domingo, julho 01, 2007

DIARIO DA ALEXANDRINA

4 de Janeiro de 1945

Como todos sabem, a Beata Alexandrina, desde 1942 até à sua morte em 13 de Outubro de 1955, por ordem do seu segundo director espiritual, o Padre Humberto Pasquale, manteve um “Diário” onde ela notava o mandava notar tudo quanto lhe ia na alma. Este “Diário” é uma “mina” inextinguível de informações. Dele tirámos a primeira parte deste documento interessantíssimo escrito a 4 de Janeiro de 1945.
Jesus e Maria tinham-lhe, no ano findo – 1944 – confiado a humanidade, que Eles encerraram e fecharam no coração da Vítima de Balasar. Alexandrina devia conservá-la no seu coração e tudo fazer e sofrer para que esta humanidade pecadora arrepie caminho...
Nesse mesmo documento, ela fala-nos igualmente das investidas de Satanás e do que este faz para lhe tirar a paz...
A segunda parte deste documento será publicada brevemente...


*****

« Jesus, quais são os miminhos que de Vós vou receber neste novo ano ? Estou cheia de medo, ou mais ainda, cheia de pavor. Venha o que vier, pelo muito que eu seja ferida, humilhada e abatida, com a Vossa graça divina a tudo direi : “Seja bem-vindo, faça-se a vontade de Jesus ; sou vítima do seu amor, vítima das almas”.
Confesso, meu Jesus, que o meu maior receio é a minha fraqueza, temo ofender-Vos. Confio em Vós ; seja firma o meu amor e subirei alegre o meu calvário. Reparai e vede, Jesus, as ânsias que tenho ; se não fosseis Vós tiravam-me a vida. Queria nascer agora, mas já Vos conhecer para nunca manchar o meu corpo. Queria que comigo nascesse o mundo inteiro e que todo ele já Vos conhecesse também para não se deixar manchar. Queria um coração novo, mas que sempre Vos tivesse amado para nunca deixar de Vos amar. O mesmo querer tenho para todas as criaturas, para assim Vos amarem com o mesmo amor que para mim desejo. Onde hei-de esconder-me e comigo esconder o mundo ? Onde hei-de purificar-me e purificar o mundo a não ser em Vós ? Escondei-me, purificai-me. Fazei-me nascer agora para a graça e para o amor e comigo nascer o mundo, mas de tal forma como se eu nem ele Vos tivesse ofendido. Não sei onde estou ; não vivo neste exílio, nem vivo no Céu. Parece-me viver entre ele e a terra. Fui para esta morada, comigo levei o mundo, morada sem luz, sem vida e sem nada. A minha alma rasga-se de dor, é indizível o que sinto em mim. Meu Deus, que derrota ! Não tenho luz e roubaram-me os guias de tão tremendos caminhos. Morro na escuridão, Jesus, morro desfalecida. Vinde, vinde com a Mãezinha, dai-me força, dai-me vida. Não posso pensar nos combates do demónio, tremo de horror. Ele arma tantas ciladas para prender-me ! Forma tantos assaltos à minha alma ! Parece-me morrer de dor. Ouço a sua voz maldita, desafiadora. E quando fica só assim ! O que mais me aflige é quando ele faz o que há de pior »[1].


[1] Alexandrina Maria da Costa : Sentimentos da alma ; 4 de Janeiro de 1945.

sábado, junho 30, 2007

O SANGUE DO CORDEIRO


« Estes são os que vêm da grande tribulação ; lavaram as suas túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro ». (Ap. 7, 14)

A vida da Alexandrina Maria da Costa é uma fonte inesgotável de “água viva” na qual se podem “beber” muitas águas diferentes, mas todas salutares e santificantes.
Os carismas de que beneficiou são numerosos e, cada um deles mereceria um estudo aprofundado pela parte de autores competentes e versados em ascética e mística : eles aí encontrariam não só matéria de reflexão intensa, mas também maravilhas divinas que mais ainda os instruiriam na ciência em que são peritos incontestáveis.
Nós não possuímos essa ciência, mas ousamos falar dela e partilhar com aqueles que irão ler estas páginas, o nosso amor à Alexandrina, “canal” incontestável das graças e ciências divinas. Por isso mesmo e, para evitar comentários que poderiam “escandalizar” aqueles que nesta matéria são especialistas, vamos utilizar, tanto quanto nos for possível os próprios trechos da “Doentinha de Balasar” que mais do que nós, mesmo se nada mais tinha do que a instrução primária rudimentar, é “doutora em ciências divinas”, como o próprio Jesus o afirmou.
O título dado a este trabalho poderá surpreender aqueles que pouco o nada conhecem da vida e dos carismas da Alexandrina, mas, estamos seguros que a leitura terminada, terão compreendido o porquê do mesmo título, esperando que assim se possam igualmente maravilhar de tudo quanto o Senhor operou de extraordinário e notável nesta alma de excepção.
Não temos qualquer receio em afirmar que os escritos da Alexandrina não sofrem qualquer sombra dos escritos doutros místicos tais como Santa Teresa de Ávila, S. João da Cruz, Beata Ângela de Foligno, Santa Gertrudes ou Santa Matilde de Hackerborn, pois fácil é de notar que a “Fonte” é a mesma e que por esta razão, a “concorrência” deixa de justificar-se.
A Alexandrina, tal como o disse Jesus, é na verdade “Mestra das Ciências divinas”[1].
O assunto que vamos procurar desenvolver aqui não é dos mais fáceis, mas esperamos que com a ajuda de Deus e a protecção e inspiração da Bem-aventurada Alexandrina, possamos dizer alguma coisa e demonstrar o carisma extraordinário do qual poucos ou nenhuns — excepto, julgamos, a Beata Ângela de Foligno — : a “transfusão” do Sangue divino como alimento da alma e do corpo da sua querida esposa de Balasar, como mais adiante diremos.
No que diz respeito a esta mística, encontrámos no livro das suas “Visões e revelações” este curto e único trecho que faz referência a este carisma que não parece ter durado muito tempo, visto que no resto da mesma obra não voltamos a encontrá-lo :
« Não dormia. Ele chamou-me e disse-me que aplicasse os meus lábios sobre a ferida do seu lado. Pareceu-me que aplicava os meus lábios, e que bebia sangue, e neste sangue ainda quente eu compreendi que ficava lavada. Eu senti pela primeira vez uma grande consolação, misturada uma grande tristeza, porque tinha a Paixão diante dos meus olhos. E solicitei do Senhor a graça de derramar o meu sangue por Ele como Ele tinha derramado o seu para mim »[2].
A autora italiana Eugénia Signorile, no seu excelente livro “Só por amor” evoca longamente este fenómeno místico excepcional. Ela anuncia-o assim :
« O fenómeno da Eucaristia real dada misticamente já se tinha verificado com algumas grandes almas muito elevadas na espiritualidade, dotadas duma especial sensibilidade para as realidades celestes. Por exemplo, Santa Verónica Giuliani, Santa Gemma Galgani ; e em 1916 Jesus escolheu a pequena Lúcia de Fátima para dar-Se a ela mediante o anjo da guarda.
Mas a Beata Alexandrina recebe ainda um outro alimento para o corpo e para a alma : um conjunto de sangue, vida, amor, sob forma de verdadeira transfusão para o sangue e de efusão para o amor. É a primeira alma mística para quem se efectua tal fenómeno ».

Uma das maiores doutoras da Igreja, Santa Catarina de Sena, fala do Sangue do Senhor e dos seus efeitos, nestes termos :
« Este sangue precioso é a fonte de todo bem ; salva e torna perfeito qualquer homem que se aplique a recebê-lo ; dá a vida e a graça com mais ou menos abundância, de acordo com as disposições da alma ; mas ele é causa de morte para o que vive no pecado »[3].
Podemos — e devemos talvez — perguntar a nós mesmos e àqueles que poderiam duvidar um instante de veracidade de tal carisma : “Que diz o Evangelho a este respeito ?” A resposta surpreender-nos-ia, sem verdadeiramente surpreender... Ouçamos o que diz Jesus :
« Em verdade, em verdade vos digo : se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia, porque a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue, uma verdadeira bebida. Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e Eu nele »[4].
Este carisma parece ter sido precedido de diversas primícias, que não o anunciando — porque nem era conhecido — preparavam no entanto a sua vinda de maneira durável.

[1] Alexandrina Maria da Costa : Sentimentos da Alma : 15 de Dezembro de 1944.
[2] Beata Ângela de Foligno : Visões e revelações ; cap. 14.
[3] Santa Catarina de Sena : Diálogo, cap. XIV, 3.
[4] S. João : 6, 53-56.

sexta-feira, junho 29, 2007

ALEXANDRINA E A JUVENTUDE

NOVO TEMA


O Professor José Ferreira, responsável pela página mensal no Sítio oficial da Beata Alexandrina, depois de lá ter colocado, durante largos meses o livro do casal Signorile : “Alexandrina, quero aprender contigo”, começou agora um novo tema muito pertinente : « Beata Alexandrina, “Os anos da juventude” ».
O primeiro desses artigos destinados à juventude actual estará no dito Sítio a partir do 1º de Julho próximo e continuará assim até que o dito tema seja esgotado, o que risca de não ser para já, visto que sobre este período, muito há para dizer e informar. A vida da Beata Alexandrina é na verdade uma vida extraordinária e quase inesgotável.
Dirigimos os nossos sinceros parabéns ao nosso amigo José Ferreira e fazemos desde já votos de grande e aproveitável sucesso para essa excelente ideia que teve : nos informar sobre a juventude daquela que nesse momento ainda não era conhecida como “Doentinha de Balasar”.
Para que a vossa visita seja mais rápida, aqui está a ligação que lá conduz :
http://alexandrinabalasar.free.fr/pagina_mensal.htm

Lembramos que esta página existe em diversas línguas : Português, Francês, Espanhol, Inglês, Alemão, etc.

segunda-feira, junho 25, 2007

RESTOS MORTAIS DO P.e PINHO

A notícia vinda de Balasar é das mais simpáticas e uma daquelas notícias que é causa de grande alegria e de regozijo para todos aqueles que conhecendo a vida e obras do bondoso Padre Mariano Pinho desejam como nós que ele seja mais conhecido e amado, até que, na “hora de Deus” seja elevado às “honras dos altares” como o foi a sua dirigida Alexandrina Maria da Costa.
O nosso caro amigo, o Professor José Ferreira, anuncia no seu Blog :
« Foi anunciado que os restos mortais do P.e Mariano Pinho virão para Balasar em Outubro. É uma óptima notícia.
Jesus, que manteve o P.e Mariano Pinho longe da sua dirigida tanto tempo, afirmou que eles estavam sempre unidos. Agora que os restos mortais dos dois vão ficar próximos, só falta começar a caminhada que há-de levar este jesuíta às «honras dos altares», para que ambos partilhem a mesma glória e possam ser invocados conjuntamente.
Em Outubro, ou muito próximo, sairá no Boletim Cultural poveiro um artigo biográfico sobre o P.e Pinho ».

