1 de outubro de 2008

SENTIMENTOS DA ALMA


Não sei como dizer algumas palavras, mostrando um nadinha o muito que me vai na alma. Não sei como obedecer.
― Meu Deus, meu Deus, quanto se sofre! Seja tudo por Vosso amor! Ó dor, ó dor, tu só és doce, levada por amor de Jesus. Mas custas tanto! Há tão pouco quem te compreenda e se compadeça dos que sofrem! Sede louvado e bendito em todas as coisas; seja feita, Senhor, a tua vontade. É tal o sofrimento que tenho no corpo e na alma que me faz sentir imensa necessidade de pedir a Jesus para me levar para o Céu. Só com a força de um Deus se pode sofrer assim. Não posso pensar na perda de Jesus e da Mãezinha; a minha alma não suporta tal dor. Não me aproveitaria eu das graças que pelo Céu me foram dadas?
Meu Deus, meu Deus, compadecei-Vos de mim, compadecei-Vos desta pobre alma nas maiores trevas, no maior abandono e sem um guia! Ai, Jesus, ai, Jesus, ai, Mãezinha! Junto ao meu sepulcro, mas na maior profundidade, que nunca olhares humanos podem penetrar, estou eu nos meus suores, na minha cavação incessante. Não sei o que faço nem sei onde vou parar. Ai de mim, para onde vou! Que pavor! Na superfície da terra estou como sozinha no mundo; é um mundo sem luz, um mundo sem fôlego vivo.
Sinto uma velhice, como não houve nem haverá jamais. Esta velhice é no corpo e na alma. É uma velhice; quase junto a cabeça aos pés e varro a terra com o rosto. Foi o corpo que envelheceu a alma e a afeiou.
Só deixei o mundo, quando ele me deixou, quando me escarneceu e no rosto escarrou, quando com vozearias e maus-tratos tentava tirar-me a vida. Tudo passou, só eu fiquei nessa velhice morta e apodrecida. Quase nada tenho rezado com os meus sofrimentos, com tão doloroso martírio. Fiquei quase por completo esquecida das coisas do Céu. Tenho dito a Jesus e à Mãezinha que isto não representa a diminuição do meu amor, mas sim do meu muito sofrer. Faço repetidos actos de fé: creio, Jesus, eu creio. Perder a Jesus, perder a Mãezinha, foi perder o Horto, perder o Calvário, foi perder tudo. Caminho por aqui e além, fito um e outro lugar sem proveito algum e a ninguém encontrar.
Foi neste estado de alma que se aproximaram as três horas de hoje. De repente, fiquei num mar imenso de naufrágio; a todo o custo lutei com as ondas, entrando sempre pelo mar imenso a apanhar e a trazer comigo os náufragos. Precisava de conforto, estava perdida, desfalecida de tanto lutar. Veio Jesus e disse-me no meio do naufrágio:
― “Minha filha, minha filha, mar de dor, mar de sangue, mas mar de salvação das almas sem número, aos milhões, aos milhões, aos milhões. Muita dor exijo de ti, porque muita reparação exigem os crimes da humanidade. Como o mundo peca, como o mundo peca! E há tão pouco quem sofre e repare!”
Dito isto, Jesus desapareceu e eu fiquei no mesmo mar e em trevas apavoradoras.
― Sois Vós, Jesus, sois Vós ou estou enganada? Onde é que estais? Valei-me, valei-me.
Ele não se apressou, deixou que a luta e as trevas continuassem, até que depois veio e disse-me:
― “Colóquio de fé, colóquio de fé, minha filha, colóquio de amor. Muito sofres, porque muito amas e és amada. Eu tenho que fazer milagres, para que possas resistir à dor que te causam as ofensas feitas ao meu Divino coração.”
Fiquei no Seu regaço, entre os Seus braços, muito estreitada ao Seu Coração divino. Jesus acariciava-me e fitava-me com doçura e amor. Já se passaram umas poucas de horas e eu ainda sinto no coração aqueles olhares tão ternos e penetrantes. Com a máquina do Seu Coração parece que sulfatava o meu. Aquele fogo ateou-me no meu peito.
― “Qual queres, minha filha, ver-me a sofrer ou ver-me na alegria?”
― Ó Jesus, a dor para mim e a alegria e consolação para Vós.
Ele chegou a suspirar, mas eu bradei-Lhe:
― Sofrer não, sofrer não, meu Jesus.
― “Coragem, filha, e confiança: está perto, está perto o teu Céu. Recebe a gota do meu Divino sangue. É o Sangue de Cristo, é a mesma vida de Cristo a viver em ti. Comunica ao mundo, comunica às almas esta vida; deixa-as servir e aproveitar-se dela, conforme as suas ânsias de união comigo. Sofre pelo mundo, salva o mundo; sofre, sê vítima no mais alto grau pelos sacerdotes. Como eles pecam, como eles pecam em tão grande número!”
― Sou a Vossa vítima, Jesus. Lembrai-Vos de todas as minhas intenções. Creio que estivestes em mim, creio que viveis em mim.
Alexandrina Maria da Costa

1 comentário:

osátiro disse...

Apelemos à Índia para que proteja os cristãos perseguidos e assassinados enviando o texto para endereço electrónico das embaixadas:
Portugal:
consular@indembassy-lisbon.org

Brasil:
ambassador@indianembassy.org.br

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