sexta-feira, outubro 19, 2012

“BELEZAS” DO FACEBOOK


TESTEMUNHO

O Facebook que nem sempre é uma “ferramenta” dócil e verdadeiramente humanizada, reserva-nos, algumas vezes — pena não sejam mais frequentes — surpresas agradáveis, testemunhos que dificilmente serão esquecidos futuramente, por serem grandes as emoções que procuram.
Quando procuramos assumir um compromisso, qualquer que ela seja, dando o melhor de nós mesmos, não fazemos isso para recebermos “elogios” ou medalhas, mas simplesmente porque amamos aquilo que fazemos.
No caso aqui apresentado, trata-se do facto de “fazer conhecer e amar a Beata Alexandrina Maria da Costa”, tanto em Portugal, como no mundo inteiro.
Os “amigos” da Beata Alexandrina no Facebook são mais de 5 000 e por isso mesmo não é possível responder a todos como o desejaríamos fazer. Mas, todos podem estar certos do nosso carinho, da nossa estima e da nossa gratidão por tudo quanto fazem para nos ajudar nesta “missão” tão Santa, tão agradável e sobretudo tão eficaz sobre o ponto de vista espiritual: a Beata Alexandrina é na verdade um excelente “canal pelo qual Jesus quer fazer passar as graças”.
Nestes últimos dias — e não só — recebemos muitas mensagens cheias de carinho e de estímulo, para prosseguirmos o nosso “caminho”, aconteça o que acontecer.
Muito obrigado a todos e que a todos o Senhor conceda as maiores graças e bênçãos por intermédio da sua querida esposa de Balasar.
Esta mensagem recebido há pouco “mexeu” muito o meu coração, não tanto pelo que me diz respeito — eu nada mais sou do que um inútil instrumento — mas pela que ela diz a respeito da nossa querida Beata.
Não vou deixar o nome, mesmo se, estou seguro, aquela pessoa que o deixou saberá que se trata dela, assim como alguns dos seus amigos. É uma mensagem que exprime — sobretudo para aqueles que sabem ler entre linhas — um verdadeiro amor à Beata e sobretudo um conhecimento perfeito dos “efeitos” causados pelo amor que a ela dedicamos.
Leiam:

«Estimado amigo, é sempre um prazer imenso ler o que publica e partilhar o grande amor que nutrimos a esta Serva abençoada. Sermos dignos de observar este imenso amor com que nos brindou esta puríssima alma é tocante. Entra em nós de forma discretíssima, tal como era a querida Beata Alexandrina, e apropria-se das nossas acções e emoções, tomando conta de nós. Este amor imenso de nos cuidar e tomar conta, aconchega e seduz os que se dispõem a deixar-se levar por tamanha beleza que connosco é partilhada. Ir em corrida a Balazar, faz-nos desapropriar daqueles pequenos tóxicos com que teimamos por vezes deixar invadir os nossos dias. Chegar a Balazar mais de 44 km depois e cerca de 5 h na estrada, torna-nos leves no espírito e capazes de sermos acolhidos pelo amor que nos vai invadindo. Chegados lá, espera-nos um abraço imenso e aquele sorriso de quem está na Casa do Pai à nossa espera. Regressamos de alma cheia e plenos de amor pelo próximo. É por isso que corro. Que esta querida Serva de Deus mo permita, sempre em prol do bem ao próximo, partilhando toda a sua vida de amor eterno pelo Pai com os outros».

Depois destas palavras, qualquer comentário seria inútil.
Nunca nos esqueçamos de invocar a Beata Alexandrina nas nossas necessidades quotidianas.
Se vocês soubessem como ela é poderosa junto do Coração de Deus!
Afonso Rocha

quarta-feira, outubro 10, 2012

ALEXANDRINA E A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL


GRANDES COISAS”

PREFÁCIO

Muito perto do princípio das suas comunicações com a Beata Alexandrina, garantiu Jesus que faria nela “grandes coisas”:
Manda dizer ao teu Pai Espiritual que te vou modelando e preparando para coisas mais sublimes. (11 de Outubro de 1934)
Hei-de fazer em ti grandes coisas. (1º sábado de Dezembro de 1934)
Por isso, os seus apaixonados estudam-na com dedicação porque sabem que a sua vida e obra são um mundo de maravilhas.
O nosso amigo Afonso Rocha, o zeloso webmaster do Site dos amigos da Beata Alexandrina, é um desses apaixonados de longa data. Abalançou-se agora a abordar um tema com aspectos potencialmente polémicos, o da relação da Beata Alexandrina com a Segunda Guerra Mundial (tema que aliás já há-de ter merecido as atenções de Francis Johnston no seu opúsculo The Miracle of Alexandrina, editado pelo Exército Azul); o Afonso Rocha situa-o num contexto teológico um pouco alargado, o que é muito positivo.
O aspecto eventualmente polémico tem directamente a ver com o modo como Jesus se dirige à Alexandrina, quando está em causa a guerra, pois quando não está ver-se-á que tudo muda.
Sem querer substituir-me ao autor, parece não haver dúvida que aquelas mensagens são sobretudo para nós e para as gerações futuras, pois os contemporâneos da Alexandrina não as conheceram nem podiam conhecer.
Quem ali fala é o mesmo Jesus que um dia dirá à Mártir do Calvário que gostaria de se ajoelhar frente a cada homem para lhe pedir amor; e o mesmo que numa parábola do Evangelho de S. Mateus afasta de Si os condenados increpando-os:
Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo éter-no, que está preparado para o diabo e para os seus anjos!
O mundo pecador que a Alexandrina então representa tem em si o germe da condenação e por isso é potencialmente maldito; daí certamente o tom condenatório bem próximo do daquela parábola.
Entre os estudiosos da Beata de Balasar, à parte os padres Pinho e Humberto, tem havido falta de teólogos; eles poderão acaso descobrir aqui perspectivas mais profundas e inovadoras. Até lá, fiquemos com este elaborado trabalho do nosso amigo.
Parabéns, Afonso Rocha!
J. Ferreira

DISPONÍVEL AQUI :

JUNTO DO ALTAR DO CORAÇÃO DE JESUS


Introdução

A primeira referência ao Sagrado Coração de Jesus que encontramos nos escritos da Alexandrina, encontramo-la na sua Autobiografia, quando ela nos conta como aconteceu a sua primeira confissão geral, em Gondifelos a Frei Manuel das Chagas. Ela no-la descreve com a sua simplicidade habitual:

«Foi aos nove anos que fiz pela primeira vez a minha confissão geral e foi com o Sr. Padre Manuel das Chagas. Fomos, a Deolinda, eu e a minha prima Olívia, a Gondifelos, onde Sua Reverência se encontrava, e lá nos confessámos todas três. Levámos merenda e ficámos para a tarde, à espera do sermão. Esperámos algumas horas e recorda-me que não saímos da igreja para brincar. Tomámos nosso lugar junto do altar do Sagrado Coração de Jesus e eu pus os meus soquinhos dentro das grades do altar. A pregação dessa tarde foi sobre o inferno. Escutei com muita atenção todas as palavras de Sua Reverência, mas, a certa altura, ele convidou-nos a ir ao inferno em espírito. Para mim mesma disse: “Ao inferno é que eu não vou! Quando todos se dirigirem para lá, eu vou-me embora”, e tratei de pegar nos soquinhos. Como não vi ninguém sair, fiquei também, não largando mais os soquinhos».

A escolha do confessor não deve ter sido um acaso, mas uma escolha divina, visto que Frei Manuel das Chagas era naquele tempo muito conhecido, não só como um confessor atento e experimentado, mas ainda como um pregador de grande renome.
Afonso Rocha

DISPONÍVEL AQUI :

AS SEIS PRIMEIRAS QUINTAS-FEIRAS


  • PROMESSAS DE JESUS

Para que este devoção revelada por Jesus à Beata Alexandrina Maria da Costa, seja bem compreendida, é importante coloca-la no contexto em que foi recebida. Nos “Sentimentos da alma” de 25 de Fevereiro de 1949, ela escreveu:

“Ontem de manhã [24 de Janeiro], senti como se assumisse a mim toda a maldade humana. Tudo entrou para mim, e eu era o mundo. Causou-me tal tormento que não sabia como resistir. Lembrei-me que neste dia a ordem de alívio dada pelo meu Paizinho não teria lugar”.

Esta ordem do bondoso Padre Mariano Pinho, tinha como fim, proteger, durante alguns momentos, a Beata Alexandrina, dos sofrimentos cada vez mais dolorosos. E, milagre da misericórdia divina, Jesus acatava, com amor e carinho, estes pedidos do santo sacerdote. Mas deixemos que a própria Alexandrina nos conte:

“Enganei-me: sentia e via com os olhos da alma dentro em meu peito uma ovelha poisada sobre a terra, presa por grandes sebes de espinhos. Eu ia caminhando para o Horto, e ela sempre dentro de mim. Durante a tarde, desapareceu tudo isto, foi muito mais suave a dor. À noite voltei ao mesmo sofrimento pavoroso. Sobre o solo do Horto levantou-se um altar, altar de dor assediado por todos os martírios. Sobre ele estava não uma ovelha com sebes de espinhos, mas sim um cordeiro mansíssimo que tudo recebia sem dar sinal de vida, possuindo toda a vida. Daquele cordeiro saía tudo de bondade, e todo ele ardia em chamas que abrasavam o altar e todo o solo do Horto”.

O brilho daquelas chamas que abrasavam sem nada consumirem, fez compreender à simples e humilde vítima que só Jesus poderia agir assim, que só o Esposo querido da sua alma podia mostrar-se a ela daquela maneira, talvez para melhor a fazer compreender o que depois viria. Compreendendo-o, ela não hesitou em gritar, no mais profundo da sua alma — porque tudo ali se passava — o que acabara de descobrir, o que acabara de compreender:

“Era Jesus, era Jesus, senti que era. Oh! Como Ele amava, quando recebia toda a maldade e ingratidão!
Nesta ocasião coisas houve que agravaram muito o meu sofrimento. O demónio tentador aproveitou a ocasião para me atormentar. Sem eu querer via tudo pelo pior; foi grande a minha agonia. Meu Deus, se é possível, afastai de mim este sofrimento. Assim me uni à agonia de Jesus. Mas logo acrescentei: não se faça a minha vontade, mas a Vossa divina vontade. Não desvieis de mim a Vossa Face, ó meu Jesus, não me deixeis sozinha um só momento, só esse basta para eu desesperar!
Num mar de dores passei toda a noite.
Logo de manhã, no meu mundo, se levantou o mesmo altar de dor rodeado de martírios com o mesmo cordeirinho em cima. E assim segui para o Calvário. A toda a dor este cordeiro mansinho pagava com doçura e amor. Ele ardia em chamas e por entre elas, por entre a alvura da sua graça, caía o Seu sangue em abundância a regar a terra.
Aproximava-se o fim da montanha, e o inocente Cordeiro sempre sobre o altar do patíbulo; sabia que ia morrer e ansiava por dar a vida. Que amor, que amor! Só podia ser o amor de um Deus, o amor de Jesus! No alto do Calvário, em vez da cruz, continuou a ser o mesmo altar e o mesmo Cordeiro a arder em chamas e a derramar sangue. Quanto mais se aproximava a hora de Jesus expirar, mais a crueldade de debatia contra o Cordeiro inocente e mais as chamas do Seu amor se estendiam sobre tanta maldade e ingratidão. O Cordeiro ia morrer e nesse momento passou da noite para o dia, da morte para a vida no abraço mais íntimo ao Seu Coração toda a humanidade. Desapareceu de mim o altar, o Cordeiro, e eu fiquei como se não vivesse. Dentro em pouco veio Jesus, falou-me em meu coração; falava-me nele como d’uma janela”.

De facto, Jesus vai falar à sua esposa, à sua amada, encorajá-la, falando-lhe amorosamente, mesmo se, com autoridade evidente. Ouçamos as Suas palavras:

“— Minha filha, minha filha, vítima de Jesus, vítima da humanidade, vítima da tua Pátria, do teu Portugal. Minha filha, minha filha, louquinha da Eucaristia, ama-Me, ama-Me e faz-Me amado; é por ti que Eu quero ser amado, é por ti que Eu quero muitas orações a amarem-Me, é por ti que Eu quero ser reparado, é por ti que Eu exijo grande reparação; repara-Me de tantos sacrilégios, de tantos crimes e iniquidades. A tua dor atingiu o auge. Podia dizer que o Meu divino amor atingiu para contigo também o seu auge; não porque o Meu amor tenha limites, mas porque te amo com o amor com que pode ser amada uma criatura humana; amo-te com amor louco”.

