Vou-vos falar da consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria, da qual a Alexandrina foi a iniciadora, como o prova um documento editado pela Santa Sé a quando da
instrução do processo de beatificação, no qual se pode ler o seguinte:
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Pio XII, o Papa da consagração |
“Foi ela que em 1936, por
intermédio do seu director espiritual escreveu ao Santo Padre para pedir esta
consagração”.
De facto, no dia 30 de Julho de 1935, Jesus fala, pela primeira vez à
Alexandrina na Consagração do mundo a Maria, nestes termos:
“Manda dizer ao teu pai
espiritual que, em prova do amor que dedicas a Minha Mãe Santíssima, quero que seja feito todos os anos um acto de
Consagração do mundo inteiro, num dos dias das suas festas, escolhido por ti:
Assunção, Purificação ou Anunciação, pedindo à Virgem sem mancha de pecado que
envergonhe e confunda os impuros, para que eles arredem caminho e não me
ofendam. Assim, como pedi a Santa Margarida Maria para ser o mundo consagrado
ao Meu Divino Coração, assim peço-te a ti para que seja consagrado a Ela uma
festa solene.”
O Padre Mariano Pinho, não se apressou, preferiu a prudência e esperou mais
de um ano, antes de escrever ao Papa Pio XI, a 11 de Setembro de 1936. A carta
foi enviada ao Secretário de Estado do Papa, o Cardeal Eugénio Pacelli, futuro
Pio XII.
Esta iniciativa motivou um inquérito da Santa Sé e foi encarregado deste um
sacerdote Jesuíta, o Padre António Durão que visitou a Alexandrina e lhe fez
muitas perguntas, a fim de julgar o bem fundado do pedido enviado ao Papa.
Ficou muito bem impressionado com a Alexandrina.
Um pouco mais tarde, em Maio de 1938, o Padre Mariano Pinho foi escolhido
para pregar o retiro dos Bispos portugueses reunidos em Fátima. O zeloso
sacerdote aproveitou desta excelente ocasião para motivar os Bispos portugueses
a solicitarem a Consagração mundo a Maria, conforme o pedido de Jesus, o que
foi feito no fim do retiro, em Junho de 1938. O Padre Mariano Pinho escreveu
ele mesmo o pedido em Latim e todos os Bispos presentes assinaram o dito
pedido.
Este novo pedido resultou em nova investigação por parte da Santa Sé que
enviou junto da vidente um eminente professor co colégio português de Roma, o
Cónego Manuel Pereira Vilar.
O encontro entre a Alexandrina e o Cónego Vilar foi um sucesso. Neste
período encontramos um Bispo açoriano (depois Cardial) que teve papel de
relevo: D. José da Costa Nunes.
Mas porque as coisas tardavam e alguns eminentes eclesiásticos pareciam
pouco susceptíveis aos dizeres de uma simples camponesa, Jesus permitiu um
sinal: a vivência da Paixão pela “doentinha de Balasar”.
No dia 3 de Outubro de 1938 Alexandrina começou a viver a Paixão de Jesus
de maneira visível todas as sextas-feiras. Esta vivência da Paixão durou até 20
de Março de 1942, ano da consagração, continuando depois de maneira invisível.
Nesses momentos — durante os “êxtases” da Paixão —,
a Alexandrina readquiria milagrosamente os movimentos de todo o seu corpo, e
normalmente rezava ajoelhada na sua cama, em direcção à Igreja paroquial de
Balasar.
Entretanto o Papa Pio XI faleceu e ocupou o seu lugar o Cardeal Eugénio
Pacelli, com o nome de Pio XII.
Em 20 de Março de 1939, Jesus prediz à Alexandrina: «É este Papa que consagrará o Mundo ao
Coração Imaculado de Minha Mãe».
Em 16 de Junho de 1939 — festa do Sagrado Coração
de Jesus — a Alexandrina escreve pela última vez ao Papa, a pedir novamente a
Consagração do Mundo ao Coração Imaculado de Maria.
Em 3 de Outubro de 1942, Jesus voltará a insistir:
— Depressa,
depressa a Consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria.
Finalmente Pio XII decidiu consagrar o mundo a Maria, concretizando assim o
pedido feito por Jesus por intermédio da Alexandrina.
No dia 31 de Outubro de 1942 ela recebeu de Fátima
um telegrama do Padre Mariano Pinho, anunciando-lhe que, em Roma, o Santo Padre
Pio XII fez, finalmente, a Consagração do Mundo ao Coração Imaculado de Maria,
em língua portuguesa, com especial menção à Rússia.
E foi precisamente após essa mesma Consagração do
Mundo que a vivência da Paixão de Cristo deixou de ser visível e tão dolorosa,
passando a ser vivida apenas no seu íntimo.
Afonso Rocha
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