1 de Dezembro de 2009

A ESPIRITUALIDADE DA ALEXANDRINA

A nossa colaboradora, Paulette Leblanc, francesa reformada da função pública, acaba de nos enviar um trabalho muito interessante sobre a espiritualidade da Beata Alexandrina de Balasar.
Trata-se de um longo trabalho onde ela mostra os seus conhecimentos, não só sobre a vida da Beata, mas também sobre a teologia ascética e mística.
Não nos foi possível traduzi-lo — ao menos por enquanto — em português, mas para aqueles que conhecem a língua de Molière, convidamos que visitem o Blogue francês sobre a nossa querida Beata, onde foi começada a publicação desse interessante trabalho.

http://alexandrina-de-balasar.blogspot.com/

Não é a primeira vez que a Paulette escreve sobre a Alexandrina de Balasar, visto que há pouco tempo a Associação Alex-Diffusion publicou uma curta biografia da Beata Alexandrina escrita pelo mesmo autor.
Quando nos for possível, iremos traduzir para português esse interessante trabalho, esperando que ele possa servir a um melhor conhecimento da vida espiritual da “Santinha de Balasar”.

Afonso Rocha

11 de Agosto de 2009

TESTEMUNHOS VIVOS

No recente número do Boletim de Graças vêm três testemunhos notabilíssimos.
O primeiro é o dum sacerdote. Ordenado em Julho de 1955, foi visitar a Alexandrina em Setembro (ela morreria em Outubro). Sem que ele ainda soubesse que estava nomeado para pároco, a Beata, que o não conhecia e sem ninguém lhe dizer sequer que ele era padre (ele não trazia vestes de sacerdote), anunciou-lhe que ele ia ser brevemente pároco e iria enfrentar situações difíceis que teria de tratar em tribunal, mas que não receasse. Passados mais de 50 anos, este pároco confirma que tudo decorreu como lhe fora predito e que sentiu sempre Deus estava com ele.
Outro caso é o duma mãe cuja jovem filha se afastara da prática religiosa, como acontece com tão grande parte da juventude. Depois de a trazer a Balasar, a jovem retomou a prática religiosa com toda a determinação. Vejam-se algumas palavras dela:
“Hoje despedi-me de Balasar e todas as dúvidas sobre a fé, que me atormentavam, desapareceram; aprendi a ser paciente e tive a graça de sentir a luz do Espírito Santo a entrar dentro de mim (…)”.
O último testemunho a que nos referimos é duma grávida a quem os médicos diziam que a menina que trazia no ventre iria ser deficiente e por isso a aconselhavam a abortar. Esta mulher resistiu à sugestão assassina e pediu a intercessão da Beata Alexandrina. Apesar da gestação ter sido difícil, a menina nasceu inteiramente sã.
Que poderá esta criança, quando for adulta, dizer aos tais médicos que propunham que a mãe lhe provocasse a morte?

José Ferreira

10 de Junho de 2009

ESTATISTICAS DE MAIO 2009

Caros visitantes,

Queremos agradecer à vossa fidelidade quanto ao sítio francês da Beata Alexandrina.
Efectivamente sois cada vez mais numerosos et mais diversificados, o seja de um maior número de países. Vejam:
O Sítio recebeu a visita de Internautas de 72 países diferentes, o que é, para o sítio em referência, um excelente resultado.

No “Top 10” que instauramos, encontramos a França em primeiro lugar, com 43,08% de visitantes. Logo a seguir, encontramos Portugal com 17,61% seguido do Brasil com 12,90% de admiradores da Beata Alexandrina.

Que a França esteja em primeiro lugar, compreende-se, visto que uma grande parte do Sítio é composta por artigos e outros escritos em Francês. Este facto acentua-se ainda mais se dissermos que no 5º lugar encontramos o Canada (3,20%), logo seguido no 6º lugar pela Bélgica (2,67%), países onde se fala a língua de Molière. Encontramos, pela mesma razão, pensamos nós, mais adiante, no 8º lugar a Suíça (1,53%) e no 9º a Costa do Marfim (1,24%). Quanto à Inglaterra, não sabemos bem porque razão, ocupa o último lugar com apenas 0,65 % de visitantes.
Para que seja completa esta enumeração, devemos dizer que à Itália, com 2,07% de visitantes, ocupa o 7º lugar.

Uma vez mais agradecemos o vosso interesse, não pelos nossos esforços em vos oferecer o máximo de novos textos, mas pelo interesse que manifestais à Beata Alexandrina, à qual pedimos que vos ajuda a todos e que interceda por vós jun to do Senhor que ela tanto amou e ama.

