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terça-feira, junho 22, 2021

O AMOR VENCEU

Sofro e morro de dor


Jesus continua na cruz e dentro de mim, de mim que não vivo nem existo. Ai, o doce Jesus de braços e Coração abertos! Queria dizer quanto Ele sofre e ama; sei sentir, não sei dizer, não me chega a língua, não sou capaz. Sofro e morro de dor. O que daria eu para poder fazer compreender a todos uma ofensa feita ao Coração Divino de Jesus, e quanto Ele nos ama apesar de tudo! Assim caminhei para o calvário com esta sede de me dar a conhecer às almas, de me dar a elas, de morrer por elas. Nunca caí tantas vezes como hoje. Que repetidas quedas! Que desfalecimento tão grande! O meu corpo gelava-se sem sangue; o coração não palpitava, os lábios não tinham vida. O amor venceu, foram as cordas que me arrastaram. Os meus lábios moribundos tinham sede ardente, mas o coração mais sequioso estava; quer beber a amargura até à última gota, tudo quer sofrer, porque a todos ama. Tudo quer dar para tudo receber. No alto da cruz sentia no meu corpo os maus-tratos do mundo, era como se fosse por todo ele apedrejado; sentia mesmo como se as pedras me ferissem. No Coração Santíssimo de Jesus, que estava em mim crucificado, vi sair uns raios de fogo, pareciam raios de sangue. Aqueles raios vinham estender-se sobre todos aqueles de quem o meu corpo sentia os maus-tratos, as pedradas. Que ternura e compaixão saía daquele Coração tão amante! Dos meus olhos moribundos, já sem vista para o mundo, saíam para ele os olhares mais doces, mais ternos e amantes; eram olhares que penetravam tudo e a todos; viam toda a maldade e ingratidão. Foi assim que veio Jesus. Veio, prendeu-me e demorou-se bastante tempo sem me falar. Tomou em Suas divinas mãos o meu coração e fez dele uma grande bola que momentos depois colocou no lugar do coração. (Alexandrina Maria da Costa: 22 de Junho de 1945)

segunda-feira, junho 21, 2021

SINTO QUE ESTOU MORTA

Preocupa-me tanto a salvação do mundo!


Sinto que estou morta com o peso do mundo; reduziu-me ao nada, e é este nada que continuamente se mergulha em trevas. Quantas mais me cobrem, mais me infundo nelas, mais trevas vejo. Quando deixarei de as ver? Quando deixarão elas de me aterrorizarem? E eu tão só, mesmo sem ninguém! Oh terrível desprezo e abandono! Não vejo, não sinto o conforto da terra nem o do céu.

— Ó meu Deus, como hei-de estar aqui assim? Preocupa-me tanto a salvação do mundo!

Não posso sentir Jesus tão ferido. Não tenho corpo nem coração para Ele se consolar em mim. Foi o mundo das maldades que me destruiu. Quero amar o meu Jesus e não tenho coração para O amar, desapareceu de mim, não sei a quem pertence. Confio, confio que será a Jesus. Queria sangue para dar por Seu divino amor, gota a gota, e não o tenho; sinto que as veias do meu corpo desapareceram. Não tenho nada, nada posso fazer por Jesus e pelas almas. Só o demónio não cessa. Que grande tormento! Vieram uns poucos para a minha frente em forma de cães. Que cenas tão feias e maliciosas! Eram cenas e palavras só do inferno. Pedi logo a Jesus para não O ofender; ofereci-me como vítima, enquanto o maldito me deixava falar. Ao terminar da luta, fiquei insatisfeita, parecia-me que queria ter pecado, e gravemente. Mas não era assim, o que eu queria era não ter desgostado Jesus, não O ter ferido. Eu não sabia como se podiam ter dado tais cenas. Sentia em meu coração uma dor profunda. Eu não podia tomar a minha posição. Sofria tudo, o mal-estar do corpo e as aflições da alma. Jesus velou por mim, defendeu-me. Ouvi-O dizer:

