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quinta-feira, maio 13, 2021

PASSEI MUITO TEMPO EM FÁTIMA

O meu coração desfazia-se


Nunca ano nenhum, no dia 13 de cada mês, passei tanto em Fátima como no dia 13 deste mês de Maio. Não sei pelo quê. O meu coração desfazia-se e desfaz-se ainda em agradecimento diante da Mãezinha querida. Passo lá tanto tempo! Quero amá-la, louvá-la e não cessar de agradecer-Lhe a paz tão desejada. Seria esse o motivo, porque Jesus me uniu tanto desta vez às manifestações da Cova da Iria e me fez sentir todo aquele entusiasmo e preces fervorosas de tantos corações agradecidos? Bendito seja o Senhor, que Ele continue a dispensar à terra a Sua paz divina e não demore a dá-la às nações que a não têm ainda, para que em toda a humanidade reine Ele, só Ele. Não passou ainda um só dia que não rezasse a Magnificat em acção de graças e como prova do meu agradecimento.

— Mas, meu Deus, como tenho feito eu tudo isto? Na maior pobreza e maior miséria. Agradeço sem um raiozinho de luz, agradeço esmagada debaixo do céu das trevas. (Alexandrina Maria da Costa: 15 de Maio de 1945).

VI A MÃEZINHA DE FÁTIMA

Senti que Ela veio mostrar-me que não estava sozinha


Foi de noite, não sei a hora, vi a meu lado a Mãezinha de Fátima; não se demorou, não me falou. Senti que Ela veio mostrar-me que não estava sozinha, que Ela estava a meu lado. Libertada destas tristes amarguras, entrou em mim uma suavidade, pude adormecer. Os homens podem fazer tudo, podem sentenciar-me conforme os seus juízos, o que não podem é priva-me destas visões, privarem-me de amar a Jesus, tirarem-me a minha união com Ele, nem arrancarem-me do meu coração a união com aquelas que Ele, e só Ele, permitiu, que Ele e só Ele colocou neste coração tão pequenino no amor, mas tão grande nos desejos de o amar e nas ânsias de só a Ele pertencer. Todos estes sofrimentos, que só Jesus conhece a dor imensa que me causam, só Ele os vê e compreende deveras, fazem nascer dentro em mim novos desejos, profundas ânsias se só para Jesus viver, de só a Ele pertencer e a Ele só amar. O peso da dor faz rebentar em meu coração tão vivos e amantes desejos de caminhar por entre espinhos e procurar Jesus e as almas como o trovão com o seu estrondo estremecedor faz rebentar as águas na profundidade da terra. Sofro ? Não importa. Amo Jesus : isso me basta. Pedi para me colocarem sobre o meu peito, amparada pela minha mão a açucena que me foi oferecida para levar para a sepultura. Senti-me tão alegre e ao mesmo tempo umas saudades quase insuportáveis de ver chegado esse dia, o dia da minha verdadeira felicidade, da minha verdadeira vida. (Alexandrina Maria da Costa: 21-11-1944)

VISÃO DE FÁTIMA

O meu coração batia fortemente


Na manhãzinha do dia 13, quando estava a rezar à Mãezinha “Avé Maria” com jaculatória por várias intenções, vi a Mãezinha de Fátima em tamanho natural elevada a grande altura, suspensa no ar. Em baixo à volta dela um universo de povo para quem ela se inclinava e olhava com todo o carinho. O meu coração parecia não caber dentro do peito; batia com tanta força! Senti-me atraída para Ela, pareceu-me sair fora de mim e ser transportada para outra região e já não vivia na terra. Não sei o tempo que me demorei lá. (Alexandrina Maria da Costa: 13-12-1942)

PORTUGAL INGRATO

Fátima, Fátima! Calvário, calvário!


― Calvário ditoso, calvário prodigioso, calvário transformado num paraíso de Jesus na terra. Desci, desci, minha filha, desci, desci, esposa querida, desci do Céu. Entrei no teu coração, transformei-o num céu. Eu quero, eu quero fortalecer-te. Eu quero falar pelos teus lábios. Eu quero dizer-te as minhas alegrias e tristezas. Alegro-me no teu coração. Alegro-me com a reparação que me dás. Eu posso, sim, eu posso apresentar a meu eterno Pai grande reparação. Eu posso, sim, eu posso colocar sob a sua divina mão uma escora firme para a sustentar. Ó Portugal ingrato, ó mundo cruel, o que seria de ti sem a vítima deste calvário!... Portugal ingrato! Portugal, quantas graças tens recebido do teu Deus?! Fátima, Fátima! Calvário, calvário! Este ditoso calvário, meios para ti de grande reparação. Estou triste, estou triste. Portugal ingrato! Estou triste, muito triste! O mundo cruel! Nada mais posso fazer. Fiz tudo, fiz tudo para a salvação dos filhos do meu sangue.

