domingo, agosto 15, 2010

O SANGUE DO CORDEIRO

Alexandrina Maria da Costa

« Estes são os que vêm da grande tribulação ;
lavaram as suas túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro ».
(Ap. 7, 14)

APRESENTAÇÃO

A vida da Alexandrina Maria da Costa é uma fonte inesgotável de “água viva” na qual se podem “beber” muitas águas diferentes, mas todas salutares e santificantes.

Os carismas de que beneficiou são numerosos e, cada um deles mereceria um estudo aprofundado pela parte de autores competentes e versados em ascética e mística : eles aí encontrariam não só matéria de reflexão intensa, mas também maravilhas divinas que mais ainda os instruiriam na ciência em que são peritos incontestáveis.

Nós não possuímos essa ciência, mas ousamos falar dela e partilhar com aqueles que irão ler estas páginas, o nosso amor à Alexandrina, “canal” incontestável das graças e ciências divinas. Por isso mesmo e, para evitar comentários que poderiam “escandalizar” aqueles que nesta matéria são especialistas, vamos utilizar, tanto quanto nos for possível os próprios trechos da “Doentinha de Balasar” que mais do que nós, mesmo se nada mais tinha do que a instrução primária rudimentar, é “doutora em ciências divinas”, como o próprio Jesus o afirmou.

O título dado a este trabalho poderá surpreender aqueles que pouco o nada conhecem da vida e dos carismas da Alexandrina, mas, estamos seguros que a leitura terminada, terão compreendido o porquê do mesmo título, esperando que assim se possam igualmente maravilhar de tudo quanto o Senhor operou de extraordinário e notável nesta alma de excepção.

Não temos qualquer receio em afirmar que os escritos da Alexandrina não sofrem qualquer sombra dos escritos doutros místicos tais como Santa Teresa de Ávila, S. João da Cruz, Beata Ângela de Foligno, Santa Gertrudes ou Santa Matilde de Hackerborn, pois fácil é de notar que a “Fonte” é a mesma e que por esta razão, a “concorrência” deixa de justificar-se.

A Alexandrina, tal como o disse Jesus, é na verdade “Mestra das Ciências divinas” .

O assunto que vamos procurar desenvolver aqui não é dos mais fáceis, mas esperamos que com a ajuda de Deus e a protecção e inspiração da Bem-aventurada Alexandrina, possamos dizer alguma coisa e demonstrar o carisma extraordinário do qual poucos ou nenhuns — excepto, julgamos, a Beata Ângela de Foligno — : a “transfusão” do Sangue divino como alimento da alma e do corpo da sua querida esposa de Balasar, como mais adiante diremos.

No que diz respeito a esta mística, encontrámos no livro das suas “Visões e revelações” este curto e único trecho que faz referência a este carisma que não parece ter durado muito tempo, visto que no resto da mesma obra não voltamos a encontrá-lo :

« Não dormia. Ele chamou-me e disse-me que aplicasse os meus lábios sobre a ferida do seu lado. Pareceu-me que aplicava os meus lábios, e que bebia sangue, e neste sangue ainda quente eu compreendi que ficava lavada. Eu senti pela primeira vez uma grande consolação, misturada uma grande tristeza, porque tinha a Paixão diante dos meus olhos. E solicitei do Senhor a graça de derramar o meu sangue por Ele como Ele tinha derramado o seu para mim » .

A autora italiana Eugénia Signorile, no seu excelente livro “Só por amor!” evoca longamente este fenómeno místico excepcional. Ela anuncia-o assim :

« O fenómeno da Eucaristia real dada misticamente já se tinha verificado com algumas grandes almas muito elevadas na espiritualidade, dotadas duma especial sensibilidade para as realidades celestes. Por exemplo, Santa Verónica Giuliani, Santa Gemma Galgani ; e em 1916 Jesus escolheu a pequena Lúcia de Fátima para dar-Se a ela mediante o anjo da guarda.

Mas a Beata Alexandrina recebe ainda um outro alimento para o corpo e para a alma : um conjunto de sangue, vida, amor, sob forma de verdadeira transfusão para o sangue e de efusão para o amor. É a primeira alma mística para quem se efectua tal fenómeno ».

Uma das maiores doutoras da Igreja, Santa Catarina de Sena, fala do Sangue do Senhor e dos seus efeitos, nestes termos :

« Este sangue precioso é a fonte de todo bem ; salva e torna perfeito qualquer homem que se aplique a recebê-lo ; dá a vida e a graça com mais ou menos abundância, de acordo com as disposições da alma ; mas ele é causa de morte para o que vive no pecado » .

Podemos — e devemos talvez — perguntar a nós mesmos e àqueles que poderiam duvidar um instante de veracidade de tal carisma : “Que diz o Evangelho a este respeito ?” A resposta surpreender-nos-ia, sem verdadeiramente surpreender... Ouçamos o que diz Jesus :

« Em verdade, em verdade vos digo : se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia, porque a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue, uma verdadeira bebida. Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e Eu nele » .

Este carisma parece ter sido precedido de diversas primícias, que não o anunciando — porque nem era conhecido — preparavam no entanto a sua vinda de maneira durável.

Será útil notar aqui que os trechos dos escritos da Alexandrina que a seguir vamos dar, não serão tirados do contexto em que se encontram, pois isso riscaria de prejudicar a boa compreensão dos mesmos e de perturbar o leitor. Não será portanto de es-tranhar que alguns deles sejam mais longos do que outros.

Os mesmos trechos manter-se-ão na ordem cronológica, tais como se encontram no Diário da Beata Alexandrina.

Afonso Rocha

terça-feira, março 23, 2010

UM MINUTO COM A BEATA ALEXANDRINA

Em que consiste?

Todos aqueles que habitualmente consagram ao menos uma hora à adoração eucarística são convidados a fazerem um minuto suplementar de adoração. UM MINUTO!

Durante este minuto devem unir-se espiritualmente às intenções da Beata Alexandrina que, como todos sabem foi uma “Vítima da Eucaristia”, a sua primeira missão sendo aquela de velar sobre todos os tabernáculos do mundo, especialmente aqueles diante dos quais ninguém orava nem ora.

Esta acção é internacional e começará no dia 1º de Abril 2010, e será seguida por numerosos conventos de França, Bélgica e Holanda, assim como por numerosos leigos dos mesmos países.

No mês de Julho ou Agosto — a data ainda não está fixada — durante um Congresso Eucarístico que se realizará em Paray le Monial — cidade onde Jesus apareceu a Santa Margarida Maria Alacoque — serão dadas conferências especialmente destinadas a melhor fazer conhecer e amar a Beata Alexandrina.

Antes deste Congresso, um CD sobre a sua vida e obras vai ser gravado e serão também distribuídas cartas — do tipo carta bancária — contendo uma fotografia da Beata ao recto e ao verso uma curta oração eucarística.

Todos estes preparativos vão ser começados após a próxima Páscoa de maneira a estarem operacionais no momento preciso.

Todos aqueles que desejarem participar a este movimento internacional, podem inscrever-se, enviando um simples Mail a este endereço: “Eu participo ao minuto de adoração”.


Contamos com a participação de todos e, estamos persuadidos que o entusiasmo dos nossos irmãos brasileiros não ficará ausente desta acção que outro fim não tem do que aquele de fazer amar e venerar a nossa querida Alexandrina.

UM MINUTO é tão pouco, mas pode tornar-se muito! Vejam:

Se apenas houver uma pessoa a adorar Jesus no Santíssimo Sacramento, nada mais faz do que 60 segundos... Mas, se forem 100, podem contar-se agora, não minutos, mas horas: 10, o que ainda parece pouco. Mas se formos 10 000 a fazer esse gesto, então contaremos 1000 horas de adoração, e assim de seguida...

Sejamos numerosos, para a maior honra e glória de Deus e a exaltação da nossa Alexandrina de Balasar.

sábado, março 06, 2010

6 DE MARÇO DE 1943 - PRIMERO SABADO

Visita da Mãezinha

— A vida na dor, a vida na paz e no amor de Jesus. O amor eleva a alma, purifica-a, santifica-a. Gozar de Jesus é gozar o Céu na terra. Filhinha, filhinha, Jesus ama-te, Jesus quer-te na sua Pátria. Filhinha, filhinha, Jesus ama-te e ama-te a sua bendita Mãe com a maior loucura de amor. O teu lugar no Céu é junto do seu trono. A tua coroa brilha lá no alto com todo o brilho e candura. Que encantador lugar o teu entre as virgens mais puras. Dá almas, dá almas, dá almas, minha filha, ao teu Jesus. Dá fogo, dá fogo, dá fogo, minha filha, ao teu Pai espiritual para ele dar às almas. Jesus ama-o com todo o amor e dá-lhe toda a luz para ele as guiar e lhas conduzir. Dá, minha filha, dá ao teu médico a bênção de Jesus para ele e para todos os filhos seus. Dá, filhinha, dá aos que te amam o fogo divino, o amor de Jesus. Amor que te abrasa e consome, amor que é a tua vida e será a tua morte. Estende e espalha na terra o amor que será a salvação da pobre humanidade, da humanidade corrompida, da humanidade culpada. Filhinha, filhinha amada, escuta a tua Mãezinha querida:

Eu amo-te, amo-te e dou-te a ti a ternura e o amor do meu Santíssimo Coração. Dou-te a minha pureza, dou-te a minha graça; és o encanto de Jesus, nada te será negado por mim e por ele. Pede, pede, pede para distribuíres. Recebe e dá aos que te amam, que por nós também são amados. Pede, recebe e dá aos pecadores; suspiro que se reconciliem com o meu Jesus, que todos se salvem. Recebe as carícias de Jesus, recebe as da tua querida Mãezinha.