— Ordeno-te, minha filha, que tomes a tua posição. É o Esposo que manda, e a esposa obedece. É o Rei que quer, e a rainha sujeita-se, aceita. Filhinha, coragem! É a reparação mais fina e delicada que te peço. É a flor mais pura. (Alexandrina Maria da Costa: S. 21-06-1945)

quarta-feira, junho 09, 2021

PERDOAI-LHES, MEU JESUS

Eles não sabem o que fazem


Deixai-me dizer a Vós o que Vós dissestes ao vosso Eterno Pai: Perdoai-lhes, meu Jesus, porque eles não sabem o que fazem, estão ceguinhos, falta-lhes a vossa luz divina: iluminai-os a todos e a todos dai o vosso amor. O Jesus, todos os meus pressentimentos me tem saído certos. Poderão eles ainda proibirem que vos receba sacramentalmente? Ai de mim, seria como o golpe que me tiraria a vida se vós com o vosso divino poder me não conservásseis. Digam o que disserem, façam eles o que fizerem, o que nunca conseguirão é tirar-me desta união íntima com vós. (Alexandrina Maria da Costa: 19-02-1942)

terça-feira, junho 08, 2021

VEM PARA OS MEUS SACRÁRIOS

Caíram tantas almas no inferno!


— Filha, filha, ó minha querida filha anda passar a noite comigo nos meus sacrários: anda consolar o teu Jesus. Anda com a tua reparação curar as minhas chagas que estão tão vivas! Fui hoje tão ofendido! Caíram tantas almas no inferno! Cortei-lhe o fio da vida antes do tempo marcado por não as poder sofrer mais.

Eu ofereci a Nosso Senhor todo o meu corpo para Ele crucificar pelo seu divino amor para a salvação das almas; e dava-lho de tão boa vontade como Ele se deixou crucificar por meu amor. (Alexandrina Maria da Costa: Carta ao Padre Mariano Pinho: 06-06-1935)

segunda-feira, junho 07, 2021

É COMO ARAGEM QUE CORRE

Sinto um mundo de amor


— Onde poderei encontrar bálsamo para as minhas dores? Ó meu Deus, na terra parece-me que já não posso encontrá-lo. Tudo é para mim causa de maior sofrimento.

Só em Jesus, só de Jesus poderei receber algum alívio. E esse bem depressa passa, é como aragem que corre, deixando só no próprio momento o seu frescume suavizador. Na minha comunhão de ontem e de hoje senti-me mais unida com o meu Jesus. Ele passava do Seu Divino Coração para o meu cadeias puras, cadeias finas, cadeias de amor. Desde então tenho no meu coração novo coração, e neste coração está alguém a atirar estas cadeias, a formar laçadas ao mundo das almas. Faz-me lembrar o marinheiro dentro da sua barquinha a atirar as redes ao mar para apanhar a pesca. Eu sinto dentro de mim o marinheiro das almas a fazer o mesmo canseirosamente. Sinto um mundo de amor sobre o meu coração. Este amor, este mundo, é o mundo do Coração de Jesus. É um mundo e é para o mundo. Que ânsias tão grandes a querer possuí-lo! Que ternuras, doçuras e amor! Outro coração de lágrimas se colocou dentro do meu. Estas lágrimas são choradas sobre a humanidade inteira, cobrem-na. São lágrimas de agonia por este coração cheio de riquezas desprezado. Está este coração de chaga profunda tão aberta para receber a todos. Faz lembrar a avezinha de asas abertas para cobrir seus filhinhos. Sinto as veias do meu corpo todas unidas, todas abertas a darem ao mesmo tempo as últimas gotas de sangue. Como elas são espremidas! As gotas escasseiam, elas já não têm mais que dar. E no meio disto sempre as ânsias de possuir universos de sangue para todo derramar pelas almas. Tanto queria amar a Jesus e sofrer todas as dores para O consolar. (Alexandrina Maria da Costa: Sentimentos da alma de 7 de Junho de 1945).

