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quinta-feira, junho 10, 2021

EM NADA, MESMO NADA TENHO ALEGRIA

Eu já tinha sofrido tanto!


O demónio principiou de novo com as suas ameaças. Ontem à noite, quando rezávamos, ele veio atormentar o meu espírito, abanar-me com a cama, até ser notado por alguém; e bailava de contentamento. E eu já tinha sofrido tanto! Tive um dia tão cheio de espinhos! Oh! quanto se sofre! Oh! agonias das almas que não sois compreendidas! E eu sozinha e só miséria. Jesus espreme e tira para Si toda a substância. Em nada, mesmo em nada, tenho alegria. Que Ele se alegre e console nesta noite, nestas trevas do meu espírito. Elas surgem cada vez mais; infundo-me nelas e momento a momento mais tenho que atravessar. Hoje revivi, momento a momento, pormenor por pormenor, a minha ida para a Foz. Dois anos são passados. Foi um painel que se apresentou à minha frente, passei hoje novamente por tudo. Eu dizia para mim mesma:

— Por quem obedeci? Por quem sofri tudo isto? Só por Jesus e pelas almas. (Alexandrina Maria da Costa: 10-06-1945)

terça-feira, junho 08, 2021

VEM PARA OS MEUS SACRÁRIOS

Caíram tantas almas no inferno!


— Filha, filha, ó minha querida filha anda passar a noite comigo nos meus sacrários: anda consolar o teu Jesus. Anda com a tua reparação curar as minhas chagas que estão tão vivas! Fui hoje tão ofendido! Caíram tantas almas no inferno! Cortei-lhe o fio da vida antes do tempo marcado por não as poder sofrer mais.

Eu ofereci a Nosso Senhor todo o meu corpo para Ele crucificar pelo seu divino amor para a salvação das almas; e dava-lho de tão boa vontade como Ele se deixou crucificar por meu amor. (Alexandrina Maria da Costa: Carta ao Padre Mariano Pinho: 06-06-1935)

VINDE, MEU BOM JESUS

Vivei em mim como eu desejo viver convosco


No dia dois [de Junho], depois das nove horas da noite, estava eu a fazer a oferta de tudo o que se passasse em mim durante a noite como actos de amor a Nosso Senhor Sacramentado. Fazia-o mais com o pensamento do que com os lábios porque não podia. Eu disse ao meu Jesus se fosse da Vossa Vontade eu ficar convosco nos vossos sacrários durante esta noite! Sim antes queria fazer companhia a Nosso Senhor do que dormir. E dizia também: “Vinde meu bom Jesus e vivei em mim como eu desejo viver convosco; operai em mim tantas graças como se eu vos recebesse sacramentalmente.” Principiei então a sentir a presença de Nosso Senhor em mim. (Alexandrina Maria da Costa: Carta ao Padre Mariano Pinho: 06-06-1935)

domingo, junho 06, 2021

O MUNDO QUE EU SOU

Este mundo não quer Jesus


Por vezes, a minha alma vê Jesus, feito enfermeiro, a querer entrar a este mundo, que sou eu mesma. Rodeia, rodeia uma e outra vez este monstro mundial, para curar-lhe as chagas de entro e de fora. Jesus anda cheio de amor e doçura, mas não tem estrada. Esta rocha dura não quer ouvir o Seu convite de ternura, não quer deixar-se curar. Que pena eu tenho não consentir que Jesus seja o meu enfermeiro! Ele quer acariciar-me, e eu não deixo, revolto-me contra Ele, obrigo-O a afastar-se de mim. Apesar de ser eu que O não quero, nem quero a Suas bondades, ternuras e carinhos, a alma chora por não O querer, por não lhe dar entrada, por não O amar. Que pena eu tenho de Jesus! Sofro ao mesmo tempo com Ele. Sou o mundo e sou Jesus; peco e quero pecar; amo e quero amar; e este amor é louco, não tem limites, ama e não olha a quem; o que quer é ser aceite. Se este amor fosse eu, e minhas não fossem as maldades! Mas ai pobre de mim! O amor é de Jesus, as maldades são minhas. Abracei-me à minha cegueira com tal afecto, com tal amor, que não mais a largarei; ela só me causa sofrimento, só me mostra que sou lodo e lama, mas eu quero e neste estreito abraço mais me vou mergulhando nela. O que é bom, o que é de Jesus, não aparece nas minhas medonhas trevas. Mas o que posso eu esperar, o que posso eu ver, se nada há em mim de bom, nada tenho de encantador que a mim pertença. Sou miséria, só miséria; ó Jesus, compadecei-Vos de mim! Tenho recebido, nestes dias algumas, algumas graças, alguns mimos do Céu, que eu não mereço. Agradeço-as a Jesus e à querida Mãezinha, mas este meu agradecimento não chega. (Alexandrina Maria da Costa: S. 6 de Junho de 1947).

