Eu já tinha sofrido tanto!
— Por quem
obedeci? Por quem sofri tudo isto? Só por Jesus e pelas almas. (Alexandrina Maria da Costa: 10-06-1945)
“Quero que, depois da tua morte a tua vida seja conhecida, e ela o será”. (Palavras de Jesus à Alexandrina)
Eu já tinha sofrido tanto!
— Por quem
obedeci? Por quem sofri tudo isto? Só por Jesus e pelas almas. (Alexandrina Maria da Costa: 10-06-1945)
Caíram tantas almas no inferno!
Eu ofereci a Nosso Senhor todo
o meu corpo para Ele crucificar pelo seu divino amor para a salvação das almas;
e dava-lho de tão boa vontade como Ele se deixou crucificar por meu amor. (Alexandrina
Maria da Costa: Carta ao Padre Mariano Pinho: 06-06-1935)
Vivei em mim como eu desejo viver convosco
Serão para eles as primeiras bênçãos
Toma
conforto, ó minha filhinha, esposa do meu Jesus, salvação de todos os filhos
meus. Oh! como és amada de toda a corte celeste!
Estas
últimas palavras foram da Mãezinha. (Alexandrina Maria da Costa: Sentimentos da
alma; 5 de Junho de 1943).
Será aquele que se vai reflectir no mundo
Que valor pode ter a vida, se não sofro
Como que para entrar
Contemplação das obras de Deus
Lembro-me de que, nesta idade, tinha em casa uma tia doente, que morreu de
cancro, e chamava-me para ir embalar um filho, primeiro fruto do seu matrimónio,
serviço que fazia com toda a prontidão, quer de dia quer de noite.
Já nesta idade amava muito a oração, pois lembra-me que minha tia pedia-me
para rezar com ela a fim de obter a sua cura. (Alexandrina Maria da Costa: Autobiografia)
“Aí vai o meu amor”
E então, aquela
força inexplicável e aquele calor que tanto me abrasava ! Oh ! como eu me sentia
bem ! E dizia-me Nosso Senhor :
― És a minha
vítima, a vítima dos meus desígnios !
E tornou-me a
dizer que me queria no Céu mas que precisava de mim na terra. Nesta ocasião eu
pedi ao meu Jesus a cura da minha querida Sãozinha. E Nosso Senhor prometeu-me
curá-la breve, mas que lhe pedisse muito, e que lhe pedisse o que quisesse. O
que Ele me não alcançasse que é porque não era bem para as almas. (Carta ao Pe.
Mariano Pinho: 15-03-1935)
(Nota do Padre Mariano Pinho: De facto
curou, quando já se principiava a desanimar da sua cura.)
Até os próprios sacerdotes
Parecia-me não ser sonho
No Céu vais continuar com a tua obra salvadora
— Se eu Vos
pudesse prender para sempre!... Eu não vivo, nem sei se sofro, pois não sou eu
que sofro. Sois Vós, Jesus, sois Vós.
— Ó esposa
querida, esposa amada, o Céu assiste-te e em breve é teu. É Jesus a dizer-te.
Coragem! Coragem! Anima-te! Criei-te para o que há de mais alto, para a missão
mais sublime. Que Glória te espera tão depressa!
— Ó Jesus, ó
Jesus, eu só quero amar-Vos e a glória é toda para Vós; quero salvar-Vos as
almas a todo o custo, sem a ansiedade da mais pequena recompensa.
— Minha
filha, tem-las salvas aos milhões, e do Céu virão muitas graças para confusão e
remorso de muitos cegos que não quiseram ver. Vais continuar com a tua obra
salvadora. Eu to prometo e afirmo. Irão para ti os pecadores, atraídos por
atracção celeste como avezinhas em bando e as formigas para o celeiro. Dize,
minha filha, Jesus te manda dizer. Nunca a humanidade viu, nunca o Céu
contemplou tal incêndio de vícios, maldades e crimes. Nunca se pecou assim.
Toda a reparação é pouca. Avante! Avante sempre, a fazer oração e penitência! É
preciso sustentar a justiça de meu Pai. O Seu braço cai, o Seu braço cai. Aqui
tens, minha filha, a Minha Mãe, a tua Mãe. Escuta as Suas palavras, aceita as
Suas breves carícias.
Era o Coração
Imaculado de Maria. Mostrou-me o Seu Coração rasgado e, unido ao d’Ela, rasgado
estava o de Jesus. Depois de me acariciar, disse-me:
— Minha
filha, minha filha, Jesus pede e Eu peço com Ele oração e reparação. São os
crimes que assim nos ferem. Coragem, coragem no teu inigualável sofrimento. Eu
venho buscar-te [em] breve, levar-te comigo para o Paraíso. Uno o teu coração
aos nossos para viveres a nossa dor.
