28 de fevereiro de 2012

HOJE É SÓ COMIGO QUE TU PECAS…

Dizia coisas vergonhosas que não posso dizer...

Passei a noite alerta, muito alerta; pedi tantas coisas ao meu Jesus! Repetidas vezes renovei-Lhe a minha oferta de vítima. agradeci-Lhe mais o benefício que me concedia de eu não dormir, pois assim melhor Lhe podia fazer companhia e conversar mais a sós com Ele, viver mais a vida d’Ele e só com Ele desabafar. Sem eu querer, vinham-me ao pensamento tantas, tantas coisas que me fizeram e fazem sofrer, e dizia:
– Jesus, passam-se semanas, meses e anos e eu encerrada dentro destas pobres paredes. Elas e Vós sois testemunhas das minhas agonias e lágrimas. Fiz alguma coisa para parecer bem, para merecer louvores ou para enganar? Por grande misericórdia e graça Vossa nunca o fiz, meu Jesus. Sou a Vossa vítima, aqui me tendes prisioneira neste quarto, por Vosso amor e pelas almas. Nunca gozei o mundo nem as suas falsas alegrias. O meu gozo, a minha alegria é o Vosso amor e a salvação das almas.
Nesta conversa e unida a Jesus, fui assaltada pelo demónio. Usou das suas manhas, das suas malícias, dizia-me:
– Hoje é só comigo que tu pecas, é para pecares com mais amor, abraça-te a mim.
Dizia coisas vergonhosas que não posso dizer. Não me deixava recorrer a Jesus; só ao terminar da luta o pude conseguir deveras. E, neste momento, uma multidão de anjos em torno cercavam a minha cama. De repente, fiquei na minha posição e o demónio retirou-se para longe, de onde me afirmava alegremente que eu tinha pecado. a visão dos anjos, o brilho da sua luz aliviaram-me a minha dor. Eles estavam como que admirados de tal tragédia, mas compadecidos de mim. Mas as palavras afirmativas do demónio causaram-me tal ferimento e impressão que de verdade parece-me que, quando chamei por Jesus, já era tarde e só por graça d’Ele não O teria ofendido. Já passaram tantas horas, e este receio, esta dor cá estão em meu coração vivamente. Recebi o meu Jesus tão cheia de medo e com tanta pena e receio de ter pecado. Ai, meu Deus, que vida a minha. Na noite anterior a esta, combati por muito tempo com o maldito; combati sempre sobre abismos, mas variados, alguns eram aterradores. Sobressaíam sobre mim as labaredas de fogo quase preto e faziam tal estrondo, tal ruído que pareciam de cascas verdes de lenha. Dizia-me o demónio:
– Este é o prazer desordenado, este é o prazer mais delicioso. Goza, goza comigo, é tão bom gozar, etc.
Ofereci a Jesus os meus suores, o medo de pecar por aqueles que nada temem e nada sofrem por ofender e ver Jesus ofendido. Sinto que a minha oferta nada vale. A dor que me causa todo este martírio tira-me a alegria e a consolação de tudo.
– Ó meu Deus, se eu pudesse convencer todas as almas do que se sofre no inferno! Se eu pudesse fazer-lhes conhecer o que é uma ofensa feita a Vós, a dor que causa ao Vosso amantíssimo Coração! Sinto-me envergonhada, meu Jesus, por nada fazer por Vós e por nada saber dizer da dor que sinto ao saber-Vos ofendido e por não Vos amar nem Vos fazer amado. É a verdade pura que me sai dos lábios e do coração. Não é assim, meu Jesus? Que grande graça ao menos Vós saberdes que não minto, que não intrujo. Por tudo isto dai-me amor, amor, almas, sempre almas.

Sentimentos da alma: 22 de Janeiro de 1945

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