domingo, junho 06, 2021

O MUNDO QUE EU SOU

Este mundo não quer Jesus


Por vezes, a minha alma vê Jesus, feito enfermeiro, a querer entrar a este mundo, que sou eu mesma. Rodeia, rodeia uma e outra vez este monstro mundial, para curar-lhe as chagas de entro e de fora. Jesus anda cheio de amor e doçura, mas não tem estrada. Esta rocha dura não quer ouvir o Seu convite de ternura, não quer deixar-se curar. Que pena eu tenho não consentir que Jesus seja o meu enfermeiro! Ele quer acariciar-me, e eu não deixo, revolto-me contra Ele, obrigo-O a afastar-se de mim. Apesar de ser eu que O não quero, nem quero a Suas bondades, ternuras e carinhos, a alma chora por não O querer, por não lhe dar entrada, por não O amar. Que pena eu tenho de Jesus! Sofro ao mesmo tempo com Ele. Sou o mundo e sou Jesus; peco e quero pecar; amo e quero amar; e este amor é louco, não tem limites, ama e não olha a quem; o que quer é ser aceite. Se este amor fosse eu, e minhas não fossem as maldades! Mas ai pobre de mim! O amor é de Jesus, as maldades são minhas. Abracei-me à minha cegueira com tal afecto, com tal amor, que não mais a largarei; ela só me causa sofrimento, só me mostra que sou lodo e lama, mas eu quero e neste estreito abraço mais me vou mergulhando nela. O que é bom, o que é de Jesus, não aparece nas minhas medonhas trevas. Mas o que posso eu esperar, o que posso eu ver, se nada há em mim de bom, nada tenho de encantador que a mim pertença. Sou miséria, só miséria; ó Jesus, compadecei-Vos de mim! Tenho recebido, nestes dias algumas, algumas graças, alguns mimos do Céu, que eu não mereço. Agradeço-as a Jesus e à querida Mãezinha, mas este meu agradecimento não chega. (Alexandrina Maria da Costa: S. 6 de Junho de 1947).

COMO A AVEZINHA

Que tristeza amar e não ser amado


— Minha filha, minha filha, Jesus anda como a avezinha que não pode poisar, que não pode descansar. Jesus anda louquinho a pedir amor, amor a todos os corações. Que tristeza amar e não ser amado; amar e ser ofendido! Mas ainda bem que a louquinha do amor divino ama-o apaixonadamente, ama-o como Jesus o deseja, ama-o com o amor mais puro e desprendido de tudo o que é terreno; é amor santo, é amor divino. Foi por este amor que Jesus se enlouqueceu pela sua louquinha; é pelo amor da louquinha da Eucaristia que Jesus se apaixona pelas almas que a amam. É por este amor tão puro que Jesus lhe vai dar uma morte de amor, amor, só amor. Jesus está louco de alegria, Jesus está contentíssimo com o Paizinho da sua benjamina querida. São as humilhações por que está a passar que o hão-de glorificar e exaltar. O prémio é grande no Céu e grande será na terra ainda a recompensa. Jesus está louco, louco de alegria com o Sr. Doutor, com o santo cuidado com que ele está a desempenhar tão grande missão. Jesus escolheu-o para velar pela sua crucificada e as almas a quem mais amo. O Coração divino de Jesus está superabundante de graças para derramar sobre todas elas. O mundo, Satanás odeia-as e odiá-las-á. A sua causa é só a soberba e o orgulho: só isso é a razão da sua raiva. Porém Jesus ama-as com sua bendita Mãe, triunfa e vence com elas, e só isso basta.

― Ó meu Jesus, defendei-as sempre, amai-as sempre apaixonadamente, triunfai e vencei com elas. Levai-me então depressa para o Céu para eu fazer descer sobre elas as vossa graças e as vossas bênçãos. Sim, sim, meu Jesus; confio que sim, meu Amor. (Alexandrina Maria da Costa: S. 6 de Junho de 1942).

sábado, junho 05, 2021

DIZ AO TEU PAIZINHO, DIZ AO TEU MÉDICO

Serão para eles as primeiras bênçãos


— Diz ao teu Paizinho que Jesus te escolheu; diz ao teu médico que Jesus te confiou, diz à tua irmãzinha que te acompanha nas tuas dores, diz a todos que te ajudam a subir o doloroso calvário, que serão para eles as primeiras bênçãos, as primeiras graças, tudo o que é do Céu. Diz ao teu Paizinho que já cá na terra tem um trono em meu divino Coração. Diz-lhe que Jesus e Maria o amam loucamente. Diz-lhe que já que nesta luta mais não pode, te acompanhe sempre, sempre com orações, sempre, sempre com aquela união de almas com que Eu vos uni. Diz ao teu médico que seja forte com a força do meu divino Coração. Que te acompanhe sempre, sempre, que te ajude a levar a cruz. Que conte sempre com as graças e bênçãos do Senhor para ele e todos os seus; todos eles terão a perseverança final. Acaricia-te Jesus, acaricia-te a Mãezinha: são ternuras, doçuras, amor do Céu.

