11 de dezembro de 2011

A VISÃO DO PRESÉPIO...

Descansa, dorme, recebe de Mim toda a abundância de amor

Passei algumas horas neste sentimento e visão. Pouco depois da Sagrada Comunhão, uni-me de tal forma a Jesus Menino neste presépio que com Ele compartilhei, logo desde a manhã, de todo o sofrimento do Horto e do Calvário.
Vieram de encontro ao presépio todos os preparativos para a ceia, a entrega de Judas, o suor de sangue, o romper das veias, o Horto completo cheio de amargura e por fim o Calvário com a cruz. Eu sentia tudo, mas todo este sofrimento caía sobre Jesus pequenino. Foi este o meu Horto de ontem, Horto que durou todo o dia e parte ainda da noite.
Na madrugada de hoje, fui assaltada pelo demónio; foram quatro os ataques. Com aflição e bater do coração tive a impressão que por algum tempo perdi, ou quase os sentidos. Que maldade infernal! Vi-me tão entregue ao demónio! Pedi tanto a Jesus para O não ofender, mas que era sempre a Sua vítima! No último combate, quando o maldito me afirmava levar-me ao prazer veio Jesus e disse:
― Aparta-te, maldito; já tirei da vítima a reparação desejada.
Ele com uma tromba como de elefante, lambia-se de contentamento, como se tivesse conseguido de mim o que desejava. Depois, já longe, uivava desesperado. Jesus uniu ao meu o Seu Santíssimo peito, e, cheio de doçura, disse-me:
― Minha filha, alma com alma, coração com coração, amor com amor. Passo para o teu coração o bálsamo do Meu divino amor para suavizar a tua dor. Coragem! Tirei destes combates muita reparação para os grandes crimes que nesta noite se praticaram.
Esteve por algum tempo à minha frente o Sagrado Coração de Jesus, em tamanho natural; era formoso, todo Ele era doçura e amor. Quando assim me apareceu nada me disse. A Sua divina presença encheu-me, deu paz e tranquilidade à minha alma. Quando O recebi sacramentado, esqueci por muito tempo toda a luta do demónio.
A visão do presépio, a pouco e pouco, tem-se ido apagando, mas alguma coisa ainda seguiu hoje comigo os caminhos do Calvário. Senti como se me viessem abrir o peito e a ele unir a cruz, toda a tragédia dos caminhos da amargura e do Calvário. O peito fechou-se, e lá dentro ficou, unido ao presépio, todo este sofrimento que sinto ter que me acompanhar na vida e até ao momento da morte: Aqui fui crucificada, aqui agonizei com Jesus. Não sei como O pude sentir pequenino no presépio e na cruz crucificado. Neste estado de alma e união, entreguei ao Pai o meu espírito. Esperei por alguns minutos a nova vida e união com Jesus. Ele veio, pôs-me a nadar num mar de fogo, e disse-me:
― Minha filha, vem descansar, vem dormir em Mim o sono do amor, é conforto para a tua alma, é vida para a tua dor, é vida, é amor que podes e Eu quero comuniques às almas; vive, fá-las viver. Descansa, dorme, recebe de Mim toda a abundância de amor, enquanto que Eu de ti também o recebo. O Meu divino amor é para ti o bálsamo, a força do teu inigualável martírio, assim como o teu é para Mim o bálsamo para as Minhas feridas e esquecimento para tantos crimes com que sou ofendido. Tu amas-Me, tu amas-Me, confia que Me amas; tu sofres e sabes sofrer, confia em Mim. O não saberes dizer quando sofres não te entristeça, pois já disso estavas prevenida, e, de dia para dia, menos saberás dizer. Tu sofres, sabes sofrer, Eu to afirmo; ai do mundo sem o teu indizível sofrer. Se não fosse a tua dor e a reparação que nesta noite te pedi, repara em que estado vias o teu Jesus.

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 26 de Dezembro de 1947 – Sexta-feira)

Sem comentários: