sexta-feira, abril 19, 2013

CAMINHEI SEM LUZ...


... mas cheguei ao Calvário !



Tenho ânsias, tenho ânsias de me purificar, cada vez mais, e nada consigo! Que hei-de eu fazer, meu Jesus? Causa-me horror ver a minha miséria, porque é só o que eu vejo. Avanço, avanço, e, momento a momento, mais me enrolo, mais me mergulho na cegueira, que me aterra, na cegueira que nunca foi luz nem nunca a luz conheceu. Assusto-me, vejo, sinto que esta cegueira é morte e que nunca poderá ver. Neste temor, feito o Coração divino de Jesus, invoco o Seu Santo Nome, e, por vezes sinto-me como se fosse transportada às nuvens; deixo a terra, mas não chego ao Céu. Nesta viagem às alturas, respiro, sinto-me confortada, fortalecida com uns ares mais puros, com aquela vida que não é o Céu, mas também não é a terra; não é gozo, mas é força, não é a verdadeira vida, mas também não é morte. Baixo novamente à mesma cegueira, só à vista da minha miséria, mas então com mais coragem para abraçar a minha cruz, a pisar os espinhos que tão agudamente me ferem, ansiosa e como que enlouquecida para consolar Jesus, dar-lhe as almas, purificar-me de todos os meus defeitos, ser pura para só viver a vida de Jesus, ser pura e Nele me esconder para sempre, sofrer escondida Nele, amá-Lo sempre Nele escondida, fugir ao mundo, desaparecer dele, desaparecer por completo. Não consigo os meus desejos, não sou pura, nada sofro, nada faço de bom, tudo se apaga sem aparecer. Ai, meu Jesus, vinde em meu auxílio; estou sozinha sem ninguém, meu Jesus, sem ninguém. Foge-me o Céu, estou como se me fugissem todos os amigos da terra.

E o demónio a atormentar-me tão fortemente.

Tenho estado sobre o inferno, não sei o que me livrou de cair nele, nada vi que me segurasse, só me faltou mergulhar-me nos seus horrores, nas suas penas. Esta visão foi essa luta com o maldito. Tive mais três ataques. Nos dois primeiros, senti passar sobre mim as labaredas do inferno, ouvia uivos, ranger de dentes e um demónio muito feio de boca aberta com um grande pedaço da língua de fora, língua em brasa, e estendia ao longe grandes chamas; causava pavor. Já lá vão alguns dias e por vezes sinto no coração como se de novo voltasse a ver toda aquela cena. Convidava-me ao mal e fiquei com grande temor de ter pecado. Nem posso lembrar-me das suas malícias. Que horror! Como se ofende Nosso Senhor! Posso tão pouco invocar o nome de Jesus e da Mãezinha! Penso que é o maldito que não me deixa. Não posso sem me oferecer como vítima e é só para reparar que tais sofrimentos aceito. No último ataque, ele principiou, de longe, a preparar-me para o mal com coisas pequenas, mas cheias de maldades. Foi indo, foi indo, incendiou-se o fogo, envolveu-se a terra com o inferno; eu era o mundo, era o inferno. Ó meu Deus, que pavor! Voltei a repetir a Jesus: se hei-de ofender-Vos, prefiro o inferno; não quero pecar, não quero pecar, sou a Vossa vítima. Jesus, Mãezinha, ai, quanto me custa isto!

Ao cair da tarde de ontem, senti como se no meu coração estivesse gravado Jesus e a Mãezinha, numa tristeza e amargura tão profunda, que causava dó. Jesus beijou e aquele beijo foi de despedida; e deixou no Coração da Mãezinha raios de fogo; foram fios, foram prisões de amor que os deixaram para sempre unidos. Jesus foi para o Horto e ficou com a Mãezinha. A Mãezinha ficou e foi com Jesus. Eu no Horto senti como se em meu corpo nem uma só veia ficasse por abrir. Os Apóstolos dormiam; Judas aproximava-se. À voz de Jesus vieram sobressaltados. Judas deu o seu beijo traidor e todos caíram por terra; a terra foi o meu coração. Feriram-me as armas e os paus. Vi Jesus que em Suas Santíssimas mãos tomou. Ao ver isto, fugiu S. Pedro por entre a multidão; foi à frente de Jesus; não viu os maus-tratos que Lhe deram. Mas via a Mãezinha; velava ao longe. Eu sentia que o Seu Santíssimo Coração adivinhava tudo. Quanto Ela sofria e quanto sofria eu também com os sofrimentos de Jesus e os dela! Na manhã de hoje, caminhei oprimida pela violência da dor; ia como que encerrada num mundo do sofrimentos. Caminhei sem luz, mas cheguei ao Calvário e lá com mais sensibilidade fui cravada na cruz; e então em todo o meu corpo estava Jesus; eu era apenas uma casca frágil que O encobria. Sentia todas as Suas chagas e feridas, os espinhos da Sua Sacrossanta Cabeça, o palpitar do Coração, lágrimas e gotas de sangue, tudo em mim era Jesus. Quando estava a ser cravada na cruz, ainda senti o meu rosto a ser nojosamente escarrado. A frágil casca do meu corpo não impedia os sofrimentos e maus-tratos de Jesus. Fiquei no mesmo brado e agonia com Ele. Quando Jesus expirou, eu senti que o espírito divino voou de verdade ao Pai, e eu fiquei morta. Pouco depois Ele voltou e disse-me:

― Minha filha, o Jardineiro da tua alma está em teu coração; cuido, cultivo as flores que adornam a minha alma. Como são belas! A água que as rega é a água da pureza, água de graça e amor. Confia; o teu Jardineiro é Jesus; habito em teu coração; repara como eu cuido delas. Tu és a pastorinha de Jesus, a pastorinha das almas; apascenta-las no jardim formoso da tua alma. Vi então Jesus feito Jardineiro, no seio de belas flores, de regador na mão a regá-las cuidadosamente; via cair a água com abundância.

― Cuidai, cuidai, meu Jesus, cuidai delas e cuidai de mim; eu sou miséria e nada posso sem vós. Permiti que com a Vossa graça, no jardim do Vosso divino amor, eu posso mergulhar em almas; sustentai-as com o que é Vosso.

― Coragem, coragem, Minha filha; sem dor não há vítima, sem dor não há amor, sem dor não há vida. Tu és a vida de Jesus, és a vida das almas. Se todas as vítimas sofrem, como não hás-de sofrer tu, Minha filha, que és a maior vítima da humanidade. Dá-Me dor, acode ao mundo, vem sobre ele a justiça de Meu Pai e vem depressa. Não há justos na terra, não há almas que Me amem, a ponto de repararem todas e tão graves ofensas. Pobre mundo, vai ser carbonizado; ficará mirrado com o fogo da justiça divina.

Levantei as mãos, cheia de terror, e disse:

― Perdoai, meu Jesus, perdoai, perdoai já, perdoai sempre! Como hei-de acudir ao mundo? Bem me parecem a mim que de nada valem os meus sofrimentos.

― Coragem, Minha filha, coragem, amada Minha; sofre com alegria. A tua imolação continua se o mundo não quiser que seja de remédio para os seus corpos é-o sempre para as suas almas. Pede-lhe, pede-lhe que se converta, que venha a Mim. Dás-me mais lutas, mais ataques com o demónio?

― Dou, meu Jesus, mas sabeis bem que é o que mais me custa. Que medo de Vos ofender!

― É por te custar que, Minha filha, que mais reparação Me dás. Não temas, confia em Mim; não deixo que Me ofendas. Os dois primeiros combates que te pedi foram pelos esposos pais de família. Com que gravidade Me ofendem; o último foi por toda a humanidade. Foi por isso que te envolveste com o inferno. O mundo! o pecado! Vítima a lutar com o inferno. Eras tu, Minha pomba amada, a livrares de lá as almas. Coragem! Vem receber vida para combateres. Recebe uma gota do Meu Divino Sangue; é a tua vida, é a força do teu sofrer.

Jesus com o Seu Divino Coração a arder em labaredas uniu-O ao meu, deixou cair a gota do Seu Sangue divino. O fogo ateou-se; o meu principiou a dilatar-se. Jesus passou logo as Suas Santíssimas mãos sobre o meu peito, acariciou-me e disse:

― Toma, Minha filha, a tua cruz; vai convidar as almas a virem a Mim, vai levar-lhes esta vida. E como prova do valor dos teus sofrimentos e de que és a salvação delas, a cada acto de amor, a cada vez que Me disseres: Jesus, eu amo-Vos, serei amado por mais uma alma. E sempre que abraçada ao crucifixo disseres: Jesus, sou a Vossa vítima mais um pecador será salvo, esquecerei as suas ofensas. Prometo-te, confia, sou O teu Jesus. Diz-Me isto muitas vezes. Vai com coragem! No Céu continuas a mesma missão; ele está perto. Vai com alegria; vai, filha do amor, vai, louquinha do amor, vai chamar a Mim as almas.

― Obrigada, meu Jesus; obrigada, meu Amor, eu vou; vinde Vós comigo. Ao o Céu, meu Jesus, que nunca chega. Faça-se a Vossa vontade divina. Sou a Vossa vítima, vítima até dos meus desejos. Farei, Jesus, que eu morra para mim e para todos, viva só para Voa e para as almas.

Sentimentos da alma, 18 de Abril de 1947 - Sexta-feira.

quinta-feira, fevereiro 21, 2013

SEIS PRIMEIRAS QUINTAS-FEIRAS


Alexandrina explica:


Ontem de manhã [24 de Janeiro], senti como se assumisse a mim toda a maldade humana. Tudo entrou para mim, e eu era o mundo. Causou-me tal tormento que não sabia como resistir. Lembrei-me que neste dia a ordem de alívio dada pelo meu Paizinho não teria lugar. Enganei-me: sentia e via com os olhos da alma dentro em meu peito uma ovelha poisada sobre a terra, presa por grandes sebes de espinhos. Eu ia caminhando para o Horto, e ela sempre dentro de mim. Durante a tarde, desapareceu tudo isto, foi muito mais suave a dor. À noite voltei ao mesmo sofrimento pavoroso. Sobre o solo do Horto levantou-se um altar, altar de dor assediado por todos os martírios. Sobre ele estava não uma ovelha com sebes de espinhos, mas sim um cordeiro mansíssimo que tudo recebia sem dar sinal de vida, possuindo toda a vida. Daquele cordeiro saía tudo de bondade, e todo ele ardia em chamas que abrasavam o altar e todo o solo do Horto. Era Jesus, era Jesus, senti que era. Oh! Como Ele amava, quando recebia toda a maldade e ingratidão! Nesta ocasião coisas houve que agravaram muito o meu sofrimento. O demónio tentador aproveitou a ocasião para me atormentar. Sem eu querer via tudo pelo pior; foi grande a minha agonia. Meu Deus, se é possível, afastai de mim este sofrimento. Assim me uni à agonia de Jesus. Mas logo acrescentei: não se faça a minha vontade, mas a Vossa divina vontade. Não desvieis de mim a Vossa Face, ó meu Jesus, não me deixeis sozinha um só momento, só esse basta para eu desesperar! Num mar de dores passei toda a noite. Logo de manhã, no meu mundo, se levantou o mesmo altar de dor rodeado de martírios com o mesmo cordeirinho em cima. E assim segui para o Calvário. A toda a dor este cordeiro mansinho pagava com doçura e amor. Ele ardia em chamas e por entre elas, por entre a alvura da sua graça, caía o Seu sangue em abundância a regar a terra. Aproximava-se o fim da montanha, e o inocente Cordeiro sempre sobre o altar do patíbulo; sabia que ia morrer e ansiava por dar a vida. Que amor, que amor! Só podia ser o amor de um Deus, o amor de Jesus! No alto do Calvário, em vez da cruz, continuou a ser o mesmo altar e o mesmo Cordeiro a arder em chamas e a derramar sangue. Quanto mais se aproximava a hora de Jesus expirar, mais a crueldade de debatia contra o Cordeiro inocente e mais as chamas do Seu amor se estendiam sobre tanta maldade e ingratidão. O Cordeiro ia morrer e nesse momento passou da noite para o dia, da morte para a vida no abraço mais íntimo ao Seu Coração toda a humanidade. Desapareceu de mim o altar, o Cordeiro, e eu fiquei como se não vivesse. Dentro em pouco veio Jesus, falou-me em meu coração; falava-me nele como d’uma janela.
— Minha filha, minha filha, vítima de Jesus, vítima da humanidade, vítima da tua Pátria, do teu Portugal. Minha filha, minha filha, louquinha da Eucaristia, ama-Me, ama-Me e faz-Me amado; é por ti que Eu quero ser amado, é por ti que Eu quero muitas orações a amarem-Me, é por ti que Eu quero ser reparado, é por ti que Eu exijo grande reparação; repara-Me de tantos sacrilégios, de tantos crimes e iniquidades. A tua dor atingiu o auge. Podia dizer que o Meu divino amor atingiu para contigo também o seu auge; não porque o Meu amor tenha limites, mas porque te amo com o amor com que pode ser amada uma criatura humana; amo-te com amor louco.
Minha filha, minha esposa querida, faz com que Eu seja amado, consolado e reparado na minha Eucaristia. Diz em Meu Nome que todos aqueles que comungarem bem, com sincera humildade, fervor e amor em seis primeiras quintas-feiras seguidas e junto do Meu Sacrário passarem uma hora de adoração, e íntima união comigo lhes prometo o Céu. É para honrarem pela Eucaristia as Minhas santas Chagas, honrando primeiro a do Meu sagrado Ombro tão pouco lembrada. Quem isto fizer, quem às Santas Chagas juntar as dores da minha Bendita Mãe, e em nome delas nos pedirem graças, quer espirituais, quer corporais, Eu lhas prometo; a não ser que sejam de prejuízo à sua alma. No momento da morte trarei comigo Minha Mãe Santíssima para as defender.
— Ó meu Deus, como Vós sois bom, como é infinita e sem limites a Vossa misericórdia. Permiti que todos comunguem bem, com as devidas disposições, para se tornarem dignos das Vossas divinas promessas. Alcançai-me, meu Jesus, para mim a mesma graça.
— Dá-Me dor, dá-Me dor, ó minha filha, repara tanta maldade, dá-Me a tua cruz. Confia em Mim, não temas as trevas, o abandono e a ignorância. Todo o teu viver mostra a vida de Deus em ti; a tua vida é um livro de sabedoria, é a ciência divina a falar por ti. É vida de heroísmo, é vida de amor. Rebe a gota do Meu divino Sangue, maravilha encantadora do Paraíso. Se os Anjos e os Santos que estão na glória pudessem amar-Me mais, mais Me amariam ao ver tão grande prodígio. Como são lindos os hinos que Me entoam! Que prova de amor! O Sangue de Cristo, o Sangue das virgens, o Sangue que as gera. Tem coragem, vai para a cruz, vai para o teu martírio, leva a Minha graça, leva e Minha paz, vai distribuir e irradiar este amor.
— Obrigada, obrigada, meu Jesus. Quisera bem que todos o experimentassem e que todos Vos amassem.
Jesus fez passar a gota do Seu Sangue, e, no mesmo tempo, fez-me nadar num mar de suavidade e doçura, num mar de amor. Sentia-me arder, mas era fogo que confortava e dava vida à alma. Fiquei mais forte, com mais coragem para a cruz. Quanto devo ao meu Jesus.

Sentimentos da alma, 25 de Fevereiro de 1949.

TUDO MORREU, TUDO SE APAGOU...


Não digo nada do que me vai na alma…


Cá estou na renúncia de mim mesma, sujeita à obediência, a contrariar a minha vontade, a querer só o que Jesus quer, nada mais queria dizer, abafar por completo tudo o que em mim se passa. Se assim fizesse, entrava a minha vontade, não me renunciava, não obedecia, Jesus ficaria triste. Nisso não posso consentir. Obedeço às cegas, obedeço por amor. Estou a sucumbir sob o peso da minha cruz. Que dor, que amargura, meu Deus! Esta dor, esta amargura estende-se ao mundo inteiro. É uma angústia constante para o meu coração tão aberto pela lança e a cada momento avivada a ferida, tão cingido de espinhos e avivado pelas setas. Meu Deus, meu Pai, ouvi o meu brado incessante. Estou na cruz crucificada. Repete-se o número de vezes que os cravos são apertados. Toda a cabeça está trespassada pelo capacete de agudíssimos espinhos. A agonia da minha alma e o brado do meu coração não cessa. A alma chora, chora de tristeza e angústia e o coração brada, brada sempre: Meu Deus, meu Jesus, meu Senhor, valei-me pelo Vosso amor, valei-me pela Vossa sagrada Paixão e Morte. Eu quero, ó Jesus, e não posso mais. Não me abandoneis, vinde depressa socorrer-me. Com a Vossa graça, com a Vossa ajuda eu sou e serei sempre a Vossa vítima. Aí, quanto custa sofrer para consolar o meu Senhor e valer às almas, e sentir que não posso mais, que não sou capaz de aguentar com o aumento do mínimo sofrimento. Perdi tudo, tudo, tudo morreu e tudo o mais morrerá. Estou sempre no meu sepulcro de morte; ele nada deixa em mim viver. As trevas são pavorosas; a noite tristíssima e escura não deixa cintilar uma estrela. Tudo morreu, tudo se apagou. A minha ignorância invadiu todo o meu ser; é uma inundação total. Não sei falar de Jesus, não sei falar do sofrimento, não digo nada do que me vai na alma.
*****
Sentimentos da alma, 23 de Fevereiro de 1951.

quinta-feira, dezembro 27, 2012

NOVIDADE PARA JANEIRO DE 2013



Boletim de informações sobre a Beata Alexandrina

Porquê este “Jornal de informações” se já existem na Internet numerosas páginas sobre a Beata Alexandrina?

Esta pergunta parece justa, mas para nós não chega, porque pensamos que nunca é demais falar de tão grande vulto da Igreja de Portugal, porque pensamos que nunca é demais falar de uma das maiores personalidades da História da Igreja universal. A Beata Alexandrina é mais do que “uma Santa para Portugal”, a Beata Alexandrina é a maior mística do século XX e certamente uma das maiores que a Igreja viu surgir das suas alas milenárias. A Beata Alexandrina iguala na ascética e na mística Santa Teresa de Ávila e S. João da Cruz, os grandes mestres nesta difícil e tão nobre “matéria”.

Jesus disse um dia que “ninguém é profeta no seu país” e, este ensinamento conjuga-se perfeitamente com a Beata Alexandrina, que é mais conhecida em certos países – Brasil, Itália, Inglaterra, Irlanda, França – do que propriamente em Portugal que a viu nascer, crescer e morrer.

O nosso intento é remediar essas falhas, essas faltas de conhecimento sobre aquela que poderá vir a ser na verdade “uma Santa para Portugal”, como muito bem o disse o Eminentíssimo Arcebispo de Braga, Dom Jorge Ortiga.

Nunca será demais falar da Beata Alexandrina, visto que essa foi a vontade expressada por Jesus, quando lhe disse que queria que ela “fosse conhecida no mundo inteiro”. Este desejo do Senhor, nós fizemo-lo nosso e tudo faremos – na humildade dos nossos meios – para que a Beata Alexandrina Maria da Costa seja conhecida no “mundo inteiro”, mas estando cientes que desse “mundo inteiro”, Portugal também faz parte.

Que publicaremos aqui?

Os escritos da Alexandrina já são conhecidos de muitos leitores que frequentam a Internet, que eles sejam de língua portuguesa, francesa, espanhola, italiana e de algumas mais.

Como o fez Jesus na sua predicação, repetindo várias vezes os seus ensinamentos, para que fossem melhor compreendidos e assimilados, nós também assim procederemos, visto que a repetição pode tornar-se de grande utilidade para aqueles que hoje leram e que o lendo amanhã ali encontram novas explicações, novas interpretações que os ajudarão a melhor compreenderem o que Jesus espera deles, visto que os escritos da Beata Alexandrina, nada mais são – e aqui está o mais importante! – do que a repetição das palavras evangélicas, dos ensinamentos de Jesus, adaptados para os nossos tempos e compreensíveis para todos aqueles que possuem dentro deles um coração de criança: “Deixai vir a mim os pequeninos!”.
Iremos ler textos da Autobiografia, das Cartas dirigidas ao Padre Mariano Pinho, seu primeiro Director espiritual, dos Sentimentos da alma, o seu “Diário espiritual”.

Iremos ler também os testemunhos de pessoas que obtiveram de Deus graças – extraordinárias ou não – pela intercessão da nossa querida Beata.

Diversas pessoas, na Internet, demonstraram o seu amor para com a Beata Alexandrina e mesmo o que a descoberta desta alma extraordinária causou nas suas vidas: esses testemunhos serão aqui publicados, para que cada um possa meditar no poder de intercessão desta alma junto do divino Esposa da sua alma que sempre foi pura do nascimento até à morte.

Esperamos igualmente poder dar algumas notícias “frescas” sobre a causa de canonização que continua a decorrer, assim como sobre as diversas manifestações em Balasar, paróquia natal da nossa amada Alexandrina, ou peregrinações que para lá rumam, graças aos contactos que guardamos com alguns amigos de lá e dos arredores e aos quais agradecemos sinceramente.

NOTA: Haverá uma versão francesa deste boletim.

A equipa

segunda-feira, dezembro 17, 2012

É FOGO ! É FOGO ! É AMOR ! É AMOR DIVINO!


Jesus tomou nas mãos o Seu divino Coração


Jesus com um sorriso na Sua infinita bondade disse:

― Não pode ser, filha querida; assim como para serem perdoados os pecados são necessárias as disposições da alma, igualmente as exijo para a promessa que te faço, para a graça dispensada. É por isso que o Meu divino desejo é que venham junto de ti muitas almas, todas as almas, se isso fosse possível. De ti Eu deixo transparecer a Minha doçura, o Meu sorriso, tudo o que é Meu. Por ti e junto de ti, receberão o toque da Minha divina graça; por ti Eu serei por muitos amado, muito amado. Fiz e vou fazer de ti uma vida maravilhosa, uma vida de prodígios. Coragem, muita coragem! És mãe da humanidade; a mãe dá vida e dá à luz os seus filhos. Recebe agora a gota do Meu Sangue divino; sem ela não vives, sem ela não resistes ao teu sofrer.

Jesus tomou nas mãos o Seu divino Coração, uniu o centro do Dele ao centro do meu, e pelo pequenino tubo passou Dele para mim, muito lentamente o Seu Sangue divino. Foi como que um fogo que me abrasou toda; senti-me queimada, até o rosto me ardia. Jesus levantou o Seu divino Coração e com o centro para cima deixou-o por algum tempo, ligado ao meu. Nesta estreita união, depois de um pouco de silêncio, enquanto que as labaredas continuavam a abrasarem-me, Ele disse-me:

― É fogo, é fogo, é amor, é amor divino, Minha filha. Dois Corações num só Coração, duas vidas numa só vida. É Jesus pela Sua crucificada a salvar o mundo. Acode-lhe, acode-lhe, esposa querida; acode-lhe que é teu, entreguei-to, salva-o, ou salva as almas, que aos corpos já não acodes, têm que ser castigados. Já não demora sobre ele a justiça de Meu Pai. O mundo, o mundo, o pobre mundo, que não atendeu à voz de Jesus, ao convite de oração, penitência, emenda de vida! Coragem, coragem, Minha filha! Brada-lhe bem alto, convida-o para Mim. Dá-me dor, vai para a tua cruz, acode às almas, é essas que Eu quero ver salvas. Vai alegre para a cruz, vai espalhar o bem, vai infundir amor. Não temas as trevas, não temas a tua ignorância. Sentes nada saberes dizer? É quando mais dizes, mais luz dás aos que te estudam, já disso te preveni. Tem coragem! O tempo é breve; bem depressa cantarás as glórias do teu Senhor. O Meu divino Coração anseia por dar-te a tua Pátria, ver-te junto de Mim! Vai alegre, vai em paz, vai cheia de amor, da vida divina.

― Obrigada, obrigada, meu Jesus. Aceitai-me o meu sacrifício e todo o meu sofrer, e poupai o mundo ao castigo.

Tenho tanta pena de Jesus e tanta da pobre humanidade. Tanto a queria salvar! Custou-me tanto ditar tudo isto. Sinto como se tudo fosse escrito com o sangue do meu coração. Que Nosso Senhor me aceite as faltas das minhas forças, para que as almas tenham força para não pecarem.

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 12 de Dezembro de 1947 - Sexta-feira).

APARTA-TE MALDITO !



Confesso que não podia mais...



Como o meu coração sangra: ó meu Deus, como eu o sinto ferido; já não parece coração, mas sim uma massa de sangue toda desfeita! E se a alma tivesse algum bocado de carne, eu podia dela dizer o mesmo. Parece que a sinto toda golpeada. Que dor quase insuportável! Vivo porque Jesus o quer; resisto, porque Ele resiste em mim. Ai de mim, se assim não fosse; o que teria sido e seria o meu viver. Tudo é dor, tudo são espinhos e espadas a cortarem-me, tudo é abandono, trevas e morte.

Vou saindo, de vez em quando, fora do meu sepulcro; respiro, vejo todo o sofrimento que me rodeia e sem ter nada que dar a Jesus, sem nada fazer em benefício das almas, logo caio na mesma sepultura. Fica-me a dor e as ânsias de fazer bem e imitar Jesus, de valer a todos e a todos socorrer. Que novo martírio Jesus inventou para mim com estes sentimentos de praticar o bem, de não viver nem pensar em mim, mas sim viver e pensar em toda a humanidade. Só por amor a Nosso senhor e às almas eu recebo as visitas. Que podridão elas vêm ver e observar! Meu Deus, que vergonha a minha, que doloroso tormento!

Tive três combates com o demónio. Como ele vinha desesperado! Eu sentia tal raiva contra mim, que a mim mesma me parecia morder toda. Ouvia uivos e ranger de dentes. Que inferno desesperador e malicioso! Eu era toda demónio. Não queria ter ouvidos para ouvir as suas malditas e feias coisas; mas tinha que ouvi-las e tive que lutar. Sentia o meu coração preso ao demónio por fortes cadeias e parecia-me que não podia deixar o pecado, queria até viver nele, sentia gosto em praticá-lo. Queria tomar para os meus braços o crucifixo e A Mãezinha, mas não podia; era eu mesma que O queria escarrar, escarnecer e calcar aos pés. Não deixei contudo de dizer a Jesus que era a Sua vítima e do íntimo do coração Lhe dizia que não queria pecar e só queria a Sua divina vontade. Confesso que não podia mais. Eram tão fortes as palpitações do meu coração; parecia-me que ele rebentava. Nesta altura, ouvi a voz de Jesus que disse:

― Aparta-te, maldito, tenho domínio sobre ti, deixa a Minha vítima.

Os demónios fugiram espavoridos, uivando e rangendo os dentes. E um Anjo formoso, em tamanho natural, de asas brancas, no meio de uma luz luminosa, parou por uns momentos à minha frente, a apontar-me para o Céu. Desapareceu a visão. Fiquei dorida com o receio de ter pecado, mas com a alma forte, depressa fiquei em paz.

Não tenho a certeza, mas parece-me que, ao menos três vezes, vi passar Jesus, no meio de uma grande multidão de vultos pretos, com a cruz aos ombros a ser maltratado. Ele fitava-me e caminhava sempre, mas oh! como Ele ia desfigurado e triste! Triste e em grande dor me deixava a mim também. Eu podia poder consolá-Lo, tirar dos Seus Santíssimos ombros a cruz e passá-la para os meus. Lá O via caminhar e desaparecer sem o poder conseguir. Queria desviar Dele a multidão que O seguia para O maltratar, e não foi para mim, não tive força para me aproximar de Jesus, para O libertar e suavizar a Sua dor.

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 19 de Dezembro de 1947 - Sexta-feira).

domingo, dezembro 16, 2012

NATAL DE DOR


“Quero regar os Vossos pezinhos...”


Depois da noite vem o dia. Depois de muito sofrer, veio novamente Jesus compor tudo.

Já tive outra vez Missa no meu quarto. Foi no dia 22 que recebi esse mimo do Céu. Os homens só vêem, enquanto que Jesus os deixa. Devia ser um dia de consolações e alegria, mas não o permitiu o meu Amado. Bendizia-O e louvava-O por tudo. Ele ama quando consola e ama quando fere; é sempre amor, amor sem igual.

Como não sabia assistir à Santa Missa, como de costume ocupei o Céu, pedi à Mãezinha que assistisse Ela por mim, com os sentimentos d’Ela e não os meus, que acompanhasse a Jesus, que merecesse Ela por mim e fizesse Suas as minhas intenções e que unida a Jesus me oferecesse ao Eterno Pai na mesma imolação e sacrifício. Principiei assim o bercinho para o Menino Jesus para o dia de Natal.

Mas, ai! Pobre de mim, o presépio que Lhe preparei foi muito pior ainda do que o de Belém. Sofri tanto, tanto! Meu Deus, que dor infinita! Não há palavras que a possam exprimir. Foi de tal forma a noite pavorosa, foi tão tremenda a tristeza e agonia que me levou a pensar a sério se seria o último Natal que passava na terra. Seja o que Jesus quiser. Preparei-Lhe o bercinho com espinhos, com as minhas infidelidades e imperfeições. Tudo isto me fazia sofrer mais e mais.

À meia-noite, na hora do nascimento de Jesus, abraçada a uma imagem d’Ele, humilhada por causa dos meus pecados, pedi-Lhe muito perdão e, debulhada em lágrimas, dizia-Lhe: quero regar os Vossos pezinhos. Aceitai-mas como se fossem lágrimas de perfume, o incenso, o ouro e a mirra dos Reis Magos. Renovei-Lhe o meu completo abandono e pedi-Lhe que fosse perfeito o mais que fosse possível. No meio de tudo isto, no meio de toda a morte, quando tudo era vida e alegria para os outros, uma coisa tive a meu favor: a paz do Senhor reinava na minha alma. Não me desesperei. Que graça tão grande do Senhor!

Os dias vão passando e eu vou vivendo naquele abandono a que me entreguei, sofrendo, sofrendo, sofrendo sempre. Quanto mais sofro e me parece que nada mais posso sofrer, maiores são as ânsias de mais sofrimentos. São tão grandes como o Céu, são tão grandes como Deus. Quero consolá-Lo, quero amá-Lo, quero dar-Lhe almas. E para isso repito-Lhe: quero dor, meu Jesus, sempre mais dor. Sede a minha força, meu Jesus.

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Sentimentos da alma, 26 de Dezembro de 1952.

quarta-feira, dezembro 05, 2012

ACODE ÀS ALMAS ! ACODE ÀS ALMAS !


O fontanário que não se esgota.


Ó Jesus, faça-se a Vossa divina vontade! Seja tudo pelo Vosso divino amor e pelas almas.

Posso afirmar com toda a verdade: outra coisa não quero na vida, a não ser amar e fazer Jesus amado, dar-lhe almas, muitas almas, todas as almas. Ai, que loucura! Não posso consentir na sua perda! Elas custaram o Sangue de Jesus; mas para isso preciso de guia e amparo. Preciso de todo o Céu.

Oh! Meu Deus, como é tormentoso o meu viver nesta masmorra escura que tantas lembranças me traz! Tudo é inútil em mim, mas, apesar disso, logo de madrugada, tudo ofereço ao Céu. A minha alma tinha tanto para dizer, mas eu não posso dizer nada. Quando, nesta madrugada, fazia a oferta ao Senhor, atormentei-me tanto que torcia e destorcia como vergasta verde que o vento torce e destorce, mas não destrói. Durante o dia fui repetindo o meu creio sem crer, actos de amor sem esses sentimentos mais e mais até que chegou a hora de Jesus:
— “Minha filha, minha filha, estou aqui, acredita, confia; estou aqui no teu coração. Deixa-Me, deixa-Me; quero deliciar-me nele, quero descansar e contemplar os seus adornos para esquecer os crimes hediondos de tantas, tantas iniquidades. Quero descansar e fortificar-te ao mesmo tempo. Para tal reparação e toda a espécie de reparação, só uma vítima assim generosa e cheia de heroísmo. Coragem, coragem! Não pode haver mais maldade, e tu não podes dar-Me mais reparação. O mundo! O mundo! Ai dele, se não se converte! O que o espera! O que o espera! Acode às almas, acode às almas! Deixa-as vir sequiosas a este fontanário por Mim enriquecido, que não se esgota”.

(Sentimentos da alma, 28 de Janeiro de 1955)

terça-feira, novembro 06, 2012

A FERIDA DO AMOR


Eu tenho sede dos corações

Os estados percorridos pela alma da Alexandrina foram numerosos, porque também numerosas foram as suas ofertas ao Senhor como vítima: vítima da Eucaristia, vítima dos pecadores, vítima pelos sacerdotes, vítima pelo mundo e pela humanidade, vítima pela consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria.
A partir do dia 31 de Outubro e, durante quase dois anos, viveu as penas do Purgatório, estado místico dolorosíssimo que a obrigou a viver no seu corpo e  na sua alma a purificação que o Senhor exige das almas santas que ainda não tenha atingido o grau de santidade necessário para poderem entrar na Casa do Pai.
Entre esses momentos de trevas e de aridez espiritual, Jesus oferecia-lhe momentos de autêntica felicidade, felicidade celeste, como ela o explica:

“Passou-se algum tempo, desapareceu toda a treva, o sol dissipou para longe as nuvens, iluminou-se brilhante e claramente a minha alma, um fogo abrasador me incendiou o coração, fazendo passar o calor das labaredas a todo o corpo; gozava duma grande paz, mas sem ouvir ainda Jesus”.

Habituada aos grandes sofrimentos, estes estados de felicidade espiritual, quase a surpreendiam e Jesus, sempre atento à mínima solicitação da sua esposa de Balasar, vinha explicar-lhe o porquê desses momentos de plena felicidade:
“Minha filha, até aqui bateram sobre ti as ondas do mundo, as ondas horrorosas do pecado, de grandes maldades e crimes e cobriam-te as suas trevas, porque és vítima. Agora veio a ti a paz e o amor do Meu divino Coração e toda a luz do divino Espírito Santo”.

Mas estes momentos eram passageiros, e de novo era necessário que ela voltasse à treva, à aridez espiritual, aos combates com Satanás…

“Coragem! Eu quero ser amado; faz que as almas me amem. Eu tenho sede dos corações; repara-Me, conduze-os a Mim. Coragem, minha filha, nada temas. A dor e o amor são as moedas mais caras, são os selos com as quais selo as almas roubadas a Satanás”.