sábado, junho 05, 2021

DIZ AO TEU PAIZINHO, DIZ AO TEU MÉDICO

Serão para eles as primeiras bênçãos


— Diz ao teu Paizinho que Jesus te escolheu; diz ao teu médico que Jesus te confiou, diz à tua irmãzinha que te acompanha nas tuas dores, diz a todos que te ajudam a subir o doloroso calvário, que serão para eles as primeiras bênçãos, as primeiras graças, tudo o que é do Céu. Diz ao teu Paizinho que já cá na terra tem um trono em meu divino Coração. Diz-lhe que Jesus e Maria o amam loucamente. Diz-lhe que já que nesta luta mais não pode, te acompanhe sempre, sempre com orações, sempre, sempre com aquela união de almas com que Eu vos uni. Diz ao teu médico que seja forte com a força do meu divino Coração. Que te acompanhe sempre, sempre, que te ajude a levar a cruz. Que conte sempre com as graças e bênçãos do Senhor para ele e todos os seus; todos eles terão a perseverança final. Acaricia-te Jesus, acaricia-te a Mãezinha: são ternuras, doçuras, amor do Céu.

Toma conforto, ó minha filhinha, esposa do meu Jesus, salvação de todos os filhos meus. Oh! como és amada de toda a corte celeste!

Estas últimas palavras foram da Mãezinha. (Alexandrina Maria da Costa: Sentimentos da alma; 5 de Junho de 1943).

Na imagem:
A beata Alexandrina, o Pe. Mariano Pinho e o Dr. Augusto de Azevedo

sexta-feira, junho 04, 2021

SOL BRILHANTE, SOL ESPLENDOROSO

Será aquele que se vai reflectir no mundo


― Sol brilhante, sol esplendoroso será aquele que se vai reflectir no mundo. Os homens não querem deixar reflectir seu brilho. Ai deles, pobres daqueles que se opõem à frente dos caminhos do Senhor! Jesus todo se consola e alegra nas almas suas amadas. Jesus todo se delicia no arminho das almas puras. Os raios do amor divino formam sobre elas uma auréola brilhante e encantadora que atrai a si o mundo e os corações. Os que se dizem amigos de Jesus não conhecem as almas suas esposas. Jesus está descontentíssimo com a maior parte dos seus discípulos: não têm luz, não a procuram, não sabem, não procuram saber. Lançam-se como Satanás a deitarem por terra as obras do Senhor. Desviam de si as bênçãos divinas e toda a protecção da Virgem Maria. A Mãezinha celeste está preparada para vir buscar a sua filhinha para junto de si. O prémio é brilhantíssimo. A dor do Paizinho da louquinha de Jesus tem dado toda a glória e triunfo ao Céu. Pobres daqueles que assim o têm feito sofrer. Jesus nada deixa sem recompensa. Jesus dá toda a graça e amor ao médico da alma e ao médico do corpo da louquinha da Eucaristia. Jesus será todo e tudo para eles. (Alexandrina Maria da Costa: S. 4 de Julho de 1942)

segunda-feira, maio 31, 2021

OU SOFRER OU O CÉU

Que valor pode ter a vida, se não sofro


Termina o mês da Mãezinha. Que saudade eu tenho de ele findar! Será de verdade o meu último Maio na terra? Que pena eu tenho de não A ter amado muito assim como a Jesus! Tudo foge, tudo passa, tudo se esconde, só a minha miséria aparece para a ver claramente nos mundos das minhas trevas. Abro os meus braços ao céu, quero abraçar o meu martírio e, junto a ele, Jesus e a Mãezinha. Tenho sede, e nada há que me satisfaça, nem ao menos o sofrimento. Temo-o, mas quero-o para dar a vida às almas, para consolação do meu Jesus. Ou sofrer ou o céu. Que valor pode ter a vida, se não sofro, se não amo? (Alexandrina Maria da Costa: S. 31 de Maio de 1945).

Na imagem:
A beata Alexandrina e o Padre Mariano Pinho.

sexta-feira, maio 28, 2021

JESUS MENINO ESTAVA À PORTINHA…

Como que para entrar


De noite, tive uma visão; vi-me dentro dum templo, de joelhos, junto ao altar, onde estava o sacrário. À portinha dele, muito unidinho, como que para entrar para dentro estava Jesus Menino; era Formosíssimo; não tinha mais de dois ou três anos. Fitou-me com os Seus olhos encantadores; os Seus olhares divinos foram para mim olhares de convite para entrar também. Não cheguei a fazê-lo; de repente desapareceu Jesus, o Sacrário e o templo, fiquei sozinha, mas mais forte e corajosa e com mais ânsias de me unir para sempre a Jesus na Eucaristia. (S. 20-09-1947)

quarta-feira, maio 26, 2021

COMO CHEGAR AO CÉU

Contemplação das obras de Deus


Pelos quatro anos e meio de idade, punha-me a contemplar o céu (abóbada celeste) e perguntava aos meus se poderia chegar-lhe se pudesse colocar umas sobre as outras todas as árvores, casas, linhas dos carrinhos, cordas, etc., etc. Como me dissessem que nem assim chegaria, ficava descontente e saudosa, porque não sei o que me atraía para lá.

Lembro-me de que, nesta idade, tinha em casa uma tia doente, que morreu de cancro, e chamava-me para ir embalar um filho, primeiro fruto do seu matrimónio, serviço que fazia com toda a prontidão, quer de dia quer de noite.

