, que tinha destinado de dar à maior vítima da humanidade, a quem confiei a missão mais sublime”. S (13-2-48)

— Que grande graça, que grande prodígio o sangue do Crucificado do Gólgota correr nas veias da maior crucificada da humanidade!

Jesus ia falando — ajunta a Alexandrina — e a gota do seu precioso Sangue passava lentamente.

Que união intima: o seu divino Coração unido ao meu! S (11-6-48)

É importante notar que tal transfusão de sangue não é um facto puramente espiritual, como a efusão de amor. Não, não! É sangue verdadeiro, concreto, que lhe faz dilatar o coração de modo sensível e que deve compensar o sangue que a Alexandrina perde frequentemente, e mesmo durante longos períodos diariamente!

Jesus diz-lhe:

— Dar-te-ei o meu Sangue gota a gota, assim como gota por gota o dás por Mim e pelas almas. S (29-6-45)

 

— Recebe-o antes que percas todo o sangue que tens em tuas veias.

Quero sempre esta mistura: o sangue da vítima deste Calvário (o lugar de Balasar onde vive Alexandrina), da maior vítima da humanidade, com o sangue da Vítima do Gólgota, de Cristo redentor. Assim tens todo o poder e tudo vencerás. S (19-10-45)

No fim do diário de 9 de Novembro de 45 o Dr. Azevedo colocou a seguinte nota:

Há três meses que a doentinha tem diariamente perda de sangue.

— Se o mundo soubesse que é a tua vida! Se ele soubesse o sangue que corre em tuas veias, quereriam tocar teu corpo como foi tocado o meu (...) S (27-12-46)

 

— Recebe a gota do meu divino Sangue: é o remate, é a coroa das minhas maravilhas em ti. É o sangue de Cristo, é o sangue que trouxe do ventre puríssimo de minha Mãe bendita, a girar, a correr em ti, nas tuas veias! S (11-11-49)

O sangue que Jesus lhe transmite tem indubitavelmente o objectivo de sustentá-la, de ajudá-la a não ceder sob o peso dos enormes sofrimentos que deve suportar enquanto alma-vítima:

— Deixa que corra em tuas veias o sangue que te dá a vida; é a vida que te dá força na tua dor, no teu calvário. S (30-4-48)

Mas para o espírito é preciso o amor:

— O sangue dá-te a vida ao corpo, o amor dá-te a vida à alma.

Prodígio maravilhoso! Recebe, enche-te. S (29-4-49)

A efusão de amor é frequentemente evidenciada por luz, ardor, raios luminosos:

Apareceu-me Jesus em direcção a mim. Do seu divino Coração vieram para o meu uns raios luminosos que mo atravessavam como uns punhais. Jesus parecia estar numa nuvem branca (…)

O meu coração satisfazia-se naqueles raios: eram o seu alimento e o bálsamo de toda a dor.

O tempo foi passando e eu mergulhada naquele doce Paraíso. S (23-7-48)

Eram tais e em tão grande número os sofrimentos que eu não podia, sentia-me desfalecer. No meu caminho apareceu-me Jesus (...) Da chaga do seu Sagrado Coração saíam raios brilhantes de fogo que vinham todos para mim.

Levantou a mão, com um dedo apontou para o Céu e disse-me:

— Caminha, que Eu te ajudarei! (...)

Esta chuva acendeu em mim um fogo ardente. A dor e a tristeza desapareceram. Fiquei em luz clara.

— Agora sim, meu Jesus, conheço que sois Vós! (tem sempre temor de que os fenómenos místicos que acontecem nela sejam fruto da sua fantasia: é um dos maiores sofrimentos). S (8-7-49)

Apareceu Jesus e vi que (aqueles raios) saíam do seu divino Coração.

Ele chamou-me e disse-me:

— Minha filha, minha filha, minha amada filha, os raios de fogo que atravessavam o teu coração são raios de amor do teu Jesus. Estes raios levam-te vida, levam-te conforto, paz e luz.

É com esta luz que podes ver quanto necessitas de dar ao teu Esposo Jesus dor, muita dor, com grande reparação.

