22 de maio de 2007

ALEXANDRINA E A SEGUNDA GUERRA

NOVO ARTIGO NO SÍTIO OFICIAL


Antes mesmo de Hitler invadir a Polónia em 1 de Setembro de 1939, provocando assim a entrada em guerra de numerosos países, já o Senhor tinha mostrado, ou dado a entender à “Doentinha de Balasar” que tempos difíceis estavam próximos e que, se não se fizesse penitência, se não se orasse com fervor e frequência, “grandes castigos” iriam abater-se sobre o mundo pecador e incrédulo.
O medo de que Portugal entrasse nesta guerra, como tinha sido já o caso na primeira mundial (1914-1918), era para a “Doentinha de Balasar” um tormento indizível, como também veremos.
O conhecimento que ela certamente tinha das barbaridades cometidas havia pouco durante a guerra civil espanhola não a deixava tranquila, mas “esperava, contra toda a esperança”, que a guerra não fosse declarada e que Portugal ficasse isento, embora “magoado”, no caso de haver de facto conflito entre as nações mais vizinhas.

“Escutai: ao passo que Deus se mostra exigente para com os justos, para com os pecadores não tem senão clemência e doçura”. (S. João Crisóstomo; 7ª Homilia sobre a conversão)

Estas palavras de S. João Crisóstomo ilustram perfeitamente o tema que nos fixámos tratar aqui: “A Alexandrina e a segunda guerra mundial”.
Efectivamente, muitos dos trechos que vamos apresentar poderiam dar de Deus uma imagem de Pai severo e justiceiro, escondendo um outro aspecto d’Ele que é aquele de Deus-Amor, sempre “rico em misericórdia”, sempre mais propenso a perdoar do que a castigar. Isto também nos ensina o mesmo Pai e Doutor da Igreja, quando diz:

“É preciso que tenhamos sempre presente no nosso espírito o quanto todos os homens são rodeados por tantas manifestações do mesmo amor de Deus. Se a justiça tivesse precedido a penitência, o universo teria sido aniquilado.” (S. João Crisóstomo; 7ª Homilia sobre a conversão)

Nas cartas endereçadas ao Padre Mariano Pinho, sacerdote Jesuíta e primeiro Director espiritual da Alexandrina, encontramos muitas referências a este trágico período da história mundial, assim como muitas admoestações — muitas vezes severas — contra a humanidade pecadora.

Se desejar ler todo o artigo, utilize esta ligação:
http://alexandrinabalasar.free.fr/alexandrina_e_a_guerra_1.htm