― Mãezinha! Mãezinha! São tão doces e tão ternos os vossos miminhos! Muito obrigada, Jesus! Muito obrigada Mãezinha, fazei de mim o que quiserdes!

Beata Alexandrina aria da Costa: "Sentimentos da alma" – 6 de Março de 1943.

segunda-feira, março 01, 2010

MEDITAÇÃO PARA O TEMPO DE QUARESMA

Passei deste martírio ao Horto

O demónio não cessa a sua guerra contra mim; o meu espírito é com dúvidas consumido. Quando assim é, Jesus vem por uns momentos suavizar a minha alma com o Seu amor e a Sua paz; fico mais forte para a luta. Passou o quinto aniversário que Jesus deixou de manifestar em mim a Sua Santa Paixão e dei-xei de me alimentar. Só quero o que Jesus quer. Mas ó que pena e que sauda-des. Senti durante três dias como se todo o meu ser tivesse bocas para comer; tudo ansiava. O alimento que eu desejava, que era tudo, sentia que todo o mundo o comia; para mim só me bastava a dor e a saudade. Meu Jesus, sou a Vossa vítima. Os olhos do corpo não choravam, mas os da alma suspiram o lugar; foram lágrimas dolorosas, mas sempre conformes com a vontade do Senhor.

Passei deste martírio ao Horto, para ali me unir a mais padecimentos. Foi o meu rosto escarrado, os olhos vendados, mas tinha outros olhos que viam passarem pela minha frente por escárnio, ajoelhando, fazendo grandes continên-cias. Sobre os meus ombros, tinha uma velha capa, sobre a cabeça uma velha coroa, e eu, no maior abatimento, no meio de tantos algozes. Eu digo eu, mas não era eu, era Jesus revestido em mim. Se fosse eu não sofria, porque tudo mereço. Sou muito humilhada, sinto-me desesperada, e reconheço que sou digna de tudo. Mas ver e sentir Jesus sofrer assim, não tenho coração para aguentar! Tenho por vezes que esforçar meus olhos e os meus sentimentos a retirarem-se de tão grande suplício. Quanto sofreu Jesus, que dor sem igual; e tudo por nosso amor. No solo do Horto levantaram-se como que quatro negras paredes de tal altura, que não lhes via o fim; fiquei entre elas, apertada como numa prensa com a visão de todos os sofrimentos. E então de todo o meu cor-po saía suor de sangue; fiquei banhada e como nunca só ferida.

Alexandrina Maria da Costa: Sentimentos da alma; 28 de Março de 1947.

domingo, fevereiro 21, 2010

ENRICO DAL COVOLO

Uma notícia que nos alegra é aquela publicada pela Agência noticiosa “Zenit” e que diz respeito ao Padre Enrico Dal Covolo, Postulador da causa de canonização da Beata Alexandrina de Balasar:

Enrico dal Covolo explica exercícios espirituais do Papa

ROMA, sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010 (ZENIT.org). – A partir do domingo, dia 21, até o sábado, 27 de fevereiro, serão realizados, na presença do Papa Bento XVI, os exercícios espirituais para a Cúria Romana.

Tendo como referência o Ano Sacerdotal em curso, as meditações serão propostas pelo sacerdote salesiano Enrico dal Covolo, sobre o tema “'Lições' de Deus e da Igreja sobre a vocação sacerdotal”.

Para compreender melhor o objectivo e a finalidade destes exercícios, Zenit entrevistou Enrico dal Covolo.

Tanto em educação como em pregação, Dal Covolo, 59 anos, sacerdote há 31 anos, está longe de ser um novato: tem mais de 200 retiros preparados. Professor de literatura cristã antiga, é especialista nos Padres da Igreja. Desde 2002, é consultor da Congregação para a Doutrina da Fé e faz parte do Comité Pontifício de Ciências Históricas. Dentro da congregação, é postulador geral para as causas dos santos da família salesiana.
Para ler toda a entrevista, carregue la ligação a seguir:

sábado, fevereiro 20, 2010

A MINHA IGNORÂNCIA NÃO ME PERMITE...

Parece-me que nunca amei Jesus

Continuo no meu Calvário, na minha vida sem mérito. Nada há em mim que tenha o mínimo merecimento. Eu quero, sim, eu quero sofrer, mas não tenho coragem para levar a cruz. Todas as coisas me deixem tímida e apavorada. A vontade está acima de tudo. Quero amar, louca e apaixonadamente, a Jesus e não O ofender; quero abraçar-me à cruz, para não mais a deixar, por Seu amor e para bem das almas. Tudo me parece perdido, mas não me importo, abandonei-me a Jesus e à Mãezinha. Vou para onde me levarem os Seus Divinos Corações. Estou segura; vivo confiada de que sou bem conduzida e de que não Vos hei-de ofender, apesar de me parecer que não faço outra coisa senão pecar. Digo que confio e sinto que nem tão pouco sei que seja a confiança. Parece-me que nunca amei Jesus, nem compreendo o que seja o Amor. A minha ignorância não me permite exprimir os sentimentos tão dolorosos e profundos da minha alma. Penoso martírio, pavoroso Calvário ! Gasto todos os momentos da minha vida, pensando no mal, nas variadíssimas formas de como hei-de pecar, calcando sempre a meus pés os direitos e a Lei santa do Senhor. E sempre a vomitá-Lo para fora do meu coração! Perdi a Jesus e sinto tê-Lo perdido para sempre.

Numa hora de mais tremenda reparação, em que me pareceu ofender a Jesus mais horrivelmente, eu ia mesmo, mesmo a cair no inferno. Cheguei a gritar. Fui salva não sei por quem. Uns braços se lançaram aos meus e arrancaram-me daquele tremendo abismo de demónios, feras e fogo. Parte do meu corpo já estava nele. Quando me parecia pecar tão sacrilegamente, via que todo o meu ser era inferno, e que não podia dar nem um único passo à frente, porque logo ficava sepultada em horrorosos tormentos e fogo. Foi quando escorreguei e fui salva só pelos braços e não sei por quem. Fiquei fora, mas tanto à beirinha que ao mais pequenino movimento voltava a cair. Sem pensar nisso, sem nenhum temor, continuei na mesma vida leviana e criminosa. Se por um lado sentia uma dor infinita, por outro revoltava-me contra essa dor e tentava aumentá-la ainda mais, com os meus loucos desvarios. Jesus fora do meu coração, perseguido por mim, que Lhe renovava toda a Paixão e Morte, chorava, e fitando-me com os Seus olhares terníssimos, mas o mais doloroso que se possa imaginar, bradou-me :

― Ainda não estás satisfeita ? Não acabas de Me ofender ? Pensa quanto te amei, quanto sofri por ti e para a missão que te escolhi.

Alexandrina Maria da Costa: Sentimentos da Alma, 4 de Abril de 1952.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

QUERO VIVER SÓ DE AMOR

Meditação

Jesus, não quero mais viver de ilusões; quero viver só de amor e de confiança. Cortai em mim tudo o que é terreno, quero só esperar em vós, quero ser forte, mas não posso, sinto-me definhar dia a dia. E sinto na minha alma que novos assaltos estão para cair sobre mim. Tudo é revolta. Prevejo um mundo de leões laçarem-se a mim com toda a raiva para me devorarem. Que angústia na minha alma! Que tristeza profunda no meu coração! A alma treme de medo com todo o meu corpo; não posso viver assim. Será porque o fim se aproxima? Venha ele, venha depressa. O Céu é a minha esperança. Quero, por todos os caminhos percorridos durante a vida, deixar escrito com o meu sangue o Vosso amor. São caminhos de luta, caminhos de negras trevas; trevas como nunca, abandono como nunca imaginei passar. Levanto as minhas mãos ao Céu, para o Céu que tantas vezes fitei e contemplei com amor, mas não o vejo. Brado com toda a força, do fundo do coração, e o meu brado não sobe, parece-me Jesus não ouvir! Abandono, que completo abandono!... Jesus, Jesus, compadecei-vos de mim, parece-me que vos perdi e que perdi a Mãezinha. Afastaram de mim na terra o amparo, guia e luz que me tínheis dado. Jesus, Jesus, olhai a louquinha perdida que tudo sofre e aceita por vosso amor, para dar-vos as almas. Jesus, Mãezinha, quero sofrer tudo; as forças não me ajudam. Estou sozinha, posso dizer convosco: Pai, porque me abandonaste? Quereis assemelhar-me a vós? Obrigada, meu Jesus. Submeto-me ao peso da vossa Cruz. Sinto arrancarem-me o coração, sinto que vou morrer esmagada, mas quero balbuciar sempre: Ó como é doce morrer por amor! Ó como é doce cumprir a vontade do Senhor! Jesus, à medida que se aproxima a crucifixão, o pavor aumenta, sinto-me cravada na cruz, dando de longe a longe um suspiro até que seja o derradeiro. A agonia aumenta, São dados ao meu corpo maus tratos sem piedade. Ó mundo, ó mundo que não conheces a dor nem o amor de Jesus. Só com ele se abraça a Cruz, só com ele se caminha para o martírio!

