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terça-feira, junho 08, 2021

VINDE, MEU BOM JESUS

Vivei em mim como eu desejo viver convosco


No dia dois [de Junho], depois das nove horas da noite, estava eu a fazer a oferta de tudo o que se passasse em mim durante a noite como actos de amor a Nosso Senhor Sacramentado. Fazia-o mais com o pensamento do que com os lábios porque não podia. Eu disse ao meu Jesus se fosse da Vossa Vontade eu ficar convosco nos vossos sacrários durante esta noite! Sim antes queria fazer companhia a Nosso Senhor do que dormir. E dizia também: “Vinde meu bom Jesus e vivei em mim como eu desejo viver convosco; operai em mim tantas graças como se eu vos recebesse sacramentalmente.” Principiei então a sentir a presença de Nosso Senhor em mim. (Alexandrina Maria da Costa: Carta ao Padre Mariano Pinho: 06-06-1935)

domingo, fevereiro 15, 2015

PELO VOSSO AMOR

Balasar, 2 de Janeiro de 1939


Viva Jesus!
Meu Paizinho,
Como, já desde o ano passado que não tem notícias minhas, resolvi hoje ditar-lhe umas palavrinhas.
Agradeço muito a boa cartinha que também, no ano passado recebi. Foi mesmo na sexta-feira que ela me chegou às mãos, e bem que eu precisava dumas palavrinhas de conforto. Mas Nosso Senhor tira-me tudo, não me deixa saborear nada.
Na sexta-feira passada não teve paixão. Não sei o que é: recordo este dia com saudades de não ter tido. Logo de manhãzinha eu tinha a minha alma triste como uma noite escura. Estava tão tímida! Que revolta, que tempestade, eu sentia nela. Comunguei e parecia-me que Nosso Senhor deitava as mãos ao meu coração para mo arrancar. Figurava-se-me que Ele encostava a cabeça e as mãos junto ao meu coração e O ouvia soluçar. Durante o dia tive várias coisas que também me fizeram sofrer. A Deolinda as dirá.
Agora o demónio é que me consome. Diz-me que eu faço a paixão quando eu quero. Que sou eu, que sou eu quem a faço. Aos médicos não enganas: diz-me ele. Não te creditam. Mas aqueles f. etc... e mais alguém bastam para espalhar. E nestes momentos, quando me diz estas coisas, que raiva ele tem contra mim. Uiva, parece que lhe oiço ranger os dentes, e figura-se me que me dá pontapés e escarra na cara. Eu, quando me parece que sinto os escarros, digo só com o pensamento: também a Nosso Senhor o escarraram. Então é que ele fica furioso. Diz-me tantas coisas feias de mim e do meu Paizinho! Que combate ainda hoje tive. Chamei pelo meu Jesus, pela Mãezinha do Céu e por muitos santos e santas para me ajudarem a vencer tão grande combate sem desgostar ao meu Jesus. Diz-me, também, que eu tremo porque quero. Foi por eu não tremer diante do Senhor Abade e do Senhor Cónego ao eles pronunciarem palavras das que costumam fazer-me tremer. Diz-me não tremeste, porque eles não te agradaram.
A bênção e perdão para a pobre Alexandrina

Adição da Deolinda

(O que disse Nosso Senhor à Alexandrina no sábado depois da Comunhão).