10 de maio de 2007

O MAIOR DE TODOS OS MÍSTICOS

É JESUS!...
Entre as coisas que me surpreendem cada vez mais, há o despeito que muitos padres, religiosos, etc. ... da nossa Igreja, manifestam para com os místicos desde há mais de quarenta anos. Ora, quanto mais se avança no conhecimento dos místicos e daquilo a que chamamos as suas experiências ou as suas revelações, mais nos apercebemos que realmente, as graças, frequentemente excepcionais que receberam, nada mais fazem que retomar as imagens que Jesus utilizou quando vivia sobre a terra no meio dos seus discípulos e seus apóstolos. Com efeito, se tomarmos o tempo de reler as palavras de Jesus, somos obrigados de constatar que, para melhor fazer-se compreender pelas pessoas simples e pouco cultas, ou pelos doutores e escribas pouco abertos aos seus ensinos, Ele era obrigado a utilizar comparações, porque as palavras humanas são incapazes de exprimir a divindade.
Ora uma das missões importantes de Jesus, era revelar o Pai e o Espírito. Além disso, como Jesus “não tinha vindo para abolir a Lei, mas para realizá-la”, como teria Ele podido explicar o inexplicável senão utilizando imagens ou parábolas?
Abordaremos hoje apenas o Evangelho de São Mateus, deixando ao leitor o cuidado de ler os outros escritos do Novo Testamento.
Primeiro algumas imagens e comparações
No início do seu Evangelho, Mateus assinala as palavras do Baptista, e seguidamente o Baptismo de Jesus. Que diz?
“Vendo, porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao seu baptismo, disse-lhes: «Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da cólera que está para vir?... O machado já está posto à raiz das árvores, e toda a árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada no fogo...
Então, veio Jesus da Galileia ao Jordão ter com João, para ser baptizado por ele. João opunha-se, dizendo: «Eu é que tenho necessidade de ser baptizado por ti, e Tu vens a mim?» Jesus, porém, respondeu-lhe: «Deixa por agora. Convém que cumpramos assim toda a justiça.» João, então, concordou.
Uma vez baptizado, Jesus saiu da água e eis que se rasgaram os céus, e viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e vir sobre Ele.”
(Mat. 3, 7-16) assim, João Baptista utiliza, muito naturalmente comparações. Com efeito, quando o Pai apresentou Jesus, enviou o seu Espírito sob a forma de uma pomba.
Logo que Jesus começa a pregar, Ele utiliza comparações e parábolas. Assim, os que o seguem são o sal da terra, e a luz do mundo… E ainda: A lâmpada do corpo, é o olho…
Mais tarde, vendo aquela multidão de homens, “Jesus, encheu-se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. Disse, então, aos seus discípulos: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe.»… (Mat. 9, 36 à 38) Assim como Jonas esteve no ventre do monstro marinho, três dias e três noites, assim o Filho do Homem estará no seio da terra, três dias e três noites.” (Mat. 12, 40)
Ainda em São Mateus pode-se citar a vinha e os vinhateiros, os trabalhadores da última hora (Mat. 20, 1 à 16), ou a figueira seca (Mat. 21, 18-19), ou os vinhateiros que matam os filhos do seu mestre. (Mat. 21, 33 à 40) e ainda: “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que seguem por ele. 14Como é estreita a porta e quão apertado é o caminho que conduz à vida, e como são poucos os que o encontram!” (Mat. 7, 13-14)
E eis algumas parábolas:
“Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as. Não valeis vós mais do que elas? Qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida? Porque vos preocupais com o vestuário? Olhai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam!” (Mat. 6, 26-28)
“Todo aquele que escuta estas minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; mas não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. Porém, todo aquele que escuta estas minhas palavras e não as põe em prática poderá comparar-se ao insensato que edificou a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; ela desmoronou-se, e grande foi a sua ruína.” (Mat. 7, 24-27)
Há também a parábola do semeador (Mat. 13, 3 a 9) que todos conhecem e que Jesus pacientemente explica aos doze, da mesma maneira que o fará mais tarde aos seus místicos. Podem citar-se ainda as parábolas do bom grão e do joio (Mat. 13, 24-30), do grão de mostarda, do fermento na massa, do tesouro escondido, da rede que se deita ao mar... (Mat. 13, 31-46)
Mais tarde, tendo chamado a multidão, Jesus diz-lhes: “ Não é aquilo que entra pela boca que torna o homem impuro; o que sai da boca é que torna o homem impuro.» Os discípulos aproximaram-se dele e disseram-lhe: «Sabes que os fariseus ficaram escandalizados, por te ouvirem falar assim?» Ele respondeu: «Toda a planta que não tenha sido plantada por meu Pai celeste será arrancada. Deixai-os: são cegos a conduzir outros cegos! Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão nalguma cova.» Tomando a palavra, Pedro disse-lhe: «Explica-nos esta parábola.» Jesus respondeu-lhes: «Também vós não sois ainda capazes de compreender? Não sabeis que tudo aquilo que entra pela boca passa para o ventre e é expelido em lugar próprio? Mas o que sai da boca provém do coração; e é isso que torna o homem impuro. Do coração procedem as más intenções, os assassínios, os adultérios, as prostituições, os roubos, os falsos testemunhos e as blasfémias. É isto que torna o homem impuro. Mas comer com as mãos por lavar não torna o homem impuro.»” (Mat. 15, 11-20)
Poder-se-ia também recordar a parábola da ovelha perdida (Mat. 18, 11-14), aquela sobre o perdão (Mat. 18, 23-35), ou ainda virgens previdentes e as virgens loucas, os dois filhos a quem o pai pede um serviço na sua vinha, (Mat. 21, 28-31) e a descrição do julgamento final, (Mat. 25, 1-30) ou quando Jesus prediz o fim de Jerusalém e o fim do mundo. (Mat. 24, 1-44)
Ao longo de toda a sua predicação Jesus adapta-se aos seus ouvintes e utiliza a linguagem que eles podem compreender: utiliza uma comparação ou uma parábola, e imediatamente explica. É exactamente que faz também com santos místicos que, de resto, não hesitam em fazer perguntas quando não compreendem bem ou de forma alguma. E Jesus, — ou a santíssima Virgem iluminam as imagens, as cores, as formas, e às vezes mesmo os movimentos.
Se reflectirmos bem, Jesus é ou não o maior de todos os místicos?

Paulette Leblanc
Tradução: Afonso Rocha

4 de maio de 2007

NOVENA POR PORTUGAL

Mensagem muito importante de 3 de Maio de 2007

A divulgar sem tardar!...