O Webmaster.

7 de Maio de 2009

NOVO VIDEO

O nosso amigo Wendell, grande admirador da Beata Alexandrina, acaba de publicar um novo video
Tomando como base os escritos da Beata e numa canção que ele intitulou “Dai-me fogo, dai-me amor”, ela conta o sente por ela.
Não podemos silenciar esta bela iniciativa, nem podemos deixar tão pouco de o felicitar.
***

6 de Maio de 2009

LIVROS EM FRANCÊS

Caros amigos da Beata Alexandrina,

Eis uma boa notícia para os leitores de língua francesa:
A Associação Alex-Diffusion cujo fim é aquele de fazer conhecer “a vida e as obras da Beata Alexandrina”, recebeu da parte de um dos seus aderentes uma oferta suficiente para mandar imprimir duas biografias da Beata.
Diga-se a verdade: desde há muitos anos que já não se encontrava à venda um só livro em língua francesa falando da Alexandrina. Ficará assim essa falta remediada.
Os livros que vão ser impressos em Portugal, pela Gráfica de Amares, são os seguintes:

UNE VICTIME DE L’EUCHARISTIE (208 páginas)
(Uma vítima da Eucaristia)

Esta biografia, como é sabido, foi escrita pelo Padre Mariano Pinho, SJ, primeiro Director espiritual da Beata.
O segundo, menos volumoso, foi escrito por uma das colaboradoras dos Sítios Web ligados à Alex-Diffusion, a senhora Paulette Leblanc e tem por título:

ALEXANDRINA DE BALASAR (100 páginas)

Nós pensamos que estes livros estarão prontos para o próximo mês de setembro e serão propostos a preços interessantes que nós comunicaremos mais tarde, quando todos os orçamentos estivem feitos definitivamente.
Esperamos que os leitores franceses (ou de língua francesa) sejam numerosos a encomendá-los, porque não pudemos ir mais longe do que 1 000 exemplares de cada, atendendo ás finanças de que dispõe a Associação.
Aqueles que o desejarem, podem desde já reservar os exemplares que desejarem, tendo em conta estas duas informações:
a) Não será possível enviá-los antes do fim de setembro;
b) O preço do mais volumoso não ultrapassará 15€
Para reservar, bastará enviar um Mail ao endereço que segue:

Não esquecer de nos indicar o endereço.
Façamos tudo o que está ao nosso alcance para que a Beata Alexandrina seja cada vez mais conhecida no mundo inteiro.

2 de Maio de 2009

BOA NOTICIA

As relíquias de Santa Margarida Maria Alacoque

A notícia sobre o que se passou ontem em Balasar ocupa o espaço principal da primeira página do Diário do Minho de hoje, sob o título de “Número crescente de devotos exige novo templo em Balasar”.
Vejam-se algumas das informações que lá se contêm:
“Recentemente, foi inaugurada uma via-sacra no terreno contíguo ao centro pastoral com a particularidade de cada estação possuir uma cruz em que está incrustada uma pedra da calçada do palácio do sumo-sacerdote Anás, contemporâneo de Jesus”.
“Foi também criado um espaço de convívio para doentes e idosos de Balasar e que, diariamente, é frequentado por cerca de 30 pessoas. A animação do grupo é da responsabilidade de Rita Marins, uma técnica de animação social”.
“Entretanto, está em curso a constituição da Fundação Alexandrina de Balasar, uma entidade que vai gerir tudo o que esteja relacionado com a causa da devoção à beata”.
Muito merecedora de atenção foi ainda a notícia de que as relíquias de Santa Margarida Maria Alacoque, que vão estar em Braga a partir de Maio próximo, no Mosteiro da Visitação, e vão depois para a Basílica do Sagrado Coração de Jesus, da Póvoa de Varzim, passarão, no dia 14 de Junho, alguns momentos em Balasar.

17 de Abril de 2009

V ANIVERSARIO DA BEATIFICAÇÃO

PROGRAMA

Cinco anos já!...


No próximo dia 25 de Abril, será celebrado em Balasar, sua terra natal, o 5º aniversário de beatificação de Alexandrina Maria da Costa que ali nasceu a 30 de Março de 1904 et ali igualmente entregou a Deus a sua bela e pura alma, no dia 13 de Outubro de 1955, dia aniversário da última aparição da Virgem Maria em Fátima.
Será um dia não só consagrado a este feliz aniversário mas também dia consagrado à Eucaristia, a “folia” da Beata Alexandrina.
Balasar, por causa da Beata Alexandrina, tornou-se um centro eucarístico notável onde a adoração ao Santíssimo Sacramente é perpétua.
É bom lembrar igualmente que a Beata Alexandrina é considerada pela Congregação para o Clero, como uma “mãe espiritual”, mãe que deu origem a outras “mães espirituais” que em Balasar, tomam sobre elas o que é necessário para a santificação de certos sacerdotes, pelos quais elas oram e oferecem quotidianamente.
Balasar merece na verdade o título de “Terra Eucarística”.


Esperamos que sejais numerosos em Balasar, para celebrar mais um aniversário da beatificação da nossa querida Alexandrina.

30 de Março de 2009

ALEXANDRINA E A PAIXÃO II

A Paixão na Alexandrina

O fenómeno da Paixão de Jesus na Alexandrina verificou-se durante 17 anos: de 1938 a 1955, ano da sua morte.
Neste longo período de tempo é necessário distinguir duas fases, durante as quais o fenómeno se manifestou com características diferentes. Classificaremos respectivamente de “participação física” e “participação interior” estas duas formas ou maneiras de o fenómeno se manifestar, para facilidade de denominação; frisamos, no entanto, que a Paixão é substancialmente única, pois abrange ao mesmo tempo sofrimentos do corpo e da alma, físicos, morais e espirituais, inseparáveis.
1.ª Participação física
No primeiro período, desde 3 de Outubro de 1938 a 27 de Março de 1942, o fenómeno dava-se em dias e horas fixas: das 12 às 15 horas de cada sexta-feira. A Alexandrina revivia, umas atrás das outras, as várias fases da Paixão, desde a agonia no Horto até à morte, em estado de êxtase. Os seus sentimentos e as suas reacções às dores exteriorizavam-se através de atitudes, gestos, expressões do rosto e do corpo todo, facilmente interpretáveis por quem podia assistir ao fenómeno. [1]
O seu primeiro director espiritual, P.e Mariano Pinho, S. J., deixou escrito a esse respeito:
«Nós presenciámos ao vivo o desenrolar-se do drama da Paixão, embora não fossem visíveis os estigmas, porque a Alexandrina pedira ao Senhor que nada aparecesse exteriormente. A Paixão foi violentíssima e as pessoas presentes choravam e soluçavam perante aquele espectáculo visibilíssimo de sofrimento» (Cfr. Cristo Gesù in Alexandrina, pág. 730).
Mons. Mendes do Carmo, professor de mística no Seminário da Guarda, afirmou: «É um anjo crucificado!».
A professora primária de Balasar, D. Maria da Conceição (Sãozinha), e outros testemunharam: «Sentíamo-nos transportados em espírito aos vários sítios da Paixão de Jesus. Ninguém conseguia acompanhar aquelas cenas sem se comover».
A irmã da Alexandrina, Deolinda, numa carta dirigida ao P. Pinho, refere-se assim ao fenómeno da Paixão de 7-4-1939:
“Ai, meu Padre, o que foi o dia de Sexta-feira Santa! É bem sexta-feira de Paixão! Antes de princi­piar, oh, como se via nela cara de aflição! Ela temia passar este dia! E dizia-me: Ai, se eu vejo este dia passado!...
“Eu confortava-a quanto podia e acariciava-a, apesar de estar eu também cheia de medo e muito aflita.
“Durante a Paixão, eu não podia passar sem chorar e vi correr lágrimas pelas faces de quase todos os assistentes. Que espectáculo tão comovedor!
“A agonia do Horto foi muito demorada e aflitiva... Ouviam-se gemidos muito profundos e por vezes via-se soluçar.
“Mas a flagelação e coroação de espinhos, isso é que foi! Os açoites foram tomados de joelhos, com as mãos (como que) atadas. Eu cheguei-lhe uma almofada para debaixo dos joelhos, e ela retirou-se dela, não quis. Tem os joelhos em mísero estado. Os açoites não tinham conta! Levaram tanto tempo! Ela desfalecia tanto! Os golpes na cabeça (com a cana na coroa de espinhos) foram também inumeráveis.
“Vomitou por duas vezes durante a Paixão: era água, porque mais nada tinha que vomitar.
“O suor era tanto, que os cabelos estavam empastados e, ao passar-lhe a mão por cima de toda a roupa, ficava molhada.
“Quando acabou a coroação de espinhos, ela parecia um perfeito cadáver.
“O Sr. Cónego Borlido veio assistir com mais duas pessoas. Também veio o Dr. Almiro de Vasconcelos (de Penafiel) com a esposa e a irmã, D. Judite».
A propósito do peso da cruz que oprimia os ombros da Alexandrina durante a fase da subida ao Calvário, referimos o seguinte episódio. No decorrer da Paixão do dia 29-8-1941, o médico assistente da Alexandrina, Dr. Manuel Dias de Azevedo, convidou um dos sacerdotes presentes a levantar do chão a vidente que jazia prostrada sob o peso da cruz (mística). Prontificou-se o mais robusto; pegou-lhe sob os braços, mas os seus esforços foram baldados. E confessou: «Apesar de toda a minha força, não consigo!».
Nessa altura, a Alexandrina pesava cerca de 40 quilos!
Na fase a seguir, quando o Cireneu carregou com a cruz, o Dr. Azevedo convidou o mesmo sacerdote a erguer a Alexandrina, o que ele fez sem o menor esforço. A explicação é evidente: antes, os pesos eram dois; da segunda vez, tratava-se apenas do peso da vidente.
Noutra ocasião, durante o fenómeno em estado de êxtase, o P. Pinho impusera-lhe que dissesse quanto pesava a cruz. A Alexandrina respondeu, em atitude muito grave: «A minha cruz tem um peso mundial».

