15 de novembro de 2008

SENTIMENTOS DA ALMA - 1952

2 de Fevereiro de 1952

Depois duma noite angustiosa, tormentosa, ou melhor, pavorosa, sem poder separar-me de tanto sofrer e suavizar a dor daqueles a quem tanto ano, fiz com isto a preparação para a vinda de Jesus ao meu coração, que ainda ardia com o fogo que ontem recebera. Comunguei, o fogo incendiou-se, a nova vida de Jesus fez-me reviver, e logo ouvi a Sua voz divina, que dizia :
― “É tão lindo, tão lindo o Céu ! Só à custa de dor, só à custa de sofrimento é que pode ser essa beleza celestial dada às almas. Minha filha, minha filha, tem coragem, coragem heróica, aquela coragem própria só dos santos. Minha filha, minha filha, o Céu é belo, o Céu é belo. Minha filha, minha filha, as almas fogem. O mundo está em perigo. É necessária, é urgente a imolação. É necessário, é urgente que haja dor, dor profunda, dor que faça sangrar o teu coração e o de todos os que te rodeiam e mais de perto cuidam de ti.
Diz, minha filha, ao teu Paizinho que só no Céu pode ser compreendido o porquê de tantos sofrimentos, de tantos espinhos. Pena tenho, pena tenho, filha querida, que tão poucos dos Meus sacerdotes compreendam a fundo a vida divina, a verdadeira vida de Jesus nas almas. Não a vivem e por isso não a sabem compreender.
E, depois, Jesus sofre e sofre porque não tem almas de eleição, almas vítimas que cheguem a reparar por tantos crimes. Dá ao teu Paizinho todo o meu amor e a certeza de que a luz brilha, as palavras de Jesus se cumprem, as Suas promessas se realizam.
Diz ao teu médico que se abrace à cruz, que se curve reverente, com alegria, à passagem da mão benfazeja do Senhor. Jesus passa e fere, porque muito o ama e muito se delicia no seu jardim florido. Ele tem que compartilhar da imolação e missão da minha vítima. Dá-lhe amor, amor, sempre amor”.
― Ó meu Jesus, ó meu Jesus, perco a coragem para tudo. Lembro-me que sou eu a causa de tantos males, de tantos sofrimentos.
― “És, és, minha filha, a causa de grandes bens, dos maiores bens, dos maiores bens. Pede-me, pede-me, porque tudo o que Eu faço é só por amor e para evitar grandes males. Vem, minha bendita Mãe. Conforta a nossa filhinha. Purifica-a com a tua pureza, limpa-lhe com ela toda a poeira, deixa-a alva, mais alva do que a neve”.
― Ó Mãezinha, ó Mãezinha, Vós sois toda luz, Vós sois toda amor. Só em teus braços e nos de Jesus estou bem.
― “Minha filhinha, minha filhinha, querida esposa do meu Jesus, avivo no teu coração, avivo de novo as feridas que há um mês te produziram os instrumentos que feriram o meu Coração. Tiro um instrumento do teu coração, para vir ao meu buscar mais sangue, para fortalecer mais a enxertia que foi feita em teu coração. É a enxertia das almas. Repara o meu Coração e o Coração Divino de Jesus. Repara-nos continuamente pelos crimes do mundo e pelos sacerdotes desvairados, que estão prestes a cair no inferno. Ai deles sem a tua reparação, ai do mundo, ai de Portugal ! Leva o amor de Jesus e de Maria, leva-o e dá-o ao teu Paizinho, ao teu médico, dá-o a todos os que te são queridos. É amor que dá tudo, é amor que dá coragem, toda a coragem, que vence toda a dor. Coragem, coragem”.
― Obrigada, Jesus, obrigada, Mãezinha. Depois das Vossas carícias, ó Jesus, ó Mãezinha, mais uma vez Vos peço: atendei, atendei aos meus pedidos, ás minhas preces. Obrigada, Jesus, obrigada, Mãezinha.
Alexandrina