12 de janeiro de 2011

ETERNIDADE SEM LUZ

Vive em mim a dor...


A Beata Alexandrina durante uml extase da Paixão

Nova transformação na minha alma. Morreu por completo aquele pequenino sopro de vida. Já não sinto aquela respiração que de longe a longe sentira. Vive em mim a dor e essa de toda a qualidade e espécie. Morri, morri para o mundo e para as criaturas. Tudo baixou ao túmulo para ficar para sempre sepultado. Meu Deus, que horror! Já não vivo, só vive a minha dor amada, só vive o meu inexplicável martírio. Poderá ele, sem a minha vida, dar a vida às almas? Poderei ser ainda útil à humanidade? Ó Jesus, ó Jesus, posso assim amar-Vos e consolar o Vosso santíssimo Coração? Pobre de mim! Depois do ódio e do abandono, depois do esquecimento, do desprezo, baixei à minha sepultura, já vivo na eternidade e sem que me désseis o meu Paizinho e sem ter de novo aqui a Santa Missa. Nunca mais, meu Jesus; nunca mais posso ter alegria, a não ser com os olhos em Vós. Podem de novo darem-me tudo o que me roubaram, sinto que para mim tudo é morte e que já é tarde para me ser restituído aquilo que eu mais amava e estimava depois de Vós, ó meu Jesus. Ai a Santa Missa! O meu director espiritual! E tudo mais, meu Jesus, tudo mais! Que horror! Como resistir a tanto? Não fui eu, meu Amado, fostes Vós em mim, foi o Vosso Amor. Obrigada, meu Jesus! Continuai a dispensar-me, dai-me força.

A minha eternidade não tem luz: é uma eternidade que não Vos ama, que não Vos louva, que não Vos vê, que não Vos goza. Tremenda eternidade. Não ver a Jesus é uma eternidade de morte. Só a dor triunfa sobre a morte. É o que vivo na eternidade que sinto. Seja qual for o estado da minha alma, Jesus, apressai-Vos, cumpri as Vossas santas promessas. Eu espero, eu espero, confiada por Vosso amor. Dai, Jesus, dai a vida às almas com a minha morte, com a minha eternidade. Dai-lhes a Vossa eternidade ; dai-lhes o Céu, o Céu, ó Jesus. (Sentimentos da alma, 13 de Maio de 1944)

2 comentários:

Manuel disse...

Deu-me Deus a felicidade de ter conhecido em vida a irma Alexandrina, numa excursao a que fui com minha mae.
Nunca mais me saiu da cabeça o doce olhar daquela menina que para todos tinha sempre uma palavra de conforto e muito amor.
Tenho pena de so uma vez ter tido esse pervilegio, mas ao mesmo tempo acho que fui um felizardo por a ter conhecido pessoalmente.
Desde esssa altura, ela ficou a ser para mim o meu modelo de virtude.

Afonso Rocha disse...

Caro Senhor Manuel,
O Senhor mesmo o diz “foi um felizardo”.
Acredito plenamente que guarde dessa vizita uma recordação que nunca mais se apagará da sua memória, pois conhecer pessoalmente a Beata Alexandrina foi um previlégio que eu mesmo tanto gostaria de ter tido.
Volte a comentar quando o desejar e, se se lembrar de outras recordações dela, escreva-as, pois isso nos fará grande prazer e honra.
Afonso Rocha