[1] Só eram admitidas poucas pessoas, devidamente autorizadas: médicos, sacerdotes, além dos familiares mais íntimos.

29 de Março de 2009

ÁS GENTES DE LINGUA PORTUGUESA

SUPLANTAR OS FRANCESES



Caros amigos,
As estatísticas deste começo de ano indicam, no Site Alexandrina de Balasar (o mais antigo e de maior afluência), os números seguintes (até ao fim do mês de Fevereiro 2009):
--------------------
França: 43, 59%
Portugal: 14,88%
Brasil: 10, 24%
--------------------
É normal (falando em absoluto) que o Site estando situado em França e sendo maioritariamente em língua francesa, sejam estes os mais numerosos a visitá-lo. Todavia, o Webmaster do Site desejaria que esta situação se invertesse e que fossem os portugueses, brasileiros, angolanos, moçambicanos et outros mais de língua portuguesa os primeiros a figurar nesta lista.
Para isso, vai incluir um maior número de páginas na língua de Camões e de Vieira, de maneira a suscitar o interesse de todos aqueles que falam e lêem português exclusivamente.
Precisamos de si, da sua ajuda e da sua colaboração.
Numerosos são os sites brasileiros, que falam já da Beata Alexandrina, tais como a Toca de Assis, a Comunidade Servir... Mas seria necessário que muitas outras comunidades e sites o fizessem igualmente e, nós pensamos aqui nos sites brasileiros da Revista Catolicismo, com a qual entretemos excelentes relações, os sites Pai de Amor, Edicões Paulinas, Recados do Aarão, Cade meu Santo, Universo católico, Canção nova e muitos mais.
Somos apenas dois a ocuparmo-nos do nosso Site, por isso, nem sempre está em dia como o deveria, sobretudo depois da popularidade — Deus seja louvado – que adquiriu junto dos milhares de pessoas que quotidianamente o visitam.
Como ajudar-nos?
Nós não pedimos dinheiro, porque damos gratuitamente aquilo que gratuitamente recebemos, mas pedimos que nos deixem publicar certos textos dos vossos sites ou blogues; que nos enviem textos para serem publicados; notícias sobre a Igreja local, onde quer que estejais e, nós pensamos aqui particularmente à Igreja Católica na Índia, da qual temos poucas notícias, infelizmente.
Uma coisa é certa, o Webmaster do site só se sentirá feliz quando os primeiros lugares da “classificação” forem ocupados por países de língua portuguesa.
Abril vai chegar e com ele o começo deste desafio que é simples:
De Abril a Junho deste ano, a classificação terá que modificar-se.
O Webmaster vai a Balasar em Julho e conta convosco para depositar sobre a campa da Beata Alexandrina a lista dos Sites que aderirem de alma e coração a este simpático desafio.
Em Agosto, tereis a resposta.
Portanto, não esperai por amanhã, começai já hoje, enviem os documentos para:
Um grande abraço a todos.
Beata Alexandrina, rogai por nós.

Afonso Rocha, Webmaster.

