28 de dezembro de 2011

NASCER AGORA PARA A GRAÇA

Queria que comigo nascesse o mundo inteiro


– Jesus, quais são os miminhos que de Vós vou receber neste novo ano? Estou cheia de medo, ou mais ainda, cheia de pavor. Venha o que vier, pelo muito que eu seja ferida, humilhada e abatida, com a Vossa graça divina a tudo direi: “Seja bem-vindo, faça-se a vontade de Jesus; sou vítima do meu amor, vítima das almas”. Confesso, meu Jesus, que o meu maior receio é a minha fraqueza, temo ofender-Vos. Confio em Vós; seja firme o meu amor e subirei alegre o meu calvário. Reparai e vede, Jesus, as ânsias que tenho; se não fôsseis Vós, tiravam-me a vida. Queria nascer agora, mas já Vos conhecer para nunca manchar o meu corpo. Queria que comigo nascesse o mundo inteiro e que todo ele já Vos conhecesse também para não se deixar manchar. Queria um coração novo, mas que sempre Vos tivesse amado para nunca deixar de Vos amar. O mesmo querer tenho para todas as criaturas, para assim Vos amarem com o mesmo amor que para mim desejo. Onde hei-de esconder-me e comigo esconder o mundo? Onde hei-de purificar-me e purificar o mundo a não ser em Vós? Escondei-me, purificai-me. Fazei-me nascer agora para a graça e para o amor e comigo nascer o mundo, mas de tal forma como se eu nem ele Vos tivesse ofendido. Não sei onde estou; não vivo neste exílio nem vivo no Céu. Parece-me viver entre ele e a terra. Fui para esta morada, comigo levei o mundo, morada sem luz, sem vida e sem nada. A minha alma rasga-se de dor, é indizível o que sinto em mim. Meu Deus, que derrota! Não tenho luz, e roubaram-me os guias de tão tremendos caminhos. Morro na escuridão, Jesus, morro desfalecida. Vinde, vinde com a Mãezinha, dai-me força, dai-me vida.

(Sentimentos da alma, 4 de Janeiro de 1945)

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