18 de fevereiro de 2010

QUERO VIVER SÓ DE AMOR

Meditação

Jesus, não quero mais viver de ilusões; quero viver só de amor e de confiança. Cortai em mim tudo o que é terreno, quero só esperar em vós, quero ser forte, mas não posso, sinto-me definhar dia a dia. E sinto na minha alma que novos assaltos estão para cair sobre mim. Tudo é revolta. Prevejo um mundo de leões laçarem-se a mim com toda a raiva para me devorarem. Que angústia na minha alma! Que tristeza profunda no meu coração! A alma treme de medo com todo o meu corpo; não posso viver assim. Será porque o fim se aproxima? Venha ele, venha depressa. O Céu é a minha esperança. Quero, por todos os caminhos percorridos durante a vida, deixar escrito com o meu sangue o Vosso amor. São caminhos de luta, caminhos de negras trevas; trevas como nunca, abandono como nunca imaginei passar. Levanto as minhas mãos ao Céu, para o Céu que tantas vezes fitei e contemplei com amor, mas não o vejo. Brado com toda a força, do fundo do coração, e o meu brado não sobe, parece-me Jesus não ouvir! Abandono, que completo abandono!... Jesus, Jesus, compadecei-vos de mim, parece-me que vos perdi e que perdi a Mãezinha. Afastaram de mim na terra o amparo, guia e luz que me tínheis dado. Jesus, Jesus, olhai a louquinha perdida que tudo sofre e aceita por vosso amor, para dar-vos as almas. Jesus, Mãezinha, quero sofrer tudo; as forças não me ajudam. Estou sozinha, posso dizer convosco: Pai, porque me abandonaste? Quereis assemelhar-me a vós? Obrigada, meu Jesus. Submeto-me ao peso da vossa Cruz. Sinto arrancarem-me o coração, sinto que vou morrer esmagada, mas quero balbuciar sempre: Ó como é doce morrer por amor! Ó como é doce cumprir a vontade do Senhor! Jesus, à medida que se aproxima a crucifixão, o pavor aumenta, sinto-me cravada na cruz, dando de longe a longe um suspiro até que seja o derradeiro. A agonia aumenta, São dados ao meu corpo maus tratos sem piedade. Ó mundo, ó mundo que não conheces a dor nem o amor de Jesus. Só com ele se abraça a Cruz, só com ele se caminha para o martírio!

Sentimentos da alma: 20 de Março de 1942.

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