Permita Deus que assim seja e que muito em breve, a sua causa seja iniciada pela Arquidiocese de Braga, em estreita colaboração com a Companhia de Jesus e outras dioceses de Portugal onde o “santo” sacerdote exerceu o seu fértil apostolado.

sábado, junho 16, 2007

PEREGRINAÇÃO ITALIANA A BALASAR

“PELLEGRINAGGIO A BALASAR”— terra della Beata Alexandrina —



Peregrinação Italiana a Balasar . Nos próximos dias 19, 20 e 21, do corrente mês, estará em Balasar um grupo de 43 pessoas vindas da Itália para venerar a Beata Alexandrina, celebrar os 175 anos da aparição da Santa Cruz e oferecer à paróquia de Balasar um ícone da Beata Alexandrina, de uma artista Russa, Domenica Ghidotti. O programa é o seguinte:
Dia 19
16H00- Visita à Igreja Paroquial e ao túmulo da Beata Alexandrina.

17H00- Celebração da Eucaristia em honra da Beata Alexandrina.

18H00- Celebração Mariana.
Dia 20
09H00- Adoração eucarística e celebração da Eucaristia.

- Visita à Casa da Beata Alexandrina e recitação do rosário.

- Visita ao cemitério.

20H30- Eucaristia solene com bênção do ícone da Beata Alexandrina.
Dia 21
09H00- Via-Sacra.

10H00- Celebração da Eucaristia em honra da Santa Cruz.

quinta-feira, junho 07, 2007

NOVO ARTIGO

JUNTO DO ALTAR
DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

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A primeira referência ao Sagrado Coração de Jesus que encontramos nos escritos da Alexandrina, encontramo-la na sua Autobiografia, quando ela nos conta como aconteceu a sua primeira confissão geral, em Gondifelos a Frei Manuel das Chagas. Ela no-la descreve com a sua simplicidade habitual:
«Foi aos nove anos que fiz pela primeira vez a minha confissão geral e foi com o Sr. Padre Manuel das Chagas. Fomos, a Deolinda, eu e a minha prima Olívia, a Gondifelos, onde Sua Reverência se encontrava, e lá nos confessámos todas três. Levámos merenda e ficámos para arde, à espera do sermão. Esperámos algumas horas e recorda-me que não saímos da igreja para brincar. Tomámos nosso lugar junto do altar do Sagrado Coração de Jesus e eu pus os meus soquinhos dentro das grades do altar. A pregação dessa tarde foi sobre o inferno. Escutei com muita atenção todas as palavras de Sua Reverência, mas, a certa altura, ele convidou-nos a ir ao inferno em espírito. Para mim mesma disse: “Ao inferno é que eu não vou! Quando todos se dirigirem para lá, eu vou-me embora”, e tratei de pegar nos soquinhos. Como não vi ninguém sair, fiquei também, não largando mais os soquinhos».
A escolha do confessor não deve ter sido um acaso, mas uma escolha divina, visto que Frei Manuel das Chagas era naquele tempo muito conhecido, não só como um confessor atento e experimentado, mas ainda como um pregador de grande renome.
Nascido a 17 de Novembro de 1850, no lugar da Borralha, perto de Águeda, entrou na Ordem Franciscana a 22 de Maio de 1868, professou no ano seguinte, a 22 de Maio de 1869 e foi ordenado presbítero a 27 de Agosto de 1873.
Como dizíamos acima, Frei Manuel das Chagas foi um pregador de grande valor, muito prolífero. Vejamos:
Pregou o seu primeiro sermão durante a Quaresma de 1875, e o seu último a 15 de Abril de 1923, antes de falecer em Tuy, na Espanha, a 17 de Maio de 1923. Durante estes quarenta e oito anos de apostolado intenso, pregou 8.140 sermões. Sim, leram bem e, para que não hajam dúvidas, repetimos: 8.140 sermões.

Para ler a continuação deste artigo, siga esta ligação:

terça-feira, maio 22, 2007

ALEXANDRINA E A SEGUNDA GUERRA

NOVO ARTIGO NO SÍTIO OFICIAL


Antes mesmo de Hitler invadir a Polónia em 1 de Setembro de 1939, provocando assim a entrada em guerra de numerosos países, já o Senhor tinha mostrado, ou dado a entender à “Doentinha de Balasar” que tempos difíceis estavam próximos e que, se não se fizesse penitência, se não se orasse com fervor e frequência, “grandes castigos” iriam abater-se sobre o mundo pecador e incrédulo.
O medo de que Portugal entrasse nesta guerra, como tinha sido já o caso na primeira mundial (1914-1918), era para a “Doentinha de Balasar” um tormento indizível, como também veremos.
O conhecimento que ela certamente tinha das barbaridades cometidas havia pouco durante a guerra civil espanhola não a deixava tranquila, mas “esperava, contra toda a esperança”, que a guerra não fosse declarada e que Portugal ficasse isento, embora “magoado”, no caso de haver de facto conflito entre as nações mais vizinhas.

“Escutai: ao passo que Deus se mostra exigente para com os justos, para com os pecadores não tem senão clemência e doçura”. (S. João Crisóstomo; 7ª Homilia sobre a conversão)

Estas palavras de S. João Crisóstomo ilustram perfeitamente o tema que nos fixámos tratar aqui: “A Alexandrina e a segunda guerra mundial”.
Efectivamente, muitos dos trechos que vamos apresentar poderiam dar de Deus uma imagem de Pai severo e justiceiro, escondendo um outro aspecto d’Ele que é aquele de Deus-Amor, sempre “rico em misericórdia”, sempre mais propenso a perdoar do que a castigar. Isto também nos ensina o mesmo Pai e Doutor da Igreja, quando diz:

“É preciso que tenhamos sempre presente no nosso espírito o quanto todos os homens são rodeados por tantas manifestações do mesmo amor de Deus. Se a justiça tivesse precedido a penitência, o universo teria sido aniquilado.” (S. João Crisóstomo; 7ª Homilia sobre a conversão)

Nas cartas endereçadas ao Padre Mariano Pinho, sacerdote Jesuíta e primeiro Director espiritual da Alexandrina, encontramos muitas referências a este trágico período da história mundial, assim como muitas admoestações — muitas vezes severas — contra a humanidade pecadora.

Se desejar ler todo o artigo, utilize esta ligação:
http://alexandrinabalasar.free.fr/alexandrina_e_a_guerra_1.htm

quinta-feira, maio 10, 2007

O MAIOR DE TODOS OS MÍSTICOS

É JESUS!...
Entre as coisas que me surpreendem cada vez mais, há o despeito que muitos padres, religiosos, etc. ... da nossa Igreja, manifestam para com os místicos desde há mais de quarenta anos. Ora, quanto mais se avança no conhecimento dos místicos e daquilo a que chamamos as suas experiências ou as suas revelações, mais nos apercebemos que realmente, as graças, frequentemente excepcionais que receberam, nada mais fazem que retomar as imagens que Jesus utilizou quando vivia sobre a terra no meio dos seus discípulos e seus apóstolos. Com efeito, se tomarmos o tempo de reler as palavras de Jesus, somos obrigados de constatar que, para melhor fazer-se compreender pelas pessoas simples e pouco cultas, ou pelos doutores e escribas pouco abertos aos seus ensinos, Ele era obrigado a utilizar comparações, porque as palavras humanas são incapazes de exprimir a divindade.
Ora uma das missões importantes de Jesus, era revelar o Pai e o Espírito. Além disso, como Jesus “não tinha vindo para abolir a Lei, mas para realizá-la”, como teria Ele podido explicar o inexplicável senão utilizando imagens ou parábolas?
Abordaremos hoje apenas o Evangelho de São Mateus, deixando ao leitor o cuidado de ler os outros escritos do Novo Testamento.
Primeiro algumas imagens e comparações
No início do seu Evangelho, Mateus assinala as palavras do Baptista, e seguidamente o Baptismo de Jesus. Que diz?
“Vendo, porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao seu baptismo, disse-lhes: «Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da cólera que está para vir?... O machado já está posto à raiz das árvores, e toda a árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada no fogo...
Então, veio Jesus da Galileia ao Jordão ter com João, para ser baptizado por ele. João opunha-se, dizendo: «Eu é que tenho necessidade de ser baptizado por ti, e Tu vens a mim?» Jesus, porém, respondeu-lhe: «Deixa por agora. Convém que cumpramos assim toda a justiça.» João, então, concordou.
Uma vez baptizado, Jesus saiu da água e eis que se rasgaram os céus, e viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e vir sobre Ele.”
(Mat. 3, 7-16) assim, João Baptista utiliza, muito naturalmente comparações. Com efeito, quando o Pai apresentou Jesus, enviou o seu Espírito sob a forma de uma pomba.
Logo que Jesus começa a pregar, Ele utiliza comparações e parábolas. Assim, os que o seguem são o sal da terra, e a luz do mundo… E ainda: A lâmpada do corpo, é o olho…
Mais tarde, vendo aquela multidão de homens, “Jesus, encheu-se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. Disse, então, aos seus discípulos: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe.»… (Mat. 9, 36 à 38) Assim como Jonas esteve no ventre do monstro marinho, três dias e três noites, assim o Filho do Homem estará no seio da terra, três dias e três noites.” (Mat. 12, 40)
Ainda em São Mateus pode-se citar a vinha e os vinhateiros, os trabalhadores da última hora (Mat. 20, 1 à 16), ou a figueira seca (Mat. 21, 18-19), ou os vinhateiros que matam os filhos do seu mestre. (Mat. 21, 33 à 40) e ainda: “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que seguem por ele. 14Como é estreita a porta e quão apertado é o caminho que conduz à vida, e como são poucos os que o encontram!” (Mat. 7, 13-14)
E eis algumas parábolas:
“Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as. Não valeis vós mais do que elas? Qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida? Porque vos preocupais com o vestuário? Olhai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam!” (Mat. 6, 26-28)
“Todo aquele que escuta estas minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; mas não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. Porém, todo aquele que escuta estas minhas palavras e não as põe em prática poderá comparar-se ao insensato que edificou a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; ela desmoronou-se, e grande foi a sua ruína.” (Mat. 7, 24-27)
Há também a parábola do semeador (Mat. 13, 3 a 9) que todos conhecem e que Jesus pacientemente explica aos doze, da mesma maneira que o fará mais tarde aos seus místicos. Podem citar-se ainda as parábolas do bom grão e do joio (Mat. 13, 24-30), do grão de mostarda, do fermento na massa, do tesouro escondido, da rede que se deita ao mar... (Mat. 13, 31-46)
Mais tarde, tendo chamado a multidão, Jesus diz-lhes: “ Não é aquilo que entra pela boca que torna o homem impuro; o que sai da boca é que torna o homem impuro.» Os discípulos aproximaram-se dele e disseram-lhe: «Sabes que os fariseus ficaram escandalizados, por te ouvirem falar assim?» Ele respondeu: «Toda a planta que não tenha sido plantada por meu Pai celeste será arrancada. Deixai-os: são cegos a conduzir outros cegos! Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão nalguma cova.» Tomando a palavra, Pedro disse-lhe: «Explica-nos esta parábola.» Jesus respondeu-lhes: «Também vós não sois ainda capazes de compreender? Não sabeis que tudo aquilo que entra pela boca passa para o ventre e é expelido em lugar próprio? Mas o que sai da boca provém do coração; e é isso que torna o homem impuro. Do coração procedem as más intenções, os assassínios, os adultérios, as prostituições, os roubos, os falsos testemunhos e as blasfémias. É isto que torna o homem impuro. Mas comer com as mãos por lavar não torna o homem impuro.»” (Mat. 15, 11-20)
Poder-se-ia também recordar a parábola da ovelha perdida (Mat. 18, 11-14), aquela sobre o perdão (Mat. 18, 23-35), ou ainda virgens previdentes e as virgens loucas, os dois filhos a quem o pai pede um serviço na sua vinha, (Mat. 21, 28-31) e a descrição do julgamento final, (Mat. 25, 1-30) ou quando Jesus prediz o fim de Jerusalém e o fim do mundo. (Mat. 24, 1-44)
Ao longo de toda a sua predicação Jesus adapta-se aos seus ouvintes e utiliza a linguagem que eles podem compreender: utiliza uma comparação ou uma parábola, e imediatamente explica. É exactamente que faz também com santos místicos que, de resto, não hesitam em fazer perguntas quando não compreendem bem ou de forma alguma. E Jesus, — ou a santíssima Virgem iluminam as imagens, as cores, as formas, e às vezes mesmo os movimentos.
Se reflectirmos bem, Jesus é ou não o maior de todos os místicos?

