sexta-feira, abril 17, 2009

V ANIVERSARIO DA BEATIFICAÇÃO

PROGRAMA

Cinco anos já!...


No próximo dia 25 de Abril, será celebrado em Balasar, sua terra natal, o 5º aniversário de beatificação de Alexandrina Maria da Costa que ali nasceu a 30 de Março de 1904 et ali igualmente entregou a Deus a sua bela e pura alma, no dia 13 de Outubro de 1955, dia aniversário da última aparição da Virgem Maria em Fátima.
Será um dia não só consagrado a este feliz aniversário mas também dia consagrado à Eucaristia, a “folia” da Beata Alexandrina.
Balasar, por causa da Beata Alexandrina, tornou-se um centro eucarístico notável onde a adoração ao Santíssimo Sacramente é perpétua.
É bom lembrar igualmente que a Beata Alexandrina é considerada pela Congregação para o Clero, como uma “mãe espiritual”, mãe que deu origem a outras “mães espirituais” que em Balasar, tomam sobre elas o que é necessário para a santificação de certos sacerdotes, pelos quais elas oram e oferecem quotidianamente.
Balasar merece na verdade o título de “Terra Eucarística”.


Esperamos que sejais numerosos em Balasar, para celebrar mais um aniversário da beatificação da nossa querida Alexandrina.

segunda-feira, março 30, 2009

ALEXANDRINA E A PAIXÃO II

A Paixão na Alexandrina

O fenómeno da Paixão de Jesus na Alexandrina verificou-se durante 17 anos: de 1938 a 1955, ano da sua morte.
Neste longo período de tempo é necessário distinguir duas fases, durante as quais o fenómeno se manifestou com características diferentes. Classificaremos respectivamente de “participação física” e “participação interior” estas duas formas ou maneiras de o fenómeno se manifestar, para facilidade de denominação; frisamos, no entanto, que a Paixão é substancialmente única, pois abrange ao mesmo tempo sofrimentos do corpo e da alma, físicos, morais e espirituais, inseparáveis.
1.ª Participação física
No primeiro período, desde 3 de Outubro de 1938 a 27 de Março de 1942, o fenómeno dava-se em dias e horas fixas: das 12 às 15 horas de cada sexta-feira. A Alexandrina revivia, umas atrás das outras, as várias fases da Paixão, desde a agonia no Horto até à morte, em estado de êxtase. Os seus sentimentos e as suas reacções às dores exteriorizavam-se através de atitudes, gestos, expressões do rosto e do corpo todo, facilmente interpretáveis por quem podia assistir ao fenómeno. [1]
O seu primeiro director espiritual, P.e Mariano Pinho, S. J., deixou escrito a esse respeito:
«Nós presenciámos ao vivo o desenrolar-se do drama da Paixão, embora não fossem visíveis os estigmas, porque a Alexandrina pedira ao Senhor que nada aparecesse exteriormente. A Paixão foi violentíssima e as pessoas presentes choravam e soluçavam perante aquele espectáculo visibilíssimo de sofrimento» (Cfr. Cristo Gesù in Alexandrina, pág. 730).
Mons. Mendes do Carmo, professor de mística no Seminário da Guarda, afirmou: «É um anjo crucificado!».
A professora primária de Balasar, D. Maria da Conceição (Sãozinha), e outros testemunharam: «Sentíamo-nos transportados em espírito aos vários sítios da Paixão de Jesus. Ninguém conseguia acompanhar aquelas cenas sem se comover».
A irmã da Alexandrina, Deolinda, numa carta dirigida ao P. Pinho, refere-se assim ao fenómeno da Paixão de 7-4-1939:
“Ai, meu Padre, o que foi o dia de Sexta-feira Santa! É bem sexta-feira de Paixão! Antes de princi­piar, oh, como se via nela cara de aflição! Ela temia passar este dia! E dizia-me: Ai, se eu vejo este dia passado!...
“Eu confortava-a quanto podia e acariciava-a, apesar de estar eu também cheia de medo e muito aflita.
“Durante a Paixão, eu não podia passar sem chorar e vi correr lágrimas pelas faces de quase todos os assistentes. Que espectáculo tão comovedor!
“A agonia do Horto foi muito demorada e aflitiva... Ouviam-se gemidos muito profundos e por vezes via-se soluçar.
“Mas a flagelação e coroação de espinhos, isso é que foi! Os açoites foram tomados de joelhos, com as mãos (como que) atadas. Eu cheguei-lhe uma almofada para debaixo dos joelhos, e ela retirou-se dela, não quis. Tem os joelhos em mísero estado. Os açoites não tinham conta! Levaram tanto tempo! Ela desfalecia tanto! Os golpes na cabeça (com a cana na coroa de espinhos) foram também inumeráveis.
“Vomitou por duas vezes durante a Paixão: era água, porque mais nada tinha que vomitar.
“O suor era tanto, que os cabelos estavam empastados e, ao passar-lhe a mão por cima de toda a roupa, ficava molhada.
“Quando acabou a coroação de espinhos, ela parecia um perfeito cadáver.
“O Sr. Cónego Borlido veio assistir com mais duas pessoas. Também veio o Dr. Almiro de Vasconcelos (de Penafiel) com a esposa e a irmã, D. Judite».
A propósito do peso da cruz que oprimia os ombros da Alexandrina durante a fase da subida ao Calvário, referimos o seguinte episódio. No decorrer da Paixão do dia 29-8-1941, o médico assistente da Alexandrina, Dr. Manuel Dias de Azevedo, convidou um dos sacerdotes presentes a levantar do chão a vidente que jazia prostrada sob o peso da cruz (mística). Prontificou-se o mais robusto; pegou-lhe sob os braços, mas os seus esforços foram baldados. E confessou: «Apesar de toda a minha força, não consigo!».
Nessa altura, a Alexandrina pesava cerca de 40 quilos!
Na fase a seguir, quando o Cireneu carregou com a cruz, o Dr. Azevedo convidou o mesmo sacerdote a erguer a Alexandrina, o que ele fez sem o menor esforço. A explicação é evidente: antes, os pesos eram dois; da segunda vez, tratava-se apenas do peso da vidente.
Noutra ocasião, durante o fenómeno em estado de êxtase, o P. Pinho impusera-lhe que dissesse quanto pesava a cruz. A Alexandrina respondeu, em atitude muito grave: «A minha cruz tem um peso mundial».

[1] Só eram admitidas poucas pessoas, devidamente autorizadas: médicos, sacerdotes, além dos familiares mais íntimos.

domingo, março 29, 2009

ÁS GENTES DE LINGUA PORTUGUESA

SUPLANTAR OS FRANCESES



Caros amigos,
As estatísticas deste começo de ano indicam, no Site Alexandrina de Balasar (o mais antigo e de maior afluência), os números seguintes (até ao fim do mês de Fevereiro 2009):
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França: 43, 59%
Portugal: 14,88%
Brasil: 10, 24%
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É normal (falando em absoluto) que o Site estando situado em França e sendo maioritariamente em língua francesa, sejam estes os mais numerosos a visitá-lo. Todavia, o Webmaster do Site desejaria que esta situação se invertesse e que fossem os portugueses, brasileiros, angolanos, moçambicanos et outros mais de língua portuguesa os primeiros a figurar nesta lista.
Para isso, vai incluir um maior número de páginas na língua de Camões e de Vieira, de maneira a suscitar o interesse de todos aqueles que falam e lêem português exclusivamente.
Precisamos de si, da sua ajuda e da sua colaboração.
Numerosos são os sites brasileiros, que falam já da Beata Alexandrina, tais como a Toca de Assis, a Comunidade Servir... Mas seria necessário que muitas outras comunidades e sites o fizessem igualmente e, nós pensamos aqui nos sites brasileiros da Revista Catolicismo, com a qual entretemos excelentes relações, os sites Pai de Amor, Edicões Paulinas, Recados do Aarão, Cade meu Santo, Universo católico, Canção nova e muitos mais.
Somos apenas dois a ocuparmo-nos do nosso Site, por isso, nem sempre está em dia como o deveria, sobretudo depois da popularidade — Deus seja louvado – que adquiriu junto dos milhares de pessoas que quotidianamente o visitam.
Como ajudar-nos?
Nós não pedimos dinheiro, porque damos gratuitamente aquilo que gratuitamente recebemos, mas pedimos que nos deixem publicar certos textos dos vossos sites ou blogues; que nos enviem textos para serem publicados; notícias sobre a Igreja local, onde quer que estejais e, nós pensamos aqui particularmente à Igreja Católica na Índia, da qual temos poucas notícias, infelizmente.
Uma coisa é certa, o Webmaster do site só se sentirá feliz quando os primeiros lugares da “classificação” forem ocupados por países de língua portuguesa.
Abril vai chegar e com ele o começo deste desafio que é simples:
De Abril a Junho deste ano, a classificação terá que modificar-se.
O Webmaster vai a Balasar em Julho e conta convosco para depositar sobre a campa da Beata Alexandrina a lista dos Sites que aderirem de alma e coração a este simpático desafio.
Em Agosto, tereis a resposta.
Portanto, não esperai por amanhã, começai já hoje, enviem os documentos para:
Um grande abraço a todos.
Beata Alexandrina, rogai por nós.