Jesus não cessa de pedir, mas também não cessa de oferecer. A sua conversa com a Alexandrina, parece uma conversa de amantes, como aquelas que podemos ler no Cântico dos Cânticos. Jesus ama-a e oferece-lhe o Seu Coração, faz-lhe promessas, mas exige dela amor, amor sem retorno, amor fiel, tanto nos bons como nos maus momentos. Jesus encoraja-a e previne-a. Ouçamos Jesus:

“Coragem, filha querida! Tu és o prado mimoso, onde produzem as virtudes e desabrocham as flores plantadas por Mim. Levanta-te, anima-te, não temas a cruz. No alto da montanha, no cimo dela, Eu farei cair pelo teu coração todas as bênçãos e graças de salvação para as almas. A tua vida será para elas o perfume das flores, o gorjeio das avezinhas duma manhã primaveril. Custa-te subir? Custa-te chegar ao cimo do teu Calvário? Não estranhes. O remate das obras, o seu enfeite são sempre o mais difícil”.
E para que Alexandrina não possa ter qualquer dúvida, Jesus afirma:
“Mas, ó minha filha, a obra não cai, confia em Mim. Principiei com alicerces tão firmes, que nada há que a faça estremecer, a pontos de vir a terra. É a obra das obras, é a obra mais sublime, é a missão das almas”.

A resposta da Alexandrina, é como sempre: suplicante e enternecida; humilde, mas firme. Ouçamo-la:

“Meu Jesus, ó amor meu, quero e não posso, desfaleço e caio; amparai-me Vós. Não me importo de caminhar de rastos e sempre de rastos ser humilhada, o que eu quero é estar na verdade e em tudo fazer a Vossa divina vontade. Dai-me graça, dai-me graça, meu Jesus, e fazei-me confiar cegamente. Quero sofrer tudo pelo Vosso divino amor, mas custa-me, a mais não poder, ser causa de grande sofrimento, de grande dor para os outros”.

Esta abnegação constante da Alexandrina, este amor sincero e humilde que ela sempre demonstra, enternece o Coração amante de Jesus, que com palavras cheias de amor, com ela se congratula e lhe incute coragem, sempre coragem, mais coragem, para tudo suportar por amor.

“Confia em Mim, alegra-te, Minha louquinha; estás na verdade, és minha, vives de Mim. Que felizes e ditosos são aqueles que Eu escolhi e associei ao teu martírio, ao teu grande, mas vitorioso Calvário. Coragem, coragem!”

O sofrimento da Alexandrina, livremente aceito, não é um sofrimento estéril, é um sofrimento que alimenta outras almas, que contribui à vida espiritual de outras almas, muitas vezes em dificuldades sem nome, por isso Jesus lhe afirma:

“A tua dor dá vidas, as tuas trevas são luz, que alumia as almas e vão brilhar aos confins do mundo.”

Como é sabido de todos, a Alexandrina viveu treze anos sem comer nem beber, o que obrigatoriamente a enfraquecia. Mas Jesus velava por ela e, para que ela permaneça com vida todo o tempo que Jesus quisesse “precisar” dela, Ele alimentava-a com o seu próprio Sangue. Este alimento divino destina-se não só ao sustento da sua alma, mas também do seu corpo. Algumas vezes este Sangue divino chega ao coração da Alexandrina com uma tal força que ela morreria, se o Senhor não estivesse atento ao derrame salutar. A Alexandrina várias vezes o explica nos seus escritos. O “Sangue do Cordeiro” é alimento que dá vida da alma, é alimento que mantém a vida do corpo.
Jesus explica:

“Recebe agora a gota do Meu divino Sangue. Hoje não cairá duma só vez; vais recebê-la, saboreá-la, como a abelhinha que sofregamente saboreia nas florzinhas o néctar”.

Vejamos agora, contado pela própria Alexandrina o que aconteceu:

“Jesus tomou em Suas mãos o Seu divino Coração; pelo centro saíam labaredas que formavam uma só labareda; uniu ao meu coração e fez que nele se introduzisse o pequenino tubo; senti-me como que adormecer docemente. Assim demoramos, por um pouco. Depois, Jesus retirou o Seu Coração divino, bafejou-me o peito e passou-me sobre ele a Sua bendita mão como quem acaricia.”

Solicitude divina do Senhor! Senhor, quão grande é o teu amor para com aqueles que escolheste para participarem, de maneira mais íntima, de maneira mais realista, ao pleno de Salvação previsto desde a eternidade!
A missão da Alexandrina deve continuar, não só naquele momento preciso, mas pelos tempos fora, não só “até aos confins do mundo”, mais até ao fim do mundo. Uma vez mais Jesus explica à sua vítima de Balasar esta missão sublime:

“Vai, Minha filha, a ferida que te fez o amor já está cicatrizada. Vai, leva para as almas estas chamas, abrasa os corações que têm fome de Mim; por ti Me dou a eles. Leva estas chamas, arrasta com elas a Mim as almas presas pelos laços infernais. Vai para a tua cruz, para a tua dor, não deixes correr mais pelos rastilhos o fogo, que faz rebentar a bomba divina, a justiça do Meu Pai. Coragem, coragem; nada temas, sorri a tudo!”

Alexandrina não discute, não faz mais perguntas: ela compreendeu perfeitamente a vontade divina. Ela sabe-se frágil, por isso ela diz apenas:

“Obrigada, meu Jesus. Sede comigo; tudo espero do Vosso divino coração.”

Que força, que carinho, que coragem!
Terminando a página do seu diário espiritual (Sentimentos da alma, Alexandrina explica o resultado desta visita de Jesus e o que se passou nela, pouco depois. É quase sobrerrealista:

“Passaram-se umas horas, o fogo de Jesus ainda me queima o coração; custa-me, por vezes, a aguentá-lo sem saber ele deitar panos frescos. Sinto-me mais forte; estou no fogo, mas em trevas, e o corpo num mar de dores. Ó minha cruz, ó meu Amor, ó meu Jesus!”

Palavras enternecedoras que fazem bater fortemente os nossos corações, que trazem aos nossos olhos lágrimas de regozijo que fazem bem, que procuram paz e avivam o nosso amor por Jesus e pela nossa querida Alexandrina, porque o que nela se passa, “é a obra das obras, é a obra mais sublime, é a missão das almas”.

