27 de junho de 2008

ESTATISTICAS

Estatísticas parciais

A afluência de visitantes no “velho” Site consagrado à Beata Alexandrina de Balasar é verdadeiramente animadora. Efectivamente, até ao dia 23 do corrente mês de Junho o Site recebeu 4 400 visitantes e 9 000 páginas foram consultadas.
Os quatro primeiros lugares na classificação por países, é também surpreendente, como podem ver a seguir:

França :.................24%
Brasil :...................21%
Portugal :...............21%
Estados Unidos :....18%

Pensamos que daqui até ao fim do corrente mês estes números vão evoluir, mas pareceu-nos bem indicá-los desde já, que mais não seja, para agradecer a vossa fidelidade.
A igualdade entre portugueses e brasileiros é muito engraçada, quando se sabe que no Site Oficial o Brasil ultrapassa de longe Portugal.
Os 18% dos Estados Unidos provam que os emigrantes portugueses e brasileiros que por lá vivem, precisam de fontes de espiritualidade, e demonstram uma grande devoção à “Santinha de Balasar”.
Tudo isto é motivo para nós não só de grande satisfação, mas também de maiores esforços para vos oferecer assuntos que despertem sempre e cada vez mais o vosso interesse, mas sobretudo o vosso amor para com a Beata Alexandrina.
Que o Senhor vos recompense e permita à Beata Alexandrina de estar sempre atenta aos vossos pedidos.
O Webmaster.