Afonso Rocha, Webmaster.

ANIVERSÁIRIO

FELIZ ANIVERSÁRIO ALEXANDRINA

A Beata Alexandrina Maria da Costa nasceu a 30 de Março de 1904 em Gresufes, paróquia de Balasar.
Claro que não podemos esquecer esta data e desejamos à “Flor Eucarística” um feliz 105º aniversário no Céu, junto do Esposo que ela tanto amou e da Mãezinha que ela amava ternamente.

Na composição fotográfica podem-se ver, sua mãe, Ana da Costa e o crucifixo que ainda hoje se encontra ao lado do seu leito. Foi este crucifixo que lhe foi roubado pelo “manquinho” e que só bem mais tarde foi encontrado enterrado no quintal.

terça-feira, março 24, 2009

ALEXANDRINA E A PAIXÃO - 1

A vocação do cristão é participar na Paixão de Cristo.

Neste período de Quaresma, pareceu-me judicioso falar da "Paixão de Jesus em Alexandrina". Para falar desse facto, ou melhor desse carisma, ninguém mais indicado e mais perito do que o seu segundo Director espiritual, o sacerdote salesiano Padre Humberto Pasquale.
O texto que a seguir se pode ler é da sua autoria, assim como os próximos que irei publicar sobre este tema.
***
O convite que Jesus dirige ao homem para que se torne Seu discípulo implica a participação e a conformação com a Sua Paixão (Mt. 10, 16), a fim de estabelecer uma relação de semelhança entre Mestre e discípulo (Mt. 10, 24).
A inserção n’Ele como sarmentos na videira (Jo.15,4), bem como a necessidade de permanecer no Seu amor, significam que se deve observar a Sua palavra, tal como para Ele permanecer na palavra do Pai quer dizer realizar essa mesma palavra, isto e, a vontade divina que Lhe impõe oferecer a Sua própria vida pelo rebanho (Jo. 10, 17).
Segundo o ensinamento de Cristo, portanto, verdadeiro discípulo é aquele que revive em si o mistério da morte de Jesus, ou antes aquele que recebe Cristo em si mesmo para reviver a Sua Paixão.
Foi assim que o apóstolo Paulo compreendeu e viveu o mistério de Cristo. O Evangelho está todo aqui. «Nós pregamos a Cristo crucificado». (1 Cor. 1, 23).
A vida de S. Paulo é toda ela uma reprodução viva da existência terrena de Cristo.
«Deus me livre de me gloriar a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo» (Gal. 6, 14). «Trazemos sempre no nosso corpo os traços da morte de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste no nosso corpo» (2 Cor. 4, 10).
E o mesmo apóstolo sente-se cravado na cruz: «Estou crucificado com Cristo! Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou e Se entregou a Si mesmo por mim» (Gal. 2, 19).
Na sua ânsia de perfeição, S. Paulo só deseja conhecer a força da Paixão do Senhor, como também da Sua Ressurreição, e permanecer configurado com a Sua Morte (Fil. 3, 8-11).
«Pelo Baptismo sepultámo-nos juntamente com Ele, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, mediante a glória do Pai, assim caminhe­mos nós também numa vida nova» (Rom. 6, 4), isto : «Tornamo-nos com Ele num mesmo ser por uma morte semelhante à Sua» (Rom. 6, 5).
Na vida cristã, portanto, quando ela atingir todo o vigor da sua floração, haverá forçosamente que se manifestar também esta assimilação com a Paixão de Cristo, com a mesma evidência com que se manifesta a vida da graça, ou seja a presença de Cristo na alma.
Por isso, se essa plenitude é portadora de experiência em razão de uma certa conaturalidade também Cristo crucificado será a grande realidade da experiência cristã.
O próprio Jesus falou da presença do Seu Espírito, quando os discípulos forem chamados a dar-Lhe testemunho pela paixão e pela morte (Mt. 10, 20).
A palavra de Jesus é confirmada por toda tradição cristã.
S. Inácio de Antioquia escreve: «Pela cruz, na Sua Paixão, Cristo vos convida a todos vós, Seus membros. A cabeça não pode viver separada dos membros» (Trall. 11, 2).
A hagiografia cristã é rica de testemunhas da presença de Cristo na vida dos fiéis, sobretudo como triunfador do sofrimento e da morte.
Na longa lista dos místicos cristãos não são poucos os que reviveram de forma eminentemente realística o drama da Paixão de Cristo no seu espírito. E é graças à sua experiência da presença de Deus e da Sua acção nas almas místicas, que a teologia conhece as relações íntimas entre as Pessoas Divinas da Trindade e a Sua acção nas almas. [1]

[1] Adalbert Hamann
La Trinità nella vita Cristiana, Queriniana, Brescia (Itália), pág. 183.

segunda-feira, março 23, 2009

AGRADÁVEL SURPRESA


Descobri com grande prazer a presença, como seguidor do meu Blog, a Toca de Assis que não me é desconhecida, bem pelo contrário: tive a honra de a acolher no sítio oficial da Beata Alexandrina, do qual sou o Webmaster.
Que aqui fique dito: se este Blog pode contribui ao vosso desenvolvimento e a vos tornar mais conhecidos, ele é também vosso.
Proximamente (depois da Páscoa que vou passar perto de Balasar), prometo escrever mais algumas linhas sobre vós.
Uma saudação muito especial ao Pe. Roberto José Lettieri.
Também não quero esquecer aqui aquelas irmãs que em Balasar são verdadeiras apóstolas da Eucaristia e participam activamente na adoração perpétua na igreja paroquial onde se encontram os restos mortais da Beata Alexandrina.

domingo, março 22, 2009

UM LINDO VIDEO

Um nosso amigo brasileiro – o Wendel – teve a excelente ideia de fazer um vídeo sobre a Beata Alexandrina.
O seu trabalho é de óptima qualidade e as imagens bem escolhidas, tantos aquelas que dizem respeito à Beata como as outras que "alimentam" o dito vídeo.
Temos o prazer de o apresentar aqui e, seria bom e simpático que aqui deixassem os vossos comentários que de seguida lhe serão remetidos.
—.—.—

terça-feira, março 10, 2009

ESTATISTICAS DE FEVEREIRO 2009

Comentário

Quando comparamos as estatísticas de Fevereiro de 2009 com aquelas de Janeiro do mesmo ano, notamos que o Brasil baixou sensivelmente e que Portugal aumentou as suas vistas de 0,33%.
Durante o mesmo período, os Estados Unidos subiram um pouco (quase 1%) e que a Alemanha, aumentando também a sua porcentagem, deixou o quarto lugar que ocupava em favor da França, não sem ter aumentado o seu número de visitas, que vai num movimente ascendente muito interessante, sobretudo desde que o nosso amigo e colaborador, Raul Gonçalves tomou a responsabilidade de todas as páginas em alemão. Parabéns a este nosso colaborador que soube erguer bem mais alta a bandeira do país que viu nascer Maria do Divino Coração, Teresa Neumann, Ana Catarina Emmerick e alguns santos mais que engrandecem a Igreja universal, sem esquecer o nosso bom e santo Papa, Bento XVI.
No sexto lugar voltamos a encontrar a Itália que, apesar de ter aumentado a sua porcentagem, continua na mesma posição.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

MEU BOM PAI ESPIRITUAL

Carta ao Padre Mariano Pino, SJ

« Viva Jesus !
Balasar, 7 de Abril de 1934
Meu bom
pai espiritual :
Agradeço do íntimo da minha alma mais uma cartinha que me enviou e um lindo santinho e umas estampazinhas, assim como tudo que fez por mim no dia dos meus anos. Queria-lhe agradecer por minhas mãos. Com grande sacrifício o faço, escrevendo estas poucas linhas ; com certeza serão as últimas. Peço desculpa ; não posso mais. A Deolinda lhe dirá o resto.
Senhor Padre Pinho, o meu sofrimento tem aumentado muito, mas muito. É por essa razão que eu digo que serão as últimas linhas que lhe escrevo. Está-me quase a ser impossível segurar a pena no mão por alguns minutos. São tantas, tantas as dores, que me fazem sentir essa impressão. Mas no meio de todos os meus sofrimentos, eu sinto grande
consolação espiritual, porque vejo que de todos os pedidos que faço a Nosso Senhor conheço que neste sou bem atendida. Oxalá o meu querido Jesus se digne conceder-me todos os mais que Lhe peço e que O não ofenda pedindo-lhe graças tão grandes, sendo eu a maior de todas as pecadoras.
Senhor Padre Pinho, estimo que tenha passado umas festas da Páscoa muito alegres, mais do que foram as minhas. O que tive que mais me consolou foi um bom folar com que o meu Jesus me presenteou nesse dia com uma oferta de grandes sofrimentos. Tudo o mais se me apresentava triste, porque além dos sofrimentos do corpo, tenho também sofrido muito espiritualmente. Essa doença da alma só me será curada se Nosso Senhor me conceder a graça de o tornar a ver ao pé de mim, porque então desabafarei à minha vontade.
Senhor Padre Pinho, sabe uma coisa que me tem esquecido de lhe falar ? É que todos os dias tenho ouvido Missa de Vossa Reverência aí em Lisboa. Desde que me mandou dizer, me tenho unido em espírito, e peço a Nosso Senhor que me faça participar dos frutos da Santa Missa. Nem a Quinta-feira Santa me escapou ; estavam para dar oito horas, quando me recordei que não havia Missa nesse dia.
Agora peço-lhe que me perdoe todas as minhas faltas, e que por caridade não me esqueça junto de Nosso Senhor, que muito preciso das orações de Vossa Reverência, que eu da minha parte nunca o poderei esquecer nem na terra nem no Céu.
Muitas lembranças de minha mãe e da Deolinda.
Peço-lhe, por amor de Nosso Senhor, que me abençoe.
Sou a pobre
Alexandrina Maria da Costa »

