sábado, junho 28, 2008

ESTATISTICAS

Estatísticas parciais

A afluência de visitantes no “velho” Site consagrado à Beata Alexandrina de Balasar é verdadeiramente animadora. Efectivamente, até ao dia 23 do corrente mês de Junho o Site recebeu 4 400 visitantes e 9 000 páginas foram consultadas.
Os quatro primeiros lugares na classificação por países, é também surpreendente, como podem ver a seguir:

França :.................24%
Brasil :...................21%
Portugal :...............21%
Estados Unidos :....18%

Pensamos que daqui até ao fim do corrente mês estes números vão evoluir, mas pareceu-nos bem indicá-los desde já, que mais não seja, para agradecer a vossa fidelidade.
A igualdade entre portugueses e brasileiros é muito engraçada, quando se sabe que no Site Oficial o Brasil ultrapassa de longe Portugal.
Os 18% dos Estados Unidos provam que os emigrantes portugueses e brasileiros que por lá vivem, precisam de fontes de espiritualidade, e demonstram uma grande devoção à “Santinha de Balasar”.
Tudo isto é motivo para nós não só de grande satisfação, mas também de maiores esforços para vos oferecer assuntos que despertem sempre e cada vez mais o vosso interesse, mas sobretudo o vosso amor para com a Beata Alexandrina.
Que o Senhor vos recompense e permita à Beata Alexandrina de estar sempre atenta aos vossos pedidos.
O Webmaster.

sexta-feira, junho 27, 2008

CARTAS A UM AMIGO – 02



França, 2 de Fevereiro de 2005


Meu caro José,


Fiquei surpreendido de me dizeres que tinhas lido a minha última carta aos teus amigos, a quando de uma reunião da tua Associação e que eles estão entusiasmados e desejosos de conhecer algo mais sobre a “Santinha de Balasar”.
Tu sabes bem que eu não sou escritor e que as minhas cartas nada mais têm que o desejo de informar e de mostrar que a santidade é para todos e não para alguns “privilegiados”: todos nós podemos ser santos se cumprirmos os mandamentos de Deus e mais particularmente os dois primeiros, visto que todos os outros dependem destes.
Continuando a falar do que me pediste, vou então contar-te algumas coisas da vida da Beata Alexandrina de Balasar.
Antes, todavia, como ela mesmo o fez, imploro a ajuda do divino Espírito Santo de maneira que tudo quanto terei a escrever, seja para a maior glória de Deus e o bem das almas que estas linhas irão ler. Como nada sou, nada pretendo para mim, senão para o bem da minha alma que humildemente coloco entre as Mãos de Deus, a quem toda a glória e toda a honra seja prestada por todos os séculos. Amem.
Na sua Autobiografia ― datada de 20 de Outubro de 1940 ― a Beata Alexandrina escreve:
« Nasci na freguesia de Balasar, concelho da Póvoa de Varzim, distrito do Porto, a 30 de Março de 1904, numa quarta-feira de trevas, e fui baptizada a 2 de Abril do mesmo ano, era então Sábado de Aleluia ».
A Alexandrina nasceu durante a Semana Santa, como aqui se pode ler. Um certo número de factos notáveis da sua vida ocorrerão também durante a Semana Santa, como veremos mais tarde.
« Serviram de padrinhos ― continua ela a explicar ― um tio de nome Joaquim da Costa e uma senhora de Gondifelos, Famalicão, de nome Alexandrina », razão pela qual ela mesma foi chamada Alexandrina, como era então a tradição: era a madrinha que escolhia o nome da afilhada.
Este tio de quem ela fala e que foi seu padrinho de baptismo e protector da família nos momentos difíceis que esta atravessou, foi sepultado na campa familiar, no cemitério de Balasar, onde mais tarde foram igualmente sepultadas Maria Ana, à mãe da Alexandrina e Deolinda, a irmão mais velha.
Uma das grandes virtudes da Beata foi a humildade. Aqui tens, meu amigo, um exemplo dessa virtude que ela “cultivou” no jardim da sua bela alma:
« Encontro em mim, desde a mais tenra idade, tantos, tantos defeitos, tantas, tantas maldades que, como as de hoje, me fazem tremer. Era meu desejo ver a minha vida, logo desde o princípio, cheia de encantos e de amor para com Nosso Senhor. »
Preparando-se ― depois de ter identificado ― para nos contar a sua vida, ela afirma:
« Até aos três anos de idade não me recordo de nada, a não ser de algum carinho que dos meus recebia. Com os meus três anos recebi o primeiro mimo de Nosso Senhor. »
Para que saibas, caro José, que são estes “mimos” do Senhor, dir-te-ei que esta palavra tem aqui o sentido oposto ao que ela quer na verdade dizer. Quando ela fala de “mimos” do Senhor, fala-nos de sofrimentos livremente aceites que Jesus permitia para o bem das almas.
Este primeiro “mimo” de que aqui fala refere-se a um incidente causado pela sua teimosia e desobediência ao que lhe dissera a mãe. Serviu-lhe de exemple e, daí em diante, foi mais obediente, mas mesmo assim sempre traquina. É que os santos são como toda a gente, também têm os seus defeitos, mas a vantagem deles é que sabem corrigi-los e arrepender-se... o que nem sempre é o nosso caso, amigo José.
Desde muito pequena, Alexandrina sentiu-se atraída pelo Céu. Ouçamos o que ela escrever na sua Autobiografia:
« Pelos quatro anos e meio de idade, punha-me a contemplar o céu (abóbada celeste) e perguntava aos meus se poderia chegar-lhe se pudesse colocar umas sobre as outras todas as árvores, casas, linhas dos carrinhos, cordas, etc., etc. Como me dissessem que nem assim chegaria, ficava descontente e saudosa, porque não sei o que me atraía para lá. »
Santa inocência!...
Mas não era só o Céu que a atraía: a oração também, como ela no-lo conta:
« Já nesta idade amava muito a oração, pois lembra-me que minha tia pedia-me para rezar com ela a fim de obter a sua cura. »
Lembra-te, meu amigo, que ela apenas tem quatro ou cinco anos...
Depois, como ela conta, começou a frequentar a catequese, onde depressa vai aprender o que lhe será necessário para ser mais tarde catequista.
Estas frequentes visitas à igreja paroquial, proporcionavam-lhe ocasião de vislumbre, de meditação:
« Quando me encontrava na igreja, punha-me a contemplar os santos, e os que mais encantavam eram as imagens de Nossa Senhora do Rosário e S. José, porque tinham uns vestidos muito bonitos e eu desejava ter uns iguais aos deles. Não sei se seria já princípio da manifestação da minha vaidade. Queria ter uns vestidos assim, porque perecia-me que ficava mais bonita com eles. »
Seria mesmo vaidade?
Penso que não e, note-se que ela mesmo o não afirmar, nada mais faz do que fazer uma pergunta. E na verdade, a Alexandrina que gostava de andar “asseadinha”, nunca foi pessoa vaidosa.
Depois de apontar os seus “defeitos” ela aponta também algumas das suas virtudes, entre as quais o seu amor a Nossa Senhora:
« E, se nesta idade manifestava os meus defeitos, também mostrava o meu amor para com a Mãe do Céu, e lembra-me com que entusiasmo cantava os versinhos a Nossa Senhora e até me recordo do primeiro cântico que entoei na igreja, que foi “Virgem pura, tua ternura, etc.” »
Começava já a despontar nela aquele amor indizível que crescerá mais ainda no que toca à nossa Mãe do Céu, que muito em breve ela começará a chamar “Mãezinha”.
Como vês, meu amigo, a vida da Alexandrina tem muito que contar e não serão apenas algumas páginas o suficiente para a descrever. Resumir uma vida tão cheia de Deus e das coisas de Deus, seria, a meu ver, traí-la. E eu não posso trair a querida Alexandrina...
Ficamos hoje por aqui, caro José. Na próxima carta te contarei mais algumas “aventuras” desta jovem extraordinária que a Igreja considerou digna das honras dos altares.
O teu amigo dedicado.


quinta-feira, junho 26, 2008

CARTAS A UM AMIGO – 01


França, 2 de Janeiro de 2005

Caro amigo José,

Na tua última carta, motivado pelo que por aí na Califórnia tens ouvido, pedes-me que te fale da Alexandrina de Balasar, ou mais exactamente Beata Alexandrina Maria da Costa, visto que o Santo Padre João Paulo II a beatificou em Roma no dia 25 de abril de 2004.
Falar daqueles que se ama, é sempre um grande e indiscritível prazer, mas no casa da Beata Alexandrina esse prazer é ainda maior, visto ter por ela uma grande admiração, uma devoção verdadeira e um amor que só Deus e ela podem conhecer.
Um dia te direi como a conheci, visto que essa graça merece ser publicada, não só para a maior glória de Deus e honra dela, mas também para lhe agradecer tudo quanto por mim fez e fará ainda, estou disso certo.
Devo dizer-te, meu bom amigo, que para te contar, ainda que sucintamente a vida de tão extraordinária personalidade, uma só carta não chegará, nem mesmo três ou quatro, visto que uma vida tão repleta como a da Bem-aventurada, necessita muito mais.
Dizes-me que ouviste falar dela aí na Califórnia, no meio de algumas associações de portugueses que por aí vivem e que alguns dos teus amigos são nativos do Porto, Braga, Famalicão, Barcelos, Vila do Conde e Póvoa de Varzim, vilas e cidades pouco distantes de Balasar. Dizes-me ainda que alguns dos mais idosos afirmam tê-la conhecido pessoalmente e tê-la visitado, o que nada tem de impossível, visto que ela voou para o Céu na quinta-feira 13 de Outubro de 1955, aniversário da última aparição de Nossa Senhora em Fátima.
Essas pessoas que tu conheces e que conheceram a Alexandrina poderiam informar-te, contar-te a vida dela, uma vida toda cheia de Deus e do amor do próximo. Tendo-a conhecido, eles devem conhecer igualmente numerosos factos ocorridos na casa dela, casos talvez ignorados pelos biógrafos e que seria bom conhecer... sendo estes verdadeiramente autênticos, como é óbvio.
Devo informar-te igualmente que por intermédio da Internet, podes ter acesso ao “Site” que consagrei à Beata Alexandrina, onde podes ler, mais rapidamente, não só a Autobiografia, mas igualmente diversos artigos. Mesmo se a maior parte deles estão escritos em francês, existem também numerosas páginas em Português.
http://alexandrina.balasar.free.fr/
Ainda não existe “Site oficial” da Beata Alexandrina, mas eu penso que isso acontecerá muito em breve, visto que é absolutamente necessário que ela seja conhecida e amada por um maior número de católicos; que ela venha a ter um maior número de devotos e sejamos numerosos a pedir ao Senhor a sua canonização.
Como vês, nesta primeira carta pouco te direi sobre ela, visto que era necessário, como deves compreender, assentar as bases de quanto terei para te escrever, porque a vida da Beata Alexandrina, para ser bem conhecida, necessita de um mínimo de informações, informações essas que não devem ser encurtadas por motivos de espaço ou de tempo.
Dir-te-ei desde já que vou utilizar regularmente a Autobiografia e depois, quando isso for necessário extractos das cartas que escreveu ao seu primeiro Director espiritual, o Padre jesuíta Mariano Pinho.
Um outro documento que utilizarei no momento oportuno será o seu Diário ― intitulado “Sentimentos da alma” ― cuja densidade mística é admirável et a coloca no cimo da lista dos grandes místicos da Igreja Católica, ao mesmo nível que Santa Teresa de Ávila, S. João da Cruz, Beata Ângela de Foligno e de alguns mais, sem esquecer a grande Doutora da Igreja por quem Alexandrina tinha uma grande devoção: Santa Teresinha do Menino Jesus.
Para tua informação, posso dizer-te que Balasar é uma aldeia situada no norte de Portugal, entre Braga e o Porto. Pertence à diocese de Braga.
Balasar tem uma particularidade: a aldeia é formada por um conjunto de lugares, separados uns dos outros por campos, pinhais e ramadas de vinha, tendo como ponto central a Igreja paroquial que se situa sobre uma pequena elevação e pode ser vista de todos esses lugares que constituem a paróquia.
Foi junto à igreja paroquial que em 1832, em manhã de domingo, quando os paroquianos vinha assistir à missa, apareceu uma cruz de terra negra que ninguém mais conseguiu apagar e que ainda hoje existe, protegida por uma simples capela, chamada a Capela da Santa Cruz.
Mais tarde, Jesus falará à Beata Alexandrina dessa cruz misteriosa: era o “presságio” anunciando a vítima futura. Mas, não quero antecipar...
De maneira que na próxima carta possa começar a falar-te de Alexandrina, devo dizer-te, desde já, que ela era filha de Maria Ana da Costa.
Alexandrina tinha uma irmã mais velha: a Deolinda, que virá a ser mais tarde a “secretária” paciente e bondosa a quem a Beata ditará o seu Diário.
E o pai? Poderás tu perguntar.
O pai da Alexandrina não chegou a casar com a Maria Ana. De facto, prometendo-lhe casamento, fez-lhe duas filhas mas decidiu depois casar com outra mulher, abandonando a mãe e as filhas.
Maria Ana desde então mudou de vida e educou cristãmente as duas filhas e veio mesmo a ser um bom exemplo de conversão e de amor de Deus, perante os seus conterrâneos.