Depois, Jesus revela a nova devoção, uma devoção cuja prática é fácil, mas os seus resultados imensos, são promessas inauditas: de facto “Só podia ser o amor de um Deus, o amor de Jesus!” como dizia acima a Beata Alexandrina:

“— Minha filha, minha esposa querida, faz com que Eu seja amado, consolado e reparado na minha Eucaristia. Diz em Meu Nome que todos aqueles que comungarem bem, com sincera humildade, fervor e amor em seis primeiras quintas-feiras seguidas e junto do Meu Sacrário passarem uma hora de adoração, e íntima união comigo lhes prometo o Céu. É para honrarem pela Eucaristia as Minhas santas Chagas, honrando primeiro a do Meu sagrado Ombro tão pouco lembrada. Quem isto fizer, quem às Santas Chagas juntar as dores da minha Bendita Mãe, e em nome delas nos pedirem graças, quer espirituais, quer corporais, Eu lhas prometo; a não ser que sejam de prejuízo à sua alma. No momento da morte trarei comigo Minha Mãe Santíssima para as defender”.

– Receber Jesus sacramentado dignamente (em estado de graça);
– Seis primeiras quintas-feiras de seis meses consecutivos;
– Fazer uma hora de adoração diante do Sacrário;
– Lembrar as Santas Chagas de Jesus e particularmente aquela do Ombro;
– Lembrar as dores de Maria.

Podemos dizer que é uma devoção fácil de pôr em prática!
Quanto às promessas de Jesus para aqueles que fizerem dignamente esta devoção, elas são simplesmente maravilhosas e estimulantes:

— Quem isto fizer, quem às Santas Chagas juntar as dores da minha Bendita Mãe, e em nome delas nos pedirem graças, quer espirituais, quer corporais, Eu lhas prometo; a não ser que sejam de prejuízo à sua alma.
— No momento da morte trarei comigo Minha Mãe Santíssima para as defender.

Vamos hesitar? Vamos fazer “ouvidos de mercador” a tão importantes e salutares promessas?
Não, e não! Unidos como num só coração, vamos unir-nos aos Corações de Jesus e Maria e honrá-los dignamente, praticando com particular abnegação esta Santa devoção que Jesus nos ofereceu por intermédio da sua querida esposa de Balasar, aquela que nós tanto amamos e merece todo o nosso carinha e amor.
Afonso Rocha

segunda-feira, setembro 24, 2012

Ó JESUS, EU VI O VOSSO DIVINO SANGUER CORRER...


É terno, muito terno o meu coração

Quando acabará na terra a minha eternidade? Quando poderei ver e ficar para sempre no céu com o meu Senhor? Sinto que não posso suportar por mais tempo esta dolorosa e tremenda eternidade, este martírio a que Jesus me submeteu. Preciso de partir, preciso de voar até Deus. Tenho medo de vacilar. Receio perder para sempre o meu Senhor. Está sempre em ser a minha vida. Tudo o que eu sofro morre antes de viver e assim temo e tremo da minha revolta contra tudo e contra o céu. Meu Deus, meu Deus, ai de mim se Vos perco, ai de mim se Vos ofendo. Sou capaz de tudo o que é mau. Nenhuma utilidade tenho para Vos servir e amar. Não deixei de oferecer ao Senhor o sacrifício de uns dias de separação da minha irmã. Ofereci-o por várias intenções e fi-lo só por amor, mas tudo se perdeu na inutilidade e na eternidade. Fugi quanto pude. Ontem, do solo do horto não quis aproveitar-me dos seus frutos. Hoje, fiz o mesmo da viagem para o calvário. Via e sentia que me estendiam redes como que a apanhar-me. Eu fugia-lhe o que podia. Não os deixavam tocar-me. No calvário, no alto da cruz, essas redes eram estendidas por alguém para mim. Saíam-me do coração, eram minhas e vinham para mim. Eram redes de fogo e de amor. Assim expirei. Passei pelo silêncio da morte. Pouco depois Jesus fez-me viver com a sua vida e falou-me assim:

― “É terno, muito terno o meu coração. É doce, bem doce o meu amor. Falar dele é dizer tudo. O amor tem de ser correspondido. Todo aquele que ama não ofende a pessoa amada. Eu amo, amo e peço amor. Se Eu for amado, não sou ofendido. Ó minha filha, ó minha filha, em que agonia está o meu Divino Coração. Sofro, sofro, sofro! Coragem, coragem, coragem no teu sofrimento! A tua dor, a tua dor arranca muitas almas das garras de Satanás. A tua dor faz com que Eu seja amado, muito amado por muitos corações. A tua dor acode a muitos, muitos pecadores, prestes a caírem no inferno. Ai o mundo, minha filha, ai o mundo! As almas, as almas correm loucas, tão loucas, para o abismo da perdição. Olha, olha, repara bem como o meu Divino Coração derrama sangue. Feriram-me as lançadas e punhaladas de pecados gravíssimos. Ferem-me a vaidade e desonestidades nas praias, nos cinemas e bailes. Peca-se horrivelmente nos  casinos e casas de vício. Peca-se na família, peca-se em todos os estados. Ai, quanto sofre o meu Divino Coração. Atendei, atendei à voz terníssima do Senhor. Atendei, atendei ao brado amorosíssimo do seu Coração. Vinde a Mim todos os que errastes. Vinde a Mim todos os que estais frios; quero perdoar-vos, quero aquecer-vos. Vinde a Mim, vinde a Mim todos os que estais doentes. Quero curar-vos, quero sarar-vos as vossas almas”.

― Ó Jesus, eu vi o Vosso divino sangue correr. Vi e vejo as chagas do Vosso amorosíssimo Coração. Ele está todo chagado, todo em sangue. Não o quero ver assim, ó amantíssimo Jesus. Vós sois o médico dos médicos, curai-Vos a Vós mesmo. Aceitai as minhas ânsias de Vos dar tudo, sem nada ter que Vos dar. Quero provar-Vos o meu amor e para isso a Vós me entrego e abandono. Fazei de mim o que quiserdes, que eu, pobrezinha, a Vós me abandono.