* * * * *
O começo desta carta é original : é a primeira ver que ela chama “meu bom Pai espiritual” ao Padre Mariano Pinho, o que está mais em harmonia com a conivência entre estas duas almas de elite do que aquele pomposo “Reverendíssimo Senhor Doutor”, que encontrámos em duas das cartas.
Alexandrina tendo recebido uma carta do seu “bom Pai espiritual”, começa por agradecer esta “e um lindo santinho e umas estampazinhas” que este lhe enviara, como muitas vezes o fez e fará ainda.
Como Alexandrina, também o bom sacerdote não esqueceu o aniversario da sua dirigida ― 30 de Março ― e por ela deve ter orada e certamente celebrado uma missa, porque na carta que hoje escreve ela agradece igualmente por “tudo que fez por mim no dia dos meus anos”. Em forma de agradecimento, ela escreve, ela mesma, as primeiras linhas desta carta, como a seguir explica :
“Queria-lhe agradecer por minhas mãos. Com grande sacrifício o faço, escrevendo estas poucas linhas ; com certeza serão as últimas”.
Mas escrever tornou-se para ela um suplício indizível... “Peço desculpa ; não posso mais. A Deolinda lhe dirá o resto”, acrescenta ela, deixando depois a irmã escrever o resto, que lhe vai ditar.
E começa por lhe dar notícias da sua saúde que é precária :
“Senhor Padre Pinho, o meu sofrimento tem aumentado muito, mas muito. É por essa razão que eu digo que serão as últimas linhas que lhe escrevo. Está-me quase a ser impossível segurar a pena no mão por alguns minutos”.
Apesar desta impossibilidade de “segurar a pena no mão por alguns minutos”, porque “são tantas, tantas as dores, que me fazem sentir essa impressão”, ela escreverá, por intermédio da sua “secretária” centenas, milhares de páginas de grande beleza espiritual : são mais de cinco mil !...
Mas a submissão ― diríamos automática ― à vontade divina, supera todos esses males, todos esses problemas que continuamente “povoam” a vida da Alexandrina.
“Mas no meio de todos os meus sofrimentos ― diz ela humildemente ―, eu sinto grande consolação espiritual, porque vejo que de todos os pedidos que faço a Nosso Senhor conheço que neste sou bem atendida”.
Não esqueçamos o que ela escreveu na sua Autobiografia : “Vinha, desde há muito tempo, a pedir o amor ao sofrimento”, e porque o pediu, e porque Jesus lho concedeu, sente neste “grande consolação espiritual”.
Na mesma Autobiografia, ela diz ainda : “Nosso Senhor concedeu-me tanto, tanto esta graça que hoje não trocaria a dor por tudo quanto há no mundo”, explicação que melhor nos ajudará a compreender o que nesta carta diz a seguir : “Oxalá o meu querido Jesus se digne conceder-me todos os mais que Lhe peço e que O não ofenda pedindo-lhe graças tão grandes, sendo eu a maior de todas as pecadoras”.
Passara a Semana Santa e as festas de Páscoa. A solicitude da Alexandrina para com o seu “bom Pai espiritual” não diminui, mesmo se a distância entre eles aumentou e, esta “obriga-a” a querer saber notícias, saber como passou justamente aquela festa da Ressurreição do Senhor :
“Senhor Padre Pinho, estimo que tenha passado umas festas da Páscoa muito alegres”.
No que lhe diz respeito, elas foram como sempre são os outros dias : sofrimento contínuo, o que a leva a dizer ao seu Director e a desejar-lhe que as dele fossem “mais felizes do que foram as minhas”.
E, como na Páscoa era hábito oferecer o folar, ela emprega essa expressão para explicar como a Páscoa dela se passou : “O que tive que mais me consolou foi um bom folar com que o meu Jesus me presenteou nesse dia com uma oferta de grandes sofrimentos”.
Mas ela não se queixa, apenas explica como se sente, para que o seu Paizinho esteja ao corrente : “Tudo o mais se me apresentava triste, porque além dos sofrimentos do corpo, tenho também sofrido muito espiritualmente”.
Sofrer espiritualmente e não tendo a quem se confiar, com quem desabafar ou de quem receber conselhos, não é tarefa fácil, mesmo se o correio pode levar certas notícias ao longe, certas coisas há que não podem ser explicadas por carta, mesmo se aquele ou aquela que escreve é culta e tem a arte de desenvolver e detalhar os assuntos que deseja tratar.
A Alexandrina, assim como sua irmã Deolinda, nada mais tinham, do ponto de vista escolar, que os rudimentos da língua, as primeiras bases da instrução primária, o que pode em parte explicar esta dificuldade, mas ela não explica tudo, visto que, como dizíamos acima, certas coisas há que só de viva voz podem ser bem explicadas e detalhadas.
Disso quer a Alexandrina falar quando diz ao seu Director espiritual que “essa doença da alma só me será curada se Nosso Senhor me conceder a graça de o tornar a ver ao pé de mim, porque então desabafarei à minha vontade”.
Mas a vinda do homem de Deus a Balasar só está programada “para o verão”...
Alexandrina lembra-se então de algo que ainda não dissera ao Padre Pinho, mas o que lhe vai dizer tem qualquer coisa de vago, que não conseguiremos bem explicar, certamente. Vejamos o que ela diz :
“Senhor Padre Pinho, sabe uma coisa que me tem esquecido de lhe falar ? É que todos os dias tenho ouvido Missa de Vossa Reverência aí em Lisboa”.
Poderíamos pensar que através da rádio ouvisse a missa celebrada pelo seu “bom Pai espiritual”, mas parece que não, porque logo a seguir diz ainda :
“Desde que me mandou dizer, me tenho unido em espírito, e peço a Nosso Senhor que me faça participar dos frutos da Santa Missa”.
Perguntamos agora, como tem ela “todos os dias tenho ouvido Missa de Vossa Reverência aí em Lisboa”, se logo a seguir afirma que se tem “unido em espírito”. Ainda que não parece incompatível ouvir a Missa e unir-se em espírito a esta, ficamos mesmo assim com esta dúvida, porque em 1934, a rádio não estava, em Portugal, tão desenvolvida que permitisse, como agora, transmissões directas...
Outra hipótese ainda nos surge ― e sabendo dos carismas de que beneficiou a Alexandrina, nada nos admiraria que assim pudesse ser ― ela assistia a essa Missa como se nesse momento estivesse em estado de bilocação[1], o que também lhe aconteceu algumas vezes.
Frisamos bem que aqui se trata de uma hipótese e não duma afirmação !...
Esta outra frase da mesma carta, poderia quase dar razão ao que acabamos de dizer e de expor como sendo uma hipótese de interpretação do texto :
“Nem a Quinta-feira Santa me escapou ; estavam para dar oito horas, quando me recordei que não havia Missa nesse dia”.
Vai despedir-se agora do seu “bom Pai espiritual” e pedir-lhe, como sempre “que lhe perdoe todas as suas faltas, e que por caridade não a esqueça junto de Nosso Senhor, que muito precisa das orações de Sua Reverência”.
Como sempre também, assegura o seu Director “que ela da sua parte nunca o poderá esquecer nem na terra nem no Céu”.
Seguem, como sempre também as civilidades habituais e o habitual também pedido de benção, e assina...
“Muitas lembranças de minha mãe e da Deolinda.
Peço-lhe, por amor de Nosso Senhor, que me abençoe.
Sou a pobre
Alexandrina Maria da Costa”
Simples carta, mas grande em profundidade espiritual !
—*—
[1] A bilocação é o estado de um corpo que pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. A bilocação foi frequente na vida de alguns Santos, como por exemplo S. Pio de Pietrelcina (Padre Pio) que nunca saindo do seu convento de San Giovanni Rotondo em Itália, chegou a estar no Brasil para salvar alguém que se encontrava em grande perigo de perder a vida e de se perder eternamente. O mesmo Santo capuchinho impediu igualmente um general italiano de se suicidar durante a Segunda Guerra Mundial, aparecendo-lhe na frente quando este se preparava par utilizar a pistola para essa acto irreparável. Poderíamos multiplicar estes exemplos, porque são numerosos na vida de muitos Santos.