O teu amigo fiel e dedicado.

segunda-feira, junho 23, 2008

JUNTO DO ALTAR



A primeira referência ao Sagrado Coração de Jesus que encontramos nos escritos da Alexandrina, encontramo-la na sua Autobiografia, quando ela nos conta como aconteceu a sua primeira confissão geral, em Gondifelos a Frei Manuel das Chagas. Ela no-la descreve com a sua simplicidade habitual:

«Foi aos nove anos que fiz pela primeira vez a minha confissão geral e foi com o Sr. Padre Manuel das Chagas. Fomos, a Deolinda, eu e a minha prima Olívia, a Gondifelos, onde Sua Reverência se encontrava, e lá nos confessámos todas três. Levámos merenda e ficámos para arde, à espera do sermão. Esperámos algumas horas e recorda-me que não saímos da igreja para brincar. Tomámos nosso lugar junto do altar do Sagrado Coração de Jesus e eu pus os meus soquinhos dentro das grades do altar. A pregação dessa tarde foi sobre o inferno. Escutei com muita atenção todas as palavras de Sua Reverência, mas, a certa altura, ele convidou-nos a ir ao inferno em espírito. Para mim mesma disse: “Ao inferno é que eu não vou! Quando todos se dirigirem para lá, eu vou-me embora”, e tratei de pegar nos soquinhos. Como não vi ninguém sair, fiquei também, não largando mais os soquinhos».

A escolha do confessor não deve ter sido um acaso, mas uma escolha divina, visto que Frei Manuel das Chagas era naquele tempo muito conhecido, não só como um confessor atento e experimentado, mas ainda como um pregador de grande renome.
Nascido a 17 de Novembro de 1850, no lugar da Borralha, perto de Águeda, entrou na Ordem Franciscana a 22 de Maio de 1868, professou no ano seguinte, a 22 de Maio de 1869 e foi ordenado presbítero a 27 de Agosto de 1873.
Como dizíamos acima, Frei Manuel das Chagas foi um pregador de grande valor, muito prolífero. Vejamos:
Pregou o seu primeiro sermão durante a Quaresma de 1875, e o seu último a 15 de Abril de 1923, antes de falecer em Tuy, na Espanha, a 17 de Maio de 1923. Durante estes quarenta e oito anos de apostolado intenso, pregou 8.140 sermos. Sim, leram bem e, para que não hajam dúvidas, repetimos: 8.140 sermões.
Para ouvi-lo, a Alexandrina e as suas companheiras não hesitaram em ir a Gondifelos, paróquia vizinha de Balasar, onde se confessaram e depois esperaram “algumas horas” e, recorda-se ela anos mais tarde, que nem saíram “da igreja para brincar”.
Para não perder a mínima migalha do sermão do bom frade, Alexandrina foi postar-se, com a irmã e a prima “junto do altar do Sagrado Coração de Jesus”.
Esta é, como já dito, a primeira referência ao Sagrado Coração de Jesus. Depois desta, muitas outras virão e, será dessas referências ou alusões ao Coração divino do Senhor que iremos dissertar um pouco mais adiante.
Para já, e mesmo antes de qualquer outra afirmação ou comentário, como o Padre Mariano Pinho, podemos dizer que «da abundância do coração falam os lábios. Foi da abundância do coração, do seu intenso viver íntimo que brotaram todas essas páginas da Alexandrina e elas revelam-nos tantas coisas extraordinárias. Apesar da sua feição tão angelical, tão simples, tão verdadeira, tão serena, tão sem complicações: aprouve à divina Providência levá-la por vias nada vulgares e de autênticas maravilhas»[1].
O nosso intento é de mostrar, tanto quanto nos for possível, o lugar ocupado pelo Coração de Jesus na vida interior da Alexandrina.
Jesus falou-lhe muitas vezes, e muitas vezes lhe mostrou e explicou as características do seu divino Coração, como veremos. São estas características que nós iremos procurar e desenvolver, uma a uma, na sua ordem cronológica.
Todavia, antes de começarmos esse estudo, teremos de sobrevoar a história da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, o que nos ajudará a melhor compreender o percurso extraordinário da “Doentinha de Balasar” nos caminhos espinhosos da vida íntima com o Senhor.


[1] P. Mariano Pinho, SJ: No Calvário de Balasar, Introdução.

sábado, junho 07, 2008

CARTA A BEATA ALEXANDRINA

Algures, 3 de março de 2008


Cara Alexandrina,


Quando eu leio os teus escritos, os teus “Sentimentos da Alma”, sinto uma grande vontade, um grande desejo de te imitar, mas depressa me dou conta que estou longe, muito longe de ti, para verdadeiramente poder procurar imitar-te.
O meu quotidiano nada mais é do que um rio cheio de detritos, de imundices, de pecado: a minha miséria é maior do que eu e submerge-me.
Que podes tu fazer por mim? Como podes tu ajudar-me? Não tens dó de mim, eu que sou o teu irmãozinho?
Ó irmãzinha querida, ajuda-me! Ajuda-me a fugir ao pecado e à ocasião de pecar, para que eu possa marchar na direcção do Senhor como tu o fizeste, tu que, apesar dos grandes sofrimentos, tão maravilhosamente o conseguiste fazer.
Irmãzinha querida, vê como sou miserável et tem piedade!
Tu sofreste pelos maiores pecadores: fazia eu já parte do número desses?
Sofreste tu por mim quando ainda te não conhecia?
Penso que sim e, quero agradecer-te e a minha maneira de te agradecer será de procurar imitar as tuas virtudes. Mas, mesmo para fazer isso, preciso da tua ajuda, porque sou verdadeiramente miserável e frágil... A minha vontade é como uma esponja: quando está cheia de água, encontra-se confortada, mas quando a água se esvai, logo seca, torna-se rígida, incapaz do mínimo esforço, do mínimo movimento...
Minha irmãzinha, estou agora a escrever-te, agora neste momento... e nem sei porque razão o faço... mas faço-o como se obedecesse a uma impulsão... Se és tu que me inspiras, recebe os meus agradecimentos sinceros e agradece por mim ao Senhor que de ti se serve uma vez mais para me prevenir que devo arrepiar caminho...
Estas palavras “arrepiar caminho”, tu as conheces bem: muitas vezes as ouviste da boca de Jesus e, tu mesma muitas vezes as disseste àqueles irmãos que te vinham visitar...
Tu sabes que eu te amo dum amor particular, porque eu só me sinto bem ― pondo de parte os mementos em que o “outro” me puxa pelos pés! ― que eu só me sinto bem, dizia, quando leio os teus escritos e quando falo de ti e de tudo o que foste e fizeste...
Mas, não será isso também uma “fachada”, uma árvore que esconde a imensa floresta da minha alma, esta alma que se sente triste a morrer, que não sabe o que fazer, que já não sabe para que santo se voltar?
Irmãzinha querida, ajuda-me a viver em Jesus, de Jesus e para Jesus, como tu mesma tão bem o fizeste. Ajuda-me a lavar toda esta sujidade que cobre a minha pobre alma, para que, ficando “limpo”, eu possa apresentar-me diante do Senhor, cheio de alegria e o coração repleto de amor...
Como tu, também eu possa dizer: “Jesus, eu não sei quanto te amo, não sei como te amo, mas sei que quero amar-te!”
Alexandrina Maria, minha irmãzinha do Céu, roga por mim a Jesus!
Eu não assino, mas tu sabes quem eu sou...

