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segunda-feira, maio 17, 2021

O QUE SÃO ESTES ABALOS QUE SINTO?

Os abalos das nações ao terminar a sua guerra


Nesta manhã, na visita de Jesus ao meu coração, como me sentia mais intimamente unida a Ele, atrevi-me a dizer-Lhe:

— Dizei-me, meu Jesus, se não Vos desgosto, o que significam os abalos e sobressaltos que me tendes feito sentir.

— Não, minha filha, não me desgostas, pergunta-me o que quiseres. Os abalos significam os abalos das nações ao terminar a sua guerra de ambições a expirarem no seu mau proceder. És vítima delas e serás até ao fim. Por ti e minha Bendita Mãe elas receberam a paz. Que abalos sentiram os seus governantes! Preferiram a morte à humilhação. Os sobressaltos dizem-te respeito e à minha divina causa. Faço-te sentir o que sentem os inimigos e amigos dela. Os inimigos sentem em si revolta, remorsos, não querem ceder, não sabem o que fazer. Os amigos sofrem por te verem sofrer sem te poderem valer. Mas ditosos deles que os associei à tua dor, associei-os ao teu martírio, porque os amo. Serão exaltados e glorificados comigo. Os inimigos serão esmagados pelo peso da humilhação, como Satanás o foi pelo poder da minha Bendita Mãe. Coragem, coragem, coragem! Do cimo do calvário, do alto da cruz, passas ao céu. Anima-te, a glória é minha, o proveito é das almas.

— Assim seja, meu Jesus. Aqui me tendes pronta para sofrer, pronta para dar a vida. Em tudo vejo o Vosso divino amor e a salvação das almas. (Alexandrina Maria da Costa: 17-05-1945)