― Ó Jesus, ó Jesus, estou certa, confio. Tudo fizestes, tudo fareis e o mundo será salvo. Portugal será grato, sempre grato ao Vosso Divino Coração. Sou Vossa vítima, Jesus. É a Vós que eu abraço, é a Vós que eu me prendo. Só convosco eu serei forte, só com a Vossa graça vencerei. Ai, meu Jesus, sou eu, bem sabeis que sou eu, a mais pobrezinha, a mais indigna das Vossa filhas, mas bem sabeis que, apesar de pobre e miserável, com a Vossa graça também serei eu a sofrer pelo Vosso amor e pelas almas. Com a Vossa graça sempre repetirei: Jesus, sou a Vossa vítima! Jesus, sou a Vossa vítima! Jesus, sou a Vossa vítima! (Alexandrina Maria da Costa: 09-10-1953)

DESEJOS DE SER CURADA

Alexandrina deseja ir a Fátima


– Como me falassem dos milagres de Fátima e sabendo eu, em 1928, que várias pessoas iam à Cova da Iria, nasceram em mim desejos de ir também. O médico assistente e o meu pároco não me deixaram, dizendo que era impossível ir tão longe, se eu mal consentia que me tocassem na cama. O Sr. Abade dizia-me que pedisse daqui a acura e que, depois, iria a Nossa Senhora de Fátima agradecer tão grande graça. O médico prometeu passar o atestado se o milagre se desse.

Nesse ano, o Sr. Abade foi a Fátima e perguntou-me o que queria de lá. Pedi-lhe que me trouxesse uma medalha, mas ele ofereceu-me um terço, uma medalha, o «Manual de Peregrino» e alguma água de Fátima. Sua Reverência aconselhou-me a fazer uma novena a Nossa Senhora e a beber água de Fátima com o fim de ser curada. Não fiz uma, mas muitas. Cantava muito e dizia às pessoas vizinhas que me visitavam: se um dia me vissem pelo caminho e me ouvissem cantar, era eu que ia agradecer a Nossa Senhora o benefício que recebia. Pensava que seria curada, mas enganei-me; era a minha grande confiança na Mãezinha e em Jesus que me fazia falar. Pensava: se for curada, vou logo, logo para religiosa, pois tinha medo de viver no mundo. Nem sequer visitava a minha família. Queria ser missionária, para baptizar pretinhos e salvar almas a Jesus.

Como não consegui nada, morreram os meus desejos de ser curada e para sempre, sentindo cada vez mais ânsias de amor ao sofrimento e de só pensar em Jesus. (Alexandrina Maria da Costa: Autobiografia)

terça-feira, maio 11, 2021

ALEXANDRINA E FÁTIMA

«Já reflectiste que faço do teu quarto a Cova de Iria?»


Nos escritos da Alexandrina encontramos várias alusões a Fátima, ou melhor, a Nossa Senhora de Fátima.

A mais antiga que conhecemos encontra-se na sua autobiografia e situa-se após o salto que deu pela janela, para escapar aos ardores de um homem que a perseguia.

Este salto foi o acidente que causou a sua paralisia, que durou até à sua morte.

Sendo ainda jovem, gostaria de curar e de viver uma vida feliz como todas as jovens da sua idade, mas não era esse o plano de Deus sobre ela.

Ouçamo-la explicar:

«Como me falassem dos milagres de Fátima e sabendo eu, em 1928, que várias pessoas iam à Cova da Iria, nasceram em mim desejos de ir também. O médico assistente e o meu pároco não me deixaram, dizendo que era impossível ir tão longe, se eu mal consentia que me tocassem na cama. O Sr. Abade dizia-me que pedisse daqui a acura e que, depois, iria a Nossa Senhora de Fátima agradecer tão grande graça. O médico prometeu passar o atestado se o milagre se desse.

Nesse ano, o Sr. Abade foi a Fátima e perguntou-me o que queria de lá. Pedi-lhe que me trouxesse uma medalha, mas ele ofereceu-me um terço, uma medalha, o «Manual de Peregrino» e alguma água de Fátima. Sua Reverência aconselhou-me a fazer uma novena a Nossa Senhora e a beber água de Fátima com o fim de ser curada. Não fiz uma, mas muitas. Cantava muito e dizia às pessoas vizinhas que me visitavam: se um dia me vissem pelo caminho e me ouvissem cantar, era eu que ia agradecer a Nossa Senhora o benefício que recebia. Pensava que seria curada, mas enganei-me; era a minha grande confiança na Mãezinha e em Jesus que me fazia falar.» (Autobiografia)

Mais tarde, já acamada para sempre, teve, em diversas ocasiões, a felicidade de receber a visita da Mãe de Deus e nossa Mãe.