Os crimes não diminuem, os crimes não deixam de aumentar.

Oh, filha, tantos sacrilégios, tantas iniquidades! S (19-8-49)

— Minha filha, minha filha, venho com o fogo do meu amor aquecer-te o coração, dar-te vida, venho provar-te que estou contigo. S (4-3-50)

É preciso ter presente, todavia, uma coisa essencial: todas as graças que Alexandrina recebe não a têm por fim, mas à missão à que é chamada. Alexandrina deve transmitir à humanidade o amor, a vida de Jesus:

— Leva o meu amor, leva a minha paz. Vai dá-la às almas: criei-te para elas e para elas te fiz poderosa. S (23-4-48)

— Leva o meu divino amor, vai irradiá-lo. Infunde-o nas almas, fá-lo passar nos corações como setas. S (25-3-49)

Vi pelo centro do Coração de Jesus saírem umas chamas de fogo que o irradiavam todo. Perguntei-Lhe:

— Que fogo é esse, Jesus?

— É o fogo do meu divino amor. É o fogo, minha filha, é o amor que Eu, por ti, dou ao mundo, dou às almas.

Espalha-o, espalha-o! S (21-7-50)

Via o seu lado aberto e aberto o seu divino Coração. Dele saía uma chuva de ouro e, em vez de cair para baixo, vinha de encontro ao meu coração. Quanto mais chuva do de Jesus saía, mais o meu se enchia, mais luz possuía, maior fogo me queimava.

— Estou a arder, meu Jesus: bendito sejais por tanto me dardes!

Fazei que eu saiba distribuir como Vos apraz! S (16-6-50)

— Eu sou a ressurreição e a vida (acabara de reviver a Paixão). E tu, à semelhança de Jesus, teu Esposo, és ressurreição e vida de muitas almas, de milhares, milhões e milhões e milhões de almas.

Quando Jesus falava de milhões, parecia que a sua divina voz se espalhava ao longe e que era um nunca acabar, nunca acabar.

E, tomando nas suas mãos sacrossantas o seu divino Coração como se fosse uma custódia cheia de raios dourados, começou a abençoar-me de cima a baixo.

Os raios que dele pendiam atravessaram e penetraram todo o meu ser. Parecia ver-me a mim mesma toda luz, dum lado ao outro. Fiquei como que a arder em fogo.

— Enche-te, minha filha, do que é divino, enche-te do meu amor!

A minha graça e tudo o que é meu há-de transparecer de ti e ver-se em ti como em espelho cristalino. S (23-2-51)

Jesus exprime numa incisiva síntese a missão da Alexandrina:

— Enche-te para encheres,
abrasa-te para abrasares!
S (10-9-48)

A entrega da humanidade

A Alexandrina, na sua tarefa de transmitir às almas o que recebe da Jesus, é apresentada como “mãe da humanidade”, porque a alimenta e a salva.

No êxtase do dia da Imaculada de 1944 está presente também a Mãe, embora seja sexta-feira. Jesus diz:

— Filhinha, amada querida, está comigo a minha bendita Mãe; escuta o que Ela te diz. (…)

— Minha filha, venho com o meu divino Filho fazer-te a entrega da humanidade e fechá-la em teu coração. Ficam as chaves na posse do teu Jesus e da tua querida Mãezinha.

(…) És rainha dos pecadores, és rainha do mundo, escolhida por Jesus e por Maria.

Hoje, dia da minha Imaculada Conceição, fazemos-te a entrega do teu reinado. Principia desde hoje, é teu: guia-o, governa-o e guarda-o. Guarda-o na terra assim como o guardarás e governarás depois nos céus.

Escolhi este dia que em minha honra é guardado, para que em união comigo seja festejado o dia em que te entreguei o reinado da humanidade.

E a Mãezinha continuou:

— Filhinha amada, querida do meu Jesus, recebe a vida de que vives, recebe a vida do Céu, recebe-a e dá-a às almas.  (...)