CARTAS A UM AMIGO – 02



França, 2 de Fevereiro de 2005


Meu caro José,


Fiquei surpreendido de me dizeres que tinhas lido a minha última carta aos teus amigos, a quando de uma reunião da tua Associação e que eles estão entusiasmados e desejosos de conhecer algo mais sobre a “Santinha de Balasar”.
Tu sabes bem que eu não sou escritor e que as minhas cartas nada mais têm que o desejo de informar e de mostrar que a santidade é para todos e não para alguns “privilegiados”: todos nós podemos ser santos se cumprirmos os mandamentos de Deus e mais particularmente os dois primeiros, visto que todos os outros dependem destes.
Continuando a falar do que me pediste, vou então contar-te algumas coisas da vida da Beata Alexandrina de Balasar.
Antes, todavia, como ela mesmo o fez, imploro a ajuda do divino Espírito Santo de maneira que tudo quanto terei a escrever, seja para a maior glória de Deus e o bem das almas que estas linhas irão ler. Como nada sou, nada pretendo para mim, senão para o bem da minha alma que humildemente coloco entre as Mãos de Deus, a quem toda a glória e toda a honra seja prestada por todos os séculos. Amem.
Na sua Autobiografia ― datada de 20 de Outubro de 1940 ― a Beata Alexandrina escreve:
« Nasci na freguesia de Balasar, concelho da Póvoa de Varzim, distrito do Porto, a 30 de Março de 1904, numa quarta-feira de trevas, e fui baptizada a 2 de Abril do mesmo ano, era então Sábado de Aleluia ».
A Alexandrina nasceu durante a Semana Santa, como aqui se pode ler. Um certo número de factos notáveis da sua vida ocorrerão também durante a Semana Santa, como veremos mais tarde.
« Serviram de padrinhos ― continua ela a explicar ― um tio de nome Joaquim da Costa e uma senhora de Gondifelos, Famalicão, de nome Alexandrina », razão pela qual ela mesma foi chamada Alexandrina, como era então a tradição: era a madrinha que escolhia o nome da afilhada.
Este tio de quem ela fala e que foi seu padrinho de baptismo e protector da família nos momentos difíceis que esta atravessou, foi sepultado na campa familiar, no cemitério de Balasar, onde mais tarde foram igualmente sepultadas Maria Ana, à mãe da Alexandrina e Deolinda, a irmão mais velha.
Uma das grandes virtudes da Beata foi a humildade. Aqui tens, meu amigo, um exemplo dessa virtude que ela “cultivou” no jardim da sua bela alma:
« Encontro em mim, desde a mais tenra idade, tantos, tantos defeitos, tantas, tantas maldades que, como as de hoje, me fazem tremer. Era meu desejo ver a minha vida, logo desde o princípio, cheia de encantos e de amor para com Nosso Senhor. »
Preparando-se ― depois de ter identificado ― para nos contar a sua vida, ela afirma:
« Até aos três anos de idade não me recordo de nada, a não ser de algum carinho que dos meus recebia. Com os meus três anos recebi o primeiro mimo de Nosso Senhor. »
Para que saibas, caro José, que são estes “mimos” do Senhor, dir-te-ei que esta palavra tem aqui o sentido oposto ao que ela quer na verdade dizer. Quando ela fala de “mimos” do Senhor, fala-nos de sofrimentos livremente aceites que Jesus permitia para o bem das almas.
Este primeiro “mimo” de que aqui fala refere-se a um incidente causado pela sua teimosia e desobediência ao que lhe dissera a mãe. Serviu-lhe de exemple e, daí em diante, foi mais obediente, mas mesmo assim sempre traquina. É que os santos são como toda a gente, também têm os seus defeitos, mas a vantagem deles é que sabem corrigi-los e arrepender-se... o que nem sempre é o nosso caso, amigo José.
Desde muito pequena, Alexandrina sentiu-se atraída pelo Céu. Ouçamos o que ela escrever na sua Autobiografia:
« Pelos quatro anos e meio de idade, punha-me a contemplar o céu (abóbada celeste) e perguntava aos meus se poderia chegar-lhe se pudesse colocar umas sobre as outras todas as árvores, casas, linhas dos carrinhos, cordas, etc., etc. Como me dissessem que nem assim chegaria, ficava descontente e saudosa, porque não sei o que me atraía para lá. »
Santa inocência!...
Mas não era só o Céu que a atraía: a oração também, como ela no-lo conta:
« Já nesta idade amava muito a oração, pois lembra-me que minha tia pedia-me para rezar com ela a fim de obter a sua cura. »
Lembra-te, meu amigo, que ela apenas tem quatro ou cinco anos...
Depois, como ela conta, começou a frequentar a catequese, onde depressa vai aprender o que lhe será necessário para ser mais tarde catequista.
Estas frequentes visitas à igreja paroquial, proporcionavam-lhe ocasião de vislumbre, de meditação:
« Quando me encontrava na igreja, punha-me a contemplar os santos, e os que mais encantavam eram as imagens de Nossa Senhora do Rosário e S. José, porque tinham uns vestidos muito bonitos e eu desejava ter uns iguais aos deles. Não sei se seria já princípio da manifestação da minha vaidade. Queria ter uns vestidos assim, porque perecia-me que ficava mais bonita com eles. »
Seria mesmo vaidade?
Penso que não e, note-se que ela mesmo o não afirmar, nada mais faz do que fazer uma pergunta. E na verdade, a Alexandrina que gostava de andar “asseadinha”, nunca foi pessoa vaidosa.
Depois de apontar os seus “defeitos” ela aponta também algumas das suas virtudes, entre as quais o seu amor a Nossa Senhora:
« E, se nesta idade manifestava os meus defeitos, também mostrava o meu amor para com a Mãe do Céu, e lembra-me com que entusiasmo cantava os versinhos a Nossa Senhora e até me recordo do primeiro cântico que entoei na igreja, que foi “Virgem pura, tua ternura, etc.” »
Começava já a despontar nela aquele amor indizível que crescerá mais ainda no que toca à nossa Mãe do Céu, que muito em breve ela começará a chamar “Mãezinha”.
Como vês, meu amigo, a vida da Alexandrina tem muito que contar e não serão apenas algumas páginas o suficiente para a descrever. Resumir uma vida tão cheia de Deus e das coisas de Deus, seria, a meu ver, traí-la. E eu não posso trair a querida Alexandrina...
Ficamos hoje por aqui, caro José. Na próxima carta te contarei mais algumas “aventuras” desta jovem extraordinária que a Igreja considerou digna das honras dos altares.
O teu amigo dedicado.