domingo, janeiro 13, 2008

MOVIMENTO MUNDIAL

Para a santificação do Clero

O Cardeal brasileiro, Dom Cláudio Hummes, antigo arcebispo de São Paulo – apresentado pela imprensa, a quando do último conclave, como um “papabile” progressista — acaba de lançar um “movimento mundial” que nada tem de progressista, mais que integra a mais pura tradição da Igreja universal: a adoração eucarística permanente e a “maternidade espiritual” para a santificação do clero.
Se é isso ser “progressista”, também eu o quero ser!...
O documento enviado a todas as dioceses do mundo comporta 5 textos importantes, como o podereis verificar, consultando-os aqui neste Sítio.
Vamos empenhar-nos, tanto quanto nos for possível, a dar a este movimento toda a publicidade que estiver ao nosso alcance e segundo os nossos meios de acção evangélica.
Convidamos todos os nossos amados visitantes a fazer o mesmo, visto que se trata dum movimento para o bem do clero, para o aumento das vocações sacerdotais e religiosas de que o mundo actual tanto carece e, por isso mesmo para o bem das almas.
Mas deixemos que o Prefeito da Congregação para o Clero explique ele mesmo o porquê desta sua iniciativa.
Reproduzimos a seguir o texto da Agência romana Zénit:
*** *** ***
« CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 7 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- O cardeal Cláudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero, comentou ao jornal vaticano “L’Osservatore Romano” a iniciativa, lançada pelo dicastério que ele preside, de celebrar uma adoração eucarística perpétua no âmbito mundial para orar pela santidade dos sacerdotes.
O purpurado brasileiro indica que os sacerdotes infiéis a seu compromisso de celibato são menos de 1%.
O cardeal Hummes reconhece, na entrevista publicada pelo jornal vaticano em 5 de janeiro passado, que “sempre houve problemas porque todos somos pecadores”, mas “na actualidade, factos verdadeiramente muito graves foram denunciados”.
A iniciativa foi convocada pela Congregação vaticana para o Clero com uma carta datada de 8 de dezembro de 2007 (Carta pela santificação dos sacerdotes).
Obviamente, sublinha o cardeal Hummes, deve-se recordar que estes factos afectam só a uma mínima parte do clero: “Nem sequer 1% tem a ver com problemas de conduta moral e sexual. A grande maioria não tem nada a ver com factos desse tipo”.
Apesar disso, acrescenta, todos os sacerdotes precisam “de ajuda espiritual para viver a própria vocação e a própria missão no mundo de hoje” e daí a proposta de uma iniciativa que tem dois aspectos: “a adoração eucarística, perpétua se for possível, e a maternidade espiritual em favor dos sacerdotes”.
“Propusemos aos bispos que promovam nas dioceses autênticos ‘cenáculos’ nos quais consagrados e leigos se dediquem, unidos e em espírito de verdadeira comunhão, à oração sob forma de adoração eucarística continuada”, assinala o purpurado.
O objectivo é que “de cada ângulo da terra se eleve sempre a Deus uma oração de adoração, acção de graças, louvor, súplica e reparação. Uma oração incessante para suscitar um número suficiente de vocações ao sacerdócio santas e, juntos, acompanhar espiritualmente, com uma espécie de maternidade espiritual, todos que já foram chamados ao sacerdócio”.
O cardeal recordou que se escolheu a adoração eucarística porque “é o próprio centro da vida da Igreja, o ponto mais alto”.
Acrescentou que “o sacramento da Eucaristia está totalmente ligado ao sacerdote, que é ordenado sobretudo para celebrá-lo” e que, por este motivo, “a adoração eucarística em favor dos sacerdotes recorda a própria natureza do sacerdócio”.
Os destinatários da iniciativa são “todas as forças vivas, a partir das crianças que se preparam para a primeira comunhão”.
Acrescenta que corresponde um papel especial às religiosas. “A exemplo de Maria, as almas femininas consagradas podem adoptar espiritualmente os sacerdotes para ajudá-los com sua entrega, oração e penitência.”
O purpurado assinala que a vocação a ser mãe espiritual dos sacerdotes é “pouco conhecida, escassamente compreendida e por isso pouco vivida, apesar de sua importância fundamental e vital”.
“Independentemente da idade e estado civil, todas as mulheres podem converter-se em mães espirituais de um sacerdote”, indica, e recorda que isso implica orar “por um sacerdote específico e acompanhá-lo assim durante toda a vida”, em geral de forma anónima.
“Isso, diz-nos a história, produz grandes frutos espirituais em favor dos sacerdotes” que “gastam toda a vida, ainda com seus limites, por Deus e pelo próximo”, “pregam e cultivam o bem, ajudam as pessoas”.
Em uma sociedade na qual a cultura é “muito crítica, inclusive adversa à religião” e com frequência se actua “como se a fé tivesse de desaparecer”, todos os cristãos estão chamados a rezar por seus ministros e por sua santificação, conscientes de que os sacerdotes são “grandes benfeitores da humanidade” ».
Aqui fica pois a explicação do “audaz” cardeal do país irmão.
No documento principal (o número 5), fala-se mais pormenorizadamente da “maternidade espiritual”, e alguns exemplos desta maternidade são dados. Lá podemos ver quão grande foi a “maternidade” de Santa Mónica, da mãe de Santo Agostinho, das mães de João Paulo I e de João Paulo II, da maternidade de Berta Petit, mística belga e da maternidade da nossa querida compatriota, Beata Alexandrina Maria da Costa.
*** *** ***
Orai e fazei que orem as vossas famílias, os vossos amigos e os amigos destes e orai em união com todos aqueles que habitualmente nos pedem para que oremos por eles nos Sítios Internet dos quais sou o humilde Webmaster.
Informamos igualmente que todos os dias 13 de cada mês, e isto a partir do dia 13 de janeiro 2008, uma missa será celebrada pelas intenções que aqui nos são confiadas.
Nos Sítios Internet a seguir indicados, podem aí encontrar a “publicidade” deste movimento que no começo deste novo século, é importantíssimo.

http://alexandrinabalasar.free.fr/ Sítio oficial da Beata Alexandrina;
http://alexandrina.balasar.free.fr/ Sítio francês poliglota;
http://nouvl.evangelisation.free.fr/ Sítio francês onde se encontra uma página dedicada à oração e uma capela consagrada ao Santíssimo Sacramento.

Que Deus abençoe esta iniciativa e proteja o Cardeal Hummes que teve tão excelente ideia.
Para ver todo o documento, pressione aqui : http://alexandrina.balasar.free.fr/adoracao.pdf
O Webmaster

segunda-feira, dezembro 24, 2007

quinta-feira, agosto 02, 2007

QUERO SER VITIMA

“Quero ser vítima !”
Esta página dos “Sentimentos da alma” ditada pela Beata Alexandrina para o seu Diário é deveras interessante, visto que ela aí mostra não só a sua humildade, mas também as suas lutas, as suas dúvidas, dúvidas motivadas pelo tesouro que lhe fora encerrado no coração por Jesus e Maria : a humanidade.
Ela vive sentimentos que são dela sem verdadeiramente o serem, visto que as dúvidas de que vai falar-nos, não são propriamente as suas mas as da humanidade. Esta “incorporação” da humanidade que ela vive desde há muito e já em si um grande sofrimento, visto que a Beata Alexandrina vivia então tudo quanto vivia a própria humanidade, com todos os bens e males que nela existiam então e existem ainda.
Conhecendo esta situação particular da sua alma, pode-se assim compreender melhor quando ela escreve : “E eu, pobre de mim, apavorada pelos sofrimentos, parece-me que vou tantas vezes a cair no desespero !” ou ainda quando ela diz, mais adiante : “Era melhor gozar tudo neste mundo, porque depois desta vida nada mais há.” Se assim não fosse, estas palavras saídas da sua boca seriam inaceitáveis. Mas logo a seguir, ela diz também : “Ó Jesus, ó Mãezinha, não consintais que eu deixe de confiar e esperar em Vós. Valei-me, eu não quero ofender-vos.” Estas, ao contrário, são palavras suas e não aquelas da humanidade pecadora que dentro do coração da Alexandrina se agita e se rebela.
A Alexandrina só tem um único desejo : “Quero ser vítima e só quero o que quer o meu Senhor.” E, para que assim seja, ela conhece o melhor refúgio, o único asilo onde as portas estão sempre abertas : o Coração de Jesus [1].
Um longo colóquio se trava entre Jesus e a sua querida esposa. Jesus queixa-se da dureza do coração dos homens, dos desvaires criminosos da humanidade pecadora e propõe soluções para conter esta terrível calamidade e, para tranquilizar a sua vítima, diz-lhe também que ela o não ofende com as suas dúvidas, porque fazem parte do plano divino.
No fim do colóquio Jesus, para a confortar e alimentar, propõe-lhe uma gota do seu santíssimo Sangue [2]. É assim “mais uma renovação das maravilhas de Jesus, mais uma gota de Sangue divino a correr nas veias da vítima deste Calvário”, acrescenta Jesus.

