15 de fevereiro de 2012

PECAR, NÃO !

Entremeava palavras e gestos feíssimos

O demónio, sem dizer palavra, andava como o leão enfurecido, de dentes descarnados, a arrancar-me as entranhas e a deixá-las retalhadas pelo solo. O mesmo queria fazer-me ao coração, formava assaltos para ele, mas sem lhe tocar. Eu sentia a raiva que ele lhe tinha e as ânsias que tinha de o apanhar. Depois principiou com uma desencadeada de palavras e lições feias.
– Vamos pecar, vamos gozar – dizia ele. Dá-me tudo o que eu te peço, peca por vontade, peca por amor. Dá-me o teu coração. Se o possuir, possuo tudo.
Pelo meio disto entremeava palavras e gestos feíssimos. Parecia-me estar a ele entregue inteiramente, só a ele entregue. Por algumas vezes pude fitar a Jesus Crucificado, Jesus pequenino, a Mãezinha e S. José. Raras vezes lhes pude pedir que me valessem. Na tremenda luta, no auge da aflição, a minha língua ficou como que destravada, e eu exclamei:
– Pecar não, pecar não. Valei-me, Jesus, não quero manchar a minha alma.
Serenou tudo por alguns momentos. Depois voltou o maldito, mas mais de longe, mostrando-se satisfeito, a dançar e a afirmar-me que eu tinha pecado. Fiquei tão triste! Sentia o meu coração numa bola de sangue. Sozinha desabafei com Jesus:
– Ó meu amor, quando terminará tudo isto? Tudo me aterroriza, temo ofender-Vos, temo falar-Vos, temo não Vos amar. Que será de mim, Jesus! Corre para mim a sexta-feira a passos de gigante. Bem vindo seja o que é por Vós. Velai por este nada, compadecei-Vos desta miséria, miséria sem igual. Sou sempre a Vossa vítima, meu Amor. (Sentimentos da alma: 18 de Janeiro de 1945)

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