Sentimentos da alma: 20 de Março de 1942.

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

MEDITAÇÕES PARA O TEMPO DE QUARESMA

Jesus sofre, chora, suspira profundamente


A cruz aumenta, os mimos de Jesus são cada vez mais. Digo mimos, porque os desgostos, os sofrimentos, os espinhos recebo-os como carícias e miminhos do meu Jesus. Custa muito, muito e eu sei que não posso resistir a mais dor; mas o amor que eu anseio ter a Jesus e as ânsias de O consolar cegam-me de tal forma que eu não posso deixar de repetir: mais, mais, meu Jesus, mais, seja tudo por Vosso amor e para a salvação das almas. Não posso falar; hoje tenho que abafar a voz da minha alma, que apesar da minha ignorância sem igual, não pode calar-se. Neste dia, tem que ocultar e fazer o sacrifício de guardar para si e sofrer em silêncio. Não posso esforçar-me nem mover os lábios. Von-tade do meu Senhor, em ti está a minha ventura e felicidade!

Ontem de manhã imprimiram-se mais ao vivo as chagas de Jesus no meu cor-po. Senti como se Ele viesse da cruz para mim e em mim Se imprimisse e nele me transformasse. À noite, a visão do Calvário levou-me ao suor de sangue e à agonia do Horto. Sofri tanto, tanto, de tantas formas! Seja o meu Jesus bendi-to !

Hoje segui para o Calvário. Eu era a cruz de Jesus. Ele levou-a e nela me levou a mim. Sofri com Ele e Ele comigo. Fomos sempre os dois num só. Ao terminar da montanha, senti-me morrer no leito da cruz. Quando esta (foi?) levantada ao alto, pareceu-me ficar toda dentro do Coração divino do meu Jesus. Era Ele o crucificado. O meu desfalecimento era tanto que não podia bradar; bradava Jesus e era meu e dele o Seu brado. No momento de expirar, Jesus entregou ao Pai o Seu espírito com todo o amor do Seu divino Coração. Foi assim que eu com Ele expirei.

Passado algum tempo, principiei a ouvir os Seus suspiros e a Sua dolorosa voz.

Jesus sofre, chora, suspira profundamente. Vê o mundo, contempla-o, vê o que ele é, o que há-de ser.

Jesus sofre, chora, suspira profundamente. Vê o mundo cruel e pecaminoso, vê a justiça do Seu Eterno Pai prestes a puni-lo, a castigá-lo com todo o rigor.

Minha filha, Minha filha, vítima amada, vítima querida.

Minha filha, Minha filha, esposa querida, esposa fiel e predilecta de Meu divi-no Coração: tu és sal e sol da terra, tu és pára-raios e salvação da humanidade. Tu és farol, que iluminas com todas as cores do arco-íris. És rica de graça, rica de todas as virtudes. Um ano a mais passou-se para ti. Mais um ano de favores e prova do Meu divino amor para as almas por te ter escolhido para vítima des-te Calvário. Coragem, coragem e alegra-te porque o Senhor está contigo, em ti Se alegrou e alegrará sempre. Aceita, Minha filha, um muito obrigado do teu Jesus. Sim, um obrigado Meu, um obrigado divino pelo muito que sofreste, pelo muito que amaste.

— Ó Jesus, ó Jesus, isso humilha-me, as Vossas divinas palavras fazem-me so-frer. Sofro, porque ouvi e senti os vossos suspiros, as Vossas lágrimas caírem no meu pobre coração. Sofro e humilho-me pelo Vosso obrigado, quando eu sinto que nada sofro, que nada Vos amei, que foi só o Vosso divino Coração a sofrer e amar. Eu por mim, Jesus, nada fui, nada sou, nada serei. Morri, morri para tudo.

— Ó minha filha, Minha filha, sim, morreste para tudo o que é do mundo e vi-verás sempre pata Jesus e para as almas, porque vives só a vida de Cristo, a vida mais imitadora, a cópia mais fiel de Cristo crucificado, de Cristo Redentor. Continua, continua a tua missão: bem curta que ela vai ser agora aqui na terra, mas vais continuá-la no Céu. Aqui, pedindo e sofrendo; lá, pedindo e amando.

Acode, acode às almas e previne-as, avisa-as: a justiça não demora, o castigo aproxima-se. Avisei, avisei, esperei, esperei, pedi como mendigo da terra ora-ção, penitência, emenda de vida.

Não desanimes em pedires, em sofreres com alegria e amor. Haja o que hou-ver, venha o que vier, é sempre de utilidade e salvação para o mundo cruel e ingrato.

Recebe agora a gota do meu sangue ; é sangue de vida, é sangue de amor ; é gota que te leva a paz, a Minha divina paz.

Coragem, fica na cruz. Vêm os Anjos cheios de amor apertar-te os cravos.

— Obrigada, meu Jesus. Bem os vejo baterem as asas, asinhas brancas. Não me batem os cravos com crueldade, mas sim com doçura e carinho.

Obrigada, obrigada. Atendei aos meus pedidos, às minhas grandes intenções que tenho presentes, tomais conta delas, meu Jesus. Confio em Vós.

— Sim, Minha filha, podes confiar. Vai em paz e leva o meu amor que é a força e a alegria da tua cruz.

— Obrigada, obrigada, meu Jesus.

Sentimentos da alma: 4 de Janeiro de1952 – Sexta-feira

terça-feira, dezembro 01, 2009

A ESPIRITUALIDADE DA ALEXANDRINA

A nossa colaboradora, Paulette Leblanc, francesa reformada da função pública, acaba de nos enviar um trabalho muito interessante sobre a espiritualidade da Beata Alexandrina de Balasar.
Trata-se de um longo trabalho onde ela mostra os seus conhecimentos, não só sobre a vida da Beata, mas também sobre a teologia ascética e mística.
Não nos foi possível traduzi-lo — ao menos por enquanto — em português, mas para aqueles que conhecem a língua de Molière, convidamos que visitem o Blogue francês sobre a nossa querida Beata, onde foi começada a publicação desse interessante trabalho.

http://alexandrina-de-balasar.blogspot.com/

Não é a primeira vez que a Paulette escreve sobre a Alexandrina de Balasar, visto que há pouco tempo a Associação Alex-Diffusion publicou uma curta biografia da Beata Alexandrina escrita pelo mesmo autor.
Quando nos for possível, iremos traduzir para português esse interessante trabalho, esperando que ele possa servir a um melhor conhecimento da vida espiritual da “Santinha de Balasar”.

Afonso Rocha

terça-feira, agosto 11, 2009

TESTEMUNHOS VIVOS

No recente número do Boletim de Graças vêm três testemunhos notabilíssimos.
O primeiro é o dum sacerdote. Ordenado em Julho de 1955, foi visitar a Alexandrina em Setembro (ela morreria em Outubro). Sem que ele ainda soubesse que estava nomeado para pároco, a Beata, que o não conhecia e sem ninguém lhe dizer sequer que ele era padre (ele não trazia vestes de sacerdote), anunciou-lhe que ele ia ser brevemente pároco e iria enfrentar situações difíceis que teria de tratar em tribunal, mas que não receasse. Passados mais de 50 anos, este pároco confirma que tudo decorreu como lhe fora predito e que sentiu sempre Deus estava com ele.
Outro caso é o duma mãe cuja jovem filha se afastara da prática religiosa, como acontece com tão grande parte da juventude. Depois de a trazer a Balasar, a jovem retomou a prática religiosa com toda a determinação. Vejam-se algumas palavras dela:
“Hoje despedi-me de Balasar e todas as dúvidas sobre a fé, que me atormentavam, desapareceram; aprendi a ser paciente e tive a graça de sentir a luz do Espírito Santo a entrar dentro de mim (…)”.
O último testemunho a que nos referimos é duma grávida a quem os médicos diziam que a menina que trazia no ventre iria ser deficiente e por isso a aconselhavam a abortar. Esta mulher resistiu à sugestão assassina e pediu a intercessão da Beata Alexandrina. Apesar da gestação ter sido difícil, a menina nasceu inteiramente sã.
Que poderá esta criança, quando for adulta, dizer aos tais médicos que propunham que a mãe lhe provocasse a morte?

José Ferreira

quarta-feira, junho 10, 2009

ESTATISTICAS DE MAIO 2009

Caros visitantes,

Queremos agradecer à vossa fidelidade quanto ao sítio francês da Beata Alexandrina.
Efectivamente sois cada vez mais numerosos et mais diversificados, o seja de um maior número de países. Vejam:
O Sítio recebeu a visita de Internautas de 72 países diferentes, o que é, para o sítio em referência, um excelente resultado.

No “Top 10” que instauramos, encontramos a França em primeiro lugar, com 43,08% de visitantes. Logo a seguir, encontramos Portugal com 17,61% seguido do Brasil com 12,90% de admiradores da Beata Alexandrina.