Afonso Rocha
(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 7 de Novembro de 1947 - Sexta-feira)

sexta-feira, outubro 19, 2012

“BELEZAS” DO FACEBOOK


TESTEMUNHO

O Facebook que nem sempre é uma “ferramenta” dócil e verdadeiramente humanizada, reserva-nos, algumas vezes — pena não sejam mais frequentes — surpresas agradáveis, testemunhos que dificilmente serão esquecidos futuramente, por serem grandes as emoções que procuram.
Quando procuramos assumir um compromisso, qualquer que ela seja, dando o melhor de nós mesmos, não fazemos isso para recebermos “elogios” ou medalhas, mas simplesmente porque amamos aquilo que fazemos.
No caso aqui apresentado, trata-se do facto de “fazer conhecer e amar a Beata Alexandrina Maria da Costa”, tanto em Portugal, como no mundo inteiro.
Os “amigos” da Beata Alexandrina no Facebook são mais de 5 000 e por isso mesmo não é possível responder a todos como o desejaríamos fazer. Mas, todos podem estar certos do nosso carinho, da nossa estima e da nossa gratidão por tudo quanto fazem para nos ajudar nesta “missão” tão Santa, tão agradável e sobretudo tão eficaz sobre o ponto de vista espiritual: a Beata Alexandrina é na verdade um excelente “canal pelo qual Jesus quer fazer passar as graças”.
Nestes últimos dias — e não só — recebemos muitas mensagens cheias de carinho e de estímulo, para prosseguirmos o nosso “caminho”, aconteça o que acontecer.
Muito obrigado a todos e que a todos o Senhor conceda as maiores graças e bênçãos por intermédio da sua querida esposa de Balasar.
Esta mensagem recebido há pouco “mexeu” muito o meu coração, não tanto pelo que me diz respeito — eu nada mais sou do que um inútil instrumento — mas pela que ela diz a respeito da nossa querida Beata.
Não vou deixar o nome, mesmo se, estou seguro, aquela pessoa que o deixou saberá que se trata dela, assim como alguns dos seus amigos. É uma mensagem que exprime — sobretudo para aqueles que sabem ler entre linhas — um verdadeiro amor à Beata e sobretudo um conhecimento perfeito dos “efeitos” causados pelo amor que a ela dedicamos.
Leiam:

«Estimado amigo, é sempre um prazer imenso ler o que publica e partilhar o grande amor que nutrimos a esta Serva abençoada. Sermos dignos de observar este imenso amor com que nos brindou esta puríssima alma é tocante. Entra em nós de forma discretíssima, tal como era a querida Beata Alexandrina, e apropria-se das nossas acções e emoções, tomando conta de nós. Este amor imenso de nos cuidar e tomar conta, aconchega e seduz os que se dispõem a deixar-se levar por tamanha beleza que connosco é partilhada. Ir em corrida a Balazar, faz-nos desapropriar daqueles pequenos tóxicos com que teimamos por vezes deixar invadir os nossos dias. Chegar a Balazar mais de 44 km depois e cerca de 5 h na estrada, torna-nos leves no espírito e capazes de sermos acolhidos pelo amor que nos vai invadindo. Chegados lá, espera-nos um abraço imenso e aquele sorriso de quem está na Casa do Pai à nossa espera. Regressamos de alma cheia e plenos de amor pelo próximo. É por isso que corro. Que esta querida Serva de Deus mo permita, sempre em prol do bem ao próximo, partilhando toda a sua vida de amor eterno pelo Pai com os outros».

Depois destas palavras, qualquer comentário seria inútil.
Nunca nos esqueçamos de invocar a Beata Alexandrina nas nossas necessidades quotidianas.
Se vocês soubessem como ela é poderosa junto do Coração de Deus!
Afonso Rocha

quarta-feira, outubro 10, 2012

ALEXANDRINA E A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL


GRANDES COISAS

PREFÁCIO

Muito perto do princípio das suas comunicações com a Beata Alexandrina, garantiu Jesus que faria nela “grandes coisas”:
Manda dizer ao teu Pai Espiritual que te vou modelando e preparando para coisas mais sublimes. (11 de Outubro de 1934)
Hei-de fazer em ti grandes coisas. (1º sábado de Dezembro de 1934)
Por isso, os seus apaixonados estudam-na com dedicação porque sabem que a sua vida e obra são um mundo de maravilhas.
O nosso amigo Afonso Rocha, o zeloso webmaster do Site dos amigos da Beata Alexandrina, é um desses apaixonados de longa data. Abalançou-se agora a abordar um tema com aspectos potencialmente polémicos, o da relação da Beata Alexandrina com a Segunda Guerra Mundial (tema que aliás já há-de ter merecido as atenções de Francis Johnston no seu opúsculo The Miracle of Alexandrina, editado pelo Exército Azul); o Afonso Rocha situa-o num contexto teológico um pouco alargado, o que é muito positivo.
O aspecto eventualmente polémico tem directamente a ver com o modo como Jesus se dirige à Alexandrina, quando está em causa a guerra, pois quando não está ver-se-á que tudo muda.
Sem querer substituir-me ao autor, parece não haver dúvida que aquelas mensagens são sobretudo para nós e para as gerações futuras, pois os contemporâneos da Alexandrina não as conheceram nem podiam conhecer.
Quem ali fala é o mesmo Jesus que um dia dirá à Mártir do Calvário que gostaria de se ajoelhar frente a cada homem para lhe pedir amor; e o mesmo que numa parábola do Evangelho de S. Mateus afasta de Si os condenados increpando-os:
Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo éter-no, que está preparado para o diabo e para os seus anjos!
O mundo pecador que a Alexandrina então representa tem em si o germe da condenação e por isso é potencialmente maldito; daí certamente o tom condenatório bem próximo do daquela parábola.
Entre os estudiosos da Beata de Balasar, à parte os padres Pinho e Humberto, tem havido falta de teólogos; eles poderão acaso descobrir aqui perspectivas mais profundas e inovadoras. Até lá, fiquemos com este elaborado trabalho do nosso amigo.
Parabéns, Afonso Rocha!
J. Ferreira

DISPONÍVEL AQUI :

JUNTO DO ALTAR DO CORAÇÃO DE JESUS


Introdução

A primeira referência ao Sagrado Coração de Jesus que encontramos nos escritos da Alexandrina, encontramo-la na sua Autobiografia, quando ela nos conta como aconteceu a sua primeira confissão geral, em Gondifelos a Frei Manuel das Chagas. Ela no-la descreve com a sua simplicidade habitual:

«Foi aos nove anos que fiz pela primeira vez a minha confissão geral e foi com o Sr. Padre Manuel das Chagas. Fomos, a Deolinda, eu e a minha prima Olívia, a Gondifelos, onde Sua Reverência se encontrava, e lá nos confessámos todas três. Levámos merenda e ficámos para a tarde, à espera do sermão. Esperámos algumas horas e recorda-me que não saímos da igreja para brincar. Tomámos nosso lugar junto do altar do Sagrado Coração de Jesus e eu pus os meus soquinhos dentro das grades do altar. A pregação dessa tarde foi sobre o inferno. Escutei com muita atenção todas as palavras de Sua Reverência, mas, a certa altura, ele convidou-nos a ir ao inferno em espírito. Para mim mesma disse: “Ao inferno é que eu não vou! Quando todos se dirigirem para lá, eu vou-me embora”, e tratei de pegar nos soquinhos. Como não vi ninguém sair, fiquei também, não largando mais os soquinhos».

A escolha do confessor não deve ter sido um acaso, mas uma escolha divina, visto que Frei Manuel das Chagas era naquele tempo muito conhecido, não só como um confessor atento e experimentado, mas ainda como um pregador de grande renome.
Afonso Rocha

DISPONÍVEL AQUI :

AS SEIS PRIMEIRAS QUINTAS-FEIRAS


  • PROMESSAS DE JESUS

Para que este devoção revelada por Jesus à Beata Alexandrina Maria da Costa, seja bem compreendida, é importante coloca-la no contexto em que foi recebida. Nos “Sentimentos da alma” de 25 de Fevereiro de 1949, ela escreveu:

“Ontem de manhã [24 de Janeiro], senti como se assumisse a mim toda a maldade humana. Tudo entrou para mim, e eu era o mundo. Causou-me tal tormento que não sabia como resistir. Lembrei-me que neste dia a ordem de alívio dada pelo meu Paizinho não teria lugar”.

