Mostrar mensagens com a etiqueta Junto do altar do Coração de Jesus. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Junto do altar do Coração de Jesus. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, junho 18, 2013

FAZER A VONTADE DE NOSSO SENHOR...

UM DIA DO DIÁRIO DA BEATA ALEXANDRINA...


19 de Junho de 1953 – Sexta-feira

A minha natureza, o meu pobre corpo vai falhando, falhando, vai desfalecendo. Sinto até que nem corpo tenho. Sou um sopro, que tem vida e nada mais. Reina a dor, a dor aguda que me mói todo o ser. Mas este sopro tem uma vida, tem um eco que parece ecoar no mundo, penetrar nele todo até nos rochedos, até ecoar no Céu e morrer no Céu. Eu não vivo. Nada disto é meu. Dizer o que sofro, exprimir o que sofro é impossível. Tenho a necessidade de expandir-me, de saber exprimir-me e gravar bem aos olhares de todos o que é a dor e quanto custa a dor. Não posso. Não sei. Foi tal a ignorância, foi tal a cegueira que me envolveu que até parece que nunca vi e que nada soube compreender e raciocinar. São tão grandes os segredos da minha dor, são incompreensíveis. Meu Deus! Meu Deus, que tormento o da minha vida. Duvido de tudo. Eu nada me acredito. Como hei-de acreditar os outros? Eu não quero enganar-me, nem enganar ninguém. Esta é a pura verdade apesar de sentir que até nisto minto. As minhas ânsias são tão grandes, tão grandes, são infinitas!... São tão grandes como Deus. Digo minhas, mas são d’Ele, pois só Ele é infinito. Esta grandiosidade não é da terra. São ânsias de me dar, dar e consumir em amor. São ânsias de pegar no mundo numa mão fechada e introduzi-lo todo no Coração do meu Jesus. por maior que seja o meu desfalecimento, a minha prostração, o motor que tenho dentro do peito não deixa de trabalhar. É motor a vapor. Não há nada que o possa matar. É grande, muito grande, é indizível a minha humilhação. Com a aproximação do povo, sem fugir à cruz, sem deixar de fazer a vontade de Nosso Senhor, eu gostava de me encobrir debaixo da terra sem ver ninguém, até mesmo a luz do dia. Como não quero outra coisa, a não ser a vontade santíssima de Jesus, submeto-me a tudo, tudo sofro pelas almas.

Duas noites seguidas, inesperadamente, sentia e ouvia choros e gemidos na minha alma. Tormentosa agonia! É impossível dizer quanto me custou este tormento. O que será, meu Jesus? Sou a Vossa vítima, seja o que for. O dia de ontem foi muito tormentoso. Duro horto! Foi horto de lágrimas e de profunda dor. Não foi mais que o rochedo sobre a terra. Não quis saber, não quis compreender o que era o horto, não quis viver dele, nem aproveitar-me dele. A agonia foi para Jesus. Hoje a viagem do calvário assemelhou-se ao horto. Sabia que alguma coisa de misterioso havia, mas fugi sempre à luz, sempre à verdade. Fechei os olhos a tudo, enquanto o coração e a alma morriam de dor. No tempo da agonia da cruz foi tal a aflição que senti no corpo que me parecia, ou melhor, sentia que o coração vinha a todas as veias do corpo apanhar todo o sangue que elas continham, para o derramar e regar a cruz. Uma agonia indizível da alma e um tormento indizível do corpo me levavam a dar a vida. Expirei no maior abandono. Não tive a companhia de Jesus. bem depressa Ele veio a dar-me a Sua vida para eu viver e falou-me assim:

— “Desceu do Céu, veio nas nuvens Jesus para o coração da Sua esposa. Veio Jesus. O que veio Ele fazer? Estai atentos, estai atentos. Vem chamar-vos, vem convidar-vos a entrar no Seu Divino Coração. Desceu do Céu, veio nas nuvens Jesus e fala-vos do coração da vítima deste Calvário. Que vos há-de dizer Jesus? Diz que vos ama, ama, ama e quer o vosso amor, todo o vosso amor. Escutai, escutai. Aceitai o meu convite. Vinde ao meu Divino Coração. Sois meus filhos. Sois meus filhos. Atendei, atendei ao Pai que vos convida. Deixai a terra, deixai o mundo. Pensai no Céu, vivei para o Céu. Estou triste, muito triste. Há tantas almas, tantas almas que deviam ser mais minhas, unirem-se só a Mim, pensarem só em Mim. Prenderam-se a tudo, ambicionam tudo, menos o que é meu, menos a Mim mesmo. Chama-vos o Senhor, filhos meus, filhos meus. É grave a hora, é grave a hora! Avante, avante, minha filhinha, esposa minha. Falo em ti e não para ti. Não tenho mais a pedir-te nem tu mais para me dar. Peço-te a mesma imolação. As almas, as almas!... Continua, continua a tua missão encantadora. Continua, continua a tua missão de salvação.”

— Ó Jesus, ó Jesus, ai o que eu sou! Continuo com as minhas maldades, continuo a ofender-Vos. Quero a perfeição e não a tenho. Quero amor e não o tenho, e a Vossa graça, a Vossa graça, meu Jesus, parece que a perdi. Não sei como, Senhor, continuar a minha missão! Levai-me para onde quiserdes. Eu não posso caminhar. Eu estou pronta, Senhor, pronta a seguir-Vos, pronta a sofrer, pronta a fazer a Vossa divina vontade.