Já nesta idade amava muito a oração, pois lembra-me que minha tia pedia-me para rezar com ela a fim de obter a sua cura. (Alexandrina Maria da Costa: Autobiografia)

quinta-feira, maio 20, 2021

A CURA DA SÃOZINHA…

“Aí vai o meu amor”


Disse-me Nosso Senhor: ― “Aí vai o meu amor”.

E então, aquela força inexplicável e aquele calor que tanto me abrasava ! Oh ! como eu me sentia bem ! E dizia-me Nosso Senhor :

― És a minha vítima, a vítima dos meus desígnios !

E tornou-me a dizer que me queria no Céu mas que precisava de mim na terra. Nesta ocasião eu pedi ao meu Jesus a cura da minha querida Sãozinha. E Nosso Senhor prometeu-me curá-la breve, mas que lhe pedisse muito, e que lhe pedisse o que quisesse. O que Ele me não alcançasse que é porque não era bem para as almas. (Carta ao Pe. Mariano Pinho:  15-03-1935)

(Nota do Padre Mariano Pinho: De facto curou, quando já se principiava a desanimar da sua cura.)

A COROA DA ALEXANDRINA…

Até os próprios sacerdotes


Jesus convidou-me para os sacrários abandonados para me entristecer com Ele e para reparar tanto abandono. Deixam-no sozinho e vivem como se Ele não existisse. Até os próprios sacerdotes, a quem Ele deu o poder de transformar o pão no seu divino corpo, até eles o esqueciam e o ofendiam. Disse-me, também, que cada vez que me oferecia aos sacrários, me eram aumentados muitos graus de glória no Céu; que quando eu lhe pedia o aumento do seu divino amor, me era embelezada, de dia para dia, a minha coroa no Céu e que Ele mesmo ma preparava (Carta ao Pe. Mariano Pinho: 14-09-1934).

segunda-feira, maio 10, 2021

VI JESUS MUITO BRILHANTE

Parecia-me não ser sonho


Quantas vezes a este fogo vem juntar-se a grande confusão, o grande martírio de não resistir aos ardores de tal fogo sem panos de água fria. Sofro ao ver-me rodeada das pessoas e ter de manifestar e dar a conhecer este fogo que me abrasa. Confio, se o meu Jesus me der força, a tudo resisto e com a Sua graça escondo. Muitas vezes, durante as noites, tenho visto Jesus, a Mãezinha e S. José. Jesus não aparece sempre duma forma. Raras vezes o tenho dito, porque só o fazia quando tinha a certeza de que não era sonho; de contrário, calava-me e nada dizia, com receio de não dizer a verdade. Nesta noite, vi Jesus muito brilhante, cheio de luz, mas com a Sua santíssima cabeça cercada com uma coroa de agudíssimos espinhos. Parecia-me não ser sonho e, na dúvida de ser ou não, pensava não dizer nada, deixar oculto. No decorrer da manhã, estava sozinha, unida a Jesus a fazer as minhas orações. Veio o demónio, raivoso, malicioso, com ameaças apavoradoras. Enquanto podia, ofereci-me logo a Jesus e à Mãezinha em favor das almas. Que receio tão grande de pecar, estava cheia de medo. Ele dizia-me coisas feias e que desconheço. Parecia-me estar entregue aos maiores prazeres, aos maiores crimes. (Alexandrina Maria da Costa: 3 de Abril de 1945).

domingo, maio 09, 2021

NÃO POSSO PENSAR NA PERDA DAS ALMAS

Quero remediar este mal e não posso


Não quero o mundo; quero desaparecer dele, morrer para ele; não quero o mundo, nem nada que lhe pertença. Quero as almas, quero as almas todas que nele habitam, porque essas sim, essas só a Jesus pertencem. Deixo-me crucificar e morrer por elas. Não posso pensar na perda das almas; não posso pensar que Jesus é ofendido. Eu não quero o amor das criaturas; quero o amor do meu Jesus. Eu não quero ofendê-Lo nem sabê-Lo ofendido. Que sede de me dar a Ele, de Lhe pertencer, de morrer por Ele! Que sede de ver o mundo, ou melhor, as almas nas mesmas ânsias, nas mesmas pretensões. Queria tudo numa só alma, num só coração, num só amor. O meu coração está cansado de tanta ansiedade, de tanta sede de amor. Eu não sei quem continuamente bebe em mim e bebe sofregamente; a minha alma sente, os meus ouvidos ouvem o saborear, o beber ofegante desta bebida. Continuo a ser o poço inesgotável, apesar de, noite e dia, sem parar, dar água com toda a abundância a quem quer beber. Depois disto não sou nada, não dou nada, em mim nada há. Eu não vivo mas há em mim outra vida que vive e ama, que vive e possui tudo. Queria viver esta vida, amá-la, perder-me nela, enlouquecer por ela. Ó meu Deus, ó meu Deus, eu quero que as minha loucuras sejam só para Jesus e para as almas. Sinto que esta vida é ferida, ultrajada, calcada aos pés de ingratos. Eu não posso consentir em tal, quero remediar este mal e não posso. Sinto o meu corpo ralado, moído, desfeito pela dor. Por vezes digo: meu Deus, como se vive, como se pode resistir a tanto. Meu Jesus, sou a Vossa vítima, aceitai o incenso do meu sofrimento, que ele suba ao Céu constantemente, dia e noite, sem parar, para ser a reparação da bondade de Deus ultrajado. Fito os olhos em Jesus crucificado, compadeço-me dos Seus sofrimentos, quero evitá-los e não posso; sofro amarguradamente com Jesus. Fito novamente a imagem do Seu divino Coração e peço-Lhe: deixai-me entrar, Jesus, no Vosso divino Coração, para me esconder e incendiar. E fazei que eu vá como um sopro, como uma aragem suave, levar a todos os corações a Vossa graça, o fogo do Vosso amor. Digo e não sou eu, falo e não sei falar. Ó meu Deus, e assim me vou mergulhando nesta abismo medonho de cegueira, abismo, cegueira, que não mais terá fim. Sinto-me nela como peixe na água; quanto mais me mergulho em cegueira, mais obrigada me sinto a, profundamente, me mergulhar. E sempre sobre esta cegueira um mar tempestuoso, com fúrias desastrosas. E o coração a sangrar, sempre a sangrar; com que crueldade eu o sinto ser apunhalado! Que finos e dolorosos são os fios que o cortam! Ó minha cruz, eu te amo! Ó Mãezinha, eu sou Vossa; dai-me força e amai por mim a Jesus, amai-O em nome de todas as almas. (Alexandrina Maria da Costa: Sentimentos da alma: 9 de Maio de 1947)