Sentimentos da alma: 4 de Setembro de 1953 – Primeira Sexta-feira.

segunda-feira, setembro 03, 2012

EU ESTOU A EXPERIMENTAR-TE



Viva Jesus !
Balasar, 15 de Março de 1935

Meu Padre ;
Não tencionava escrever-lhe esta semana devido ao estado em que me encontro. Estou tão falta de forças ! E a minha cabeça está tão ruim, tão ruim ! Só Nosso Senhor o sabe. Além disso, a minha secretária também lhe custava porque anda bastante doente. Mas como verá, à ordem de Nosso Senhor, resolvi fazê-lo.
Ontem, dia 14, das 9 às 10 da noite, depois de fazer a comunhão espiritual, falou-me Nosso Senhor assim :

― “Anda, minha filha, ouve-me : se soubesses como Eu te amo ! Mas não é possível compreenderes o meu amor. Eu estou a experimentar-te. Eu sei até onde chegam as tuas forças. Mas faço isto para que depois de ti fiquem as lições : para se saber como Eu me comunico às almas que escolho para tão alto fim. Anda passar esta noite muito tempo nos meus sacrários. Contempla o amor que ali me prendeu e que aqui me levou a instituir este Sacramento. Foi numa quinta-feira ; por esta hora medita o que eu jã sofria ! Implora o perdão para os pecadores. Manda dizer ao teu pai espiritual e não te demores em lhe escrever ; que pregue que Eu não posso ser mais ofendido. A profanação do domingo ! O pecado da gula ! O suicídio ! Mas... o da impureza, que horrendos crimes povoam o inferno ! Que se levantem os crimes que alastram no mundo, que senão dentro em pouco vai ser castigado. Que pregue assim por amor daquele Jesus crucificado, e por vosso amor preso naquele sacrário. É Ele mesmo quem vo-lo pede. Eu mandei avisar Sodoma e Gomorra e não fizeram caso. Ai destes, que o mesmo lhes acontecerá !”

Disse-me Nosso Senhor :
― “Aí vai o meu amor”.

E então, aquela força inexplicável e aquele calor que tanto me abrasava ! Oh ! como eu me sentia bem ! E dizia-me Nosso Senhor :

― “És a minha vítima, a vítima dos meus desígnios !”

E tornou-me a dizer que me queria no Céu mas que precisava de mim na terra. Nesta ocasião eu pedi ao meu Jesus a cura da minha querida Çãozinha. E Nosso Senhor prometeu-me curá-la breve [1], mas que lhe pedisse muito, e que lhe pedisse o que quisesse. O que Ele me não alcançasse que é porque não era bem para as almas.
O demónio não me tem consumido tanto : vem, mas vai sem grandes esforços. Tenho visto as sombras de costume. Num dos dias atrasados eu vi dentro do meu quarto um gato preto grande, ou um cabrito a pular, mas mais me parecia um cabrito. Peço-lhe por caridade para não esquecer junto de Nosso Senhor a minha querida Çãozinha. Mete tanta pena ela dizer que muito não queria perder o juízo ! Está proibida de trabalho ; não a esqueça, sim ?
Há dias recebi uma carta. Ainda lhe não respondi ; estou tão ruim ! Não sei como lhe hei-de responder. Ela mostra ser criatura instruída, não me parece ser como eu. Diz-me que vem aprender comigo a ciência da cruz. O que hei-de ensinar ! A quem vou ensinar ? Eu que tanto preciso de aprender.
Lembranças da minha mãe e da Deolinda. Não esqueça, por caridade, esta alma pobrezinha que também promete não o esquecer junto de Nosso Senhor.
Alexandrina



[1] Nota do Padre Pinho : De facto curou, quando já se principiava a desanimar da sua cura.

terça-feira, julho 31, 2012

MINHA FILHA, VASO SAGRADO...


Meu Deus, que confusão a minha !

— Minha filha, ó filhinha amada, tesoureira do teu Jesus, depositária, distribuidora do amor do meu divino coração. O teu corpo é o sacrário que contém o vaso sagrado da minha Eucaristia. O teu coração é esse vaso, a Eucaristia sou eu. Dei-me em alimento às almas, criei-te para alimento das mesmas almas. Tens em ti o sangue de Cristo, a vida de Cristo. És a vida que dá vidas, és o cofre que possui todo o amor de Jesus. Atraíste-o, colheste-o para ti, és tesoureira de amor; guardei-o, depositei-o todo em ti; distribui-o, minha mensageira, enriquece o mundo, salva-me, salva-me as almas. Faço aqui o meu céu na terra, o meu paraíso no teu coração. Adoram-me, louvam-me em ti os anjos. Olha que multidão deles e de bem-aventurados! Olha tantas almas já salvas por ti!

Que grande massa eu vi! Eram as almas e ao lado delas muitos anjos. Que grande alegria e que grande louvor davam a Jesus.

— Minha filha, já salvaste mais, muitas mais. O teu sofrimento é um mar de riqueza, são tesouros imensos, riquezas valiosíssimas para o resgaste das almas. Não te digo, minha filha, algumas almas que por ti foram salvas, não porque te envaideças, porque tudo o que fazes é por mim, e preparei-te para tudo, mas porque te causa grande sofrimento e humilhação. As almas grandes em mim só se sentem bem nas coisas humildes e pequeninas. Oh! como eu as amo! Vem cá, vem cá, minha filha, vem ver o meu divino Coração: que profunda chaga ele tem! Aceita-o, toma-o em tuas mãos, suaviza a minha dor, cura esta chaga com a ternura dos teus olhares, a doçura dos teus lábios e o fogo do teu amor. Cura-a com o aroma das flores do teu jardim de virtudes.

— Meu Deus, que confusão a minha ao ver-me depositária do Coração Divino de Jesus!

Sentimentos, 4 de Maio de 1945

domingo, julho 29, 2012

O CORAÇÃO FALA SEMPRE...


— O que poderei eu dar ao meu Senhor?

Perder a Deus como se nunca O possuísse, perder a vida como se nunca vivesse, deixar de amar a Jesus e à Mãezinha como se nunca os tivesse amado, é o meu viver doloroso, é o tormento da minha alma, é uma agonia mortal.

— Meu Deus, sempre, sempre a viver sem vida, sempre, sempre a viver sem Vós, sem Vos amar e sem o Vosso amor. É uma luta, é um combate tremendo.

Por vezes reconheço que Jesus faz o milagre de amparar-me, de outra forma desesperava.

— Ó Jesus, querer o Céu e não o possuir, querer-Vos a Vós e sentir a Vossa perda! Viver uma vida de doloroso martírio de alma e corpo, e tudo inútil, tudo inútil! Vejo-Vos, meu Deus, em todas as coisas. Nada há em mim que não tenha o fim de Vos dar glória, amor e reparação. E a minha vida morta e inútil é como se nada Vos desse, nunca Vos conhecesse, nunca Vos amasse, nada Vos reparasse e nunca Vos possuísse.