Toma conforto, ó minha filhinha, esposa do meu Jesus, salvação de todos os filhos meus. Oh! como és amada de toda a corte celeste!

Estas últimas palavras foram da Mãezinha. (Alexandrina Maria da Costa: Sentimentos da alma; 5 de Junho de 1943).

Na imagem:
A beata Alexandrina, o Pe. Mariano Pinho e o Dr. Augusto de Azevedo

FAÇAMOS PRAZER A JESUS

Oração e devoção ensinada por Jesus


Diz às almas que Me amam que vivam unidas a Mim durante o seu trabalho. Nas suas casas, seja de dia seja de noite, ajoelhem-se muitas vezes em espírito e de cabeça inclinada digam:

“Jesus, eu Vos adoro em todo o lugar onde habitais sacramentado;
Faço-Vos companhia pelos que Vos desprezam,
Amo-vos pelos que não Vos amam;
Desagravo-Vos pelos que Vos ofendem.
Jesus, vinde ao meu coração!”

Estes momentos serão para Mim de grande alegria e consolação.

Que crimes se cometem contra Mim na Eucaristia! (Sentimentos da alma: 2 de Outubro de 1948).

sexta-feira, junho 04, 2021

SOL BRILHANTE, SOL ESPLENDOROSO

Será aquele que se vai reflectir no mundo


― Sol brilhante, sol esplendoroso será aquele que se vai reflectir no mundo. Os homens não querem deixar reflectir seu brilho. Ai deles, pobres daqueles que se opõem à frente dos caminhos do Senhor! Jesus todo se consola e alegra nas almas suas amadas. Jesus todo se delicia no arminho das almas puras. Os raios do amor divino formam sobre elas uma auréola brilhante e encantadora que atrai a si o mundo e os corações. Os que se dizem amigos de Jesus não conhecem as almas suas esposas. Jesus está descontentíssimo com a maior parte dos seus discípulos: não têm luz, não a procuram, não sabem, não procuram saber. Lançam-se como Satanás a deitarem por terra as obras do Senhor. Desviam de si as bênçãos divinas e toda a protecção da Virgem Maria. A Mãezinha celeste está preparada para vir buscar a sua filhinha para junto de si. O prémio é brilhantíssimo. A dor do Paizinho da louquinha de Jesus tem dado toda a glória e triunfo ao Céu. Pobres daqueles que assim o têm feito sofrer. Jesus nada deixa sem recompensa. Jesus dá toda a graça e amor ao médico da alma e ao médico do corpo da louquinha da Eucaristia. Jesus será todo e tudo para eles. (Alexandrina Maria da Costa: S. 4 de Julho de 1942)

EM VÓS CONFIO

Minha é a miséria e inutilidade


Vivo a eternidade que não principiei e que nunca acabarei. Eternidade, eternidade, como tu me fazes sofrer! Tu não principiaste nem acabarás para mim. Eu vivo-te, odeio-te e contra ti me revolto e contra Deus. Ó eternidade, ó vida que me fizeste perder o meu Deus, o meu Jesus, a minha querida Mãezinha! Não posso consentir em tal perda. Não posso sentir nem recordar que foi por toda a eternidade que perdi estes tão queridos Amores! Que saudades dos primeiros sábados, do meu colóquio com a Mãezinha! E tudo o mais, meu Deus, tudo o mais! Que tormento para a minha alma! Quero afirmar-me, quero agarrar-me ao Céu e não tenho nada a que possa segurar-me. Que abandono, que tormento! Perder todas as coisas divinas depois de ter perdido as humanas. Perder todo o conforto e apoio do Céu, depois de ter perdido todo o conforto e auxílio da terra. Lá vou indo na minha cavação tão profunda, tão profunda que apavora. São tão raras, tão raras as cavadelas. Parece-me que levam mais de um século a dar cada uma, mas cansam-me tanto, tanto a alma. Ela está sempre banhada em suores. Só o sustentar nas mãos tal instrumento fatiga-me o corpo e a alma, leva-me a maior abatimento. O corpo desfeito pela dor ressente-se com o sofrimento da alma. É para ele maior tormento. Vejo o túmulo, aquele túmulo que me escondeu, aquele túmulo que a morte exigiu e as trevas e a mesma morte continuam a exigir. À volta dele é um prado e jardim florido. Por dentro morte e trevas. Por fora verduras, lírios, açucenas que verdejam, vida que vive e faz sobreviver sempre. Nada disto é meu. Minha é a miséria e inutilidade. A inutilidade rouba-me os meus sofrimentos, os meus sacrifícios, as minhas ânsias de me dar ao Senhor e às almas. Como o livro do meu coração quer falar, expandir-se!... Como são infinitas as minhas ânsias de amar a Jesus e de O fazer amar e de Lhe entregar a humanidade inteira! A inutilidade tudo abafa e até este livro me rouba. O meu calvário, o meu horto tão cheio de agonia é por mim espezinhado e esquecido. Nada disto vivo, porque parece que nada disto foi para mim.

