21 de fevereiro de 2010

ENRICO DAL COVOLO

Uma notícia que nos alegra é aquela publicada pela Agência noticiosa “Zenit” e que diz respeito ao Padre Enrico Dal Covolo, Postulador da causa de canonização da Beata Alexandrina de Balasar:

Enrico dal Covolo explica exercícios espirituais do Papa

ROMA, sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010 (ZENIT.org). – A partir do domingo, dia 21, até o sábado, 27 de fevereiro, serão realizados, na presença do Papa Bento XVI, os exercícios espirituais para a Cúria Romana.

Tendo como referência o Ano Sacerdotal em curso, as meditações serão propostas pelo sacerdote salesiano Enrico dal Covolo, sobre o tema “'Lições' de Deus e da Igreja sobre a vocação sacerdotal”.

Para compreender melhor o objectivo e a finalidade destes exercícios, Zenit entrevistou Enrico dal Covolo.

Tanto em educação como em pregação, Dal Covolo, 59 anos, sacerdote há 31 anos, está longe de ser um novato: tem mais de 200 retiros preparados. Professor de literatura cristã antiga, é especialista nos Padres da Igreja. Desde 2002, é consultor da Congregação para a Doutrina da Fé e faz parte do Comité Pontifício de Ciências Históricas. Dentro da congregação, é postulador geral para as causas dos santos da família salesiana.
Para ler toda a entrevista, carregue la ligação a seguir:

20 de fevereiro de 2010

A MINHA IGNORÂNCIA NÃO ME PERMITE...

Parece-me que nunca amei Jesus

Continuo no meu Calvário, na minha vida sem mérito. Nada há em mim que tenha o mínimo merecimento. Eu quero, sim, eu quero sofrer, mas não tenho coragem para levar a cruz. Todas as coisas me deixem tímida e apavorada. A vontade está acima de tudo. Quero amar, louca e apaixonadamente, a Jesus e não O ofender; quero abraçar-me à cruz, para não mais a deixar, por Seu amor e para bem das almas. Tudo me parece perdido, mas não me importo, abandonei-me a Jesus e à Mãezinha. Vou para onde me levarem os Seus Divinos Corações. Estou segura; vivo confiada de que sou bem conduzida e de que não Vos hei-de ofender, apesar de me parecer que não faço outra coisa senão pecar. Digo que confio e sinto que nem tão pouco sei que seja a confiança. Parece-me que nunca amei Jesus, nem compreendo o que seja o Amor. A minha ignorância não me permite exprimir os sentimentos tão dolorosos e profundos da minha alma. Penoso martírio, pavoroso Calvário ! Gasto todos os momentos da minha vida, pensando no mal, nas variadíssimas formas de como hei-de pecar, calcando sempre a meus pés os direitos e a Lei santa do Senhor. E sempre a vomitá-Lo para fora do meu coração! Perdi a Jesus e sinto tê-Lo perdido para sempre.

Numa hora de mais tremenda reparação, em que me pareceu ofender a Jesus mais horrivelmente, eu ia mesmo, mesmo a cair no inferno. Cheguei a gritar. Fui salva não sei por quem. Uns braços se lançaram aos meus e arrancaram-me daquele tremendo abismo de demónios, feras e fogo. Parte do meu corpo já estava nele. Quando me parecia pecar tão sacrilegamente, via que todo o meu ser era inferno, e que não podia dar nem um único passo à frente, porque logo ficava sepultada em horrorosos tormentos e fogo. Foi quando escorreguei e fui salva só pelos braços e não sei por quem. Fiquei fora, mas tanto à beirinha que ao mais pequenino movimento voltava a cair. Sem pensar nisso, sem nenhum temor, continuei na mesma vida leviana e criminosa. Se por um lado sentia uma dor infinita, por outro revoltava-me contra essa dor e tentava aumentá-la ainda mais, com os meus loucos desvarios. Jesus fora do meu coração, perseguido por mim, que Lhe renovava toda a Paixão e Morte, chorava, e fitando-me com os Seus olhares terníssimos, mas o mais doloroso que se possa imaginar, bradou-me :

― Ainda não estás satisfeita ? Não acabas de Me ofender ? Pensa quanto te amei, quanto sofri por ti e para a missão que te escolhi.

