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quinta-feira, junho 03, 2021

ÉS GRANDE POR SERES PEQUENINA

Esperai mais um pouco, se não ficais triste, meu Amor


— És grande por seres pequenina; serás exaltada por seres humilhada. O teu poder sobre as almas, a tua missão sublime continuará no céu sempre, sempre. Diz-me, minha filha, quando me dás a lista das almas que não queres que vão ao Purgatório?

— Não quero fazê-lo, Jesus, sem me consultar. Esperai mais um pouco, se não ficais triste, meu Amor. Escrevo-os desde já no meu coração para Vós lerdes, meu Jesus, até que doutra forma o possa fazer. Concordais assim sem Vos desgostardes?

— A tua humildade e obediência são para mim motivo da maior consolação e amor. Alegro-me com isso, mas não te dispenso, quero que a faças, e por tua mão, e relembres também aquelas que já te prometi levar para o céu sem Purgatório. Coloca-a depois junto da imagem do meu divino coração para lá estar sempre até que todas essas almas partam para a sua Pátria. Faço isto para provar-te o meu amor, todo o amor e loucura por ti.

— Obrigada, meu Jesus, no tempo e na eternidade.

— Diz, minha filha, ao teu paizinho o que vou dizer-te.

— Como, meu Jesus? Dizeis-me tanta coisa para ele, eu não posso falar-lhe, não me deixam.

Jesus sorriu com o Seu doce sorriso.

— Sossega, sossega, minha filha, lá chegará. Faço isto para lhe mandar sempre o meu amor para ele dar às almas e para provar-lhe que ele está na verdade e que foi vítima escolhida por mim para o unir a ti. Quero-o purificado. Quero dois espelhos cristalinos para enfrentarem um com o outro. (Alexandrina Maria da Costa: S. 2 de Junho de 1945)

terça-feira, abril 10, 2012

OH! MUNDO, O QUE HEI-DE FAZER DE TI?

Dai-lhes o céu, o céu, meu Jesus!

A minha dor! Nem eu sei dizer. Que noite tão tenebrosa e triste. Que horrores dentro em mim. Sinto que não posso resistir a tanto. Ó dor, ó dor, horrível tormento. Não posso demorar aqui mais tempo. Assim o disse ontem a Jesus:
— Não posso, não posso, meu Amor, demorar-me aqui.
Quero deixar o mundo e quero levá-lo comigo; não o quero e amo-o; não lhe pertenço e ele é meu; aborreço tudo o que é do mundo e quero prendê-lo, abraçá-lo a ponto de não mais o deixar.
— Ó mundo, o que hei-de fazer por ti. Quero voar para o céu, quero partir para fora deste desterro, quero ir para a minha Pátria e quero levar-te comigo; quero entrar no céu, mas com toda a humanidade.
— Ai, meu Jesus, o que hei-de eu fazer? Ó meu Jesus, deixai-me ir ao limbo, não Vos esqueçais que são Vossas as almas que lá estão. Quero ser vítima, levai-me ao sacrifício por elas. Dai-lhes o céu, o céu, meu Jesus, dai-lho pela Vossa morte, pelas dores da Mãezinha querida. Eu não queria ter um minuto de sossego para o meu corpo, enquanto o mundo existisse, queria que a minha vida fosse percorrê-lo todo dum lado ao outro, sem parar um momento, sempre de rasto, sempre a pisar espinhos, num banho de sangue, numa só chaga, para libertar da escuridão as almas queridas, filhas do Vosso sangue, meu Jesus. Não sei que mais sofrimentos possa desejar para o meu corpo. Ouvi o meu brado, meu Deus e Senhor. Eu aceito tudo o que seja dor, eu aceito tudo o que seja o martírio, mas quero o mundo salvo e na Vossa glória as almas do limbo. É pelo amor com que Vos quero amar, é com a ânsia de Vos dar a maior das consolações que eu quero salvar e levar ao céu todas as filhinhas do Vosso Divino Coração. Amo-as, porque em todas Vos vejo a Vós; amo-as, porque primeiro de tudo e acima de tudo sois o preferido, ó meu Amor. Sim, parece-me estar louca por Vos amar. Não sinto o amor que Vos tenho, mas sinto a loucura por Vós. Sim, meu Jesus, fazei-me perder e desaparecer para sempre no Vosso amor infinito.
(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 8 de Fevereiro de 1945)

quarta-feira, dezembro 28, 2011

ESPELHO CRISTALÍSSIMO

É vida que dá a vida, é dor que dá amor.

