28 de julho de 2007

TU ÉS O JARDIM PERFUMADO

Primeiro sábado do mês, o dia 2 de Outubro de 1943 é sinónimo da visita de Jesus e Maria.
As primeiras palavras que Jesus dirige à Beata Alexandrina, são palavras de louvor, são títulos de glória, como muitas vezes sucede quando a visita :
“Estou a recrear no meu palácio”, diz o Senhor, o palácio humilde da alma e do coração da Alexandrina e, para que nada falte, para que tudo seja beleza, aquele palácio vai ficar “entesourado com os tesouros divinos”, porque Jesus quer lá viver, quer nele fazer a sua morada na terra. “Que belo adorno para mim, minha filha. Gozo em ti, alegro-me em ti”, continua o Senhor.
Mas aquele palácio é também jardim, “jardim perfumado” e “adornado com todas as flores”, porque o Senhor “goza por possuir o aroma de flores tão belas”. Estas flores tão belas são as virtudes da Alexandrina e, como são virtudes por excelência, exalam um perfume celeste, um perfume que inebria o coração de Jesus.
Mas a estas qualidades vão juntar-se outras, porque o Esposa quer a esposa seja não somente bela e perfumada, mas também rica, rica das riquezas celestes : “És bela, és bela, és rica, rica serás na terra e no Céu”.
“Quem chamar pelo teu nome quando estiveres no Céu, nunca o chamarão em vão”. Esta é uma das grandes promessas feitas pelo Senhor à Alexandrina. Fez-lhe muitas outras e disse-lhe mais : “Vais ser poderosa com o Todo-Poderoso”.
E na verdade ― a prova está feita ! ― o poder impetratório da Beata Alexandrina é extraordinário ; para isso bastará consultar os registos paroquiais de Balasar para ter uma pequena ideia desse poder que ela tem junto do Coração do Esposo, como aliás o confirmou Jesus, Ele mesmo : “As palavras do teu Esposo Jesus vão cumprir-se, vão cumprir-se à letra, à letra, minha amada”.
“Brilha agora a luz dos humildes, triunfam e são exaltados”. Palavras semelhantes àquelas do Magnificat, oração que a Alexandrina tantas vezes rezou.
Mas a mensagem deste dia destina-se também àqueles que colaboram com Jesus, que ajudam e defendem a “pobre Alexandrina”. Jesus começa pelo Padre Mariano Pinho, primeiro Director espiritual : “Diz ao teu Paizinho que o fogo do meu divino Coração se estende sobre ele” ― informa Jesus. Mas não é tudo, Jesus tem mais para lhe dar, para lhe comunicar : “Vou pela humanidade dele dar-lhe o poder de atrair a mim todas as almas, ansiosas por me possuírem e as que andam arredadas do meu divino Coração”.
É sabido que o valoroso Jesuíta era um homem zeloso pelas coisas de Deus e um director de almas exímio, por isso mesmo não é de admirar que Jesus assim se “ocupe” dele.
Proverá ao Senhor que os homens do nosso tempo tenham esse mesmo desejo, essa mesma vontade de ver aquele servo de Deus ser glorificado, como o foi a sua dirigida de Balasar. Efectivamente, vozes se fazem ouvir, cada vez com mais persistência para que se comece o processo de beatificação e de canonização do bom e humilde Padre Mariano Pinho.
“A minha morada divina é a morada dele ― previne Jesus ―, é a fornalha onde ele há-de habitar sempre, sempre na terra e no Céu”. E mais adiante ― é Jesus quem fala ― diz ainda : “Quando ele estender a bênção sobre os filhos meus, sou eu que os abençoo. Dou-lhe todo o poder na terra para ele abrasar os corações e as almas e converter os pecadores”. Jesus termina afirmando : “Que espere tudo de mim, assim como Eu dele tudo recebo”.
Aqui fica, para meditação de muitos, algumas das palavras que Jesus dirigiu ao bondoso Director espiritual da Beata Alexandrina.
Jesus fala depois do médico, do Dr. Manuel Augusto de Azevedo, homem íntegro e dedicado à causa da “Doentinha de Balasar” que ele sempre defendeu, mesmo nos momentos mais críticos e difíceis.
“Diz, minha filha, diz ao teu médico ― convida Jesus ―, que à sombra do manto da minha bendita Mãe e ao calor dos raios do meu divino Coração está o lar dele por Nós abençoado”.
Família numerosa e profundamente católica, a família do bom Doutor foi na verdade abençoado pelo Senhor e por Maria : daquele lar saíram vocações religiosas, porque “será o jardim cultivado por Nós”, prossegue Jesus que precisa ainda melhor o que acaba de dizer, pois afirma que “Eu e Maria seremos os jardineiros”. Com tão bons Jardineiros como não devia aquele jardim dar flores senão perfumadas e belas !
E, para terminar, esta promessa : “Se ele me for fiel, será o lar mais rico de todo o Portugal. Rico de graças, rico de amor, rico para o Céu”.
O “bom Samaritano” ― foi Jesus que assim o intitulou : ― da Beata Alexandrina foi fiel e teve mesmo a honra e o grande prazer de testemunhar sobre ela aquando do processo diocesano : foi uma das mais valiosas testemunhas da sua antiga “paciente”.
Antes da Virgem Mãe deixar à Alexandrina a demonstração do seu amor maternal e de lhe oferecer o poder divino, Jesus termina o seu colóquio por esta oferta generosa e redentora :
“Dou-te tudo o que é meu para tu tudo dares a toda a humanidade, de quem te nomeio protectora”.
Sobre a humanidade da qual se torna aqui protectora, já falámos noutro trabalho, por isso mesmo não iremos mais longe do que esta citação das palavras de Jesus [1].