Ó meu Deus, ó meu Deus, em Vós confio. Creio, Jesus, creio. Valei-me com a Mãezinha. (Alexandrina Maria da Costa: S. 4 de Junho de 1954)

QUE SAUDADES DO CÉU!

Não posso viver aqui, meu Jesus!


— Não temas, minha filha, o teu Jesus. Quem o possui e ama deveras não o pode temer. Jesus quisera que todos falassem nas bondades do seu divino Coração com toda a simplicidade e amor. Jesus quisera que todos falassem nas bondades do seu divino Coração, da sua ternura, da sua compaixão, do seu perdão. Jesus é louco por todos os filhos seus. Jesus ama-os apaixonadamente e a todos quer dar os tesouros inesgotáveis do seu amável Coração. Jesus a todos quer ver à volta do seu Sacrário a amá-lo e a recebê-lo com aquele amor e carinho como as andorinhas com os seus filhinhos. Que timoratos são os que temem deveras a Jesus e todos aqueles que desconfiam das suas bondades e misericórdia! O amor e a confiança é tudo para a alma que deveras ama e pertence a Jesus!

― Ó Jesus, eu confio plenamente em Vós. Vós ides atender aos meus pedidos, ides, Senhor? E depois ides logo levar-me para o Céu, sim, meu Jesus? Que desejos e saudades eu tenho dele! Não posso viver aqui, meu Jesus! Este exílio é aterrador! (Alexandrina Maria da Costa: S. 4 de Junho de 1942)

terça-feira, junho 01, 2021

SÓ VOS FOSTES A MINHA FORÇA

A grandeza é Vossa, a miséria é minha


O mês de Junho é o mês do Sagrado Coração de Jesus!

Neste mês, mais do que em qualquer outro do ano, as almas e os corações dos fiéis sentem uma maior atracção por esta Fonte de amor que é o Coração do nosso Deus, na pessoa de Jesus Cristo, nosso Salvador e Redentor.

É também neste mês de Junho que mais nos tornamos para a devoção mais do que milenária a este Coração que tanto ama os homens e que deles recebe tantos ultrajes e tantas blasfémias, justamente para reparar esses pecados de lesa-majestade, dos quais Jesus se queixou à sua serva, Santa Margarida Maria de Alacoque e, mais perto de nós à Beata Maria do Divino Coração e mais particularmente ainda à nossa tão querida Alexandrina Maria da Costa.

E foi justamente a esta que Jesus disse um dia, como para nos tranquilizar:

— Coragem a todos, o que é de Deus não morre; é certo o triunfo. Vou dar-te o sangue do meu divino Coração, a minha vida divina da qual só vives e dás às almas. (S. 06-01-1945)

Alexandrina estava sempre muito atenta à mais pequena munição do Senhor e tudo fazia para o consolar, para em tudo fazer a sua divina vontade. Um dia – em Janeiro de 1953 – Jesus agradeceu-lhe este zelo, o que a surpreendeu e a levou a exclamar humildemente:

– Ó Jesus, não tendes que agradecer a esta miserável filhinha. Sofri muito. Não fui eu, Jesus, fostes Vós no meu corpo. Só Vós fostes a minha força. Dei-Vos muito, meu Amor? Não Vos dei nada do que era meu: dei-Vos o que era Vosso. Sou eu, Jesus, sou eu a agradecer. O meu eterno “obrigada”, Jesus. (S. 02-01-1953)