* * * * *

« Ainda não posso falar. Só dito umas palavrinhas como prova de que quero obedecer até à morte. Não sei o que me espera. Não sei se o meu coração adivinha alguma coisa. É tal a dor e a agonia que por vezes parece tirara-me esta vida morta que eu vivo. Não tenho para onde virar-me, não tenho quem em socorra. Digo com toda a verdade : no sentir da minha alma, não tenho uma única pessoa que seja por mim, em quem possa confiar. Parece-me que ninguém me acredita, todos duvidam de mim, todos me escarnecem e desaparecem. E eu, pobre de mim, apavorada pelos sofrimentos, parece-me que vou tantas vezes a cair no desespero ! E daqui nasce a revolta contra Deus, se é que Ele existe ; sem eu querer, é claro, mas tenho momentos de duvidar da existência de Deus. Caso Ele existisse, seria para mim pior que um tirano. Vem-me esta tentação : como pode consentir Deus que eu sofra tanto no corpo e na alma por tão longos anos ! Depois a dúvida da eternidade ! Era melhor gozar tudo neste mundo, porque depois desta vida nada mais há. Ai, meu Deus, meu Deus, quando assim luto, atiro-me para Jesus e para a Mãezinha, chamo-os e abandono-me só a Eles. Digo-lhes : Ó Jesus, ó Mãezinha, não consintais que eu deixe de confiar e esperar em Vós. Valei-me, eu não quero ofender-vos. Sinta o que sentir, passe pelo meu espírito o que passar, eu abandonada a Vós vou para onde Vós fordes, fico onde me colocardes e convosco serei salva. Parece-me que não acredito na Santíssima Trindade nem em Jesus sacramentado, nem nosso Santos, nem no Céu. Tudo é morte depois desta vida, assim como é morte tudo em mim já nesta.
Continuo a sofrer muito com aqueles instrumentos que passaram do Coração da Mãezinha para o meu. Mas, ai o sangue dela junto ao de Jesus é o que mais me causa mais dor. Como pode juntar-se o sangue divino ao meu ? Parece-me que foi um enxerto no meu coração. E em mim tem que haver raízes bem fortes, bem presas para o fundo, para não deixarem o vendaval atirar o tronco a terra, para que os rebentos possam florir e dar bons frutos. Queria dizer muito deste sentimento, mas a ignorância não me deixa. Sofro, sofro infinitamente, mas não deixo de ansiar os sofrimentos, a perfeição, o amor a Jesus e às suas coisas. Quero ser vítima e só quero o que quer o meu Senhor. Em toda esta angústia passei o meu dia de ontem bradando, bradando uma e outra vez ao Céu. Vi-me no Calvário e este cheio de caminhos e todos tinham que ser regados com o meu sangue. Esta visão transportou-me ao Horto. Cheia de agonia e pavor, suei sangue. Fui presa e transportada para a prisão. Suportei todos os tormentos daquela vil canalha. E hoje, sob a fúria dos mesmos, segui para o Calvário e ainda crucificada na cruz com todo o corpo retalhado a sua raiva e ódio saíam sobre mim. Eu senti que os malvados queriam ver-me desaparecer para sempre. Que ódio, que crueldade ! E o Coração divino de Jesus não deixava em mim de amar. Era dentro do meu coração que Ele amava a Humanidade inteira. E eu não podia deixar de amar a cruz; via e sentia que só ela era a vida. O sangue regou todo o Calvário e era como se regasse o mundo inteiro, todo ali presente, todo cruel a dar a morte a Jesus. Fiquei sem vida, foi como se entregasse o espírito ao Céu, a Deus. Não levou muito tempo que eu voltasse à vida; foi Jesus que ma deu e falou no meu coração.
— Quantos avisos, quantos pedidos do Mendigo Divino, e Jesus vai imolando a sua vítima, Jesus vai-a crucificando contidamente. E o mundo, o cruel mundo continua com os seus desvarios. Continua na opulência, na vaidade, na devassidão.
Minha filha, Minha querida filha, os pedidos de Jesus não são uma coisa vã. É grande, é grande, é urgente a imolação mais dolorosa e permanente. Ai de Portugal sem a vítima deste Calvário ! Pobre Portugal, se não correspondes ! Ai do mundo sem a Santa Missa, sem a Eucaristia, sem as minhas vítimas. Ai do mundo sem a vítima pequenina nos seus olhos, mas grande, muito grande, com toda a grandeza aos olhos de Deus !
Pede, pede, Minha filha, levanta ao Céu as tuas mãos, fixa nele os teus olhares, não duvides da tua prece, não duvides do teu poder com o Todo-Poderoso. Tudo pedes com Jesus, tudo pedes com Maria. Eu quero, Eu quero, sim, Minha filha, que o teu brado seja constante. Tem coragem, tem coragem; os teus sentimentos não são a realidade. Os teus sofrimentos, os teus sofrimentos nascem cada vez mais dolorosos nesses sentimentos aflitivos. A hora é grave, a hora é grave ! O teu esposo Jesus lançou mão a tudo. Quer salvar o mundo, quer salvar sobretudo Portugal. Pede, pede, Minha filha, a misericórdia, a compaixão da santíssima Trindade.
— Ó meu Jesus, ó minha Trindade Divina, como hei-de eu pedir-vos se duvido de Vós ! Como hei-de eu pedir-vos se é tão grande a minha dúvida ? Bem sabeis, Senhor, que em nada acredito, mas não deixo de combater. Mas já que agora não duvido, já que agora acredito que existe uma eternidade, peço-vos com toda a lama e com todo o coração : Jesus Sacramentado, Coração Divino de Jesus, Santíssima Trindade, Eterno Pai, quero aplacar a Vossa justiça, quero implorar a Vossa misericórdia. Apiedai-vos, apiedai-vos, compadecei-vos de Portugal, compadecei-vos do mundo inteiro ; todo o mundo é filho do Coração Divino de Jesus.
— Ó Minha filha, ó Minha filha, todos os teus sofrimentos são obra da sabedoria divina. Tu não desgostas nem ao de leve o teu Jesus com as tuas dúvidas. Tudo quanto de ti exijo são meios de salvação. Não percas o teu heroísmo, a tua generosidade. O Senhor conta contigo. Da dor do teu coração hão-de rebentar rebentos novos, como rebentarem da árvore da cruz. Não te tenho dito Eu que em tudo te assemelhei a Mim ? Que alegria para o Meu Divino Coração se os homens compreendessem bem isto ! Tu toda Cristo, toda Jesus. Jesus em toda a vida da Sua vítima.
Vem receber a gota do Meu divino sangue.
Mais uma renovação das maravilhas de Jesus, mais uma gota de sangue divino a correr nas veias da vítima deste Calvário.
Fica, Minha filha, na tua cruz. Fica nesta dor que só Jesus conhece e compreende. Fica nesta vida que Ele te escolheu. Fica com coragem, fica com alegria. Bendiz e sorri sempre à tua cruz que te dá o Senhor.
Coragem, coragem, o Céu é contigo. Pede oração, pede penitência.
— Obrigada, obrigada, meu Jesus. »[3]
_____
[1] Ler a este respeito : “Junto do altar do Sagrado Coração de Jesus”, um longo trabalho sobre a relação estreita e amorosa entre o Coração de Jesus e a Beata Alexandrina.
[2] Ler sobre esta “transfusão” de Sangue divino, o trabalho intitulado “O Sangue do Cordeiro”.
[3] Sentimentos da alma : 10 de Janeiro de 1952 – Sexta-feira.

segunda-feira, julho 30, 2007

REVERENDISSIMO SENHOR DOUTOR

Carta XI

« Viva Jesus !
Balasar, 21 de Janeiro de 1934
Reverendíssimo Senhor Doutor :
Tomei a pena na mão para escrever a Vossa Reverência, eram nove horas da noite, mas as lágrimas quase que me cegavam, que mal via para seguir direito, mas tinha razão de sobra para assim fazer, porque se acabaram quase todas as minhas esperanças de Vossa Reverência aqui voltar dar-me alguma consolação espiritual. Ai de mim ! Só Nosso Senhor sabe como eu esperava esse dia feliz ! Tornará o meu bom Jesus a conceder-me esta tão grande graça ? Não Lha mereço ; mas Nosso Senhor que tudo conhece e sabe bem todos os meus desejos, há-de ter misericórdia de mim.
Senhor Doutor, no dia 8 do corrente tive aqui a visita da Candidinha Almeida juntamente com um Senhor Padre que, por algumas palavras, entendi que Vossa Reverência me tinha recomendado a ele. Mais uma vez lhe agradeço a caridade que teve para comigo. Ele consumiu-se para que eu ficasse bem e perguntava-me se eu ficava contente, e eu dizia-lhe que sim. Nem mentia, nem falava verdade : ficava contente porque não tem comparação com o nosso, mas ficava muito triste porque de Vossa Reverência para ele tem uma distância que nem posso comparar. E mais motivos tinha para me causar tristeza, mas fica para lhe dizer, se tiver a alegria de o ver outra vez ao pé de mim, pobre pecadora. Ou Vossa Reverência vai esquecer-me de todo, não voltando a visitar-me e a escrever-me ? Oh ! peço-lhe, por amor de Jesus e de Maria, que isso não pense, porque para mim seria como tirar-me a luz dos meus olhos, o tirar-me a luz da alma. Oh ! como eu preciso de quem me auxilie na santificação, para assim no Céu poder viver mais junto de Nosso Senhor !
Senhor Doutor, já lá vai um mês sem que eu tenha tido umas palavrinhas de Vossa Reverência para meu conforto. Bem sei que tem muito trabalho e muito em que pensar, mas já acho uma demora grande. Será por estar melindrado comigo ? Se assim for, peço que me perdoe, que não fiz nada com o fim de o ofender.
Então como passou o dia de anos ? Eu há meses que tinha este papel para lhe escrever no dito dia 16, juntamente com este santinho que tinha mandado comprar para este fim, a final não escrevi porque estava tão triste e tão desanimada, que não me senti com coragem de escrever. À vista lhe contarei quanto tenho sofrido nestes tristes dias, mas não o esqueci de um modo especial, assim como a minha irmã e a minha mãe. Elas se recomendam muito.
Adeus, até não sei quando.
Peço desculpa por ir muito mal escrita, mas nem sei, nem posso melhor. De saúde continuo na mesma : dias pior, dias melhor, mas sempre fraquinha. Peço para pedir muito a Jesus por mim e também para me abençoar com uma benção muito grande.
Esta que não o esquece em minhas pobres orações.
Alexandrina Maria da Costa ».