26 de junho de 2008

CARTAS A UM AMIGO – 01


França, 2 de Janeiro de 2005

Caro amigo José,

Na tua última carta, motivado pelo que por aí na Califórnia tens ouvido, pedes-me que te fale da Alexandrina de Balasar, ou mais exactamente Beata Alexandrina Maria da Costa, visto que o Santo Padre João Paulo II a beatificou em Roma no dia 25 de abril de 2004.
Falar daqueles que se ama, é sempre um grande e indiscritível prazer, mas no casa da Beata Alexandrina esse prazer é ainda maior, visto ter por ela uma grande admiração, uma devoção verdadeira e um amor que só Deus e ela podem conhecer.
Um dia te direi como a conheci, visto que essa graça merece ser publicada, não só para a maior glória de Deus e honra dela, mas também para lhe agradecer tudo quanto por mim fez e fará ainda, estou disso certo.
Devo dizer-te, meu bom amigo, que para te contar, ainda que sucintamente a vida de tão extraordinária personalidade, uma só carta não chegará, nem mesmo três ou quatro, visto que uma vida tão repleta como a da Bem-aventurada, necessita muito mais.
Dizes-me que ouviste falar dela aí na Califórnia, no meio de algumas associações de portugueses que por aí vivem e que alguns dos teus amigos são nativos do Porto, Braga, Famalicão, Barcelos, Vila do Conde e Póvoa de Varzim, vilas e cidades pouco distantes de Balasar. Dizes-me ainda que alguns dos mais idosos afirmam tê-la conhecido pessoalmente e tê-la visitado, o que nada tem de impossível, visto que ela voou para o Céu na quinta-feira 13 de Outubro de 1955, aniversário da última aparição de Nossa Senhora em Fátima.
Essas pessoas que tu conheces e que conheceram a Alexandrina poderiam informar-te, contar-te a vida dela, uma vida toda cheia de Deus e do amor do próximo. Tendo-a conhecido, eles devem conhecer igualmente numerosos factos ocorridos na casa dela, casos talvez ignorados pelos biógrafos e que seria bom conhecer... sendo estes verdadeiramente autênticos, como é óbvio.
Devo informar-te igualmente que por intermédio da Internet, podes ter acesso ao “Site” que consagrei à Beata Alexandrina, onde podes ler, mais rapidamente, não só a Autobiografia, mas igualmente diversos artigos. Mesmo se a maior parte deles estão escritos em francês, existem também numerosas páginas em Português.
http://alexandrina.balasar.free.fr/
Ainda não existe “Site oficial” da Beata Alexandrina, mas eu penso que isso acontecerá muito em breve, visto que é absolutamente necessário que ela seja conhecida e amada por um maior número de católicos; que ela venha a ter um maior número de devotos e sejamos numerosos a pedir ao Senhor a sua canonização.
Como vês, nesta primeira carta pouco te direi sobre ela, visto que era necessário, como deves compreender, assentar as bases de quanto terei para te escrever, porque a vida da Beata Alexandrina, para ser bem conhecida, necessita de um mínimo de informações, informações essas que não devem ser encurtadas por motivos de espaço ou de tempo.
Dir-te-ei desde já que vou utilizar regularmente a Autobiografia e depois, quando isso for necessário extractos das cartas que escreveu ao seu primeiro Director espiritual, o Padre jesuíta Mariano Pinho.
Um outro documento que utilizarei no momento oportuno será o seu Diário ― intitulado “Sentimentos da alma” ― cuja densidade mística é admirável et a coloca no cimo da lista dos grandes místicos da Igreja Católica, ao mesmo nível que Santa Teresa de Ávila, S. João da Cruz, Beata Ângela de Foligno e de alguns mais, sem esquecer a grande Doutora da Igreja por quem Alexandrina tinha uma grande devoção: Santa Teresinha do Menino Jesus.
Para tua informação, posso dizer-te que Balasar é uma aldeia situada no norte de Portugal, entre Braga e o Porto. Pertence à diocese de Braga.
Balasar tem uma particularidade: a aldeia é formada por um conjunto de lugares, separados uns dos outros por campos, pinhais e ramadas de vinha, tendo como ponto central a Igreja paroquial que se situa sobre uma pequena elevação e pode ser vista de todos esses lugares que constituem a paróquia.
Foi junto à igreja paroquial que em 1832, em manhã de domingo, quando os paroquianos vinha assistir à missa, apareceu uma cruz de terra negra que ninguém mais conseguiu apagar e que ainda hoje existe, protegida por uma simples capela, chamada a Capela da Santa Cruz.
Mais tarde, Jesus falará à Beata Alexandrina dessa cruz misteriosa: era o “presságio” anunciando a vítima futura. Mas, não quero antecipar...
De maneira que na próxima carta possa começar a falar-te de Alexandrina, devo dizer-te, desde já, que ela era filha de Maria Ana da Costa.
Alexandrina tinha uma irmã mais velha: a Deolinda, que virá a ser mais tarde a “secretária” paciente e bondosa a quem a Beata ditará o seu Diário.
E o pai? Poderás tu perguntar.
O pai da Alexandrina não chegou a casar com a Maria Ana. De facto, prometendo-lhe casamento, fez-lhe duas filhas mas decidiu depois casar com outra mulher, abandonando a mãe e as filhas.
Maria Ana desde então mudou de vida e educou cristãmente as duas filhas e veio mesmo a ser um bom exemplo de conversão e de amor de Deus, perante os seus conterrâneos.