Que a França esteja em primeiro lugar, compreende-se, visto que uma grande parte do Sítio é composta por artigos e outros escritos em Francês. Este facto acentua-se ainda mais se dissermos que no 5º lugar encontramos o Canada (3,20%), logo seguido no 6º lugar pela Bélgica (2,67%), países onde se fala a língua de Molière. Encontramos, pela mesma razão, pensamos nós, mais adiante, no 8º lugar a Suíça (1,53%) e no 9º a Costa do Marfim (1,24%). Quanto à Inglaterra, não sabemos bem porque razão, ocupa o último lugar com apenas 0,65 % de visitantes.
Para que seja completa esta enumeração, devemos dizer que à Itália, com 2,07% de visitantes, ocupa o 7º lugar.

Uma vez mais agradecemos o vosso interesse, não pelos nossos esforços em vos oferecer o máximo de novos textos, mas pelo interesse que manifestais à Beata Alexandrina, à qual pedimos que vos ajuda a todos e que interceda por vós jun to do Senhor que ela tanto amou e ama.

O Webmaster.

quinta-feira, maio 07, 2009

NOVO VIDEO

O nosso amigo Wendell, grande admirador da Beata Alexandrina, acaba de publicar um novo video
Tomando como base os escritos da Beata e numa canção que ele intitulou “Dai-me fogo, dai-me amor”, ela conta o sente por ela.
Não podemos silenciar esta bela iniciativa, nem podemos deixar tão pouco de o felicitar.
***

quarta-feira, maio 06, 2009

LIVROS EM FRANCÊS

Caros amigos da Beata Alexandrina,

Eis uma boa notícia para os leitores de língua francesa:
A Associação Alex-Diffusion cujo fim é aquele de fazer conhecer “a vida e as obras da Beata Alexandrina”, recebeu da parte de um dos seus aderentes uma oferta suficiente para mandar imprimir duas biografias da Beata.
Diga-se a verdade: desde há muitos anos que já não se encontrava à venda um só livro em língua francesa falando da Alexandrina. Ficará assim essa falta remediada.
Os livros que vão ser impressos em Portugal, pela Gráfica de Amares, são os seguintes:

UNE VICTIME DE L’EUCHARISTIE (208 páginas)
(Uma vítima da Eucaristia)

Esta biografia, como é sabido, foi escrita pelo Padre Mariano Pinho, SJ, primeiro Director espiritual da Beata.
O segundo, menos volumoso, foi escrito por uma das colaboradoras dos Sítios Web ligados à Alex-Diffusion, a senhora Paulette Leblanc e tem por título:

ALEXANDRINA DE BALASAR (100 páginas)

Nós pensamos que estes livros estarão prontos para o próximo mês de setembro e serão propostos a preços interessantes que nós comunicaremos mais tarde, quando todos os orçamentos estivem feitos definitivamente.
Esperamos que os leitores franceses (ou de língua francesa) sejam numerosos a encomendá-los, porque não pudemos ir mais longe do que 1 000 exemplares de cada, atendendo ás finanças de que dispõe a Associação.
Aqueles que o desejarem, podem desde já reservar os exemplares que desejarem, tendo em conta estas duas informações:
a) Não será possível enviá-los antes do fim de setembro;
b) O preço do mais volumoso não ultrapassará 15€
Para reservar, bastará enviar um Mail ao endereço que segue:

Não esquecer de nos indicar o endereço.
Façamos tudo o que está ao nosso alcance para que a Beata Alexandrina seja cada vez mais conhecida no mundo inteiro.

sábado, maio 02, 2009

BOA NOTICIA

As relíquias de Santa Margarida Maria Alacoque

A notícia sobre o que se passou ontem em Balasar ocupa o espaço principal da primeira página do Diário do Minho de hoje, sob o título de “Número crescente de devotos exige novo templo em Balasar”.
Vejam-se algumas das informações que lá se contêm:
“Recentemente, foi inaugurada uma via-sacra no terreno contíguo ao centro pastoral com a particularidade de cada estação possuir uma cruz em que está incrustada uma pedra da calçada do palácio do sumo-sacerdote Anás, contemporâneo de Jesus”.
“Foi também criado um espaço de convívio para doentes e idosos de Balasar e que, diariamente, é frequentado por cerca de 30 pessoas. A animação do grupo é da responsabilidade de Rita Marins, uma técnica de animação social”.
“Entretanto, está em curso a constituição da Fundação Alexandrina de Balasar, uma entidade que vai gerir tudo o que esteja relacionado com a causa da devoção à beata”.
Muito merecedora de atenção foi ainda a notícia de que as relíquias de Santa Margarida Maria Alacoque, que vão estar em Braga a partir de Maio próximo, no Mosteiro da Visitação, e vão depois para a Basílica do Sagrado Coração de Jesus, da Póvoa de Varzim, passarão, no dia 14 de Junho, alguns momentos em Balasar.

sexta-feira, abril 17, 2009

V ANIVERSARIO DA BEATIFICAÇÃO

PROGRAMA

Cinco anos já!...


No próximo dia 25 de Abril, será celebrado em Balasar, sua terra natal, o 5º aniversário de beatificação de Alexandrina Maria da Costa que ali nasceu a 30 de Março de 1904 et ali igualmente entregou a Deus a sua bela e pura alma, no dia 13 de Outubro de 1955, dia aniversário da última aparição da Virgem Maria em Fátima.
Será um dia não só consagrado a este feliz aniversário mas também dia consagrado à Eucaristia, a “folia” da Beata Alexandrina.
Balasar, por causa da Beata Alexandrina, tornou-se um centro eucarístico notável onde a adoração ao Santíssimo Sacramente é perpétua.
É bom lembrar igualmente que a Beata Alexandrina é considerada pela Congregação para o Clero, como uma “mãe espiritual”, mãe que deu origem a outras “mães espirituais” que em Balasar, tomam sobre elas o que é necessário para a santificação de certos sacerdotes, pelos quais elas oram e oferecem quotidianamente.
Balasar merece na verdade o título de “Terra Eucarística”.


Esperamos que sejais numerosos em Balasar, para celebrar mais um aniversário da beatificação da nossa querida Alexandrina.

segunda-feira, março 30, 2009

ALEXANDRINA E A PAIXÃO II

A Paixão na Alexandrina

O fenómeno da Paixão de Jesus na Alexandrina verificou-se durante 17 anos: de 1938 a 1955, ano da sua morte.
Neste longo período de tempo é necessário distinguir duas fases, durante as quais o fenómeno se manifestou com características diferentes. Classificaremos respectivamente de “participação física” e “participação interior” estas duas formas ou maneiras de o fenómeno se manifestar, para facilidade de denominação; frisamos, no entanto, que a Paixão é substancialmente única, pois abrange ao mesmo tempo sofrimentos do corpo e da alma, físicos, morais e espirituais, inseparáveis.
1.ª Participação física
No primeiro período, desde 3 de Outubro de 1938 a 27 de Março de 1942, o fenómeno dava-se em dias e horas fixas: das 12 às 15 horas de cada sexta-feira. A Alexandrina revivia, umas atrás das outras, as várias fases da Paixão, desde a agonia no Horto até à morte, em estado de êxtase. Os seus sentimentos e as suas reacções às dores exteriorizavam-se através de atitudes, gestos, expressões do rosto e do corpo todo, facilmente interpretáveis por quem podia assistir ao fenómeno. [1]
O seu primeiro director espiritual, P.e Mariano Pinho, S. J., deixou escrito a esse respeito:
«Nós presenciámos ao vivo o desenrolar-se do drama da Paixão, embora não fossem visíveis os estigmas, porque a Alexandrina pedira ao Senhor que nada aparecesse exteriormente. A Paixão foi violentíssima e as pessoas presentes choravam e soluçavam perante aquele espectáculo visibilíssimo de sofrimento» (Cfr. Cristo Gesù in Alexandrina, pág. 730).
Mons. Mendes do Carmo, professor de mística no Seminário da Guarda, afirmou: «É um anjo crucificado!».
A professora primária de Balasar, D. Maria da Conceição (Sãozinha), e outros testemunharam: «Sentíamo-nos transportados em espírito aos vários sítios da Paixão de Jesus. Ninguém conseguia acompanhar aquelas cenas sem se comover».
A irmã da Alexandrina, Deolinda, numa carta dirigida ao P. Pinho, refere-se assim ao fenómeno da Paixão de 7-4-1939:
“Ai, meu Padre, o que foi o dia de Sexta-feira Santa! É bem sexta-feira de Paixão! Antes de princi­piar, oh, como se via nela cara de aflição! Ela temia passar este dia! E dizia-me: Ai, se eu vejo este dia passado!...
“Eu confortava-a quanto podia e acariciava-a, apesar de estar eu também cheia de medo e muito aflita.
“Durante a Paixão, eu não podia passar sem chorar e vi correr lágrimas pelas faces de quase todos os assistentes. Que espectáculo tão comovedor!
“A agonia do Horto foi muito demorada e aflitiva... Ouviam-se gemidos muito profundos e por vezes via-se soluçar.
“Mas a flagelação e coroação de espinhos, isso é que foi! Os açoites foram tomados de joelhos, com as mãos (como que) atadas. Eu cheguei-lhe uma almofada para debaixo dos joelhos, e ela retirou-se dela, não quis. Tem os joelhos em mísero estado. Os açoites não tinham conta! Levaram tanto tempo! Ela desfalecia tanto! Os golpes na cabeça (com a cana na coroa de espinhos) foram também inumeráveis.
“Vomitou por duas vezes durante a Paixão: era água, porque mais nada tinha que vomitar.
“O suor era tanto, que os cabelos estavam empastados e, ao passar-lhe a mão por cima de toda a roupa, ficava molhada.
“Quando acabou a coroação de espinhos, ela parecia um perfeito cadáver.
“O Sr. Cónego Borlido veio assistir com mais duas pessoas. Também veio o Dr. Almiro de Vasconcelos (de Penafiel) com a esposa e a irmã, D. Judite».
A propósito do peso da cruz que oprimia os ombros da Alexandrina durante a fase da subida ao Calvário, referimos o seguinte episódio. No decorrer da Paixão do dia 29-8-1941, o médico assistente da Alexandrina, Dr. Manuel Dias de Azevedo, convidou um dos sacerdotes presentes a levantar do chão a vidente que jazia prostrada sob o peso da cruz (mística). Prontificou-se o mais robusto; pegou-lhe sob os braços, mas os seus esforços foram baldados. E confessou: «Apesar de toda a minha força, não consigo!».
Nessa altura, a Alexandrina pesava cerca de 40 quilos!
Na fase a seguir, quando o Cireneu carregou com a cruz, o Dr. Azevedo convidou o mesmo sacerdote a erguer a Alexandrina, o que ele fez sem o menor esforço. A explicação é evidente: antes, os pesos eram dois; da segunda vez, tratava-se apenas do peso da vidente.
Noutra ocasião, durante o fenómeno em estado de êxtase, o P. Pinho impusera-lhe que dissesse quanto pesava a cruz. A Alexandrina respondeu, em atitude muito grave: «A minha cruz tem um peso mundial».