O coração fala sempre. Ele quer chupar, chupar na humanidade, em toda a humanidade como a abelhinha a sugar o néctar das flores.

Ele fala, mas esta voz, este eco não é para mim. Parece que este eco vai entoar e destruir montanhas; e eu quero almas, muitas almas, todas as almas, corações, todos os corações para entregar a Jesus. Que eles estejam todos numa só chama de amor divino é a minha ânsia, a minha loucura, noite e dia.

— O que poderei eu dar ao meu Senhor? O que poderei eu fazer por Ele e pelas almas? Não sei. Tudo fiz e nada sei. Vivi por Ele sem ter vivido! Valei-me, meu Deus, valei-me!

As minhas forças não me permitem falar mais dos sentimentos da minha alma e a minha ignorância priva-me de tudo, mas fico num sofrimento inaudito por não poder descrever neste caderno o que está gravado neste livro sem fim que tenho no coração. Segui hoje para o Calvário, como sempre, escarnecendo, calcando, rasgando os meus vestidos em sinal de desespero. Todos os sofrimentos que já descrevi me atormentavam. Dúvidas contra Deus, contra a fé, mas sobre elas sempre o meu “creio”, o meu “creio”, o meu “confio”, o meu “espero em Vós, meu Deus”.

Sentimentos da alma, 2 de Julho de 1854 – Sexta-feira.

sábado, maio 19, 2012

FEZ NO MEU CORAÇÃO O SEU NINHO


Ó doçura, ó meiguice, ó amor de Jesus!

Cada momento que passa é para mim uma eternidade, parece-me estar sempre no mesmo sítio. O céu não chega. Só as sextas-feiras passam e voltam no mesmo momento; quase posso dizer que estão sempre presentes. Durante a noite, estive na agonia do horto. Que solidão tão triste! O céu parecia revoltar-se contra a terra ingrata. Eu ouvia o barulho da gente, o tilintar das armas. A quem quer que se chegou a mim, dentro em mim ouvi dizer-lhe:
― Amigo, a que vieste?
― Ó palavra, ó doce palavra! Ó doçura, ó meiguice, ó amor de Jesus!
Já lá vão umas poucas de horas, e tudo ficou gravado dentro em mim. O meu corpo está cansadíssimo; cansado do horto e da prisão, dos açoutes e dos espinhos e dos maus-tratos a caminho do calvário. O meu coração foi chagado antes ainda de sofrer a lança. Em todo o percorrer do caminho do calvário, jorrou sangue com abundância. Chegada lá, transformei-me em tudo: em montanha, cruz e Jesus. E em mim estava a Mãezinha, os dois corações unidos – o meu e o dela. Quantos sentimentos, quanta dor, quanto amor; amor que se estendia por toda a humanidade, amor que obrigava a tanta dor e agonia, a todo o sangue derramado. Ai, se eu pudesse mostrar tão claro como claro senti o que sofreu Jesus e a Mãezinha!
― Ó meu Deus, ó meu Deus, que agonia indizível!
Quando assim sofria, principiei a sentir na minha alma um bater de asas: desceu do alto, baixou a mim. Com os olhos da alma vi: era uma pomba cheia de alvura; fez do meu coração o seu ninho. Levantava-se, batia as asas, subia ao alto, descia a esvoaçar à minha volta e com o seu biquito dava-me vida e com o seu brilho dava-me luz. Voltava de novo a descansar no seu ninho. Nestes momentos, embebi-me toda naquele brilho, naquela luz, e a minha alma deixou de sofrer.


Sentimentos da alma, 9 de Março de 1945.

EU ERA JUDAS, ERA TUDO...


E u era a mesa, eu era o pão…

Neste colóquio com Jesus, não tive medo d’Ele, mas logo depois voltei a sentir todo o meu martírio. De manhã cedo, principiei a sentir que Jesus chorava dentro em mim. Eu era a cidade de Jerusalém e era Jesus. Eu era o amor e a ingratidão. Do meu coração saíam para a cidade os mais doces e ternos olhares; eram olhares de chamamento, olhares de compaixão. Mas oh! o que eu via sair dali, que revolta contra mim. Ao cair da tarde, senti-me então reunida com os amigos. Ó meu Deus, o que se passou, que quadros tão diferentes. Eu era Jesus e contra o meu coração sentia inclinar-se alguém e eu era esse alguém. Eu era a mesa, eu era o pão e o vinho; eu era o cálice onde ele era deitado; eu era as taças onde se serviam os alimentos; eu era Judas, era tudo. Eu era a doçura e mansidão de Jesus; era o desespero e traição de Judas. Que noite, que santa noite, a maior de todas as noites, a noite do maior milagre, do maior amor de Jesus. O Seu Divino Coração estava preso àqueles que Lhe eram tão queridos. Para poder partir, tinha de ficar entre eles, para subir ao céu, tinha de ficar na terra; assim o obrigava o Seu amor divino. Sinto necessidade de esclarecer todas estas cenas, mas não posso, não sei. O olhar esgazeado do mau discípulo ficou gravado em meu coração e todo aquele silêncio profundo de saudosas despedidas. A amargura da minha alma não podia subir mais alto. E, para afirmar mais esta amargura, vieram os sofrimentos da terra causados. Juntei a dor ao sacrifício e quantas vezes em espírito, com os olhos fitos no céu, ofereci ao trono divino o cálice da minha amargura.

Sentimentos da alma, 8 de Março de 1945.

ANJO CELESTE, LEVANTA A MINHA VÍTIMA...


Perdoai-lhes, meu Jesus !

