5 de janeiro de 2007

ALEXANDRINA DE BALASAR
A quando do processo diocesano em vista da beatificação e canonização de Alexandrina Maria da Costa, o Padre Humberto Maria Pasquale, seu segundo Director espiritual, escreveu e publicou para a dita Causa, um livro deveras interessante — "Eis a Alexandrina" — e que muito depressa foi posto de lado, quando da saída nas Edições Salesianas, do seu outro livro "Alexandrina".
No primeiro livro citado, encontrámos alguns textos que nos parecem merecer uma nova publicação, por isso mesmo, vamos publicá-los aqui, esperando que eles encontrem junto dos nossos leitores a aceitação que na verdade merecem.
Começamos portanto pelo segundo tema do primeiro capítulo, cujo título segue:
O início da ascensão

A ascensão espiritual da Alexandrina pode considerar-se como não tendo jamais sofrido qualquer interrupção, porquanto, desde a infância, ela sempre se manteve fiel às práticas de piedade e se entregou à contemplação.
« Pelos 4 anos de idade, punha-me a contemplar o céu... porque não sei o que me atraía para lá... Já nesta idade amava a oração... E, se nesta idade manifestava os meus defeitos, também mostrava o meu amor pela Mãe do Céu, e lembro-me com que entusiasmo cantava os versinhos a Nossa Senhora » (Autobiografia).
Ao falar do período que se seguiu à Primeira Comunhão, a Serva de Deus escreve : « À medida que ia crescendo, ia aumentando em mim o desejo da oração... Pelos nove anos, quando me levantava cedo para ir trabalhar nos campos, e quando me encontrava sòzinha, punha-me a contemplar a natureza: o romper da aurora, o nascer do sol, o gorjeio das avezinhas, o murmúrio das águas entravam em mim numa contemplação profunda, que quase me esquecia de que vivia no mundo. Chegava a deter os meus passos e ficava embebida neste pensamento : o poder de Deus! » (Autobiografia).
Ainda criança, já a Alexandrina procurava evitar tudo o que pudesse ofender a Deus, esforçando-se por corrigir o seu próprio carácter.
« Não gostava de ouvir conversas maliciosas e, embora não compreendesse o sentido delas, chegava a dizer que me retirava se não falassem de outra forma. Também me indignava toda quando presenciava cenas indecentes entre pessoas adultas. Tinha medo de perder a minha inocência » (Autobiografia).
Perguntou-lhe, um dia, o segundo director espiritual : — Quais os defeitos que mais trabalho lhe deram a corrigir ?
A Alexandrina ficou pensativa, por momentos, e depois respondeu :
— Eu não sei ; eles todos me dão trabalho.
— Diga alguns — volveu o director.
— É o génio; ainda hoje tenho muito génio. É o calar-me. De pequenina, esforçou-se a Serva de Deus por praticar as virtudes características de uma boa filha. Ela própria o disse e a Deolinda confirmou: «Não me lembro de ter desobedecido à minha mãe nem uma vez sequer ».
Em 23 de Setembro de 1953, a Alexandrina escreveu : « Obedeci sempre e obedecerei, se Deus quiser. Se por acaso Vossa Reverência ouvir dizer que não obedeci, então reze por mim, porque é sinal de que perdi o juízo ».
Bem cedo a habituaram ao trabalho, e a um trabalho duro como é o da lavoura. « A minha mãe ensinou-nos a trabalhar desde muito novas. Mandava-nos encher canelas, ir buscar tojos e lenha caídos dos pinheiros » (Deolinda). « Pelos 9 anos, levantava-me cedo para ir trabalhar nos campos... » (Autobiografia ). « A minha irmã — diz a Deolinda — muito cedo se revelou uma valente trabalhadeira. A minha mãe bem podia entregar-se a outros trabalhos como tecer ou até trabalhar fora de casa e entregar o governo da casa à minha irmã, que ela dava perfeita conta do recado ».
Na sua autobiografia, a Alexandrina comenta : « Até aos 14 anos trabalhei nos campos, e com tal cuidado que me pagavam o jornal como à minha mãe ».
A senhora D. Maria Morado Torres, da Aguçadoura, fez-lhe este elogio : « A Alexandrina esteve a trabalhar de jornaleira em casa do meu pai, Luís Alves Torres. Os meus pais lembravam-na sempre como muito boa rapariga, diferente de todas as outras. Não sabiam o que é que ela tinha para se diferenciar assim ».
P. Humberto Pasquale: "Eis a Alexandrina".

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