14 de outubro de 2008

A BEATA ALEXANDRINA

A Beata Alexandrina de Balasar

Aí pelos anos trinta, do passado século, a freguesia de Balasar, da Póvoa de Varzim, começou a correr mundo. Divulgava-se o denominado caso da “Santinha de Balasar”.
Alexandrina Maria da Costa nasceu em 30 de Março de 1904 no lugar de Gresufes, Balasar, onde passou a infância na casa dos avós, depois mudou-se com a mãe e a irmã até ao resto da vida, para uma casa situada no lugar do Calvário.
Filha de gente humilde, andou por algum tempo a servir, durante a adolescência, mas a sua débil constituição física aconselhava a mãe a retê-la em casa ocupando-se na costura e nos trabalhos domésticos. Tinha 14 anos, precisamente no sábado Santo de 1918, quando inquietada por alguns rapazes da aldeia, cujas intenções julgou serem maldosas, se lançou de uma janela ao quintal ficando prostrada e com violentas dores no ventre. Daí resultou um mal estar que os tempos agravaram e a levou, aos 21 anos de idade, a acamar definitivamente.
A Alexandrina revelou ter, desde criança, um coração terno e amorável, fazendo com que algumas pessoas gostassem de a ter na sua companhia. Educada cristãmente, esmerava-se nas práticas religiosas, sendo sempre a primeira no serviço da Igreja.
Quando se viu irremediavelmente perdida para o mundo e depois de ter pedido, em vão, a sua cura, compreendeu que a vontade de Deus era outra e abraçou-se a ela com todo o amor e generosidade oferecendo-se para vítima, dando início a um itinerário espiritual onde tomam expressão as grandes penitências e sublimes arroubos místicos.
De 1938 a 1944 teve como director espiritual o Padre Mariano Pinho, jesuíta, e daí em diante o Padre Humberto Maria Pasquale, salesiano.
A partir de 27 de Março de 1942 até à sua morte passou a alimentar-se exclusivamente da Eucarística e, caso curioso, ao mesmo tempo que não suportava os alimentos no seu organismo, sentia grandes saudades da alimentação.
Por um período de 17 anos (1938-1955) sofreu as dores da Paixão de Jesus. Numa primeira fase (todas as sextas-feiras, desde 3 de Outubro de 1938 até 20 de Março de 1942) sofreu sobretudo as dores físicas; na segunda (desde 27 de Março de 1942 até à morte) sofreu principalmente as dores íntimas de Jesus.
Devido aos fenómenos místicos foi submetida a repetidos exames de sacerdotes e de médicos. Por três vezes foi internada em hospitais especializados, sendo o último internamento de quarenta dias no Refúgio de Paralisia Infantil da Foz.
Morreu no quartinho onde passou a sua vida de martírio, no dia 13 de Outubro de 1955, com 51 anos de idade. O seu funeral foi uma verdadeira apoteose em que se incorporaram milhares de pessoas vindas de todo o país. O seu cadáver foi vestido, como era de sua vontade, com o uniforme de Filha de Maria. Esteve exposto, em câmara ardente, numa sala contígua ao quartinho da morte, durante vinte e quatro horas e, depois dos ofícios religiosos na Igreja Paroquial, foi a enterrar em campa rasa no cemitério da freguesia, sendo depois mudada para uma capela-jazigo e por fim trasladado o seu corpo para a Igreja Paroquial em Julho de 1978.
A fama de santidade fez de Balasar um centro de peregrinação, particularmente concorrido nos dias 13 de cada mês. Os devotos visitam a sepultura, na Igreja, e a casa onde viveu e morreu.
A autoridade eclesiástica, nove meses após o falecimento, aprovou uma oração para uso particular com o fim de pedir a Deus a beatificação da Alexandrina. Também chegavam, sobretudo do estrangeiro, listas de assinaturas pedindo a introdução da causa pelo que foi dado início ao processo, sendo nomeado para Postulador da causa o Padre Hector Calovi, salesiano, que em 1966 apresentou os Artigos introdutórios para o Processo Informático Diocesano que decorreu até 2 de Abril de 1973. De Braga passou a Roma que a declarou Venerável, reconhecendo a heroicidade com que a Alexandrina praticou as Virtudes Cristãs, em 12 de Janeiro de 1996, e a beatificou a 25 de Abril de 2004.
Escreveu o seu diário místico e deixou milhares de páginas manuscritas recolhidas em doze volumes.

Mons. Manuel Amorim

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