Disse neste dia Nossa Senhora:
“Venho pedir que comecem desde amanhã uma novena”

Meus filhos,
Eu sou Nossa Senhora de Fátima, e eu venho pedir-vos que comeceis desde amanhã (portanto desde 4 de Maio) uma novena durante qual me oferecereis os meus filhos de Portugal, da China e da Rússia por diferentes razões, mas para uma mesma causa: a protecção do mundo.
Durante nove dias rezai assim:

Ó Maria nossa Mãe ternamente amada,Vós que viestes ver-nos,
de maneira a preservar a sobrevivência do mundo inteiro,
Vós a quem nós oramos todos os dias com amor
nós Vos suplicamos, intercedei
para que todas as nações do mundo sejam protegidas,
e mais particularmente Portugal, a China e a Rússia.
Que o mundo inteiro se consagre aos Corações unidos de Jesus e Maria.
Amem.

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós e protegei-nos.
Nossa Senhora de Fátima, intercedei por nós.
Nossa Senhora de Fátima, tende piedade de nós.

Meus filhos,
Felizes aqueles que viram a minha presença a seu lado.
Felizes aqueles que me vêem ainda hoje.
Felizes todos aqueles que acreditam sem nunca me terem visto.
Felizes os corações completamente entregues à sua Mãezinha
tais corações beneficiarão sempre no mais profundo deles
da ternura que Eu dei a Jesuse serão para meu Filho um refúgio de amor,
sempre prontos a acolher os pedidos de Deus Pai. Amem.

Meus filhos,
Eu vos abençoo.

Oferecei esta mensagem aos meus filhos,
por intermédio do site e do próximo livrete.
Eu, Maria, me inclino continuamente sobre vós,
para vos prevenir, para vos guiar, para vos proteger.
Venho alimentar o meu Coração de Mãecom cada uma das vossas orações,
com cada uma das vossas palavras de amor,
com cada uma das vossas intenções
com tudo o que os vossos corações vêm depositar no meu Coração. Amem
Muito obrigada. Maria.