ANIVERSÁIRIO

FELIZ ANIVERSÁRIO ALEXANDRINA

A Beata Alexandrina Maria da Costa nasceu a 30 de Março de 1904 em Gresufes, paróquia de Balasar.
Claro que não podemos esquecer esta data e desejamos à “Flor Eucarística” um feliz 105º aniversário no Céu, junto do Esposo que ela tanto amou e da Mãezinha que ela amava ternamente.

Na composição fotográfica podem-se ver, sua mãe, Ana da Costa e o crucifixo que ainda hoje se encontra ao lado do seu leito. Foi este crucifixo que lhe foi roubado pelo “manquinho” e que só bem mais tarde foi encontrado enterrado no quintal.

24 de Março de 2009

ALEXANDRINA E A PAIXÃO - 1

A vocação do cristão é participar na Paixão de Cristo.

Neste período de Quaresma, pareceu-me judicioso falar da "Paixão de Jesus em Alexandrina". Para falar desse facto, ou melhor desse carisma, ninguém mais indicado e mais perito do que o seu segundo Director espiritual, o sacerdote salesiano Padre Humberto Pasquale.
O texto que a seguir se pode ler é da sua autoria, assim como os próximos que irei publicar sobre este tema.
***
O convite que Jesus dirige ao homem para que se torne Seu discípulo implica a participação e a conformação com a Sua Paixão (Mt. 10, 16), a fim de estabelecer uma relação de semelhança entre Mestre e discípulo (Mt. 10, 24).
A inserção n’Ele como sarmentos na videira (Jo.15,4), bem como a necessidade de permanecer no Seu amor, significam que se deve observar a Sua palavra, tal como para Ele permanecer na palavra do Pai quer dizer realizar essa mesma palavra, isto e, a vontade divina que Lhe impõe oferecer a Sua própria vida pelo rebanho (Jo. 10, 17).
Segundo o ensinamento de Cristo, portanto, verdadeiro discípulo é aquele que revive em si o mistério da morte de Jesus, ou antes aquele que recebe Cristo em si mesmo para reviver a Sua Paixão.
Foi assim que o apóstolo Paulo compreendeu e viveu o mistério de Cristo. O Evangelho está todo aqui. «Nós pregamos a Cristo crucificado». (1 Cor. 1, 23).
A vida de S. Paulo é toda ela uma reprodução viva da existência terrena de Cristo.
«Deus me livre de me gloriar a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo» (Gal. 6, 14). «Trazemos sempre no nosso corpo os traços da morte de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste no nosso corpo» (2 Cor. 4, 10).
E o mesmo apóstolo sente-se cravado na cruz: «Estou crucificado com Cristo! Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou e Se entregou a Si mesmo por mim» (Gal. 2, 19).
Na sua ânsia de perfeição, S. Paulo só deseja conhecer a força da Paixão do Senhor, como também da Sua Ressurreição, e permanecer configurado com a Sua Morte (Fil. 3, 8-11).
«Pelo Baptismo sepultámo-nos juntamente com Ele, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, mediante a glória do Pai, assim caminhe­mos nós também numa vida nova» (Rom. 6, 4), isto : «Tornamo-nos com Ele num mesmo ser por uma morte semelhante à Sua» (Rom. 6, 5).
Na vida cristã, portanto, quando ela atingir todo o vigor da sua floração, haverá forçosamente que se manifestar também esta assimilação com a Paixão de Cristo, com a mesma evidência com que se manifesta a vida da graça, ou seja a presença de Cristo na alma.
Por isso, se essa plenitude é portadora de experiência em razão de uma certa conaturalidade também Cristo crucificado será a grande realidade da experiência cristã.
O próprio Jesus falou da presença do Seu Espírito, quando os discípulos forem chamados a dar-Lhe testemunho pela paixão e pela morte (Mt. 10, 20).
A palavra de Jesus é confirmada por toda tradição cristã.
S. Inácio de Antioquia escreve: «Pela cruz, na Sua Paixão, Cristo vos convida a todos vós, Seus membros. A cabeça não pode viver separada dos membros» (Trall. 11, 2).
A hagiografia cristã é rica de testemunhas da presença de Cristo na vida dos fiéis, sobretudo como triunfador do sofrimento e da morte.
Na longa lista dos místicos cristãos não são poucos os que reviveram de forma eminentemente realística o drama da Paixão de Cristo no seu espírito. E é graças à sua experiência da presença de Deus e da Sua acção nas almas místicas, que a teologia conhece as relações íntimas entre as Pessoas Divinas da Trindade e a Sua acção nas almas. [1]

[1] Adalbert Hamann
La Trinità nella vita Cristiana, Queriniana, Brescia (Itália), pág. 183.