* * * * *

― « “Estou a recrear no meu palácio ; palácio entesourado com os tesouros divinos. É riquíssimo o teu coração, que belo adorno para mim, minha filha. Gozo em ti, alegro-me em ti, tu és o jardim perfumado, tu és o jardim adornado com todas as flores. E eu gozo por ser Senhor de tudo isto ; eu gozo por possuir o aroma de flores tão belas. O mundo não te conhece, minha amada ? Conheço-te eu, conhece-te Jesus. És bela, és bela, és rica, rica serás na terra e no Céu. Quem chamar pelo teu nome quando estiveres no Céu, nunca o chamarão em vão. Vais ser poderosa com o Todo-Poderoso. As palavras do teu Esposo Jesus vão cumprir-se, vão cumprir-se à letra, à letra, minha amada. Os teus espinhos transformaram-se em rosas, o teu martírio num paraíso. Tudo, tudo, salvação para os pecadores, consolação para mim. Brilhou o sol, apareceu a luz. Brilha agora a luz dos humildes, triunfam e são exaltados. Minha filhinha, minha filhinha, encanto meu. Diz ao teu Paizinho que o fogo do meu divino Coração se estende sobre ele. A minha morada divina é a morada dele, é a fornalha onde ele há-de habitar sempre, sempre na terra e no Céu. Vou pela humanidade dele dar-lhe o poder de atrair a mim todas as almas, ansiosas por me possuírem e as que andam arredadas do meu divino Coração. Sou eu, Jesus, que falo sempre em seus lábios. Quando ele estender a bênção sobre os filhos meus, sou eu que os abençoo. Dou-lhe todo o poder na terra para ele abrasar os corações e as almas e converter os pecadores. Que espere tudo de mim, assim como Eu dele tudo recebo. Diz, minha filha, diz ao teu médico, que à sombra do manto da minha bendita Mãe e ao calor dos raios do meu divino Coração está o lar dele por Nós abençoado. Será o jardim cultivado por Nós; Eu e Maria seremos os jardineiros. Se ele me for fiel, será o lar mais rico de todo o Portugal. Rico de graças, rico de amor, rico para o Céu. Dou-te tudo o que é meu, meu amor, para tu tudo dares em meu nome aos que te amam, aos que te rodeiam, aos que te amparam e protegem. Dou-te tudo o que é meu para tu tudo dares a toda a humanidade, de quem te nomeio protectora”.
― Ó meu Jesus, estou envergonhada. Oh ! Como eu me sinto tão pequenina. Eu só merecia o inferno, não sou digna das vossas graças. Distribuí vós as vossas graças. Tomai as minhas mãos, manejai com elas ; aceitai todo o meu corpo, seja ele o vosso instrumento ; trabalhai, Jesus, não cesseis. As almas perdem-se, o mundo está em perigo.
― “Recebe, filhinha, as carícias do teu Jesus, da tua Mãezinha ; recebe o nosso poder. És toda nossa, és toda nossa, és filhinha, és esposa do meu Jesus. Recebe dos nossos ósculos conforto para tudo”.
Obrigada, obrigada, Mãezinha! Obrigada, obrigada, Jesus! »[2]

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[1] Afonso Rocha : Alexandrina e a Segunda Guerra Mundial ; Reims (França), Maio de 2007.
Ver igualmente no Sítio oficial :
http://alexandrinabalasar.free.fr
[2] Sentimentos da alma : 2 de Outubro – Primeiro sábado.

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