3 de maio de 2007

OUTRA CARTA DO MÊS DE MAIO

Viva Jesus


Balasar, 30 de Maio de 1935

Meu Paizinho,
Cá estou eu hoje outra vez mas com dificuldade, em virtude do meu estado se ter agravado de cada vez mais.
Eu tinha por costume oferecer todos os dias o meu coração a Nosso Senhor, dizendo-lhe assim :
― Ó meu bom Jesus, eu Vos ofereço o meu coração neste momento como prova do meu amor para convosco e Vos peço que neste momento o coloqueis em todos os lugares onde habitais sacramentado. É pobre, muito pobrezinho, mas enriquecei-o com o Vosso divino amor e com os Vossos divinos tesouros. Incendiai-o todo em fortes labaredas de amor e colocai-o muito unidinho a Vós em todos os sacrários do mundo, em todos os lugares onde habitais sacramentado, a servir de lâmpada amorosa e luminosa para Vos alumiar. Prendei o meu coração aos sacrários com grossas cadeias de amor.
E pedia a Nossa Senhora :
― Mandai-me uma multidão de anjos, querubins e serafins em meu nome para todos os sacrários, para todos os lugares onde Jesus habita sacramentado, [para] amarem, louvarem e desagravarem e fazer companhia a Jesus sacramentado.
E pedia à minha querida Mãezinha do Céu para ir também e me levar com Ela. Quando pensava em morrer e deixar o meu Jesus sozinho nas suas prisões de amor, tinha pena. Veio-me à lembrança de pedir a Nosso Senhor para me aceitar a oferta do meu coração, não só enquanto eu vivesse mas sim enquanto o mundo durasse. Só depois deste ter acabado, eu o viria buscar, juntamente com o corpo para o Céu. Eu pedi a Nossa Senhora para proceder do mesmo modo como atrás tenho escrito, fazer tudo como se eu vivesse. Fiz o mesmo pedido ao meu anjo da guarda para depois de entregar a minha alma a Nosso Senhor vir para os sacrários fazer o mesmo. Deve bem calcular como eu depois me sentia bem : já não tinha tantas saudades de deixar o meu Jesus nos sacrários. Também tinha muita pena por não poder sofrer pelos pecadores, mas espero e tenho toda a confiança em Nosso Senhor que irei no Céu continuar a mesma missão. Sofrer lá não posso, mas pedirei muito a Jesus por eles. Às vezes penso para mim que quero tudo que for da vontade de Nosso Senhor aqui na terra e que depois Ele também há-de querer tudo que eu quiser no Céu.
Eu não sei o dia em que fiz a oferta, mas como verá foi em Maio e penso que deveria ser no princípio. Confessei-me terça-feira porque a Deolinda lhe foi pedir dizendo-lhe eu que estava muito doente. Trouxe-me Nosso Senhor na quarta-feira e hoje também. Na quarta-feira, no fim da Sagrada Comunhão, sentia um calor que me abrasava e não sei mais o que se passava em mim. Passados alguns momentos, falou-me Nosso Senhor :
― “Minha filha, pensas que este meu silêncio e este meu escondimento em ti não é para te unir mais a mim e para te elevar mais no meu amor ? Tem confiança em mim ; escondo-me debaixo das tuas faltas ; tudo o que faço em ti é para teu bem. És o amor do meu Amor. Eu deixo-te sozinha para te experimentar a ver se procedes da mesma forma : vejo que sim. É chegado o tempo que depositas em mim toda a confiança : procede sempre assim, não descanse o teu espírito a ir em revoada com os anjos e a minha Mãe Santíssima fazer-me companhia para os meus sacrários. Faze que Eu seja amado, que outros sigam o teu caminho e calquem as tua pegadas. Se soubesses a alegria que deste no Céu à Santíssima Trindade e à minha Mãe Santíssima com a oferta e o pedido que fizeste! Foi aceite. Só no fim do mundo o teu coração sairá dos meus sacrários e o virás buscar para o Céu. Depois da tua morte será mais festejado no Céu o mês de Maio, por ser nele que tu fizeste a oferta e o pedido e por nele tantas vezes o renovares. Manda dizer ao teu paizinho espiritual que lhe peço enternecidamente e como quem quer ser atendido que faça guerra à carne, ao pecado da impureza ; que são milhares e milhares as almas que caem no inferno com este pecado. O Sangue de um Deus derramado inútil para eles.”
Eu sentia-me muito acariciada, e dizia-me Nosso Senhor :
― “O tempo é breve e vai passando e dentro em pouco te virei buscar para mim. Silêncio, minha filha, o mais que poderes, pensa só em Mim.”
Hoje, no fim da Sagrada Comunhão, pareceu-me que me abraçaram e que me tornaram a deixar. Fiquei assim por algum tempo, sem ouvir a voz de Nosso Senhor ; mas por fim, ouvi que me falavam assim :
― “Anda cá, minha filha, meu amor, anjo da minha companhia, anda receber ordens do teu Jesus, escuta-me. Amo-te tanto! É um amor inexplicável, para ti incompreensível. É a recompensa da tua generosidade em te me ofereceres como vítima por meu amor e por amor das almas, muitas e de abraçares com amor a cruz que te envio. Dá-me almas, muitas almas! Eu precisava de tantas vítimas para levantarem o mundo dos crimes! E tenho tão poucas que generosamente queiram sofrer! Sofrer, sofrer, minha filha, que essas dores se transformarão em pedras preciosas para completar a tua coroa, e pérolas para adornar o manto que te há-de cobrir. Manda dizer ao teu pai espiritual que avise : ou o mundo se levanta da maldita impureza e dos pecados que tão horrivelmente me ofendem, ou vem sobre ele os castigos que o ameaçam, cai sobre ele a justiça divina. Pede-me por esses infelizes ; é perda irreparável : custaram a morte de um Deus, e morte horrorosa da cruz.”
Eu era muito acariciada, e disse-me Nosso Senhor :
― “És a minha esposazinha, a minha esposazinha, o meu amor, a companheira dos meus sacrários.”
Não acha bem o demónio que eu recomende isto da impureza tantas vezes a V.a Rev.cia, que se torna chato e que V.a Rev.cia de cada vez fica mais aborrecido comigo.
Muitas lembranças da minha mãe, da Deolinda e da Senhora D. Çãozinha : continua a ter algumas melhoras. Por caridade, quando puder, diga-me daí alguma coisa. Sempre terei a visita de V.a Rev.cia? Confio muito em Nosso Senhor que sim, que não morro sem isso.
Abençoe, por amor de Jesus, a pobre
Alexandrina
UMA CARTA DA ALEXANDRINA

