13 de março de 2012

PRENDI O MEU CORAÇÃO AO TEU

Nada há que possa separar-nos

Jesus hoje pede-me dois sacrifícios, um da alma, outro do corpo. Da alma, por ter de ditar tudo o que ela sente e sofre; do corpo, por ser tão grave o meu estado que nem posso mover os meus lábios para falar. Parece-me que com cada palavra que pronuncio me vem arrancado o coração e as entranhas. Confio em Jesus que me vai auxiliar ao menos para dizer as suas divinas palavras. Resumo os sentimentos da minha alma. De manhã logo, quando me sentia correr para a morte e a morte correr para mim, corria porque impulsos de amor me obrigavam a correr. Só o sangue e a morte seriam a salvação do mundo, e eu queria salvá-lo. Quantas vezes, no trajecto que percorri, caí desfalecida, e parecia mesmo, mesmo perder a vida. Perder a vida para dar vidas dava-me forças, voltava a caminhar. No calvário, na cruz, sentia o meu sangue sair de mim a jorros. Calma e serena, com o espírito só em Deus, esperava o momento da maior felicidade, o momento da salvação. Veio depois Jesus, tão cheio de ternura e amor por mim.
– Minha filha, tabernáculo divino, sacrário onde habito, prisão de doçura e amor. Prendi o meu coração ao teu, ataram-nos os laços do mais santo amor; prenderam-me, prenderam-me os teus laços encantadores, laços brilhantes, laços do mais puro e fino oiro. Minha esposa, minha esposa, nada há que possa separar-nos, nada há que possa cortar os laços matrimoniais que nos prendem. Ó minha pomba bela, minha rainha, meu palácio. Rainha do Rei Celeste, palácio da Sua habitação. Minha filha, vida de amor, língua de louvor, pureza angélica. Por ti o mundo será puro; pela tua língua o mundo Me louvará; pelo teu amor seráfico o mundo me amará. Ó pomba, ó bola, ó jardim divino, és tu o jardim, eu o jardineiro. És jardim de virtudes de encantos, encantaste o meu Coração. És e serás sempre o encanto dos pecadores.
– Isso, sim, meu Jesus, isso quero eu encantá-los para Vós, custe o que custar, meu amor. Peço-Vos a grande graça de os fechardes a todos em Vosso Divino Coração; não quero que nenhuma alma se perca, não quero, não quero, meu Jesus. Eu não Vos nego os sofrimentos, não me negueis também as almas.
– Filhinha, filhinha, heroicidade do mundo, heroicidade sem igual, assim como sem igual é a tua dor, o teu amor. És rica, és poderosa. Preparei em ti um armamento forte, armamento de guerra; não é de armas nem fogo destruidor, é armamento das virtudes mais heróicas, da pureza mais angélica, de amor de Querubins e Serafins. Preparei em ti o que preparam as nações para combater as guerras. O armamento que em ti depositei não é só para combater Portugal, mas sim o mundo inteiro. Combaterás, minha filha, e vencerás. Partes para o céu e na terra ficará sempre o armamento divino que em ti guardei, e tu, ó pomba branca, ó pomba angélica, recolheste-o em ti, abraçaste-o sofrendo, abraçaste-o amando. Tu és, minha esposa amada, um novo evangelho assim como és a nova redentora. Novo evangelho, onde está escrita, gravada, bem gravada a vida de Cristo crucificado. Vida de dor, vida de amor, vida de loucura pelas almas, vida de caridade, vida das ciências e doutrinas de Cristo Redentor. Assemelhei-te a mim, retratei-te em mim, ó vítima querida, ó inocente salvadora deste ditoso calvário. Salva-me as almas, põe-nas ao abrigo do manto que por minha bendita Mãe te foi dado. Coragem, filhinha. Já que tanto te amei, tanto a mim te assemelhei. E, porque assim a mim te assemelhei, à semelhança minha és caluniada, perseguida e desprezada. Nada temas. Dias de sol brilhante e resplendoroso se aproximam, sol que nunca mais se escurecerá, brilho que nunca mais desaparecerá. A causa é minha, o triunfo é certo. Será esta minha causa destruída, quando destruída para sempre for a minha Igreja, a minha doutrina. Descansa, minha filhinha, descansa em meus divinos braços. Sofres muito? Sofres ao máximo? É o meu divino amor. Alegra-te, são salvas muitas almas. Toma conforto em meu Divino Coração.
Senti-me nos braços de Jesus, por Ele fui muito acariciada. Sentia a ternura do Seu Divino Coração e a compaixão pelos meus sofrimentos. Teve-me em Seus divino braços por espaço de algumas horas. Fez-me lembrar a mãe que não abandona o seu filhinho, quando ele está moribundo. Eu sofria muito, é certo, mas confortada com os miminhos de Jesus e as Suas ternas carícias. Humilha-me, aterra-me tanta bondade de Jesus para comigo. (Sentimentos da alma: 28 de Janeiro de 1945)

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