11 de dezembro de 2011

MÃEZINHA, AMAI JESUS POR MIM

A morte não fala, a dor vive, mas é muda

Quero amar e falar do amor de Jesus e não amo, nem tão pouco sei falar do Seu divino amor. Que ânsias insuportáveis de O amar e insuportáveis desejos de uma vida mais pura e perfeita! Que grande dor não poder nem saber amar Aquele, que tanto me ama e morreu por mim, e não ter nem saber viver aquela vida de perfeição, de que Jesus é digno que eu viva. Que horror!
Constantemente cai sobre mim como que uma chuva de maldades e de crimes. Sinto-me queimada e carbonizada dum fogo indizível de paixões. Eu sofro, ó meu Deus, e sofro tanto, sei que sofro e em quase nada se resumem os meus sofrimentos. Não sei exprimir-me, não sei falar, não sei dizer nada desta dor, que me consome; tudo se apaga, tudo morre. Ai meu Deus, que trevas tão doridas! A morte não fala, a dor vive, mas é muda, é por isso que eu não sei dizer o que sofro. Sem saber sofrer, sem saber orar e falar com o meu Jesus, esmagada com este peso, que me causa a dor, de que não sei falar, levanto muita vez os olhos para Jesus crucificado, e digo: meu Jesus, eu sofro sem saber falar da minha dor, mas Vós a compreendeis e mais ainda sabeis que é só por Vosso divino amor e por amor às almas. Que me importa a mim que ela se oculte e esconda aos olhos do mundo, se é vista por Vós, por quem é suportada e ao vê-la, a aceitais para a salvação das almas. Ó Jesus, ó Jesus, eu sou Vossa e para Vós é todo o meu viver! Mãezinha querida, querida Mãezinha, ensinai-me a amar a Jesus, amai-O por mim, mostrai que sois minha Mãe.
Tudo quanto eu digo se perde num abismo infindo. Não sei orar, não sei sofrer, não sei amar. Que pobreza sem igual! A tudo isto se juntam os sofrimentos, de que já, por vezes, tenho falado. Os meus caminhos são espinhos, os meus caminhos são do dor. E quanta maior festa no Céu, maior tormento para mim, maior dor muda e que não se fez compreender. Veio a noite de Natal; sem saber, tudo ofereci a Jesus e tudo Lhe pedi para mim e para os que me eram mais queridos e por fim para o mundo inteiro pelo qual tenho uma fome insuportável de o salvar. Para mim o que mais pedi foi amor, humildade, pureza e desprendimento de tudo. A minha prece ao Céu, mais me mergulhou no meu nada, mais vazia me deixou.
Tive uns momentos de sono; ao despertar, senti logo no meu coração o presépio; ou melhor, era eu a cabana onde tinha nascido Jesus. Tive uma visão de alma, visão bem clara; dentro de mim, Jesus nas palhinhas e ao lado S. José e a Mãezinha. Sobre Jesus Menino poisava uma luz brilhantíssima que O iluminava a Ele e a todo o presépio. Essa luz vinha duma pomba mais branca que a neve que se sustentava no ar, de asas abertas, pouco mais ou menos à altura de um metro; era um sol de fogo que saía dessa pomba; era um silêncio profundo que reinava nesta habitação. O que fazia eu? Nada. O meu amor eram umas secas palhas onde Jesus poisava, as minhas palavras nada mais representavam do que as pedras da cabana. Que dureza e ingratidão a minha para com Jesus!

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 26 de Dezembro de 1947 – Sexta-feira)

1 comentário:

O sofrologista católico disse...

Existem duas formas de destruir a misericórdia: eliminando o pecado e eliminando o perdão. Estas são precisamente as duas atitudes mais comuns nos dias que correm. Numa enorme quantidade de situações não se vê nada de mal. Naquelas em que se vê, não há desculpa possível. As acções do próximo ou são indiferentes ou intoleráveis. O que nunca são é censuradas e perdoadas. O que nunca se faz é combinar o repúdio do pecado com a compaixão pelo pecador.