sábado, fevereiro 21, 2009

FREI NUMO, SANTO

Mais um santo português

Como aqui anunciávamos no passado dia 17, o Beato Nuno de Santa Maria vai subir mais um degrau na hierarquia da Igreja: vai ser canonizado.
Efectivamente o Santo Padre Bento XVI vai canonizá-lo no dia 26 de Abril próximo, ao mesmo tempo que outros quatro bem-aventurados, todos italianos.
Com ele serão canonizados o padre Arcangelo Tadini (1846-1912), fundador da Congregação das irmãs operárias de Sagrada Família;
a religiosa Caterina Volpicelli (1839-1894), fundadora da Congregação das Ancelles do Sagrado-Coração;
o teólogo Bernardo Tolomei (1272-1348), fundador da Congregação do Mont-Olivet;
a religiosa Gertrude Caterina Comensoli (1847-1903), fundadora das Irmãs Sacramentinas.
A data destas canonizações lembra-nos outra data muito importante para todos os devotos da beata Alexandrina, que foi beatificada em 25 de Abril de 2004, pelo Servo de Deus João Paulo II, em Roma, praça de São Pedro.

O Beato Nuno de Santa Maria (Nuno Álvares Pereira, 1360-1431) foi beatificado em 1918 por Bento XV e, nos últimos anos, a Ordem do Carmo (onde ingressou em 1422), em conjunto com o Patriarcado de Lisboa, decidiram retomar a defesa da causa da canonização.
O processo de canonização foi reaberto a 13 de Julho de 2004, nas ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa, em sessão solene presidida por D. José Policarpo.
O cardeal José Saraiva Martins, Prefeito Emérito da Congregação para as Causas dos Santos, conduziu no Vaticano o processo de canonização.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

10 NOVOS SANTOS

E entre eles um português: Frei Nuno da Santa Maria

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009 (ZENIT.org). - A Santa Sé divulgou hoje que no próximo sábado, 21 de fevereiro, acontecerá o consistório público dos cardeais, no qual se decidirá a data da celebração de canonização de dez beatos.
Entre os novos santos, está o holandês Damião de Veuster, mais conhecido como o Apóstolo dos Leprosos de Molokai, e os espanhóis Francisco Coll e Rafael Arnáiz.
Também se encontra o beneditino Bernardo Tolomei, que viveu no século XIII e cujo culto, aprovado pelo Papa Pio II, é celebrado desde o século VI, ainda que nunca concluiu oficialmente a causa de canonização. F oi confirmado como beato por decreto da Congregação de Ritos, em 24 de novembro de 1644.
Esta reunião do consistório é um dos últimos passos prévios à cerimônia de canonização, após a aprovação do milagre, cujo decreto, neste caso, o Papa autorizou em 6 de dezembro de 2008, e nele está previsto que se dê a conhecer a data da celebração da canonização.
Trata-se dos beatos:
– Zygmunt Szcesny Felinski, polonês, bispo e fundador da Congregação das Irmãs Franciscanas da Família de Maria.
– Arcangelo Tadini, italiano, sacerdote e fundador da Congregação das Irmãs Operárias da Santa Casa de Nazaré.
– Francisco Coll i Guitart, espanhol, sacerdote dominicano e fundador da Congregação das Irm&at ilde;s Dominicanas da Anunciação da Beata Virgem Maria.
– Jozef Damian de Veuster, holandês, sacerdote da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria e da Adoração Perpétua do Santíssimo Sacramento do Altar. O decreto de reconhecimento do milagre havia sido aprovado em 3 de julho de 2008.
– Bernardo Tolomei, italiano, abade e fundador da Congregação de Santa Maria do Monte Oliveto da Ordem Beneditina. A aprovação do decreto de reconhecimento do milagre aconteceu em 3 de julho de 2008.
– Rafael Arnáiz Barón, espanhol, religioso da Ordem Cisterciense da Estrita Observância.
– Nuno de Santa Maria Álvares Pereira, português, religioso carmelita. A aprovação do decreto de reconhecimento do milagre aconteceu em 3 de julho de 2008.
– Gertrude (Caterina) Comensoli, italiana, fundadora do Instituto das Irmãs do Santíssimo Sacramento. A aprovação do decreto de reconhecimento do milagre aconteceu em 17 de março de 2008.
– Marie de la Croix (Jeanne) Jugan, francesa, fundadora da Congregação das Irmãzinhas dos Pobres.
– Catherina Volpicelli, italiana, fundadora da Congregação das Servas do Sagrado Coração.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

ALEGRIA EM TODA A IGREJA

Retirada das excomunhões:
«alegria em toda Igreja»

Porta-voz vaticano comenta gesto do Papa com os quatro bispos lefebvristas

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 26 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O anúncio da decisão de Bento XVI de retirar a excomunhão de quatro bispos ordenados por Dom Marcel Lefebvre sem mandato do Papa em 1988 foi a melhor notícia da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que concluiu nesse domingo.

Foi o que afirmou o padre Federico Lombardi S.J., director da Sala de Imprensa da Santa Sé, ao comentar o decreto publicado no sábado pela Congregação para os Bispos, com o qual os prelados voltam à plena comunhão eclesial.
Para o porta-voz vaticano, trata-se de «uma bela notícia, que desejamos que seja um manancial de alegria em toda a Igreja».
«A retirada da excomunhão dos quatro bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é um passo fundamental para alcançar a reconciliação definitiva com o movimento iniciado e guiado por Dom Marcel Lefebvre», reconhece o padre Lombardi.
Para compreender o significado deste passo, o porta-voz recorda as palavras de Bento XVI em sua carta de introdução ao motu propio Summorum Pontificum, de 7 de julho de 2007, quando escrevia que «olhando para o passado, para as divisões que no decurso dos séculos dilaceraram o Corpo de Cristo, tem-se continuamente a impressão de que, em momentos críticos quando a divisão estava a nascer, não fora feito o suficiente por parte dos responsáveis da Igreja para manter ou reconquistar a reconciliação e a unidade».
Por isso, escrevia o Papa, temos a obrigação de «realizar todos os esforços para que todos aqueles que nutrem verdadeiramente o desejo da unidade tenham possibilidades de permanecer nesta unidade ou de encontrá-la de novo». «Abramos generosamente o nosso coração...».
O padre Lombardi recorda que o cardeal Joseph Ratzinger, quando era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, acompanhou em primeira pessoa os contactos com Dom Lefebvre, em 1988, que ao final se opôs a um acordo com a Santa Sé e ordenou os bispos, desvencilhando-se da unidade eclesial.
O cardeal Ratzinger, recorda Lombardi, «já naquele tempo tinha buscado fazer todo o possível para manter a unidade da Igreja».
A Comissão Ecclesia Dei, constituída por João Paulo II naquela circunstância, «trabalhou com paciência para conservar abertas as vias do diálogo, e diversas comunidades de diferentes maneiras unidas ao movimento lefebvrista puderam já, no curso dos anos, voltar a recuperar a plena comunhão com a Igreja Católica».
«A Fraternidade Sacerdotal São Pio X, com quatro bispos, continuava sendo, em todo caso, a comunidade mais importante com a qual era necessário restabelecer a comunhão», recorda o padre Lombardi.
«Bento XVI manifestou sem dúvida alguma seu compromisso por fazer todo o possível para alcançar este objectivo».
Este Papa, segue dizendo o padre Lombardi, promoveu este objectivo não só com a publicação do motu proprio Summorum Pontificum, que facilita a celebração da missa seguindo o rito anterior ao Concílio Vaticano II.
Como prefeito, firmou o documento da Congregação para a Doutrina da Fé que esclarecia alguns ponto s discutidos da doutrina eclesiológica do Concílio Vaticano II, e como Papa pronunciou discursos históricos que mostraram «a correcta interpretação do Concílio, em continuidade com a tradição», e não como uma ruptura.
«Tudo isso criou naturalmente um clima favorável, no que os bispos da Fraternidade São Pio X pediram a retirada da excomunhão atestando explicitamente sua vontade de estar na Igreja Católica romana e de crer firmemente no primado de Pedro», constata o padre Lombardi.
«É bonito que a retirada da excomunhão aconteça no contexto do aniversário dos 50 anos do anúncio do Concílio Vaticano II, de maneira que este evento fundamental não possa ser jamais considerado como um motivo de tensão, mas de comunhão», segue dizendo o sacerdote.
«O texto do decreto mostra que se está no caminho para a plena comunhão, da qual o Santo Padre deseja a solícita realização. Por exemplo, no decreto publicado não se definem aspectos como o estatuto da Fraternidade e dos sacerdotes que pertencem a ela», constata.
«Mas a oração da Igreja está unida à do Papa para que se superem todas as dificuldades o quanto antes e se possa falar de comunhão em sentido pleno e sem incerteza alguma», conclui.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

NOVA COMUNIDADE


Uma nova comunidade brasileira julgou bem nomear a Beata Alexandrina como patrona (ou padroeira) da mesma. Trata-se da Fraternidade Arca de Maria.

