3 de maio de 2007

UMA CARTA DA ALEXANDRINA

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Balasar, 15 de Maio de 1934


Senhor Padre Pinho :
Principio por lhe agradecer uma cartinha que recebi há dias e que me veio trazer a boa nova de que ia celebrar a Santa Missa por mim em Fátima. Da minha parte, confesso, que sou indigna de tantas atenções que V.a Rev.cia tem para comigo. Eu nada lhe posso pagar, mas Nosso Senhor o recompensará por mim. E a minha Mãezinha do Céu não deixaria de nesse momento o abençoar e de pedir ao seu querido Jesus muitas e muitas graças para aquele que tanto se tem sacrificado pela alma desta probrezinha, que é e que nada vale.
Senhor Padre Pinho, agora vou contar a V.a Rev.cia como passei a noite de 12 a 13 e durante o dia. O programa foi o seguinte : foi aqui a inauguração da nova imagem de Nossa Senhora de Fátima, oferecida pela Maria Machado. No sábado à noite houve procissão de velas e veio a imagem de casa dela para a igreja. Logo que principiei a ouvir cantar, eu chorava. Chegou enfim a meia noite. Já tinha feito a Nosso Senhor todos os meus pedidos. Acendi uma vela, tomei um livro na mão, e unida em espírito a V.a Rev.cia, li a Santa Missa. Já não ouvi bater uma hora de noite porque estava com muita falta de descanso, e não pude resistir mais tempo. Pela manhã, o Senhor Abade trouxe-me Nosso Senhor. Já havia um mês que não me confessava. Não pedi para o fazer por ser dia de pressa, mas mesmo assim fiquei contente por receber Nosso Senhor.
(O resto da carta foi rasgado pelo destinatário)

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