sexta-feira, maio 07, 2021

TRÊS CORAÇÕES NUM SÓ

 No Céu vais continuar com a tua obra salvadora


Agarrei-me a Jesus e disse-Lhe:

— Se eu Vos pudesse prender para sempre!... Eu não vivo, nem sei se sofro, pois não sou eu que sofro. Sois Vós, Jesus, sois Vós.

— Ó esposa querida, esposa amada, o Céu assiste-te e em breve é teu. É Jesus a dizer-te. Coragem! Coragem! Anima-te! Criei-te para o que há de mais alto, para a missão mais sublime. Que Glória te espera tão depressa!

— Ó Jesus, ó Jesus, eu só quero amar-Vos e a glória é toda para Vós; quero salvar-Vos as almas a todo o custo, sem a ansiedade da mais pequena recompensa.

— Minha filha, tem-las salvas aos milhões, e do Céu virão muitas graças para confusão e remorso de muitos cegos que não quiseram ver. Vais continuar com a tua obra salvadora. Eu to prometo e afirmo. Irão para ti os pecadores, atraídos por atracção celeste como avezinhas em bando e as formigas para o celeiro. Dize, minha filha, Jesus te manda dizer. Nunca a humanidade viu, nunca o Céu contemplou tal incêndio de vícios, maldades e crimes. Nunca se pecou assim. Toda a reparação é pouca. Avante! Avante sempre, a fazer oração e penitência! É preciso sustentar a justiça de meu Pai. O Seu braço cai, o Seu braço cai. Aqui tens, minha filha, a Minha Mãe, a tua Mãe. Escuta as Suas palavras, aceita as Suas breves carícias.

Era o Coração Imaculado de Maria. Mostrou-me o Seu Coração rasgado e, unido ao d’Ela, rasgado estava o de Jesus. Depois de me acariciar, disse-me:

— Minha filha, minha filha, Jesus pede e Eu peço com Ele oração e reparação. São os crimes que assim nos ferem. Coragem, coragem no teu inigualável sofrimento. Eu venho buscar-te [em] breve, levar-te comigo para o Paraíso. Uno o teu coração aos nossos para viveres a nossa dor.

Jesus aproximou-se; fez dos três corações um só e fez-me passar a gota do Seu Sangue Divino.

— Recebe esta vida: é vida divina, é vida de graça, fortaleza e amor. Comunica-a, dá-a às almas na abundância que elas quiserem. És de Jesus e por ti elas recebem Jesus. Não deixes de repetir o teu “creio”; não é mentiroso, é verdadeiro. Sofre, sofre assim. O mundo exige, o mundo exige!

— Ó Jesus, ó Mãezinha, muito obrigada, muito obrigada. Não me deixeis cair no desalento. Vede que estou sozinha. Compadecei-Vos de mim! Perdoai ao mundo, perdoai, perdoai. Dai à minha alma aquele por quem ela já não pode esperar mais! (Sentimentos da alma: 06-05-1955)

quarta-feira, maio 05, 2021

AO DIRECTOR E AO MÉDICO

 — Anima-te, meu anjo, e confia sempre


— Anima-te, meu anjo, e confia sempre. Dá ao teu paizinho, minha filha, o meu Divino Coração com toda a doçura, ternura e amor. Dá-lho cheio dos meus agradecimentos pela sua dor e exemplo na sua cruz; é exemplo dos santos. Diz-lhe que me servi de tão grande martírio para reparação de tantos e tão maus sacerdotes. Tudo está a terminar, ele será exaltado, e os exaltados humilhados, e a sua missão continua sempre junto de ti e junto às outras almas. Dá também ao teu médico o meu Divino Coração como nome dele, da esposa e de todos os filhinhos, gravados a oiro. São meus, pertencem-me; são salvos, é de todos o céu. Dá-lhe também os meus agradecimentos, diz-lhe que sou eu que o nomeio combatente livre e vencedor da minha divina causa, causa mais brilhante e prodigiosa. Diz-lhe que redobre os seus cuidados e canseiras junto de ti. É preciso milagre, grande milagre para a tua vida e existência aqui. Dá à Sãozinha a promessa do céu sem purgatório pelo que trabalho pela minha causa divina. Faz-me uma lista das pessoas a quem queres que lhes dê o céu sem irem ao purgatório. Sei muito bem quais elas são e quero condescender com os teus desejos. Vem, minha Mãe, toma o teu lugar de Mãe carinhosa e extremosíssima, dá a vida e suaviza a dor desta nossa filhinha.