terça-feira, abril 21, 2015

JESUS, AGORA NÃO QUERIA DEIXAR-VOS

24 de Abril de 1953 – Sexta-feira


Sinto-me ora de joelhos implorando, ora correndo, louca pela humanidade, de mãos postas, no mesmo brado a implorar sempre, a querer não sei quê, mas sinto que quem implora não sou eu, e este querer meu não é também; parece-me que é o querer de Jesus, que é Ele que me leva, que me dá impulsos fortíssimos, até impulsos infinitos de pedir a todas as almas para virem ao Seu divino Coração. Jesus quer, e a Sua ansiedade divina não me deixa sossegar. Ai de mim! Jesus quer, e eu também quero dar-Lhe as almas, dar-Lhe o mundo inteiro. Mas não passo além dos desejos, além desta ansiedade. Que tormento, que angústia para a minha alma. Não sou nada e nada dou. Sofro tanto, tanto, e a inutilidade tudo me rouba. Jesus e as almas nada recebem de mim. Sinto a fadiga, o cansaço, como se pudesse correr o mundo inteiro a cada momento. Tudo isto à conquista das almas. Parece que nada adianta este meu tormento. É tal a minha pobreza, que empobreço a todos, rouba-me a mim mesma. Não digo o que se passa em mim, porque não sei. É indizível tal ignorância, são indizíveis tais sofrimentos. Queria abraçar o mundo, trazer num molho todas as almas para Jesus e ao mesmo tempo quero fugir delas; queria esconder-me num ermo, num lugar solitário onde não pudesse ser vista nem falar a ninguém. Ai o meu calvário, ai o meu calvário! Que pavor ver-me assim visitada! Jesus me perdoe o grande número das minhas faltas. Nem sempre tenho paciência nem caridade. A vontade está pronta para abraçar a cruz do Senhor, mas a natureza é tão fraca! Eu sem a dor não saberia viver, sou louca por ela. Ou sofrer, ou morrer, meu Jesus! Bem sabeis que não sei sofrer, mas que anseio toda a perfeição para Vos consolar. Não sei que sinto que não me deixa sossegar. Parece que tudo vem contra mim. Que revolta, meu Deus, que revolta, que humilhações que me esmagam. Será algum sofrimento de novo que vai surgir, ou é mais uma parcela da Vossa cruz? Seja feita a Vossa divina vontade. Jesus, sou a Vossa vítima.
Ontem a visão do Calvário levou-me ao Horto. Eu era uma bola a ser esmagada por um e outro. Ali agonizava e dava a vida. Ali tinha a vida da terra, de todo o pecado, de toda a podridão. E, como por um canal, estava ligada ao Céu e tinha a mesma vida do Pai. Passei a noite unida a Jesus nos sacrários, unida a Jesus na prisão. Sofri em silêncio com Ele. Segui hoje para o Calvário, triste, mais triste que a noite e a morte. Eu caminhei porque alguém caminhava em mim. Fui arrastada e barbaramente chicoteada, porque Jesus todos estes sofrimentos sofria. Ele, em tamanho natural, com a cruz aos ombros, cabia e caminhava dentro do meu peito. Como sangrava a Sua sacrossanta cabeça! Meu Deus, como caíam a meus pés as Suas carnes santíssimas retalhadas! E eu, em impulsos raivosos, cega e louca, esmagava-as aos pés sem dó nem piedade. Jesus ia expirando alagado em suores frios, ao terminar da montanha. Ai quanto sofreu Jesus com os meus pecados! Quanto Ele sofreu por nosso amor. Se eu pudesse e soubesse fazer compreender isto! No alto do Calvário continuo o meu sofrimento, a minha agonia indizível, acompanhada duma esmagadora humilhação. Acompanhavam-me numerosas pessoas que sem querer aumentavam o martírio do meu calvário. Se não fosse Jesus, se não fossem as almas, recusava-me a tudo. Sentia como se o meu coração estivesse preso por fortes argolas e cadeias a um mundo de rochedo. Estas argolas e cadeias não eram de ferro, mas sim de amor. Vinham do Coração divino de Jesus. Ele não podia desligar-se de nós. Que amor, que loucura de amor, que amor infinito! Ele expirou e eu com Ele. Prolongou-se por bastante tempo este silêncio mortal. Jesus demorou-se a dar-me novamente a vida. Quando me fez ressuscitar, falou-me assim:
— Ouvi a voz de Jesus sumida e quebrantada com o peso dos crimes da pobre humanidade! Jesus sofre através das suas vítimas. Jesus imola, noite e dia, a vítima deste calvário. É o amor, só o amor que leva Jesus a esta imolação. Quero salvar o mundo, quero salvar os filhos meus. Vê, minha filha, repara bem: um mar imenso de sangue que sai do meu divino Coração!...
— Ó Jesus, ó Jesus, parece que me afogo. Queria aparar o Vosso Sangue divino. Eu não queria que ele caísse e não o posso nem sei aparar. Que fazer, meu Jesus? Eu nada posso! Aceitai o meu pobre coração, pobrezinho como é. Vós tudo podeis. Nada Vos é impossível. Fazei que este mar de sangue possa ser encerrado todo dentro do meu. Se assim for, Jesus, e eu for calcada por toda a humanidade, é o meu coração que sofre e não é pisado o Vosso Sangue divino. Sofrer, Jesus, eu sempre, eu, mas que o Vosso Sangue divino esteja resguardado, Jesus, para não ser calcado por pés imundos, por pés criminosos, meu Amor.
— Desapareceu o Sangue, minha filha; foram os teus desejos, foram as tuas ânsias. Não é calcado o Sangue que o meu divino Coração derramou. Tudo em ti me consola. Toda a tua vida me desagrava. Sabes bem, minha filha, já te tenho dito, mostro-me sofredor para ser por ti consolado. Mostro-me sofredor para ser por ti reparado. Mostro-me sofredor para te levar mais e mais à compaixão por Mim. Sofre, sofre! Dá-me a tua dor. É Jesus, é o Mendigo do amor e da dor a pedir-te, a pedir-te sempre. Sofre, sofre, para aplacar a justiça do meu Pai. Ama-me, ama-me e faz que eu seja amado. Não duvides, minha filha, não duvides. A tua vida, toda a tua vida é a cópia mais fiel, mais exacta de Jesus crucificado. A tua missão é árdua, a mais árdua, mas a mais sublime. As almas, as almas custaram e custam dor e sangue. Os pecadores não querem converter-se. O mundo corre para um abismo de perdição. Eu, que tudo vi e vejo, lancei e lanço mãos à obra. Coragem, coragem! Continua a mesma obra de salvação. Que mar de crimes, que mar de crimes!... As ondas dos vícios tocam no Céu a desafiar a justiça do meu Pai. Coragem, escora firme, coragem, farol de luz luminosa. Coragem, florinha eucarística, coragem na tua missão. Fala de Mim às almas. Diz-lhes as minhas queixas. Fala de Mim ao mundo, diz-lhe que o quero salvar.
— Ó Jesus, Jesus, eu não sei dizer nada e nada sei sofrer. Queria ir para o Céu. Jesus, parece-me que não posso mais. Só a vontade está louca por mais e mais sofrer, mas a minha pobre natureza sente-se sucumbida. As humilhações esmagam-me. Só vejo em mim miséria e sou a causa de tantas misérias. Se Vós ao menos, meu Jesus, me repreendêsseis na Vossa sabedoria, esclarecêsseis as minhas faltas, não sentia tanto a humilhação.
— Confia, minha filha, tudo é por Mim, é para Mim. Jesus não mente, Jesus não mente. Não posso dizer aquilo que tu não fazes. As tuas faltas são próprias dos justos, dos meus eleitos. O teu céu está perto. Conservo-te neste calvário só por amor à humanidade. Anseias por Mim: Eu anseio por ti. O Céu está perto. Vem receber a gota do meu divino Sangue. Uniram-se os nossos corações e a gotinha do Sangue passou. Levou a vida necessária ao teu corpo e à tua alma. Nova vida para mais e mais sofreres, para mais e mais amares. Vai em paz! Fica na cruz! Dá a minha paz! Distribui o meu amor, distribui as minhas graças. Felizes, ditosos os que as recebem!
— Jesus, agora não queria deixar-Vos. Tenho mais força e tenho mais luz. Obedeço, mas antes disso lembro-Vos como sempre todos os que me são queridos, com as minhas primeiras intenções, todas as minhas intenções, com a humanidade inteira. Salvai a todos, meu Jesus! Perdoai a todos!
— Vai em paz! Vai em paz! Vai em paz e confia!