Paulette Leblanc
Tradução: Afonso Rocha

sexta-feira, maio 04, 2007

NOVENA POR PORTUGAL

Mensagem muito importante de 3 de Maio de 2007

A divulgar sem tardar!...

Disse neste dia Nossa Senhora:
“Venho pedir que comecem desde amanhã uma novena”

Meus filhos,
Eu sou Nossa Senhora de Fátima, e eu venho pedir-vos que comeceis desde amanhã (portanto desde 4 de Maio) uma novena durante qual me oferecereis os meus filhos de Portugal, da China e da Rússia por diferentes razões, mas para uma mesma causa: a protecção do mundo.
Durante nove dias rezai assim:

Ó Maria nossa Mãe ternamente amada,Vós que viestes ver-nos,
de maneira a preservar a sobrevivência do mundo inteiro,
Vós a quem nós oramos todos os dias com amor
nós Vos suplicamos, intercedei
para que todas as nações do mundo sejam protegidas,
e mais particularmente Portugal, a China e a Rússia.
Que o mundo inteiro se consagre aos Corações unidos de Jesus e Maria.
Amem.

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós e protegei-nos.
Nossa Senhora de Fátima, intercedei por nós.
Nossa Senhora de Fátima, tende piedade de nós.

Meus filhos,
Felizes aqueles que viram a minha presença a seu lado.
Felizes aqueles que me vêem ainda hoje.
Felizes todos aqueles que acreditam sem nunca me terem visto.
Felizes os corações completamente entregues à sua Mãezinha
tais corações beneficiarão sempre no mais profundo deles
da ternura que Eu dei a Jesuse serão para meu Filho um refúgio de amor,
sempre prontos a acolher os pedidos de Deus Pai. Amem.

Meus filhos,
Eu vos abençoo.

Oferecei esta mensagem aos meus filhos,
por intermédio do site e do próximo livrete.
Eu, Maria, me inclino continuamente sobre vós,
para vos prevenir, para vos guiar, para vos proteger.
Venho alimentar o meu Coração de Mãecom cada uma das vossas orações,
com cada uma das vossas palavras de amor,
com cada uma das vossas intenções
com tudo o que os vossos corações vêm depositar no meu Coração. Amem
Muito obrigada. Maria.

quinta-feira, maio 03, 2007

OUTRA CARTA DO MÊS DE MAIO

Viva Jesus


Balasar, 30 de Maio de 1935

Meu Paizinho,
Cá estou eu hoje outra vez mas com dificuldade, em virtude do meu estado se ter agravado de cada vez mais.
Eu tinha por costume oferecer todos os dias o meu coração a Nosso Senhor, dizendo-lhe assim :
― Ó meu bom Jesus, eu Vos ofereço o meu coração neste momento como prova do meu amor para convosco e Vos peço que neste momento o coloqueis em todos os lugares onde habitais sacramentado. É pobre, muito pobrezinho, mas enriquecei-o com o Vosso divino amor e com os Vossos divinos tesouros. Incendiai-o todo em fortes labaredas de amor e colocai-o muito unidinho a Vós em todos os sacrários do mundo, em todos os lugares onde habitais sacramentado, a servir de lâmpada amorosa e luminosa para Vos alumiar. Prendei o meu coração aos sacrários com grossas cadeias de amor.
E pedia a Nossa Senhora :
― Mandai-me uma multidão de anjos, querubins e serafins em meu nome para todos os sacrários, para todos os lugares onde Jesus habita sacramentado, [para] amarem, louvarem e desagravarem e fazer companhia a Jesus sacramentado.
E pedia à minha querida Mãezinha do Céu para ir também e me levar com Ela. Quando pensava em morrer e deixar o meu Jesus sozinho nas suas prisões de amor, tinha pena. Veio-me à lembrança de pedir a Nosso Senhor para me aceitar a oferta do meu coração, não só enquanto eu vivesse mas sim enquanto o mundo durasse. Só depois deste ter acabado, eu o viria buscar, juntamente com o corpo para o Céu. Eu pedi a Nossa Senhora para proceder do mesmo modo como atrás tenho escrito, fazer tudo como se eu vivesse. Fiz o mesmo pedido ao meu anjo da guarda para depois de entregar a minha alma a Nosso Senhor vir para os sacrários fazer o mesmo. Deve bem calcular como eu depois me sentia bem : já não tinha tantas saudades de deixar o meu Jesus nos sacrários. Também tinha muita pena por não poder sofrer pelos pecadores, mas espero e tenho toda a confiança em Nosso Senhor que irei no Céu continuar a mesma missão. Sofrer lá não posso, mas pedirei muito a Jesus por eles. Às vezes penso para mim que quero tudo que for da vontade de Nosso Senhor aqui na terra e que depois Ele também há-de querer tudo que eu quiser no Céu.
Eu não sei o dia em que fiz a oferta, mas como verá foi em Maio e penso que deveria ser no princípio. Confessei-me terça-feira porque a Deolinda lhe foi pedir dizendo-lhe eu que estava muito doente. Trouxe-me Nosso Senhor na quarta-feira e hoje também. Na quarta-feira, no fim da Sagrada Comunhão, sentia um calor que me abrasava e não sei mais o que se passava em mim. Passados alguns momentos, falou-me Nosso Senhor :
― “Minha filha, pensas que este meu silêncio e este meu escondimento em ti não é para te unir mais a mim e para te elevar mais no meu amor ? Tem confiança em mim ; escondo-me debaixo das tuas faltas ; tudo o que faço em ti é para teu bem. És o amor do meu Amor. Eu deixo-te sozinha para te experimentar a ver se procedes da mesma forma : vejo que sim. É chegado o tempo que depositas em mim toda a confiança : procede sempre assim, não descanse o teu espírito a ir em revoada com os anjos e a minha Mãe Santíssima fazer-me companhia para os meus sacrários. Faze que Eu seja amado, que outros sigam o teu caminho e calquem as tua pegadas. Se soubesses a alegria que deste no Céu à Santíssima Trindade e à minha Mãe Santíssima com a oferta e o pedido que fizeste! Foi aceite. Só no fim do mundo o teu coração sairá dos meus sacrários e o virás buscar para o Céu. Depois da tua morte será mais festejado no Céu o mês de Maio, por ser nele que tu fizeste a oferta e o pedido e por nele tantas vezes o renovares. Manda dizer ao teu paizinho espiritual que lhe peço enternecidamente e como quem quer ser atendido que faça guerra à carne, ao pecado da impureza ; que são milhares e milhares as almas que caem no inferno com este pecado. O Sangue de um Deus derramado inútil para eles.”
Eu sentia-me muito acariciada, e dizia-me Nosso Senhor :
― “O tempo é breve e vai passando e dentro em pouco te virei buscar para mim. Silêncio, minha filha, o mais que poderes, pensa só em Mim.”
Hoje, no fim da Sagrada Comunhão, pareceu-me que me abraçaram e que me tornaram a deixar. Fiquei assim por algum tempo, sem ouvir a voz de Nosso Senhor ; mas por fim, ouvi que me falavam assim :
― “Anda cá, minha filha, meu amor, anjo da minha companhia, anda receber ordens do teu Jesus, escuta-me. Amo-te tanto! É um amor inexplicável, para ti incompreensível. É a recompensa da tua generosidade em te me ofereceres como vítima por meu amor e por amor das almas, muitas e de abraçares com amor a cruz que te envio. Dá-me almas, muitas almas! Eu precisava de tantas vítimas para levantarem o mundo dos crimes! E tenho tão poucas que generosamente queiram sofrer! Sofrer, sofrer, minha filha, que essas dores se transformarão em pedras preciosas para completar a tua coroa, e pérolas para adornar o manto que te há-de cobrir. Manda dizer ao teu pai espiritual que avise : ou o mundo se levanta da maldita impureza e dos pecados que tão horrivelmente me ofendem, ou vem sobre ele os castigos que o ameaçam, cai sobre ele a justiça divina. Pede-me por esses infelizes ; é perda irreparável : custaram a morte de um Deus, e morte horrorosa da cruz.”
Eu era muito acariciada, e disse-me Nosso Senhor :
― “És a minha esposazinha, a minha esposazinha, o meu amor, a companheira dos meus sacrários.”
Não acha bem o demónio que eu recomende isto da impureza tantas vezes a V.a Rev.cia, que se torna chato e que V.a Rev.cia de cada vez fica mais aborrecido comigo.
Muitas lembranças da minha mãe, da Deolinda e da Senhora D. Çãozinha : continua a ter algumas melhoras. Por caridade, quando puder, diga-me daí alguma coisa. Sempre terei a visita de V.a Rev.cia? Confio muito em Nosso Senhor que sim, que não morro sem isso.
Abençoe, por amor de Jesus, a pobre
Alexandrina
UMA CARTA DA ALEXANDRINA