* * * * *
Nesta carta, como na precedente, Alexandrina volta a chamar ao seu Director espiritual “Reverendíssimo Senhor Doutor”, “título” que talvez não seja muito do agrado do bom sacerdote, visto que aqui mesmo termina essa “apelação” pomposa e contrária ao espírito humilde do Jesuíta.
Alexandrina sente a partida do seu Paizinho e, o seu coração está triste por causa desta separação ; tem mesmo dificuldades em escrever, por que chora :
“Tomei a pena na mão para escrever a Vossa Reverência, eram nove horas da noite, mas as lágrimas quase que me cegavam, que mal via para seguir direito”.
Apenas cinco meses separavam esta data daquela em que o Padre Mariano Pinho tinha assumido o encargo de dirigir a alma da Alexandrina, mas os seus modos calmos, o seu falar meigo, mas sem pieguices, a persuasão natural ao falar das coisas de Deus e os seus conhecimentos teológicos postos à medida das almas simples, tinham de tal maneira penetrado a alma da “Doentinha de Balasar” que ver-se privada de tão precioso Cireneu, lhe causou uma pena muito grande, sobretudo sabendo que agora seria muito mais difícil encontrarem-se de outra maneira que por intermédio de cartas, por isso ela pensa que “tinha razão de sobra para assim fazer, porque se acabaram quase todas as minhas esperanças de Vossa Reverência aqui voltar dar-me alguma consolação espiritual. Ai de mim !”.
Ela voltará a encontrá-lo em Balasar, porque o Padre Pinho será diversas outras vezes convidado a pregar tríduos na periferia daquela aldeia e virá visitar a sua dirigida. Mas isso, ela não o sabe nem o adivinha.
“Só Nosso Senhor sabe como eu esperava esse dia feliz ! Tornará o meu bom Jesus a conceder-me esta tão grande graça ?”
A sua humildade vem de novo à tona e hei-la conformada com a vontade do Senhor, reconhecendo no entanto que não merece tal dádiva.
“Não Lha mereço ; mas Nosso Senhor que tudo conhece e sabe bem todos os meus desejos, há-de ter misericórdia de mim”.
De vez em quando a “Doentinha de Balasar” recebe visitas, não só dos conhecidos e amigos da aldeia ou aldeias vizinhas, mas também pessoas que tendo ouvida falar dela desejam encontra-la e conversar das coisas de Deus.
Aqui tratam-se de pessoas que conhecem o Padre Pinho, como se pode verificar pelas palavras que a Alexandrina escreve :
“Senhor Doutor, no dia 8 do corrente tive aqui a visita da Candidinha Almeida juntamente com um Senhor Padre que, por algumas palavras, entendi que Vossa Reverência me tinha recomendado a ele”.
Não sabemos qual tenha sido este sacerdote, porque a Alexandrina não o nomeia, mas o que certo é que “ele consumiu-se” para que ela ficasse bem e perguntava-lhe se ela ficava contente, e ela dizia-lhe que sim.
Mas este dizer que sim tem explicação : “Nem mentia, nem falava verdade : ficava contente porque não tem comparação com o nosso, mas ficava muito triste porque de Vossa Reverência para ele tem uma distância que nem posso comparar”.
No entanto a lembrança de lá o enviar a visitar a sua dirigida não fica sem agradecimento. A Alexandrina escreve : “Mais uma vez lhe agradeço a caridade que teve para comigo”. E aqui ela é verdadeiramente sincera.
Outros pormenores há que a Alexandrina não pode revelar por carta, o que muitas vezes acontecerá, mas fá-los-á de viva voz, quando voltarem a encontrar-se :
“E mais motivos tinha para me causar tristeza, mas fica para lhe dizer, se tiver a alegria de o ver outra vez ao pé de mim, pobre pecadora”.
Mas, de repente, como um relâmpago, uma dúvida dolorosa lhe atravessa o espírito e ela pergunta :
“Ou Vossa Reverência vai esquecer-me de todo, não voltando a visitar-me e a escrever-me ?”
Depois, como se se encorajasse a ela mesma ou quisesse conjurar a sorte, continua :
“Oh ! peço-lhe, por amor de Jesus e de Maria, que isso não pense, porque para mim seria como tirar-me a luz dos meus olhos, o tirar-me a luz da alma”.
Mas não pode ser, não pode ser porque precisa de ajuda, precisa “de quem a auxilie na santificação, para assim no Céu poder viver mais junto de Nosso Senhor !”
A instalação do Padre Mariano Pinho em Lisboa, a sua adaptação ao cargo que lhe fora confiado, não lhe deixavam muito tempo para escrever, sobretudo se temos em conta que a Alexandrina não é a sua única dirigida, por isso tarda em responder às missivas da “Doentinha de Balasar”. Ela queixa-se desta situação, mas compreende que ele não tenha muito tempo livre :
“Senhor Doutor, já lá vai um mês sem que eu tenha tido umas palavrinhas de Vossa Reverência para meu conforto. Bem sei que tem muito trabalho e muito em que pensar, mas já acho uma demora grande”.
Esta demora inspira-lhe também um receio, receio que em qualquer coisa o tenha ofendido e que ela agora esteja a procurar esquecê-la...
“Será por estar melindrado comigo ? Se assim for, peço que me perdoe, que não fiz nada com o fim de o ofender”.
O dia 16 de Janeiro era o dia aniversário do bom Jesuíta; Alexandrina nunca mais esquecerá esta data. O padre Pinho acabava de festejar os seus quarenta anos ; era portanto um homem relativamente novo e cheio de boa vontade e de coragem, mesmo se sujeito a pequenas enxaquecas motivadas sobretudo pelo trabalho que infatigavelmente, dia após doa levava a cabo.
“Então como passou o dia de anos ? ― pergunta a Alexandrina. Eu há meses que tinha este papel para lhe escrever no dito dia 16, juntamente com este santinho que tinha mandado comprar para este fim”.
Mas, “a final não escreveu porque estava tão triste e tão desanimada, que não se sentia com coragem de escrever”.
Muito mais tem para lhe dizer de quanto sofre não só desta separação, mas também outros sofrimentos inerentes à sua doença e bem mais... que ela voluntariamente aqui não exprime.
“À vista lhe contarei quanto tenho sofrido nestes tristes dias, mas não o esqueci de um modo especial, assim como a minha irmã e a minha mãe. Elas se recomendam muito.
Adeus, até não sei quando”.

Este adeus não termina a carta : ela ainda tem mais alguma coisa a dizer :
“Peço desculpa por ir muito mal escrita, mas nem sei, nem posso melhor”.
Quanto à saúde ela diz, um pouco desapontada : “dias pior, dias melhor, mas sempre fraquinha”.
E, desta vez, para terminar, pede, como de costume, que ele ore “muito a Jesus por ela e também para a abençoar com uma benção muito grande”.
E assina depois, como as grandes almas :
“Esta que não o esquece em minhas pobres orações.
Alexandrina Maria da Costa”.

sábado, julho 28, 2007

TU ÉS O JARDIM PERFUMADO

Primeiro sábado do mês, o dia 2 de Outubro de 1943 é sinónimo da visita de Jesus e Maria.
As primeiras palavras que Jesus dirige à Beata Alexandrina, são palavras de louvor, são títulos de glória, como muitas vezes sucede quando a visita :
“Estou a recrear no meu palácio”, diz o Senhor, o palácio humilde da alma e do coração da Alexandrina e, para que nada falte, para que tudo seja beleza, aquele palácio vai ficar “entesourado com os tesouros divinos”, porque Jesus quer lá viver, quer nele fazer a sua morada na terra. “Que belo adorno para mim, minha filha. Gozo em ti, alegro-me em ti”, continua o Senhor.
Mas aquele palácio é também jardim, “jardim perfumado” e “adornado com todas as flores”, porque o Senhor “goza por possuir o aroma de flores tão belas”. Estas flores tão belas são as virtudes da Alexandrina e, como são virtudes por excelência, exalam um perfume celeste, um perfume que inebria o coração de Jesus.
Mas a estas qualidades vão juntar-se outras, porque o Esposa quer a esposa seja não somente bela e perfumada, mas também rica, rica das riquezas celestes : “És bela, és bela, és rica, rica serás na terra e no Céu”.
“Quem chamar pelo teu nome quando estiveres no Céu, nunca o chamarão em vão”. Esta é uma das grandes promessas feitas pelo Senhor à Alexandrina. Fez-lhe muitas outras e disse-lhe mais : “Vais ser poderosa com o Todo-Poderoso”.
E na verdade ― a prova está feita ! ― o poder impetratório da Beata Alexandrina é extraordinário ; para isso bastará consultar os registos paroquiais de Balasar para ter uma pequena ideia desse poder que ela tem junto do Coração do Esposo, como aliás o confirmou Jesus, Ele mesmo : “As palavras do teu Esposo Jesus vão cumprir-se, vão cumprir-se à letra, à letra, minha amada”.
“Brilha agora a luz dos humildes, triunfam e são exaltados”. Palavras semelhantes àquelas do Magnificat, oração que a Alexandrina tantas vezes rezou.
Mas a mensagem deste dia destina-se também àqueles que colaboram com Jesus, que ajudam e defendem a “pobre Alexandrina”. Jesus começa pelo Padre Mariano Pinho, primeiro Director espiritual : “Diz ao teu Paizinho que o fogo do meu divino Coração se estende sobre ele” ― informa Jesus. Mas não é tudo, Jesus tem mais para lhe dar, para lhe comunicar : “Vou pela humanidade dele dar-lhe o poder de atrair a mim todas as almas, ansiosas por me possuírem e as que andam arredadas do meu divino Coração”.
É sabido que o valoroso Jesuíta era um homem zeloso pelas coisas de Deus e um director de almas exímio, por isso mesmo não é de admirar que Jesus assim se “ocupe” dele.
Proverá ao Senhor que os homens do nosso tempo tenham esse mesmo desejo, essa mesma vontade de ver aquele servo de Deus ser glorificado, como o foi a sua dirigida de Balasar. Efectivamente, vozes se fazem ouvir, cada vez com mais persistência para que se comece o processo de beatificação e de canonização do bom e humilde Padre Mariano Pinho.
“A minha morada divina é a morada dele ― previne Jesus ―, é a fornalha onde ele há-de habitar sempre, sempre na terra e no Céu”. E mais adiante ― é Jesus quem fala ― diz ainda : “Quando ele estender a bênção sobre os filhos meus, sou eu que os abençoo. Dou-lhe todo o poder na terra para ele abrasar os corações e as almas e converter os pecadores”. Jesus termina afirmando : “Que espere tudo de mim, assim como Eu dele tudo recebo”.
Aqui fica, para meditação de muitos, algumas das palavras que Jesus dirigiu ao bondoso Director espiritual da Beata Alexandrina.
Jesus fala depois do médico, do Dr. Manuel Augusto de Azevedo, homem íntegro e dedicado à causa da “Doentinha de Balasar” que ele sempre defendeu, mesmo nos momentos mais críticos e difíceis.
“Diz, minha filha, diz ao teu médico ― convida Jesus ―, que à sombra do manto da minha bendita Mãe e ao calor dos raios do meu divino Coração está o lar dele por Nós abençoado”.
Família numerosa e profundamente católica, a família do bom Doutor foi na verdade abençoado pelo Senhor e por Maria : daquele lar saíram vocações religiosas, porque “será o jardim cultivado por Nós”, prossegue Jesus que precisa ainda melhor o que acaba de dizer, pois afirma que “Eu e Maria seremos os jardineiros”. Com tão bons Jardineiros como não devia aquele jardim dar flores senão perfumadas e belas !
E, para terminar, esta promessa : “Se ele me for fiel, será o lar mais rico de todo o Portugal. Rico de graças, rico de amor, rico para o Céu”.
O “bom Samaritano” ― foi Jesus que assim o intitulou : ― da Beata Alexandrina foi fiel e teve mesmo a honra e o grande prazer de testemunhar sobre ela aquando do processo diocesano : foi uma das mais valiosas testemunhas da sua antiga “paciente”.
Antes da Virgem Mãe deixar à Alexandrina a demonstração do seu amor maternal e de lhe oferecer o poder divino, Jesus termina o seu colóquio por esta oferta generosa e redentora :
“Dou-te tudo o que é meu para tu tudo dares a toda a humanidade, de quem te nomeio protectora”.
Sobre a humanidade da qual se torna aqui protectora, já falámos noutro trabalho, por isso mesmo não iremos mais longe do que esta citação das palavras de Jesus [1].

