1 de março de 2012

TENHO SEDE DE SOFRER…

– Ligai, meu Jesus, o meu coração ao Vosso


Deixaria o sol e a luz do dia de existirem no mundo? Parece-me que a noite mais tormentosa e escura o invadiu todo. Não há luz, não há alegria, não há vida. Morri eu e sinto que morreram todos os que me são queridos. Tive o meu médico junto de mim, parecia-me que não o via, era como um cadáver ao pé doutro. Ele, como sempre, na sua bondade e santidade, procurou levantar-me do meu desfalecimento, infundir-me coragem e confiança.
– Ó meu Deus, que indiferença! O que ele dizia parecia não ser para mim. Tinha até medo dele, muito medo. Jesus, tirais-me tudo, dai-me o Vosso divino Amor em troca desse tudo que me tirais. Dai-me um mundo de almas e dai-me mundos e mundos do Vosso amor infinito. Quero amar-Vos com esse amor e amar-Vos por esse mundo de almas que Vos peço. Tenho sede, Jesus, tenho sede, sede que me abrasa e consome, sede que aqui na terra nunca mais pode ser saciada. Tenho sede de amar-Vos e ver-Vos amado por esse mundo de almas que Vos peço. Tenho sede de sofrer, sofrer a mais não poder, para conquistar e salvar para Vós esse mundo.
– Ó mundo, ó mundo, sem querer pertencer-te, sem querer amar-te, amo-te loucamente, quero-te a todo o custo, não posso deixar-te, ó mundo querido, sem ver-te salvo, inteiramente salvo. Estas ânsias, estes desejos não me pertencem, não nascem de mim; eu sou morte, só morte. Sejam de quem forem, pertençam a quem pertencerem, são para Jesus, são para O consolar, são para O amar.
– Ligai, meu Jesus, o meu coração ao Vosso, que nada haja que nos possa separar. Ligai também a Vós os corações do mundo inteiro; não quero que haja outra coisa nesta pobre humanidade a não ser amor, amor puro ao Vosso coração divino. Quero que esta vida seja uma vida só de louvor para Vós. Que mais posso desejar, Jesus, que mais posso sofrer? Queria arrancar o meu coração e entregá-lo a arder nas chamas mais fortes e do amor mais ardente e poder dizer-Vos: este é o amor de toda a humanidade, este é o amor de todos os filhos Vossos. Amor, Amor, meu Amor, quero dizer-Vos tudo pelo mundo e por ele sofrer tudo sem excluir ninguém. É verdade, meu Jesus, isto que Vos digo, são sinceras as minhas palavras, não é intrujice minha, por graça Vossa não sei intrujar.
(Sentimentos da alma: 25 de Janeiro de 1945)

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