Anda para mim que sou o teu Jesus? Ou para o bercinho que são os Vossos Braços, o travesseiro, o Vosso Divino Coração? Que riqueza? Quem me embala são os anjos? A Vossa Louquinha, a Vossa esposazinha preocupa-se muito, coitadinha com as dúvidas? Mas olha: Disse-te que não tinhas paixão e não tiveste? Se sou eu, porque a não fiz? Confia, minha beleza, que é só, só obra divina? Não me assusto? Deixa que se saiba? Não foi por mim? Bem sabeis que quero viver escondido? Isso basta para que diante de Vós eu viva como que ninguém me veja? Isto não podia ser só para mim? Sofria, reparava, mas não fazia bem às almas? Sois Pai compassivo? Chamai-los assim? Uns vendo outros constando quanto sofrestes pelas suas almas? Consolo-Vos muito com a minha obediência em não consentir que venha ninguém sem licença de meu Paizinho? Vós ajudais da Vossa parte? Se preciso for fazeis que se não dê? É preciso mostrar que é obra divina? Que não fazem todos como querem? Mas quem tem poder sobre mim? Que tudo pode? Eu a tudo obedeço de boa vontade, meu Jesus. O que eu quero é saber que é da Vossa Vontade meu Jesus, que é do Vosso agrado. Na obra divina nem todos mandam como nas coisas do mundo? O que tem maior poder sobre mim é aquele a quem me confiaste, a quem entregaste a minha alma? Para isso também tem que sofrer? Não me engano eu, ele que sofra? Jesus, quereis que muita gente veja? Só aqueles a quem o meu Paizinho der licença? Mas hão-de ser muitos a quem ele a vai dar? Eu estou sempre contente? Ofereço pelo vosso amor? Sim, sim meu Jesus. Eu por Vós, pela Vossa Causa sofro tudo.

quarta-feira, julho 27, 2011

UMA CARTA DA BEATA ALEXANDRINA AO PADRE MARIANO PINHO

Balasar, 14 Maio de 1936

            Viva Jesus!
            Tem-me custado muito a passar todo este tempo sem umas palavrinhas do meu paizinho, para me darem força e alento, nestes dias que eu tenho vivido. Ai, meu Jesus, como têm sido tão atribulados!
            É bem verdade que custam mais os sofrimentos da alma do que os do corpo. Apesar de eu não sentir nenhumas consolações espirituais, ao recordar-me das santas lições que me tem dado, sinto-me reanimar um pouco. Se eu pudesse tê-lo mais vezes junto de mim, seria mais suave a minha cruz, não me custaria tanto viver. Não vejo nada, tudo se esconde de mim. Por mais que me esforce por fazer tudo bem feito e amar muito a Jesus, cada vez me vejo mais pobrezinha e despida de tudo. Quando peço a Nosso Senhor para ser muito santa, para O amar muito, muito, que abismo de misérias eu vejo em mim e que distância tão grande me separa de Nosso Senhor!
            Não sei se o paizinho se lembra de o ano passado, no dia da Santíssima Trindade, Nosso Senhor me dizer: “Não assistes a esta festa, mas assistirás a todas as outras por toda a eternidade”. A minha ideia é, se nesse dia já estarei no céu. Mas, não sei os desígnios de Nosso Senhor.
            O que eu sei dizer é que o demónio continua a desempenhar bem o seu papel: busca todos os meios para me ter desassossegada — como eu me vi aflita com ele no sábado passado! Estou em dizer que ataque dele assim tão forte, nunca tinha tido! Principiou por dizer que tinha chegado o tempo de serem descobertas as minhas mentiras, que se ia saber a verdade, porque eu não ia morrer no tempo indicado.
— Mata-te! Escuta-me! Escolho-te uma morte que nada te custa; se não, que vergonha! Se era comigo!
            E dava umas fortes gargalhadas.
— Queres que te ensine a fazer pecados?
            Até aqui ainda fui resistindo. Mas, depois, muito me custou. Tinha bocados em que não podia tirar os lábios do crucifixo, nem da minha mente me saía a jaculatória "Jesus, Maria, José". Chamou-me um nome e perguntou se eu sabia o que era.
— Escuta-me que eu ensino-te.
            Eu dizia: "Meu Deus, meu Deus, não quero pecar. Ó meu Jesus, eu não quero ofender-vos. Minha Mãe, minha querida Mãezinha do céu, não permitais que ofenda a Jesus!" E, graças a Nosso Senhor e a Nossa Senhora, fiquei sem saber as lições desse maldito. Depois de tudo isto, dizia-me: não é ninguém que te diz estas coisas, mas sim a tua malícia. Eu confessei-me, mas não disse isto. Não fiz pecado, pois não?
            Não digo mais nada, que estou muito cansada. Tenho o meu corpo numa dor só. Lembranças de minha mãe, da Deolinda e da Sra. Dª Sãozinha. Abençoe, por caridade, a pobre,
            Alexandrina.