É com prazer que aqui o anunciamos, porque tudo quanto é feito ou será feito para um melhor conhecimento da Beata de Balasar, merecerá sempre o nosso profundo reconhecimento.

Esta fraternidade fundada e dirigida pelo Padre Rodrigo Maria, apresenta-se como segue:

« A Fraternidade Arca de Maria é o conjunto dos irmãos, irmãs e leigos consagrados que tem como carisma a vivência e a propagação da Total Consagração a Santíssima Virgem, a Santa Escravidão de Amor, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort, para que venha logo o Triunfo do Imaculado Coração de Maria e o Reinado Eucarístico de Jesus. Vivenciamos nosso carisma na adoração amorosa e reparadora do Santíssimo Corpo de Deus (pelos sacerdotes), na missão evangelizadora e no acolhimento e cuidado dos pobres e doentes abandonados. Tudo do jeito de Maria ».

Esperamos sinceramente que esta Fraternidade que beneficia já da protecção materna da Virgem Maria, sua padroeira principal e da carinhosa protecção de S. Luís Maria Grignion de Montfort, seja de igual modo protegida e acarinhada pela nossa querida Beata, Alexandrina Maria da Costa que tão bem sabe agir junto do Coração de Jsus.

sábado, novembro 15, 2008

SENTIMENTOS DA ALMA - 1952

2 de Fevereiro de 1952

Depois duma noite angustiosa, tormentosa, ou melhor, pavorosa, sem poder separar-me de tanto sofrer e suavizar a dor daqueles a quem tanto ano, fiz com isto a preparação para a vinda de Jesus ao meu coração, que ainda ardia com o fogo que ontem recebera. Comunguei, o fogo incendiou-se, a nova vida de Jesus fez-me reviver, e logo ouvi a Sua voz divina, que dizia :
― “É tão lindo, tão lindo o Céu ! Só à custa de dor, só à custa de sofrimento é que pode ser essa beleza celestial dada às almas. Minha filha, minha filha, tem coragem, coragem heróica, aquela coragem própria só dos santos. Minha filha, minha filha, o Céu é belo, o Céu é belo. Minha filha, minha filha, as almas fogem. O mundo está em perigo. É necessária, é urgente a imolação. É necessário, é urgente que haja dor, dor profunda, dor que faça sangrar o teu coração e o de todos os que te rodeiam e mais de perto cuidam de ti.
Diz, minha filha, ao teu Paizinho que só no Céu pode ser compreendido o porquê de tantos sofrimentos, de tantos espinhos. Pena tenho, pena tenho, filha querida, que tão poucos dos Meus sacerdotes compreendam a fundo a vida divina, a verdadeira vida de Jesus nas almas. Não a vivem e por isso não a sabem compreender.
E, depois, Jesus sofre e sofre porque não tem almas de eleição, almas vítimas que cheguem a reparar por tantos crimes. Dá ao teu Paizinho todo o meu amor e a certeza de que a luz brilha, as palavras de Jesus se cumprem, as Suas promessas se realizam.
Diz ao teu médico que se abrace à cruz, que se curve reverente, com alegria, à passagem da mão benfazeja do Senhor. Jesus passa e fere, porque muito o ama e muito se delicia no seu jardim florido. Ele tem que compartilhar da imolação e missão da minha vítima. Dá-lhe amor, amor, sempre amor”.
― Ó meu Jesus, ó meu Jesus, perco a coragem para tudo. Lembro-me que sou eu a causa de tantos males, de tantos sofrimentos.
― “És, és, minha filha, a causa de grandes bens, dos maiores bens, dos maiores bens. Pede-me, pede-me, porque tudo o que Eu faço é só por amor e para evitar grandes males. Vem, minha bendita Mãe. Conforta a nossa filhinha. Purifica-a com a tua pureza, limpa-lhe com ela toda a poeira, deixa-a alva, mais alva do que a neve”.
― Ó Mãezinha, ó Mãezinha, Vós sois toda luz, Vós sois toda amor. Só em teus braços e nos de Jesus estou bem.
― “Minha filhinha, minha filhinha, querida esposa do meu Jesus, avivo no teu coração, avivo de novo as feridas que há um mês te produziram os instrumentos que feriram o meu Coração. Tiro um instrumento do teu coração, para vir ao meu buscar mais sangue, para fortalecer mais a enxertia que foi feita em teu coração. É a enxertia das almas. Repara o meu Coração e o Coração Divino de Jesus. Repara-nos continuamente pelos crimes do mundo e pelos sacerdotes desvairados, que estão prestes a cair no inferno. Ai deles sem a tua reparação, ai do mundo, ai de Portugal ! Leva o amor de Jesus e de Maria, leva-o e dá-o ao teu Paizinho, ao teu médico, dá-o a todos os que te são queridos. É amor que dá tudo, é amor que dá coragem, toda a coragem, que vence toda a dor. Coragem, coragem”.
― Obrigada, Jesus, obrigada, Mãezinha. Depois das Vossas carícias, ó Jesus, ó Mãezinha, mais uma vez Vos peço: atendei, atendei aos meus pedidos, ás minhas preces. Obrigada, Jesus, obrigada, Mãezinha.
Alexandrina

segunda-feira, outubro 20, 2008

SENTIMENTOS DA ALMA - 1954


Continuo a sentir a perda de Jesus e da Mãezinha. Eles morreram para mim. Triste, tremenda separação. Não tenho palavras, a minha ignorância não deixa exprimir a dor desta separação. Perder a Deus, perder a Mãezinha, é perder tudo, é perder tudo. O meu coração e a minha alma estão numa angústia, estão como se estivessem sozinhos num universo de trevas, num mundo de perda eterna. Nem na terra, nem no Céu há conforto para eles, ou antes, nem existe a terra, nem existe o Céu.
Meu Deus, eu creio, creio, meu Deus. Assim o vou repetindo muitas vezes, sem ter apoio, luz e conforto de ninguém. A minha eternidade existe atrás de mim, em mim e à frente de mim. Tudo é eternidade desesperadora, revoltosa, odiosa contra tudo, contra Deus. Ai, a eternidade, ai, o que é a eternidade!... E a inutilidade que tudo me rouba?! A minha vida de tantos espinhos, de tantos punhais, de tanta contradição e humilhação é toda para ela.
Oh! Como me vejo de mãos vazias! Nenhum do meu sofrimento, nenhum do meu martírio aparece à luz do dia. Mas ele existe dia?! Há sol e estrelas no firmamento?! O que é isto, meu Deus, se sinto que não há Céu nem terra! Mas existe a eternidade? Eu vivo a eternidade. Vivo-a por Vosso amor e por amor às almas.
Não pode ser vista a profundeza do meu túmulo. Em que abismo estou! Ficam na superfície apenas a parede do meu sepulcro, mas eu desapareci, escondi-me. Fui cavando, cavando. Estou tão funda! Parece que tenho mundos, mundos sobre mim. Despi-me por mim de todas as coisas, por mim me enterrei, por mim mesma me fiz desaparecer. Os suores da alma não cessam com a canseira da escavação. É como se cavasse incessantemente sem tirar do meu punho o instrumento da escavação, mas a cavadela leva mais de um século. Por tudo seja bendito o Senhor!
No primeiro sábado não tive a visita da Mãezinha. Senti por Ela saudades de morte saudades de morte. Apesar da sagrada Comunhão desse dia ser mais íntima, mais confortante, ai de mim, se Jesus não velasse!
O meu horto não é aquele horto de outrora. A minha vida humana a em baixo sempre fugitiva sem pisar terra alguma dele. Lá em cima, a grande altura, sempre a mesma pomba a deixar cair do seu biquito muitas gotinhas que se espalham em orvalho, mas ela não se satisfaz só com isso; vai levar aos corações essa gota e com o mesmo biquito retoca-os, faz neles o ninho. Vai também às inteligências focá-las, enchê-las de luz. Como é grande a vida e o trabalho dessa pomba!... Assim esvoaçou sobre o Horto e assim hoje esvoaçou sobre o Calvário.
Eu tive o Santo Sacrifício da Missa; com a minha fé abandonada à Mãezinha pedi-Lhe que me levasse e me fosse imolar com Jesus e me desse todos os seus sentimentos. Senti em mim como que um desespero na fugida do Calvário. A minha vida morta era a vida humana, mas aquela pomba era e dava a vida do Céu. Sem sentir que Jesus morreu, senti que Ele chegou junto de mim, sentou-se e como o bom Pastor chamou a si a Sua ovelhinha:
— “Vem, minha filha, sou o teu Jesus. Descansa aqui.”
Sentei-me junto d’Ele; nos Seus joelhos coloquei a minha cabeça, sobre a minha e o meu ombro deixou Ele cair o Seu divino braço. A minha alma foi recebendo conforto.
— “Sou o teu Jesus, sou o teu amor. Confia, confia! Este colóquio doloroso, mas de fé, continua a salvar almas aos milhões, aos milhões.”
— Creio, creio, Jesus, mas custa tanto, tanto a crer! Custa tanto, tanto, a confiar! Valei-me! Sem Vós não posso! Tudo por Vosso amor e pelas almas!
Jesus tomou-me para o Seu regaço, uniu os nossos corações, fez passar a gota do Seu Divino Sangue.
— “Dou-te, esposa querida, com toda a fortaleza, a gota do meu Sangue. Nova vida para tu dares vida. Coragem! Coragem! Crê! Nova vida de fé! Confia! O Céu não te abandona! Jesus está contigo. Vai salvar almas, vai para a tua cruz!”
Obrigada, obrigada, Jesus.