[1] Só eram admitidas poucas pessoas, devidamente autorizadas: médicos, sacerdotes, além dos familiares mais íntimos.

domingo, março 29, 2009

ÁS GENTES DE LINGUA PORTUGUESA

SUPLANTAR OS FRANCESES



Caros amigos,
As estatísticas deste começo de ano indicam, no Site Alexandrina de Balasar (o mais antigo e de maior afluência), os números seguintes (até ao fim do mês de Fevereiro 2009):
--------------------
França: 43, 59%
Portugal: 14,88%
Brasil: 10, 24%
--------------------
É normal (falando em absoluto) que o Site estando situado em França e sendo maioritariamente em língua francesa, sejam estes os mais numerosos a visitá-lo. Todavia, o Webmaster do Site desejaria que esta situação se invertesse e que fossem os portugueses, brasileiros, angolanos, moçambicanos et outros mais de língua portuguesa os primeiros a figurar nesta lista.
Para isso, vai incluir um maior número de páginas na língua de Camões e de Vieira, de maneira a suscitar o interesse de todos aqueles que falam e lêem português exclusivamente.
Precisamos de si, da sua ajuda e da sua colaboração.
Numerosos são os sites brasileiros, que falam já da Beata Alexandrina, tais como a Toca de Assis, a Comunidade Servir... Mas seria necessário que muitas outras comunidades e sites o fizessem igualmente e, nós pensamos aqui nos sites brasileiros da Revista Catolicismo, com a qual entretemos excelentes relações, os sites Pai de Amor, Edicões Paulinas, Recados do Aarão, Cade meu Santo, Universo católico, Canção nova e muitos mais.
Somos apenas dois a ocuparmo-nos do nosso Site, por isso, nem sempre está em dia como o deveria, sobretudo depois da popularidade — Deus seja louvado – que adquiriu junto dos milhares de pessoas que quotidianamente o visitam.
Como ajudar-nos?
Nós não pedimos dinheiro, porque damos gratuitamente aquilo que gratuitamente recebemos, mas pedimos que nos deixem publicar certos textos dos vossos sites ou blogues; que nos enviem textos para serem publicados; notícias sobre a Igreja local, onde quer que estejais e, nós pensamos aqui particularmente à Igreja Católica na Índia, da qual temos poucas notícias, infelizmente.
Uma coisa é certa, o Webmaster do site só se sentirá feliz quando os primeiros lugares da “classificação” forem ocupados por países de língua portuguesa.
Abril vai chegar e com ele o começo deste desafio que é simples:
De Abril a Junho deste ano, a classificação terá que modificar-se.
O Webmaster vai a Balasar em Julho e conta convosco para depositar sobre a campa da Beata Alexandrina a lista dos Sites que aderirem de alma e coração a este simpático desafio.
Em Agosto, tereis a resposta.
Portanto, não esperai por amanhã, começai já hoje, enviem os documentos para:
Um grande abraço a todos.
Beata Alexandrina, rogai por nós.

Afonso Rocha, Webmaster.

ANIVERSÁIRIO

FELIZ ANIVERSÁRIO ALEXANDRINA

A Beata Alexandrina Maria da Costa nasceu a 30 de Março de 1904 em Gresufes, paróquia de Balasar.
Claro que não podemos esquecer esta data e desejamos à “Flor Eucarística” um feliz 105º aniversário no Céu, junto do Esposo que ela tanto amou e da Mãezinha que ela amava ternamente.

Na composição fotográfica podem-se ver, sua mãe, Ana da Costa e o crucifixo que ainda hoje se encontra ao lado do seu leito. Foi este crucifixo que lhe foi roubado pelo “manquinho” e que só bem mais tarde foi encontrado enterrado no quintal.

terça-feira, março 24, 2009

ALEXANDRINA E A PAIXÃO - 1

A vocação do cristão é participar na Paixão de Cristo.

Neste período de Quaresma, pareceu-me judicioso falar da "Paixão de Jesus em Alexandrina". Para falar desse facto, ou melhor desse carisma, ninguém mais indicado e mais perito do que o seu segundo Director espiritual, o sacerdote salesiano Padre Humberto Pasquale.
O texto que a seguir se pode ler é da sua autoria, assim como os próximos que irei publicar sobre este tema.
***
O convite que Jesus dirige ao homem para que se torne Seu discípulo implica a participação e a conformação com a Sua Paixão (Mt. 10, 16), a fim de estabelecer uma relação de semelhança entre Mestre e discípulo (Mt. 10, 24).
A inserção n’Ele como sarmentos na videira (Jo.15,4), bem como a necessidade de permanecer no Seu amor, significam que se deve observar a Sua palavra, tal como para Ele permanecer na palavra do Pai quer dizer realizar essa mesma palavra, isto e, a vontade divina que Lhe impõe oferecer a Sua própria vida pelo rebanho (Jo. 10, 17).
Segundo o ensinamento de Cristo, portanto, verdadeiro discípulo é aquele que revive em si o mistério da morte de Jesus, ou antes aquele que recebe Cristo em si mesmo para reviver a Sua Paixão.
Foi assim que o apóstolo Paulo compreendeu e viveu o mistério de Cristo. O Evangelho está todo aqui. «Nós pregamos a Cristo crucificado». (1 Cor. 1, 23).
A vida de S. Paulo é toda ela uma reprodução viva da existência terrena de Cristo.
«Deus me livre de me gloriar a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo» (Gal. 6, 14). «Trazemos sempre no nosso corpo os traços da morte de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste no nosso corpo» (2 Cor. 4, 10).
E o mesmo apóstolo sente-se cravado na cruz: «Estou crucificado com Cristo! Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou e Se entregou a Si mesmo por mim» (Gal. 2, 19).
Na sua ânsia de perfeição, S. Paulo só deseja conhecer a força da Paixão do Senhor, como também da Sua Ressurreição, e permanecer configurado com a Sua Morte (Fil. 3, 8-11).
«Pelo Baptismo sepultámo-nos juntamente com Ele, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, mediante a glória do Pai, assim caminhe­mos nós também numa vida nova» (Rom. 6, 4), isto : «Tornamo-nos com Ele num mesmo ser por uma morte semelhante à Sua» (Rom. 6, 5).
Na vida cristã, portanto, quando ela atingir todo o vigor da sua floração, haverá forçosamente que se manifestar também esta assimilação com a Paixão de Cristo, com a mesma evidência com que se manifesta a vida da graça, ou seja a presença de Cristo na alma.
Por isso, se essa plenitude é portadora de experiência em razão de uma certa conaturalidade também Cristo crucificado será a grande realidade da experiência cristã.
O próprio Jesus falou da presença do Seu Espírito, quando os discípulos forem chamados a dar-Lhe testemunho pela paixão e pela morte (Mt. 10, 20).
A palavra de Jesus é confirmada por toda tradição cristã.
S. Inácio de Antioquia escreve: «Pela cruz, na Sua Paixão, Cristo vos convida a todos vós, Seus membros. A cabeça não pode viver separada dos membros» (Trall. 11, 2).
A hagiografia cristã é rica de testemunhas da presença de Cristo na vida dos fiéis, sobretudo como triunfador do sofrimento e da morte.
Na longa lista dos místicos cristãos não são poucos os que reviveram de forma eminentemente realística o drama da Paixão de Cristo no seu espírito. E é graças à sua experiência da presença de Deus e da Sua acção nas almas místicas, que a teologia conhece as relações íntimas entre as Pessoas Divinas da Trindade e a Sua acção nas almas. [1]