———

Balasar, 15 de Maio de 1934


Senhor Padre Pinho :
Principio por lhe agradecer uma cartinha que recebi há dias e que me veio trazer a boa nova de que ia celebrar a Santa Missa por mim em Fátima. Da minha parte, confesso, que sou indigna de tantas atenções que V.a Rev.cia tem para comigo. Eu nada lhe posso pagar, mas Nosso Senhor o recompensará por mim. E a minha Mãezinha do Céu não deixaria de nesse momento o abençoar e de pedir ao seu querido Jesus muitas e muitas graças para aquele que tanto se tem sacrificado pela alma desta probrezinha, que é e que nada vale.
Senhor Padre Pinho, agora vou contar a V.a Rev.cia como passei a noite de 12 a 13 e durante o dia. O programa foi o seguinte : foi aqui a inauguração da nova imagem de Nossa Senhora de Fátima, oferecida pela Maria Machado. No sábado à noite houve procissão de velas e veio a imagem de casa dela para a igreja. Logo que principiei a ouvir cantar, eu chorava. Chegou enfim a meia noite. Já tinha feito a Nosso Senhor todos os meus pedidos. Acendi uma vela, tomei um livro na mão, e unida em espírito a V.a Rev.cia, li a Santa Missa. Já não ouvi bater uma hora de noite porque estava com muita falta de descanso, e não pude resistir mais tempo. Pela manhã, o Senhor Abade trouxe-me Nosso Senhor. Já havia um mês que não me confessava. Não pedi para o fazer por ser dia de pressa, mas mesmo assim fiquei contente por receber Nosso Senhor.
(O resto da carta foi rasgado pelo destinatário)

2 de maio de 2007

TRISTE MÊS DE MAIO


O mês de Maio de 1942 foi para a Beata Alexandrina um mês triste e cheio de grandes sofrimentos: ela vive então as penas do Purgatório. É também o período em que sofre da ausência do seu Paizinho espiritual, objecto de restrições e de vexações da parte de seus superiores e colegas da Companhia de Jesus.
Alexandrina, também atacada e caluniada, sofre e oferece...
A 3 de Maio de 1942 ela escreve para o seu Diário, mais conhecido sob o título de “Sentimentos da Alma”:
« Meu Deus! Meu Deus! O brado agonizante da minha alma perde-se na montanha e não é ouvido na terra, nem no Céu; digo isto repetidas vezes com o pensamento, enquanto vou sentindo as aves devorarem-me as coxas e a agonia na alma que se não pode explicar e aumenta ao saber de tantas mentiras que de mim dizem e ao sentir que ainda depois da minha morte tudo isto continuará, sendo motivo de grande sofrimento para os meus. Eraa meu desejo que todas as mentiras morressem comigo.
De 4 para 5 de Maio; durante a noite, veio repetidas vezes a Mãezinha, muito bela, apresentar-se à minha frente junto da minha cabeceira, suavizando a minha dor.
Na mesma noite, o Anjinho da Guarda com as suas asinhas inclina-se sobre mim fazendo por aliviar o meu corpo. »
Jesus tinha confiado então à Alexandrina toda a humanidade, aquela humanidade repleta de crimes e de grandes pecados; aquela humanidade que estava então em guerra, guerra que no seu final cifraria milhões de mortos, mortos inocentes, mortos cristãos ou ateus, mortos em estado de graça e mortos cobertos de lama e de grandes pecados... Alexandrina sofria por todos, esperando que os seus sofrimentos fossem úteis à salvação da maior parte. Mas este sofrimento que ela aceitava com uma heroicidade extraordinária não era suficiente, mesmo se inexplicável pela sua dureza e pelos efeitos que provocava na alma e no coração da vítima de Balasar... Ele sente-se cada vez mais reduzida em cinzas, prestes a desaparecer por completo...
Ouçamos o que ela diz no seu “Diário” a 6 de maio desse mesmo ano de 1942:
« Ó trevas, ó trevas, ó negras e assustadoras trevas! Ó Céu, ó Céu, dá-me a tua luz! Recebi tamanhos golpes no meu coração e sinto que ficou tão aberto e tão retalhado que me parece não ter forma de coração humano; contudo é um fontanário de sangue que brota com toda a abundância. É a vida divina que o faz brotar e sinto toda a Humanidade a beber dele com toda a força, com receio que ele se esgote. O meu estado de alma agravou-se assim depois de saber o muito que fazem sofrer o meu Paizinho, contudo não perco a minha confiança de que Jesus há-de justificar a sua inocência.
Agora sinto que as aves nocturnas já vão a chegar aos joelhos. Todo o corpo está quase en cinza. E não vira Nosso Senhor buscar-me? »
Os sofrimentos eram tantos e tão grandes que ela pensava estarem a chegar os seus últimos dias de vida:
É isso mesmo que ele escreve no dia 7 de maio de 1942:
« Com a aflição da minha alma eu dizia assim: Que tristes e amarguríssimas são as últimos dias da minha vida. Tirai, meu Jesus, da minha amargura toda a doçura e alegria para vós e proveito para as almas. »
Este belo mês de Maria que começa apenas, anuncia-se para a Beata Alexandrina como um mês de grandes sofrimentos, sofrimentos que não irão nunca diminuir, mas pelo contrário aumentar... Ela continua a viver as penas do Purgatório e sente-se picotada por aquelas aves cujo intento é reduzir seu corpo em cinzas... Este “Purgatório” é tão doloroso que ela chega mesmo a preferir a vivência da paixão a este novo estado doloroso. E, como se estes sofrimentos não fossem suficientes, o “mafarrico” — compreenda-se: o diabo — vem “consumir a imaginação” da pobre doentinha de Balasar.
Diz-nos ela a 8 do mês de Maria:
« Já não podendo mais com o peso das humilhações, com a agonia e negras trevas que sentia na minha alma, porque tudo me abafava a confiança que tenho em Jesus, eu dizia: Se aqueles que me tiraram o meu Paizinho experimentassem o que era sofrer, davam-mo para meu conforto. E segredava para Jesus: Juro-vos que confio em vós! Recordando que já não tinha crucifixão, senti tão grande dor no meu coração que me parecia chorar lágrimas de sangue e lembrava-me que se eu fosse de novo crucificada era bastante para aliviar o sofrimento da minha alma! Que saudades, que saudades, meu Jesus, não ter agora a crucifixão!
Agora as aves andam abaixo dos joelhos e sinto o coração a perder a vida divina. Vou caindo lentamente. Tudo desaparece em mim.
Também sinto que a humanidade já não bebe com aquela força que bebia, porque o sangue se vai acabando.
O mafarrico tem-me consumido a imaginação, pretendendo prender-me às coisas da terra; mas quanto mais ele tenta fazê-lo, mais Nosso Senhor me eleva para Ele. »