Recebi novas carícias de Jesus e da Mãezinha, fiz-Lhe a entrega de mim mesma e de todos os que me são queridos e por fim do mundo inteiro, incluindo também os que me fazem sofrer.

Mãezinha, faço-Vos a entrega da humanidade, guardai-a, que é Vossa, salvai-a! Só Vós podeis. S (8-12-44)

Esta maternidade fá-la sofrer muito. Refere-o em várias ocasiões. Por exemplo, cerca de dois meses depois dita no diário:

Tenho que transformar este rochedo: da pedra dura transformá-lo em pedras preciosas, em ouro fino. (...) tenho que o mover, que o desfazer, tenho que fazer dele um mundo belo, agradável para Jesus, de encantos para todo o Céu.

Ó Jesus, vede esta louquinha, vede o martírio que a consome!

Que hei-de fazer pelo mundo? Como hei-de transformá-lo? De que forma hei-de consolar e alegrar o vosso divino Coração? S (15-2-45)

Cerca de um mês depois desafoga a sua dor.

Tenho fome, muita fome das almas. Queria engolir o mundo. Sinto-me cada vez mais mãe dele.

Que loucura a minha por aquilo que é engano, lodo e imundície! (…)

Sou mãe que chora a perda de seus filhos; sou mãe que os não pode ver em tanta desordem, em tanta miséria e crimes.

Ai meu Jesus, o que hei-de fazer? O que posso eu fazer?

Sou mãe que chora lágrimas de sangue que banham toda a humanidade. Não posso resistir a tanta dor, não posso conceder-me trégua: quero salvar o mundo, quero sofrer tudo, quero-lhe dar a vida. (...) S (8-3-45)

(Tirado do livro do casal Signorile, intitulado: “Só por amor!”; cap. 9)



[1] Corpo Viático de Nosso Senhor Jesus Cristo guarde a tua alma para a vida eterna.

sexta-feira, fevereiro 14, 2020

O DR. MANUEL AUGUSTO DIAS DE AZEVEDO


Depois de vos ter falado nas conferências precedentes dos dois directores espirituais da Alexandrina, vou hoje falar-vos do seu médico, a quem Jesus chamou carinhosamente de Cireneu, o Dr. Manuel Augusto Dias de Azevedo.
Aproveito para informar que sobre ele, o meu bom amigo Professor José Ferreira editou uma longa biografia.