Estou sempre a ser açoutada com as mesmas varas de espinhos; descarregam-nos sobre mim com toda a crueldade. Nada existe em mim que não seja ferido por eles. E a morte avizinha-se, e os homens não se apressam a dar-me o meu paizinho. Que tristeza! Não sabem o que é a dor. Não sabem quanto valem as luzes e conforto para uma alma.
– Perdoai-lhes, meu Jesus, eu espero em Vós, confio nas Vossas promessas divinas.
Durante esta noite, não sei se ainda era ontem ou se já pertencia a hoje, veio o demónio, veio desesperado, veio com todas as suas maldades, atormentou-me fortemente. Pegou o fogo e deixou em mim as suas manhas e, para disfarçar que não era ele, pôs-se ao largo. Só depois de eu muito lutar e de me parecer que tinha ofendido o meu Jesus tão gravemente é que ele se aproximou novamente a cobrir-me de insultos e a dar-me a afirmação de eu ter pecado. Estava num lago de suores na posição mais violenta que podia estar. Debaixo de mim um medonho abismo e muitos demónios em forma de esqueletos e de animais ferozes a atormentarem uma massa que lá estava. Ó meu Deus, que horror! Não podia falar nem gemer nem dar o mais pequeno movimento ao meu corpo. Pensei:
— Se me não valeis, meu Jesus, morro aqui. Valei-me, valei-me, vinde em meu auxílio.
Serenou tudo. Passados uns momentos, ouvi Jesus a dizer:
— Anjo celeste, anjo bendito, anjo que eu escolhi para guardares, guiares e amparares a minha vítima amada. Levanta-a, leva-a ao seu lugar.
No mesmo instante, sem me causar o mais pequeno incómodo, fiquei na minha posição. Mas logo em dúvidas e grande agonia. Jesus esteve em silêncio uns momentos e depois continuou:
— Não pecaste, minha filha: reparaste, consolaste, honraste o meu divino coração. Para as almas não sofrerem no inferno o que naquele abismo viste é que exijo de ti esta reparação. É fogo de vícios, são paixões, é a carne. Para reparar nesta matéria, só uma virgem inocente, só um enchente de fogo de amor pode apagar o enchente de vícios lodaçais. Tu és o brilho e encanto dos meus olhos. Sossega, sossega, não pecaste. Dá ao meu querido Padre Humberto a abundância do meu amor. Diz-lhe que estou com ele quando ora, quando trabalha, quando guia e encaminha para mim a tua alma. Dá-lhe por mim os meus agradecimentos.


Sentimentos da alma, 8 de Março de 1945.

terça-feira, abril 24, 2012

AI O MUNDO! AI O MUNDO!


Sou mãe que chora tanto…

Sinto em mim um fogo ardente, queima-me em todos os sentidos; todo o meu corpo está numa fornalha viva. Tenho sede, tenho sede de Jesus. Tenho fome, muita fome das almas. Queria engolir o mundo. Sinto-me cada vez mais mãe dele. Que loucura a minha por aquilo que é engano, lodo e imundície. Sou mãe, mas oh! que louca mãe! Sou mãe que chora a perda de seus filhos, sou mãe que os não pode ver em tanta desordem, em tanta malícia e crimes.
— Ai, meu Jesus, o que hei-de eu fazer, o que posso eu fazer?
Sou mãe que chora tanto, mas lágrimas de sangue que banham toda a humanidade. Não posso resistir a tanta dor, não posso sossegar, quero salvar o mundo, quero sofrer tudo, quero dar por ele a vida. Numa hora em que as ânsias eram insuportáveis, levantei com custo os meus olhos para Jesus e disse-lhe:
— Jesus, Jesus, ai o mundo, ai o mundo, quero salvá-lo. Deixai-me entrar no Vosso Divino Coração com todos os que me são queridos; deixai-me entrar com todos os que me pertencem e às minhas orações se recomendam; deixai-me entrar com todos os sacerdotes e pecadores endurecidos; deixai-me entrar com todos aqueles que me têm ofendido; deixai-me entrar com a humanidade inteira; que ninguém fique fora do Vosso Coração Divino para dele passarmos à nossa Pátria, ao céu que para todos criastes. Quero amar-Vos e louvar-Vos com todos eternamente.
Continuam os meus medos para com as pessoas a quem mais estimo e para com Jesus e a Mãezinha querida. Que horror! Não só tenho medo de Jesus, medo que muitas vezes não me deixa levantar para Ele os meus olhos, mas mais ainda: fujo d’Ele, não quero ouvi-l’O, e até me parece que não queria que Ele existisse. Os crimes, o lodo de que estou coberta não podem ser vistos pelos Seus olhos divinos.

Sentimentos da alma, 8 de Março de 1945

NÃO SABEM O QUE É A DOR !


— Perdoai-lhes, meu Jesus!

Estou sempre a ser açoutada com as mesmas varas de espinhos; descarregam-nos sobre mim com toda a crueldade. Nada existe em mim que não seja ferido por eles. E a morte avizinha-se, e os homens não se apressam a dar-me o meu paizinho. Que tristeza! Não sabem o que é a dor. Não sabem quanto valem as luzes e conforto para uma alma.
— Perdoai-lhes, meu Jesus, eu espero em Vós, confio nas Vossas promessas divinas.
Durante esta noite, não sei se ainda era ontem ou se já pertencia a hoje, veio o demónio, veio desesperado, veio com todas as suas maldades, atormentou-me fortemente. Pegou o fogo e deixou em mim as suas manhas e, para disfarçar que não era ele, pôs-se ao largo. Só depois de eu muito lutar e de me parecer que tinha ofendido o meu Jesus tão gravemente é que ele se aproximou novamente a cobrir-me de insultos e a dar-me a afirmação de eu ter pecado. Estava num lago de suores na posição mais violenta que podia estar. Debaixo de mim um medonho abismo e muitos demónios em forma de esqueletos e de animais ferozes a atormentarem uma massa que lá estava. Ó meu Deus, que horror!
Não podia falar nem gemer nem dar o mais pequeno movimento ao meu corpo. Pensei:
— Se me não valeis, meu Jesus, morro aqui. Valei-me, valei-me, vinde em meu auxílio.
Serenou tudo.
Passados uns momentos, ouvi Jesus a dizer:
— Anjo celeste, anjo bendito, anjo que eu escolhi para guardares, guiares e amparares a minha vítima amada. Levanta-a, leva-a ao seu lugar.
No mesmo instante, sem me causar o mais pequeno incómodo, fiquei na minha posição. Mas logo em dúvidas e grande agonia.

Sentimentos da alma, 8 de Março de 1945

EU ERA A CIDADE DE JERUSALEM


Ao cair da tarde, senti-me então reunida com os amigos.