Esta ordem do bondoso Padre Mariano Pinho, tinha como fim, proteger, durante alguns momentos, a Beata Alexandrina, dos sofrimentos cada vez mais dolorosos. E, milagre da misericórdia divina, Jesus acatava, com amor e carinho, estes pedidos do santo sacerdote. Mas deixemos que a própria Alexandrina nos conte:

“Enganei-me: sentia e via com os olhos da alma dentro em meu peito uma ovelha poisada sobre a terra, presa por grandes sebes de espinhos. Eu ia caminhando para o Horto, e ela sempre dentro de mim. Durante a tarde, desapareceu tudo isto, foi muito mais suave a dor. À noite voltei ao mesmo sofrimento pavoroso. Sobre o solo do Horto levantou-se um altar, altar de dor assediado por todos os martírios. Sobre ele estava não uma ovelha com sebes de espinhos, mas sim um cordeiro mansíssimo que tudo recebia sem dar sinal de vida, possuindo toda a vida. Daquele cordeiro saía tudo de bondade, e todo ele ardia em chamas que abrasavam o altar e todo o solo do Horto”.

O brilho daquelas chamas que abrasavam sem nada consumirem, fez compreender à simples e humilde vítima que só Jesus poderia agir assim, que só o Esposo querido da sua alma podia mostrar-se a ela daquela maneira, talvez para melhor a fazer compreender o que depois viria. Compreendendo-o, ela não hesitou em gritar, no mais profundo da sua alma — porque tudo ali se passava — o que acabara de descobrir, o que acabara de compreender:

“Era Jesus, era Jesus, senti que era. Oh! Como Ele amava, quando recebia toda a maldade e ingratidão!
Nesta ocasião coisas houve que agravaram muito o meu sofrimento. O demónio tentador aproveitou a ocasião para me atormentar. Sem eu querer via tudo pelo pior; foi grande a minha agonia. Meu Deus, se é possível, afastai de mim este sofrimento. Assim me uni à agonia de Jesus. Mas logo acrescentei: não se faça a minha vontade, mas a Vossa divina vontade. Não desvieis de mim a Vossa Face, ó meu Jesus, não me deixeis sozinha um só momento, só esse basta para eu desesperar!
Num mar de dores passei toda a noite.
Logo de manhã, no meu mundo, se levantou o mesmo altar de dor rodeado de martírios com o mesmo cordeirinho em cima. E assim segui para o Calvário. A toda a dor este cordeiro mansinho pagava com doçura e amor. Ele ardia em chamas e por entre elas, por entre a alvura da sua graça, caía o Seu sangue em abundância a regar a terra.
Aproximava-se o fim da montanha, e o inocente Cordeiro sempre sobre o altar do patíbulo; sabia que ia morrer e ansiava por dar a vida. Que amor, que amor! Só podia ser o amor de um Deus, o amor de Jesus! No alto do Calvário, em vez da cruz, continuou a ser o mesmo altar e o mesmo Cordeiro a arder em chamas e a derramar sangue. Quanto mais se aproximava a hora de Jesus expirar, mais a crueldade de debatia contra o Cordeiro inocente e mais as chamas do Seu amor se estendiam sobre tanta maldade e ingratidão. O Cordeiro ia morrer e nesse momento passou da noite para o dia, da morte para a vida no abraço mais íntimo ao Seu Coração toda a humanidade. Desapareceu de mim o altar, o Cordeiro, e eu fiquei como se não vivesse. Dentro em pouco veio Jesus, falou-me em meu coração; falava-me nele como d’uma janela”.

De facto, Jesus vai falar à sua esposa, à sua amada, encorajá-la, falando-lhe amorosamente, mesmo se, com autoridade evidente. Ouçamos as Suas palavras:

“— Minha filha, minha filha, vítima de Jesus, vítima da humanidade, vítima da tua Pátria, do teu Portugal. Minha filha, minha filha, louquinha da Eucaristia, ama-Me, ama-Me e faz-Me amado; é por ti que Eu quero ser amado, é por ti que Eu quero muitas orações a amarem-Me, é por ti que Eu quero ser reparado, é por ti que Eu exijo grande reparação; repara-Me de tantos sacrilégios, de tantos crimes e iniquidades. A tua dor atingiu o auge. Podia dizer que o Meu divino amor atingiu para contigo também o seu auge; não porque o Meu amor tenha limites, mas porque te amo com o amor com que pode ser amada uma criatura humana; amo-te com amor louco”.

Depois, Jesus revela a nova devoção, uma devoção cuja prática é fácil, mas os seus resultados imensos, são promessas inauditas: de facto “Só podia ser o amor de um Deus, o amor de Jesus!” como dizia acima a Beata Alexandrina:

“— Minha filha, minha esposa querida, faz com que Eu seja amado, consolado e reparado na minha Eucaristia. Diz em Meu Nome que todos aqueles que comungarem bem, com sincera humildade, fervor e amor em seis primeiras quintas-feiras seguidas e junto do Meu Sacrário passarem uma hora de adoração, e íntima união comigo lhes prometo o Céu. É para honrarem pela Eucaristia as Minhas santas Chagas, honrando primeiro a do Meu sagrado Ombro tão pouco lembrada. Quem isto fizer, quem às Santas Chagas juntar as dores da minha Bendita Mãe, e em nome delas nos pedirem graças, quer espirituais, quer corporais, Eu lhas prometo; a não ser que sejam de prejuízo à sua alma. No momento da morte trarei comigo Minha Mãe Santíssima para as defender”.

– Receber Jesus sacramentado dignamente (em estado de graça);
– Seis primeiras quintas-feiras de seis meses consecutivos;
– Fazer uma hora de adoração diante do Sacrário;
– Lembrar as Santas Chagas de Jesus e particularmente aquela do Ombro;
– Lembrar as dores de Maria.

Podemos dizer que é uma devoção fácil de pôr em prática!
Quanto às promessas de Jesus para aqueles que fizerem dignamente esta devoção, elas são simplesmente maravilhosas e estimulantes:

— Quem isto fizer, quem às Santas Chagas juntar as dores da minha Bendita Mãe, e em nome delas nos pedirem graças, quer espirituais, quer corporais, Eu lhas prometo; a não ser que sejam de prejuízo à sua alma.
— No momento da morte trarei comigo Minha Mãe Santíssima para as defender.

Vamos hesitar? Vamos fazer “ouvidos de mercador” a tão importantes e salutares promessas?
Não, e não! Unidos como num só coração, vamos unir-nos aos Corações de Jesus e Maria e honrá-los dignamente, praticando com particular abnegação esta Santa devoção que Jesus nos ofereceu por intermédio da sua querida esposa de Balasar, aquela que nós tanto amamos e merece todo o nosso carinha e amor.
Afonso Rocha