Tomou-me a Mãezinha em seus braços, senti-me logo cheia de doçura e amor. Dum lado o seu santíssimo rosto e do outro a sua bendita mão me acariciava. Estava o meu rosto no meio daquela prensa santíssima. Cobriu-me de beijos, senti-me viver.

— Minha filha – dizia-me ela – venho em breve buscar-te para o céu. Antes de expirares, levo-te à presença de Jesus pela minha bendita mão; entre mim e Ele serás conduzida ao paraíso. À tua chegada terás coros de virgens, coros angélicos, toda a corte celeste em hinos, todo o céu em festa.

— Obrigada, Mãezinha. espero-Vos depressa, a não ser que os Vossos breves sejam como os de Jesus. Seja como for, não tenho vontade nem querer próprio. O que quero é a Vossa força santíssima para levar a minha cruz, a pureza do meu corpo e da minha alma, o amor ao Vosso Coração e ao de Jesus, a graça de não O desgostar nunca, nunca. Dizei-me, Mãezinha, estais triste comigo ou está Jesus?

— Não, esposa do meu filho querido. A minha alegria e consolação estão em ti, nada fizeste para me entristecer; tudo fazes para honra e consolação minha e do teu Jesus. Sossega, sossega, meu Filho, sossega a tua filhinha.

— Coragem, sossega, amada do meu Divino Coração. O que te digo é para te firmar e fortalecer no teu martírio. Não me desgostaste, sossega, não o permito. De ti recebo a alegria e amor que o meu Divino Coração deseja. És a loucura do céu, a vida das almas, o encanto da terra, a glória do meu Pai.

Por algum tempo fiquei fortalecida, mas, à medida que as horas foram passando, corri apressadamente a mergulhar-me nas trevas para nelas poder esconder-me de todos e para sempre. Abismada nelas, parecia-me não caberem em mim as ânsias, ânsias doridas, ânsias capazes de dar a morte, ânsias não sei de quê. Que peso o da minha cruz! Mas quero-a, amo-a para sempre. (Sentimentos da alma: 05-05-1945)

terça-feira, maio 04, 2021

O COMBATE SERÁ RENHIDO

Levanta os olhos ao Céu, tem coragem


— Minha filha, levanta os olhos ao Céu, tem coragem, Jesus te amparará. O fim aproxima-se. O combate será renhido. Minha filha, minha filha, se fosses amada por todo o mundo não te assemelhavas a Jesus. Restam-te alguns amigos firmes e fortes à semelhança do teu esposo Jesus. Alegra-te, amada! Que grande dita assemelhares-te a mim! Filhinha, filhinha, alegra-te, quantos e quantos depois da tua morte chorarão as suas culpas, as suas faltas. Quantos e quantos depois da tua morte desejariam falar-te, pedir-te perdão por te terem perseguido e combatido. Filhinha, filhinha, diz ao teu Paizinho que ainda na terra muitos lhe hão-de pedir perdão. Que a sua humildade há-de ser exaltada. Diz-lhe que todo este sofrimento lhe tem purificado o seu coração e a sua alma, que está mais pura do que o oiro. Diz-lhe que tinha que passar por todos estes vexames para que a causa de Jesus brilhe como eu quero que ela brilhe. Diz-lhe que eu o amo apaixonadamente e que o tenho coberto com o meu divino Amor. Ó minha amada querida, diz ao teu Paizinho que o lugar dele no Céu está reservado ao lado da Santíssima Trindade. Diz-lhe que toda esta luta na terra está a terminar. Confias, confias, minha filha?”

— Ó meu Jesus, como não hei-de confiar em vós? Vós não enganais! Quem confiou em Vós e ficou confundido? Sede a nossa força, Jesus, e terminai então tanto sofrimento.

— Inclina-te, inclina-te, minha bendita Mãe, beija e abraça a tua filhinha, minha esposa e minha crucificada.

— Mãezinha, vela por mim, vela pelo meu Paizinho, vela pelos que me são queridos. Entre Jesus e a Mãezinha estou bem, não corro perigo. (Sentimentos da alma: 3 de Abril de 1943 – Primeiro sábado).

domingo, maio 02, 2021

DE MÃOS VAZIAS...

Quero fugir do mundo

Eternidade que tão à pressa passas; eternidade que nunca chegas. Passa, voa e eu voo com ela sem nada, de mãos vazias para dar contas a Jesus. Nunca passa, nunca chega a verdadeira eternidade que me vai dar o Céu.