[1] Adalbert Hamann
La Trinità nella vita Cristiana, Queriniana, Brescia (Itália), pág. 183.

segunda-feira, março 23, 2009

AGRADÁVEL SURPRESA


Descobri com grande prazer a presença, como seguidor do meu Blog, a Toca de Assis que não me é desconhecida, bem pelo contrário: tive a honra de a acolher no sítio oficial da Beata Alexandrina, do qual sou o Webmaster.
Que aqui fique dito: se este Blog pode contribui ao vosso desenvolvimento e a vos tornar mais conhecidos, ele é também vosso.
Proximamente (depois da Páscoa que vou passar perto de Balasar), prometo escrever mais algumas linhas sobre vós.
Uma saudação muito especial ao Pe. Roberto José Lettieri.
Também não quero esquecer aqui aquelas irmãs que em Balasar são verdadeiras apóstolas da Eucaristia e participam activamente na adoração perpétua na igreja paroquial onde se encontram os restos mortais da Beata Alexandrina.

domingo, março 22, 2009

UM LINDO VIDEO

Um nosso amigo brasileiro – o Wendel – teve a excelente ideia de fazer um vídeo sobre a Beata Alexandrina.
O seu trabalho é de óptima qualidade e as imagens bem escolhidas, tantos aquelas que dizem respeito à Beata como as outras que "alimentam" o dito vídeo.
Temos o prazer de o apresentar aqui e, seria bom e simpático que aqui deixassem os vossos comentários que de seguida lhe serão remetidos.
—.—.—

terça-feira, março 10, 2009

ESTATISTICAS DE FEVEREIRO 2009

Comentário

Quando comparamos as estatísticas de Fevereiro de 2009 com aquelas de Janeiro do mesmo ano, notamos que o Brasil baixou sensivelmente e que Portugal aumentou as suas vistas de 0,33%.
Durante o mesmo período, os Estados Unidos subiram um pouco (quase 1%) e que a Alemanha, aumentando também a sua porcentagem, deixou o quarto lugar que ocupava em favor da França, não sem ter aumentado o seu número de visitas, que vai num movimente ascendente muito interessante, sobretudo desde que o nosso amigo e colaborador, Raul Gonçalves tomou a responsabilidade de todas as páginas em alemão. Parabéns a este nosso colaborador que soube erguer bem mais alta a bandeira do país que viu nascer Maria do Divino Coração, Teresa Neumann, Ana Catarina Emmerick e alguns santos mais que engrandecem a Igreja universal, sem esquecer o nosso bom e santo Papa, Bento XVI.
No sexto lugar voltamos a encontrar a Itália que, apesar de ter aumentado a sua porcentagem, continua na mesma posição.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

MEU BOM PAI ESPIRITUAL

Carta ao Padre Mariano Pino, SJ

« Viva Jesus !
Balasar, 7 de Abril de 1934
Meu bom
pai espiritual :
Agradeço do íntimo da minha alma mais uma cartinha que me enviou e um lindo santinho e umas estampazinhas, assim como tudo que fez por mim no dia dos meus anos. Queria-lhe agradecer por minhas mãos. Com grande sacrifício o faço, escrevendo estas poucas linhas ; com certeza serão as últimas. Peço desculpa ; não posso mais. A Deolinda lhe dirá o resto.
Senhor Padre Pinho, o meu sofrimento tem aumentado muito, mas muito. É por essa razão que eu digo que serão as últimas linhas que lhe escrevo. Está-me quase a ser impossível segurar a pena no mão por alguns minutos. São tantas, tantas as dores, que me fazem sentir essa impressão. Mas no meio de todos os meus sofrimentos, eu sinto grande
consolação espiritual, porque vejo que de todos os pedidos que faço a Nosso Senhor conheço que neste sou bem atendida. Oxalá o meu querido Jesus se digne conceder-me todos os mais que Lhe peço e que O não ofenda pedindo-lhe graças tão grandes, sendo eu a maior de todas as pecadoras.
Senhor Padre Pinho, estimo que tenha passado umas festas da Páscoa muito alegres, mais do que foram as minhas. O que tive que mais me consolou foi um bom folar com que o meu Jesus me presenteou nesse dia com uma oferta de grandes sofrimentos. Tudo o mais se me apresentava triste, porque além dos sofrimentos do corpo, tenho também sofrido muito espiritualmente. Essa doença da alma só me será curada se Nosso Senhor me conceder a graça de o tornar a ver ao pé de mim, porque então desabafarei à minha vontade.
Senhor Padre Pinho, sabe uma coisa que me tem esquecido de lhe falar ? É que todos os dias tenho ouvido Missa de Vossa Reverência aí em Lisboa. Desde que me mandou dizer, me tenho unido em espírito, e peço a Nosso Senhor que me faça participar dos frutos da Santa Missa. Nem a Quinta-feira Santa me escapou ; estavam para dar oito horas, quando me recordei que não havia Missa nesse dia.
Agora peço-lhe que me perdoe todas as minhas faltas, e que por caridade não me esqueça junto de Nosso Senhor, que muito preciso das orações de Vossa Reverência, que eu da minha parte nunca o poderei esquecer nem na terra nem no Céu.
Muitas lembranças de minha mãe e da Deolinda.
Peço-lhe, por amor de Nosso Senhor, que me abençoe.
Sou a pobre
Alexandrina Maria da Costa »