— “Fala, minha filha, fala às almas. Estou sempre no teu coração a falar pelos teus lábios. Se não fossem as tuas faltas, viam-me a Mim e não a ti. Viam a minha grandeza e não a tua pequenez. Quero a conversão do mundo. Quero as almas para Mim. Calvário glorioso! Portugal, ditoso Portugal! É o Portugal das predilecções de Jesus e de Maria. É o Portugal dos encantos do Céu, dos encantos da Trindade Divina.”

— Ó Jesus, já há duas noites, tantas vezes a minha alma chora. Sinto em mim tantos suspiros e não sei o que é.

— “São suspiros, são suspiros meus, florinha eucarística, esposa amada. Choro com os pecados do mundo. Choro com as ofensas daquelas almas, daquelas almas que tu bem sabes. Se tu visses quanto eu choro!... Os crimes com que sou ofendido!... Se tu visses quanto eu suspiro, as maldades daquelas almas que Eu escolhi para Mim, morrias de dor, morrias de dor, e hás-de morrer de amor.”

— Sou a Vossa vítima, Jesus. Sempre a Vossa vítima. Não as condeneis ao inferno. Esperai, esperai até que se convertam. Perdoai-lhes, perdoai-lhes. Imolai-me a mim, sempre.

— “Vem receber a gota do meu Divino Sangue. Os nossos corações uniram-se. A gotinha do Sangue passou com efusões e efusões de amor. Maravilha! Maravilha! Vives a vida do Sangue de Cristo. Vives a vida de Cristo. És a vítima de Cristo. Dá às almas este amor, dá às almas esta vida. És das almas. Dá-te às almas. És de Jesus. Vais para Jesus. Ditosas, ditosas todas as minhas ovelhinhas que se abeiram de ti. O Céu é para elas.”

Jesus, não Vos separeis de mim. Ficai sempre a ser a minha força. Lembro-Vos os que me são queridos. À frente, Jesus, sempre a minha primeira intenção, as minhas intenções. Lembro-Vos a todos os que me pedem orações. Lembro-Vos essa qualidade de almas de que me falais. Lembro-Vos o mundo inteiro, meu Jesus.

— “Pede tudo, pede sempre, filha querida. O Céu atende, o Céu cede às tuas preces. Fica na tua cruz. Ficai na vossa cruz. Fica no teu calvário. Ficai no vosso calvário. Ditosos, ditosos aqueles que vos auxiliam, suavizam a vossa dor. Alegra-te, alegra-te. Coragem, coragem! Jesus está contigo. Jesus está convosco.”


— Obrigada, Jesus. Obrigada, Jesus. O meu eterno obrigada. Confio em Vós.

quarta-feira, outubro 10, 2012

ALEXANDRINA E A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL


GRANDES COISAS

PREFÁCIO

Muito perto do princípio das suas comunicações com a Beata Alexandrina, garantiu Jesus que faria nela “grandes coisas”:
Manda dizer ao teu Pai Espiritual que te vou modelando e preparando para coisas mais sublimes. (11 de Outubro de 1934)
Hei-de fazer em ti grandes coisas. (1º sábado de Dezembro de 1934)
Por isso, os seus apaixonados estudam-na com dedicação porque sabem que a sua vida e obra são um mundo de maravilhas.
O nosso amigo Afonso Rocha, o zeloso webmaster do Site dos amigos da Beata Alexandrina, é um desses apaixonados de longa data. Abalançou-se agora a abordar um tema com aspectos potencialmente polémicos, o da relação da Beata Alexandrina com a Segunda Guerra Mundial (tema que aliás já há-de ter merecido as atenções de Francis Johnston no seu opúsculo The Miracle of Alexandrina, editado pelo Exército Azul); o Afonso Rocha situa-o num contexto teológico um pouco alargado, o que é muito positivo.
O aspecto eventualmente polémico tem directamente a ver com o modo como Jesus se dirige à Alexandrina, quando está em causa a guerra, pois quando não está ver-se-á que tudo muda.
Sem querer substituir-me ao autor, parece não haver dúvida que aquelas mensagens são sobretudo para nós e para as gerações futuras, pois os contemporâneos da Alexandrina não as conheceram nem podiam conhecer.
Quem ali fala é o mesmo Jesus que um dia dirá à Mártir do Calvário que gostaria de se ajoelhar frente a cada homem para lhe pedir amor; e o mesmo que numa parábola do Evangelho de S. Mateus afasta de Si os condenados increpando-os:
Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo éter-no, que está preparado para o diabo e para os seus anjos!
O mundo pecador que a Alexandrina então representa tem em si o germe da condenação e por isso é potencialmente maldito; daí certamente o tom condenatório bem próximo do daquela parábola.
Entre os estudiosos da Beata de Balasar, à parte os padres Pinho e Humberto, tem havido falta de teólogos; eles poderão acaso descobrir aqui perspectivas mais profundas e inovadoras. Até lá, fiquemos com este elaborado trabalho do nosso amigo.
Parabéns, Afonso Rocha!
J. Ferreira

DISPONÍVEL AQUI :