11 de abril de 2015

DOMINGO DA MISERICÓRDIA

PONTOS DE REFLEXÃO

Livro dos Actos dos Apóstolos (4, 32-35)

O autor dos Actos dos Apóstolos – são Lucas – dá-nos aqui uma informação muito importante da maneira como viviam os primeiros cristãos: “a multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma”, porque eles tinham compreendido muito rapidamente que os preceitos de Jesus estavam assentes sobre o amor, porque Ele mesmo é amor. Mas ele vai ainda mais longe, quando acrescenta que “ninguém chamava seu ao que lhe pertencia, mas entre eles tudo era comum”. Isto chama-se “caridade cristã” ou “solidariedade fraterna”.

Seria bom que nos dias de hoje, nós pensássemos mais nesta virtude, nesta “norma” que o Senhor veio trazer-nos e que nós esquecemos facilmente, porque muitas vezes isso nos “faz jeito”: a “caridade cristã” e que, sem muito alarde “distribuíssemos, então, a cada um conforme a necessidade que tivesse”. Isso teria como resultado visível e palpável que “entre eles não haveria ninguém necessitado”. Isto pode também chamar-se MISERICÓRDIA.

Primeira Carta de são João (5, 1-6)

O Apóstolo “que Jesus amava”, afirma-nos na sua carta que “todo o que crê que Jesus é o Cristo, nasceu de Deus”. Quer ele dizer com isto que aqueles que não acreditam que “Jesus é o Cristo” se perderão, serão banidos para sempre? Claro que não, pois isso varreria, duma assentada, uma outra declaração do mesmo Apóstolo, quando afirma que “Deus é amor”.

Mas João, o visionário do amor, explica: “Todo o homem que ama o Pai – portanto Deus – ama também Aquele que d’Ele nasceu” –o Filho de Deus, Jesus Cristo, porque, explica o Apóstolo, somente se “nós amamos os filhos de Deus, amamos Deus e cumprimos os seus mandamentos” seremos verdadeiramente amados por Ele e pertenceremos à Sua família.

Saibamos ainda, como no-lo diz João, que os “mandamentos de Deus não são um fardo”, mas uma linha de conduta que nos conduz a Ele e n’Ele à salvação, porque “é Ele, Jesus Cristo, o vencedor do mundo; que veio pela água e pelo sangue; não só pela água, mas pela água e pelo sangue. E o Espírito é quem dá testemunho dele, porque o Espírito é a verdade”.

Portanto, amemos Deus e amemos o nosso próximo, como o Senhor no-lo pede. Se nós o fazemos, estaremos seguros da nossa salvação, que é a meta das nossas vidas de filhos de Deus.

Façamos inteiramente confiança à Misericórdia divina, porque o Senhor “é rico em Misericórdia”.

Evangelho segundo são João (20 19-31)

Depois da epístola, é ainda o Apóstolo João que nos fala para descrever um episódio bastante particular que aconteceu depois da ressurreição de Jesus: a primeira visita do Mestre aos seus amigos. João tem o cuidado de nos explicar em duas etapas o medo e a alegria destes, assim como a confissão de fé de Tomás.

De facto, num primeiro tempo ele diz-nos – ele lá estava também – que estavam fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, com medo das autoridades judaicas”, o que se pode compreender depois do que as mesmas autoridades tinham feito a Jesus.

Chegando ao meio deles, saudou-os: A paz esteja convosco!” o tom da sua voz não deixa qualquer dúvida aos discípulos. Mas para lhes provar que é bem Ele, Jesus mostra-lhes as suas chagas. Depois, num gesto que se adivinha solene, Ele diz-lhes: “Recebei o Espírito Santo”, antes de acrescentar o que será para sempre a instituição do Sacramento do perdão: “Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos”.

A quando desta primeira visita, o Apóstolo Tomás estava ausente. Logo que chegou foi-lhe dito que o Senhor os tinha visitado, mas ele não quiz acreditar, dizendo mesmo que só acreditaria quando visse as marcas dos cravos e chaga do lado de Jesus.

Uma semana depois, explica são João, estavam os discípulos outra vez dentro de casa e Tomé com eles. Estando as portas fechadas, Jesus veio, pôs-se no meio deles” e como da primeira vez, saudou-os: “A paz seja convosco!” Depois, voltando-se para Tomás, disse-lhe: “Olha as minhas mãos: chega cá o teu dedo! Estende a tua mão e põe-na no meu peito”. Tomás ficou surpreendido, como se pode imaginar, mas deu-se conta da bondade do Senhor; ajoelhou-se e humildemente, do mais profundo do seu coração, exclamou estas extraordinárias palavras que são uma bela oração, mas sobretudo um profundo acto de fé: “Meu Senhor e meu Deus!”

Depois, Jesus lhe dirá ainda: “Felizes os que crêem sem terem visto!”

É isto mesmo ter fé: acreditar em algo que nós não vemos, mas que estamos intimamente convencidos que existe e que é uma verdade infalível.

Neste Domingo da Misericórdia, clamemos do mais profundos dos nossos corações:

“Meu Senhor e meu Deus!” – e ainda: “Jesus, eu tenho confiança em Vós!”

Ámen.
Afonso Rocha

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