* * * * *
O começo desta carta é original : é a primeira ver que ela chama “meu bom Pai espiritual” ao Padre Mariano Pinho, o que está mais em harmonia com a conivência entre estas duas almas de elite do que aquele pomposo “Reverendíssimo Senhor Doutor”, que encontrámos em duas das cartas.
Alexandrina tendo recebido uma carta do seu “bom Pai espiritual”, começa por agradecer esta “e um lindo santinho e umas estampazinhas” que este lhe enviara, como muitas vezes o fez e fará ainda.
Como Alexandrina, também o bom sacerdote não esqueceu o aniversario da sua dirigida ― 30 de Março ― e por ela deve ter orada e certamente celebrado uma missa, porque na carta que hoje escreve ela agradece igualmente por “tudo que fez por mim no dia dos meus anos”. Em forma de agradecimento, ela escreve, ela mesma, as primeiras linhas desta carta, como a seguir explica :
“Queria-lhe agradecer por minhas mãos. Com grande sacrifício o faço, escrevendo estas poucas linhas ; com certeza serão as últimas”.
Mas escrever tornou-se para ela um suplício indizível... “Peço desculpa ; não posso mais. A Deolinda lhe dirá o resto”, acrescenta ela, deixando depois a irmã escrever o resto, que lhe vai ditar.
E começa por lhe dar notícias da sua saúde que é precária :
“Senhor Padre Pinho, o meu sofrimento tem aumentado muito, mas muito. É por essa razão que eu digo que serão as últimas linhas que lhe escrevo. Está-me quase a ser impossível segurar a pena no mão por alguns minutos”.
Apesar desta impossibilidade de “segurar a pena no mão por alguns minutos”, porque “são tantas, tantas as dores, que me fazem sentir essa impressão”, ela escreverá, por intermédio da sua “secretária” centenas, milhares de páginas de grande beleza espiritual : são mais de cinco mil !...
Mas a submissão ― diríamos automática ― à vontade divina, supera todos esses males, todos esses problemas que continuamente “povoam” a vida da Alexandrina.
“Mas no meio de todos os meus sofrimentos ― diz ela humildemente ―, eu sinto grande consolação espiritual, porque vejo que de todos os pedidos que faço a Nosso Senhor conheço que neste sou bem atendida”.
Não esqueçamos o que ela escreveu na sua Autobiografia : “Vinha, desde há muito tempo, a pedir o amor ao sofrimento”, e porque o pediu, e porque Jesus lho concedeu, sente neste “grande consolação espiritual”.
Na mesma Autobiografia, ela diz ainda : “Nosso Senhor concedeu-me tanto, tanto esta graça que hoje não trocaria a dor por tudo quanto há no mundo”, explicação que melhor nos ajudará a compreender o que nesta carta diz a seguir : “Oxalá o meu querido Jesus se digne conceder-me todos os mais que Lhe peço e que O não ofenda pedindo-lhe graças tão grandes, sendo eu a maior de todas as pecadoras”.
Passara a Semana Santa e as festas de Páscoa. A solicitude da Alexandrina para com o seu “bom Pai espiritual” não diminui, mesmo se a distância entre eles aumentou e, esta “obriga-a” a querer saber notícias, saber como passou justamente aquela festa da Ressurreição do Senhor :
“Senhor Padre Pinho, estimo que tenha passado umas festas da Páscoa muito alegres”.
No que lhe diz respeito, elas foram como sempre são os outros dias : sofrimento contínuo, o que a leva a dizer ao seu Director e a desejar-lhe que as dele fossem “mais felizes do que foram as minhas”.
E, como na Páscoa era hábito oferecer o folar, ela emprega essa expressão para explicar como a Páscoa dela se passou : “O que tive que mais me consolou foi um bom folar com que o meu Jesus me presenteou nesse dia com uma oferta de grandes sofrimentos”.
Mas ela não se queixa, apenas explica como se sente, para que o seu Paizinho esteja ao corrente : “Tudo o mais se me apresentava triste, porque além dos sofrimentos do corpo, tenho também sofrido muito espiritualmente”.
Sofrer espiritualmente e não tendo a quem se confiar, com quem desabafar ou de quem receber conselhos, não é tarefa fácil, mesmo se o correio pode levar certas notícias ao longe, certas coisas há que não podem ser explicadas por carta, mesmo se aquele ou aquela que escreve é culta e tem a arte de desenvolver e detalhar os assuntos que deseja tratar.
A Alexandrina, assim como sua irmã Deolinda, nada mais tinham, do ponto de vista escolar, que os rudimentos da língua, as primeiras bases da instrução primária, o que pode em parte explicar esta dificuldade, mas ela não explica tudo, visto que, como dizíamos acima, certas coisas há que só de viva voz podem ser bem explicadas e detalhadas.
Disso quer a Alexandrina falar quando diz ao seu Director espiritual que “essa doença da alma só me será curada se Nosso Senhor me conceder a graça de o tornar a ver ao pé de mim, porque então desabafarei à minha vontade”.
Mas a vinda do homem de Deus a Balasar só está programada “para o verão”...
Alexandrina lembra-se então de algo que ainda não dissera ao Padre Pinho, mas o que lhe vai dizer tem qualquer coisa de vago, que não conseguiremos bem explicar, certamente. Vejamos o que ela diz :
“Senhor Padre Pinho, sabe uma coisa que me tem esquecido de lhe falar ? É que todos os dias tenho ouvido Missa de Vossa Reverência aí em Lisboa”.
Poderíamos pensar que através da rádio ouvisse a missa celebrada pelo seu “bom Pai espiritual”, mas parece que não, porque logo a seguir diz ainda :
“Desde que me mandou dizer, me tenho unido em espírito, e peço a Nosso Senhor que me faça participar dos frutos da Santa Missa”.
Perguntamos agora, como tem ela “todos os dias tenho ouvido Missa de Vossa Reverência aí em Lisboa”, se logo a seguir afirma que se tem “unido em espírito”. Ainda que não parece incompatível ouvir a Missa e unir-se em espírito a esta, ficamos mesmo assim com esta dúvida, porque em 1934, a rádio não estava, em Portugal, tão desenvolvida que permitisse, como agora, transmissões directas...
Outra hipótese ainda nos surge ― e sabendo dos carismas de que beneficiou a Alexandrina, nada nos admiraria que assim pudesse ser ― ela assistia a essa Missa como se nesse momento estivesse em estado de bilocação[1], o que também lhe aconteceu algumas vezes.
Frisamos bem que aqui se trata de uma hipótese e não duma afirmação !...
Esta outra frase da mesma carta, poderia quase dar razão ao que acabamos de dizer e de expor como sendo uma hipótese de interpretação do texto :
“Nem a Quinta-feira Santa me escapou ; estavam para dar oito horas, quando me recordei que não havia Missa nesse dia”.
Vai despedir-se agora do seu “bom Pai espiritual” e pedir-lhe, como sempre “que lhe perdoe todas as suas faltas, e que por caridade não a esqueça junto de Nosso Senhor, que muito precisa das orações de Sua Reverência”.
Como sempre também, assegura o seu Director “que ela da sua parte nunca o poderá esquecer nem na terra nem no Céu”.
Seguem, como sempre também as civilidades habituais e o habitual também pedido de benção, e assina...
“Muitas lembranças de minha mãe e da Deolinda.
Peço-lhe, por amor de Nosso Senhor, que me abençoe.
Sou a pobre
Alexandrina Maria da Costa”
Simples carta, mas grande em profundidade espiritual !
—*—
[1] A bilocação é o estado de um corpo que pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. A bilocação foi frequente na vida de alguns Santos, como por exemplo S. Pio de Pietrelcina (Padre Pio) que nunca saindo do seu convento de San Giovanni Rotondo em Itália, chegou a estar no Brasil para salvar alguém que se encontrava em grande perigo de perder a vida e de se perder eternamente. O mesmo Santo capuchinho impediu igualmente um general italiano de se suicidar durante a Segunda Guerra Mundial, aparecendo-lhe na frente quando este se preparava par utilizar a pistola para essa acto irreparável. Poderíamos multiplicar estes exemplos, porque são numerosos na vida de muitos Santos.

sábado, fevereiro 21, 2009

FREI NUMO, SANTO

Mais um santo português

Como aqui anunciávamos no passado dia 17, o Beato Nuno de Santa Maria vai subir mais um degrau na hierarquia da Igreja: vai ser canonizado.
Efectivamente o Santo Padre Bento XVI vai canonizá-lo no dia 26 de Abril próximo, ao mesmo tempo que outros quatro bem-aventurados, todos italianos.
Com ele serão canonizados o padre Arcangelo Tadini (1846-1912), fundador da Congregação das irmãs operárias de Sagrada Família;
a religiosa Caterina Volpicelli (1839-1894), fundadora da Congregação das Ancelles do Sagrado-Coração;
o teólogo Bernardo Tolomei (1272-1348), fundador da Congregação do Mont-Olivet;
a religiosa Gertrude Caterina Comensoli (1847-1903), fundadora das Irmãs Sacramentinas.
A data destas canonizações lembra-nos outra data muito importante para todos os devotos da beata Alexandrina, que foi beatificada em 25 de Abril de 2004, pelo Servo de Deus João Paulo II, em Roma, praça de São Pedro.

O Beato Nuno de Santa Maria (Nuno Álvares Pereira, 1360-1431) foi beatificado em 1918 por Bento XV e, nos últimos anos, a Ordem do Carmo (onde ingressou em 1422), em conjunto com o Patriarcado de Lisboa, decidiram retomar a defesa da causa da canonização.
O processo de canonização foi reaberto a 13 de Julho de 2004, nas ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa, em sessão solene presidida por D. José Policarpo.
O cardeal José Saraiva Martins, Prefeito Emérito da Congregação para as Causas dos Santos, conduziu no Vaticano o processo de canonização.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

10 NOVOS SANTOS

E entre eles um português: Frei Nuno da Santa Maria

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009 (ZENIT.org). - A Santa Sé divulgou hoje que no próximo sábado, 21 de fevereiro, acontecerá o consistório público dos cardeais, no qual se decidirá a data da celebração de canonização de dez beatos.
Entre os novos santos, está o holandês Damião de Veuster, mais conhecido como o Apóstolo dos Leprosos de Molokai, e os espanhóis Francisco Coll e Rafael Arnáiz.
Também se encontra o beneditino Bernardo Tolomei, que viveu no século XIII e cujo culto, aprovado pelo Papa Pio II, é celebrado desde o século VI, ainda que nunca concluiu oficialmente a causa de canonização. F oi confirmado como beato por decreto da Congregação de Ritos, em 24 de novembro de 1644.
Esta reunião do consistório é um dos últimos passos prévios à cerimônia de canonização, após a aprovação do milagre, cujo decreto, neste caso, o Papa autorizou em 6 de dezembro de 2008, e nele está previsto que se dê a conhecer a data da celebração da canonização.
Trata-se dos beatos:
– Zygmunt Szcesny Felinski, polonês, bispo e fundador da Congregação das Irmãs Franciscanas da Família de Maria.
– Arcangelo Tadini, italiano, sacerdote e fundador da Congregação das Irmãs Operárias da Santa Casa de Nazaré.
– Francisco Coll i Guitart, espanhol, sacerdote dominicano e fundador da Congregação das Irm&at ilde;s Dominicanas da Anunciação da Beata Virgem Maria.
– Jozef Damian de Veuster, holandês, sacerdote da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria e da Adoração Perpétua do Santíssimo Sacramento do Altar. O decreto de reconhecimento do milagre havia sido aprovado em 3 de julho de 2008.
– Bernardo Tolomei, italiano, abade e fundador da Congregação de Santa Maria do Monte Oliveto da Ordem Beneditina. A aprovação do decreto de reconhecimento do milagre aconteceu em 3 de julho de 2008.
– Rafael Arnáiz Barón, espanhol, religioso da Ordem Cisterciense da Estrita Observância.
– Nuno de Santa Maria Álvares Pereira, português, religioso carmelita. A aprovação do decreto de reconhecimento do milagre aconteceu em 3 de julho de 2008.
– Gertrude (Caterina) Comensoli, italiana, fundadora do Instituto das Irmãs do Santíssimo Sacramento. A aprovação do decreto de reconhecimento do milagre aconteceu em 17 de março de 2008.
– Marie de la Croix (Jeanne) Jugan, francesa, fundadora da Congregação das Irmãzinhas dos Pobres.
– Catherina Volpicelli, italiana, fundadora da Congregação das Servas do Sagrado Coração.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

ALEGRIA EM TODA A IGREJA

Retirada das excomunhões:
«alegria em toda Igreja»

Porta-voz vaticano comenta gesto do Papa com os quatro bispos lefebvristas

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 26 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O anúncio da decisão de Bento XVI de retirar a excomunhão de quatro bispos ordenados por Dom Marcel Lefebvre sem mandato do Papa em 1988 foi a melhor notícia da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que concluiu nesse domingo.