———

Balasar, 15 de Maio de 1934


Senhor Padre Pinho :
Principio por lhe agradecer uma cartinha que recebi há dias e que me veio trazer a boa nova de que ia celebrar a Santa Missa por mim em Fátima. Da minha parte, confesso, que sou indigna de tantas atenções que V.a Rev.cia tem para comigo. Eu nada lhe posso pagar, mas Nosso Senhor o recompensará por mim. E a minha Mãezinha do Céu não deixaria de nesse momento o abençoar e de pedir ao seu querido Jesus muitas e muitas graças para aquele que tanto se tem sacrificado pela alma desta probrezinha, que é e que nada vale.
Senhor Padre Pinho, agora vou contar a V.a Rev.cia como passei a noite de 12 a 13 e durante o dia. O programa foi o seguinte : foi aqui a inauguração da nova imagem de Nossa Senhora de Fátima, oferecida pela Maria Machado. No sábado à noite houve procissão de velas e veio a imagem de casa dela para a igreja. Logo que principiei a ouvir cantar, eu chorava. Chegou enfim a meia noite. Já tinha feito a Nosso Senhor todos os meus pedidos. Acendi uma vela, tomei um livro na mão, e unida em espírito a V.a Rev.cia, li a Santa Missa. Já não ouvi bater uma hora de noite porque estava com muita falta de descanso, e não pude resistir mais tempo. Pela manhã, o Senhor Abade trouxe-me Nosso Senhor. Já havia um mês que não me confessava. Não pedi para o fazer por ser dia de pressa, mas mesmo assim fiquei contente por receber Nosso Senhor.
(O resto da carta foi rasgado pelo destinatário)

quarta-feira, maio 02, 2007

TRISTE MÊS DE MAIO


O mês de Maio de 1942 foi para a Beata Alexandrina um mês triste e cheio de grandes sofrimentos: ela vive então as penas do Purgatório. É também o período em que sofre da ausência do seu Paizinho espiritual, objecto de restrições e de vexações da parte de seus superiores e colegas da Companhia de Jesus.
Alexandrina, também atacada e caluniada, sofre e oferece...
A 3 de Maio de 1942 ela escreve para o seu Diário, mais conhecido sob o título de “Sentimentos da Alma”:
« Meu Deus! Meu Deus! O brado agonizante da minha alma perde-se na montanha e não é ouvido na terra, nem no Céu; digo isto repetidas vezes com o pensamento, enquanto vou sentindo as aves devorarem-me as coxas e a agonia na alma que se não pode explicar e aumenta ao saber de tantas mentiras que de mim dizem e ao sentir que ainda depois da minha morte tudo isto continuará, sendo motivo de grande sofrimento para os meus. Eraa meu desejo que todas as mentiras morressem comigo.
De 4 para 5 de Maio; durante a noite, veio repetidas vezes a Mãezinha, muito bela, apresentar-se à minha frente junto da minha cabeceira, suavizando a minha dor.
Na mesma noite, o Anjinho da Guarda com as suas asinhas inclina-se sobre mim fazendo por aliviar o meu corpo. »
Jesus tinha confiado então à Alexandrina toda a humanidade, aquela humanidade repleta de crimes e de grandes pecados; aquela humanidade que estava então em guerra, guerra que no seu final cifraria milhões de mortos, mortos inocentes, mortos cristãos ou ateus, mortos em estado de graça e mortos cobertos de lama e de grandes pecados... Alexandrina sofria por todos, esperando que os seus sofrimentos fossem úteis à salvação da maior parte. Mas este sofrimento que ela aceitava com uma heroicidade extraordinária não era suficiente, mesmo se inexplicável pela sua dureza e pelos efeitos que provocava na alma e no coração da vítima de Balasar... Ele sente-se cada vez mais reduzida em cinzas, prestes a desaparecer por completo...
Ouçamos o que ela diz no seu “Diário” a 6 de maio desse mesmo ano de 1942:
« Ó trevas, ó trevas, ó negras e assustadoras trevas! Ó Céu, ó Céu, dá-me a tua luz! Recebi tamanhos golpes no meu coração e sinto que ficou tão aberto e tão retalhado que me parece não ter forma de coração humano; contudo é um fontanário de sangue que brota com toda a abundância. É a vida divina que o faz brotar e sinto toda a Humanidade a beber dele com toda a força, com receio que ele se esgote. O meu estado de alma agravou-se assim depois de saber o muito que fazem sofrer o meu Paizinho, contudo não perco a minha confiança de que Jesus há-de justificar a sua inocência.
Agora sinto que as aves nocturnas já vão a chegar aos joelhos. Todo o corpo está quase en cinza. E não vira Nosso Senhor buscar-me? »
Os sofrimentos eram tantos e tão grandes que ela pensava estarem a chegar os seus últimos dias de vida:
É isso mesmo que ele escreve no dia 7 de maio de 1942:
« Com a aflição da minha alma eu dizia assim: Que tristes e amarguríssimas são as últimos dias da minha vida. Tirai, meu Jesus, da minha amargura toda a doçura e alegria para vós e proveito para as almas. »
Este belo mês de Maria que começa apenas, anuncia-se para a Beata Alexandrina como um mês de grandes sofrimentos, sofrimentos que não irão nunca diminuir, mas pelo contrário aumentar... Ela continua a viver as penas do Purgatório e sente-se picotada por aquelas aves cujo intento é reduzir seu corpo em cinzas... Este “Purgatório” é tão doloroso que ela chega mesmo a preferir a vivência da paixão a este novo estado doloroso. E, como se estes sofrimentos não fossem suficientes, o “mafarrico” — compreenda-se: o diabo — vem “consumir a imaginação” da pobre doentinha de Balasar.
Diz-nos ela a 8 do mês de Maria:
« Já não podendo mais com o peso das humilhações, com a agonia e negras trevas que sentia na minha alma, porque tudo me abafava a confiança que tenho em Jesus, eu dizia: Se aqueles que me tiraram o meu Paizinho experimentassem o que era sofrer, davam-mo para meu conforto. E segredava para Jesus: Juro-vos que confio em vós! Recordando que já não tinha crucifixão, senti tão grande dor no meu coração que me parecia chorar lágrimas de sangue e lembrava-me que se eu fosse de novo crucificada era bastante para aliviar o sofrimento da minha alma! Que saudades, que saudades, meu Jesus, não ter agora a crucifixão!
Agora as aves andam abaixo dos joelhos e sinto o coração a perder a vida divina. Vou caindo lentamente. Tudo desaparece em mim.
Também sinto que a humanidade já não bebe com aquela força que bebia, porque o sangue se vai acabando.
O mafarrico tem-me consumido a imaginação, pretendendo prender-me às coisas da terra; mas quanto mais ele tenta fazê-lo, mais Nosso Senhor me eleva para Ele. »

Na véspera do aniversário da primeira aparição da Virgem em Fátima, Alexandrina escreve ainda:
« Hoje a vida divina do meu coração comparo-a a uma lâmpada amortecida que a cada momento parece apagar-se. Já não nasce o sangue senão de longe a longe uma gota, que já mal se pode beber. Eu hoje dizia a Nosso Senhor assim: Meu Jesus, Mãezinha, vede a aridez da minha alma, vede o abandono que ela sente do Céu e da terra. Lançai sobre mim vossos divinos olhares de compaixão. Acudi-me, acudi-me, não me deixeis morrer de susto no meio das trevas. A minha alma está tímida com os assaltos do demónio. Quer acusar-me e lançar-me ao rosto tudo o que há de pior, apresentando-me a minha vida inteira cheia de enganos. Jesus não me deixa por muito tempo combater as dúvidas, mas ele enraivecido enche-me de pavor. Se eu pudesse ter um sacerdote sempre junto de mim! É o meu Paizinho quem eu quero, pois foi esse que Jesus me prometeu e que os homens me tiraram.
As aves sínto-as já nos pés, mas como que aborrecidas por não encontrarem que comer. Vão mexendo e remexendo as poucas cinzas que me restam. Ai, o dia mais feliz da minha vida é o dia da minha morte! »
O dia 14 de Maio desse ano de 1942 é dia da Ascensão do Senhor. Alexandrina desejaria de certo viver esse dia de festa de maneira jubilosa, mas o seu “coração continua como uma lâmpada amortecida”, mas ela não perde a esperança, porque ela sente e está segura que “quem lhe sustenta a vida do coração é Jesus”...
« Eu quisera dizer — escreve ela nesse dia 14 de Maio — quanto a minha alma tem sofrido, mas apenas tenho experimentado, e não sei explicar. Horrorosos sofrimentos passaram por mim! Nunca pensei poder sofrer tanto. Hoje sinto-me mais aliviada um bocadinho, mais redobrada a minha confiança em Jesus e na Mãezinha, com mais forças para combater o inferno que se tem revoltado contra mim.
O meu coração continua como a lâmpada amortecida. De longe a longe vai deitando uma gotazinhas de sangue que a Humanidade ainda vem aproveitá-las. Cada uma delas parece ser a última. Sinto que ele ainda está preso à vida divina por um fiozinho comparado a um arame fininho que à mais pequenina cloisa pode partir.
No meu corpo já não sinto as aves; parece-me já não existir dele nem sequer o mais pequenino bocado de cinza.
Sinto que quem me sustenta a vida do meu coração é Jesus, só Jesus, parecendo-me estar ligada à Pátria celeste por aquele fiozinho.
Viva Jesus! Viva Maria! Viva a Santíssima Trindade a quem amo tanto! »