Jesus esteve em silêncio uns momentos e depois continuou:
— Não pecaste, minha filha: reparaste, consolaste, honraste o meu divino coração. Para as almas não sofrerem no inferno o que naquele abismo viste é que exijo de ti esta reparação. É fogo de vícios, são paixões, é a carne. Para reparar nesta matéria, só uma virgem inocente, só um enchente de fogo de amor pode apagar o enchente de vícios lodaçais. Tu és o brilho e encanto dos meus olhos. Sossega, sossega, não pecaste. Dá ao meu querido Padre Humberto a abundância do meu amor. Diz-lhe que estou com ele quando ora, quando trabalha, quando guia e encaminha para mim a tua alma. Dá-lhe por mim os meus agradecimentos.
Neste colóquio com Jesus, não tive medo d’Ele, mas logo depois voltei a sentir todo o meu martírio. De manhã cedo, principiei a sentir que Jesus chorava dentro em mim. Eu era a cidade de Jerusalém e era Jesus. Eu era o amor e a ingratidão. Do meu coração saíam para a cidade os mais doces e ternos olhares; eram olhares de chamamento, olhares de compaixão. Mas oh! o que eu via sair dali, que revolta contra mim. Ao cair da tarde, senti-me então reunida com os amigos. Ó meu Deus, o que se passou, que quadros tão diferentes. Eu era Jesus e contra o meu coração sentia inclinar-se alguém e eu era esse alguém. Eu era a mesa, eu era o pão e o vinho; eu era o cálice onde ele era deitado; eu era as taças onde se serviam os alimentos; eu era Judas, era tudo. Eu era a doçura e mansidão de Jesus; era o desespero e traição de Judas. Que noite, que santa noite, a maior de todas as noites, a noite do maior milagre, do maior amor de Jesus. O Seu Divino Coração estava preso àqueles que Lhe eram tão queridos. Para poder partir, tinha de ficar entre eles, para subir ao céu, tinha de ficar na terra; assim o obrigava o Seu amor divino. Sinto necessidade de esclarecer todas estas cenas, mas não posso, não sei. O olhar esgazeado do mau discípulo ficou gravado em meu coração e todo aquele silêncio profundo de saudosas despedidas. A amargura da minha alma não podia subir mais alto. E, para afirmar mais esta amargura, vieram os sofrimentos da terra causados. Juntei a dor ao sacrifício e quantas vezes em espírito, com os olhos fitos no céu, ofereci ao trono divino o cálice da minha amargura.

Sentimentos da alma, 8 de Março de 1945

segunda-feira, abril 16, 2012

QUERIA UMA PAZ FEITA DE PERDÃO

Queria ir à frente de todos os governadores das nações

Desde o domingo passado, sinto-me mãe da humanidade, mãe extremosa; ao mesmo tempo, a dor vem de encontro a este amor, dor causada pelas desordens destes irmãos que sinto serem filhos meus.
Queria ir à frente de todos os governadores das nações a pedir-lhes a paz, para se reconciliarem uns com os outros. Mas queria uma paz feita de perdão duradouro, para não voltarem mais às mesmas desordens. Quantas vezes sinto uma ânsia tão grande de fazer isto, que me parece voar para junto deles. Para conseguir esta reconciliação, não pouparia o meu corpo aos maiores suplícios e sacrifícios, que me levassem de rasto de nação em nação, de fazer o que há de mais custoso. Queria tomar nas minhas mãos o Coração Santíssimo de Jesus, poder-lhes dizer: “vedes como está ferido! São os nossos pecados que assim o ferem!” Além dos espinhos, em que estou envolvida, sinto também agora e vejo com a minha alma os feixes de varas espinhosas com que estou a ser açoitada. Faz-me estremecer muitas vezes cada golpe que me fere o corpo e a alma. Desde sábado, tenho em mim um grande medo de Jesus, e, desde domingo, juntou-se em mim o medo da Mãezinha, com quem não me atrevo ter um desabafo, assim como aumenta o medo das pessoas que me são queridas. Desejo que o médico, que Padre Humberto venham ao pé de mim, mas ao mesmo tempo atormenta-me o medo da sua presença. Medo que desaparece para deixar lugar a uma indiferença, chegando a pensar que não falo com eles, e chego até a pensar se sim ou não existem no mundo.
Acabei a oferta dos assaltos do demónio pelas três almas por Jesus recomendadas. Deu-me um grande conforto a notícia de que uma dessas almas deu um grande passo para o bom caminho. Não sei, porém, ainda se deixou a má vida de todo.


(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 6 de Março de 1945)

UMA ARAGEM SERENA PASSAVA…

Senti um pouco de alívio e conforto...

Sinto-me cada vez mais próxima da morte, o que me causa grande horror por causa deste medo para com Jesus e a Mãezinha, e ver-me de mãos vazias de virtude e de amor.
Quando Jesus vem ao meu coração, sinto ser um corpo sem coração, sem língua para falar, não tenho nada com que possa louvar o meu Jesus nem agradecer-Lhe tantos miminhos e benefícios recebidos. Ainda sem acabar este dia, senti em mim não posso dizer se alegria se consolação, mas um pouco de alívio e conforto. Uma aragem serena passava em meu coração, e com o meu espírito mais desanuviado pude dizer: Deus seja louvado. Ainda bem que tenho quem compreenda a minha alma, tenho quem me vá encaminhando pelos caminhos de Jesus. Durou pouco este alívio. O medo dos que me eram mais queridos com a sua presença desapareceu para voltar fortemente pouco depois de eles se ausentarem. E que dor tão grande por ver que não lhes tinha dado a consolação de me verem mais alegre, como recompensa de tanto que fazem por mim. Não tive força para mais.
— Perdoai-me, perdoai-me, meu Jesus.
Como remate de tudo isto, veio um espinho disperso dos outros ferir agudamente o meu coração.
— Já sei, meu Jesus, seja tudo por Vosso amor. Sempre que eu tenho alguma coisa que possa servir-me de alívio, hei-de receber a mais algum espinho para profundamente me ferir. Bem-vindo seja o que vem das Vossas divinas mãos.

