19 de maio de 2012

FEZ NO MEU CORAÇÃO O SEU NINHO


Ó doçura, ó meiguice, ó amor de Jesus!

Cada momento que passa é para mim uma eternidade, parece-me estar sempre no mesmo sítio. O céu não chega. Só as sextas-feiras passam e voltam no mesmo momento; quase posso dizer que estão sempre presentes. Durante a noite, estive na agonia do horto. Que solidão tão triste! O céu parecia revoltar-se contra a terra ingrata. Eu ouvia o barulho da gente, o tilintar das armas. A quem quer que se chegou a mim, dentro em mim ouvi dizer-lhe:
― Amigo, a que vieste?
― Ó palavra, ó doce palavra! Ó doçura, ó meiguice, ó amor de Jesus!
Já lá vão umas poucas de horas, e tudo ficou gravado dentro em mim. O meu corpo está cansadíssimo; cansado do horto e da prisão, dos açoutes e dos espinhos e dos maus-tratos a caminho do calvário. O meu coração foi chagado antes ainda de sofrer a lança. Em todo o percorrer do caminho do calvário, jorrou sangue com abundância. Chegada lá, transformei-me em tudo: em montanha, cruz e Jesus. E em mim estava a Mãezinha, os dois corações unidos – o meu e o dela. Quantos sentimentos, quanta dor, quanto amor; amor que se estendia por toda a humanidade, amor que obrigava a tanta dor e agonia, a todo o sangue derramado. Ai, se eu pudesse mostrar tão claro como claro senti o que sofreu Jesus e a Mãezinha!
― Ó meu Deus, ó meu Deus, que agonia indizível!
Quando assim sofria, principiei a sentir na minha alma um bater de asas: desceu do alto, baixou a mim. Com os olhos da alma vi: era uma pomba cheia de alvura; fez do meu coração o seu ninho. Levantava-se, batia as asas, subia ao alto, descia a esvoaçar à minha volta e com o seu biquito dava-me vida e com o seu brilho dava-me luz. Voltava de novo a descansar no seu ninho. Nestes momentos, embebi-me toda naquele brilho, naquela luz, e a minha alma deixou de sofrer.


Sentimentos da alma, 9 de Março de 1945.

2 comentários:

Anónimo disse...

Querida Alexandrina tu não sofrestes só pelo que dizes: – sofrestes também pelos Fernandos, Afonsos. Antónios... por todos os seres humanos, e de muitos obtivestes e continuas a obter o seu amor, porque continuamos a amar-te, pois apesar de termos perdido a tua proximidade física, sentimos a tua presença espiritual.
Fernando Luis Santana Conceição

Alessandro Silva disse...

Caro irmão, Alphonse Rocha, A Paz de Nosso Senhor!
Muito lindo este blog!
Riquíssimo!
Quero lhe informar que colocamos um link indicando o seu blog em nossa postagem desta semana com o podcast número 150, onde nós citamos uma frase de nossa querida Alexandrina da Costa.
Confira lá e ouça os áudios mp3:
http://www.cefascast.org/

Deus te abençoe!