Jesus
aproximou-se; fez dos três corações um só e fez-me passar a gota do Seu Sangue
Divino.
— Recebe
esta vida: é vida divina, é vida de graça, fortaleza e amor. Comunica-a, dá-a
às almas na abundância que elas quiserem. És de Jesus e por ti elas recebem
Jesus. Não deixes de repetir o teu “creio”; não é mentiroso, é verdadeiro.
Sofre, sofre assim. O mundo exige, o mundo exige!
— Ó Jesus, ó
Mãezinha, muito obrigada, muito obrigada. Não me deixeis cair no desalento.
Vede que estou sozinha. Compadecei-Vos de mim! Perdoai ao mundo, perdoai,
perdoai. Dai à minha alma aquele por quem ela já não pode esperar mais!
(Sentimentos da alma: 06-05-1955)
— Anima-te, meu anjo, e confia sempre
Tomou-me a
Mãezinha em seus braços, senti-me logo cheia de doçura e amor. Dum lado o seu
santíssimo rosto e do outro a sua bendita mão me acariciava. Estava o meu rosto
no meio daquela prensa santíssima. Cobriu-me de beijos, senti-me viver.
— Minha
filha – dizia-me ela – venho em breve buscar-te para o céu. Antes de expirares,
levo-te à presença de Jesus pela minha bendita mão; entre mim e Ele serás
conduzida ao paraíso. À tua chegada terás coros de virgens, coros angélicos,
toda a corte celeste em hinos, todo o céu em festa.
— Obrigada,
Mãezinha. espero-Vos depressa, a não ser que os Vossos breves sejam como os de
Jesus. Seja como for, não tenho vontade nem querer próprio. O que quero é a
Vossa força santíssima para levar a minha cruz, a pureza do meu corpo e da
minha alma, o amor ao Vosso Coração e ao de Jesus, a graça de não O desgostar
nunca, nunca. Dizei-me, Mãezinha, estais triste comigo ou está Jesus?
— Não,
esposa do meu filho querido. A minha alegria e consolação estão em ti, nada
fizeste para me entristecer; tudo fazes para honra e consolação minha e do teu
Jesus. Sossega, sossega, meu Filho, sossega a tua filhinha.
— Coragem,
sossega, amada do meu Divino Coração. O que te digo é para te firmar e
fortalecer no teu martírio. Não me desgostaste, sossega, não o permito. De ti
recebo a alegria e amor que o meu Divino Coração deseja. És a loucura do céu, a
vida das almas, o encanto da terra, a glória do meu Pai.
Por algum tempo
fiquei fortalecida, mas, à medida que as horas foram passando, corri
apressadamente a mergulhar-me nas trevas para nelas poder esconder-me de todos
e para sempre. Abismada nelas, parecia-me não caberem em mim as ânsias, ânsias
doridas, ânsias capazes de dar a morte, ânsias não sei de quê. Que peso o da
minha cruz! Mas quero-a, amo-a para sempre. (Sentimentos da alma: 05-05-1945)
Levanta os olhos ao Céu, tem coragem
— Ó meu
Jesus, como não hei-de confiar em vós? Vós não enganais! Quem confiou em Vós e
ficou confundido? Sede a nossa força, Jesus, e terminai então tanto sofrimento.
— Inclina-te,
inclina-te, minha bendita Mãe, beija e abraça a tua filhinha, minha esposa e
minha crucificada.
— Mãezinha,
vela por mim, vela pelo meu Paizinho, vela pelos que me são queridos. Entre
Jesus e a Mãezinha estou bem, não corro perigo. (Sentimentos da
alma: 3 de Abril de 1943 – Primeiro
sábado).
Quero fugir do mundo
Eternidade que tão à pressa passas; eternidade que nunca chegas. Passa, voa e eu voo com ela sem nada, de mãos vazias para dar contas a Jesus. Nunca passa, nunca chega a verdadeira eternidade que me vai dar o Céu.
(Sentimentos da
alma: 2 de Maio de 1947 - Sexta-feira).
Diz ao teu Paizinho
— Bem-aventurados os humildes e perseguidos pelo amor de Jesus. Esses é que são os eleitos do Senhor e os santos do seu divino Coração. Está quase finda a missão da crucificada de Jesus na terra. Jesus vai dar-lhe a morte mais encantadora, mais cheia de amor. Vem Jesus, vem Maria, vem José, toda a Trindade divina. Vêm os Anjos, vêm os Santos conduzirem ao Paraíso aquela que tanto amou Jesus na terra. Desce o Céu ao quartinho da heroína de Jesus. Que glória para Portugal, para o mundo inteiro! Que alegria e triunfo para o Paraíso.