A paixão visível tendo terminado, ela sente, de vez em quando, sobretudo nos momentos em que mais “padece” outros penas e outros sofrimentos que ela própria não sabe explicar, ela tem “saudades da paixão”, porque sem ela o “tempo não passa” e mesmo as horas parecem-lhe séculos. Ela “brada” então aos Céus, chama por Jesus, por Maria, pela Santíssima Trindade, que parecem não ouvir as súplicas da vítima...
É isto mesmo que podemos ler no seu “Diário” de 24 de Maio:
« Jesus suspendeu-me a crucifixão: parece-me que me suspendeu a vida. Só Ele pode avaliar a minha tristeza e saudade. Não tenho o sofrimento da cruz; já não me sinto nela, escondeu-se-me por completo, mas tenho maior cruz ainda, são maiores os meus sofrimentos. Não posso viver no mundo. O tempo não passa, as horas parecem-me séculos, os dias e as noites eternidades. Quantas vezes levanto os meus olhos ao Céu para exclamar: Jesus, ó meu querido e saudoso Jesus! Mãezinha, ó minha querida e saudosa Mãezinha! Santíssima Trindade, ó minha querida e saudosa Trindade, para quem só quero viver, a quem me entrego, a quem só quero amar. Pobre de mim! Digo que amo e não tenho coração para amar, não tenho corpo senão para a dor, sou como uma bola de espuma que depressa se desfaz. Que trevas, meu Jesus, que securas, que amarguras, que agonias as da minha alma.
O fiozinho da vida divina que estava ligado ao meu coração, apesar de sentir que o não tenho, ainda está ligado ao lugar onde ele habitava. Sinto que ele está a cada momento a querer quebrar. A fúria da horrenda tempestade dá-lhe todos os abalos. Do pequenino lugar que ocupava o meu pobre coração sai, de longe a muito longe, umas escassas gotas de sangue. Agora é que eu sinto quanto a pobre Humanidade necessita dele; toda ela sequiosamente o que sugar. Ó meu Jesus, não abandoneis a pobrezinha que sempre em vós confiou e confia. Apesar de tudo sentir perdido por entre as trevas, é de vós que tudo espero. »
E, como se esta “ausência” dos seus “Amores” não fosse suficiente, um outro sofrimento vem juntar-se ao primeiro, mas desta vez não se trata de uma “ausência” cujo retorno é vivamente desejado, mais duma “presença”, presença esta que Alexandrina não deseja, mas que aceita por amor de Jesus e para Lhe salvar almas: a presença de Satanás.
Nesse mesmo dia 24 de Maio, ela escreve para o seu “Diário”:
« O demónio quebrou todas as cadeias que o prendiam, caiu sobre mim. Luto sozinha, combato a sua raiva. Ó minha querida Mãezinha, tiram-me o meu Paizinho nestes tristes dias em que eu mais precisava dele. »
Corajosamente ela luta e vence; corajosamente ela tudo oferece e pede perdão “para todos os que a ferem”, pedindo mesmo ao seu Senhor e Esposo que a leve “sem demora” para junto dele.
Mas o seu desejo de salvar as almas e de fazer a santíssima vontade de Jesus é sempre mais forte, sempre constante, o que a levará a confessar humildemente: “Só tenho corpo para a dor!”
« Sinto-me abandonada de todos — escre ela no dia 24 do mesmo mês — a não ser quando mo dais milagrosamente para conforto da minha alma; o que tão raras vezes acontece. Perdoai a todos os que me ferem, perdoai tanta cegueira; eles de mim estão perdoados. No lugar do meu coração já não cabem mais espadas; tenho sofrido por todos os lados, tenho recebido sofrimentos de quem menos esperava. Ó meu Jesus, para todos o vosso perdão, o vosso amor e a vossa compaixão. Purificai, santificai, abrasai no vosso divino amor e levai para junto de vós sem demora a vossa filhinha agonizante.
Desde o dia 24 de Maio, dia do divino Espírito Santo, em que eu pedia toda a luz e todo o fogo do seu divino Amor, do seu Amor santificador, o estado da minha alma modificou-se, mas nesse dia de tarde eu ainda dizia: Eu já não tenho vida da terra,
só tenho corpo para a dor. A partir deste dia, deixei de sentir o que até ali sentia quase continuamente, que eram nojentas serpentes cheias de toda a imundice, que entravam pela boca e saíam arrancadas não sei por quem, fazendo lembrar os condenados do inferno atormentados pelos demónios. Não podia ouvir o chilrear dos passarinhos ao alvorecer e ao anoitecer do dia, apesar de me lembrar que estavam a louvar o seu Criador. Os seus gorjeios feriam muito a minha alma. Nada podia ouvir de alegria. A minha sede era abrasadora, as saudades de me alimentar não as sei exprimir e tudo isto me parecia levar ao desespero por sentir que era impossível saciar os meus desejos. Logo dizia ao meu Jesus: É por vós que sofro, e saciai vós a vossa sede de amor, a sede que tendes das almas. »
Este estado particular e de particulares sofrimentos transformam-na fisicamente, segundo diziam as testemunhas oculares e mais particularmente no dia 25 de Maio de 1942.
Alexandrina admira-se disso, mas não contesta... Ela só deseja então o Céu, ir para junto do Esposo amado, ver a Deus para sempre:
« No dia 25 notaram diferença em mim, eu não tinha outra a não ser a transformação da minha alma. Deixei de sentir as grandes amarguras, trevas, securas e agonias a não ser de longe a longe e passageiras, para sentir grandes desejos de voar para o Céu, chegando a sentir impulsos que me faziam levantar, figurando-se-me que tinha asas e formava voo para o Céu. Tendo inteira confiança em Jesus e na Mãezinha e sempre conforme com a sua vontade. No meio de tudo isto a minha alma sente-se em festa, que por vezes chego a cantar com júbilo e alegria:
“Ver a Deus, ver sempre,sempre Deus: eis o Céu!Quem me dera lá ir, etc.”
Parece-me ir para a Pátria celeste, para o meu Jesus, de pé, de braços abertos, a descansar em seu divino regaço.
Já que não posso saciar-me dos desejos e saudades que tenho dos manjares da terra, suspiro, morro e anseio por ior saciar-me dos manjares celeste e só esses valem para a eternidade. O fio divino que liga ao lugar onde habitava o meu coração está quase a quebrar, parece-me que foi limado. O que lhe tem valido é a tempestade só de longe a longe lhe dar uns pequeninos abalos. Agora sim, agora posso dizer: O Céu está perto, vou ver o meu Jesus, vou ver a minha querida Mãezinha, vou gozar do Paraíso, vou amar os meus Amores eternamente. Deixo o mundo sem saudade, não lhe pertenço, não sou dele.
» (1)
O mês de Maio de 1942 ia terminar...
Como para recompensar tanta dor e tantos sofrimentos livremente aceites, o Senhor vai “gratificar” a sua vítima com uma espécie de visão, provavelmente premonitória, durante a noite de 31 de Maio para o 1º de Junho. Ouçamo-la explicar, tendo em conta que o dia 31 de Maio era o dia da festa da Santíssima Trindade:
« Ao cair da tarde, sentia o fiozinho divino a quebrar de todo. Naquele meu estado de alma estava a ver o que Jesus inventaria para mim da sua Ciência divina, a não ser que tudo acabasse com a minha morte. Na segunda-feira seguinte, dia 1 de Junho, de manhãzinha, senti que tinha falhado por completo o fiozinho que para o lugar do meu coração se prendia, mas a ciência de Jesus ainda tinha mais que dar; pouco tempo depois vi e senti descer do Céu à terra para o lugar do meu coração raios de luz mais brilhante que o sol, pareciam vindos do Coração do meu Jesus, ligando-se e reflectindo-se para sempre no lugar do meu coração. Tinha que me embeber toda naqueles raios de amor, o que dia a dia me vão embebendo cada vez mais, deixando-me transformada neles. Esses raios vão-me levantando da terra para o Céu. São um canal no qual eu me tenho de transformar e por dentro dele passar. É por ele que eu vou para Jesus.
Já me sinto elevada a uma certa altura da terra. Momentos há em que não posso resistir a tantas saudades do Céu. Espero ver o meu Jesus dentro em pouco com a minha querida Mãezinha e todos os meus amores por quem aspiro; porém quero que se cumpram todas as promessas de Jesus, quero que me dêem o meu Paizinho que sem eu dar motivos para isso e em momentos tão amargos mo retiraram. Parece que só isso e a determinação da consagração do mundo pelo Santo Padre me obrigam a ainda viver na terra, triste exílio que não posso suportar. »
Ao lermos estas páginas do “Diário da Beata Alexandrina, páginas do mês de Maio de 1942, podemos por elas verificar que, apesar da sua grande devoção à Virgem Maria, todos os meses de Maio, não foram “rosas” para a doentinha de Balasar, ou se o foram, essas rosas eram na verdade demasiado espinhosas!...
Mas, ela própria muitas vezes repetia: “Seja feita a vontade do Senhor!”
*********

(1) Ignoramos a fonte desta adição. Provavelmente Alexandrina que neste período vive a segunda morte mística. Dom Humberto.
“Estou fina, fina das ideias! Em 27 de Maio, quando assistia ao mês da Mãezinha, eu tive este pressentimento que me deixava em paz: Morro em Maio, vem a paz em Junho. O meu Paizinho espiritual vai ser libertado e vem-me assistir à morte. Morrerei no sábado à tardinha, o meu enterro na segunda-feira, no primeiro dia do mês de Jesus”.