Alexandrina Maria da Costa: Sentimentos da Alma, 4 de Abril de 1952.

18 de fevereiro de 2010

QUERO VIVER SÓ DE AMOR

Meditação

Jesus, não quero mais viver de ilusões; quero viver só de amor e de confiança. Cortai em mim tudo o que é terreno, quero só esperar em vós, quero ser forte, mas não posso, sinto-me definhar dia a dia. E sinto na minha alma que novos assaltos estão para cair sobre mim. Tudo é revolta. Prevejo um mundo de leões laçarem-se a mim com toda a raiva para me devorarem. Que angústia na minha alma! Que tristeza profunda no meu coração! A alma treme de medo com todo o meu corpo; não posso viver assim. Será porque o fim se aproxima? Venha ele, venha depressa. O Céu é a minha esperança. Quero, por todos os caminhos percorridos durante a vida, deixar escrito com o meu sangue o Vosso amor. São caminhos de luta, caminhos de negras trevas; trevas como nunca, abandono como nunca imaginei passar. Levanto as minhas mãos ao Céu, para o Céu que tantas vezes fitei e contemplei com amor, mas não o vejo. Brado com toda a força, do fundo do coração, e o meu brado não sobe, parece-me Jesus não ouvir! Abandono, que completo abandono!... Jesus, Jesus, compadecei-vos de mim, parece-me que vos perdi e que perdi a Mãezinha. Afastaram de mim na terra o amparo, guia e luz que me tínheis dado. Jesus, Jesus, olhai a louquinha perdida que tudo sofre e aceita por vosso amor, para dar-vos as almas. Jesus, Mãezinha, quero sofrer tudo; as forças não me ajudam. Estou sozinha, posso dizer convosco: Pai, porque me abandonaste? Quereis assemelhar-me a vós? Obrigada, meu Jesus. Submeto-me ao peso da vossa Cruz. Sinto arrancarem-me o coração, sinto que vou morrer esmagada, mas quero balbuciar sempre: Ó como é doce morrer por amor! Ó como é doce cumprir a vontade do Senhor! Jesus, à medida que se aproxima a crucifixão, o pavor aumenta, sinto-me cravada na cruz, dando de longe a longe um suspiro até que seja o derradeiro. A agonia aumenta, São dados ao meu corpo maus tratos sem piedade. Ó mundo, ó mundo que não conheces a dor nem o amor de Jesus. Só com ele se abraça a Cruz, só com ele se caminha para o martírio!

Sentimentos da alma: 20 de Março de 1942.

15 de fevereiro de 2010

MEDITAÇÕES PARA O TEMPO DE QUARESMA

Jesus sofre, chora, suspira profundamente


A cruz aumenta, os mimos de Jesus são cada vez mais. Digo mimos, porque os desgostos, os sofrimentos, os espinhos recebo-os como carícias e miminhos do meu Jesus. Custa muito, muito e eu sei que não posso resistir a mais dor; mas o amor que eu anseio ter a Jesus e as ânsias de O consolar cegam-me de tal forma que eu não posso deixar de repetir: mais, mais, meu Jesus, mais, seja tudo por Vosso amor e para a salvação das almas. Não posso falar; hoje tenho que abafar a voz da minha alma, que apesar da minha ignorância sem igual, não pode calar-se. Neste dia, tem que ocultar e fazer o sacrifício de guardar para si e sofrer em silêncio. Não posso esforçar-me nem mover os lábios. Von-tade do meu Senhor, em ti está a minha ventura e felicidade!

Ontem de manhã imprimiram-se mais ao vivo as chagas de Jesus no meu cor-po. Senti como se Ele viesse da cruz para mim e em mim Se imprimisse e nele me transformasse. À noite, a visão do Calvário levou-me ao suor de sangue e à agonia do Horto. Sofri tanto, tanto, de tantas formas! Seja o meu Jesus bendi-to !