— Obrigada, Jesus, obrigada, Jesus. O meu eterno obrigada!

quinta-feira, abril 09, 2015

EU SEREI A TUA FORÇA

Balasar, 6 de Janeiro de 1939

Viva Jesus


Vou ver se consigo ditar algumas palavras depois da minha paixão. Hoje foi muito dolorosa. Por várias vezes Nosso Senhor me disse que era a minha força porque, eu, me sentia desfalecida.
Antes de principiar a paixão, Nosso senhor disse-me: "Tens coragem, meu encanto? Eu serei a tua força, o teu Cireneu ajudar-te-á de longe como se estivesse perto. Faz, meu amor, o que o teu Jesus agora não pode fazer, mas é o que os pecadores renovam com os seus pecados."
A minha alma está muito atribulada. Tenho tantos momentos que me parece não poder mais: tremendas dúvidas me afligem. Eu tenho nojo de mim. Sinto-me abandonada de todos, mas conheço bem que todos me deviam deixar e fugir espavoridos de mim.
Anseio por o dia que o meu Paizinho me possa dar um pouco de conforto.
O que será de mim daqui até lá! Nosso Senhor continua a enviar-me miminhos. São para Lhe tornar a oferecer, mas custam-me tanto!
Ontem tive aqui o Senhor Cónego Vilar, vinha do mando da Santa Sé.
O meu Paizinho já sabe? Mesmo sem ele me dizer nada, pensei e não me enganei, ao que ele vinha. Falou muito bem. Gostei muito dele. Parecia-me um santinho. Não deixou, com tudo isto, de me custar imenso. Fez-me várias perguntas que a tudo respondi, como sabia. Como ele não trazia cartão nenhum do meu Paizinho, já tinha dúvidas se procederia mal. Se fiz mal, peço desde já que me perdoe. Bem sabe que em nada lhe quero desobedecer. Se fosse outro Senhor Padre qualquer, que não viesse mandado como ele veio, claro está, que lhe não dizia nada.
Ele disse-me que talvez cá voltasse e hoje, o nosso senhor Abade, quando me veio trazer Nosso Senhor, disse-me que o Senhor Cónego Vilar talvez cá viesse na próxima sexta-feira, se pudesse. Ainda bem que o meu Paizinho está aqui na freguesia.
Não lhe mando nada do que Nosso Senhor me tem dito. Quando o meu Paizinho vier, cá encontrará tudo.
Só na passada terça-feira é que me não falou. Tenho-me sentido abatida, que faria se Nosso Senhor me não falasse, como me tem falado. Ele conhece tudo, sabe tudo, e se me não deitasse a mão, estava sempre caída. Pobre Jesus que é por mim tão mal servido! Preocupa-me tanto isto!
Lembranças aos Senhores Padres que aqui vierem.
Por Caridade, peça muito, muito por mim. Lembranças da minha mãe, da Deolinda e da Sãozinha.
Abençoe, por caridade, a pobre