* * * * *

― « “Estou a recrear no meu palácio ; palácio entesourado com os tesouros divinos. É riquíssimo o teu coração, que belo adorno para mim, minha filha. Gozo em ti, alegro-me em ti, tu és o jardim perfumado, tu és o jardim adornado com todas as flores. E eu gozo por ser Senhor de tudo isto ; eu gozo por possuir o aroma de flores tão belas. O mundo não te conhece, minha amada ? Conheço-te eu, conhece-te Jesus. És bela, és bela, és rica, rica serás na terra e no Céu. Quem chamar pelo teu nome quando estiveres no Céu, nunca o chamarão em vão. Vais ser poderosa com o Todo-Poderoso. As palavras do teu Esposo Jesus vão cumprir-se, vão cumprir-se à letra, à letra, minha amada. Os teus espinhos transformaram-se em rosas, o teu martírio num paraíso. Tudo, tudo, salvação para os pecadores, consolação para mim. Brilhou o sol, apareceu a luz. Brilha agora a luz dos humildes, triunfam e são exaltados. Minha filhinha, minha filhinha, encanto meu. Diz ao teu Paizinho que o fogo do meu divino Coração se estende sobre ele. A minha morada divina é a morada dele, é a fornalha onde ele há-de habitar sempre, sempre na terra e no Céu. Vou pela humanidade dele dar-lhe o poder de atrair a mim todas as almas, ansiosas por me possuírem e as que andam arredadas do meu divino Coração. Sou eu, Jesus, que falo sempre em seus lábios. Quando ele estender a bênção sobre os filhos meus, sou eu que os abençoo. Dou-lhe todo o poder na terra para ele abrasar os corações e as almas e converter os pecadores. Que espere tudo de mim, assim como Eu dele tudo recebo. Diz, minha filha, diz ao teu médico, que à sombra do manto da minha bendita Mãe e ao calor dos raios do meu divino Coração está o lar dele por Nós abençoado. Será o jardim cultivado por Nós; Eu e Maria seremos os jardineiros. Se ele me for fiel, será o lar mais rico de todo o Portugal. Rico de graças, rico de amor, rico para o Céu. Dou-te tudo o que é meu, meu amor, para tu tudo dares em meu nome aos que te amam, aos que te rodeiam, aos que te amparam e protegem. Dou-te tudo o que é meu para tu tudo dares a toda a humanidade, de quem te nomeio protectora”.
― Ó meu Jesus, estou envergonhada. Oh ! Como eu me sinto tão pequenina. Eu só merecia o inferno, não sou digna das vossas graças. Distribuí vós as vossas graças. Tomai as minhas mãos, manejai com elas ; aceitai todo o meu corpo, seja ele o vosso instrumento ; trabalhai, Jesus, não cesseis. As almas perdem-se, o mundo está em perigo.
― “Recebe, filhinha, as carícias do teu Jesus, da tua Mãezinha ; recebe o nosso poder. És toda nossa, és toda nossa, és filhinha, és esposa do meu Jesus. Recebe dos nossos ósculos conforto para tudo”.
Obrigada, obrigada, Mãezinha! Obrigada, obrigada, Jesus! »[2]

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[1] Afonso Rocha : Alexandrina e a Segunda Guerra Mundial ; Reims (França), Maio de 2007.
Ver igualmente no Sítio oficial :
http://alexandrinabalasar.free.fr
[2] Sentimentos da alma : 2 de Outubro – Primeiro sábado.

terça-feira, julho 24, 2007

A INTERCESSÃO DA ALEXANDRINA

Como é de notoriedade pública, a beatificação da Alexandrina foi possível graças a uma cura inexplicável, verificada sobre uma senhora que sofria de grave doença. Este milagre obtido pela intercessão potente da “Doentinha de Balasar”, não foi o único que ela obteve do Senhor : muitos outros, de certo menos notáveis aos olhos do mundo, foram obtidos ; basta para isso consultar os “Boletins de graças” publicados antes e depois da beatificação.
Esta poderosa intercessão foi notória mesmo durante a vida terrena da Beata, visto que muitos testemunhos provam que “curas” espirituais extraordinárias foram operadas junto do seu leito de dor.
Nesta carta dirigida ao seu “Paizinho” espiritual, Padre Mariano Pinho, ela explica uma dessas intervenções : uma cura espiritual obtida pela oração impetratória da Alexandrina em favor duma família sua conhecida, vivendo como ela em Balasar e que já há muito tinham abandonado a prática religiosa : já há muitos anos que não se confessavam nem comungavam...
A alegria de Beata está aqui patente, não porque se queira gloriar da dádiva obtida do Senhor, mas de constatar quanto o Senhor é bom e atende aos pedidos sinceros vindos de um coração puro e zeloso.

* * * * *

Balasar, 2 de Julho de 1934
Viva Jesus !
Senhor Padre Pinho :
Não calcula a consolação que me veio trazer a cartinha de Vossa Reverência ; recebi-a no dia de S. Pedro, mas não foi ele que ma veio trazer. Tinha passado uns dias tristes, tão tristes que nem lhe posso explicar. Mas, no meio de tanta tristeza, graças a Nosso Senhor, estava conformada com a sua Santíssima vontade.
Senhor Padre Pinho, ainda não falei há mais tempo no assunto em que hoje vou falar, porque isso tornava as cartas muito longas e isso seria abusar demais. Nosso Senhor não deixou sem recompensa as minhas lágrimas do dia 13 de Maio.

“Há tempos que eu me esforçava quanto podia para que uma família, casal e um filho, da minha aldeia se confessassem, o que já há muitos anos não faziam. Tudo o que se passou só à vista lhe poderei contar. Tinha-lhes dito que no dia em que eles se confessassem, eles comungavam na igreja e eu comungava aqui em casa, já que não podia ir à igreja. A resposta que me deram foi que vinham eles comungar aqui, ao que eu respondi que, certamente, não poderia ser. Mas continuei sempre a pedir ao meu bom Jesus e sempre que me vinham visitar falavam do caso. Até que, enfim, no dia 13 do dito mês, me vieram visitar o pai e o filho e, estando a sós com o pai, ele me deu a certeza de que se confessava e me disse coisas que me fizeram comover. Está resolvido a ser para o tríduo. Prometeram-me isso, só se o demónio se vier intrometer, mas confio em Nosso Senhor, que tudo pode."

Senhor Padre Pinho, não me admiro que Vossa Reverência. não tenha entendido o que eu lhe contava na minha última carta, porque eu não me pude explicar nem poderei por escrito. O caso é bastante complicado : só pessoalmente poderá ser explicado, tal é o seu enredo. Foi caso para me afligir muito, mas não para me deixar desassossegada sobre este assunto.
Continuam a ser muitos os meus sofrimentos, mas reconheço que não são nada em comparação com o que eu mereço. Digne-se Nosso Senhor, por sua infinita misericórdia, que eu viva até ao tríduo. Quer saber uma coisa que me consolou muito ? Foi dizer-me que já vem no dia 21 para o Norte, portanto que vem para mais perto de mim e eu já posso dizer o nosso tríduo é para o mês que vem.
Agradeço-lhe a grande caridade que fez em pedir por mim que tanto preciso ! Eu, de Vossa Reverência, nunca me esqueço em minhas pobres orações e em todos os meus sofrimentos. Muitas lembranças da minha mãe e da Deolinda; ela deixa tudo para lhe dizer para o tríduo. Fará a caridade de abençoar esta pobre doentinha.
Alexandrina Maria da Costa

segunda-feira, julho 23, 2007

O CANAL DIVINO

“Alegra-te, filha querida !”
Este curto trecho tirado do Diário da Alexandrina do dia 7 de Novembro de 1942 ― Primeiro sábado ―, ressela um grande número de informações importantes que vamos a seguir sublinhar :
― Estão realizados os projectos de Jesus ;
― Alexandrina é o “canal” divino ;
― Jesus está contente com o Padre Mariano Pinho ;
―Jesus está desgostoso com aqueles que fazem sofrer o Padre Pinho ;
― O Papa irá direito para o Céu quando morrer ;
― A guerra vai em breve acabar .
― O médico receberá provas do amor de Jesus.

* * * * *

Jesus fala à Alexandrina e diz-lhe :
― « “Alegra-te, filha amada, alegra-te, filha querida, com Jesus e a tua Mãezinha querida, alegra-te porque estão realizados os desejos de Jesus. Alegra-te porque grandes bênçãos veem para a terra culpada. Minha filha, minha filha, atractivo meu, encanto dos meus olhos. Jesus vê na sua louquinha a maior alegria do mundo. Jesus vê na sua benjamina todos os encantos do se divino Coração. Eis por que Jesus se serve dela para ser o seu canal divino. O mundo recebe pela crucificada do calvário todas as graças e o amor de Jesus. Diz, diz, minha filha, ao teu Pai espiritual, àquele escolhido por mim para tua luz, que o meu divino amor se estende sobre ele na maior abundância, que ele faz em tudo a minha divina vontade. Sim, sim, Jesus está contentíssimo com ele e desgostoso com aqueles que o fazem sofrer inocentemente. Diz, diz, minha filha, ao teu pai espiritual, àquele que escolhi para te guiar para mim, diz-lhe que diga ao Santo Padre que a promessa está feita, que ele irá direito da terra ao Céu, não vai para o Purgatório. E como prémio de cumprir a vontade divina terá toda a luz do Espírito Santo, não irá nunca contra a vontade divina, terá luz para para fazer a vontade divina durante todo o seu reinado na terra. Jesus está contentíssimo com ele ; grande prémio receberá de Jesus pela sua louquinha de amor quando ela estiver no Céu junto do seu trono. Jesus vai levar a sua amada para o Céu. Jesus vai fazer que os homens terminem a guerra. Diz, diz, minha filha, ao teu médico, não posso deixar de ter para com ele as maiores provas de amor por ter sido o amparo, o braço firme da causa divina em momentos que os homens tentaram destruir. A causa de Jesus não cai, levantar-se-á cada vez mais.
Triunfo, triunfo, amor, amor, amor. Cai sobre a louquinha de Jesus, sobre os que a rodeiam e amam e por quem ela intercede, amor, amor, amor sem fim”.
― Ó meu amado Jesus, estou confundida, humilhada e abatida. Nada mais sei dizer ; perdoai-me as minhas faltas ; digo-vos um eterno obrigada. Dai-nos a paz, alcançai-me tudo o que vos peço, meu Jesus [1]. »

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[1] Sentimentos da alma : 7 de Novembro de 1942.

quinta-feira, julho 19, 2007

“ISTO É TUDO MEU!”

Tivemos já ocasião de falarmos das visitas não desejadas do “manquinho” à Beata Alexandrina, quando lemos uma das páginas da sua Autobiografia.
O inimigo de Deus e das almas, dá aqui novas provas das suas manhas e dos seus artifícios quando quer seduzir uma alma.
O caso da Alexandrina é “bicudo” para ele, visto que, acorrentado pelo Senhor, não pode, por enquanto, aproximar-se muito dela nem lhe tocar, mas mesmo assim e, de longe, tenta quanto pode, ou quanto lhe é permitido, levá-la ao desânimo, às dúvidas sobre a fé e, porque não ao desespero.
Todos os meios são bons para ele, como abaixo veremos. Empregará até uma frase idêntica àquela antes dissera a Jesus, quando transportando-o sobre uma alta montanha e mostrando-lhe o mundo, lhe disse descaradamente : “Isto é tudo meu !”
Situa-se aqui a visão ― a primeira ― que a Beata Alexandrina teve do inferno.
A semelhança desta visão com aquela que teve do inferno Santa Francisca omana, é muito grande !


Talvez para contrabalançar esta terrível visão infernal, Jesus oferece-lhe uma visão mais agradável, mais linda, mais feliz e beatífica : Maria.

