3 de dezembro de 2011

EU NÃO VIVIA, EU NÃO ERA EU...

Ânsias insaciáveis de fazer o bem, espalhar o bem.

Passei horas da noite sempre em união com O meu Jesus, na ânsia de O receber com perfeição e amor e em ânsias insaciáveis de fazer o bem, espalhar o bem. O meu coração era como um rio, que não cessa de dar água para o mar, noite e dia, sem parar. Sentia-me e sinto-me cansada, porque ele não pára, não deixa de ansiar, quer dar-me, quer entregar-se para conforto, alívio e amparo de todos; quer desfazer-se no bem, só no bem. Este ansiar não pode estar à frente da minha miséria. Quem sou eu? Que bem posso fazer?
― Ó Jesus, fazei-o Vós por mim e deixai-me esconder em Vós.
Nesta ansiedade, martírio de alma e corpo, preparei-me, o melhor que pude, para a vinda do meu Jesus. Eu não vivia, eu não era eu, nenhum bem fazia, tudo era morte. Chegou Jesus, entrou no meu coração, e, momentos depois, na mais íntima união, disse-me:
― Minha filha, venho a ti com o Meu conforto, com a minha força, com a luz do divino Espírito Santo, para que nos momentos de maior angústia, imolação e trevas, possas recordar os felizes momentos de íntima união Comigo e desta luz, que tudo ilumina, possas dizer: a luz, que recebi; era a luz divina, a união e a paz era a de Jesus; paz, que o mundo não tem, e só do Céu pode vir. Nestes pensamentos vencerás a rua dor; com estes pensamentos confiarás sempre em Mim sem vacilar. Só assim romperás por entre os espinhos, só assim sairás vitoriosa do teu martírio, sem o qual as almas não se salvariam. E elas estão em tanto perigo, perigo eminente de se perderem. Coragem, coragem! Criei-te para elas, para elas criei este milagroso Calvário. É Calvário que lava, Calvário que purifica, Calvário que perfuma, Calvário que abrasa, Calvário que atrai; é Calvário das maravilhas do Senhor.
Minha filha, Minha esposa querida, vou dar-te o prémio do aniversário que hoje passas. Há 9 anos que, pelo Meu divino amor e pela missão das almas, deixaste por alguns dias a tua casa; foste como peregrina, com os olhos fitos em Mim, obedecendo e a cumprir a Minha divina vontade. Foi o primeiro golpe a seguir ao da primeira crucifixão. Aceita como prémio toda a riqueza do Meu divino Coração.
O coração de Jesus era como um vaso  formosíssimo, o qual Ele despejou dentro do meu coração.
(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 6 de Dezembro de 1947 - Primeiro sábado.)

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