quinta-feira, abril 19, 2007

RAIOS DO CORAÇÃO DE JESUS
31 de Maio de 1942 – Festa da Santíssima Trindade

A cair da tarde, sentia o fiozinho divino a quebrar de todo. Naquele meu estado de alma estava a ver o que Jesus inventaria para mim da sua Ciência divina, a não ser que tudo acabasse com a minha morte. Na segunda-feira seguinte, dia 1 de Junho, de manhãzinha, senti que tinha falhado por completo o fiozinho que para o lugar do meu coração se prendia, mas a ciência de Jesus ainda tinha mais que dar; pouco tempo depois vi e senti descer do Céu à terra para o lugar do meu coração raios de luz mais brilhante que o sol, pareciam vindos do Coração do meu Jesus, ligando-se e refletindo-se para sempre no lugar do meu coração. Tinha que me embeber toda naqueles raios de amor, o que dia a dia me vão embebendo cada vez mais, deixando-me transformada neles. Esses raios vão-me levantando da terra para o Céu. São um canal no qual eu me tenho de transformar e por dentro dele passar. É por ele que eu vou para Jesus.
Já me sinto elevada a uma certa altura da terra. Momentos há em que não posso resistir a tantas saudades do Céu. Espero ver o meu Jesus dentro em pouco com a minha querida Mãezinha e todos os meus amores por quem aaspiro; porém quero que se cumpram todas as promessas de Jesus, quero que me deem o meu Paizinho que sem eu dar motivos para isso e em momentos tão amrgos mo retiraram. Parece que só isso e a determinação da consagração do mundo peelo Santo Padre me obrigam a ainda viver na terra, triste exílio que não posso suportar.
“Sentimentos da Alma” Alexandrina Maria da Costa
UMA PAGINA DO DIARIO :
“VISÃO DO PARAISO”

26 de Agosto de 1942

Não custam as nossas ofertas a Jesus; dizer-lhe que todo o corpo é dele, dizer-lhe: Sou vossa para o martírio e para a cruz; mas quando se sentem os rigores da sua divina Justiça, quando Ele dá sinal que tomou a sério e as utilizou do nosso frágil instrumento, para assim salvar o mundo, é de morrer. Que tremenda e aterradoura é a Justiça divina! No dia 21 de Agosto, que era sexta-feira, Jesus veio como de costume desabafar comigo, mimoseando-me com os seus doces e ternos carinhos. Neste dia a sua bondade infinita não quis dispensarmos. Tinha que sofrer, tinha que experimentar o que o Eterno Pai reservava para o mundo culpado, mas sobretudo para Portugal. Sentia tudo em fogo, tudo em ruínas. Eram tais as labaredas que incendiavam Portugal, que não deixavam nele pedra sobre pedra, nem se podia descobrir o maior edifício. Com todas as queixas de Nosso Senhor, com todo o peso da justiça divina, fiquei deveras assustadíssima durante dois dias e duas noites. Repetidas vezes todo o meu ser estremecia aterrado de medo. As labaredas continuavam e eu sentia-me no meio de toda esta destruição. Era impossível poder resistir a este sofrimento se ele se prolongasse por muito tempo e se Jesus não tivesse para ele um atenuante. O que vou descrever não huro que foi a realidade, se bem que me parece poder jurar.
Deviam ser 4 horas da manhã, formou-se sobre mim um Paraíso. Este era formado só de anjos formosíssimos, brilhantes como ouro. Só via cabecinhas a asinhas; com estas esvoaçavam continuamente, fitando-me todos com os seus olhos brilhantes. Compreendi que aquele bater de asas era a chamar-me para o Paraíso. A minha alma sentiu tanto conforto que me fez sair fora de mim. Já não vivia na terra e uma força invisível me fez subir e aproximar-me desses anjinhos. Não sei o que me sustinha no ar. Desde então, todo esse medo das ameaças do Senhor foi suavizando, o brilho dos an,jos, aquele bater de asas vence tudo o que é dor, tudo o que ameça o mundo e Portugal. O Céu pode mais que a terra! O amor de Jesus é mais forte que a sua divina Justiça! A minha alma obriga-me a descrever tudo isto deixando ao juízo do meu Pai espiritual se isto foi sonho ou ilusão minha ou a verdadeira realidade. Parece-me que não dormia e o conforto que me deu só do Céu podia vir. Foi um renédio divino.
Alexandrina Maria da Costa

quinta-feira, abril 12, 2007

3° ANIVERSARIO DA BEATIFICAÇÃO

No próximo dia 25 de Abril celebraremos o 3º aniversário da Beatificação de Alexandrina Maria da Costa.

O programa desse dia será o seguinte:

06H30 - Recitação do Rosário
07H00 - Missa do Peregrino
07H30 - Exposição Solene do Santíssimo
11H00 - Eucaristia solene com benção dos doentes. Esta Missa será presidida pelo revdo P. Dário Pedroso, Vigário Episcopal das Religiosas da Arquidiocese de Braga. No fim da Eucaristia expõe-se de novo o Santíssimo.
Convidamos, de um modo particular, os doentes e idosos a participarem nesta celebração.
18H30 - Eucaristia Solene de Acção de Graças presidida pelo Senhor Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga.
Durante todo o dia haverá sacerdotes disponíveis para atenderem de confissão.
Neste dia será apresentado um livro com o título "Beata Alexandrina Apóstola da Eucaristia" sobre a devoção das 6 primeiras quintas-feiras, pedido feito por Jesus a Alexandrina em 25/2/49 . Esta publicação, da autoria do Reverendo P. Dário Pedroso, será uma publicação conjunta do Apostolado da Oração e da Fábrica da Igreja de Balasar. Tem por finalidade ajudar os fiéis a celebrarem as seis primeiras quintas-feiras.
Paróquia de Balasar

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Nota Pastoral
O NOVO CONTEXTO DA LUTA PELA VIDA

Reunida em Assembleia extraordinária, após o habitual retiro, a Conferência Episcopal Portuguesa, na sequência do referendo de 11 de Fevereiro, decidiu propor algumas reflexões pastorais aos cristãos e à sociedade em geral.
1. Apesar de a maioria dos eleitores não se ter pronunciado, o resultado favorável ao “Sim” é sinal de uma acentuada mutação cultural no povo português, que temos de enfrentar com realismo, pois indicia o contexto em que a Igreja é chamada a exercer a sua missão. Manifestou-se uma cultura que não está impregnada de valores éticos fundamentais, que deveriam inspirar o sentido das leis, como é o do carácter inviolável da vida humana, aliás consagrado na nossa Constituição. Esta mutação cultural tem várias causas, nomeadamente: a mediatização globalizada das maneiras de pensar e das correntes de opinião; as lacunas na formação da inteligência, que o sistema educativo não prepara para se interrogar sobre o sentido da vida e as questões primordiais do ser humano; o individualismo no uso da liberdade e na busca da verdade, que influencia o conceito e o exercício da consciência pessoal; a relativização dos valores e princípios que afectam a vida das pessoas e da sociedade.
Reconhecemos, também, que esta realidade social, em muitas das suas manifestações, tem posto a descoberto, em vários aspectos, alguma fragilidade do processo evangelizador, mormente em relação aos jovens. A nossa missão pastoral, por todos os meios ao nosso alcance, tem de visar este fenómeno da mutação cultural, pois só assim ajudaremos a que os grandes valores éticos continuem presentes na compreensão e no exercício da liberdade.
2. Congratulamo-nos com a vasta e qualificada mobilização, verificada nas últimas semanas, em volta da defesa do carácter inviolável da vida humana e da dignidade da maternidade. É um sinal positivo de esperança. É importante que permaneça activa, que encontre a estrutura organizativa necessária, para continuar a participar neste debate de civilização.
O debate do referendo esteve centrado na justeza de um projecto de lei que, ao procurar despenalizar, acaba por legalizar o aborto. A partir de agora o nosso combate pela vida humana tem de visar, com mais intensidade e novos meios, os objectivos de sempre: ajudar as pessoas, esclarecer as consciências, criar condições para evitar o recurso ao aborto, legal ou clandestino. Esta luta deveria empenhar, progressivamente, toda a sociedade portuguesa: Estado, Igrejas, movimentos e grupos e restante sociedade civil. E os caminhos para se chegar a resultados positivos são, a nosso ver: a alteração de mentalidades, a formação da consciência, a ajuda concreta às mães em dificuldade.
3. A mudança de mentalidade interpela a nossa missão evangelizadora, de modo particular a evangelização dos jovens, das famílias e dos novos dinamismos sociais. Toda a missão da Igreja tem de ser, cada vez mais, pensada para um novo contexto da sociedade. São necessárias criatividade e ousadia, na fidelidade à missão da Igreja e às verdades evangélicas que a norteiam.
Faz parte dessa missão evangelizadora o esclarecimento das consciências. A Igreja respeita a consciência, o mais digno santuário da liberdade. Não a ameaça, nem atemoriza, mas quer ajudar a esclarecê-la com a verdade, pois só assim poderá exprimir a sua dignidade.
Esta verdade iluminadora das consciências provém de um sadio exercício da razão, no quadro da cultura; é-nos revelada por Deus, que vem ao encontro do ser humano; é património de uma comunidade, cuja tradição viva é fonte de verdade, enquadrando a dimensão individual da liberdade e da busca da verdade. Para os católicos, a verdade revelada, transmitida pela Igreja no quadro de uma tradição viva, é elemento fundamental no esclarecimento das consciências.
Aos católicos que, no aceso deste debate, se afastaram da verdade revelada e da doutrina da Igreja, convidamo-los a examinarem, no silêncio e tranquilidade do seu íntimo, as exigências de fidelidade à Igreja a que pertencem e às verdades fundamentais da sua doutrina.
Aos fiéis católicos lembramos, neste momento, que o facto de o aborto passar a ser legal, não o torna moralmente legítimo. Todo o aborto continua a ser um pecado grave, por não cumprimento do mandamento do Senhor, “não matarás”.
Apelamos aos médicos e profissionais de saúde para não hesitarem em recorrer ao estatuto de “objectores de consciência” que a Lei lhes garante.
Às mulheres grávidas que se sintam tentadas a recorrer ao aborto, aos pais dos seus filhos, pedimos que não se precipitem. A decisão de abortar é, na maior parte dos casos, tomada em grande solidão e sofrimento. Um filho que, no início, aparece como um problema, revela-se, tantas vezes, como a solução das suas vidas. Tantas mulheres que abortaram sentem, mais tarde, que se pudessem voltar atrás teriam evitado o acto errado. Abram-se com alguém, reflictam, em diálogo, na gravidade da sua decisão.
4. Mas há uma resposta urgente a dar ao drama do aborto: criar ou reforçar estruturas de apoio eficaz e amigo às mulheres a braços com uma maternidade não desejada e que consideram impossível levar até ao seu termo. Estudos recentes mostram que a maior parte das mulheres nessas circunstâncias, se fossem ajudadas não recorreriam ao aborto. É um dever de todos nós, de toda a sociedade, criar essas estruturas de apoio.
Uma das novidades da campanha do referendo foi o facto de muitos defensores do “Sim” – a começar pelo Governo da Nação, que se quis comprometer numa questão que não é de natureza estritamente política – afirmarem ser contra o aborto, quererem acabar com o aborto clandestino e diminuir o número de abortos. Registamos esse objectivo, mas pensamos que o único caminho eficaz e verdadeiramente humano é avançarmos significativamente na formação da juventude e no apoio à maternidade e à família. Não poderemos esquecer que, no quadro social actual, a maternidade se tornou mais difícil. No actual contexto das nossas sociedades ocidentais só se chegará a uma política equilibrada de natalidade com um apoio eficaz à maternidade, com particular atenção à maternidade em circunstâncias difíceis e, por vezes, dramáticas.
No que à Igreja diz respeito, continuaremos a incluir esta acção de acolhimento e ajuda às mães entre as nossas prioridades. Mas para que esta acção seja eficaz, precisa-se da convergência de todos, Estado e sociedade civil. Demo-nos as mãos para acabar com o aborto e tornar a lei, que agora se vai fazer, numa lei inútil.
5. A busca de uma solução, a médio e a longo prazo, tem de passar, também, por uma política de educação que forme para a liberdade, na responsabilidade, concretizada numa correcta educação da sexualidade. Esta constitui um dos dinamismos mais ricos e complexos do ser humano, onde se exprimem a dimensão relacional e a vocação para o amor e para a comunhão. Uma vivência desregrada da sexualidade é uma das principais causas das disfunções sociais e da infelicidade das pessoas. A sã educação da sexualidade há-de abrir para a gestão responsável da própria fecundidade, através de um planeamento familiar sadio, que respeite e integre as opções morais de cada um. Quando a geração de um filho não for fruto de irreflexão, mas de um acto responsável, estará resolvido, em grande parte, o problema do aborto.
6. A luta pela vida, pela dignificação de toda a vida humana, é uma das mais nobres tarefas civilizacionais. Não será o novo contexto legal que nos enfraquecerá no prosseguimento desta luta. A Igreja continuará fiel à sua missão de anúncio do Evangelho da vida em plenitude e de denúncia dos atentados contra a vida.
Fátima, 16 de Fevereiro de 2007