No dia 13 de Dezembro de 1942, ela escreveu no seu Diário:

«Na manhãzinha do dia 13, quando estava a rezar à Mãezinha “Avé Maria” com jaculatória por várias intenções, vi a Mãezinha de Fátima em tamanho natural elevada a grande altura, suspensa no ar. Em baixo à volta dela um universo de povo para quem ela se inclinava e olhava com todo o carinho.»

Aqui a visão da multidão reunida na Cova da Iria é evidente, e portanto, ela nunca lá foi.

Dois anos mais tarde, nova visita de Nossa Senhora de Fátima, também silenciosa:

«Foi de noite, não sei a hora, vi a meu lado a Mãezinha de Fátima; não se demorou, não me falou. Senti que Ela veio mostrar-me que não estava sozinha, que Ela estava a meu lado.» (S. 21-11-1944)

Este amor da Mãezinha para com ela fazia-a feliz e estimulava-a na sua devoção a Maria, a sua querida “Mãezinha”, como ela gostava de a chamar.

Em 1945, escrevendo sobre o seu amor à Virgem de Fátima e ao dia 13 do mesmo mês, ela explica:

«Nunca ano nenhum, no dia 13 de cada mês, passei tanto em Fátima como no dia 13 deste mês de Maio. Não sei pelo quê. O meu coração desfazia-se e desfaz-se ainda em agradecimento diante da Mãezinha querida. Passo lá tanto tempo!» (S. 15-05-1945)

A Virgem de Fátima que até aqui se apresentara a ela silenciosa, vai desta vez falar e frisar as suas visitas ao quarto da “Doentinha de Balasar”. Ouçamos a Mãe de Deus:

«Já reflectiste que faço do teu quarto a Cova de Iria? Já reflectiste que, como em Fátima, aqui desço todos os meses, não falando nas vezes que, como hoje, venho a convite do Meu Filho? É para te dar conforto e encorajar.» (S. 13-6-1947)

Podemos pôr esta interrogação da Virgem Maria — «Já reflectiste que faço do teu quarto a Cova de Iria?» ao lado de outra que lhe foi dirigida por Jesus, também a respeito daquele quarto abençoado: «O teu quarto é o templo das maravilhas prodigiosas do Senhor.» (S. 14-11-1947)

Sabendo que o seu director espiritual estava muitas vezes presente em Fátima — antes de ser exilado para o Brasil — ela tomara o hábito de ouvir as transmissões radiofónicas em directo da basílica da Cova de Iria.

Em 17 de Outubro de 1952, ela escreve no seu Diário — os “Sentimentos da alma” — o que a seguir se pode ler:

«Ao ouvir, no dia 13, a transmissão de Fátima, às invocações não desesperei, porque Jesus e a Mãezinha velaram por mim. Quando ouvia “Meu Deus, creio em Vós, mas aumentai a minha Fé” parecia-me que dentro de mim se repetia: não creio, não creio, não tenho Fé. O meu sentimento era de que não havia ninguém no mundo como eu. Não tinha força para chamar por Jesus e pela Mãezinha.»

Em Fátima a Virgem Maria, tinha avisado amorosamente aos Pastorinhos: «Se fizerem o que eu digo…» Mas nem o mundo nem Portugal fizeram o que Ela disse, por isso mesmo Jesus, dirigindo-se ao mundo e a Portugal, queixa-se amargamente por não terem ouvido os conselhos da Sua Santíssima Mãe:

«Disse-me Jesus:

Ó Portugal ingrato, ó mundo cruel, o que seria de ti sem a vítima deste calvário!... Portugal ingrato! Portugal, quantas graças tens recebido do teu Deus?! Fátima, Fátima! Calvário, calvário! Este ditoso calvário, meios para ti de grande reparação. Estou triste, estou triste. Portugal ingrato! Estou triste, muito triste! O mundo cruel! Nada mais posso fazer. Fiz tudo, fiz tudo para a salvação dos filhos do meu sangue.» (S. 09-10-1953)

Poderia alongar estas linhas com outros exemplos não só da devoção votada por Alexandrina a Nossa Senhora de Fátima, como também relatando outras visitas numerosas da Virgem Maria ao “Calvário de Balasar”, como Ela mesma o sublinha: «Já reflectiste que faço do teu quarto a Cova de Iria?»