— Anima-te, meu anjo, e
confia sempre

— Anima-te,
meu anjo, e confia sempre. Dá ao teu paizinho, minha filha, o meu Divino
Coração com toda a doçura, ternura e amor. Dá-lho cheio dos meus agradecimentos
pela sua dor e exemplo na sua cruz; é exemplo dos santos. Diz-lhe que me servi
de tão grande martírio para reparação de tantos e tão maus sacerdotes. Tudo
está a terminar, ele será exaltado, e os exaltados humilhados, e a sua missão
continua sempre junto de ti e junto às outras almas. Dá também ao teu médico o
meu Divino Coração como nome dele, da esposa e de todos os filhinhos, gravados
a oiro. São meus, pertencem-me; são salvos, é de todos o céu. Dá-lhe também os
meus agradecimentos, diz-lhe que sou eu que o nomeio combatente livre e
vencedor da minha divina causa, causa mais brilhante e prodigiosa. Diz-lhe que
redobre os seus cuidados e canseiras junto de ti. É preciso milagre, grande
milagre para a tua vida e existência aqui. Dá à Sãozinha a promessa do céu sem
purgatório pelo que trabalho pela minha causa divina. Faz-me uma lista das
pessoas a quem queres que lhes dê o céu sem irem ao purgatório. Sei muito bem
quais elas são e quero condescender com os teus desejos. Vem, minha Mãe, toma o
teu lugar de Mãe carinhosa e extremosíssima, dá a vida e suaviza a dor desta
nossa filhinha.
Tomou-me a
Mãezinha em seus braços, senti-me logo cheia de doçura e amor. Dum lado o seu
santíssimo rosto e do outro a sua bendita mão me acariciava. Estava o meu rosto
no meio daquela prensa santíssima. Cobriu-me de beijos, senti-me viver.
— Minha
filha – dizia-me ela – venho em breve buscar-te para o céu. Antes de expirares,
levo-te à presença de Jesus pela minha bendita mão; entre mim e Ele serás
conduzida ao paraíso. À tua chegada terás coros de virgens, coros angélicos,
toda a corte celeste em hinos, todo o céu em festa.
— Obrigada,
Mãezinha. espero-Vos depressa, a não ser que os Vossos breves sejam como os de
Jesus. Seja como for, não tenho vontade nem querer próprio. O que quero é a
Vossa força santíssima para levar a minha cruz, a pureza do meu corpo e da
minha alma, o amor ao Vosso Coração e ao de Jesus, a graça de não O desgostar
nunca, nunca. Dizei-me, Mãezinha, estais triste comigo ou está Jesus?
— Não,
esposa do meu filho querido. A minha alegria e consolação estão em ti, nada
fizeste para me entristecer; tudo fazes para honra e consolação minha e do teu
Jesus. Sossega, sossega, meu Filho, sossega a tua filhinha.
— Coragem,
sossega, amada do meu Divino Coração. O que te digo é para te firmar e
fortalecer no teu martírio. Não me desgostaste, sossega, não o permito. De ti
recebo a alegria e amor que o meu Divino Coração deseja. És a loucura do céu, a
vida das almas, o encanto da terra, a glória do meu Pai.
Por algum tempo
fiquei fortalecida, mas, à medida que as horas foram passando, corri
apressadamente a mergulhar-me nas trevas para nelas poder esconder-me de todos
e para sempre. Abismada nelas, parecia-me não caberem em mim as ânsias, ânsias
doridas, ânsias capazes de dar a morte, ânsias não sei de quê. Que peso o da
minha cruz! Mas quero-a, amo-a para sempre. (Sentimentos da alma: 05-05-1945)