O teu amigo fiel e dedicado.

23 de junho de 2008

JUNTO DO ALTAR



A primeira referência ao Sagrado Coração de Jesus que encontramos nos escritos da Alexandrina, encontramo-la na sua Autobiografia, quando ela nos conta como aconteceu a sua primeira confissão geral, em Gondifelos a Frei Manuel das Chagas. Ela no-la descreve com a sua simplicidade habitual:

«Foi aos nove anos que fiz pela primeira vez a minha confissão geral e foi com o Sr. Padre Manuel das Chagas. Fomos, a Deolinda, eu e a minha prima Olívia, a Gondifelos, onde Sua Reverência se encontrava, e lá nos confessámos todas três. Levámos merenda e ficámos para arde, à espera do sermão. Esperámos algumas horas e recorda-me que não saímos da igreja para brincar. Tomámos nosso lugar junto do altar do Sagrado Coração de Jesus e eu pus os meus soquinhos dentro das grades do altar. A pregação dessa tarde foi sobre o inferno. Escutei com muita atenção todas as palavras de Sua Reverência, mas, a certa altura, ele convidou-nos a ir ao inferno em espírito. Para mim mesma disse: “Ao inferno é que eu não vou! Quando todos se dirigirem para lá, eu vou-me embora”, e tratei de pegar nos soquinhos. Como não vi ninguém sair, fiquei também, não largando mais os soquinhos».

A escolha do confessor não deve ter sido um acaso, mas uma escolha divina, visto que Frei Manuel das Chagas era naquele tempo muito conhecido, não só como um confessor atento e experimentado, mas ainda como um pregador de grande renome.
Nascido a 17 de Novembro de 1850, no lugar da Borralha, perto de Águeda, entrou na Ordem Franciscana a 22 de Maio de 1868, professou no ano seguinte, a 22 de Maio de 1869 e foi ordenado presbítero a 27 de Agosto de 1873.
Como dizíamos acima, Frei Manuel das Chagas foi um pregador de grande valor, muito prolífero. Vejamos:
Pregou o seu primeiro sermão durante a Quaresma de 1875, e o seu último a 15 de Abril de 1923, antes de falecer em Tuy, na Espanha, a 17 de Maio de 1923. Durante estes quarenta e oito anos de apostolado intenso, pregou 8.140 sermos. Sim, leram bem e, para que não hajam dúvidas, repetimos: 8.140 sermões.
Para ouvi-lo, a Alexandrina e as suas companheiras não hesitaram em ir a Gondifelos, paróquia vizinha de Balasar, onde se confessaram e depois esperaram “algumas horas” e, recorda-se ela anos mais tarde, que nem saíram “da igreja para brincar”.
Para não perder a mínima migalha do sermão do bom frade, Alexandrina foi postar-se, com a irmã e a prima “junto do altar do Sagrado Coração de Jesus”.
Esta é, como já dito, a primeira referência ao Sagrado Coração de Jesus. Depois desta, muitas outras virão e, será dessas referências ou alusões ao Coração divino do Senhor que iremos dissertar um pouco mais adiante.
Para já, e mesmo antes de qualquer outra afirmação ou comentário, como o Padre Mariano Pinho, podemos dizer que «da abundância do coração falam os lábios. Foi da abundância do coração, do seu intenso viver íntimo que brotaram todas essas páginas da Alexandrina e elas revelam-nos tantas coisas extraordinárias. Apesar da sua feição tão angelical, tão simples, tão verdadeira, tão serena, tão sem complicações: aprouve à divina Providência levá-la por vias nada vulgares e de autênticas maravilhas»[1].
O nosso intento é de mostrar, tanto quanto nos for possível, o lugar ocupado pelo Coração de Jesus na vida interior da Alexandrina.
Jesus falou-lhe muitas vezes, e muitas vezes lhe mostrou e explicou as características do seu divino Coração, como veremos. São estas características que nós iremos procurar e desenvolver, uma a uma, na sua ordem cronológica.
Todavia, antes de começarmos esse estudo, teremos de sobrevoar a história da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, o que nos ajudará a melhor compreender o percurso extraordinário da “Doentinha de Balasar” nos caminhos espinhosos da vida íntima com o Senhor.


