Prosseguindo
estas conferências sobre a Beata Alexandrina Maria da Costa, vou-vos falar hoje
de como ela começou a viver, de maneira visível, a Paixão de Jesus.
Isto não
aconteceu de repente: Jesus preparou-a para isso. Vejamos como ela mesma o
explica ao seu Director espiritual:
![]() |
"Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito". |
«Quinta-feira, dia 6 de Setembro de 1934, o Sr. Abade
veio trazer Nosso Senhor a uma doente minha vizinha, e ao mesmo tempo trouxe
também para mim. Depois de comungar não sei como fiquei; estava
fria, parecia-me que não sabia dar graças. Mas, louvado seja o meu bom Jesus!
não olhou para a minha indignidade, nem para a minha frieza. Parecia-me ouvir
dizer:
— “Dá-me as tuas mãos
que as quero cravar comigo; dá-me os teus pés que os quero cravar comigo; dá-me
a tua cabeça que a quero coroar de espinhos, como me fizeram a mim; dá-me o teu
coração que o quero trespassar com a lança, como me trespassaram à mim;
consagra-me o teu corpo, oferece-te toda a mim, que te quero possuir por
completo e fazer o que me aprouver”.
Este pedido
surpreendeu a “Doentinha de Balasar”, o que perfeitamente se compreende, como
ela mesma o explica, na mesma carta ao seu Pai espiritual:
«Foi isto o bastante para me ter tido muito
preocupada. Não sabia o que havia de fazer; calar-me e não dizer nada,
parece-me não ser a vontade de Nosso Senhor, parece-me que o meu bom Jesus não
queria que eu ocultasse isto. Isto repetiu-se na sexta-feira, e hoje, dia de
Nossa Senhora, assim como também a obediência em tudo, como já expliquei a Vossa
Reverência. Será isto uma ilusão minha?»
O medo de se
enganar e pela mesma ocasião enganar os outros estava sempre presente no seu
espírito.
Um mês vai
passar e Jesus vai voltar a falar na Paixão, explicando mesmo o que lhe
aconteceu:
«Quando Nosso Senhor me pede o meu corpo — escreveu a Alexandrina —, quando chega à coroação de espinhos, diz-me:
— “Que dores horríveis eu senti quando Me coroaram de
espinhos! Perdi tanto sangue, e tanto inútil! Fiquei exausto de forças, as
minhas carnes despedaçadas, até a minha beleza desapareceu. E no meio de tantos
algozes queres, minha querida filha, participar comigo de toda a minha Paixão?
Oh! não me dês uma negativa! Ajuda-me na redenção do género humano!”
A proposta
torna-se clara: “Ajuda-me na redenção do género humano”.
A Alexandrina
continuava perplexa e mesmo duvidosa, e até mesmo o demónio procurava fazê-la duvidar; eis
porquê, no dia 5 de Outubro de 1934, Jesus diz-lhe:
«Que temes tu, minha filha, se Eu estou contigo? Eu sou o
teu Senhor, o teu Amado, o teu Esposo e o teu Tudo. Fixei em ti a minha morada,
sou o teu mestre, aprende as minhas lições e pratica-as: Eu te darei aquele
amor com que desejo que tu me ames.»
E, referindo-se directamente ao demónio,
Ele pergunta:
«A
quem queres obedecer, a Mim e ao teu director ou ao demónio? Manda dizer ao teu pai espiritual que
te vou modelando e preparando para coisas mais sublimes.»
No ano seguinte,
a 30 de Julho de 1935, Jesus vai-lhe falar pela primeira vez da consagração do
mundo à Virgem Maria. Muitos vão duvidar — durante quase 3 anos — da realidade
deste pedido. Então o Senhor vai dar um sinal de como é bem Ele que pede a
Consagração do mundo à sua bendita Mãe: A vivência, de maneira visível da
Paixão todas as sextas-feiras a partir das três horas da tarde.
Esta “Paixão”
pública começou no dia 3 de Outubro de 1938 e durou até 20 de Março de 1942,
sinal que a consagração ia ser feita e foi mesmo, no dia 31 de Outubro desse
mesmo ano, pelo Papa Pio XII.
As pessoas que
eram autorizadas a assistir à dita Paixão saiam daquele pequeno quarto com as
lágrimas nos olhos… e muitos saiam de lá convertidos.
O diálogo
travado entre Jesus e a Alexandrina todos o podiam ouvir, porque a “Doentinha”
repetia em voz alta as palavras de Jesus, que foram escritas por diversas
pessoas, mas sobretudo pela Deolinda e pela professora Sãozinha.
Terminemos esta
emissão com uma bela promessa de Jesus à sua esposa de Balasar:
— Minha filhinha, vive só para Mim;
ama-Me muito, pensa só em Mim, e já que tão generosamente te ofereceste como vítima pelos pecados do mundo, eu colocarei em
ti como que um canal para passar as
graças às almas para toda a qualidade de crimes, para que tu me conduzas muitas
almas.
Quantos e
quantos podem testemunhar a veracidade destas divinas palavas! Eu sou um deles!
A Beata
Alexandrina é na verdade um canal que liga as almas a Deus.
Afonso Rocha
Sem comentários:
Enviar um comentário