sexta-feira, janeiro 19, 2007

NEM AGORA, NEM NUNCA

NÃO !...

O seio maternal, que é lugar de protecção concebido pelo nosso Criador, tornou-se numa armadilha mortal para as suas criaturas sem defesa, e do qual a fuga é impossível.
* * * * *
O que mais preocupa a mulher — tornando-se mesmo para ela um problema e uma espécie de obsessão — antes de decidir de recorrer ao aborto é de saber como e quando terá lugar a operação.
Não deveria ela pelo contrário interrogar-se e saber se ela tem ou não direito de fazer aquilo que ela projectou?
Não deveria ela interrogar-se e procurar saber se um embrião separado de sua mãe é ou não um ser humano?
Não, ela ignora, ou prefere ignorar que esse embrião é um ser humano em toda a acessão deste termo “humano”, e que nenhum médico, nem outra qualquer autoridade médica, até hoje, conseguiram provar o contrário. No que diz respeito às autoridades políticas — aqueles que com sorrisos e apertos de mão, sobretudo em épocas eleitorais — estes fazem promessas descabidas e tomam decisões drásticas, muitas vezes contrárias à ética.
No caso de Portugal, parece não ser bem assim, visto que o senhor Presidente da República pensou que seria melhor fazer apelo ao povo, um pouco como Pilatos. Depois, lavar-se-á as mãos e dirá muito calmamente: “Foram vocês que assim quiseram!...”
Estes casos são sempre apresentados como um bem, como um progresso, mas infelizmente, na maior parte dos casos, são como “lobos cobertos de peles de cordeiro”, como nos ensina o Evangelho.
Quanto às mães que formulam em suas mentes e em seus corações esta triste ideia, elas argumentam muito simplesmente:
“Não estou pronta para uma tal responsabilidade”, ou “não tenho meios necessários para assegurar a sua educação” ou ainda mais peremptoriamente: “eu não o quero”.
E o pai, que diz ele?
Que poderá ele — se for o marido — dizer, se a esposa tomou já a sua decisão?
Se ele está ao corrente, podemos chamar-lhe cobarde; outro Pilatos que depois se lavará as mãos e dirá como Eva no jardim do Éden: “Foi por culpa dela, ela não me disse nada, eu não estava ao corrente...”
Esta falta de “conhecimento” não diminui a culpa: ambos são culpados de crime e tanto um como outro deveriam incorrer a cólera da justiça dos homens, visto que a Justiça divina, essa não dorme...
O que não se faz neste mundo, meu Deus, em nome da liberdade!
Mas quantos confundem liberdade e anarquia...
Em nome desta “santa” liberdade tudo é permitido, mesmo aquilo que os nossos pais e avós nos ensinavam ser mal...
Esta liberdade que chamamos liberdade individual, deu origem à liberdade sexual que é “intrinsecamente perversa” e que dá origem a este género de situações: o aborto.
Notemos que esta “liberdade sexual” é uma “empresa de subversão revolucionária”, muito bem orquestrada e que permitirá mais tarde de estabelecer a tirania e o reino do Antecristo no fim dos tempos.
Mas, tenhamos confiança em Maria, “vencedora de todas as batalhas”; Ela tudo fará para que esta calamidade seja afastada de Portugal, sobretudo que a data escolhida para essa farsa inomável é aquela do aniversário da sua aparição em Lourdes.
Foi igualmente a Virgem Santíssima que em Fátima disse: “Em Portugal se guardará o dogma da fé”.
Tenhamos confiança e oremos todos!
Visitar este link:
www.bibleetnombres.online.fr/avortem.htm.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

SANTO PADRE BENTO XVI
não vem a Fátima em 2007
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Serviço de Imprensa do Santuário de Fátima
Terça-feira 9 de Janeiro de 2007 16 h 30

O Porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa divulgou há momentos em Fátima que o Santo Padre Bento XVI não virá a Fátima no ano de 2007.
D. Carlos Azevedo afirmou que, após o convite da Conferência Episcopal Portuguesa e do Bispo de Leiria-Fátima, e da presença de D. António Marto na audiência geral de 13 de Dezembro de 2006, a Secretaria de Estado do Vaticano informou a Conferência Episcopal Portuguesa da impossibilidade de o Santo Padre se deslocar a Fátima em Outubro de 2007, por ocasião do encerramento dos 90 anos das Aparições e da inauguração da Igreja da Santíssima Trindade.
A razão apontada prende-se com impossibilidade de agenda, uma vez que o Santo Padre tem procurado restringir o número de saídas.
Em todo o caso, Sua Santidade informou que enviará a Fátima um legado para as celebrações de Outubro e manifestou o desejo de vir a Fátima, em outra ocasião.
Em termos burocráticos, cabe agora à Conferência Episcopal Portuguesa apresentar a proposta de um legado de Sua Santidade, que será analisada, depois, pela Secretaria de Estado do Vaticano.
As declarações de D. Carlos Azevedo foram proferidas à comunicação social no final da reunião do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa, realizada hoje, na Casa de Nossa Senhora das Dores, no Santuário de Fátima.

terça-feira, janeiro 09, 2007

REUNIÃO EM FATIMA
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Reitores de Santuários de França reúnem em Fátima em Janeiro de 2007

A Associação de Reitores de Santuários Franceses (Association des Recteurs de Sanctuaires – ARS) realizará em Fátima a 27.ª edição do Congresso Anual da associação, que terá lugar nos dias 15 a 18 de Janeiro de 2007.
Para além dos cento e trinta reitores de Santuários de França, está também prevista a presença neste congresso de D. Jorge Ortiga, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, de D. José da Cruz Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa, e de D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima.
A ideia da organização do congresso em Fátima nasceu do convite formulado pelo Reitor do Santuário de Fátima, Mons. Luciano Guerra, à Associação de Reitores de Santuários Franceses.
“Esta realização (em Fátima) é devida a um convite meu, não só por ocasião do ano do nonagésimo aniversário das aparições de Fátima, mas também como sinal de reconhecimento pelo acolhimento fraterno que esta associação me dispensa no seu congresso anual, no qual participo desde há 23 anos”, afirma Monsenhor Luciano Guerra.
Relativamente ao programa, ainda em elaboração, este incluirá a realização de mesas redondas e a apresentação de conferências, visitas aos locais das aparições e a vários espaços do Santuário de Fátima e também a deslocação a vários locais turísticos integrados na Região de Turismo de Leiria-Fátima. Em termos de celebração religiosa, serão celebradas várias Eucaristias durante este congresso, no qual terá ainda lugar a Assembleia-geral da ARS.
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Notícia divulgada pelo serviço de Imprensa do Santuário de Fátima.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

ALEXANDRINA DE BALASAR
A quando do processo diocesano em vista da beatificação e canonização de Alexandrina Maria da Costa, o Padre Humberto Maria Pasquale, seu segundo Director espiritual, escreveu e publicou para a dita Causa, um livro deveras interessante — "Eis a Alexandrina" — e que muito depressa foi posto de lado, quando da saída nas Edições Salesianas, do seu outro livro "Alexandrina".
No primeiro livro citado, encontrámos alguns textos que nos parecem merecer uma nova publicação, por isso mesmo, vamos publicá-los aqui, esperando que eles encontrem junto dos nossos leitores a aceitação que na verdade merecem.
Começamos portanto pelo segundo tema do primeiro capítulo, cujo título segue:
O início da ascensão