[1] P. Mariano Pinho, SJ: No Calvário de Balasar, Introdução.

7 de junho de 2008

CARTA A BEATA ALEXANDRINA

Algures, 3 de março de 2008


Cara Alexandrina,


Quando eu leio os teus escritos, os teus “Sentimentos da Alma”, sinto uma grande vontade, um grande desejo de te imitar, mas depressa me dou conta que estou longe, muito longe de ti, para verdadeiramente poder procurar imitar-te.
O meu quotidiano nada mais é do que um rio cheio de detritos, de imundices, de pecado: a minha miséria é maior do que eu e submerge-me.
Que podes tu fazer por mim? Como podes tu ajudar-me? Não tens dó de mim, eu que sou o teu irmãozinho?
Ó irmãzinha querida, ajuda-me! Ajuda-me a fugir ao pecado e à ocasião de pecar, para que eu possa marchar na direcção do Senhor como tu o fizeste, tu que, apesar dos grandes sofrimentos, tão maravilhosamente o conseguiste fazer.
Irmãzinha querida, vê como sou miserável et tem piedade!
Tu sofreste pelos maiores pecadores: fazia eu já parte do número desses?
Sofreste tu por mim quando ainda te não conhecia?
Penso que sim e, quero agradecer-te e a minha maneira de te agradecer será de procurar imitar as tuas virtudes. Mas, mesmo para fazer isso, preciso da tua ajuda, porque sou verdadeiramente miserável e frágil... A minha vontade é como uma esponja: quando está cheia de água, encontra-se confortada, mas quando a água se esvai, logo seca, torna-se rígida, incapaz do mínimo esforço, do mínimo movimento...
Minha irmãzinha, estou agora a escrever-te, agora neste momento... e nem sei porque razão o faço... mas faço-o como se obedecesse a uma impulsão... Se és tu que me inspiras, recebe os meus agradecimentos sinceros e agradece por mim ao Senhor que de ti se serve uma vez mais para me prevenir que devo arrepiar caminho...
Estas palavras “arrepiar caminho”, tu as conheces bem: muitas vezes as ouviste da boca de Jesus e, tu mesma muitas vezes as disseste àqueles irmãos que te vinham visitar...
Tu sabes que eu te amo dum amor particular, porque eu só me sinto bem ― pondo de parte os mementos em que o “outro” me puxa pelos pés! ― que eu só me sinto bem, dizia, quando leio os teus escritos e quando falo de ti e de tudo o que foste e fizeste...
Mas, não será isso também uma “fachada”, uma árvore que esconde a imensa floresta da minha alma, esta alma que se sente triste a morrer, que não sabe o que fazer, que já não sabe para que santo se voltar?
Irmãzinha querida, ajuda-me a viver em Jesus, de Jesus e para Jesus, como tu mesma tão bem o fizeste. Ajuda-me a lavar toda esta sujidade que cobre a minha pobre alma, para que, ficando “limpo”, eu possa apresentar-me diante do Senhor, cheio de alegria e o coração repleto de amor...
Como tu, também eu possa dizer: “Jesus, eu não sei quanto te amo, não sei como te amo, mas sei que quero amar-te!”
Alexandrina Maria, minha irmãzinha do Céu, roga por mim a Jesus!
Eu não assino, mas tu sabes quem eu sou...