― Obrigada, obrigada, meu Jesus. Recompensai a todos
por mim, pagai-lhes com o vosso divino Amor e permiti que eu lá do Céu a todos
conforte e a todos assista em suas necessidades. Ó meu Jesus, conheço que sois
vós; não posso separar-me da vossa divina presença. Quisera ir já convosco para
o Céu.
― Mais um pouquinho e o dia chegará.
― Obrigada, meu Jesus.
(Sentimentos da
alma: 2 de Maio de 1942 – Primeiro sábado)
Sorriam-se os meus lábios
Está próxima, Jesus, a minha crucifixão. Vêde-me na cruz
cravada convosco, de olhos levantados para o Céu, que já não vejo, a bradar
sempre: Jesus, Jesus, porque me abandonaste? Estou sozinha, faltam-me todos os
auxílios do Céu e da terra. Aceito para consolar-vos, tudo aceito, tudo sofro
para que se fechem as portas do inferno.
Meu bom Jesus, velais sempre sobre mim, estais sempre a
fortificar-me com a vossa graça e força divinas. Animastes-me dizendo :
— Minha filha, minha loucura, é na tua crucifixão que
está toda a salvação das almas. É no teu duro penar que está a minha consolação
e na tua completa imolação que está a minha glória, é no teu calvário que está
a minha completa alegria. Coragem, coragem! Não te falta Jesus com a Mãezinha e
o teu Paizinho. Tens em ti a graça divina.
Caminhei para o Horto. Não se podem comparar as agonias e
tristezas humanas com as Vossas. Quanto sofrestes por meu amor. Terei eu
coragem de negar-vos alguma coisa? Oh! não, meu Jesus, não. Dai-me força para
que eu não use de tal ingratidão. As trevas do Horto eram aterradoras. Todos os
sofrimentos eram pavorosos. Os pecados do mundo eram a prensa mais dura que
apertava o meu coração e o Vosso. Era o pecado, só o pecado a causa de todos os
sofrimentos; era o pecado que eu sentia a rasgar-me as veias; era o pecado que
afastava de mim o Céu, deixando-me no maior abandono, obrigando-me a suar
sangue. Foi o pecado, só o pecado o algoz de toda a Vossa Paixão. Quanto Vos
devo, meu bom Jesus, por sofrerdes em mim e me associardes a Vós. Já não podia
resistir mais e segredou-me a Vossa voz divina:
— Tens, minha filha, sempre à tua frente o amor do
teu Jesus.
― Ó meu Amor, sinto desaparecer dia à dia, momento a
momento, as forças do meu corpo e da minha alma! Só com Vós crucificado em mim
poderei vencer. Eu já não vivo, porque tudo em mim é morte. Fui flagelada, fui
coroada de espinhos, descansei no voso divino Coração; apertava-o com amor ao meu: prender-vos para
sempre, não me separar mais de Vós eram os meus desejos. Tive uns momentozinhos
que deixastes cair sobre mim a vossa divina Graça e uns raiozinhos do vosso
Amor aqueceram o meu coração. Quando descansei na Mãezinha Ela unia aos meus os
seus lábios santíssimos demorando-se assim todo o tempo do meu descanso. Isto
não são consolações, meu Jesus, bem sabeis que tudo isso desapareceu para mim,
são os auxílios que me dais, sem os quais era impossível a minha crucifixão.
Fui para o calvário, a cada passo sentia-me cair por terra, a perder a vida.
Estava pregada na cruz; das chagas escorria o sangue como dumas fontes. Os insultos
que ouvia golpeavam-me todo o corpo. A dor do coração fazia-o ansiar com tanta
força que parecia levantar-me o peito a pontos de o abrir. Chamar por vós,
bradar ao Céu, tudo era inútil. Só trevas e abandono, só agonia mortal.
― Ó meu
Jesus, passou a crucifixão, a noite já vai alta e no alto do calvário estou eu
de braços abertos, na cruz pregada, na noite mais triste e tenebrosa a bradar
sempre: Ó Céu, ó Céu, ó Céu que me abandonaste. Ó terra que me desprezaste e me
odeias. O meu brado perde-se num mundo de abandono, o meu eco perde-se num
mundo que não tem fim. Estou só, Jesus, a tiritar de frio e de fome. Estou
cega, perdi a luz. Já não existirá no mundo, meu Amor? Todo ele é trevas, todo
ele é cegueira. Juntai, meu Jesus, a este duro penar, a dor que me causa ao ser
notada a falta do meu Paizinho aqui. Jesus, Jesus, permiti tudo, menos o
escândalo; eu não quero que sejais ofendido, mas muito menos ainda naquilo que
me diz respeito. Perdoai a todos, perdoai a mim e dai-me a vossa bênção, Jesus.
(Sentimentos da alma: 27 de Fevereiro de 1942)