Quem poderá viver assim, meu Jesus! Dai-me a Vossa graça sem a qual a vida neste exílio é de desespero; é morte. Quero voar para Jesus, quero amá-Lo e não sou capaz de formar para Ele o voo e de O amar com a ansiedade, que exige o Seu coração. Quero fugir do mundo, esconder-me dele e dele desaparecer, e nunca mais consigo. Um momento é uma eternidade; é um momento que nunca passa, que nunca tem fim. Só o momento de ver Jesus a pedir-me contas, a ver-me e a encontrar-me sem nada, só revestida da maior miséria é rápido, não se lhe dá tempo de Lhe dizer: quem sois Vós, Senhor, e quem sou eu; parai um pouco, e deixai-me cobrir ao menos com agasalho alheio; estou nua, Jesus. Meu Deus, que confusão a minha: não tenho tempo para nada! O que fiz eu da minha vida? Como aproveitei o tempo que me destes? Que horror, ó meu Jesus! Mas Vós sois toda a minha loucura; só por Vós quero sofrer, só por Vós quero amar, só de Vós quero falar e pensar; não quero outra vida, que não seja a Vossa. Sinto-me como se fosse um poço no qual nem um só momento cessam de tirar a água. Que movimento! Esta água, que é tirada, vai para cima, nela bebe quem quer; este poço é inesgotável, não seca mais, tem sempre a mesma água. Está em mim e não é meu; está em meu poder e não me pertence. Contudo estou ansiosíssima por repartir, por dar a beber a todos. Sinto que é água de salvação. Oh! como eu a queria dar! Dar do que me não pertence e não tenho escrúpulo; roubo sem medo de ser pelo dono castigada. Ó meu Deus, ó meu Jesus, queria dar tudo, tudo, toda esta água, queria nela mergulhar todo o mundo. Morre, Jesus; morre com ânsias!

(Sentimentos da alma: 2 de Maio de 1947 - Sexta-feira).

O CÉU É DELE, A COROA ESTÁ TECIDA

 Diz ao teu Paizinho

— Bem-aventurados os humildes e perseguidos pelo amor de Jesus. Esses é que são os eleitos do Senhor e os santos do seu divino Coração. Está quase finda a missão da crucificada de Jesus na terra. Jesus vai dar-lhe a morte mais encantadora, mais cheia de amor. Vem Jesus, vem Maria, vem José, toda a Trindade divina. Vêm os Anjos, vêm os Santos conduzirem ao Paraíso aquela que tanto amou Jesus na terra. Desce o Céu ao quartinho da heroína de Jesus. Que glória para Portugal, para o mundo inteiro! Que alegria e triunfo para o Paraíso.


Diz, diz, minha filha, ao teu Paizinho Eu que o amo, que é o filho predilecto da minha Companhia. Quanto mais o fazem sofrer, mais o meu divino amor se irradia nele. Jesus vai conduzir ao seu divino Coração a ovelha perdida; Jesus não demora. O Céu é dele, a coroa está tecida. É de espinhos, abrilhantada com as pedras mais preciosas. Diz, diz, minha filha, ao Sr. Doutor que o prémio que no Céu lhe está preparado é o maior que se pode dar à medicina. O Coração de Jesus está radiante com ele por todo o cuidado e esmero que tem tido com a crucificada de Jesus. Ele sentirá na terra a contínua protecção da salvadora da humanidade. Diz, diz, minha filha, à tua irmãzinha, à tua Çãozinha, que estão ao abrigo de Jesus, guardadas para sempre no seu divino Coração. Jesus será o prémio, a recompensa de todos os que sofrem com a sua benjamina. Jesus é tudo para as almas que a amam e que por ela são amadas.

― Obrigada, obrigada, meu Jesus. Recompensai a todos por mim, pagai-lhes com o vosso divino Amor e permiti que eu lá do Céu a todos conforte e a todos assista em suas necessidades. Ó meu Jesus, conheço que sois vós; não posso separar-me da vossa divina presença. Quisera ir já convosco para o Céu.

― Mais um pouquinho e o dia chegará.

― Obrigada, meu Jesus.

(Sentimentos da alma: 2 de Maio de 1942 – Primeiro sábado)

sábado, maio 01, 2021

CHOREM OS MEUS OLHOS...