Alexandrina.

terça-feira, junho 18, 2013

FAZER A VONTADE DE NOSSO SENHOR...

UM DIA DO DIÁRIO DA BEATA ALEXANDRINA...


19 de Junho de 1953 – Sexta-feira

A minha natureza, o meu pobre corpo vai falhando, falhando, vai desfalecendo. Sinto até que nem corpo tenho. Sou um sopro, que tem vida e nada mais. Reina a dor, a dor aguda que me mói todo o ser. Mas este sopro tem uma vida, tem um eco que parece ecoar no mundo, penetrar nele todo até nos rochedos, até ecoar no Céu e morrer no Céu. Eu não vivo. Nada disto é meu. Dizer o que sofro, exprimir o que sofro é impossível. Tenho a necessidade de expandir-me, de saber exprimir-me e gravar bem aos olhares de todos o que é a dor e quanto custa a dor. Não posso. Não sei. Foi tal a ignorância, foi tal a cegueira que me envolveu que até parece que nunca vi e que nada soube compreender e raciocinar. São tão grandes os segredos da minha dor, são incompreensíveis. Meu Deus! Meu Deus, que tormento o da minha vida. Duvido de tudo. Eu nada me acredito. Como hei-de acreditar os outros? Eu não quero enganar-me, nem enganar ninguém. Esta é a pura verdade apesar de sentir que até nisto minto. As minhas ânsias são tão grandes, tão grandes, são infinitas!... São tão grandes como Deus. Digo minhas, mas são d’Ele, pois só Ele é infinito. Esta grandiosidade não é da terra. São ânsias de me dar, dar e consumir em amor. São ânsias de pegar no mundo numa mão fechada e introduzi-lo todo no Coração do meu Jesus. por maior que seja o meu desfalecimento, a minha prostração, o motor que tenho dentro do peito não deixa de trabalhar. É motor a vapor. Não há nada que o possa matar. É grande, muito grande, é indizível a minha humilhação. Com a aproximação do povo, sem fugir à cruz, sem deixar de fazer a vontade de Nosso Senhor, eu gostava de me encobrir debaixo da terra sem ver ninguém, até mesmo a luz do dia. Como não quero outra coisa, a não ser a vontade santíssima de Jesus, submeto-me a tudo, tudo sofro pelas almas.

Duas noites seguidas, inesperadamente, sentia e ouvia choros e gemidos na minha alma. Tormentosa agonia! É impossível dizer quanto me custou este tormento. O que será, meu Jesus? Sou a Vossa vítima, seja o que for. O dia de ontem foi muito tormentoso. Duro horto! Foi horto de lágrimas e de profunda dor. Não foi mais que o rochedo sobre a terra. Não quis saber, não quis compreender o que era o horto, não quis viver dele, nem aproveitar-me dele. A agonia foi para Jesus. Hoje a viagem do calvário assemelhou-se ao horto. Sabia que alguma coisa de misterioso havia, mas fugi sempre à luz, sempre à verdade. Fechei os olhos a tudo, enquanto o coração e a alma morriam de dor. No tempo da agonia da cruz foi tal a aflição que senti no corpo que me parecia, ou melhor, sentia que o coração vinha a todas as veias do corpo apanhar todo o sangue que elas continham, para o derramar e regar a cruz. Uma agonia indizível da alma e um tormento indizível do corpo me levavam a dar a vida. Expirei no maior abandono. Não tive a companhia de Jesus. bem depressa Ele veio a dar-me a Sua vida para eu viver e falou-me assim:

— “Desceu do Céu, veio nas nuvens Jesus para o coração da Sua esposa. Veio Jesus. O que veio Ele fazer? Estai atentos, estai atentos. Vem chamar-vos, vem convidar-vos a entrar no Seu Divino Coração. Desceu do Céu, veio nas nuvens Jesus e fala-vos do coração da vítima deste Calvário. Que vos há-de dizer Jesus? Diz que vos ama, ama, ama e quer o vosso amor, todo o vosso amor. Escutai, escutai. Aceitai o meu convite. Vinde ao meu Divino Coração. Sois meus filhos. Sois meus filhos. Atendei, atendei ao Pai que vos convida. Deixai a terra, deixai o mundo. Pensai no Céu, vivei para o Céu. Estou triste, muito triste. Há tantas almas, tantas almas que deviam ser mais minhas, unirem-se só a Mim, pensarem só em Mim. Prenderam-se a tudo, ambicionam tudo, menos o que é meu, menos a Mim mesmo. Chama-vos o Senhor, filhos meus, filhos meus. É grave a hora, é grave a hora! Avante, avante, minha filhinha, esposa minha. Falo em ti e não para ti. Não tenho mais a pedir-te nem tu mais para me dar. Peço-te a mesma imolação. As almas, as almas!... Continua, continua a tua missão encantadora. Continua, continua a tua missão de salvação.”

— Ó Jesus, ó Jesus, ai o que eu sou! Continuo com as minhas maldades, continuo a ofender-Vos. Quero a perfeição e não a tenho. Quero amor e não o tenho, e a Vossa graça, a Vossa graça, meu Jesus, parece que a perdi. Não sei como, Senhor, continuar a minha missão! Levai-me para onde quiserdes. Eu não posso caminhar. Eu estou pronta, Senhor, pronta a seguir-Vos, pronta a sofrer, pronta a fazer a Vossa divina vontade.

— “Fala, minha filha, fala às almas. Estou sempre no teu coração a falar pelos teus lábios. Se não fossem as tuas faltas, viam-me a Mim e não a ti. Viam a minha grandeza e não a tua pequenez. Quero a conversão do mundo. Quero as almas para Mim. Calvário glorioso! Portugal, ditoso Portugal! É o Portugal das predilecções de Jesus e de Maria. É o Portugal dos encantos do Céu, dos encantos da Trindade Divina.”

— Ó Jesus, já há duas noites, tantas vezes a minha alma chora. Sinto em mim tantos suspiros e não sei o que é.

— “São suspiros, são suspiros meus, florinha eucarística, esposa amada. Choro com os pecados do mundo. Choro com as ofensas daquelas almas, daquelas almas que tu bem sabes. Se tu visses quanto eu choro!... Os crimes com que sou ofendido!... Se tu visses quanto eu suspiro, as maldades daquelas almas que Eu escolhi para Mim, morrias de dor, morrias de dor, e hás-de morrer de amor.”

— Sou a Vossa vítima, Jesus. Sempre a Vossa vítima. Não as condeneis ao inferno. Esperai, esperai até que se convertam. Perdoai-lhes, perdoai-lhes. Imolai-me a mim, sempre.

— “Vem receber a gota do meu Divino Sangue. Os nossos corações uniram-se. A gotinha do Sangue passou com efusões e efusões de amor. Maravilha! Maravilha! Vives a vida do Sangue de Cristo. Vives a vida de Cristo. És a vítima de Cristo. Dá às almas este amor, dá às almas esta vida. És das almas. Dá-te às almas. És de Jesus. Vais para Jesus. Ditosas, ditosas todas as minhas ovelhinhas que se abeiram de ti. O Céu é para elas.”

Jesus, não Vos separeis de mim. Ficai sempre a ser a minha força. Lembro-Vos os que me são queridos. À frente, Jesus, sempre a minha primeira intenção, as minhas intenções. Lembro-Vos a todos os que me pedem orações. Lembro-Vos essa qualidade de almas de que me falais. Lembro-Vos o mundo inteiro, meu Jesus.

— “Pede tudo, pede sempre, filha querida. O Céu atende, o Céu cede às tuas preces. Fica na tua cruz. Ficai na vossa cruz. Fica no teu calvário. Ficai no vosso calvário. Ditosos, ditosos aqueles que vos auxiliam, suavizam a vossa dor. Alegra-te, alegra-te. Coragem, coragem! Jesus está contigo. Jesus está convosco.”


