19 de abril de 2007

UMA PAGINA DO DIARIO :
“VISÃO DO PARAISO”

26 de Agosto de 1942

Não custam as nossas ofertas a Jesus; dizer-lhe que todo o corpo é dele, dizer-lhe: Sou vossa para o martírio e para a cruz; mas quando se sentem os rigores da sua divina Justiça, quando Ele dá sinal que tomou a sério e as utilizou do nosso frágil instrumento, para assim salvar o mundo, é de morrer. Que tremenda e aterradoura é a Justiça divina! No dia 21 de Agosto, que era sexta-feira, Jesus veio como de costume desabafar comigo, mimoseando-me com os seus doces e ternos carinhos. Neste dia a sua bondade infinita não quis dispensarmos. Tinha que sofrer, tinha que experimentar o que o Eterno Pai reservava para o mundo culpado, mas sobretudo para Portugal. Sentia tudo em fogo, tudo em ruínas. Eram tais as labaredas que incendiavam Portugal, que não deixavam nele pedra sobre pedra, nem se podia descobrir o maior edifício. Com todas as queixas de Nosso Senhor, com todo o peso da justiça divina, fiquei deveras assustadíssima durante dois dias e duas noites. Repetidas vezes todo o meu ser estremecia aterrado de medo. As labaredas continuavam e eu sentia-me no meio de toda esta destruição. Era impossível poder resistir a este sofrimento se ele se prolongasse por muito tempo e se Jesus não tivesse para ele um atenuante. O que vou descrever não huro que foi a realidade, se bem que me parece poder jurar.
Deviam ser 4 horas da manhã, formou-se sobre mim um Paraíso. Este era formado só de anjos formosíssimos, brilhantes como ouro. Só via cabecinhas a asinhas; com estas esvoaçavam continuamente, fitando-me todos com os seus olhos brilhantes. Compreendi que aquele bater de asas era a chamar-me para o Paraíso. A minha alma sentiu tanto conforto que me fez sair fora de mim. Já não vivia na terra e uma força invisível me fez subir e aproximar-me desses anjinhos. Não sei o que me sustinha no ar. Desde então, todo esse medo das ameaças do Senhor foi suavizando, o brilho dos an,jos, aquele bater de asas vence tudo o que é dor, tudo o que ameça o mundo e Portugal. O Céu pode mais que a terra! O amor de Jesus é mais forte que a sua divina Justiça! A minha alma obriga-me a descrever tudo isto deixando ao juízo do meu Pai espiritual se isto foi sonho ou ilusão minha ou a verdadeira realidade. Parece-me que não dormia e o conforto que me deu só do Céu podia vir. Foi um renédio divino.
Alexandrina Maria da Costa

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