 Sorriam-se os meus lábios


Jesus, dai-me as vossas forças divinas, quero a minha dor e sem elas nunca o conseguirei. Chore o meu coração noite e dia se assim o quiserdes, mas alegrem-se os meus olhos, sorriam-se os meus lábios. Seja o vosso santo amor e as almas toda a base do meu sofrer. Estou como a pombinha que nos ares dia e noite bate as asas; não tem onde poisar, ampara-a o vosso poder. Faltam-lhe as forças, não pode continuar seu voo, cai por terra, não tem quem se compadeça dela se lhe faltais Vós. Jesus, sou eu que vagueio nos ares, sou eu a ser destruída pela tempestade, sou eu a mais indigna das vossas filhinhas sem luz e sem amparo. O Jesus, não sabia eu que ainda tinha tanto para Vos dar. Que grande é a minha ignorância! Pensava já ter-vos dado tudo; enganei-me, viestes agora fazer a última colheita. Colhei tudo, colhei depressa e colhei-me depois para Vós. Dei-vos definitivamente no dia 20, até quando mo quiseres dar, o meu Paizinho Espiritual. Dei-vos no dia 24 toda a correspondência que dele tinha, a qual me serviu de luz e encaminhou para Vós. Vistes bem quão grande foi o sacrifício, não pelo apego que às cartas tinha, mas sim por me serem pedidas em dias de tanta dor. Quando as tomei nas minhas mãos e para as unir a todas as atava com uma fita branca, ouvistes, meu Amor, o que ia dizendo? Jesus mas deu, Jesus mas tirou. Ao entregá-las para não mais lhe passar a vista dos olhos parece que todo o meu corpo estremeceu. Mas querendo fazer-me forte, murmurei sempre: Não é o meu Jesus digno de muito mais? Tudo é pouco para Ele que tanto me ama e tudo deu por mim; tudo é pouco para lhe salvar as almas. Depois disto, mandei que me tirassem da parede o seu retrato. Isto, meu Jesus, pouco ou nada podeis ter em conta; eu não tinha por ele a mais pequenina estima, de boa vontade o mandaria lançar ao fogo. A dor que me causou foi só por ver que até com isso pegaram, que até isso servia de base para fazerem a quem estava inocente. Meu Jesus, custa-me tanto servir de instrumento de sofrimento para os outros! Contemplai todo o meu sacrifício e lançai os vossos olhares divinos cheios de compaixão.

Está próxima, Jesus, a minha crucifixão. Vêde-me na cruz cravada convosco, de olhos levantados para o Céu, que já não vejo, a bradar sempre: Jesus, Jesus, porque me abandonaste? Estou sozinha, faltam-me todos os auxílios do Céu e da terra. Aceito para consolar-vos, tudo aceito, tudo sofro para que se fechem as portas do inferno.

Depois da crucifixão

Meu bom Jesus, velais sempre sobre mim, estais sempre a fortificar-me com a vossa graça e força divinas. Animastes-me dizendo :

— Minha filha, minha loucura, é na tua crucifixão que está toda a salvação das almas. É no teu duro penar que está a minha consolação e na tua completa imolação que está a minha glória, é no teu calvário que está a minha completa alegria. Coragem, coragem! Não te falta Jesus com a Mãezinha e o teu Paizinho. Tens em ti a graça divina.

Caminhei para o Horto. Não se podem comparar as agonias e tristezas humanas com as Vossas. Quanto sofrestes por meu amor. Terei eu coragem de negar-vos alguma coisa? Oh! não, meu Jesus, não. Dai-me força para que eu não use de tal ingratidão. As trevas do Horto eram aterradoras. Todos os sofrimentos eram pavorosos. Os pecados do mundo eram a prensa mais dura que apertava o meu coração e o Vosso. Era o pecado, só o pecado a causa de todos os sofrimentos; era o pecado que eu sentia a rasgar-me as veias; era o pecado que afastava de mim o Céu, deixando-me no maior abandono, obrigando-me a suar sangue. Foi o pecado, só o pecado o algoz de toda a Vossa Paixão. Quanto Vos devo, meu bom Jesus, por sofrerdes em mim e me associardes a Vós. Já não podia resistir mais e segredou-me a Vossa voz divina:

— Tens, minha filha, sempre à tua frente o amor do teu Jesus.

― Ó meu Amor, sinto desaparecer dia à dia, momento a momento, as forças do meu corpo e da minha alma! Só com Vós crucificado em mim poderei vencer. Eu já não vivo, porque tudo em mim é morte. Fui flagelada, fui coroada de espinhos, descansei no voso divino Coração; apertava-o com amor ao meu: prender-vos para sempre, não me separar mais de Vós eram os meus desejos. Tive uns momentozinhos que deixastes cair sobre mim a vossa divina Graça e uns raiozinhos do vosso Amor aqueceram o meu coração. Quando descansei na Mãezinha Ela unia aos meus os seus lábios santíssimos demorando-se assim todo o tempo do meu descanso. Isto não são consolações, meu Jesus, bem sabeis que tudo isso desapareceu para mim, são os auxílios que me dais, sem os quais era impossível a minha crucifixão. Fui para o calvário, a cada passo sentia-me cair por terra, a perder a vida. Estava pregada na cruz; das chagas escorria o sangue como dumas fontes. Os insultos que ouvia golpeavam-me todo o corpo. A dor do coração fazia-o ansiar com tanta força que parecia levantar-me o peito a pontos de o abrir. Chamar por vós, bradar ao Céu, tudo era inútil. Só trevas e abandono, só agonia mortal.