* * * * *

« Balasar, 7 de Fevereiro de 1935
Viva Jesus !
Meu P.
Já vai sendo tempo de eu dizer a Vossa Reverência como tenho passado tristes estes dias da minha vida.
Desde o dia 16 de Janeiro que Nosso Senhor não me tinha voltado a falar. Oh, como eu estava triste ! Parecia-me estar abandonada de todo. Passaram-se vinte dias sem eu receber o meu querido Jesus, tendo eu tão fortes desejos de estar sempre unidinha a Ele.
Chegaram, por fim, a primeira sexta-feira e o primeiro sábado e nesses dias dignou-se Nosso Senhor vir repousar na minha pobre alma. Empreguei todos os esforços para me preparar para bem o receber e lhe dar graças, mas foram inúteis todos os meus esforços porque só sentia frieza e nenhum fervor.
Vossa Reverência quer saber quem mais se me fazia sentir ? Era o demónio. Esse todo se consumia para me fazer companhia. É um tal enredo que não era muito para contar por escrito, mas assim fico mais sossegada da minha consciência : Na noite de 7 para 8 de Janeiro, estando eu a dormir, acordei sobressaltada, mais que uma vez, porque me parecia que à beira da minha cabeça, na travesseira se esgatanhava. Depois, de madrugada, vi atravessar umas sombras altas e pretas da porta de meu quarto para a janela. Na noite de 17 para 18, quando todos dormiam, estava eu a contas com minhas orações, figurou-se-me quase um caminho e por um lado uma barreira feia. A muita distância vi como que um portal. À entrada um vulto preto de cada lado, e ouvi dizer assim :
— Isto é tudo meu.
Passados momentos, vi, a par da minha cama, um abismo tão fundo e tamanho. Ai, o que eu vi lá dentro ! Coisas tão feias ! Não era gente o que eu via, não sei explicar o que era. O que sei dizer é que era uma multidão tamanha, tamanha e tão unida, muito mais unida do que a gente na missa campal no Congresso Nacional em Braga. Para os lados tinha umas covas tão feias ! E Oh ! que movimento eu lá vi. Do meio daquilo saíam labaredas, mas não eram como as do nosso lume. Lá, num sítio, via um montinho duns vultos pretos com umas coisas ao alto, não sei se eram paus se eram forcados. Para o outro lado, via outras sombras que me deram a impressão do quadro da morte do pecador: um a puxar para diante e outro a puxar para trás e saía do meio um rabo tão grande que formava um grande arco. E afiguarava-se-me que atravessavam por cima da minha cama as mesmas sombras pretas. Não podia rezar e não sabia as horas, mas bem as ouvia bater.
Na noite de 29 para 30 formou-se uma enorme escuridão dentro de meu quarto. Parecia-me ser uma casa muito feia onde me aparecia a um postigo uma cara muito feia também. Ouvia dizer assim :
— São os telhados da minha casa (mas eu não via telhas nenhumas). Cá por fora é feia mas lá por dentro é chique. Anda para mim, que outros que assim têm feito acham-se bem. Ama-me e deixa esse impostor a quem amas. Ele não quer que tu me ames porque chegas a ser tanto como Ele : tanto como eu, não. Eu estive hoje a ver que tinha mais almas do que Ele. Porque seria isso ? É porque valia recompensa.
Eu beijava e apertava na mão o meu crucifixo e ouvia dizer assim :
— Se não fosse esse impostor que tens na mão, punha-te um pé ao pescoço ; punha-te o corpo em mostarda. Mas isto há-de fazer Ele a ti e tu depois hás-de querer vir para mim, mas eu não te aceitarei. O que te vale é essa benzelhice. Não é porque eu tenha medo, mas odeio-o. Tenho nojo. Cospe-lhe !
Nesta ocasião aproximavam-se de mim uns grupos de vultos de cor avermelhada e ouvia dizer :
— Se eu quiser, não te deixo dormir.
Eu, no meio de tudo isto, sem ter um ministro de Nosso Senhor a quem pudesse abrir a minha consciência! Com quem eu pudesse desabafar ! E sem ter uma cartinha de Vossa Reverência par me consolar ! Como é que eu não havia de estar triste ? Chorei, mas graças ao meu querido Jesus, eram tristezas e lágrimas de grande resignação com a sua Santíssima Vontade.
Ontem tive a consolação de receber o meu querido Jesus. Eu tinha o costume de pedir a Nosso Senhor, para mandar uma multidão de anjos, querubins e serafins acompanhar o meu Jesus do sacrário até junto de mim e vir Ela com outra multidão para preparar o trono da minha alma para eu receber a Jesus e no fim dar-lhe graças por mim. Desta vez assim foi.
Depois de ter recebido Nosso Senhor, que paz eu sentia ! Estava de olhos postos e principiei a ver diante de mim tantas, tantas cabecinhas. Umas mais acima, outras mais abaixo, formando um grande arco. E mais a um lado umas coisas maiores e não sei com que estavam. Via no meio uma coisa maior mas não a divisava tão bem. À frente apresentava-se-me a figura dum trono com umas cores tão lindas e, do meio disto que eu via, saíam uns raios dourados.
Ao ver isto eu pensava que era Nossa Senhora acompanhada com os seus anjos como eu lhe tinha pedido. Pensava também se sim ou não havia de mandar dizer isto a Vossa Reverência. E disse assim : Oh ! meu Jesus, dizei-me se lhe hei-de mandar dizer ; e então disse-me Nosso Senhor :
— Diz tudo, tudo. Apresentei-te isto para veres que os teus pedidos são ouvidos no Céu. O que viste foi Nossa Senhora com os seus anjos, querubins e serafins com os seus instrumentos. Vieram preparar a tua alma e depois deram-me graças, amaram-me e louvaram-me como no Céu. Estão à roda de ti. Vieram em revoada. Eu não te abandonarei. É bem que te quero. É amor que tenho à tua alma. Tenho muito com que te beneficiar. Não te esqueças do que te tenho recomendado: os meus sacrários e os pecadores. A batalha é difícil de vencer.
E tornou-me Nosso Senhor a dizer :
— Olha!
Repetiu-se então o que já tinha visto mas já não se divisava também : sentia então todo aquele calor e aquela força que já muitas vezes tenho dito a Vossa Reverência. Mais tarde diziam-me assim :
— Não mandes dizer isto ! Condenas-te, Cais no inferno, o que vale é que ele não acredita em ti; bem sabe que o andas a enganar.
Adeus, até quinta-feira; veja, por caridade, quanto necessito das orações de Vossa Reverência e não me esqueça que eu farei o mesmo. Muitas lembranças da minha mãe, da Deolinda, e da Dª Sãozinha. Por caridade, peço que abençoe a pobre

Alexandrina M. C. »

quarta-feira, julho 18, 2007

REUNIÃO EM LISBOA

A Maria João
Pede-nos para publicarmos est informação, o que fazemos com grande prazer :

“Na próxima sexta-feira, dia 20, realiza-se uma oração de Taizé pelo Darfur , às 19h45m, na Igreja de S. Nicolau, na Baixa de Lisboa.
Participa e divulga !
Se não puderes estar presente, reza na mesma.”


Sugerimos um pensamento e uma oração pelo bom, simples e humilde irmão Roger.

domingo, julho 01, 2007

DIARIO DA ALEXANDRINA

4 de Janeiro de 1945

Como todos sabem, a Beata Alexandrina, desde 1942 até à sua morte em 13 de Outubro de 1955, por ordem do seu segundo director espiritual, o Padre Humberto Pasquale, manteve um “Diário” onde ela notava o mandava notar tudo quanto lhe ia na alma. Este “Diário” é uma “mina” inextinguível de informações. Dele tirámos a primeira parte deste documento interessantíssimo escrito a 4 de Janeiro de 1945.
Jesus e Maria tinham-lhe, no ano findo – 1944 – confiado a humanidade, que Eles encerraram e fecharam no coração da Vítima de Balasar. Alexandrina devia conservá-la no seu coração e tudo fazer e sofrer para que esta humanidade pecadora arrepie caminho...
Nesse mesmo documento, ela fala-nos igualmente das investidas de Satanás e do que este faz para lhe tirar a paz...
A segunda parte deste documento será publicada brevemente...


*****

« Jesus, quais são os miminhos que de Vós vou receber neste novo ano ? Estou cheia de medo, ou mais ainda, cheia de pavor. Venha o que vier, pelo muito que eu seja ferida, humilhada e abatida, com a Vossa graça divina a tudo direi : “Seja bem-vindo, faça-se a vontade de Jesus ; sou vítima do seu amor, vítima das almas”.
Confesso, meu Jesus, que o meu maior receio é a minha fraqueza, temo ofender-Vos. Confio em Vós ; seja firma o meu amor e subirei alegre o meu calvário. Reparai e vede, Jesus, as ânsias que tenho ; se não fosseis Vós tiravam-me a vida. Queria nascer agora, mas já Vos conhecer para nunca manchar o meu corpo. Queria que comigo nascesse o mundo inteiro e que todo ele já Vos conhecesse também para não se deixar manchar. Queria um coração novo, mas que sempre Vos tivesse amado para nunca deixar de Vos amar. O mesmo querer tenho para todas as criaturas, para assim Vos amarem com o mesmo amor que para mim desejo. Onde hei-de esconder-me e comigo esconder o mundo ? Onde hei-de purificar-me e purificar o mundo a não ser em Vós ? Escondei-me, purificai-me. Fazei-me nascer agora para a graça e para o amor e comigo nascer o mundo, mas de tal forma como se eu nem ele Vos tivesse ofendido. Não sei onde estou ; não vivo neste exílio, nem vivo no Céu. Parece-me viver entre ele e a terra. Fui para esta morada, comigo levei o mundo, morada sem luz, sem vida e sem nada. A minha alma rasga-se de dor, é indizível o que sinto em mim. Meu Deus, que derrota ! Não tenho luz e roubaram-me os guias de tão tremendos caminhos. Morro na escuridão, Jesus, morro desfalecida. Vinde, vinde com a Mãezinha, dai-me força, dai-me vida. Não posso pensar nos combates do demónio, tremo de horror. Ele arma tantas ciladas para prender-me ! Forma tantos assaltos à minha alma ! Parece-me morrer de dor. Ouço a sua voz maldita, desafiadora. E quando fica só assim ! O que mais me aflige é quando ele faz o que há de pior »[1].