Manuel Augusto de Azevedo nasceu em Ribeirão, uma aldeia poucvo distante de Balasar e perto de Famalicão em 21 de Setembro de 1874.
Depois da escola primária ingressou no Seminário de Braga, onde estudou até ao curso de teologia e depois entrou na vida civil. Professou no Colégio de Ermesinde e prestou serviços notáveis na diocese do Porto, nos anos 30.
Retomou os estudos na Universidade de medicina do Porto e obteve o seu diploma, voltando depois para a sua terra natal, onde exerceu até à sua aposentação.
Ali realizou a sua vocação com carinho e amor, reservando um dia por semana aos pobres, que recebia gratuitamente.
Na sua Autobiografia, a Alexandrina dá-nos conta do primeiro encontro com ele:
– Em 29 de Janeiro de 1941, recebi a visita dum Sr. Padre conhecido, acompanhado por várias pessoas da sua freguesia. Apresentou-mas na chegada, mas só depois de conversar muito fiquei a saber que um deles era médico.
É bom saber-se que a Alexandrina tivera até esta data vários médicos, entre os quais sobressai o Dr. Abílio de Carvalho, que foi Governador de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, antes de ser eleito Presidente da Câmara da Póvoa de Varzim, cargo que ocupou até à morte que o colheu ainda novo.
Falando ainda do Dr. Azevedo, a Alexandrina escreveu:
Conservou-se calado e sorridente. Não sei o que sentia intimamente por ele. Mal eu pensava que, dentro em pouco, ele seria meu médico assistente.
Principiou a examinar-me minuciosamente, mas com toda a prudência e carinho. Depois de feito o seu exame, achou conveniente convidar o Sr. Dr. Abel Pacheco e o meu médico assistente naquela altura, que vieram conferenciar a meu respeito.
Foi assim, que em 14 de Fevereiro de 1941, o Dr. Manuel Augusto Dias de Azevedo — médico enviado por Deus — se tornou seu médico assistente, o “médico providencial” da “Doentinha de Balasar” e o será até à morte desta a 13 de Outubro de 1955.
Este médico, homem cultivado e cheio de fé, vai, durante muitos anos defender a Alexandrina e demonstrar que, ao contrário do que alguns pensam, ela não era uma impostora, mas uma verdadeira vítima.
Eis o que escreve o Prof. José Ferreira, na obra citada:
“Impressiona ainda muito mais o que por ela fez em concreto, defendendo-a perante a autoridade eclesiástica, perante médicos especialistas e nas páginas de jornais adversos. E isto levado a cabo por um pai que, com o exercício da sua profissão, tinha de sustentar e formar catorze filhos.”
Para isso, a mais das cartas que escreveu a diversas entidades religiosas e civis, vai provocar o internamento da Alexandrina numa clínica do Porto, para provar cientificamente que o que se passa nela é obra de Deus.
O Dr. Henrique Gomes de Araújo, homem honesto e sábio, mas agnóstico, vai fazer tudo, durante os 40 dias e 40 noites que ela passará na sua clínica, para a destabilizar, o que nunca conseguirá. Por isso mesmo, no fim deste longo internamento publicará um documento importante onde confessa que a ciência é incapaz de compreender e explicar o caso da Alexandrina que não come nem bebe, alimentando-se apenas da Eucaristia e vivendo, todas as sextas-feiras a Paixão do Senhor.
Mas, sobre o Dr. Gomes de Araújo, falarei noutra conferência a ele consagrada.
Várias vezes, nos escritos da Alexandrina, encontramos pequenas mensagens dirigidas por Jesus ao médico, o “Bom samaritano”.
No dia 27 de Março de 1942, podemos ler nos Sentimentos da alma:

― Minha filha, todas as minhas graças e todo o meu amor se estendem sobre o Cireneu que te auxilia e sobre todos os seus descendentes até ao fim.
E estas palavras tão ternas, no dia 3 de Outubro de 1942:
— Diz ao teu médico, diz a essa grande alma, diz a esse infundidor da minha divina luz e amor nos corações, que o amo com todo o amor, e tanto mais o amarei quanto mais ele cuidar de mim e da minha causa. A obra é de Deus, e Deus sempre triunfará.
É também ao Médico que Jesus vai pedir para que intervenha junto do Arcebispo de Braga, como se pode ler nos escritos datados de 5 de Setembro de 1942:
— Jesus pede ao médico da sua crucificada para que ele peça ao Senhor Arcebispo que faça que a sua causa triunfe, que faça que o mundo seja consagrado ao Imaculado Coração da Virgem-Mãe.
Não seria possível citar aqui todas as mensagens dirigidas por Jesus ao bom médico, por serem muito numerosas.
Todavia, antes de terminar, penso que esta outra citação tem aqui o seu lugar e demonstra uma vez mais, se isso fosse necessário, o amor e o carinho de Jesus para com o Dr. Azevedo. Ouçamos estas com data de 7 de Novembro de 1942:
— Diz, diz, minha filha, ao teu médico, não posso deixar de ter para com ele as maiores provas de amor por ter sido o amparo, o braço firme da causa divina em momentos que os homens tentaram destruir.
O Dr. Azevedo foi uma das 48 testemunhas que prestaram declarações a quando do Processo diocesano.
O seu testemunho é longo, mas muito instrutivo. O médico aí revela uma vez mais o seu carinho para com a Alexandrina de demonstra o conhecimento perfeito que tinha da vida da sua “Doente”.
Infelizmente, não teve a felicidade, aqui na terra, de assistir à glorificação da Alexandrina, visto ter falecido em 20 de Dezembro de 1971, com 77 anos de idade.
No Céu, e na companhia dela, terá certamente assistido à Beatificação que ocorreu em 25 de Abril de 2004, 33 anos depois do seu nascimento ao Céu.
Afonso Rocha