Foi o que afirmou o padre Federico Lombardi S.J., director da Sala de Imprensa da Santa Sé, ao comentar o decreto publicado no sábado pela Congregação para os Bispos, com o qual os prelados voltam à plena comunhão eclesial.
Para o porta-voz vaticano, trata-se de «uma bela notícia, que desejamos que seja um manancial de alegria em toda a Igreja».
«A retirada da excomunhão dos quatro bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é um passo fundamental para alcançar a reconciliação definitiva com o movimento iniciado e guiado por Dom Marcel Lefebvre», reconhece o padre Lombardi.
Para compreender o significado deste passo, o porta-voz recorda as palavras de Bento XVI em sua carta de introdução ao motu propio Summorum Pontificum, de 7 de julho de 2007, quando escrevia que «olhando para o passado, para as divisões que no decurso dos séculos dilaceraram o Corpo de Cristo, tem-se continuamente a impressão de que, em momentos críticos quando a divisão estava a nascer, não fora feito o suficiente por parte dos responsáveis da Igreja para manter ou reconquistar a reconciliação e a unidade».
Por isso, escrevia o Papa, temos a obrigação de «realizar todos os esforços para que todos aqueles que nutrem verdadeiramente o desejo da unidade tenham possibilidades de permanecer nesta unidade ou de encontrá-la de novo». «Abramos generosamente o nosso coração...».
O padre Lombardi recorda que o cardeal Joseph Ratzinger, quando era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, acompanhou em primeira pessoa os contactos com Dom Lefebvre, em 1988, que ao final se opôs a um acordo com a Santa Sé e ordenou os bispos, desvencilhando-se da unidade eclesial.
O cardeal Ratzinger, recorda Lombardi, «já naquele tempo tinha buscado fazer todo o possível para manter a unidade da Igreja».
A Comissão Ecclesia Dei, constituída por João Paulo II naquela circunstância, «trabalhou com paciência para conservar abertas as vias do diálogo, e diversas comunidades de diferentes maneiras unidas ao movimento lefebvrista puderam já, no curso dos anos, voltar a recuperar a plena comunhão com a Igreja Católica».
«A Fraternidade Sacerdotal São Pio X, com quatro bispos, continuava sendo, em todo caso, a comunidade mais importante com a qual era necessário restabelecer a comunhão», recorda o padre Lombardi.
«Bento XVI manifestou sem dúvida alguma seu compromisso por fazer todo o possível para alcançar este objectivo».
Este Papa, segue dizendo o padre Lombardi, promoveu este objectivo não só com a publicação do motu proprio Summorum Pontificum, que facilita a celebração da missa seguindo o rito anterior ao Concílio Vaticano II.
Como prefeito, firmou o documento da Congregação para a Doutrina da Fé que esclarecia alguns ponto s discutidos da doutrina eclesiológica do Concílio Vaticano II, e como Papa pronunciou discursos históricos que mostraram «a correcta interpretação do Concílio, em continuidade com a tradição», e não como uma ruptura.
«Tudo isso criou naturalmente um clima favorável, no que os bispos da Fraternidade São Pio X pediram a retirada da excomunhão atestando explicitamente sua vontade de estar na Igreja Católica romana e de crer firmemente no primado de Pedro», constata o padre Lombardi.
«É bonito que a retirada da excomunhão aconteça no contexto do aniversário dos 50 anos do anúncio do Concílio Vaticano II, de maneira que este evento fundamental não possa ser jamais considerado como um motivo de tensão, mas de comunhão», segue dizendo o sacerdote.
«O texto do decreto mostra que se está no caminho para a plena comunhão, da qual o Santo Padre deseja a solícita realização. Por exemplo, no decreto publicado não se definem aspectos como o estatuto da Fraternidade e dos sacerdotes que pertencem a ela», constata.
«Mas a oração da Igreja está unida à do Papa para que se superem todas as dificuldades o quanto antes e se possa falar de comunhão em sentido pleno e sem incerteza alguma», conclui.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

NOVA COMUNIDADE


Uma nova comunidade brasileira julgou bem nomear a Beata Alexandrina como patrona (ou padroeira) da mesma. Trata-se da Fraternidade Arca de Maria.

É com prazer que aqui o anunciamos, porque tudo quanto é feito ou será feito para um melhor conhecimento da Beata de Balasar, merecerá sempre o nosso profundo reconhecimento.

Esta fraternidade fundada e dirigida pelo Padre Rodrigo Maria, apresenta-se como segue:

« A Fraternidade Arca de Maria é o conjunto dos irmãos, irmãs e leigos consagrados que tem como carisma a vivência e a propagação da Total Consagração a Santíssima Virgem, a Santa Escravidão de Amor, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort, para que venha logo o Triunfo do Imaculado Coração de Maria e o Reinado Eucarístico de Jesus. Vivenciamos nosso carisma na adoração amorosa e reparadora do Santíssimo Corpo de Deus (pelos sacerdotes), na missão evangelizadora e no acolhimento e cuidado dos pobres e doentes abandonados. Tudo do jeito de Maria ».

Esperamos sinceramente que esta Fraternidade que beneficia já da protecção materna da Virgem Maria, sua padroeira principal e da carinhosa protecção de S. Luís Maria Grignion de Montfort, seja de igual modo protegida e acarinhada pela nossa querida Beata, Alexandrina Maria da Costa que tão bem sabe agir junto do Coração de Jsus.

sábado, novembro 15, 2008

SENTIMENTOS DA ALMA - 1952

2 de Fevereiro de 1952

Depois duma noite angustiosa, tormentosa, ou melhor, pavorosa, sem poder separar-me de tanto sofrer e suavizar a dor daqueles a quem tanto ano, fiz com isto a preparação para a vinda de Jesus ao meu coração, que ainda ardia com o fogo que ontem recebera. Comunguei, o fogo incendiou-se, a nova vida de Jesus fez-me reviver, e logo ouvi a Sua voz divina, que dizia :
― “É tão lindo, tão lindo o Céu ! Só à custa de dor, só à custa de sofrimento é que pode ser essa beleza celestial dada às almas. Minha filha, minha filha, tem coragem, coragem heróica, aquela coragem própria só dos santos. Minha filha, minha filha, o Céu é belo, o Céu é belo. Minha filha, minha filha, as almas fogem. O mundo está em perigo. É necessária, é urgente a imolação. É necessário, é urgente que haja dor, dor profunda, dor que faça sangrar o teu coração e o de todos os que te rodeiam e mais de perto cuidam de ti.
Diz, minha filha, ao teu Paizinho que só no Céu pode ser compreendido o porquê de tantos sofrimentos, de tantos espinhos. Pena tenho, pena tenho, filha querida, que tão poucos dos Meus sacerdotes compreendam a fundo a vida divina, a verdadeira vida de Jesus nas almas. Não a vivem e por isso não a sabem compreender.
E, depois, Jesus sofre e sofre porque não tem almas de eleição, almas vítimas que cheguem a reparar por tantos crimes. Dá ao teu Paizinho todo o meu amor e a certeza de que a luz brilha, as palavras de Jesus se cumprem, as Suas promessas se realizam.
Diz ao teu médico que se abrace à cruz, que se curve reverente, com alegria, à passagem da mão benfazeja do Senhor. Jesus passa e fere, porque muito o ama e muito se delicia no seu jardim florido. Ele tem que compartilhar da imolação e missão da minha vítima. Dá-lhe amor, amor, sempre amor”.
― Ó meu Jesus, ó meu Jesus, perco a coragem para tudo. Lembro-me que sou eu a causa de tantos males, de tantos sofrimentos.
― “És, és, minha filha, a causa de grandes bens, dos maiores bens, dos maiores bens. Pede-me, pede-me, porque tudo o que Eu faço é só por amor e para evitar grandes males. Vem, minha bendita Mãe. Conforta a nossa filhinha. Purifica-a com a tua pureza, limpa-lhe com ela toda a poeira, deixa-a alva, mais alva do que a neve”.
― Ó Mãezinha, ó Mãezinha, Vós sois toda luz, Vós sois toda amor. Só em teus braços e nos de Jesus estou bem.
― “Minha filhinha, minha filhinha, querida esposa do meu Jesus, avivo no teu coração, avivo de novo as feridas que há um mês te produziram os instrumentos que feriram o meu Coração. Tiro um instrumento do teu coração, para vir ao meu buscar mais sangue, para fortalecer mais a enxertia que foi feita em teu coração. É a enxertia das almas. Repara o meu Coração e o Coração Divino de Jesus. Repara-nos continuamente pelos crimes do mundo e pelos sacerdotes desvairados, que estão prestes a cair no inferno. Ai deles sem a tua reparação, ai do mundo, ai de Portugal ! Leva o amor de Jesus e de Maria, leva-o e dá-o ao teu Paizinho, ao teu médico, dá-o a todos os que te são queridos. É amor que dá tudo, é amor que dá coragem, toda a coragem, que vence toda a dor. Coragem, coragem”.
― Obrigada, Jesus, obrigada, Mãezinha. Depois das Vossas carícias, ó Jesus, ó Mãezinha, mais uma vez Vos peço: atendei, atendei aos meus pedidos, ás minhas preces. Obrigada, Jesus, obrigada, Mãezinha.
Alexandrina