Espelho cristalíssimo onde toda a humanidade...
— A dor que sofreste embelezou o céu, está adornado com ela, está escrita a letras de oiro e pedras preciosas. Está escrita também a ingratidão e a maldade dos homens contra ti e contra a minha divina causa. Espera-te um ano cheio de amarguras e também cheio de alegrias, por ti só experimentadas como sol brilhante que aparece para rapidamente se esconder entre as nuvens. Nada temas, é esta a tua vida. É vida que dá a vida, é dor que dá amor. Não te preocupes por nada veres do que fizeste, do que sofreste, do que amaste. Não sofreste, não deste, não amaste por ti, tudo me deste a mim. Nada poderás ver no mundo, tudo passou para a pátria celeste; tudo está de posse do teu Rei, do teu Esposo. Tudo verás, quando tiveres comigo o teu encontro eterno. Sofre tudo, aceita tudo com alegria. As tuas asinhas brancas, as tuas asas de alvura como a pombinha canseirosa voa ao longe à procura de alimento que dá a vida aos seus filhinhos. Tu és a vida das almas, a mãe dos pecadores, a rainha do mundo, a rainha do amor. Minha filha, espelho cristalíssimo onde toda a humanidade há-de ver-se e à tua imitação transformar-se. Anseio, anseio por te ver na minha Pátria, para que todo o mundo conheça e aprenda na tua vida, minha filha, escola sagrada das ciências divinas. Coragem, vida que dás a vida, dor que dás amor. Recebe o meu amor divino para levantar-te do teu desfalecimento e para receberes a vida de que vives.
O meu coração recebeu uma infusão de amor, senti as ânsias que Ele tinha de me ver no céu e senti as homenagens que os anjos davam a Jesus ao entoar-Lhe um prolongado hino de grande louvor e agradecimento. Ó quanto me custou separar-me de Jesus para viver aqui. Que diferença o céu da terra, o amor de Jesus do das criaturas.

(Sentimentos da alma, 5 de Janeiro de 1945)

sábado, novembro 05, 2011

É POR JESUS E PELAS ALMAS !

É a Ele, só a Ele que quero amar, glorificar e dar almas.

Quantas graças, quantos benefícios, quantos mimos de Jesus eu tenho recebido, e não sei agradecê-los, não sei provar ao Senhor com a minha vida de humildade e amor à cruz o quanto estou grata a Jesus, por tantas provas do Seu divino amor.
Obrigada, meu Jesus; obrigada, amor meu. Não posso, meu querido Jesus, dizer-Vos o que me vai no coração. Que conforto, meu amado, Vós permitiste, que me fosse dado. Vede meu Jesus, o meu reconhecimento para Convosco; aceitai mais um magnificat de acção de graças.
Não sei se é para bem que Jesus me mimoseou assim. Quanto outro bem não tenha, tenho ao menos eu um amparo, um apoio em pessoa de grande autoridade.
No meio da minha cruz, nesta luta de tão grande martírio, coberta de humilhações, veio Nosso Senhor por intermédio de uma alta e querida pessoa, a quem muito estimo, deitar-me a mão. Levantei-me, na minha dor e cegueira sempre, mas com a alma mais forte, com os olhos mais fitos em Jesus e na Pátria que me espera. Não é por mim para grandeza e glória minha, que eu estimei e agradeço ao Senhor este grande apoio; é por Jesus, é pelas almas, é pelos que me são queridos. Tudo isto principia e acaba por Jesus. É a Ele, só a Ele que quero amar, glorificar e dar almas. É por Ele, só por Ele que eu me curvo debaixo da minha cruz, é ainda só por Ele que eu quero ser pequenina, tão pequenina até desaparecer. Quero viver e não viver, isto é, viver só a vida de Jesus, estar aqui, como se não estivesse, viver aqui como se não vivesse e nunca aqui existisse. Jesus, só Jesus, para mim é tudo.
Não sei o que sinto, um Céu escuro, um Céu de tremenda justiça poisou sobre mim; poisou e ficou a faiscar. Que estrondo nele! Rebenta como bombas, abre-se em fogo e incendeia a terra. Entre a terra e este Céu de justiça, esmagada por ela, as chagas abrem-se mais e com mais abundância sangram, os espinhos do coração e da cabeça penetram mais fundo, as espadas e as lanças não deixam de o ferir.

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 10 de Outubro de 1947 - Sexta-feira)