terça-feira, outubro 14, 2008

A BEATA ALEXANDRINA

A Beata Alexandrina de Balasar

Aí pelos anos trinta, do passado século, a freguesia de Balasar, da Póvoa de Varzim, começou a correr mundo. Divulgava-se o denominado caso da “Santinha de Balasar”.
Alexandrina Maria da Costa nasceu em 30 de Março de 1904 no lugar de Gresufes, Balasar, onde passou a infância na casa dos avós, depois mudou-se com a mãe e a irmã até ao resto da vida, para uma casa situada no lugar do Calvário.
Filha de gente humilde, andou por algum tempo a servir, durante a adolescência, mas a sua débil constituição física aconselhava a mãe a retê-la em casa ocupando-se na costura e nos trabalhos domésticos. Tinha 14 anos, precisamente no sábado Santo de 1918, quando inquietada por alguns rapazes da aldeia, cujas intenções julgou serem maldosas, se lançou de uma janela ao quintal ficando prostrada e com violentas dores no ventre. Daí resultou um mal estar que os tempos agravaram e a levou, aos 21 anos de idade, a acamar definitivamente.
A Alexandrina revelou ter, desde criança, um coração terno e amorável, fazendo com que algumas pessoas gostassem de a ter na sua companhia. Educada cristãmente, esmerava-se nas práticas religiosas, sendo sempre a primeira no serviço da Igreja.
Quando se viu irremediavelmente perdida para o mundo e depois de ter pedido, em vão, a sua cura, compreendeu que a vontade de Deus era outra e abraçou-se a ela com todo o amor e generosidade oferecendo-se para vítima, dando início a um itinerário espiritual onde tomam expressão as grandes penitências e sublimes arroubos místicos.
De 1938 a 1944 teve como director espiritual o Padre Mariano Pinho, jesuíta, e daí em diante o Padre Humberto Maria Pasquale, salesiano.
A partir de 27 de Março de 1942 até à sua morte passou a alimentar-se exclusivamente da Eucarística e, caso curioso, ao mesmo tempo que não suportava os alimentos no seu organismo, sentia grandes saudades da alimentação.
Por um período de 17 anos (1938-1955) sofreu as dores da Paixão de Jesus. Numa primeira fase (todas as sextas-feiras, desde 3 de Outubro de 1938 até 20 de Março de 1942) sofreu sobretudo as dores físicas; na segunda (desde 27 de Março de 1942 até à morte) sofreu principalmente as dores íntimas de Jesus.
Devido aos fenómenos místicos foi submetida a repetidos exames de sacerdotes e de médicos. Por três vezes foi internada em hospitais especializados, sendo o último internamento de quarenta dias no Refúgio de Paralisia Infantil da Foz.
Morreu no quartinho onde passou a sua vida de martírio, no dia 13 de Outubro de 1955, com 51 anos de idade. O seu funeral foi uma verdadeira apoteose em que se incorporaram milhares de pessoas vindas de todo o país. O seu cadáver foi vestido, como era de sua vontade, com o uniforme de Filha de Maria. Esteve exposto, em câmara ardente, numa sala contígua ao quartinho da morte, durante vinte e quatro horas e, depois dos ofícios religiosos na Igreja Paroquial, foi a enterrar em campa rasa no cemitério da freguesia, sendo depois mudada para uma capela-jazigo e por fim trasladado o seu corpo para a Igreja Paroquial em Julho de 1978.
A fama de santidade fez de Balasar um centro de peregrinação, particularmente concorrido nos dias 13 de cada mês. Os devotos visitam a sepultura, na Igreja, e a casa onde viveu e morreu.
A autoridade eclesiástica, nove meses após o falecimento, aprovou uma oração para uso particular com o fim de pedir a Deus a beatificação da Alexandrina. Também chegavam, sobretudo do estrangeiro, listas de assinaturas pedindo a introdução da causa pelo que foi dado início ao processo, sendo nomeado para Postulador da causa o Padre Hector Calovi, salesiano, que em 1966 apresentou os Artigos introdutórios para o Processo Informático Diocesano que decorreu até 2 de Abril de 1973. De Braga passou a Roma que a declarou Venerável, reconhecendo a heroicidade com que a Alexandrina praticou as Virtudes Cristãs, em 12 de Janeiro de 1996, e a beatificou a 25 de Abril de 2004.
Escreveu o seu diário místico e deixou milhares de páginas manuscritas recolhidas em doze volumes.

Mons. Manuel Amorim

segunda-feira, outubro 13, 2008

QUERES VER OS ANJOS ?

Carta a ler atentamente e a meditar frequentemente !...

Esta pergunta de Jesus à Beata Alexandrina ― que vai evidentemente aceitar a proposta ! ― vem a seguir a algumas informações tristes e a alguns pedidos urgentes; ela é como uma “recompensa” e um estímulo não só quanto ao prosseguimento da missão que lhe é pedida : reparar pelos pecados da impureza, mas também para que não receie em tudo escrever, tudo contar ao seu Paizinho espiritual.
De facto, Jesus o afirma : — “Faço isto para te obrigar a obedeceres e a escreveres e a confiares nisto”.
Desde há algum tempo que o demónio lhe dizia que nada mandasse dizer ao Padre Mariano Pinho, porque este em nada disso acreditava. Não porque se tenha deixado convencer pelo diabo, mas sobretudo porque lhe custava escrever e contar certas coisas ― sobretudo os elogios que Jesus lhe fazia de vez em quando ! ― Alexandrina procurava não escrever, mas Jesus desejava que tudo fosse comunicado, que o Paizinho espiritual da sua querida esposa estivesse sempre informado de tudo quanto se passava na alma dela, de maneira a poder dirigi-la convenientemente.
Esta vontade de Jesus de que tudo fosse comunicado, tinha também um outro fim : instruir, demonstrar de que maneira Ele se comunica às almas. Diversas vezes Jesus dirá que o caso da Alexandrina devia ser estudado, muito bem estudado ; disse-lhe também diversas vezes que ela era mestra em ciências divinas.
Passados anos desde que nasceu para o Céu, damo-nos conta, uns após outros, que o caso da Alexandrina é na verdade um “caso muito sério” e que o estudo dos seus escritos espirituais são da maior utilidade para uma maior compreensão da acção divina nas almas.
Nesta carta que vamos ler, Jesus fala uma vez mais do pecado da impureza e dos trágicos resultados para as almas que se deixam por ele surpreender ou que nele encontram motivo para mais e mais ofenderem o Senhor.
Carta a ler atentamente e a meditar frequentemente !...