Mas Jesus já antes, a 30 de Março de 1945, dia do aniversário da Alexandrina, lhe tinha agradecido e até mesmo apresentado as suas congratulações pelo dito aniversário. A resposta da Alexandrina, também foi cheia de humildade e de filial submissão à divina Vontade:

– Falai, falai, meu Jesus, são para Vós as felicitações, as saudações e os louvores. O que faço eu sem Vós, meu Jesus? O que sou eu sem Vós? Podeis dizer, podeis falar, a grandeza é Vossa, a miséria é minha. (S. 30-03-1945)

segunda-feira, maio 31, 2021

JESUS RECEBE A BOFETADA

Em nada se assemelha a dor do rosto à dor do coração


Fiquei mais confortada, pude melhor resistir à agonia do horto, ao cálice da amargura. Na solidão temi a noite, temi tudo. Tive de subir uma grande encosta. Subi tão cansada e senti em meu corpo tantos pontapés. Recebi depois a enorme bofetada. Em nada se assemelha a dor do rosto à dor do coração. Ficou tão ferido Jesus que, se não fosse um milagre, perdia a vida. Que amor o d’Ele ao recebê-la!

— Ai, meu Deus, se eu pudesse mostrar a dor que Vos causaram e a doçura do Vosso amor, a bondade com que Vos deixastes ferir, a Vossa compaixão sobre quem Vos feriu! Ó amor, ó amor sem igual! (Alexandrina Maria da Costa: S. 31 de Maio de 1945).

O MUNDO NÃO ESCUTA A VOZ DE JESUS

Estou cansada, quero unir o mundo a este fogo


Possuo em mim o que não é meu; sinto, conheço que é do céu. Estou cansada, quero unir o mundo a este fogo, a esta vida do céu, e não posso. Sinto as cadeias do amor de Jesus a prendê-lo e sinto as do demónio a arrastá-lo para a perdição eterna. O mundo não escuta a voz de Jesus, não repara nos Seus olhares, não aceita as Suas ternuras e meiguices, não se deixa prender por Ele. Que martírio que tanto esgota o meu coração! Não sei o que pressinto, não sei o que me espera. Vêm com severidade junto da minha alma, dão-me fortes abalos, fazem-me estremecer o meu corpo. Mas permaneço firme, nada há que me deite a terra. Nada há que me arranque da minha cruz e dos braços de Jesus. Se uma vez ou outra me parece perder-me, Ele vem auxiliar-me. Veio hoje, era já noite, dissipou por um pouco as minas trevas, desviou para longe as minhas dores. (Alexandrina Maria da Costa: S. 31 de Maio de 1945).

MOMENTOS HÁ EM QUE NÃO POSSO RESISTIR

Terra, triste exílio que não posso suportar


Já me sinto elevada a uma certa altura da terra. Momentos há em que não posso resistir a tantas saudades do Céu. Espero ver o meu Jesus dentro em pouco com a minha querida Mãezinha e todos os meus amores por quem aspiro; porém quero que se cumpram todas as promessas de Jesus, quero que me dêem o meu Paizinho que sem eu dar motivos para isso e em momentos tão amargos mo retiraram. Parece que só isso e a determinação da consagração do mundo pelo Santo Padre me obrigam a ainda viver na terra, triste exílio que não posso suportar. (Alexandrina Maria da Costa: S. 31 de Maio de 1942)

segunda-feira, maio 24, 2021

COISAS ESTRANHAS

Nada podia ouvir de alegria


Desde o dia 24 de Maio [de 1942], dia do Divino Espírito Santo, em que eu pedia toda a luz e todo o fogo do seu divino Amor, do seu Amor santificador, o estado da minha alma modificou-se, mas nesse dia de tarde eu ainda dizia: Eu já não tenho vida da terra, só tenho corpo para a dor. A partir deste dia, deixei de sentir o que até ali sentia quase continuamente, que eram nojentas serpentes cheias de toda a imundice, que entravam pela boca e saíam arrancadas não sei por quem, fazendo lembrar os condenados do inferno atormentados pelos demónios. Não podia ouvir o chilrear dos passarinhos ao alvorecer e ao anoitecer do dia, apesar de me lembrar que estavam a louvar o seu Criador. Os seus gorjeios feriam muito a minha alma. Nada podia ouvir de alegria. A minha sede era abrasadora, as saudades de me alimentar não as sei exprimir e tudo isto me parecia levar ao desespero por sentir que era impossível saciar os meus desejos. Logo dizia ao meu Jesus: É por vós que sofro, e saciai vós a vossa sede de amor, a sede que tendes das almas. (Alexandrina Maria da Costa: S. 24-05-1942).

Ó MEU JESUS NÃO ME ABANDONEIS

Sinto-me abandonada de todos


O fiozinho da vida divina que estava ligado ao meu coração, apesar de sentir que o não tenho, ainda está ligado ao lugar onde ele habitava. Sinto que ele está a cada momento a querer quebrar. A fúria da horrenda tempestade dá-lhe todos os abalos. Do pequenino lugar que ocupava o meu pobre coração sai, de longe a muito longe, umas escassas gotas de sangue. Agora é que eu sinto quanto a pobre Humanidade necessita dele; toda ela sequiosamente o quer sugar. Ó meu Jesus, não abandoneis a pobrezinha que sempre em vós confiou e confia. Apesar de tudo sentir perdido por entre as trevas, é de vós que tudo espero.

O demónio quebrou todas as cadeias que o prendiam, caiu sobre mim. Luto sozinha, combato a sua raiva. Ó minha querida Mãezinha, tiram-me o meu Paizinho nestes tristes dias em que eu mais precisava dele.

Sinto-me abandonada de todos a não ser quando mo dais milagrosamente para conforto da minha alma; o que tão raras vezes acontece. Perdoai a todos os que me ferem, perdoai tanta cegueira; eles de mim estão perdoados. No lugar do meu coração já não cabem mais espadas; tenho sofrido por todos os lados, tenho recebido sofrimentos de quem menos esperava. Ó meu Jesus, para todos o vosso perdão, o vosso amor e a vossa compaixão. Purificai, santificai, abrasai no vosso divino amor e levai para junto de vós sem demora a vossa filhinha agonizante. (Alexandrina Maria da Costa: S. 24-05-1942).

O TEMPO NÃO PASSA

As horas parecem séculos


Jesus suspendeu-me a crucifixão: parece-me que me suspendeu a vida. Só Ele pode avaliar a minha tristeza e saudade. Não tenho o sofrimento da cruz; já não me sinto nela, escondeu-se-me por completo, mas tenho maior cruz ainda, são maiores os meus sofrimentos. Não posso viver no mundo. O tempo não passa, as horas parecem-me séculos, os dias e as noites eternidades. Quantas vezes levanto os meus olhos ao Céu para exclamar: Jesus, ó meu querido e saudoso Jesus! Mãezinha, ó minha querida e saudosa Mãezinha! Santíssima Trindade, ó minha querida e saudosa Trindade, para quem só quero viver, a quem me entrego, a quem só quero amar. Pobre de mim! Digo que amo e não tenho coração para amar, não tenho corpo senão para a dor, sou como uma bola de espuma que depressa se desfaz. Que trevas, meu Jesus, que securas, que amarguras, que agonias as da minha alma. (Alexandrina Maria da Costa: S. 24 de Maio de 1942)

UM MAR DE AMOR

Um mar que nunca terá fim


Esse mar infinito para onde corre a minha dor, a dor que vai ferir o meu amantíssimo Jesus vem também de encontro ao meu peito, para o meu coração: um mar infinito, um mar que nunca terá fim, nem poderá esgotar-se o seu amor. É esse amor que me atrai, é esse amor que não posso deixar de anunciar. Trabalha em mim como que um motor; este motor tem voz que se espalha, voz que ecoa no mundo inteiro, voz que junta o humano com o divino, voz que levanta a terra para o Céu. Quantas coisas sabe sentir o meu coração e a minha alma e não as sabe dizer! Que pavoroso martírio para mim! Quero abraçar o mundo, quero abraçar as almas, quero num abraço divino estreitá-las, metê-las todas no peito, no Coração de Jesus; é uma ânsia tormentosa, é uma ânsia sem limites, sem fim. (Alexandrina Maria da Costa: S. 22 de Maio de 1953)