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 6 de Março de 1945)

domingo, abril 15, 2012

O PEITO PARECIA LEVANTAR-SE…

Quero o que Jesus quiser

Nesta noite, não sei as horas, apareceu-me o demónio vestido de sacerdote, com batina até aos pés. Era grande, muito grande, gordo – parecia um monstro. Atravessava diante de mim, mas não me fez outra coisa a não ser fazer-me sentir como se estivesse o fogo pegado na minha cama; parecia-me as labaredas estarem alastradas debaixo de mim. Fazia-me estremecer de medo. Quero o que Jesus quiser, mas, se houvesse a minha vontade, preferia mil vezes isto do que quando ele usa de outras manhas. Sinto todo o meu corpo dilacerado e em sangue. os espinhos penetram-me a alma, o coração, o corpo e todo o ser. Não posso abrir nem fechar meus olhos sem espinhos; não posso pensar sem espinhos, não posso mover-me sem espinhos. O meu leito e o quarto, onde habito, são de espinhos, e tudo está banhado em sangue. Pobre do meu coração, sangra de dor. E os meus lábios parecem estarem fechados, não posso ter um queixume, morro, morro abafada. Assim, nesta dor e amargura, fiz a minha preparação para a visita de Jesus ao meu coração, nesta manhã. Recordar-me que era o primeiro sábado causava-me tanta tristeza que me fazia pensar assim:
— Meu Jesus, não posso viver sem dúvidas. Que receio o meu! Vede as minhas preocupações, compadecei-Vos delas! Enganar não quero; o Vosso divino amor, as almas, isso, só isso me basta, meu Jesus.
Chegou a hora de O receber. À entrada de Jesus no meu quarto, pareceu-me que me cravaram uma punhalada no peito e foi ferir o coração. Tinha ânsias, tantas ânsias de O receber, mas o medo que tinha d’Ele, o horror ao êxtase não se explica. Momentos depois de Jesus baixar a mim, principiei a sentir a Sua divina presença e a dilatar-se o coração. O peito parecia levantar-se, ao mesmo tempo que o coração se dilatava. O meu amantíssimo Jesus principiou a dizer-me:
— Quero, minha filha, dilatar-te o coração, quero fazê-lo grande, grande como o meu divino amor. Recebe-o com toda a abundância, envolve-o no mundo que nele te  depositei. Transforma-o no meu divino amor. Dei-te e dou-te o meu divino amor, entreguei-te o mundo, quero tudo numa só coisa: quero amor, só amor. Resgatei-te com o meu sangue, és a nova resgatadora da humanidade. Escolhi-te para comigo continuares a obra mais bela, mais sublime, a obra do resgate, a salvação das almas.
*****
(Beata Alexandrina : Sentimentos da alma, 3 de Março de 1945 – Primeiro Sábado)

TU ÉS O SOL, SOL BRILHANTE !

Sol doirado que rompe as nuvens, para alumiar a terra

— És Cristo crucificado, estás retratada em mim. Ao criar-te, vi em ti tudo isto; ao criar-te, logo te escolhi para a missão mais sagrada, mais sublime, para o que há de mais caro e agradável aos meus olhos divinos.
Estava a ouvir Jesus e faltava-me aquela luz, aquela alegria e consolação que quase sempre sentia. Disse-Lhe:
— Meu Jesus, de cada vez tenho mais dúvidas e fico persuadida que estou enganada. Que tristeza, que noite e receio de Vós.
— Não, minha pomba branca angelical. Não, minha pura, minha bela e encanto dos céus. Não te enganas, nunca o permiti nem permito. Foi isto mesmo que ontem te pedi. Alegro-me e consolo-me com a alegria que tu devias de mim receber. Não me negues tudo isto, não?
— Antes a morte e o inferno do que entristecer-Vos, meu Jesus. Sou a Vossa vítima, sou a Vossa escrava.
— Tu és o sol, sol brilhante, sol doirado que rompe as nuvens, para alumiar a terra. Eis os espinhos que te ferem, continuamente cairão sobre ti; entre eles viverás, entre eles morrerás. Tu és o sol, tu és a nuvem, nuvem negra, nuvem que assusta. O sol é para o mundo, a nuvem és tu, é tua, é para ti. Tu és o aguaceiro que sai das nuvens e dás à terra chuva de amor, pérolas de virtudes. Estás, minha filha, a percorrer os últimos caminhos; aproxima-se o teu fim neste desterro; aproxima-se a vida eterna, a tua verdadeira vida. Espera-te o céu com toda a alegria. Diz, minha filha, ao teu Paizinho que cai sempre sobre ele a abundância do meu amor. Que lhe prometo todas as minhas graças em todas as suas obras. Diz-lhe que são estes os caminhos dos que me são queridos, os caminhos dos meus eleitos. Ele vem junto de ti terminar a tua missão. Prometi milagre, se preciso fosse. Prometi castigo à companhia por o fazerem sofrer e se oporem à minha divina causa. Prometi e cumpri. Que pensem, que examinem se sim ou não. Diz ao teu médico que desempenhe a sua missão, a missão que lhe dei: cuidar do teu corpo, cuidar a sério. Cuidar de ti é cuidar de mim, trabalhar por ti é trabalhar por mim, é operar comigo milagres. Diz-lhe que não deixe dormir e que dê a conhecer que nem ele nem todos os que cuidam da minha divina causa dormem. Ela é minha, ela triunfa. Mas é necessário que ele diga umas palavrinhas humildes, mas que façam estremecer. Grande é a sua recompensa, grandes, muito grandes são as minhas divinas graças e o meu amor sobre ele e todos os que lhe são caros. Vem, minha Mãe, vem dar a nossa vida, o nosso amor a esta filhinha. Vem a estas trevas, vem suavizar esta dor.

(Beata Alexandrina : Sentimentos da alma, 3 de Março de 1945 – Primeiro Sábado)

A TUA DOR É AMOR !

— Estás, minha filha, numa prensa de amor.

Veio a Mãezinha, tomou-me em seus braços e Ela mesma lançou os meus sobre os Seus santíssimos ombros, abraçou-me, acariciou-me, cobriu-me de beijos, ao mesmo tempo que d’Ela sentia receber vida e conforto.
— Minha filha, filha e esposa do meu Jesus, a tua dor é vida, a tua dor é amor. Enche-te de mim, enche-te de Jesus. Dá o que de nós recebes aos que amas e te amam. Receberão de nós à medida que te amam e à medida que anseiam o nosso amor. Dá-lhes as nossas riquezas no teu sorriso, nos teus olhares, nos teus carinhos angélicos. Coragem, coragem, triunfas comigo e com o teu Jesus.
Estreitou-me Jesus entre o Seu divino Coração e o da Mãezinha.
— Estás, minha filha, numa prensa de amor.
Fiquei confortada, com mais vida, mas mergulhada em dor e amargura. Horas depois, voltei a sentir a Mãezinha tomar-me em seus braços e suavizou a minha amargura. Animei-me, mas não saí da minha dor. Fiquei entre espinhos, fiquei na cruz.
(Beata Alexandrina : Sentimentos da alma, 3 de Março de 1945 – Primeiro Sábado)