* * * * *

« Balasar, 6 de Junho de 1935
Viva Jesus !
Meu P.
Estou deveras admirada com o silêncio de Vossa Reverência. Por acaso ter-lhe-ia dado causa para assim proceder ? Estou sossegada na minha consciência ; se em alguma coisa o ofendi foi por ignorância, por isso maior deve ser o perdão.
Eu continuo muito doentinha ; mas tenho tido a consolação de receber Nosso Senhor todos os dias. Isto só por um milagre do Céu, pois o Senhor Abade nunca me fez tal. Algumas vezes recebo o meu Jesus e fico muito desconsolada. Bendito Ele seja ! Tudo é permitido por Ele, seja em tudo feita a Sua Santíssima Vontade.
No dia dois, depois das nove horas da noite, estava eu a fazer a oferta de tudo o que se passasse em mim durante a noite como actos de amor a Nosso Senhor Sacramentado. Fazia-o mais com o pensamento do que com os lábios porque não podia. Eu disse ao meu Jesus se fosse da Vossa Vontade eu ficar convosco nos vossos sacrários durante esta noite ! Sim antes queria fazer companhia a Nosso Senhor do que dormir. E dizia também :
― Vinde meu bom Jesus e vivei em mim como eu desejo viver convosco ; operai em mim tantas graças como se eu vos recebesse sacramentalmente.
Principiei a sentir a presença de Nosso Senhor em mim e logo ouvi que me chamava :
— Filha, filha, ó minha querida filha anda passar a noite comigo nos meus sacrários : anda consolar o teu Jesus. Anda com a tua reparação curar as minhas chagas que estão tão vivas ! Fui hoje tão ofendido ! Caíram tantas almas no inferno ! Cortei-lhe o fio da vida antes do tempo marcado por não as poder sofrer mais.
Eu ofereci a Nosso Senhor todo o meu corpo para Ele crucificar pelo seu divino amor para a salvação das almas; e dava-lho de tão boa vontade como Ele se deixou crucificar por meu amor. E dizia-me Nosso Senhor :
— Como me consolas ! É o bálsamo com que curas as minhas chagas. Atenção, minha filha, para mandares dizer ao teu pai espiritual. Esta noite vão cair no inferno mil almas e o pecado que me leva a condená-las é o pecado da impureza, a maldita carne. Já lá estão a cair fartas de me ofenderem e Eu abundado de as suportar. São de todas as classes : jovens e donzelas, casados e viúvos, velhos e novos. Que horror ! Como Eu sou ofendido ! Estão mais para lá cair ; se me dás o teu corpo para sofrer por eles ainda lhes acudirás. Pede-me por elas, dá-mas são minhas. Custaram-me o meu sangue. Eu não exijo de ti a noite inteira porque não podes. Mas só no Céu verás como lhes acudistes nestas horas. Eu preciso de destruir o mundo, poucas famílias deixar, mas não o faço, enquanto tiver almas que como tu sustentem o braço da minha justiça.
Parecia-me que era tão beijada e abraçada ! E dizia-me Nosso Senhor :
— Amo-te tanto, minha filha ! Amo-te tanto ! Tenho mais cuidado pela tua alma do que um da terra teria se possuísse todos os tesouros do mundo. Ama muito a minha Mãe Santíssima que Ela também te ama muito. Como me consolas quando me pedes o aumento do amor dela e da Santíssima Trindade.
No dia três, no fim da Sagrada Comunhão, falava-me Nosso Senhor :
— Minha filha, lá caíram no inferno as almas. Como Eu fui ofendido ! Como me renovaram a minha paixão ! Muitas também que mereciam lá estar, mas poupei-as pela tu reparação. Não posso exigir mais de ti, dando-me o teu corpo e dizendo tudo ao pai espiritual para ser comunicado às almas. Queres ver os anjos ?
E eu disse a Nosso Senhor :
— Mostrai-mos, Jesus, Mostrai-mos Jesus.
Principiei, então, a ver uma coisa alta do feitio do Céu com uma cor tão linda ! Via nela não sabia o quê. Não sei como fiquei. Como havia de mandar eu dizer a Vossa Reverência que eram os anjos se eu não divisava o que era ?
Dizia-me Nosso Senhor :
— Faço isto para te obrigar a obedeceres e a escreveres e a confiares nisto.
Do meio saiam à moda de uns raios dourados e dizia-me Nosso Senhor que era o amor com que eles O amavam, via também à moda de um altar em ponto grande e no meio parecia-me uma pombinha branca. Por cima tinha muitos, muitos anjinhos; estavam em torno sobre a Santíssima Trindade. Passados alguns momentos voltei a vê-los; já os divisava melhor. Eram mais bastos do que moinhos. Parecia que estavam aos montes. Via mais outras coisas, eram os querubins e os serafins. Disse-me Nosso Senhor :
— Vê-los? Há-de ir a tua alma para o Céu cercada deles.
Sentia todo aquele calor e força de que tenho falado a Vossa Reverência e uma união tão grande com Nosso Senhor que não podia deixar. E disse-me o meu Jesus :
— Manda dizer ao teu pai espiritual que Eu quero que sejam realizados os teus desejos : quero que sejas visitada por ele. Foi a ele que confiei a tua alma e teus segredos. O tempo passa. Não queiras nada do mundo : vive como se estivesses comigo em corpo nos meus sacrários que Eu vivo em ti como lá. É a paga do amor que me tens e de quereres viver lá unida a mim.
No dia seis, pouco depois da Sagrada Comunhão, falava-me Nosso Senhor:
— Ó filha, tu não te cansas de me dizer que habite em ti, e Eu não me canso de em ti viver. E como me hei-de cansar se tu és o meu anjo, a companheira fiel dos meus sacrários ! Continua a tua missão que dentro de pouco acabará. Deixa-me que te diga que o teu fim está próximo. Vive nos meus sacrários; pede-me pelos pecadores. O meu coração está angustiado nos sacrários. Eu chamo-os por todos os modos : infelizes. Estão surdos à minha voz divina, estão cegos à luz do seu Deus. Sofre, minha filha, que os teus sofrimentos e aflições transformar-se-ão, dentro em pouco, em rosas cobertas de pérolas preciosas. Minha filha, à volta de ti é o paraíso. Os anjos, os querubins, e os serafins e a minha Mãe Santíssima. Como Eu sou bem louvado por eles ! Queres voltar a vê-los ?
Eu disse que sim ao meu Jesus. Principiei, então, a ver tantas coisas ! Um movimento tão grande ! Pelo meio tinha tantos, tantos parecia fios dourados entrelaçados uns nos outros! E dizia-me Nosso Senhor :
— É o amor em que eles ardem por mim.
Sentia um calor tão forte e uma força a abraçar-me! E dizia-me Nosso Senhor :
— Amo-te tanto ! Faz que eu seja amado que, dentro em pouco, amar-me-ás e contemplar-me-ás para sempre no Céu.
Por hoje mais nada. Muitas lembranças da minha mãe, da Deolinda. da Senhora Dª Sãozinha, destes dias não sei nada, pois está para Braga.
Por caridade, não esqueça de pedir por mim que preciso muito para eu fazer em tudo a vontade de Nosso Senhor, que eu também tenho pedido muito a Jesus por Vossa Reverência e prometo continuar. Fico ansiosa por receber uma cartinha de Vossa Reverência.
Abençoe, por caridade, a pobre
Alexandrina Maria da Costa. »[1]


[1] Carta ao Padre Mariano Pinho : 6 de Junho de 1935.

sábado, outubro 11, 2008

FESTA LITÚRGICA

BEATA ALEXANDRINA

HORARIOS

13 de Outubro de 2008

12/10 — 20h30 – Procissão de Velas

13/10 — 06h30 – Oração do Rosário
— 07h00 – Eucaristia em honra da Beata Alexandrina
— 07h30 – Exposição do Santíssimo
— 10h30 – Eucaristia para doentes com Bênção do Santíssimo
— 12h00 – Exposição do Santíssimo
— 18h30 – Encerramento do Lausperene e Bênção do Santíssimo
— 19h00 – Eucaristia Solene cantada em honra da Beata Alexandrina

Durante todo o dia haverá sacerdotes disponíveis para atender de Confissão.