A ascensão espiritual da Alexandrina pode considerar-se como não tendo jamais sofrido qualquer interrupção, porquanto, desde a infância, ela sempre se manteve fiel às práticas de piedade e se entregou à contemplação.
« Pelos 4 anos de idade, punha-me a contemplar o céu... porque não sei o que me atraía para lá... Já nesta idade amava a oração... E, se nesta idade manifestava os meus defeitos, também mostrava o meu amor pela Mãe do Céu, e lembro-me com que entusiasmo cantava os versinhos a Nossa Senhora » (Autobiografia).
Ao falar do período que se seguiu à Primeira Comunhão, a Serva de Deus escreve : « À medida que ia crescendo, ia aumentando em mim o desejo da oração... Pelos nove anos, quando me levantava cedo para ir trabalhar nos campos, e quando me encontrava sòzinha, punha-me a contemplar a natureza: o romper da aurora, o nascer do sol, o gorjeio das avezinhas, o murmúrio das águas entravam em mim numa contemplação profunda, que quase me esquecia de que vivia no mundo. Chegava a deter os meus passos e ficava embebida neste pensamento : o poder de Deus! » (Autobiografia).
Ainda criança, já a Alexandrina procurava evitar tudo o que pudesse ofender a Deus, esforçando-se por corrigir o seu próprio carácter.
« Não gostava de ouvir conversas maliciosas e, embora não compreendesse o sentido delas, chegava a dizer que me retirava se não falassem de outra forma. Também me indignava toda quando presenciava cenas indecentes entre pessoas adultas. Tinha medo de perder a minha inocência » (Autobiografia).
Perguntou-lhe, um dia, o segundo director espiritual : — Quais os defeitos que mais trabalho lhe deram a corrigir ?
A Alexandrina ficou pensativa, por momentos, e depois respondeu :
— Eu não sei ; eles todos me dão trabalho.
— Diga alguns — volveu o director.
— É o génio; ainda hoje tenho muito génio. É o calar-me. De pequenina, esforçou-se a Serva de Deus por praticar as virtudes características de uma boa filha. Ela própria o disse e a Deolinda confirmou: «Não me lembro de ter desobedecido à minha mãe nem uma vez sequer ».
Em 23 de Setembro de 1953, a Alexandrina escreveu : « Obedeci sempre e obedecerei, se Deus quiser. Se por acaso Vossa Reverência ouvir dizer que não obedeci, então reze por mim, porque é sinal de que perdi o juízo ».
Bem cedo a habituaram ao trabalho, e a um trabalho duro como é o da lavoura. « A minha mãe ensinou-nos a trabalhar desde muito novas. Mandava-nos encher canelas, ir buscar tojos e lenha caídos dos pinheiros » (Deolinda). « Pelos 9 anos, levantava-me cedo para ir trabalhar nos campos... » (Autobiografia ). « A minha irmã — diz a Deolinda — muito cedo se revelou uma valente trabalhadeira. A minha mãe bem podia entregar-se a outros trabalhos como tecer ou até trabalhar fora de casa e entregar o governo da casa à minha irmã, que ela dava perfeita conta do recado ».
Na sua autobiografia, a Alexandrina comenta : « Até aos 14 anos trabalhei nos campos, e com tal cuidado que me pagavam o jornal como à minha mãe ».
A senhora D. Maria Morado Torres, da Aguçadoura, fez-lhe este elogio : « A Alexandrina esteve a trabalhar de jornaleira em casa do meu pai, Luís Alves Torres. Os meus pais lembravam-na sempre como muito boa rapariga, diferente de todas as outras. Não sabiam o que é que ela tinha para se diferenciar assim ».
P. Humberto Pasquale: "Eis a Alexandrina".

quinta-feira, janeiro 04, 2007

RADIO MARIA
(Itália)

Temos o prazer de informar os nossos amigos que amanhã, dia 7 de Janeiro, às horas indicadas abaixo, uma transmissão na “Radio Maria”, radio italiana, vai ser consagrada ao R. P. Humberto Maria Pasquale, segundo Director espiritual da Beata Alexandrina. Trata-se de uma emissão em língua italiana, dirigida pelo R. P. Pier Luigi Cameroni, estando igualmente presentes diversos outros amigos da Beata de Balasar.
Nós não sabemos qual possa ser o impacto desta emissão, por isso mesmo pedimos encarecidamente que nos informem, utilizando a possibilidade que vos é dada de comentar este anúncio. O nosso muito obrigado.
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Trasmissione a Radio Maria

Domenica 7 gennaio 2007
ore 21.00-23.00

Presso gli studi del Centro Evangelizzazione e Catechesi "Don Bosco" di Torino si svolgerà la Tavola rotonda

IL MONELLO DI DIO,
DON UMBERTO MARIA PASQUALE
SACERDOTE SECONDO IL CUORE DI CRISTO

Con la partecipazione di:

Padre Gabriele Amorth, esorcista

Dott.ssa Maria Rita Scrimieri, Cooperatrice Salesiana,
Coordinatrice Centro Studi “Opera dei tabernacoli Viventi”
e curatrice del volume su don Umberto(1)

Don Teresio Bosco, salesiano – pubblicista

Don Pier Luigi Cameroni, salesiano

Don Umberto Pasquale, Salesiano (1906-1985)

Don Umberto Pasquale nasce il 1 settembre 1906 a Vignole Borbera (Alessandria - Italia). Accolto a Valdocco (Torino) nel 1919, vi frequenta due anni di ginnasio ma viene tolto dal padre. Vinte alcune difficoltà, riesce ad entrare nel seminario tortonese di Stazzano. Al terzo anno di teologia ritorna dai Salesiani. Durante il noviziato a Borgomanero presenta la domanda per il lebbrosario della Columbia. In procinto di partire, viene pregato dai Superiori di recarsi per un anno in Portogallo in aiuto all'Opera riaperta poco prima. L'obbedienza provvisoria si prolunga per 15 anni. Ordinato sacerdote a Lisbona nel 1935, dal cardinale Cerejeira, apre nel 1937 la Casa di Mogofores, eretta a noviziato, a cui da presto una sede più ampia (nel 1939), trasformando la casa primitiva per opere parrocchiali: oratorio maschile, laboratorio per ragazze e nido per l'infanzia. Da vita alle Edizioni Salesiane che, nel 1945, traslocano ad Oporto ed a cui nel 1947 da una sede propria. Don Umberto assume ufficialmente la direzione spirituale di Alexandrina l’8 settembre 1944. Richiamato in Italia nel 1948, viene destinato al Centro Catechistico a Leumann-Torino. Continua a ricevere i Diari di Alexandrina e ne diventa il principale biografo. Viene chiamato a Balasar nel 1965 per preparare il Processo Informativo Diocesano, nel quale è uno dei principali testi. Il 7 maggio 1973 ne porta tutta la documentazione a Roma. Muore a Rivoli (Torino) il 5 marzo 1985.
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(1) Cfr. (a cura di) Scrimieri Pedriali Maria Rita,
IL MONELLO DI DIO DON UMBERTO MARIA PASQUALE. Direttore spirituale della Beata Alexandrina Maria da Costa, Elledici, Torino 2006
(in vendita presso le librerie Elledici e Paoline)

sábado, novembro 25, 2006

PÁGINAS DO “DIÁRIO” - 1

— Confias em Mim, minha filha ? Confias no meu amor ?”

— Só vós sabeis até que ponto vai a minha confiança. Eu confio, mas, talvez, não como devia confiar. E também, Jesus, não sofro como devia sofrer ; perdoai-me, não tenho forças para mais. Tenho-vos ofendido muito, não tenho, Jesus?

— “Sossega, tudo permito para tua humilhação. Consolo-me tanto, ao ver-te humilhada! Há quatro anos que te preveni para a luta, para lutares aparentemente sozinha. Foi aparente porque eu nunca te abandonei. Hoje não te previno para maiores lutas, porque as maiores estão passadas. Previno-te, sim, para seres forte em aguentares a tua cegueira e o sentir da minha separação de ti. Quero dar lugar àquele que virá dar-te um pouco de conforto. Dou-lhe lugar, mas fico sempre. Confia, que a Minha ausência será só aparente e não a realidade. Coragem! Depressa voarás para o Céu. Preveni-te há um ano para as amarguras. Sim, e elas continuam, porque as próprias alegrias para ti serão amargas. Sentes-te vazia, despida de tudo, até dos próprios sofrimentos? Não estranhes, que tudo do nada vem. Tudo Me deste, de tudo Me utilizei para as almas. Escuta, minha filha, é Jesus que te agradece as que, pela tua dor, no ano findo, foram salvas. Quantas já estão no Céu, quantas no purgatório, quantas ainda no mundo, mas que pelo seu arrependimento tem carta à salvação. Obrigada, minha filha, pela tua dor, pelo teu amor, pela grande mediação às almas”.

— Que vergonha, meu Jesus! Se eu pudesse esconder-me de Vós! Que grande humilhação! Um Deus a agradecer à mais pobre e miserável das suas criaturas! O que sou eu sem Vós? Se algumas almas salvei, foi com aquilo que é vosso.

Diário de 4 de Janeiro de 1946

OBITO

Acabamos de receber a triste notícia do falecimento, sexta-feira dia 24 de novembro de 2006 — em Portugal, não longe de Balasar — do pai do nosso caro amigo, o Professor José Ferreira, ao qual apresentamos os nossos sinceros sentimentos, assegurando-o das nossas preces fervorosas.

Afonso Rocha e colaboradores

terça-feira, novembro 14, 2006

ORAÇÃO AO PADRE HUMBERTO

O Trindade Santíssima, fazemos subir até Vós um hino de louvor e de gratidão por terdes dado à Igreja e à Família salesiana, dom Humberto Maria Pasquale, sacerdote segundo o Coração de Cristo. Quando o chamastes, ele consagrou a Vós a sua vida e seguiu fielmente o caminho aberto por São João Bosco, anunciou o Evangelho e levou, por onde andou, o Vosso amor, consagrando-se à educação da juventude pobre, aos pequeninos, aos que sofrem, e conduzindo numerosas almas pelo caminho da santidade. Nós esperamos de Vós, pela intercessão de São João Bosco e de seu filho fiel dom Humberto, a graça de sacerdotes santos e de directores espirituais que, inspirados pelo Espírito Santo, guiem os jovens e todas as almas pelo caminho da caridade e da santidade.

Imprimatur
+ Martino Canessa
Curia Arcivescovile di Tortona
22.09.2006


Centro Studi “Opera dei Tabernacoli viventi”
Famiglia Salesiana – Via Copernico 9
20125 Milano (Italia)