[1] Alexandrina Maria da Costa : Sentimentos da alma ; 4 de Janeiro de 1945.

sábado, junho 30, 2007

O SANGUE DO CORDEIRO


« Estes são os que vêm da grande tribulação ; lavaram as suas túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro ». (Ap. 7, 14)

A vida da Alexandrina Maria da Costa é uma fonte inesgotável de “água viva” na qual se podem “beber” muitas águas diferentes, mas todas salutares e santificantes.
Os carismas de que beneficiou são numerosos e, cada um deles mereceria um estudo aprofundado pela parte de autores competentes e versados em ascética e mística : eles aí encontrariam não só matéria de reflexão intensa, mas também maravilhas divinas que mais ainda os instruiriam na ciência em que são peritos incontestáveis.
Nós não possuímos essa ciência, mas ousamos falar dela e partilhar com aqueles que irão ler estas páginas, o nosso amor à Alexandrina, “canal” incontestável das graças e ciências divinas. Por isso mesmo e, para evitar comentários que poderiam “escandalizar” aqueles que nesta matéria são especialistas, vamos utilizar, tanto quanto nos for possível os próprios trechos da “Doentinha de Balasar” que mais do que nós, mesmo se nada mais tinha do que a instrução primária rudimentar, é “doutora em ciências divinas”, como o próprio Jesus o afirmou.
O título dado a este trabalho poderá surpreender aqueles que pouco o nada conhecem da vida e dos carismas da Alexandrina, mas, estamos seguros que a leitura terminada, terão compreendido o porquê do mesmo título, esperando que assim se possam igualmente maravilhar de tudo quanto o Senhor operou de extraordinário e notável nesta alma de excepção.
Não temos qualquer receio em afirmar que os escritos da Alexandrina não sofrem qualquer sombra dos escritos doutros místicos tais como Santa Teresa de Ávila, S. João da Cruz, Beata Ângela de Foligno, Santa Gertrudes ou Santa Matilde de Hackerborn, pois fácil é de notar que a “Fonte” é a mesma e que por esta razão, a “concorrência” deixa de justificar-se.
A Alexandrina, tal como o disse Jesus, é na verdade “Mestra das Ciências divinas”[1].
O assunto que vamos procurar desenvolver aqui não é dos mais fáceis, mas esperamos que com a ajuda de Deus e a protecção e inspiração da Bem-aventurada Alexandrina, possamos dizer alguma coisa e demonstrar o carisma extraordinário do qual poucos ou nenhuns — excepto, julgamos, a Beata Ângela de Foligno — : a “transfusão” do Sangue divino como alimento da alma e do corpo da sua querida esposa de Balasar, como mais adiante diremos.
No que diz respeito a esta mística, encontrámos no livro das suas “Visões e revelações” este curto e único trecho que faz referência a este carisma que não parece ter durado muito tempo, visto que no resto da mesma obra não voltamos a encontrá-lo :
« Não dormia. Ele chamou-me e disse-me que aplicasse os meus lábios sobre a ferida do seu lado. Pareceu-me que aplicava os meus lábios, e que bebia sangue, e neste sangue ainda quente eu compreendi que ficava lavada. Eu senti pela primeira vez uma grande consolação, misturada uma grande tristeza, porque tinha a Paixão diante dos meus olhos. E solicitei do Senhor a graça de derramar o meu sangue por Ele como Ele tinha derramado o seu para mim »[2].
A autora italiana Eugénia Signorile, no seu excelente livro “Só por amor” evoca longamente este fenómeno místico excepcional. Ela anuncia-o assim :
« O fenómeno da Eucaristia real dada misticamente já se tinha verificado com algumas grandes almas muito elevadas na espiritualidade, dotadas duma especial sensibilidade para as realidades celestes. Por exemplo, Santa Verónica Giuliani, Santa Gemma Galgani ; e em 1916 Jesus escolheu a pequena Lúcia de Fátima para dar-Se a ela mediante o anjo da guarda.
Mas a Beata Alexandrina recebe ainda um outro alimento para o corpo e para a alma : um conjunto de sangue, vida, amor, sob forma de verdadeira transfusão para o sangue e de efusão para o amor. É a primeira alma mística para quem se efectua tal fenómeno ».

Uma das maiores doutoras da Igreja, Santa Catarina de Sena, fala do Sangue do Senhor e dos seus efeitos, nestes termos :
« Este sangue precioso é a fonte de todo bem ; salva e torna perfeito qualquer homem que se aplique a recebê-lo ; dá a vida e a graça com mais ou menos abundância, de acordo com as disposições da alma ; mas ele é causa de morte para o que vive no pecado »[3].
Podemos — e devemos talvez — perguntar a nós mesmos e àqueles que poderiam duvidar um instante de veracidade de tal carisma : “Que diz o Evangelho a este respeito ?” A resposta surpreender-nos-ia, sem verdadeiramente surpreender... Ouçamos o que diz Jesus :
« Em verdade, em verdade vos digo : se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia, porque a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue, uma verdadeira bebida. Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e Eu nele »[4].
Este carisma parece ter sido precedido de diversas primícias, que não o anunciando — porque nem era conhecido — preparavam no entanto a sua vinda de maneira durável.

[1] Alexandrina Maria da Costa : Sentimentos da Alma : 15 de Dezembro de 1944.
[2] Beata Ângela de Foligno : Visões e revelações ; cap. 14.
[3] Santa Catarina de Sena : Diálogo, cap. XIV, 3.
[4] S. João : 6, 53-56.

sexta-feira, junho 29, 2007

ALEXANDRINA E A JUVENTUDE

NOVO TEMA


O Professor José Ferreira, responsável pela página mensal no Sítio oficial da Beata Alexandrina, depois de lá ter colocado, durante largos meses o livro do casal Signorile : “Alexandrina, quero aprender contigo”, começou agora um novo tema muito pertinente : « Beata Alexandrina, “Os anos da juventude” ».
O primeiro desses artigos destinados à juventude actual estará no dito Sítio a partir do 1º de Julho próximo e continuará assim até que o dito tema seja esgotado, o que risca de não ser para já, visto que sobre este período, muito há para dizer e informar. A vida da Beata Alexandrina é na verdade uma vida extraordinária e quase inesgotável.
Dirigimos os nossos sinceros parabéns ao nosso amigo José Ferreira e fazemos desde já votos de grande e aproveitável sucesso para essa excelente ideia que teve : nos informar sobre a juventude daquela que nesse momento ainda não era conhecida como “Doentinha de Balasar”.
Para que a vossa visita seja mais rápida, aqui está a ligação que lá conduz :
http://alexandrinabalasar.free.fr/pagina_mensal.htm

Lembramos que esta página existe em diversas línguas : Português, Francês, Espanhol, Inglês, Alemão, etc.

segunda-feira, junho 25, 2007

RESTOS MORTAIS DO P.e PINHO

A notícia vinda de Balasar é das mais simpáticas e uma daquelas notícias que é causa de grande alegria e de regozijo para todos aqueles que conhecendo a vida e obras do bondoso Padre Mariano Pinho desejam como nós que ele seja mais conhecido e amado, até que, na “hora de Deus” seja elevado às “honras dos altares” como o foi a sua dirigida Alexandrina Maria da Costa.
O nosso caro amigo, o Professor José Ferreira, anuncia no seu Blog :
« Foi anunciado que os restos mortais do P.e Mariano Pinho virão para Balasar em Outubro. É uma óptima notícia.
Jesus, que manteve o P.e Mariano Pinho longe da sua dirigida tanto tempo, afirmou que eles estavam sempre unidos. Agora que os restos mortais dos dois vão ficar próximos, só falta começar a caminhada que há-de levar este jesuíta às «honras dos altares», para que ambos partilhem a mesma glória e possam ser invocados conjuntamente.
Em Outubro, ou muito próximo, sairá no Boletim Cultural poveiro um artigo biográfico sobre o P.e Pinho ».

Permita Deus que assim seja e que muito em breve, a sua causa seja iniciada pela Arquidiocese de Braga, em estreita colaboração com a Companhia de Jesus e outras dioceses de Portugal onde o “santo” sacerdote exerceu o seu fértil apostolado.

sábado, junho 16, 2007

PEREGRINAÇÃO ITALIANA A BALASAR

“PELLEGRINAGGIO A BALASAR”— terra della Beata Alexandrina —



Peregrinação Italiana a Balasar . Nos próximos dias 19, 20 e 21, do corrente mês, estará em Balasar um grupo de 43 pessoas vindas da Itália para venerar a Beata Alexandrina, celebrar os 175 anos da aparição da Santa Cruz e oferecer à paróquia de Balasar um ícone da Beata Alexandrina, de uma artista Russa, Domenica Ghidotti. O programa é o seguinte:
Dia 19
16H00- Visita à Igreja Paroquial e ao túmulo da Beata Alexandrina.

17H00- Celebração da Eucaristia em honra da Beata Alexandrina.

18H00- Celebração Mariana.
Dia 20
09H00- Adoração eucarística e celebração da Eucaristia.

- Visita à Casa da Beata Alexandrina e recitação do rosário.

- Visita ao cemitério.

20H30- Eucaristia solene com bênção do ícone da Beata Alexandrina.
Dia 21
09H00- Via-Sacra.

10H00- Celebração da Eucaristia em honra da Santa Cruz.

quinta-feira, junho 07, 2007

NOVO ARTIGO

JUNTO DO ALTAR
DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

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A primeira referência ao Sagrado Coração de Jesus que encontramos nos escritos da Alexandrina, encontramo-la na sua Autobiografia, quando ela nos conta como aconteceu a sua primeira confissão geral, em Gondifelos a Frei Manuel das Chagas. Ela no-la descreve com a sua simplicidade habitual:
«Foi aos nove anos que fiz pela primeira vez a minha confissão geral e foi com o Sr. Padre Manuel das Chagas. Fomos, a Deolinda, eu e a minha prima Olívia, a Gondifelos, onde Sua Reverência se encontrava, e lá nos confessámos todas três. Levámos merenda e ficámos para arde, à espera do sermão. Esperámos algumas horas e recorda-me que não saímos da igreja para brincar. Tomámos nosso lugar junto do altar do Sagrado Coração de Jesus e eu pus os meus soquinhos dentro das grades do altar. A pregação dessa tarde foi sobre o inferno. Escutei com muita atenção todas as palavras de Sua Reverência, mas, a certa altura, ele convidou-nos a ir ao inferno em espírito. Para mim mesma disse: “Ao inferno é que eu não vou! Quando todos se dirigirem para lá, eu vou-me embora”, e tratei de pegar nos soquinhos. Como não vi ninguém sair, fiquei também, não largando mais os soquinhos».
A escolha do confessor não deve ter sido um acaso, mas uma escolha divina, visto que Frei Manuel das Chagas era naquele tempo muito conhecido, não só como um confessor atento e experimentado, mas ainda como um pregador de grande renome.
Nascido a 17 de Novembro de 1850, no lugar da Borralha, perto de Águeda, entrou na Ordem Franciscana a 22 de Maio de 1868, professou no ano seguinte, a 22 de Maio de 1869 e foi ordenado presbítero a 27 de Agosto de 1873.
Como dizíamos acima, Frei Manuel das Chagas foi um pregador de grande valor, muito prolífero. Vejamos:
Pregou o seu primeiro sermão durante a Quaresma de 1875, e o seu último a 15 de Abril de 1923, antes de falecer em Tuy, na Espanha, a 17 de Maio de 1923. Durante estes quarenta e oito anos de apostolado intenso, pregou 8.140 sermões. Sim, leram bem e, para que não hajam dúvidas, repetimos: 8.140 sermões.

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