quinta-feira, outubro 09, 2008

SENTIMENTOS DA ALMA


Perdi o meu maior tesouro. Perdi a Jesus, perdi a Mãezinha. Parece, sinto como se Eles morressem para mim. Não posso pensar na triste, na dolorosíssima separação de sexta-feira. Triste mortório, mas é tal a diferença como da terra ao Céu. Custou mais, infinitamente mais, a separação de Jesus e da Mãezinha, este sentimento como se Eles morressem para mim, do que quando perdemos e nos separamos dos nossos entes queridos.
Ai, meu Deus, ai, meu Deus, só ao Céu é dado compreender esta dor e àqueles que a sentem. Apenas levanto um bocadinho do véu e não consigo mais nada. Foi tal a dor que me pareceu ficar sem coração, não sei se desfeito pela dor, se Jesus e a Mãezinha mo levaram. O que sei é que ficou em mim um vazio tão grande que só o Céu mo podia encher. E depois o sofrimento de cada dia e cada noite resultado de tudo isto. Chorei muitas vezes e muitas lágrimas. A dor levava-me a levantar a voz, mas logo me vencia e chorava em silêncio. Que as minhas lágrimas sejam actos de amor para Vós, Jesus e Mãezinha! Ai de mim! Perdi os meus Amores! Mas logo a confiança obrigava o coração a falar. Creio, creio que não os perdi. Todo o meu martírio reverta em favor das almas. Sou a Vossa vítima. Creio, creio, confio que não estou só. Ai quanto custa dizer: Creio! Sem crer; confio! Sem confiar.
Neste momento, a minha alma sangra de dor por não ser capaz de dizer como foi a minha separação e a ter necessidade de o dizer. Perder a Jesus e a Mãezinha foi perder o Céu. Todo o meu ser se retalha e, no meio dela, vou dizendo sempre: creio, creio, meu Deus, eu creio! Nestes dias tão dolorosos, de tão grande martírio para o corpo e de tanta angústia para a alma, ainda veio mais um tormento para o meu pobre coração. Várias cartas me chegaram às mãos a dizerem-me que o senhor Bispo de Aveiro tinha proibido a vinda aqui dos sacerdotes. Punhais tão dolorosos! A minha alma tinha a visão da consequência desta ordem. Tanta humilhação! Se eu pudesse reparar tanto escândalo que se dá! Tantas más interpretações por causa disto! A minha oferta de vítima não cessa diante do Senhor. Por Vosso amor, tudo! Faça-se a Vossa vontade! O meu túmulo, o meu túmulo, a minha arte de cavador vai continuando. Cobri-me eu mesma com a terra do meu sepulcro. Fui eu que me cobri, fui eu que desapareci, que me enterrei. Estou tão funda, tão funda!... Parece que toda a terra da humanidade me cobre e os suores da alma vão continuando assim como a eternidade e a inutilidade. Não conta, não anda a eternidade. Que pavorosa ela é! Se Jesus não velasse, só ela me tirava a vida. Tanto sofrer para tanta inutilidade! Uma vida de tanta dor para nada ter que oferecer a Jesus. Estou de mãos vazias. As minhas ânsias tão infinitas, tão infinitas não as posso fazer compreender. Quero o mundo, quero o mundo dentro do meu coração. Quero todos os corações, quero todas as almas, quero levá-las com o meu sangue. Quero amar a Jesus pelo mundo inteiro. Queria morrer, a cada momento, até ao fim dos séculos e a cada momento dar o sangue até à última gota, para que nenhuma alma se perdesse, nem nenhum coração deixasse de amar a Jesus. Queria, sim, dar todo o meu sangue e a vida, a cada momento, até ao fim dos séculos para evitar um só pecado.
Ai, ai, não posso consentir que Jesus seja ofendido! Eu não tive horto. Vou dizer o melhor que puder o que senti.
Sobre o solo do horto esvoaçava uma pomba. Tinha sempre no seu biquito uma gota que deixava cair sobre a terra e se transformava em orvalho fecundador. Uma gota caía, logo outra aparecia. Este orvalho era celeste. Era o maná que alimentava, que dava a vida, dava luz e sabedoria. Uma vida no ar, outra vida na terra. A minha alma tornava-se sábia, compreendia tudo isto, tudo o que era do Céu. A minha dor, a minha dor humana vivia-a, sentia-a o mais dolorosa que se pode imaginar.
No calvário de hoje, a mesma pomba continuava a voar, a deixar cair as mesmas gotas que se transformavam em orvalho, orvalho celeste e a dar a mesma luz e vida de sabedoria. Eu cá em baixo levava a cruz da minha vida dum martírio indizível. Não vi Jesus, não o senti. Não soube que Ele expirasse. Veio alguém que juntou ao meu coração, à minha vida terrestre a vida divina. Essa mesma vida comunicava-se a mim como quem injecta. Desapareceu a minha vida terrena para viver a outra. O coração e a alma fortaleceram-se mais. A casa do meu interior tinha mais luz. Diz-me Jesus nesta altura:
— “Sou o Senhor do mundo, o Senhor da paz, o Senhor da fé e da confiança. Crê, crê, vive da fé. É colóquio de fé.”
Creio, creio, Jesus. A gota de sangue Jesus não disse que ma ia dar; senti o choque e o meu coração ficou unido ao outro Coração, a chupar dele como a criancinha no seio de sua mãe. Novas palavras de Jesus.
— “Coragem! Vive para as almas. Recebe as carícias de minha Bendita Mãe. Sou Eu o portador delas, já que amanhã Ela não te vem falar.”
— Obrigada, Jesus. Dizei à Mãezinha o meu muito obrigada.
Não disse tudo da minha separação. Que saudade das carícias da Mãezinha e saudade da Santíssima Trindade. Toda Ela me abraçava com a Mãezinha, e o Divino Espírito Santo em forma de pomba irradiou-me toda com a Sua luz, que iluminou todo o meu ser; prendia-me a Ele com fitas de várias cores que d’Ele pendiam. O que foi! Quanto custou! Não digo nada. Fico na minha dor e na minha eterna saudade.

quarta-feira, outubro 01, 2008

SENTIMENTOS DA ALMA


Não sei como dizer algumas palavras, mostrando um nadinha o muito que me vai na alma. Não sei como obedecer.
― Meu Deus, meu Deus, quanto se sofre! Seja tudo por Vosso amor! Ó dor, ó dor, tu só és doce, levada por amor de Jesus. Mas custas tanto! Há tão pouco quem te compreenda e se compadeça dos que sofrem! Sede louvado e bendito em todas as coisas; seja feita, Senhor, a tua vontade. É tal o sofrimento que tenho no corpo e na alma que me faz sentir imensa necessidade de pedir a Jesus para me levar para o Céu. Só com a força de um Deus se pode sofrer assim. Não posso pensar na perda de Jesus e da Mãezinha; a minha alma não suporta tal dor. Não me aproveitaria eu das graças que pelo Céu me foram dadas?
Meu Deus, meu Deus, compadecei-Vos de mim, compadecei-Vos desta pobre alma nas maiores trevas, no maior abandono e sem um guia! Ai, Jesus, ai, Jesus, ai, Mãezinha! Junto ao meu sepulcro, mas na maior profundidade, que nunca olhares humanos podem penetrar, estou eu nos meus suores, na minha cavação incessante. Não sei o que faço nem sei onde vou parar. Ai de mim, para onde vou! Que pavor! Na superfície da terra estou como sozinha no mundo; é um mundo sem luz, um mundo sem fôlego vivo.
Sinto uma velhice, como não houve nem haverá jamais. Esta velhice é no corpo e na alma. É uma velhice; quase junto a cabeça aos pés e varro a terra com o rosto. Foi o corpo que envelheceu a alma e a afeiou.
Só deixei o mundo, quando ele me deixou, quando me escarneceu e no rosto escarrou, quando com vozearias e maus-tratos tentava tirar-me a vida. Tudo passou, só eu fiquei nessa velhice morta e apodrecida. Quase nada tenho rezado com os meus sofrimentos, com tão doloroso martírio. Fiquei quase por completo esquecida das coisas do Céu. Tenho dito a Jesus e à Mãezinha que isto não representa a diminuição do meu amor, mas sim do meu muito sofrer. Faço repetidos actos de fé: creio, Jesus, eu creio. Perder a Jesus, perder a Mãezinha, foi perder o Horto, perder o Calvário, foi perder tudo. Caminho por aqui e além, fito um e outro lugar sem proveito algum e a ninguém encontrar.
Foi neste estado de alma que se aproximaram as três horas de hoje. De repente, fiquei num mar imenso de naufrágio; a todo o custo lutei com as ondas, entrando sempre pelo mar imenso a apanhar e a trazer comigo os náufragos. Precisava de conforto, estava perdida, desfalecida de tanto lutar. Veio Jesus e disse-me no meio do naufrágio:
― “Minha filha, minha filha, mar de dor, mar de sangue, mas mar de salvação das almas sem número, aos milhões, aos milhões, aos milhões. Muita dor exijo de ti, porque muita reparação exigem os crimes da humanidade. Como o mundo peca, como o mundo peca! E há tão pouco quem sofre e repare!”
Dito isto, Jesus desapareceu e eu fiquei no mesmo mar e em trevas apavoradoras.
― Sois Vós, Jesus, sois Vós ou estou enganada? Onde é que estais? Valei-me, valei-me.
Ele não se apressou, deixou que a luta e as trevas continuassem, até que depois veio e disse-me:
― “Colóquio de fé, colóquio de fé, minha filha, colóquio de amor. Muito sofres, porque muito amas e és amada. Eu tenho que fazer milagres, para que possas resistir à dor que te causam as ofensas feitas ao meu Divino coração.”
Fiquei no Seu regaço, entre os Seus braços, muito estreitada ao Seu Coração divino. Jesus acariciava-me e fitava-me com doçura e amor. Já se passaram umas poucas de horas e eu ainda sinto no coração aqueles olhares tão ternos e penetrantes. Com a máquina do Seu Coração parece que sulfatava o meu. Aquele fogo ateou-me no meu peito.
― “Qual queres, minha filha, ver-me a sofrer ou ver-me na alegria?”
― Ó Jesus, a dor para mim e a alegria e consolação para Vós.
Ele chegou a suspirar, mas eu bradei-Lhe:
― Sofrer não, sofrer não, meu Jesus.
― “Coragem, filha, e confiança: está perto, está perto o teu Céu. Recebe a gota do meu Divino sangue. É o Sangue de Cristo, é a mesma vida de Cristo a viver em ti. Comunica ao mundo, comunica às almas esta vida; deixa-as servir e aproveitar-se dela, conforme as suas ânsias de união comigo. Sofre pelo mundo, salva o mundo; sofre, sê vítima no mais alto grau pelos sacerdotes. Como eles pecam, como eles pecam em tão grande número!”
― Sou a Vossa vítima, Jesus. Lembrai-Vos de todas as minhas intenções. Creio que estivestes em mim, creio que viveis em mim.
Alexandrina Maria da Costa