Na véspera do aniversário da primeira aparição da Virgem em Fátima, Alexandrina escreve ainda:
« Hoje a vida divina do meu coração comparo-a a uma lâmpada amortecida que a cada momento parece apagar-se. Já não nasce o sangue senão de longe a longe uma gota, que já mal se pode beber. Eu hoje dizia a Nosso Senhor assim: Meu Jesus, Mãezinha, vede a aridez da minha alma, vede o abandono que ela sente do Céu e da terra. Lançai sobre mim vossos divinos olhares de compaixão. Acudi-me, acudi-me, não me deixeis morrer de susto no meio das trevas. A minha alma está tímida com os assaltos do demónio. Quer acusar-me e lançar-me ao rosto tudo o que há de pior, apresentando-me a minha vida inteira cheia de enganos. Jesus não me deixa por muito tempo combater as dúvidas, mas ele enraivecido enche-me de pavor. Se eu pudesse ter um sacerdote sempre junto de mim! É o meu Paizinho quem eu quero, pois foi esse que Jesus me prometeu e que os homens me tiraram.
As aves sínto-as já nos pés, mas como que aborrecidas por não encontrarem que comer. Vão mexendo e remexendo as poucas cinzas que me restam. Ai, o dia mais feliz da minha vida é o dia da minha morte! »
O dia 14 de Maio desse ano de 1942 é dia da Ascensão do Senhor. Alexandrina desejaria de certo viver esse dia de festa de maneira jubilosa, mas o seu “coração continua como uma lâmpada amortecida”, mas ela não perde a esperança, porque ela sente e está segura que “quem lhe sustenta a vida do coração é Jesus”...
« Eu quisera dizer — escreve ela nesse dia 14 de Maio — quanto a minha alma tem sofrido, mas apenas tenho experimentado, e não sei explicar. Horrorosos sofrimentos passaram por mim! Nunca pensei poder sofrer tanto. Hoje sinto-me mais aliviada um bocadinho, mais redobrada a minha confiança em Jesus e na Mãezinha, com mais forças para combater o inferno que se tem revoltado contra mim.
O meu coração continua como a lâmpada amortecida. De longe a longe vai deitando uma gotazinhas de sangue que a Humanidade ainda vem aproveitá-las. Cada uma delas parece ser a última. Sinto que ele ainda está preso à vida divina por um fiozinho comparado a um arame fininho que à mais pequenina cloisa pode partir.
No meu corpo já não sinto as aves; parece-me já não existir dele nem sequer o mais pequenino bocado de cinza.
Sinto que quem me sustenta a vida do meu coração é Jesus, só Jesus, parecendo-me estar ligada à Pátria celeste por aquele fiozinho.
Viva Jesus! Viva Maria! Viva a Santíssima Trindade a quem amo tanto! »