Hoje segui para o Calvário. Eu era a cruz de Jesus. Ele levou-a e nela me levou a mim. Sofri com Ele e Ele comigo. Fomos sempre os dois num só. Ao terminar da montanha, senti-me morrer no leito da cruz. Quando esta (foi?) levantada ao alto, pareceu-me ficar toda dentro do Coração divino do meu Jesus. Era Ele o crucificado. O meu desfalecimento era tanto que não podia bradar; bradava Jesus e era meu e dele o Seu brado. No momento de expirar, Jesus entregou ao Pai o Seu espírito com todo o amor do Seu divino Coração. Foi assim que eu com Ele expirei.

Passado algum tempo, principiei a ouvir os Seus suspiros e a Sua dolorosa voz.

Jesus sofre, chora, suspira profundamente. Vê o mundo, contempla-o, vê o que ele é, o que há-de ser.

Jesus sofre, chora, suspira profundamente. Vê o mundo cruel e pecaminoso, vê a justiça do Seu Eterno Pai prestes a puni-lo, a castigá-lo com todo o rigor.

Minha filha, Minha filha, vítima amada, vítima querida.

Minha filha, Minha filha, esposa querida, esposa fiel e predilecta de Meu divi-no Coração: tu és sal e sol da terra, tu és pára-raios e salvação da humanidade. Tu és farol, que iluminas com todas as cores do arco-íris. És rica de graça, rica de todas as virtudes. Um ano a mais passou-se para ti. Mais um ano de favores e prova do Meu divino amor para as almas por te ter escolhido para vítima des-te Calvário. Coragem, coragem e alegra-te porque o Senhor está contigo, em ti Se alegrou e alegrará sempre. Aceita, Minha filha, um muito obrigado do teu Jesus. Sim, um obrigado Meu, um obrigado divino pelo muito que sofreste, pelo muito que amaste.

— Ó Jesus, ó Jesus, isso humilha-me, as Vossas divinas palavras fazem-me so-frer. Sofro, porque ouvi e senti os vossos suspiros, as Vossas lágrimas caírem no meu pobre coração. Sofro e humilho-me pelo Vosso obrigado, quando eu sinto que nada sofro, que nada Vos amei, que foi só o Vosso divino Coração a sofrer e amar. Eu por mim, Jesus, nada fui, nada sou, nada serei. Morri, morri para tudo.

— Ó minha filha, Minha filha, sim, morreste para tudo o que é do mundo e vi-verás sempre pata Jesus e para as almas, porque vives só a vida de Cristo, a vida mais imitadora, a cópia mais fiel de Cristo crucificado, de Cristo Redentor. Continua, continua a tua missão: bem curta que ela vai ser agora aqui na terra, mas vais continuá-la no Céu. Aqui, pedindo e sofrendo; lá, pedindo e amando.

Acode, acode às almas e previne-as, avisa-as: a justiça não demora, o castigo aproxima-se. Avisei, avisei, esperei, esperei, pedi como mendigo da terra ora-ção, penitência, emenda de vida.

Não desanimes em pedires, em sofreres com alegria e amor. Haja o que hou-ver, venha o que vier, é sempre de utilidade e salvação para o mundo cruel e ingrato.

Recebe agora a gota do meu sangue ; é sangue de vida, é sangue de amor ; é gota que te leva a paz, a Minha divina paz.

Coragem, fica na cruz. Vêm os Anjos cheios de amor apertar-te os cravos.

— Obrigada, meu Jesus. Bem os vejo baterem as asas, asinhas brancas. Não me batem os cravos com crueldade, mas sim com doçura e carinho.

Obrigada, obrigada. Atendei aos meus pedidos, às minhas grandes intenções que tenho presentes, tomais conta delas, meu Jesus. Confio em Vós.

— Sim, Minha filha, podes confiar. Vai em paz e leva o meu amor que é a força e a alegria da tua cruz.

— Obrigada, obrigada, meu Jesus.

Sentimentos da alma: 4 de Janeiro de1952 – Sexta-feira