5 de dezembro de 2011

NÃO VOS POSSO VER SOFRER !

Repete-Me os teus actos de amor...

— Quero mais não de ti, porque não podes, mas por ti. É por ti que as almas se salvam, é por ti que Eu quero que elas Me amem. Pede-lhes, pede-lhes amor, pede-lhes reparação; é urgente, venha depressa esse amor, essa reparação; é preciso aplacar a justiça de Meu Eterno Pai, é preciso fazer-Me esquecer os crimes com que sou ofendido. Ai do mundo, o pobre mundo, o que o espera, o que ele vai bem depressa sofrer e gemer! Não quer ouvir-Me, não atende aos Meus pedidos. Quanto sofre com isso o Meu divino Coração!
― Ó meu querido Jesus, estou triste, humilhada e confundida. Queria prostrar-me aos Vossos Santíssimos pés para com lágrimas e verdadeiro arrependimento dos meus pecados Vos bendizer e agradecer pelos dons e graças que me tendes dispensado, sem atenderdes à minha indignidade e extrema miséria. Muito obrigada, meu Jesus. Eu queria na mesma posição receber de Vós todos os sofrimentos e de Vós implorar e obter o perdão e a misericórdia para o mundo. Não Vos posso ver sofrer nem ver as almas perderem-se. O que quereis que eu faça Jesus? Vejo que sofro tanto e tento Vos vejo sofrer! Quero sofrer eu sozinha e evitar os Vossos sofrimentos.
― Minha filha, Minha pomba branca, quando Me vires caminhar com a cruz, renova a tua oferta de vítima, repete-Me os teus actos de amor. Eu é em ti e não sozinho que caminho, sofro e levo a cruz. Estas visões que te dou é porque assim mais te levo à compaixão e posso melhor pedir-te a reparação. Leva a tua cruz, dá-Me a tua dor, o teu amor, dá-Me os combates do demónio, só eles podem reparar a gravidade de tão grandes crimes.
― Ai, meu Jesus, que medo eu tenho, aceito-os por vosso amor, velai Vós, velai sempre para eu não Vos ofender.
― Confia, confia, filhinha amada: nunca permitirei que Me ofendas. Vem receber agora a gota do Meu divino Sangue, a grande e única maravilha do Meu divino amor. Recebe, é vida; recebe, é força; recebe é amor, amor, amor!
Jesus introduziu o tubo no meu coração e sobre ele colocou o Dele; a gotinha do Sangue passou vagarosamente, foi um bálsamo para todo o sofrer do meu pobre coração. Senti-o tanto no íntimo! Aquela fortaleza e suavidade do sangue divino de Jesus fez-mo crescer tanto, não cabia no peito, respirava profundamente. Jesus passou sobre a abertura a Sua divina mão, bafejou-me repetidas vezes e disse:
― Vai para as trevas, vai para a cruz, repara, repara o coração do teu divino Esposo. Leva este conforto, leva a vida que te dou, a vida do que vives. Tem coragem! O teu Céu está perto. Eu espero os homens descuidados das coisas de Deus. Venho falar-te para confortar-te e até que eles venham. Vai, esposa Minha, vai, jardim de encantadoras flores, espalha o bem, espalha o aroma, o perfume de tão heróicas virtudes. És Minha, leva o que é Meu, vai levá-lo às almas, vai acudir ao mundo. Conto contigo. Conta com o teu Jesus.
― Obrigada, obrigada, meu doce amor. Já fugiu a luz que neste colóquio de Vós recebi. Mergulha-me na dor, mergulho-me nas trevas por Vós e pelas almas.

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 19 de Dezembro de 1947 - Sexta-feira).

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