A paixão visível tendo terminado, ela sente, de vez em quando, sobretudo nos momentos em que mais “padece” outros penas e outros sofrimentos que ela própria não sabe explicar, ela tem “saudades da paixão”, porque sem ela o “tempo não passa” e mesmo as horas parecem-lhe séculos. Ela “brada” então aos Céus, chama por Jesus, por Maria, pela Santíssima Trindade, que parecem não ouvir as súplicas da vítima...
É isto mesmo que podemos ler no seu “Diário” de 24 de Maio:
« Jesus suspendeu-me a crucifixão: parece-me que me suspendeu a vida. Só Ele pode avaliar a minha tristeza e saudade. Não tenho o sofrimento da cruz; já não me sinto nela, escondeu-se-me por completo, mas tenho maior cruz ainda, são maiores os meus sofrimentos. Não posso viver no mundo. O tempo não passa, as horas parecem-me séculos, os dias e as noites eternidades. Quantas vezes levanto os meus olhos ao Céu para exclamar: Jesus, ó meu querido e saudoso Jesus! Mãezinha, ó minha querida e saudosa Mãezinha! Santíssima Trindade, ó minha querida e saudosa Trindade, para quem só quero viver, a quem me entrego, a quem só quero amar. Pobre de mim! Digo que amo e não tenho coração para amar, não tenho corpo senão para a dor, sou como uma bola de espuma que depressa se desfaz. Que trevas, meu Jesus, que securas, que amarguras, que agonias as da minha alma.
O fiozinho da vida divina que estava ligado ao meu coração, apesar de sentir que o não tenho, ainda está ligado ao lugar onde ele habitava. Sinto que ele está a cada momento a querer quebrar. A fúria da horrenda tempestade dá-lhe todos os abalos. Do pequenino lugar que ocupava o meu pobre coração sai, de longe a muito longe, umas escassas gotas de sangue. Agora é que eu sinto quanto a pobre Humanidade necessita dele; toda ela sequiosamente o que sugar. Ó meu Jesus, não abandoneis a pobrezinha que sempre em vós confiou e confia. Apesar de tudo sentir perdido por entre as trevas, é de vós que tudo espero. »
E, como se esta “ausência” dos seus “Amores” não fosse suficiente, um outro sofrimento vem juntar-se ao primeiro, mas desta vez não se trata de uma “ausência” cujo retorno é vivamente desejado, mais duma “presença”, presença esta que Alexandrina não deseja, mas que aceita por amor de Jesus e para Lhe salvar almas: a presença de Satanás.
Nesse mesmo dia 24 de Maio, ela escreve para o seu “Diário”:
« O demónio quebrou todas as cadeias que o prendiam, caiu sobre mim. Luto sozinha, combato a sua raiva. Ó minha querida Mãezinha, tiram-me o meu Paizinho nestes tristes dias em que eu mais precisava dele. »
Corajosamente ela luta e vence; corajosamente ela tudo oferece e pede perdão “para todos os que a ferem”, pedindo mesmo ao seu Senhor e Esposo que a leve “sem demora” para junto dele.
Mas o seu desejo de salvar as almas e de fazer a santíssima vontade de Jesus é sempre mais forte, sempre constante, o que a levará a confessar humildemente: “Só tenho corpo para a dor!”
« Sinto-me abandonada de todos — escre ela no dia 24 do mesmo mês — a não ser quando mo dais milagrosamente para conforto da minha alma; o que tão raras vezes acontece. Perdoai a todos os que me ferem, perdoai tanta cegueira; eles de mim estão perdoados. No lugar do meu coração já não cabem mais espadas; tenho sofrido por todos os lados, tenho recebido sofrimentos de quem menos esperava. Ó meu Jesus, para todos o vosso perdão, o vosso amor e a vossa compaixão. Purificai, santificai, abrasai no vosso divino amor e levai para junto de vós sem demora a vossa filhinha agonizante.
Desde o dia 24 de Maio, dia do divino Espírito Santo, em que eu pedia toda a luz e todo o fogo do seu divino Amor, do seu Amor santificador, o estado da minha alma modificou-se, mas nesse dia de tarde eu ainda dizia: Eu já não tenho vida da terra,
só tenho corpo para a dor. A partir deste dia, deixei de sentir o que até ali sentia quase continuamente, que eram nojentas serpentes cheias de toda a imundice, que entravam pela boca e saíam arrancadas não sei por quem, fazendo lembrar os condenados do inferno atormentados pelos demónios. Não podia ouvir o chilrear dos passarinhos ao alvorecer e ao anoitecer do dia, apesar de me lembrar que estavam a louvar o seu Criador. Os seus gorjeios feriam muito a minha alma. Nada podia ouvir de alegria. A minha sede era abrasadora, as saudades de me alimentar não as sei exprimir e tudo isto me parecia levar ao desespero por sentir que era impossível saciar os meus desejos. Logo dizia ao meu Jesus: É por vós que sofro, e saciai vós a vossa sede de amor, a sede que tendes das almas. »
Este estado particular e de particulares sofrimentos transformam-na fisicamente, segundo diziam as testemunhas oculares e mais particularmente no dia 25 de Maio de 1942.
Alexandrina admira-se disso, mas não contesta... Ela só deseja então o Céu, ir para junto do Esposo amado, ver a Deus para sempre:
« No dia 25 notaram diferença em mim, eu não tinha outra a não ser a transformação da minha alma. Deixei de sentir as grandes amarguras, trevas, securas e agonias a não ser de longe a longe e passageiras, para sentir grandes desejos de voar para o Céu, chegando a sentir impulsos que me faziam levantar, figurando-se-me que tinha asas e formava voo para o Céu. Tendo inteira confiança em Jesus e na Mãezinha e sempre conforme com a sua vontade. No meio de tudo isto a minha alma sente-se em festa, que por vezes chego a cantar com júbilo e alegria:
“Ver a Deus, ver sempre,sempre Deus: eis o Céu!Quem me dera lá ir, etc.”
Parece-me ir para a Pátria celeste, para o meu Jesus, de pé, de braços abertos, a descansar em seu divino regaço.
Já que não posso saciar-me dos desejos e saudades que tenho dos manjares da terra, suspiro, morro e anseio por ior saciar-me dos manjares celeste e só esses valem para a eternidade. O fio divino que liga ao lugar onde habitava o meu coração está quase a quebrar, parece-me que foi limado. O que lhe tem valido é a tempestade só de longe a longe lhe dar uns pequeninos abalos. Agora sim, agora posso dizer: O Céu está perto, vou ver o meu Jesus, vou ver a minha querida Mãezinha, vou gozar do Paraíso, vou amar os meus Amores eternamente. Deixo o mundo sem saudade, não lhe pertenço, não sou dele.
» (1)
O mês de Maio de 1942 ia terminar...
Como para recompensar tanta dor e tantos sofrimentos livremente aceites, o Senhor vai “gratificar” a sua vítima com uma espécie de visão, provavelmente premonitória, durante a noite de 31 de Maio para o 1º de Junho. Ouçamo-la explicar, tendo em conta que o dia 31 de Maio era o dia da festa da Santíssima Trindade:
« Ao cair da tarde, sentia o fiozinho divino a quebrar de todo. Naquele meu estado de alma estava a ver o que Jesus inventaria para mim da sua Ciência divina, a não ser que tudo acabasse com a minha morte. Na segunda-feira seguinte, dia 1 de Junho, de manhãzinha, senti que tinha falhado por completo o fiozinho que para o lugar do meu coração se prendia, mas a ciência de Jesus ainda tinha mais que dar; pouco tempo depois vi e senti descer do Céu à terra para o lugar do meu coração raios de luz mais brilhante que o sol, pareciam vindos do Coração do meu Jesus, ligando-se e reflectindo-se para sempre no lugar do meu coração. Tinha que me embeber toda naqueles raios de amor, o que dia a dia me vão embebendo cada vez mais, deixando-me transformada neles. Esses raios vão-me levantando da terra para o Céu. São um canal no qual eu me tenho de transformar e por dentro dele passar. É por ele que eu vou para Jesus.
Já me sinto elevada a uma certa altura da terra. Momentos há em que não posso resistir a tantas saudades do Céu. Espero ver o meu Jesus dentro em pouco com a minha querida Mãezinha e todos os meus amores por quem aspiro; porém quero que se cumpram todas as promessas de Jesus, quero que me dêem o meu Paizinho que sem eu dar motivos para isso e em momentos tão amargos mo retiraram. Parece que só isso e a determinação da consagração do mundo pelo Santo Padre me obrigam a ainda viver na terra, triste exílio que não posso suportar. »
Ao lermos estas páginas do “Diário da Beata Alexandrina, páginas do mês de Maio de 1942, podemos por elas verificar que, apesar da sua grande devoção à Virgem Maria, todos os meses de Maio, não foram “rosas” para a doentinha de Balasar, ou se o foram, essas rosas eram na verdade demasiado espinhosas!...
Mas, ela própria muitas vezes repetia: “Seja feita a vontade do Senhor!”
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(1) Ignoramos a fonte desta adição. Provavelmente Alexandrina que neste período vive a segunda morte mística. Dom Humberto.
“Estou fina, fina das ideias! Em 27 de Maio, quando assistia ao mês da Mãezinha, eu tive este pressentimento que me deixava em paz: Morro em Maio, vem a paz em Junho. O meu Paizinho espiritual vai ser libertado e vem-me assistir à morte. Morrerei no sábado à tardinha, o meu enterro na segunda-feira, no primeiro dia do mês de Jesus”.