― Ó meu Jesus, passou a crucifixão, a noite já vai alta e no alto do calvário estou eu de braços abertos, na cruz pregada, na noite mais triste e tenebrosa a bradar sempre: Ó Céu, ó Céu, ó Céu que me abandonaste. Ó terra que me desprezaste e me odeias. O meu brado perde-se num mundo de abandono, o meu eco perde-se num mundo que não tem fim. Estou só, Jesus, a tiritar de frio e de fome. Estou cega, perdi a luz. Já não existirá no mundo, meu Amor? Todo ele é trevas, todo ele é cegueira. Juntai, meu Jesus, a este duro penar, a dor que me causa ao ser notada a falta do meu Paizinho aqui. Jesus, Jesus, permiti tudo, menos o escândalo; eu não quero que sejais ofendido, mas muito menos ainda naquilo que me diz respeito. Perdoai a todos, perdoai a mim e dai-me a vossa bênção, Jesus. (Sentimentos da alma: 27 de Fevereiro de 1942)

sexta-feira, fevereiro 14, 2020

PARTIDA DO PADRE MARIANO PINHO


Vou hoje falar-vos da interdição feita pela Companhia de Jesus ao Padre Mariano Pinho de continuar na direcção espiritual da Alexandrina.
Como já disse, o primeiro encontro entre estas duas almas de excepção deu-se no dia 16 de Agosto de 1933, quando o Padre Mariano Pinho foi pregar um tríduo em Balasar.
Depois deste primeiro encontro tudo parecia correr pelo melhor: o bom Jesuíta aconselhava a “doentinha de Balasar” e esta, com as suas orações e sofrimentos, livremente oferecidos a Deus, ajudava o bom sacerdote. Pode-se dizer que aprendiam um com o outro os caminhos fixados por Deus.
A Alexandrina recebera do Senhor a missão de velar sobre os Sacrários, sobretudo os mais abandonados.
Depois começou uma outra missão, também confiada por Jesus, para que a guerra que incendiava então a Europa e o mundo, acabasse. Jesus pediu-lhe que interviesse junto do Santo Padre para que este consagre o mundo ao Coração Imaculado de Maria. O Padre Mariano Pinho será o “fio condutor” desta missão entre a Alexandrina e o Santo Padre.
Como para justificar este pedido, a Alexandrina começou então a viver, de maneira visível, a Paixão do Senhor, à qual assistiam algumas vezes numerosas pessoas.
Este facto foi como que um rastilho que iria incendiar algumas pessoas invejosas do sucesso popular da Alexandrina, mesmo se é verdade que ela nunca desejou nem ser conhecida nem falada… mas Deus assim permitiu.
Algumas vizinhas, incentivadas pelo Padre Agostinho Veloso, também jesuíta, jornalista e poeta, mas inimigo figadal do Padre Mariano Pinho, começaram a fazer correr um boato que dizia haver qualquer relação outra que espiritual entre o bom Jesuíta e a sua dirigida.
Fins de 1941, um sacerdote espiritano, o Padre Terças, veio assistir a uma “paixão” da Alexandrina. Tomou minuciosamente apontamentos de tudo e pouco depois publicou numa revista que dirigia o resultado das suas notas. Devo dizer que o Padre Terças era um grande especialista de ascética e mística e, a publicação que fez do que viu em Balasar, nada mais tinha como intenção que de comparar a doentinha de Balasar com outras almas-vítimas, tais como a beata Ana Catarina Emmerich, a serva de Deus Teresa Neumann e algumas mais.
A publicação teve sucesso e o nome da Alexandrina percorreu então todo Portugal, causando admiração para uns e indignação para outros que começaram a dizer que se tratava dum estratagema para ganharem dinheiro.
O Arcebispo de Braga interveio e proibiu as visitas. Por seu lado a Companhia de Jesus — a 7 de Janeiro de 1942 — obrigou o Padre Mariano Pinho a recolher a uma das casas da Ordem proibindo-o de todo e qualquer contacto com a Alexandrina.
O bom sacerdote aceitou tudo com humildade, esperando que, mais cedo ou mais tarde, a verdade fosse claramente estabelecida, o que de facto aconteceu.
Exigiram também que a “Doentinha de Balasar” entregasse à Companhia as cartas que recebera do seu Director espiritual, o que ela fez com grande mágoa. Estas, depois de controladas, foram-lhe devolvidas alguns meses mais tarde.
Tempos depois destes incidentes pouco “católicos”, se me posso assim exprimir, o Padre Mariano Pinho foi enviado, ou melhor, exilado para o Brasil, onde exerceu como professor de latim e francês no Colégio Nóbrega de Recife, onde faleceu em 1967.
Uma tentativa para pedir a sua beatificação foi feita e uma oração composta para esse fim, mas como em tantas outras coisas em Portugal, não passou dum piedoso desejo, sem amanhã, o que é verdadeiramente pena, sobretudo para aqueles que conhecem bem a vida e as obras deste santo sacerdote.
O Padre Mariano Pinho e a Alexandrina nunca mais se voltaram a ver. Todavia ela escrevia regularmente ao seu antigo Pai espiritual — que carinhosamente chamava de Paizinho — e recebia deste igualmente correspondência que pode hoje ser lida em grande parte nos dois Sites que criei para a fazer conhecer e amar no mundo inteiro.
Estes dois Sites são poliglotas, pois neles existem documentos — a mais do português — em francês, espanhol, italiano, alemão, polaco e até mesmo em japonês, hindi e árabe.
Agora, que os dois vivem na Mansão Celeste, podemos invocá-los nas nossas necessidades de cada dia e ter esperança nas suas intercessões junto de Deus.
Afonso Rocha