— Obrigada, Jesus. Obrigada, Jesus. O meu eterno obrigada. Confio em Vós.

quarta-feira, outubro 10, 2012

ALEXANDRINA E A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL


GRANDES COISAS

PREFÁCIO

Muito perto do princípio das suas comunicações com a Beata Alexandrina, garantiu Jesus que faria nela “grandes coisas”:
Manda dizer ao teu Pai Espiritual que te vou modelando e preparando para coisas mais sublimes. (11 de Outubro de 1934)
Hei-de fazer em ti grandes coisas. (1º sábado de Dezembro de 1934)
Por isso, os seus apaixonados estudam-na com dedicação porque sabem que a sua vida e obra são um mundo de maravilhas.
O nosso amigo Afonso Rocha, o zeloso webmaster do Site dos amigos da Beata Alexandrina, é um desses apaixonados de longa data. Abalançou-se agora a abordar um tema com aspectos potencialmente polémicos, o da relação da Beata Alexandrina com a Segunda Guerra Mundial (tema que aliás já há-de ter merecido as atenções de Francis Johnston no seu opúsculo The Miracle of Alexandrina, editado pelo Exército Azul); o Afonso Rocha situa-o num contexto teológico um pouco alargado, o que é muito positivo.
O aspecto eventualmente polémico tem directamente a ver com o modo como Jesus se dirige à Alexandrina, quando está em causa a guerra, pois quando não está ver-se-á que tudo muda.
Sem querer substituir-me ao autor, parece não haver dúvida que aquelas mensagens são sobretudo para nós e para as gerações futuras, pois os contemporâneos da Alexandrina não as conheceram nem podiam conhecer.
Quem ali fala é o mesmo Jesus que um dia dirá à Mártir do Calvário que gostaria de se ajoelhar frente a cada homem para lhe pedir amor; e o mesmo que numa parábola do Evangelho de S. Mateus afasta de Si os condenados increpando-os:
Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo éter-no, que está preparado para o diabo e para os seus anjos!
O mundo pecador que a Alexandrina então representa tem em si o germe da condenação e por isso é potencialmente maldito; daí certamente o tom condenatório bem próximo do daquela parábola.
Entre os estudiosos da Beata de Balasar, à parte os padres Pinho e Humberto, tem havido falta de teólogos; eles poderão acaso descobrir aqui perspectivas mais profundas e inovadoras. Até lá, fiquemos com este elaborado trabalho do nosso amigo.
Parabéns, Afonso Rocha!
J. Ferreira

DISPONÍVEL AQUI :

JUNTO DO ALTAR DO CORAÇÃO DE JESUS


Introdução

A primeira referência ao Sagrado Coração de Jesus que encontramos nos escritos da Alexandrina, encontramo-la na sua Autobiografia, quando ela nos conta como aconteceu a sua primeira confissão geral, em Gondifelos a Frei Manuel das Chagas. Ela no-la descreve com a sua simplicidade habitual:

«Foi aos nove anos que fiz pela primeira vez a minha confissão geral e foi com o Sr. Padre Manuel das Chagas. Fomos, a Deolinda, eu e a minha prima Olívia, a Gondifelos, onde Sua Reverência se encontrava, e lá nos confessámos todas três. Levámos merenda e ficámos para a tarde, à espera do sermão. Esperámos algumas horas e recorda-me que não saímos da igreja para brincar. Tomámos nosso lugar junto do altar do Sagrado Coração de Jesus e eu pus os meus soquinhos dentro das grades do altar. A pregação dessa tarde foi sobre o inferno. Escutei com muita atenção todas as palavras de Sua Reverência, mas, a certa altura, ele convidou-nos a ir ao inferno em espírito. Para mim mesma disse: “Ao inferno é que eu não vou! Quando todos se dirigirem para lá, eu vou-me embora”, e tratei de pegar nos soquinhos. Como não vi ninguém sair, fiquei também, não largando mais os soquinhos».

A escolha do confessor não deve ter sido um acaso, mas uma escolha divina, visto que Frei Manuel das Chagas era naquele tempo muito conhecido, não só como um confessor atento e experimentado, mas ainda como um pregador de grande renome.
Afonso Rocha

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